Trilha de aprendizado · Nível 6 · Tutorial 3

Perdas e margem térmica em transistores

Ao concluir, o aluno será capaz de estimar perdas e temperatura de junção e verificar se uma condição de operação respeita margens térmicas e elétricas, sem provocar sobrecarga física.

  • Nível: Intermediário
  • Duração: 20 min
  • 8 passos
Perdas e margem térmica em transistores

O que você vai percorrer

  1. Estimar a dissipação no BJT Estime a dissipação contínua de um BJT usando as quedas de tensão efetivas nos seus terminais e avalie a influência da corrente de base. 2 min
  2. Escolher o modelo de perdas do MOSFET 3 min
  3. Somar as perdas de comutação 3 min
  4. Da potência à temperatura de junção Converta a dissipação total em elevação de temperatura e estime a temperatura de junção em regime permanente. 3 min
  5. Definir a margem e reduzir a potência admissível 2 min
  6. Verificar se os dados térmicos se aplicam Verifique se os parâmetros térmicos e elétricos representam de fato a montagem e as condições analisadas. 2 min
  7. Conferir a área de operação segura 3 min
  8. Aplicação final: justificar a condição de operação Integre cálculos de perdas, estimativa térmica, margem e SOA para emitir decisões técnicas fundamentadas. 3 min

O que você vai aprender

  • Estimar a dissipação em um BJT e em um MOSFET para condições de operação informadas.
  • Calcular a contribuição média de energias de comutação fornecidas.
  • Estimar a temperatura de junção e reconhecer quando faltam dados para uma conclusão confiável.
  • Rejeitar condições que excedam a área de operação segura, mesmo quando a potência média pareça aceitável.

Antes de começar

  • Regiões de operação e parâmetros dos BJTs
  • Regiões de operação e parâmetros dos MOSFETs
  • Potência, energia e aquecimento
  • Amplitude, frequência, fase e valor eficaz

Passo 1 de 8

Estimar a dissipação no BJT

Estime a dissipação contínua de um BJT usando as quedas de tensão efetivas nos seus terminais e avalie a influência da corrente de base.

Identificar as parcelas de dissipação

Duas entradas de potência no BJT

Em uma condição contínua já informada, a potência que vira calor no BJT pode ser estimada por:

P_BJT ≈ V_CE × I_C + V_BE × I_B

Há duas parcelas: a potência associada ao caminho coletor-emissor e a potência exigida pelo caminho base-emissor. Use as tensões medidas ou fornecidas diretamente entre os respectivos terminais.

Não substitua V_CE pela tensão da fonte, nem pela tensão na carga. Se houver uma carga em série com o coletor, a fonte se divide entre a carga e o transistor; para a dissipação do transistor, interessa somente V_CE.

Onde a potência é dissipada

Diagrama de um BJT NPN com uma carga, mostrando as parcelas de potência nos caminhos coletor-emissor e base-emissor entrando no transistor e sendo convertidas em calor.

A potência da carga não é automaticamente a potência do transistor: o aquecimento depende das quedas de tensão presentes no próprio BJT.

Calcular e comparar

Exemplo

Exemplo calculado

Calcule cada parcela antes de somá-las. Isso evita ocultar uma parcela de base relevante e facilita conferir as unidades.

Exemplo: suponha V_CE = 2,0 V, I_C = 0,30 A, V_BE = 0,80 V e I_B = 3,0 mA.

P_coletor = 2,0 V × 0,30 A = 0,60 W

Converta a corrente de base: 3,0 mA = 0,003 A.

P_base = 0,80 V × 0,003 A = 0,0024 W = 2,4 mW

Logo, P_BJT ≈ 0,60 W + 0,0024 W = 0,6024 W.

Dica

Quando a aproximação é suficiente

Neste caso, a parcela da base é 2,4 mW, enquanto a do coletor é 600 mW. Ela representa cerca de 0,4% da potência total.

Assim, para uma estimativa rápida, P_BJT ≈ V_CE × I_C = 0,60 W é suficiente neste caso específico. Essa conclusão vem da comparação numérica; não descarte V_BE × I_B automaticamente em todo circuito.

Prática de cálculo

Calcule a dissipação total

Pratique: um BJT opera continuamente com V_CE = 1,5 V, I_C = 0,20 A, V_BE = 0,75 V e I_B = 5,0 mA.

Qual é a dissipação total estimada P_BJT, em watts?

Decidir com base nos valores

Avalie a parcela de base

No caso anterior, qual conclusão é mais adequada para uma estimativa rápida?

Passo 2 de 8

Escolher o modelo de perdas do MOSFET

Use os valores da condição analisada

Parta da tensão no próprio MOSFET

Para uma condição contínua informada, estime a dissipação no MOSFET pela tensão que está efetivamente entre dreno e source e pela corrente de dreno:

P_MOS ≈ V_DS × I_D

Use essa relação quando V_DS e I_D forem valores da mesma condição de operação. Não substitua V_DS automaticamente pela tensão da fonte: parte dela pode estar na carga, e V_DS depende do estado e do circuito.

Exemplo: se V_DS = 2 V e I_D = 1,5 A, a dissipação estimada é 3 W. Essa é potência transformada em calor no MOSFET, não a potência total fornecida ao circuito.

Onde medir V_DS

Diagrama de um MOSFET em série com uma carga, destacando a tensão entre dreno e source no próprio transistor.

A tensão usada em V_DS × I_D é a queda no MOSFET, não necessariamente a tensão de alimentação.

Aplique R_DS(on) somente nas condições compatíveis

Quando usar I_D² × R_DS(on)

Quando o MOSFET está na região ôhmica, ele se comporta aproximadamente como uma resistência ligada. Nesse caso, uma forma prática de calcular a perda de condução é:

P_condução ≈ I_D² × R_DS(on)

Ela é coerente com V_DS ≈ I_D × R_DS(on). Portanto, é uma aproximação para o trecho ôhmico; não use R_DS(on) para representar um ponto fora dessa região.

Escolha o valor de R_DS(on) especificado para a tensão V_GS disponível e para a temperatura considerada no caso. Um valor indicado, por exemplo, para V_GS = 10 V não confirma o mesmo desempenho com gate a 4,5 V.

Limite da aproximação resistiva

Curva didática de MOSFET com região ôhmica próxima à origem e dois pontos de operação, um dentro e outro fora dela.

I_D² × R_DS(on) descreve o ponto no trecho ôhmico; fora dele, use V_DS × I_D se esses valores forem fornecidos.

Exemplo

Compare corrente e resistência

Considere os dados já compatíveis com V_GS e temperatura do caso:

  • 2 A com 50 mΩ: P ≈ 2² × 0,050 = 0,20 W.
  • 4 A com os mesmos 50 mΩ: P ≈ 4² × 0,050 = 0,80 W.
  • 4 A com 25 mΩ: P ≈ 4² × 0,025 = 0,40 W.

Mantida a resistência, dobrar a corrente quadruplica a perda. Reduzir a resistência pela metade reduz a perda pela metade para a mesma corrente.

Pratique o cálculo resistivo

Cálculo de perda ôhmica

Para uma condição em que o MOSFET está na região ôhmica, V_GS e temperatura são compatíveis com R_DS(on) = 40 mΩ, e I_D = 3 A, complete a estimativa de perda de condução.

Preencha o resultado

P_condução ≈ 3² × 0,040 = ____ W

Decida antes de calcular

Escolha o modelo adequado

Um MOSFET opera em uma condição contínua fora da região ôhmica. Foram fornecidos V_DS = 6 V e I_D = 0,5 A. A folha de dados traz R_DS(on) para outra tensão de gate. Qual estimativa é adequada com os dados disponíveis?

Passo 3 de 8

Somar as perdas de comutação

Visualize a origem da energia de transição

De onde vêm as perdas de comutação

As perdas de condução descrevem o transistor enquanto ele permanece em um estado. Na comutação, existe um intervalo curto em que tensão e corrente coexistem no dispositivo.

Ao ligar, a corrente sobe enquanto a tensão entre os terminais principais cai. Ao desligar, acontece o inverso. Em ambos os casos, o produto instantâneo tensão × corrente forma um pulso de potência que se transforma em calor.

A energia associada ao pulso de ligar é E_liga; a do pulso de desligar é E_desliga. Neste step, essas energias serão fornecidas. Não vamos calcular sua forma detalhada.

Tensão e corrente se sobrepõem

Três formas de onda alinhadas: a tensão cai, a corrente sobe e a potência forma um pulso durante a sobreposição.

O pulso de potência aparece durante a transição, quando ainda há tensão e corrente no transistor.

Calcule a potência média

Da energia por ciclo à potência média

Se há um evento de ligar e um de desligar em cada ciclo, a potência média de comutação é:

P_com = (E_liga + E_desliga) × f

Use unidades compatíveis: energia em joules (J) e frequência em hertz (Hz). Como 1 Hz equivale a 1 ciclo por segundo, o resultado é J/s, ou watts.

Conversões úteis:

  • 1 µJ = 10⁻⁶ J
  • 1 kHz = 10³ Hz

A expressão usa uma energia total por ciclo e a quantidade de ciclos por segundo.

Exemplo

Exemplo: perda total média

Dados de um transistor chaveado:

  • E_liga = 12 µJ
  • E_desliga = 8 µJ
  • f = 50 kHz
  • P_condução,média = 0,60 W

Primeiro, some as energias:

E_ciclo = 12 µJ + 8 µJ = 20 µJ

Depois, calcule a potência de comutação:

P_com = 20 × 10⁻⁶ J × 50 × 10³ Hz = 1,0 W

Se as demais perdas foram declaradas desprezíveis:

P_diss ≈ P_condução,média + P_com
P_diss ≈ 0,60 W + 1,0 W = 1,60 W

Use a perda média de condução fornecida para o ciclo inteiro. Não a substitua pela potência de um único instante em que o transistor está ligado.

Pratique o cálculo completo

Prática: potência de comutação

Agora use um caso novo, no qual as demais perdas foram declaradas desprezíveis:

  • E_liga = 15 µJ
  • E_desliga = 9 µJ
  • f = 40 kHz
  • P_condução,média = 0,35 W

Primeiro, encontre P_com. Faça a conversão de µJ e kHz antes de multiplicar.

Calcule P_com

Para o caso apresentado, qual é a potência média de comutação P_com, em watts?

Some as parcelas

No mesmo caso, qual é a dissipação total média P_diss, em watts?

Valide os dados antes de somar

Confira se os dados se aplicam

Antes de usar E_liga e E_desliga, confira as condições às quais esses números se referem. As energias de comutação não são constantes universais do transistor: elas dependem, entre outros fatores, da tensão aplicada, da corrente comutada, da temperatura e da condição de acionamento declarada.

Se esses aspectos forem incompatíveis ou estiverem ausentes, a conta pode estar aritmeticamente correta, mas a previsão de aquecimento não será confiável. Não tente corrigir essa falta apenas alterando a frequência na fórmula.

Compatibilidade dos dados

Um dado informa E_liga e E_desliga para 20 V, 2 A e certa condição de acionamento. Você pretende usá-lo em 40 V, 5 A e com outro acionamento, apenas trocando a frequência na fórmula. A estimativa é confiável?

Passo 4 de 8

Da potência à temperatura de junção

Converta a dissipação total em elevação de temperatura e estime a temperatura de junção em regime permanente.

O caminho térmico

Do calor à temperatura

Uma potência dissipada no transistor vira calor. Em regime térmico permanente, esse calor percorre um caminho: junção → encapsulamento → montagem/placa → ar ambiente.

A resistência térmica junção-ambiente, R_θJA, resume quanta elevação de temperatura ocorre para cada watt dissipado, nas condições de montagem especificadas. Quanto maior R_θJA, mais a junção aquece para a mesma potência.

Caminho do calor

Diagrama do calor saindo da junção dentro de um transistor, passando pelo encapsulamento e pela placa até o ar ambiente.

R_θJA representa o caminho completo da junção até o ambiente, incluindo encapsulamento e montagem.

Dica

Unidade de R_θJA

A unidade usual é °C/W; K/W tem o mesmo valor numérico quando se fala em diferença de temperatura. Por exemplo, 40 °C/W significa que 1 W eleva a junção aproximadamente 40 °C acima do ambiente, nas condições às quais esse valor se aplica.

Estimar a temperatura de junção

A conta em duas etapas

Use esta estimativa somente para uma condição de regime permanente e para uma R_θJA válida para a montagem informada:

ΔT ≈ P_diss × R_θJA

T_j ≈ T_amb + ΔT

  • ΔT é a elevação da junção acima do ambiente.
  • T_j é a temperatura final estimada da junção.
  • P_diss deve ser a dissipação total média já calculada: condução e, quando pertinentes, comutação.

Não substitua P_diss por apenas uma parcela se outras perdas relevantes já foram identificadas.

Exemplo

Exemplo calculado

Um MOSFET dissipa, em média, 1,2 W no total. Sua montagem tem R_θJA = 50 °C/W e o ambiente está a 30 °C.

  1. ΔT ≈ 1,2 W × 50 °C/W = 60 °C
  2. T_j ≈ 30 °C + 60 °C = 90 °C

A resistência térmica converte potência em elevação de temperatura. Somente ao somar a temperatura ambiente obtemos a temperatura de junção.

Prática: potência, elevação e junção

Dados da prática

Em uma montagem para a qual foi informado R_θJA = 75 °C/W, a dissipação total média é P_diss = 0,80 W e a temperatura ambiente é T_amb = 25 °C.

Resolva em duas etapas: primeiro calcule a elevação ΔT; depois some essa elevação à temperatura ambiente para obter T_j.

1. Calcule a elevação

Qual é a elevação estimada de temperatura, ΔT, em °C?

2. Calcule a temperatura de junção

Usando a elevação calculada, qual é a temperatura de junção estimada T_j, em °C?

Limites e síntese

Atenção

O que esta estimativa não responde

A expressão usa uma potência média e descreve o resultado após a estabilização térmica. Ela é útil para estimar a temperatura de junção em uma montagem conhecida.

Por si só, porém, ela não informa o pico de temperatura que pode ocorrer durante pulsos de potência. Também não torna válido um valor de R_θJA obtido para uma montagem diferente.

Nas próximas etapas, você verificará a margem até um teto térmico e avaliará quando os dados de montagem sustentam — ou não — uma conclusão.

Em resumo

  • R_θJA relaciona potência dissipada e elevação de temperatura nas condições especificadas.
  • Calcule ΔT = P_diss × R_θJA antes de calcular T_j = T_amb + ΔT.
  • Use a dissipação total média e uma R_θJA aplicável à montagem.
  • A conta em regime permanente não determina sozinha picos térmicos de pulsos.

Passo 5 de 8

Definir a margem e reduzir a potência admissível

Separar limite absoluto de meta de projeto

Limite absoluto e margem

A temperatura máxima de junção, T_j,max, é um limite absoluto do componente, não uma temperatura para perseguir no projeto. Depois de estimar a temperatura de junção para uma condição, calcule a distância até esse limite:

ΔT_margem = T_j,max − T_j,estimada

Uma margem positiva indica que a estimativa está abaixo do máximo. Margem nula ou negativa reprova a condição térmica. Mesmo uma margem positiva pequena não é, por si só, uma meta adequada: variações de ambiente, montagem e parâmetros podem elevar a temperatura real.

Visualizando a margem térmica

Escala térmica com uma temperatura de junção estimada abaixo do teto de projeto e do limite absoluto, indicando a distância de margem até o limite.

A margem até o máximo é a distância entre T_j estimada e T_j,max. Um teto de projeto mais baixo cria uma decisão mais conservadora.

Dica

Teto de projeto

Defina, para o caso analisado, um teto de projeto T_j,projeto menor que T_j,max. Esse teto não é universal: ele depende das incertezas conhecidas, das condições previstas e dos critérios do projeto.

Use a maior temperatura ambiente prevista e parâmetros conservadores disponíveis para perdas e resistência térmica. A decisão térmica passa a incluir duas verificações:

  1. A temperatura estimada atende a T_j,projeto?
  2. Qual é a margem restante até T_j,max?

Assim, a análise não fica limitada a uma condição ambiente favorável.

Converter teto térmico em potência

Potência admissível pelo critério térmico

Para a mesma montagem, a potência média que mantém a junção no teto de projeto é estimada por:

P_adm,térmica ≈ (T_j,projeto − T_amb,max) / R_θJA

Use a expressão somente se T_amb,max < T_j,projeto e se R_θJA for aplicável à montagem analisada. O resultado é um limite de dissipação média definido pelo critério térmico adotado. Ele não substitui outras verificações elétricas necessárias para a condição de operação.

Exemplo

Exemplo calculado

Considere uma montagem com:

  • T_j,max = 150 °C
  • T_j,projeto = 120 °C
  • R_θJA = 40 °C/W
  • T_amb,max = 60 °C

Então:

P_adm,térmica ≈ (120 − 60) / 40 = 1,5 W

Se a dissipação total estimada for 1,2 W, a temperatura prevista será:

T_j ≈ 60 + 1,2 × 40 = 108 °C

Logo, ela atende ao teto de projeto de 120 °C. A margem até o limite absoluto é 150 − 108 = 42 °C.

Ambiente mais quente, menos potência disponível

Mantendo T_j,projeto = 120 °C e R_θJA = 40 °C/W, observe o efeito exclusivo da temperatura ambiente máxima.

A elevação permitida e a potência termicamente admissível diminuem quando T_amb,max aumenta.
T_amb,maxElevação permitidaP_adm,térmica
20 °C100 °C2,5 W
40 °C80 °C2,0 W
60 °C60 °C1,5 W
80 °C40 °C1,0 W

Curva de redução da potência admissível

Gráfico descendente mostrando que a potência termicamente admissível cai quando a temperatura ambiente aumenta.

Legenda: eixo horizontal = temperatura ambiente máxima; eixo vertical = potência admissível pelo critério térmico. Para o teto de 120 °C e R_θJA de 40 °C/W, os quatro pontos correspondem à tabela: 20 °C→2,5 W; 40 °C→2,0 W; 60 °C→1,5 W; 80 °C→1,0 W.

Pratique com margens e ambiente

1. Calcule a margem

Novo caso: uma estimativa forneceu T_j = 118 °C e a folha de dados informa T_j,max = 150 °C. Qual é a margem até o limite absoluto, em °C?

2. Compare com o teto de projeto

No mesmo caso, foi definido T_j,projeto = 125 °C. Qual conclusão térmica está correta?

3. Recalcule a potência admissível

Ainda nesse novo caso, a montagem tem R_θJA = 50 °C/W e a maior temperatura ambiente prevista é 85 °C. Qual é a potência termicamente admissível para o teto de projeto de 125 °C?

Passo 6 de 8

Verificar se os dados térmicos se aplicam

Verifique se os parâmetros térmicos e elétricos representam de fato a montagem e as condições analisadas.

A montagem faz parte do dado térmico

R_θJA depende da aplicação

O valor de R_θJA não pertence apenas ao transistor. Ele descreve o conjunto componente + montagem + ambiente, nas condições declaradas. Encapsulamento, área de cobre ligada aos terminais, posição na placa, circulação de ar e método de ensaio podem alterar a elevação de temperatura.

Por isso, antes de usar T_j ≈ T_amb + P_diss × R_θJA, confira se a condição da sua montagem é comparável à condição que acompanha esse valor na folha de dados.

Mesma peça, montagens diferentes

Comparação entre um transistor em uma placa com ampla área de cobre e o mesmo transistor em uma protoboard com fios, mostrando caminhos de dissipação de calor diferentes.

Um R_θJA informado para uma placa de teste não passa automaticamente a valer para outra montagem.

Dica

Conclusão prudente

Uma estimativa é sustentada quando os dados de montagem e ambiente são conhecidos e compatíveis. Se a placa real, a ventilação ou o encapsulamento não foram informados, registre a conclusão como inconclusiva, em vez de supor que existe margem.

Referências e condições compatíveis

Confira a referência da especificação

A referência de temperatura da resistência térmica importa. Não substitua uma pela outra sem um modelo térmico completo e as condições correspondentes.

R_θJA e R_θJC respondem a perguntas diferentes.
ParâmetroReferência de temperaturaUso direto
R_θJAJunção até ambienteEstimar T_j a partir de T_amb, nas condições especificadas
R_θJCJunção até encapsulamentoRelacionar T_j e T_case; não substitui R_θJA diretamente
T_ambAr ao redor da montagemReferência para a estimativa com R_θJA
T_casePonto definido no encapsulamentoReferência para uma análise baseada em encapsulamento

Dados elétricos e térmicos devem combinar

Também mantenha coerência entre perdas e temperatura. Por exemplo, se R_DS(on) foi fornecida para uma temperatura específica, ela só apoia o cálculo naquela condição ou com a correção indicada nos dados. O mesmo cuidado vale para V_CE(sat), energias de comutação e demais parâmetros usados.

Uma conta pode estar aritmeticamente certa e ainda não demonstrar que o componente ficará dentro da margem.

Atenção

Não use sobrecarga como verificação

Não aproxime fisicamente o transistor de seus limites para “ver se aguenta”. Avalie folha de dados, montagem prevista e cálculos com condições conservadoras disponíveis. Dados ausentes pedem mais informação, não um teste por sobrecarga.

Prática: sustentar ou suspender a conclusão

O que ainda precisa ser verificado?

Associe cada situação à conclusão mais adequada.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Passo 7 de 8

Conferir a área de operação segura

Entender o mapa de operação

SOA: limite combinado

A área de operação segura (SOA) reúne combinações admissíveis de tensão no transistor, corrente e duração, sob condições declaradas pelo fabricante.

Para verificar uma condição, não compare apenas cada grandeza com seu máximo individual. Localize a tensão e a corrente no limite correspondente ao tempo de aplicação: operação contínua, pulso único ou pulso repetitivo quando houver essa especificação.

Um ponto é aceitável somente se ficar dentro da região permitida e se as condições da curva forem compatíveis com o caso analisado.

Tensão, corrente e duração

Diagrama linear de tensão versus corrente com três fronteiras de SOA em cores diferentes e pontos de operação dentro e fora de uma região segura.

Neste diagrama didático, azul representa operação contínua, laranja representa pulso único de 10 ms e verde representa pulso repetitivo de 10 ms a 1 Hz. Cada fronteira limita uma combinação de tensão e corrente.

Dica

Leia as condições da curva

As curvas não são universais. Elas podem depender da temperatura de referência, do encapsulamento, da montagem, do circuito de teste e do tipo de pulso informado.

Uma curva de pulso único descreve um evento isolado nas condições declaradas. Ela não autoriza automaticamente repetir esse pulso. Para operação repetitiva, use um limite explicitamente fornecido para a repetição pretendida; se ele não existir, a conclusão sobre a repetição é inconclusiva.

Escolher o limite correto

Limites como combinações

A tabela abaixo traz uma SOA didática como corrente máxima para cada tensão indicada. Cada célula já representa uma combinação de tensão, corrente e duração; portanto, não forme novas combinações juntando máximos de linhas ou colunas diferentes.

Use apenas os pontos apresentados nesta atividade, sem supor interpolação entre eles.

Tabela de SOA didática

Todos os valores são correntes máximas no ponto de tensão indicado, em condições didáticas de referência declaradas.

Limites combinados: escolha a coluna que corresponde à duração e ao caráter contínuo, único ou repetitivo da condição.
Tensão no transistorContínua (DC)Pulso único, 10 msPulso repetitivo, 10 ms a 1 Hz
10 V2,0 A4,0 A2,8 A
20 V0,8 A2,0 A1,4 A
30 V0,4 A1,2 A0,8 A

Exemplo

Pulso único não é pulso repetitivo

Considere 20 V e 1,8 A durante 10 ms.

  • Como pulso único, o ponto atende à tabela: em 20 V, o limite de pulso único de 10 ms é 2,0 A.
  • Se o mesmo pulso ocorrer a cada 1 s, ele passa a ser repetitivo. Nessa coluna, o limite em 20 V é 1,4 A. Logo, 1,8 A deve ser rejeitado.

A duração igual não basta: a repetição também altera qual limite pode ser usado.

Rejeitar picos fora da SOA

Atenção

A potência média não basta

Um transistor pode ter máximos individuais de tensão e corrente, mas isso não significa que a combinação desses máximos seja permitida. A SOA já considera a relação entre as grandezas sob uma duração especificada.

Também não aceite uma condição apenas porque a potência média parece baixa. Ela pode esconder picos que ultrapassam a fronteira de SOA aplicável.

Exemplo

Média aceitável, condição proibida

No exemplo anterior, os pulsos repetitivos de 20 V e 1,8 A duram 10 ms e ocorrem a cada 1 s.

Durante o pulso: P = 20 V × 1,8 A = 36 W.

A potência média associada a esses pulsos é 36 W × 10 ms / 1 s = 0,36 W. Mesmo que uma estimativa térmica média com 0,36 W indique temperatura abaixo do teto de projeto, o caso deve ser rejeitado: para pulso repetitivo de 10 ms a 1 Hz e 20 V, a tabela permite no máximo 1,4 A.

A verificação térmica média e a SOA são critérios complementares.

Pratique a decisão

Decida pela SOA aplicável

Um caso informa 30 V e 1,0 A por 10 ms, repetidos a cada 1 s. A análise térmica média já fornecida estima T_j = 90 °C para um teto de projeto de 120 °C.

Usando a tabela didática, qual conclusão é adequada?

Escolha a conclusão

Selecione a melhor conclusão para a condição apresentada.

Passo 8 de 8

Aplicação final: justificar a condição de operação

Integre cálculos de perdas, estimativa térmica, margem e SOA para emitir decisões técnicas fundamentadas.

Use todos os critérios

Roteiro de decisão

Para justificar uma condição de operação, siga sempre esta sequência: modelo de perdas → soma das parcelas → dados térmicos compatíveis → T_j e margem → SOA aplicável.

A decisão só pode ser “atende” se todas as verificações necessárias passarem. Uma temperatura média abaixo do teto de projeto não libera uma condição fora da SOA. E uma conta térmica sem dados de montagem compatíveis não sustenta uma conclusão.

Da condição à decisão

Fluxo visual que une o cálculo de perdas, a estimativa térmica e a verificação de SOA antes de decidir sobre uma condição de operação.

A análise térmica e a SOA são verificações complementares.

Leia os dados antes de concluir

Casos para análise

Os dados abaixo são completos apenas quando isso é declarado. Use-os como um dossiê didático: não tente reproduzir as condições fisicamente.

No caso A, calcule a perda do BJT com as duas parcelas. No caso B, a perda média de condução já foi fornecida; some a potência de comutação. O teto de projeto indicado é um critério do caso, não uma margem universal.

Dossiê dos casos

Condições e critérios fornecidos para cada caso.

A aprovação exige respeitar todos os critérios aplicáveis.
CasoPerdas e condiçãoTérmicoSOA aplicávelSituação dos dados
A — BJT contínuoVCE=2 V; IC=0,40 A; VBE=0,8 V; IB=4 mATamb=35 °C; RθJA=50 °C/W; Tj projeto=125 °CContínuo em 2 V: até 0,60 AMontagem compatível; Tj,max=150 °C
B — MOSFET chaveadoPcond,média=1,20 W; Eliga=15 µJ; Edesliga=10 µJ; f=20 kHzTamb=40 °C; RθJA=40 °C/W; Tj projeto=125 °CPulsos repetitivos de 1 ms em 40 V: até 3 A; condição: 40 V e 4 AEnergias e RθJA declarados compatíveis; Tj,max=150 °C
C — BJT contínuoPdiss,total=1,0 W; Tamb=30 °CRθJA=45 °C/W obtido em placa de testeSOA contínua aplicável atendeA montagem real é protoboard; não há RθJA compatível

Complete os cálculos essenciais

Calcule o caso A

Caso A: complete a dissipação aproximada do BJT: P_BJT ≈ __.

Calcule o caso B

Caso B: complete a dissipação total, somando condução média e comutação: P_diss ≈ __.

Justifique e conclua

Emita uma decisão fundamentada

Classifique os três casos como atende, rejeitar ou inconclusivo e justifique cada decisão em poucas linhas. Inclua: o resultado térmico do caso A; o conflito entre temperatura e SOA no caso B; e o dado que falta no caso C.

Escreva pelo menos 180 caracteres (0/180).

Resumo

Síntese final

Ao analisar um transistor, não use um único número como veredito. A conclusão depende do modelo de perdas adequado, das condições declaradas e de limites térmicos e elétricos aplicáveis.

  • Some somente as parcelas de perdas pertinentes e com dados compatíveis.
  • Estime Tj com a dissipação total e uma resistência térmica válida para a montagem.
  • Use um teto de projeto abaixo de Tj,max e registre a margem até o limite absoluto.
  • Rejeite uma condição fora da SOA mesmo se a potência média parecer aceitável.
  • Se faltar compatibilidade de montagem, temperatura ou condição de ensaio, a conclusão é inconclusiva — não uma aprovação.

Tutorial concluído

Parabéns! Você concluiu: Perdas e margem térmica em transistores

Muito bem! Você já pode distinguir uma condição aceitável, uma condição a rejeitar e uma análise que ainda precisa de dados.

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