
Passo 1 de 9
Ler os atrasos de uma porta lógica
Interprete atrasos de propagação de uma porta lógica, escolhendo o parâmetro e o limite garantido adequados às condições declaradas.
Trilha de aprendizado · Nível 8 · Tutorial 7
Ao concluir, o aluno será capaz de verificar atrasos e janelas de captura em um caminho digital simples, estimar um período de clock admissível e reconhecer situações em que o resultado lógico não é garantido.
Ler os atrasos de uma porta lógica
Interprete atrasos de propagação de uma porta lógica, escolhendo o parâmetro e o limite garantido adequados às condições declaradas. 2 min
Somar atrasos e reconhecer pulsos espúrios
Compare caminhos combinacionais, estime o maior atraso de estabilização e reconheça glitches causados por diferenças de atraso. 3 min
Acompanhar o dado entre dois flip-flops
Localize o atraso clock–Q e acompanhe a propagação do dado da borda de lançamento até a entrada do flip-flop de destino. 2 min
Verificar as janelas de setup e hold
Reconheça as janelas de estabilidade de setup e hold e classifique transições de D próximas à borda ativa. 3 min
Calcular um período de clock admissível
Calcule o período mínimo de clock para setup com uma margem explícita e interprete corretamente o limite de frequência obtido. 3 min
Verificar hold separadamente
Use limites mínimos garantidos para verificar se o novo dado chega tarde o bastante após a mesma borda de clock. 3 min
Conferir pulsos, bordas e liberação do reset
Verifique requisitos de largura de pulso, velocidade de borda e liberação do reset que complementam as análises de setup e hold. 3 min
Reconhecer riscos de entradas assíncronas
Entradas sem relação temporal com o clock podem violar a janela de captura mesmo quando seus níveis elétricos são bem definidos. 2 min
Aplicar uma verificação temporal completa
Integre setup, hold e requisitos adicionais para concluir com precisão se uma captura digital é garantida nas condições declaradas. 4 min

Passo 1 de 9
Interprete atrasos de propagação de uma porta lógica, escolhendo o parâmetro e o limite garantido adequados às condições declaradas.
Uma porta lógica não altera sua saída no mesmo instante em que a entrada muda. O atraso de propagação é o intervalo entre dois pontos de referência definidos pela especificação: um ponto na transição de entrada e o ponto correspondente na transição de saída.
Por exemplo, uma especificação pode medir ambos os pontos no cruzamento de 50% da tensão de alimentação. Nesse caso, o atraso é a diferença entre os instantes em que entrada e saída cruzam essa referência. Sempre use as referências e as condições indicadas para o parâmetro.

O atraso é medido entre referências especificadas, como os cruzamentos em 50% da tensão.
Dica
O atraso de propagação não é a duração da borda. O primeiro mede o deslocamento temporal entre os pontos de referência da entrada e da saída. Já o tempo de subida ou de descida mede quanto a própria saída leva para atravessar uma faixa de tensão definida, frequentemente de 10% a 90%.
Assim, uma saída pode ter uma borda gradual e, ainda assim, um atraso de propagação bem definido pelos pontos de medição especificados.
Os sufixos indicam a direção da transição na saída:
Em uma porta inversora, entrada e saída mudam em sentidos opostos. Se A sobe, Y desce; portanto, o parâmetro aplicável é t_PHL. Se A desce, Y sobe; use t_PLH.

Escolha o parâmetro pela direção de Y, não pela direção de A.
Exemplo
Em uma porta NAND, NOR ou inversora, primeiro determine pela tabela-verdade qual transição ocorrerá em Y. Depois selecione t_PLH se Y sobe ou t_PHL se Y desce. Os dois atrasos podem ter valores diferentes.
A tabela é hipotética e autocontida: não representa uma folha de dados real. Cada linha vale para as condições escritas naquela própria linha. Antes de usar um número, confira alimentação, temperatura, carga e condição de entrada aplicáveis ao seu caso.
Parâmetros de atraso hipotéticos; valores em ns.
| Condições | Parâmetro | Mínimo | Típico | Máximo |
|---|---|---|---|---|
| 5,0 V; 25 °C; 15 pF; borda ≤ 2 ns | t_PLH | 2 | 5 | 9 |
| 5,0 V; 25 °C; 15 pF; borda ≤ 2 ns | t_PHL | 2 | 6 | 11 |
| 4,5 a 5,5 V; −20 a 70 °C; 15 pF; borda ≤ 2 ns | t_PLH | — | — | 12 |
| 4,5 a 5,5 V; −20 a 70 °C; 15 pF; borda ≤ 2 ns | t_PHL | — | — | 15 |
Atenção
Um valor típico descreve um comportamento representativo sob condições determinadas; ele não garante que toda peça responderá daquele modo. Para limitar a chegada mais tardia de uma transição, use o máximo garantido aplicável.
Quando fornecido, um mínimo garantido limita uma resposta mais antecipada. Alimentação, temperatura, capacitância de carga e condição da borda de entrada podem alterar os atrasos. Não use um valor fora das condições que a especificação cobre.
Uma porta inversora opera com alimentação entre 4,5 e 5,5 V, temperatura entre −20 e 70 °C, carga de 15 pF e borda de entrada de até 2 ns. A entrada A faz uma transição de baixo para alto.
Selecione o parâmetro pela transição de Y, localize o conjunto de condições correspondente e escolha o limite garantido que restringe a resposta mais tardia.
Qual valor deve ser usado para limitar o instante mais tardio da transição de Y?

Passo 2 de 9
Compare caminhos combinacionais, estime o maior atraso de estabilização e reconheça glitches causados por diferenças de atraso.
Em um circuito combinacional, uma mudança na entrada pode alcançar a saída por mais de uma rota. Para estimar quando a saída estará garantidamente estabilizada, identifique os caminhos sensibilizados pela transição, determine a direção da saída em cada porta e some os atrasos máximos correspondentes.
Use t_PLH,max quando a saída daquela porta sobe e t_PHL,max quando ela desce. Compare os totais: o maior deles limita a estabilização da saída nas condições para as quais os parâmetros são garantidos.
Não basta contar portas. Dois caminhos com o mesmo número de estágios podem ter atrasos diferentes, e uma porta pode usar t_PLH em uma transição e t_PHL em outra.

Para analisar caminhos, mantenha explícitos o circuito, as entradas laterais e a transição aplicada.
Considere o circuito hipotético da imagem:
N = NÃO XA = X E B, com B = 1Y = N OU AInicialmente, X = 0. Portanto, N = 1, A = 0 e Y = 1. Agora, X sobe para 1. Como B continua em 1, N desce para 0 e A sobe para 1. O valor estável de Y continua sendo 1, mas as duas mudanças chegam à OR em momentos diferentes.
Os valores abaixo são limites hipotéticos já aplicáveis às condições analisadas.
| Porta | t_PLH mín. | t_PLH máx. | t_PHL mín. | t_PHL máx. |
|---|---|---|---|---|
| NOT | 1 | 3 | 1 | 2 |
| AND | 2 | 5 | 2 | 4 |
| OR | 2 | 4 | 2 | 5 |
Exemplo
Com X subindo:
t_PHL da NOT e t_PHL da OR: 2 ns + 5 ns = 7 ns.t_PLH da AND e t_PLH da OR: 5 ns + 4 ns = 9 ns.Logo, Y só está garantidamente no valor final após 9 ns. O caminho inferior é o mais lento neste caso. As direções são coerentes com as funções: uma entrada que sobe em uma OR sensibilizada pode elevar a saída; uma entrada que desce pode abaixá-la.
O atraso máximo até a estabilização responde: até quando Y ainda pode estar em transição? Neste exemplo, a resposta é 9 ns.
Isso é diferente do limite até uma primeira mudança medida na saída. Se limites mínimos forem explicitamente fornecidos, eles indicam quando o cruzamento da referência de medição especificada em Y pode ocorrer mais cedo. Aqui, pelo caminho superior, o cruzamento correspondente à queda de Y pode ocorrer a partir de t_PHL,min da NOT + t_PHL,min da OR = 1 ns + 2 ns = 3 ns.
Esse limite de 3 ns não informa quando a borda física começou: t_PHL,min é medido entre referências definidas, como os cruzamentos de 50% da tensão. Ele também não significa que Y já se estabilizou; o caminho inferior ainda pode provocar a subida posterior. Use mínimos apenas quando forem fornecidos como limites garantidos; não os deduza de valores típicos ou máximos.

Neste circuito, Y começa e termina em 1, mas pode apresentar um pulso baixo temporário entre as chegadas dos dois caminhos.
Esse pulso temporário é um pulso espúrio, ou glitch. A tabela-verdade continua correta: antes e depois da transição, ela prevê Y = 1. Porém, a tabela-verdade descreve estados estáveis; ela não mostra necessariamente as transições intermediárias causadas por atrasos físicos diferentes.
A existência, a polaridade e a duração de um glitch dependem das rotas sensibilizadas, dos atrasos e do instante das transições. Neste step, o objetivo é reconhecê-lo e estimar a estabilização; os efeitos dele na captura por flip-flops serão tratados depois.
Novo caso hipotético: P = NÃO X, Q = X E C, Z = P OU Q, com C = 1. X começa em 0 e sobe para 1. Portanto, P desce, Q sobe e Z começa e termina em 1.
Use estes máximos: NOT: t_PHL,max = 3 ns; AND: t_PLH,max = 4 ns; OR: t_PHL,max = 6 ns e t_PLH,max = 5 ns.
Calcule os dois caminhos antes de responder:
Qual é o atraso máximo conservador até Z estar estabilizada?
Qual atraso máximo deve ser usado para a estabilização de Z nesse caso?
Se um circuito combinacional tem a mesma saída estável antes e depois de uma transição de entrada, a tabela-verdade garante que não haverá pulso espúrio no intervalo.

Passo 3 de 9
Localize o atraso clock–Q e acompanhe a propagação do dado da borda de lançamento até a entrada do flip-flop de destino.
Entre dois flip-flops, o dado não percorre o caminho de forma instantânea. A borda ativa do clock faz o flip-flop de origem lançar o valor que estava em sua entrada D. Depois de um atraso clock–Q, esse valor aparece em Q, atravessa a lógica combinacional e chega à entrada D do flip-flop de destino.
Nesta etapa, acompanhe apenas esse percurso. A verificação das janelas de captura será feita depois.

A borda lança o dado no flip-flop de origem; a saída Q e a entrada D do destino mudam apenas após seus respectivos atrasos.
O atraso clock–Q, escrito como t_CQ, é medido da borda ativa do clock até a mudança correspondente em Q do flip-flop de origem.
Não confunda t_CQ com o atraso da lógica posterior: t_CQ termina em Q. A partir de Q, cada porta, conexão ou bloco combinacional acrescenta atraso até D do destino.
Exemplo
Em uma mesma borda ativa, Q não é atualizado no instante exato do clock. Se a especificação informa t_CQ,min = 2 ns e t_CQ,max = 5 ns, a mudança em Q é garantida em algum instante entre 2 ns e 5 ns após a borda, nas condições especificadas.
O valor efetivo pode variar; os limites mínimo e máximo servem para verificar os casos críticos.
Exemplo
Considere este caminho hipotético:
Após uma borda de lançamento em t = 0:
A borda seguinte do clock é a candidata a capturar esse novo dado. Por enquanto, use essa separação para localizar os eventos; ainda não vamos decidir se a captura é válida.
Dica
A ordem causal não muda: primeiro ocorre a borda de lançamento; depois Q muda após t_CQ; por fim, o resultado atravessa a lógica e alcança D no destino. Os valores mínimo e máximo delimitam quando essas mudanças podem acontecer, não são dois atrasos que ocorrem em série.
Organize os eventos de um novo dado no caminho entre flip-flops, começando pela borda que o lança.
Coloque os eventos na ordem correta.

Passo 4 de 9
Reconheça as janelas de estabilidade de setup e hold e classifique transições de D próximas à borda ativa.
O flip-flop não exige apenas que D tenha um nível lógico na borda ativa: esse nível precisa permanecer estável em uma região ao redor dela.
Se a borda ativa ocorre em t = 0, a janela exigida vai de −t_setup até +t_hold. Compare cada mudança de D com esses limites.

A região destacada reúne o intervalo de setup antes da borda e o intervalo de hold depois dela.
Considere uma borda de subida em t = 0 ns, com requisitos hipotéticos:
t_setup = 3 nst_hold = 2 nsPortanto, D deve ficar sem transições de −3 ns a +2 ns.
Uma mudança em D em −4 ns ocorreu cedo o bastante para setup. Uma mudança em +3 ns ocorreu tarde o bastante para hold. As duas são compatíveis com os requisitos.
Já uma mudança em −1 ns invade setup; uma em +1 ns invade hold.
Exemplo
Exemplo — transição antes da borda
A borda ativa é em 20 ns. O componente pede t_setup = 4 ns. D muda pela última vez em 15 ns e fica estável até a borda.
O intervalo disponível é 20 − 15 = 5 ns.
Como 5 ns ≥ 4 ns, o requisito de setup é atendido. Para decidir sobre hold, ainda seria necessário observar D depois de 20 ns.
Atenção
Uma transição dentro da janela não permite concluir qual valor aparecerá em Q. A captura pode ocorrer com um nível ou outro, e o comportamento temporal deixa de ser garantido pelas especificações.
Associe cada situação à classificação correta. Considere uma borda ativa em t = 0 ns, t_setup = 2 ns e t_hold = 1 ns. Em cada caso, a transição indicada é a única mudança de D próxima à borda.
Faça as associações.
Toque em um item e depois no par correspondente.
Um glitch é uma mudança temporária na saída de uma lógica combinacional. Mesmo que D retorne ao valor esperado, esse pulso importa se alguma de suas bordas cair dentro da janela de captura.
Considere t_setup = 2 ns e t_hold = 1 ns, com borda ativa em 10 ns. D fica em 0, sobe em 8,5 ns, desce em 9,5 ns e permanece em 0.
Complete: o pulso espúrio invade o requisito de ____.
O pulso espúrio invade o requisito de ____.

O valor estável final de D não elimina o risco: uma transição temporária dentro da janela já retira a garantia de captura.

Passo 5 de 9
Calcule o período mínimo de clock para setup com uma margem explícita e interprete corretamente o limite de frequência obtido.
Entre dois flip-flops, a borda ativa atual lança um novo dado; a borda ativa seguinte deve capturá-lo. Para atender ao setup, o dado precisa percorrer todo o caminho e ficar estável durante o tempo de setup antes dessa segunda borda.
No modelo simplificado, o orçamento de um ciclo usa os limites máximos:
T_clock ≥ t_CQ,max + t_lógica,max + t_setup + margem
A margem é uma reserva explícita do projeto. Ela deve ser definida para o caso analisado; não existe um valor universal.

O período precisa acomodar todos os trechos do caminho que levam o novo dado até a janela de setup.
Dica
Use valores máximos para essa conta, pois ela limita a chegada mais tardia do dado. Se os atrasos das conexões forem relevantes, inclua-os em t_lógica,max; se forem desprezíveis pela hipótese, declare isso.
Considere um caminho com clock comum e a mesma borda ativa nos dois flip-flops. As diferenças de chegada do clock são desprezíveis nesta análise. Os atrasos das conexões já estão incluídos no atraso lógico informado.
Dados do caminho usado no exemplo.
| Parâmetro | Valor | Papel no orçamento |
|---|---|---|
| t_CQ,max | 8 ns | Saída mais tardia do FF de origem |
| t_lógica,max | 17 ns | Lógica e conexões do caminho |
| t_setup | 5 ns | Estabilidade antes da captura |
| Margem | 2 ns | Reserva explícita |
Exemplo
Some os trechos: 8 ns + 17 ns + 5 ns + 2 ns = 32 ns.
Logo, o período mínimo é 32 ns. Como f = 1/T, a frequência máxima imposta por este teste de setup é:
f_max = 1 / 32 ns = 31,25 MHz.
Um clock de 25 ns (40 MHz) é rápido demais para esse caminho. Um clock de 40 ns (25 MHz) atende ao setup sob as hipóteses declaradas.
Para outro caminho, t_CQ,max = 7 ns, t_lógica,max = 14 ns, t_setup = 4 ns e a margem é 3 ns. O período mínimo para setup é {{blank}}.
Retome o exemplo cujo período mínimo de setup é 32 ns. Um projeto usa clock de período 36 ns. Qual conclusão é correta?

Passo 6 de 9
Use limites mínimos garantidos para verificar se o novo dado chega tarde o bastante após a mesma borda de clock.
A verificação de hold olha para a mesma borda ativa do clock. Nessa borda, o flip-flop de origem começa a lançar o novo dado, enquanto o de destino ainda precisa reter o dado anterior em D por pelo menos t_hold.
A pergunta é: qual é o instante mais cedo em que o novo dado pode chegar a D do destino? No modelo simplificado de clock comum, esse instante é a soma dos limites mínimos:
t_chegada,cedo = t_CQ,min + t_lógica,min
Para atender ao hold, o novo dado não pode alterar D antes do fim da retenção exigida.

A mudança mais antecipada do novo dado deve ocorrer depois da janela de hold do flip-flop de destino.
A condição simplificada é:
t_CQ,min + t_lógica,min ≥ t_hold
A folga de hold torna a comparação explícita:
folga = t_CQ,min + t_lógica,min − t_hold
Use valores mínimos garantidos: eles limitam a primeira mudança possível. Valores típicos descrevem um comportamento esperado, e valores máximos limitam chegadas tardias; nenhum deles substitui um mínimo garantido nesta conta.
Cenários hipotéticos para a mesma borda de clock.
| Caso | Dados disponíveis | Conclusão |
|---|---|---|
| A | t_CQ,min = 0,45 ns; t_lógica,min = 0,35 ns; t_hold = 0,60 ns | Folga = +0,20 ns: atende |
| B | t_CQ,max = 1,20 ns; t_lógica,típ = 0,50 ns; t_hold = 0,60 ns | Dados insuficientes |
| C | t_CQ,min = 0,15 ns; t_lógica,min = 0,20 ns; t_hold = 0,50 ns | Folga = −0,15 ns: viola |
Exemplo
No caso A, a primeira mudança pode chegar em 0,45 ns + 0,35 ns = 0,80 ns após a borda. Como o destino exige estabilidade por 0,60 ns, sobra 0,20 ns.
No caso B, não é válido trocar os mínimos por máximo e típico. Sem t_CQ,min e t_lógica,min, não se pode atestar que o dado anterior será mantido tempo suficiente.
Um caminho tem t_CQ,min = 0,30 ns, t_lógica,min = 0,55 ns e t_hold = 0,70 ns.
A folga de hold é de {{blank}}.
Se uma verificação de hold falha, diminuir a frequência do clock, sem mudar mais nada, corrige essa falha.

Passo 7 de 9
Verifique requisitos de largura de pulso, velocidade de borda e liberação do reset que complementam as análises de setup e hold.
Além do caminho de dados, o clock e o reset assíncrono possuem requisitos próprios. Eles vêm da folha de dados do componente e devem ser verificados separadamente de setup e hold em D.
Considere a tabela hipotética desta tela. Um clock de período suficiente ainda pode falhar se seu tempo em nível alto ou baixo for curto demais. Também não basta haver transições: as bordas precisam respeitar os tempos máximos de subida e descida especificados.

Dois clocks podem ter o mesmo período, mas apenas um pode atender simultaneamente às larguras de pulso e aos limites das bordas.
Use estes valores somente neste exemplo didático; componentes reais podem especificar outros limites e condições de medição.
| Sinal ou evento | Requisito hipotético | Interpretação |
|---|---|---|
| Clock em nível alto | mínimo 4 ns | Pulso alto não pode ser menor. |
| Clock em nível baixo | mínimo 3 ns | Pulso baixo não pode ser menor. |
| Subida e descida do clock | máximo 2 ns | Borda não pode ser lenta demais. |
| Reset assíncrono ativo | mínimo 5 ns | Pulso de reset deve durar o suficiente. |
| Liberação do reset: recovery | mínimo 3 ns antes da borda | Reset deve estar liberado antes dela. |
| Liberação do reset: removal | mínimo 1 ns após a borda | Não libere reset logo após ela. |
Um reset assíncrono pode atuar sem esperar uma borda de clock, mas seu pulso ativo ainda precisa ter a largura mínima especificada. Para um reset ativo em nível baixo, por exemplo, o sinal precisa permanecer em 0 pelo tempo mínimo indicado.
A liberação do reset — a desativação — também exige cuidado. Ela não deve ocorrer perto da borda ativa do clock. No exemplo, o reset deve ser liberado pelo menos 3 ns antes da borda (recovery) e não pode ser liberado no intervalo de 1 ns depois dela (removal). Uma liberação dentro dessa janela deixa o comportamento do flip-flop sem garantia.

Recovery e removal formam uma região próxima à borda de clock na qual a liberação do reset não é garantida.
Exemplo
Exemplo com a tabela hipotética: um clock tem período de 10 ns, fica 4 ns em nível alto e 6 ns em nível baixo. Portanto, atende às larguras mínima alta e baixa. Porém, se sua subida durar 2,5 ns, ele viola o limite de borda de 2 ns — mesmo tendo período e larguras de pulso adequados.
Conclusão: cada requisito precisa de uma conferência própria.
Relacione cada situação ao requisito que ela viola, usando a tabela hipotética apresentada.
Faça as associações.
Toque em um item e depois no par correspondente.
Com período de 10 ns, qual clock atende às larguras mínimas da tabela: alto ≥ 4 ns e baixo ≥ 3 ns?

Passo 8 de 9
Entradas sem relação temporal com o clock podem violar a janela de captura mesmo quando seus níveis elétricos são bem definidos.
Uma entrada é assíncrona quando sua transição não tem uma relação temporal definida com a borda ativa do clock que a captura. Ela pode mudar muito antes, muito depois ou praticamente no mesmo instante da borda.
Por isso, mesmo um clock lento não garante captura confiável: em alguma ocorrência, a transição ainda pode cair dentro da janela de setup e hold do flip-flop.

Como não há alinhamento entre os dois sinais, uma transição pode invadir a janela de captura.
Atenção
A frequência menor aumenta o intervalo entre bordas, mas não cria uma relação de fase entre a entrada externa e o clock. Portanto, não elimina a possibilidade de uma transição ocorrer na região crítica de uma borda.
Se D muda dentro da janela de setup ou hold, o flip-flop pode entrar em metastabilidade: sua saída Q pode levar mais tempo que o usual para se resolver em 0 ou 1.
Não é correto concluir que toda violação produz obrigatoriamente um 0 ou um 1 errado. O que se perde é a garantia: tanto o valor capturado quanto o instante em que Q se estabiliza deixam de obedecer ao comportamento temporal especificado.

Após uma violação temporal, Q pode não se resolver no tempo normalmente esperado.
Atenção
Se Q metastável alimentar outra lógica, essa lógica pode interpretar um nível de modo imprevisível ou receber a transição tarde demais. A análise de setup e hold de um caminho comum não transforma uma entrada sem relação com o clock em uma entrada segura.
Um resistor de pull-up ou pull-down continua sendo útil: ele evita que a entrada fique flutuando quando nenhum circuito a força. Porém, ele só define a polarização elétrica; não define quando uma mudança causada por um evento externo ocorrerá em relação ao clock.
Assim, uma entrada com pull-up pode estar em nível alto bem definido e ainda fazer uma transição assíncrona para baixo em uma janela crítica.
Um evento também pode gerar um pulso mais estreito que o intervalo entre duas bordas de clock. Nesse caso, o flip-flop pode não amostrar o nível ativo em nenhuma borda, mesmo que o sinal tenha níveis elétricos válidos e nunca viole setup ou hold.
Logo, tratar uma entrada assíncrona exige considerar tanto a relação temporal com o clock quanto a duração do evento. A forma adequada depende do tipo de sinal; técnicas específicas serão estudadas adiante.
Atenção
Uma entrada externa tem pull-up e normalmente fica em nível alto. Um botão ou sensor externo a leva brevemente para nível baixo, sem relação com o clock. O pull-up, por si só, torna a captura confiável em qualquer borda de clock?
Um pull-up elimina o risco temporal de uma entrada assíncrona porque impede que a linha flutue.
Em poucas frases, justifique por que um sinal externo com pull-up e um clock lento ainda pode exigir cuidado temporal. Inclua: (1) o que o pull-up resolve, (2) o risco junto à borda de clock e (3) o que pode ocorrer com um pulso muito estreito.
Escreva pelo menos 180 caracteres (0/180).

Passo 9 de 9
Integre setup, hold e requisitos adicionais para concluir com precisão se uma captura digital é garantida nas condições declaradas.
Dois flip-flops D usam a mesma borda de subida de um clock comum. FF1 lança um dado, que atravessa uma porta AND e um inversor antes de chegar a D de FF2.
A análise vale somente sob estas hipóteses: diferenças de chegada do clock são desprezíveis; atrasos das conexões já estão incluídos no atraso da lógica; e todos os valores da tabela são garantidos para as condições de alimentação, temperatura, carga e bordas de entrada analisadas.
Seu objetivo é registrar uma conclusão para cada requisito, sem assumir que uma aprovação de setup aprova o circuito inteiro.

Para setup, avalie a chegada mais tardia; para hold, a mais antecipada.
Use apenas estes dados hipotéticos no caso final. “Atraso mínimo” e “atraso máximo” delimitam a propagação. Já setup, hold e largura de pulso são requisitos mínimos de estabilidade ou duração.
| Parâmetro | Valor garantido ou requisito | Tipo de limite | Uso |
|---|---|---|---|
| FF1: t_CQ,min | 1 ns | Atraso mínimo | Hold |
| FF1: t_CQ,max | 4 ns | Atraso máximo | Setup |
| Lógica: t_lógica,min | 1,5 ns | Atraso mínimo | Hold |
| Lógica: t_lógica,max | 8 ns | Atraso máximo | Setup |
| FF2: t_setup | 2 ns | Requisito mínimo | Setup |
| FF2: t_hold | 2 ns | Requisito mínimo | Hold |
| Margem de projeto | 1 ns | Reserva explícita | Setup |
| Clock alto | 7 ns | Largura mínima | Pulso alto |
| Clock baixo | 5 ns | Largura mínima | Pulso baixo |
| Subida e descida | 2 ns | Duração máxima | Bordas |
Mantenha os resultados separados: setup e hold respondem a perguntas diferentes, e requisitos adicionais continuam obrigatórios.
Qual é o atraso máximo do caminho de FF1 até D de FF2, antes de considerar setup e margem?
Qual é o período mínimo de clock exigido pelo setup, já incluindo a margem explícita?
Agora faça a conta de hold sem reutilizar os máximos do setup. A chegada mais cedo do novo dado é:
t_CQ,min + t_lógica,min
A folga de hold é essa chegada antecipada menos o requisito t_hold. Depois, compare o clock proposto no diagrama com cada requisito adicional da tabela.
Qual é a folga de hold deste caminho?

Compare cada medida do clock com o requisito correspondente; período adequado não basta sozinho.
Considerando a tabela e o diagrama, qual requisito adicional impede aprovar o clock proposto?
Escreva uma conclusão técnica curta para o caso. Registre separadamente: o atraso máximo até D, o período mínimo de setup, a folga de hold e o requisito adicional que impede a aprovação global. Indique também que a conclusão depende das hipóteses e condições declaradas.
Escreva pelo menos 180 caracteres (0/180).
Resumo
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