Trilha de aprendizado · Nível 22 · Tutorial 3

Reconhecer ironia e sarcasmo em conversas

Reconhecer leituras irônicas ou sarcásticas e identificar o alvo e o efeito provável da fala, mantendo abertas interpretações alternativas quando necessário.

  • Nível: Avançado
  • Duração: 20 min
  • 8 passos
Reconhecer ironia e sarcasmo em conversas

O que você vai percorrer

  1. Quando a avaliação não é literal Distinguir uma avaliação literal de uma leitura irônica em falas curtas em inglês, justificando a interpretação pela situação. 2 min
  2. Quando a fala retoma uma expectativa frustrada Relacionar comentários irônicos a promessas, previsões e expectativas frustradas que eles retomam. 2 min
  3. Cruzar palavras, situação e voz Use palavras, situação e voz para sustentar — ou limitar — uma leitura irônica em diálogos ouvidos em inglês. 3 min
  4. Identificar o alvo da ironia Identifique a situação, expectativa, pessoa ou ação que recebe uma avaliação irônica em uma conversa. 2 min
  5. Quando a ironia ganha força sarcástica 3 min
  6. Compreender o efeito sem endossar a fala Avalie como alvo, relação, exposição e reações disponíveis ajudam a interpretar o efeito provável de uma fala irônica ou sarcástica, sem confundir compreensão com concordância ou aprovação. 3 min
  7. Manter alternativas quando as pistas não bastam Sustente leituras provisórias de falas potencialmente irônicas ou sarcásticas e atualize sua interpretação quando surgirem novas pistas. 2 min
  8. Aplicação final: interpretar e justificar Reconhecer leituras irônicas ou sarcásticas e identificar o alvo e o efeito provável da fala, mantendo abertas interpretações alternativas quando necessário. 4 min

O que você vai aprender

  • Distinguir uma avaliação literal de uma leitura irônica apoiada no contexto.
  • Identificar quais pistas lexicais, situacionais e vocais sustentam a interpretação.
  • Explicar se a fala parece aproximar os participantes, criticar uma situação ou atingir alguém.

Antes de começar

  • Inferir intenções indiretas em uma conversa
  • Interpretar atitudes pela voz e pelo contexto

Passo 1 de 8

Quando a avaliação não é literal

Distinguir uma avaliação literal de uma leitura irônica em falas curtas em inglês, justificando a interpretação pela situação.

Ler além da formulação

Formulação e contexto

A frase não basta

Na ironia verbal, a formulação expressa não coincide necessariamente com a avaliação que o contexto permite atribuir ao falante. O sentido surge da relação entre:

  1. o que foi dito;
  2. a situação compartilhada;
  3. a avaliação sugerida.

Exemplo: depois de esperar quarenta minutos por um ônibus que deveria ter chegado cedo, alguém diz: “Great timing.” A frase parece elogiar a pontualidade, mas a situação pode sustentar uma crítica à demora.

Não basta notar uma palavra positiva: é preciso perguntar se ela combina, de fato, com o que aconteceu.

Esquema visual ligando uma fala aparentemente positiva, uma espera longa por ônibus e uma avaliação negativa sugerida.

A interpretação depende do encaixe — ou desencontro — entre as palavras e a situação.

Comparar situações

“Great timing.”

Compare a mesma fala em dois cenários.

Exemplo

Dois contextos, duas leituras

Cenário A

Maya chega exatamente quando a palestra vai começar. Ela encontra Alex na entrada, e ele diz: “Great timing — you didn’t miss anything.”

Aqui, great timing é compatível com o fato observado. A leitura mais sustentada é literal: Alex avalia positivamente o momento da chegada.

Cenário B

Maya chega ao café para encontrar Alex às 10h. Alex esperou até 10h40, perdeu outra reunião e diz: “Great timing.”

Aqui, a formulação positiva entra em choque com a demora. Uma leitura irônica é plausível: Alex parece comunicar uma avaliação negativa da pontualidade.

Dica

Cuidado com conclusões rápidas

O contraste “palavra positiva + situação desfavorável” é frequente, mas não é uma regra mecânica. Uma situação pode ter detalhes que justifiquem o elogio, ou o falante pode estar sendo apenas educado. Trate a incompatibilidade como uma pista a interpretar, não como prova automática.

Prática: localizar a pista

Escolha a evidência central

No Cenário B, qual fato sustenta melhor a leitura irônica de “Great timing.”?

Selecione a informação que mais favorece a leitura irônica.

Prática: mesma frase, sentidos diferentes

Prática: interpretar pelo contexto

Leia os dois contextos para a mesma frase:

A. A equipe entrega o relatório antes do prazo e sem erros. A gerente diz: “Well done.”

B. A equipe envia o relatório dois dias atrasado, com páginas faltando. A gerente diz: “Well done.”

Qual interpretação é mais sustentada em cada contexto?

Escolha a comparação correta.

Passo 2 de 8

Quando a fala retoma uma expectativa frustrada

Relacionar comentários irônicos a promessas, previsões e expectativas frustradas que eles retomam.

Expectativa, fato e retomada

A expectativa volta à conversa

Retomar não é concordar

Uma fala irônica pode recuperar uma promessa, previsão ou expectativa anterior para mostrar que ela falhou.

Observe a sequência:

  1. alguém diz ou espera algo;
  2. acontece algo incompatível com isso;
  3. outro comentário repete ou alude à ideia inicial.

Nesse terceiro momento, repetir palavras como guaranteed, on time ou no problem pode sinalizar distância: o falante traz a expectativa de volta justamente porque os fatos a desmentiram. Não é necessário haver um elogio aparente.

O encadeamento da ironia

Diagrama em três etapas: expectativa de entrega, atraso observado e comentário que retoma a promessa.

A interpretação depende da ligação entre o que era esperado, o que ocorreu e a retomada posterior.

Ler a retomada no contexto

Exemplo

Exemplo 1

Contexto: Na segunda-feira, a empresa anuncia: “The update will be a quick fix.” Na sexta, o sistema continua fora do ar.

Comentário: “So much for a quick fix.”

A expressão retoma a quick fix, mas não reafirma a previsão. Diante do atraso, ela marca que a promessa de rapidez perdeu credibilidade.

Exemplo

Exemplo 2

Contexto: Jordan disse: “I guarantee the report will be finished today.” No fim do dia, o relatório nem foi iniciado.

Comentário: “Your ‘guarantee’ is looking very reliable.”

As aspas orais ou escritas em torno de guarantee podem destacar a palavra que agora contrasta com os fatos. A leitura irônica vem da promessa não cumprida — não de uma inversão simples entre “positivo” e “negativo”.

Dica

Como justificar a leitura

Pergunte-se: qual ideia anterior este comentário está recuperando? Depois, compare essa ideia com o acontecimento. Se entram em conflito, a retomada pode indicar que o falante se distancia dela.

Prática: ligue comentário e expectativa

Qual expectativa está sendo retomada?

Associe cada comentário à expectativa frustrada que ele retoma. Leia a situação implícita em cada par: a formulação do comentário não deve ser interpretada isoladamente.

Faça as associações.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Prática: justifique a interpretação

Explique a pista contextual

Leia o caso:

Maya disse pela manhã: “Don’t worry — this route is always faster.” Duas horas depois, ela e Leo ainda estão presos no trânsito. Leo comenta: “Always faster, huh?”

Explique em português por que always faster parece uma retomada distanciada, e não uma concordância com Maya. Mencione a expectativa inicial e o fato observado.

Escreva pelo menos 80 caracteres (0/80).

Passo 3 de 8

Cruzar palavras, situação e voz

Use palavras, situação e voz para sustentar — ou limitar — uma leitura irônica em diálogos ouvidos em inglês.

Reunir evidências

Três fontes de pistas

Para decidir se uma fala em inglês parece irônica, não procure uma “voz de ironia” infalível. Cruze três fontes:

  1. Palavras: avaliações como great, repetições e concordâncias como Exactly.
  2. Situação e sequência: o que aconteceu e o que já tinha sido dito.
  3. Voz: exagero de entonação, fala pouco expressiva ou uma pausa podem reforçar uma leitura.

Uma pista isolada é ambígua. Quando as três apontam para o mesmo distanciamento entre a formulação e a situação, a leitura irônica fica mais bem sustentada.

Cruze as pistas antes de concluir

Diagrama com palavras, situação e voz convergindo para uma interpretação.

A interpretação mais sólida surge da convergência: a palavra avaliativa, o contexto e a realização vocal se apoiam mutuamente.

Dica

A voz não decide sozinha

Uma entonação ampla em Great! pode soar como entusiasmo genuíno — ou como exagero que contrasta com um atraso, erro ou fracasso. Do mesmo modo, uma fala plana pode sugerir distanciamento, mas também cansaço, timidez ou um estilo pessoal.

Pergunte: essa realização combina com os acontecimentos e com o turno anterior? A voz acrescenta evidência; ela não revela sozinha a intenção do falante.

Aplicar contexto à escuta

Ouça a realização

Contexto: Morgan prometeu que enviaria o relatório às 9h. Às 11h30, ele ainda não chegou. Sam comenta ao ver a caixa de entrada vazia:

Right on time.

Transcrição

Right on time.

Tradução

Bem na hora.

Interprete pelo conjunto

Ouça e escolha uma opção.

Considerando o contexto e o áudio, qual leitura é mais bem sustentada?

Transcrição

Right on time.

Testar uma interpretação alternativa

Mesmo enunciado, outra situação

Agora mude a situação: Morgan entrega o relatório exatamente às 9h, como combinado. Sam diz a mesma frase com uma entonação ampla e alegre:

Right on time!

Transcrição

Right on time!

Tradução

Bem na hora!

Evite uma regra automática

Qual conclusão é a mais cuidadosa sobre o segundo caso?

Passo 4 de 8

Identificar o alvo da ironia

Identifique a situação, expectativa, pessoa ou ação que recebe uma avaliação irônica em uma conversa.

Localize o foco da avaliação

O alvo não é sempre o interlocutor

Para onde a avaliação aponta?

Em uma leitura irônica, o alvo é aquilo ou aquela pessoa sobre quem recai a avaliação sugerida. Não é automaticamente quem escuta a fala — nem a última pessoa mencionada.

Para localizá-lo, pergunte: “O que, nesta conversa, está sendo avaliado de modo não literal?”

O alvo pode ser uma situação, uma expectativa frustrada, outra pessoa ou o próprio falante.

Exemplo

Use os referentes e os acontecimentos da conversa para ligar o comentário ao seu alvo. O balão de fala aponta para quem ouve; a seta de avaliação aponta para o que está sendo avaliado.

Quem ou o que recebe a avaliação?

Diagrama mostrando que um comentário irônico pode apontar para uma situação, uma expectativa, o próprio falante ou outra pessoa.

O destinatário da fala e o alvo da avaliação podem ser diferentes.

Compare os referentes

Quatro alvos possíveis

Leia o comentário junto com os turnos anteriores. A mesma frase pode apontar para alvos diferentes conforme o que acabou de ocorrer.

Exemplo

1. Situação

A: The train is forty minutes late.
B: Great. Just what we needed.

A fala de B critica a situação do atraso, não A.

2. Expectativa

A: They said the update would fix everything.
B: Well, that worked brilliantly.

O alvo é a expectativa ou promessa de que a atualização resolveria o problema.

Exemplo

3. O próprio falante

A: I sent the email to the entire company by mistake.
B: Did you?
A: Yeah. Smooth move, me.

A ironia de A recai sobre a própria ação. Isso não basta, por si só, para classificá-la como brincadeira.

4. Outra pessoa

A: Leo ignored every reminder and missed the deadline.
B: Leo is clearly a master of organization.

A avaliação sugerida recai sobre Leo, embora B esteja falando com A.

Pratique a identificação

Prática: qual é o alvo?

Em cada caso, relacione o comentário irônico ao alvo mais provável. Baseie-se no acontecimento e nos turnos, não apenas na pessoa que recebe a mensagem.

Dica

Alvo é o referente avaliado pelo comentário. No caso de Maya, o comentário recai sobre a previsão dela; no de Sam, sobre a própria ação de Sam; no de Nina, sobre o estado da sala.

Faça as correspondências.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Passo 5 de 8

Quando a ironia ganha força sarcástica

O que torna uma fala possivelmente sarcástica

Ironia e sarcasmo: zonas que se sobrepõem

Uma fala sarcástica frequentemente é também irônica: o falante se distancia das palavras que diz e sugere uma avaliação diferente. Mas o sarcasmo costuma acrescentar mais incisividade e um direcionamento que pode ridicularizar ou desqualificar um alvo.

Isso não cria uma fronteira perfeita. Em vez de procurar uma palavra mágica, observe três dimensões: há distanciamento entre a formulação e a avaliação sugerida?; qual é o alvo?; a formulação o rebaixa de modo particularmente forte?

Diagrama comparando uma ironia sobre uma situação, uma fala mais sarcástica sobre um objeto ou resultado e uma crítica direta a uma proposta.

O alvo e a força da avaliação ajudam a comparar as leituras; eles não funcionam como uma regra mecânica.

Compare as dimensões

Use estas perguntas para justificar uma leitura, sem supor que toda negatividade é sarcasmo.

Três leituras possíveis de uma avaliação negativa ou aparentemente positiva.
LeituraDistanciamento irônicoAlvo e força
Ironia não pessoalGeralmente háPode criticar uma situação, sem atacar alguém
Possível sarcasmoGeralmente háAlvo mais marcado e formulação mais depreciativa
Crítica literalNão há necessariamentePode ser dura e pessoal, mas diz diretamente o que avalia

Exemplo

Exemplo 1 — ironia dirigida à situação

Situação: Uma equipe planejou um piquenique. Começa uma chuva forte quando todos chegam ao parque.

Maya: “Perfect weather for a picnic.”

A formulação positiva entra em choque com a chuva. Maya provavelmente critica a situação, não uma pessoa. A fala é irônica; chamá-la de sarcasmo exigiria mais evidência de uma intenção de ridicularizar alguém ou algo.

Exemplo

Exemplo 2 — ironia com força sarcástica

Situação: Leo garantiu várias vezes que enviaria o relatório antes da reunião. Ele chega sem o relatório e diz que “esqueceu”.

Nora: “Excellent preparation, Leo.”

“Excellent” não parece ser a avaliação endossada por Nora. O comentário retoma o fracasso de Leo e o avalia de forma depreciativa. Pelo alvo pessoal e pela força da formulação, uma leitura possivelmente sarcástica é bem sustentada — embora o vínculo entre eles e o tom possam alterar o efeito.

Exemplo

Exemplo 3 — crítica direta não é automaticamente sarcasmo

Situação: Leo chega sem o relatório.

Nora: “You did not send the report, and that delayed the meeting.”

A crítica pode ser incisiva, mas Nora formula a avaliação de modo direto. Não há o contraste entre o que é dito e o que ela parece querer dizer. Portanto, é uma crítica literal, não ironia verbal.

Qual interpretação é mais bem justificada?

Leia o caso e selecione a justificativa mais cuidadosa.

Durante uma apresentação, Priya mostra um gráfico com números trocados. Sam olha para a tela e diz: “Well, that makes everything perfectly clear.” Algumas pessoas riem; Priya fica em silêncio e corrige o gráfico.

Use a formulação, o alvo e a situação — não apenas a reação de uma pessoa.
PistaO que ela sugere
“perfectly clear”A formulação positiva contrasta com o gráfico confuso
Gráfico de PriyaÉ o alvo imediato da avaliação
Risos e silêncioPodem indicar efeitos diferentes, mas não provam a intenção

Pratique uma justificativa proporcional às pistas

Qual justificativa é a mais adequada para a fala de Sam?

Passo 6 de 8

Compreender o efeito sem endossar a fala

Avalie como alvo, relação, exposição e reações disponíveis ajudam a interpretar o efeito provável de uma fala irônica ou sarcástica, sem confundir compreensão com concordância ou aprovação.

Avaliar o efeito provável

Do alvo ao efeito

Depois de identificar uma leitura irônica ou sarcástica, pergunte: que efeito esse comentário provavelmente produz nesta conversa?

Três efeitos frequentes são:

  • Aproximar participantes: duas pessoas reconhecem juntas o absurdo de uma situação.
  • Compartilhar uma crítica à situação: o foco recai sobre um atraso, uma falha ou uma expectativa frustrada.
  • Atingir alguém: a fala pode expor, desqualificar ou ridicularizar uma pessoa, sobretudo diante de outras.

O alvo ajuda, mas não resolve tudo. Também observe a relação entre os participantes, quem presencia a fala e o que acontece em seguida.

O mesmo tipo de comentário, efeitos diferentes

Comparação entre participantes unidos diante de uma falha e uma pessoa exposta diante de um grupo.

A relação e a exposição pública podem mudar o efeito provável de uma fala irônica.

Dica

Use reações com cautela

A reação do interlocutor é uma pista complementar. Rir junto pode sustentar a leitura de crítica compartilhada; silêncio, afastamento ou desconforto podem sugerir que alguém foi atingido.

Mas uma reação não revela a intenção com certeza. Uma pessoa pode rir por constrangimento, ficar calada por vários motivos ou não ter entendido o comentário.

Comparar configurações

Configuração A: crítica compartilhada

Considere a mesma frase em duas configurações.

Comentário: “Well, that went brilliantly.”

Configuração A — após uma falha técnica
Durante uma apresentação, o projetor para de funcionar. Maya e Jordan esperam juntos enquanto a equipe tenta resolver o problema. Maya olha para a tela apagada e diz a frase a Jordan. Jordan sorri e responde: “Exactly.”

A formulação positiva entra em conflito com a falha visível. O alvo mais provável é a situação; a reação sugere uma crítica compartilhada. O efeito pode ser criar cumplicidade diante do contratempo.

Configuração B: possível exposição

Configuração B — diante da equipe
Após uma apresentação confusa, Maya diz “Well, that went brilliantly” olhando para Jordan, que a conduziu, enquanto outras pessoas ainda estão na sala. Jordan para de organizar seus papéis e não responde.

A frase ainda pode ser irônica, mas agora a avaliação pode recair sobre a atuação de Jordan. A presença de outras pessoas e a reação dele tornam mais plausível um efeito de exposição ou desqualificação. Ainda assim, não podemos afirmar a intenção de Maya como fato.

Dois contextos para a mesma frase: falha técnica compartilhada e possível crítica pública a uma pessoa.

Não é a frase isolada que define o efeito: alvo, vínculo, público e reação alteram a interpretação.

Prática de interpretação

Justifique o efeito provável

Compare as duas configurações da tela anterior. Em 3 a 5 frases, explique:

  1. qual é o alvo mais provável em cada uma;
  2. como a reação disponível afeta sua leitura;
  3. por que o efeito da Configuração B pode ser mais danoso, sem tratar isso como certeza sobre a intenção de Maya.

Escreva pelo menos 180 caracteres (0/180).

Separar interpretação de posicionamento

Compreender não é endossar

Qual afirmação separa corretamente compreensão, concordância e aprovação?

Passo 7 de 8

Manter alternativas quando as pistas não bastam

Sustente leituras provisórias de falas potencialmente irônicas ou sarcásticas e atualize sua interpretação quando surgirem novas pistas.

Leitura possível não é certeza

Quando não há evidência suficiente

Interpretação provisória

Nem toda fala com aparência de elogio, concordância ou crítica permite um rótulo imediato. Sem saber o que aconteceu antes, qual expectativa estava em jogo ou a quem a avaliação se dirige, uma mesma frase pode ser literal, irônica ou, em alguns casos, sarcástica.

A tarefa não é adivinhar a intenção escondida. É separar:

  • pistas observáveis: palavras, pausa, tom de voz, acontecimento relatado, reação seguinte;
  • conclusões: “parece ironia”, “pode ser uma crítica à situação”, “talvez ataque alguém”.

Uma conclusão forte exige pistas convergentes. Quando elas faltam, formule uma leitura com grau de confiança: “Pode ser literal; eu precisaria saber se havia uma expectativa frustrada.”

Diagrama mostrando uma fala no centro e três leituras possíveis, apoiadas por pistas de contexto, voz e continuação da conversa.

A fala isolada não decide a leitura: o contexto, o alvo e o próximo turno podem mudar a interpretação.

O que a continuação esclarece

Exemplo

Um novo turno atualiza a leitura

Considere a fala de Maya depois de uma reunião: “Well, that went smoothly.”

Você sabe apenas que ela fala ao sair da sala. A frase pode ser literal: talvez a reunião tenha sido eficiente. Também pode ser irônica: talvez algo tenha dado errado. Ainda não há base para chamar a fala de sarcasmo, porque não sabemos se há um alvo pessoal nem força depreciativa.

Agora acrescente a continuação:

Leo: “The client left after ten minutes.”
Maya: “Well, that went smoothly.”

A incompatibilidade entre smoothly e a saída do cliente sustenta uma leitura irônica. O alvo mais provável é a situação/reunião, não necessariamente Leo ou outra pessoa.

Se um turno posterior revelasse que Maya estava repetindo, com desprezo, uma promessa de Leo sobre a reunião, a hipótese de sarcasmo poderia ganhar força. O rótulo continua dependente das evidências.

Prática: preservar alternativas

Avalie o limite das pistas

Leia o caso:

Priya: “I finished the report before lunch.”
Noah: “Impressive.”

Não há informação sobre o relatório, a relação entre eles nem a voz de Noah. Qual é a interpretação mais bem justificada neste momento?

Qual conclusão é mais adequada?

Prática: interpretar após nova evidência

Atualize sua interpretação

Analise a sequência em duas etapas:

Elena: “Did the new system save us time?”
Marcus: “Oh, absolutely.”

Depois, Elena acrescenta:

“We’ve spent all morning trying to log in.”

Escreva uma resposta curta dizendo: (1) qual era a leitura mais prudente antes da fala de Elena; (2) como a nova informação altera sua interpretação; e (3) qual é o alvo mais provável da avaliação. Se ainda restar dúvida, indique qual pista falta.

Escreva pelo menos 180 caracteres (0/180).

Passo 8 de 8

Aplicação final: interpretar e justificar

Reconhecer leituras irônicas ou sarcásticas e identificar o alvo e o efeito provável da fala, mantendo abertas interpretações alternativas quando necessário.

Aplicar os critérios juntos

Roteiro de interpretação

Antes de decidir se uma fala é literal, irônica ou possivelmente sarcástica, percorra cinco pontos:

  1. Formulação: o que foi dito exatamente?
  2. Contexto/expectativa: o que aconteceu e o que se esperava?
  3. Pistas: há contraste, retomada, escolha avaliativa ou voz relevante?
  4. Alvo: a fala avalia uma situação, uma expectativa, o próprio falante ou alguém?
  5. Efeito provável: aproxima, compartilha uma crítica ou expõe alguém?

A conclusão deve corresponder às evidências. Se elas forem insuficientes, mantenha mais de uma leitura em aberto.

Do enunciado ao efeito

Diagrama visual de cinco etapas conectadas para interpretar uma fala em conversa.

Use as etapas como apoio para justificar uma leitura, não como uma fórmula para rotular toda fala.

Análise 1: quando não há distanciamento

Caso 1: uma avaliação pode ser literal

Diálogo 1

A: Is this café usually busy?
B: Not on weekday mornings. This café is quiet today.

Os dois estão sentados em um café quase vazio, numa terça-feira pela manhã.

Decida pela evidência

Qual análise é mais bem sustentada pelo diálogo?

Análise 2: expectativa frustrada e alvo

Caso 2: palavras e consequência

Diálogo 2

A: Did Theo submit the figures?
B: Of course he did. That's why we're all still waiting at 6 p.m.

Ouça a resposta de B e relacione a formulação ao que a continuação revela.

Resposta de B

Ouça a resposta de B uma vez antes de decidir.

Of course he did. That's why we're all still waiting at six p.m.

Transcrição

Of course he did. That's why we're all still waiting at 6 p.m.

Decida o alvo e a força

Qual interpretação integra melhor as evidências?

Análise 3: interpretar com cautela

Caso 3: evidência insuficiente

Diálogo 3

A: The train is only twenty minutes late.
B: Wonderful.

Você não sabe se B precisava chegar logo, se tinha tempo sobrando ou como a palavra foi pronunciada.

Justifique sem fechar cedo demais

Registre uma leitura principal, uma alternativa defensável e a informação que ajudaria a decidir. Identifique também o alvo e o efeito provável se você optar por uma leitura irônica.

Escreva pelo menos 180 caracteres (0/180).

Resumo

Síntese final

  • Comece pela formulação, mas teste-a contra a situação e a expectativa compartilhada.
  • Uma leitura irônica precisa de pistas convergentes; uma palavra isolada não basta.
  • Diferencie destinatário, pessoa mencionada e alvo efetivo da avaliação.
  • Avalie o efeito provável sem confundir compreensão com aprovação.
  • Quando faltarem contexto ou pistas vocais, formule alternativas e diga o que falta saber.

Tutorial concluído

Parabéns! Você concluiu: Reconhecer ironia e sarcasmo em conversas

Muito bem! Você aplicou os critérios de interpretação a conversas inéditas.

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