Trilha de aprendizado · Nível 6 · Tutorial 8

Excursão de sinal e distorção em emissor comum

Ao concluir, o aluno será capaz de estimar a excursão útil de um amplificador discreto e interpretar formas de onda para identificar corte, saturação e distorção antes do recorte.

  • Nível: Intermediário
  • Duração: 20 min
  • 8 passos
Excursão de sinal e distorção em emissor comum

O que você vai percorrer

  1. Onde o sinal pode variar Identifique o ponto Q, as referências de tensão e os sentidos de variação da saída no estágio emissor comum. 2 min
  2. A carga de sinal não é a carga contínua Diferencie a carga de polarização da carga efetiva para as variações de sinal e relacione R_ac às tensões no coletor e no emissor. 3 min
  3. Calcule os limites de corte e saturação Estime as margens do coletor em direção ao corte e à saturação, levando em conta a variação no emissor. 3 min
  4. Qual semiciclo recorta primeiro? Compare as margens de corte e saturação para prever a amplitude simétrica máxima e o semiciclo que recorta primeiro. 2 min
  5. Escolha uma entrada com margem Converta a excursão de saída em amplitude de entrada na base, aplique uma margem e diferencie a tensão na base do ajuste no gerador. 2 min
  6. A distorção pode começar antes do recorte Reconheça a deformação gradual que pode surgir antes do recorte em um estágio emissor comum. 2 min
  7. Recupere a margem sem criar outro problema 3 min
  8. Aplicação final: estime, diagnostique e ajuste Aplique o cálculo de excursão, o diagnóstico de formas de onda e a validação de um ajuste em um caso completo. 3 min

O que você vai aprender

  • Estimar os limites de excursão positiva e negativa para um ponto Q e uma carga especificados.
  • Definir uma amplitude de entrada com margem em relação ao recorte previsto.
  • Relacionar alterações da forma de onda à não linearidade, ao corte ou à saturação.
  • Propor um ajuste de polarização ou amplitude e verificar suas consequências elétricas e térmicas.

Antes de começar

  • Ganho e impedâncias de um estágio em emissor comum
  • Observação segura de sinais com o osciloscópio

Passo 1 de 8

Onde o sinal pode variar

Identifique o ponto Q, as referências de tensão e os sentidos de variação da saída no estágio emissor comum.

O ponto de partida do sinal

Excursão ao redor de Q

O centro da variação é o ponto Q

Em um amplificador em emissor comum, o sinal não parte de zero: ele se soma às tensões contínuas já estabelecidas pela polarização. O ponto Q é esse estado sem sinal.

A excursão de saída é quanto a tensão de saída pode variar para cima e para baixo a partir de Q antes de o transistor alcançar um limite de operação. Por enquanto, observe apenas as duas margens; os cálculos dos limites vêm depois.

O estágio do caso-guia

Esquema de um estágio NPN em emissor comum com resistores de coletor e emissor, capacitores de acoplamento na entrada e na saída, carga resistiva e setas indicando as duas direções de variação no coletor.

O caso-guia usa alimentação baixa, resistor de emissor sem capacitor de desvio e uma carga ligada por capacitor.

Referência e sentidos da excursão

Não confunda V_C com V_CE

Duas tensões, duas referências

No coletor, podemos observar V_C, isto é, a tensão do coletor em relação ao terra. No transistor, também importa V_CE = V_C − V_E, a tensão entre coletor e emissor.

Elas não são a mesma grandeza. Quando o sinal muda a corrente do transistor, em geral o coletor e o emissor variam. Assim, uma margem desenhada em torno de V_CQ é uma margem da tensão do coletor; não é diretamente uma margem de V_CE.

O índice Q indica o valor quiescente: por exemplo, V_CQ e V_EQ são as tensões contínuas sem sinal.

Comparação entre a tensão do coletor em relação ao terra e a tensão entre coletor e emissor, mostrando que usam referências diferentes.

A excursão no coletor é lida em relação ao terra. V_CE depende simultaneamente das tensões no coletor e no emissor.

Exemplo

Leitura das direções

Imagine que, sem sinal, o coletor está em V_CQ. Em um sentido da variação, V_C sobe; no outro, V_C desce. Chamaremos essas variações, por convenção, de excursão positiva e excursão negativa de V_C.

Os nomes descrevem o sentido da tensão no coletor — não a polaridade instantânea da tensão de entrada. Como o estágio inverte, uma variação positiva na base tende a levar V_C para baixo.

O que a carga efetivamente vê

O capacitor separa o contínuo do sinal

Do coletor até a carga

O capacitor de saída bloqueia a componente contínua do coletor. Portanto, a carga não recebe V_CQ como uma tensão contínua: ela recebe principalmente a variação de V_C ao redor de Q.

Na faixa de frequências em que o capacitor de acoplamento tem reatância pequena, a variação na carga acompanha a variação do coletor. Se o coletor sobe em relação a V_CQ, a tensão instantânea na carga sobe; se desce, a tensão na carga desce.

A referência contínua muda entre os lados do capacitor, mas a excursão de sinal é transferida.

Mesma variação, centro diferente

Uma senoide no coletor centrada em uma tensão contínua positiva é transferida pelo capacitor para a carga como senoide centrada em zero, preservando a variação de sinal.

No coletor, o sinal se apoia em V_CQ. Depois do capacitor, a carga vê a componente alternada em torno de sua própria referência.

Prática: identifique cada papel

Confira as referências

Associe cada grandeza ou trecho à descrição correta.

Faça as associações.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Passo 2 de 8

A carga de sinal não é a carga contínua

Diferencie a carga de polarização da carga efetiva para as variações de sinal e relacione R_ac às tensões no coletor e no emissor.

CC e sinal veem cargas diferentes

Dois modelos para o mesmo estágio

No modelo de polarização em corrente contínua, o capacitor de acoplamento se comporta como circuito aberto. Portanto, a carga R_L não altera o ponto Q idealizado: ela não conduz corrente contínua pelo coletor.

Para as variações de sinal na faixa em que o capacitor tem reatância pequena, ele conecta R_L ao coletor. Assim, a resistência que limita a variação de tensão no coletor passa a ser:

R_ac = R_C || R_L

Ela pode ser bem menor que R_C. O ponto Q permanece o mesmo no modelo ideal, mas a resposta às variações de corrente muda.

A carga muda entre CC e sinal

Comparação entre o modelo em corrente contínua, no qual o capacitor isola a carga, e o modelo de sinal, no qual R_C e R_L ficam em paralelo no coletor.

Em CC, o capacitor separa R_L. Para o sinal na faixa adotada, R_L passa a carregar o coletor.

A comparação abaixo resume qual resistência importa em cada análise.

Modelos usados nesta estimativa
SituaçãoCapacitor de acoplamentoCarga vista no coletorEfeito em Q
Polarização CCAbertoR_L não participaDefine-se com R_C, R_E e a rede de base
Variação de sinalImpedância pequenaR_ac = R_C || R_LQ idealizado não muda, mas a excursão por corrente muda

R_ac define a variação no coletor

Trajetória de sinal ao redor de Q

A reta de carga contínua passa pelo ponto Q e descreve as tensões e correntes sem sinal. Quando há sinal, a trajetória também parte de Q, mas sua inclinação é influenciada por R_ac, pois R_L passa a atuar em paralelo com R_C.

Se a corrente de coletor aumenta em Δi_C, as variações aproximadas são:

Δv_C = −R_ac × Δi_C
Δv_E ≈ R_E × Δi_C

O sinal negativo no coletor indica que v_C cai; no emissor, v_E sobe. Como v_CE = v_C − v_E, as duas variações contribuem para reduzir V_CE quando a corrente aumenta.

Neste step, essas relações descrevem a trajetória de sinal; os limites de corte e saturação serão calculados depois.

Gráfico com uma reta de carga contínua e uma trajetória de sinal, ambas passando pelo ponto Q, com a trajetória de sinal influenciada pela carga R_L.

A trajetória de sinal parte do mesmo Q, mas usa R_ac no coletor; por isso não é, em geral, a mesma reta da análise contínua.

Exemplo

Exemplo: efeito da carga acoplada

Considere R_C = 2,2 kΩ e R_L = 2,2 kΩ, acoplada por capacitor. Para o sinal:

R_ac = R_C || R_L
= (2,2 kΩ × 2,2 kΩ) / (2,2 kΩ + 2,2 kΩ)
= 1,1 kΩ

Se Δi_C = +1 mA, então:

Δv_C = −1,1 kΩ × 1 mA = −1,1 V

Com R_E = 470 Ω:

Δv_E ≈ +470 Ω × 1 mA = +0,47 V

A carga reduziu a resistência de sinal no coletor de 2,2 kΩ para 1,1 kΩ. Para a mesma variação de corrente, a variação de v_C fica menor em módulo.

Dica

Hipóteses do modelo

Estas aproximações assumem β suficientemente alto, resistência de saída do transistor desprezada e frequência na qual os capacitores de acoplamento têm reatância pequena. Fora dessas condições, R_ac e as variações reais podem diferir.

Verifique a carga de sinal

Calcule a carga efetiva

Um estágio tem R_C = 2,2 kΩ e uma carga R_L = 2,2 kΩ ligada ao coletor por capacitor. Na faixa de sinal adotada, complete:

R_ac = R_C || R_L = __

Passo 3 de 8

Calcule os limites de corte e saturação

Estime as margens do coletor em direção ao corte e à saturação, levando em conta a variação no emissor.

1. Subida do coletor até o corte

Limite superior: corte

Margem em direção ao corte

No ponto Q, a corrente de coletor pode diminuir aproximadamente de I_CQ até zero. Para a variação de sinal, isso faz a tensão no coletor subir.

A magnitude dessa subida é estimada por:

ΔV_C,+ ≈ I_CQ × R_ac

O sinal “+” identifica o sentido de subida da tensão do coletor; a magnitude é positiva. Use a carga de sinal R_ac, e não apenas o resistor de coletor usado na análise contínua.

No caso-guia: I_CQ = 1,0 mA e R_ac = 3,0 kΩ.

ΔV_C,+ ≈ 1,0 mA × 3,0 kΩ = 3,0 V.

O coletor não precisa chegar a VCC

Esquema conceitual de emissor comum em que, ao reduzir a corrente de coletor até o corte, a tensão do coletor sobe uma margem limitada pela carga de sinal e permanece abaixo da alimentação.

Com a carga acoplada por capacitor, a margem até o corte é governada por I_CQ × R_ac; ela pode terminar antes de V_CC.

Dica

Atenção à referência

Não use automaticamente V_CC − V_CQ como margem de corte. Essa diferença é uma leitura da tensão contínua, mas a trajetória do sinal é influenciada por R_ac = R_C || R_L.

A estimativa vale na faixa em que os capacitores de acoplamento têm reatância pequena e sob as aproximações já adotadas para o estágio.

2. Descida do coletor até a saturação

Limite inferior: saturação

Margem em direção à saturação

No outro sentido, a corrente de coletor aumenta. Então:

  • a tensão no coletor desce: Δv_C = −R_ac × Δi_C;
  • a tensão no emissor sobe: Δv_E ≈ R_E × Δi_C.

Logo, V_CE diminui pelos dois efeitos. Por isso, não basta calcular a margem inferior olhando somente para a queda possível da tensão do coletor.

A magnitude aproximada até a saturação é:

ΔV_C,− ≈ (V_CEQ − V_CE(sat)) × R_ac/(R_ac + R_E)

Ela é escrita como valor positivo, embora a variação instantânea de tensão no coletor ocorra para baixo.

O emissor também se move

Diagrama mostrando a tensão do coletor descendo e a tensão do emissor subindo, reduzindo simultaneamente VCE rumo à saturação.

Na direção da saturação, coletor e emissor se aproximam em tensão; essa é a razão do termo R_ac + R_E.

Exemplo

Exemplo calculado

Dados do caso-guia

  • V_CEQ = 6,0 V
  • V_CE(sat) = 0,20 V
  • R_ac = 3,0 kΩ
  • R_E = 1,0 kΩ

Cálculo:

ΔV_C,− ≈ (6,0 − 0,20) × 3,0/(3,0 + 1,0)

ΔV_C,− ≈ 5,8 × 0,75 = 4,35 V

Portanto, neste caso a margem de descida do coletor até a saturação é aproximadamente 4,35 V.

Atenção

Limite aproximado

V_CE(sat) não é uma fronteira exata de linearidade: seu valor depende das correntes e das condições especificadas para o transistor. Trate o resultado como uma estimativa de limite, não como garantia de sinal sem distorção.

3. Verifique os dois limites

Pratique: limite de corte

No caso-guia, complete a magnitude da excursão do coletor em direção ao corte:

ΔV_C,+ ≈ [lacuna] V

Confira o raciocínio

Qual é o erro de estimar a margem em direção à saturação apenas por V_CEQ − V_CE(sat)?

Passo 4 de 8

Qual semiciclo recorta primeiro?

Compare as margens de corte e saturação para prever a amplitude simétrica máxima e o semiciclo que recorta primeiro.

A excursão útil é a menor margem

A menor margem determina o limite

As duas margens calculadas no coletor podem ser diferentes. Para uma saída senoidal centrada no ponto Q e sem recorte, a amplitude de pico deve caber nos dois sentidos:

V_o,p,lim ≈ mínimo(ΔV_C,+, ΔV_C,−)

A menor margem define a maior amplitude de pico simétrica. A margem maior continua existindo, mas não pode ser usada por uma senoide simétrica sem que o outro semiciclo alcance seu limite primeiro.

Use sempre magnitudes positivas para comparar as duas margens.

Duas margens, um único pico simétrico

Diagrama do ponto Q no coletor com margem menor para cima, rumo ao corte, e margem maior para baixo, rumo à saturação; uma senoide alcança primeiro o limite superior.

Uma senoide simétrica é limitada pelo sentido que possui menos espaço disponível.

O sentido revela a região atingida

Leia o recorte no coletor

No coletor de um estágio emissor comum, os sentidos físicos são:

  • Subida da tensão do coletor: a corrente de coletor diminui em direção ao corte. Se essa margem for a menor, o topo da forma de onda no coletor recorta primeiro.
  • Descida da tensão do coletor: a corrente aumenta em direção à saturação. Se essa margem for a menor, o fundo da forma de onda no coletor recorta primeiro.

Embora a entrada seja invertida na saída, esta classificação descreve a forma de onda observada no coletor. A carga acoplada acompanha a variação de sinal do coletor na faixa em que o capacitor de acoplamento é efetivo.

Exemplo

Exemplo: limite imposto pelo corte

Considere que as estimativas do estágio resultaram em:

  • ΔV_C,+ = 2,4 V, rumo ao corte
  • ΔV_C,− = 3,1 V, rumo à saturação

Então:

V_o,p,lim ≈ mínimo(2,4 V; 3,1 V) = 2,4 V

A saída pode variar, aproximadamente, 2,4 V acima e 2,4 V abaixo de V_CQ sem recortar. Ao aumentar além disso, o topo no coletor encontra o corte primeiro. A excursão pico a pico simétrica correspondente é aproximadamente 4,8 Vpp.

A assimetria vem do circuito completo

Equilíbrio não é apenas metade da alimentação

O ponto Q não é “ideal” apenas porque V_CEQ parece estar em V_CC/2. A condição útil é equilibrar as margens na trajetória real de sinal.

Essa trajetória depende da carga de sinal R_ac e do resistor de emissor R_E: quando a corrente varia, a tensão do coletor e a do emissor variam juntas. Por isso, a margem até a saturação não é definida só pela posição estática do coletor entre 0 V e V_CC.

Para uma dada carga e R_E, compare ΔV_C,+ e ΔV_C,−. Margens próximas indicam aproveitamento mais equilibrado da excursão; margens diferentes antecipam recorte assimétrico.

Dois recortes possíveis no coletor

Comparação entre uma onda no coletor com topo achatado por corte e outra com fundo achatado por saturação.

Margem menor para cima: topo recorta por corte. Margem menor para baixo: fundo recorta por saturação.

Aplique a regra da menor margem

Preveja o primeiro recorte

Um estágio tem as margens no coletor ΔV_C,+ = 3,6 V e ΔV_C,− = 2,1 V. Qual forma de onda no coletor é prevista ao elevar uma entrada senoidal simétrica além do limite?

Escreva pelo menos 30 caracteres (0/30).

Passo 5 de 8

Escolha uma entrada com margem

Converta a excursão de saída em amplitude de entrada na base, aplique uma margem e diferencie a tensão na base do ajuste no gerador.

Converta a margem de saída em limite na base

Limite referido à base

Da excursão de saída à entrada na base

No step anterior, você encontrou a amplitude simétrica máxima de saída, $V_{o,p,lim}$. Para estimar a variação máxima na base antes do recorte previsto, use o módulo do ganho carregado:

$$V_{i,p,lim} \approx \frac{V_{o,p,lim}}{|A_v|}$$

  • $V_{o,p,lim}$: amplitude de pico disponível no coletor/saída.
  • $|A_v|$: módulo do ganho da base ao coletor no ponto Q analisado.
  • $V_{i,p,lim}$: amplitude de pico na base.

O sinal negativo de um ganho inversor informa inversão de fase; para calcular amplitudes, use seu módulo.

O ganho relaciona duas amplitudes

Diagrama de um emissor comum mostrando uma senoide pequena na base e uma senoide invertida maior no coletor.

A amplitude limite deve ser convertida da saída para a base pelo módulo do ganho carregado.

Reserve margem e considere a atenuação

Exemplo

Exemplo: limite previsto

Considere o estágio já analisado com:

  • excursão simétrica de saída: $V_{o,p,lim}=2{,}4\ \text{V}$;
  • ganho carregado da base ao coletor: $A_v=-6$.

Logo:

$$V_{i,p,lim}\approx\frac{2{,}4\ \text{V}}{|-6|}=0{,}40\ \text{V}_p$$

Esse é um limite aproximado de pico na base, não a amplitude que deve necessariamente ser escolhida. Para reservar margem, aplique o fator solicitado ao resultado.

Aplique uma margem

Se o projeto pede usar no máximo 75% do limite estimado:

$$V_{i,p,escolhida}=0{,}75\times0{,}40\ \text{V}_p=0{,}30\ \text{V}_p$$

Mantenha a mesma convenção em toda a conta: aqui, tudo está em valor de pico. Não misture pico com pico a pico ou valor eficaz.

A margem reduz a chance de atingir o recorte previsto diante de variações e aproximações do modelo. Ela não é garantia universal de sinal sem deformações.

Base e gerador não são o mesmo ponto

A “entrada” desta estimativa é a variação de tensão na base. Se houver atenuação entre o gerador e a base, a amplitude ajustada no gerador será diferente.

Por exemplo, se a base recebe 80% da amplitude de pico do gerador:

$$V_{b,p}=0{,}80\times V_{ger,p}$$

Para obter $V_{b,p}=0{,}30\ \text{V}_p$:

$$V_{ger,p}=\frac{0{,}30}{0{,}80}=0{,}375\ \text{V}_p$$

Assim, ajuste cerca de 0,375 V de pico no gerador para ter 0,30 V de pico na base, dentro das hipóteses adotadas.

Verifique o cálculo e o ponto de referência

Calcule a entrada com margem

Com $V_{o,p,lim}=2{,}4\ \text{V}$, $|A_v|=6$ e fator de margem de 75%, complete a amplitude de pico recomendada na base:

$V_{b,p}=\underline{\hspace{2cm}}\ \text{V}_p$

Resposta

Digite o valor numérico da amplitude recomendada na base.

Da base ao gerador

Para produzir 0,30 Vp na base quando a atenuação da fonte até a base é 0,80, qual amplitude de pico deve ser ajustada no gerador?

Passo 6 de 8

A distorção pode começar antes do recorte

Reconheça a deformação gradual que pode surgir antes do recorte em um estágio emissor comum.

A forma pode mudar antes de bater no limite

Além da aproximação de pequenos sinais

O ganho calculado anteriormente descreve pequenas variações ao redor do ponto Q. Quando a entrada cresce, a relação entre a tensão na base e a corrente do transistor deixa de variar com a mesma inclinação durante todo o ciclo.

Em outras palavras: o ganho incremental pode ser um pouco diferente em cada trecho da senoide. A saída ainda pode parecer arredondada, mas já não é uma cópia proporcional exata da entrada.

A origem da deformação

Curva de transferência não linear com uma região central aproximada por uma reta e excursões de entrada progressivamente maiores.

A aproximação linear funciona melhor perto do ponto Q; ao explorar uma faixa maior da curva, a inclinação efetiva muda.

Deformação não é o mesmo que recorte

Três aparências possíveis

Compare os três traços como estágios de aumento da amplitude de entrada.

Três formas de onda identificadas como A, B e C: uma senoide suave, uma senoide deformada sem trecho plano e uma senoide com fundo achatado.

A deformação gradual pode aparecer antes do recorte claramente visível.

Como interpretar a comparação

A — amplificação aproximadamente linear: os semiciclos mantêm formato senoidal e escalam de modo semelhante.

B — distorção gradual: um semiciclo pode ficar mais esticado, comprimido ou assimétrico. Não há topo ou fundo plano, porém o ganho já não é uniforme.

C — recorte: a saída alcança uma limitação de operação e permanece próxima a ela durante parte do ciclo. No coletor, o recorte superior se associa ao corte; o inferior, à saturação.

Portanto, a ausência de achatamento não prova que o sinal esteja linear.

Defina a excursão útil pela qualidade desejada

O resistor de emissor ajuda, mas não torna o estágio ideal

No estágio com resistor de emissor sem capacitor de desvio, uma elevação da corrente também eleva a tensão no emissor. Essa variação se opõe parcialmente à mudança de V_BE e reduz a variação de corrente.

Esse efeito tende a tornar a resposta mais comportada e menos sensível à curvatura do transistor. Contudo, ele não elimina a não linearidade nem impede corte ou saturação quando a excursão é grande.

Ao aumentar gradualmente a amplitude no gerador, procure primeiro mudanças sutis de formato. Se a qualidade do sinal for importante, reduza a entrada mesmo que ela ainda esteja abaixo do limite aproximado de recorte calculado.

Dica

Critério prático

Uma margem contra recorte é uma estimativa útil de projeto. A excursão realmente útil também depende da deformação que sua aplicação pode aceitar.

Verifique sua interpretação

Exemplo

Classifique as três formas de onda

Use os traços A, B e C mostrados anteriormente. Associe cada traço ao diagnóstico mais adequado.

Diagnóstico visual

Faça as associações entre cada traço e seu diagnóstico.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Passo 7 de 8

Recupere a margem sem criar outro problema

Escolha a intervenção

Duas formas de recuperar margem

Duas formas de recuperar margem

Quando a saída pede mais excursão do que a margem disponível, há duas intervenções diferentes:

  • Reduzir a amplitude na base: preserva o ponto Q, o ganho e as condições contínuas. É a escolha direta se uma saída menor ainda atende ao requisito.
  • Mudar o ponto Q: pode redistribuir as margens de corte e saturação. É uma alternativa quando a excursão de saída necessária precisa ser mantida.

Depois de mudar o ponto Q, atualize as margens, o ganho carregado e a entrada admissível. Não suponha que um deslocamento de polarização conserva os mesmos limites ou o mesmo ganho.

Amplitude ou ponto Q

Comparação entre diminuir a amplitude do sinal mantendo o ponto Q e deslocar o ponto Q, alterando as duas margens de excursão.

Reduzir a entrada diminui a excursão exigida; ajustar Q redistribui as margens.

Dica

Cuidado com a margem

Uma margem de recorte calculada não é uma autorização para operar no limite. Mantenha a folga definida pelo requisito e considere que a não linearidade pode exigir uma entrada ainda menor para alcançar a qualidade de sinal desejada.

Compare antes de alterar

Caso: três estados possíveis

Considere o mesmo estágio na faixa em que os capacitores de acoplamento atuam adequadamente:

  • R_C = 4,0 kΩ e R_L = 4,0 kΩ, logo R_ac = 2,0 kΩ;
  • R_E = 470 Ω;
  • V_CC = 9,09 V;
  • V_CE(sat) adotada = 0,20 V;
  • saída requerida: senoide de 2,0 V de pico.

Foram fornecidos três estados possíveis de polarização. Todos são compatíveis com os mesmos resistores e alimentação, usando a aproximação I_E ≈ I_C. As margens já consideram a trajetória de sinal estudada, e |A_v| é o ganho carregado em cada estado.

Estados de polarização fornecidos

Compare o limite simétrico, definido pela menor margem, com a saída requerida de 2,0 Vp. Para haver 20% de margem, a menor margem precisa ser pelo menos 2,50 Vp.

Dados para a decisão. Tensões e amplitudes são valores de pico.
EstadoI_CQV_CEQMargem: corteMargem: saturação|A_v|
A1,00 mA4,62 V2,00 V3,58 V4,0
B1,40 mA2,83 V2,80 V2,13 V3,8
C1,25 mA3,50 V2,50 V2,67 V3,7

Exemplo

Decisão de excursão

O estado A alcança o corte com 2,0 Vp e não deixa margem. O estado B é limitado pela saturação em 2,13 Vp. Já o estado C tem limite simétrico de 2,50 Vp e comporta a saída requerida de 2,0 Vp com 20% de margem.

No estado C, a variação necessária na base é:

V_i,p ≈ 2,0 V / 3,7 = 0,54 Vp.

Esse valor é o sinal efetivo na base. Se houver atenuação entre o gerador e a base, o ajuste no gerador deverá ser maior.

Confirme os limites do componente

Verifique corrente e tensão nos extremos

A escolha do estado C também exige conferir os extremos elétricos. Para uma saída de 2,0 Vp, a variação de corrente é aproximadamente:

Δi_C,p ≈ 2,0 V / 2,0 kΩ = 1,0 mA.

Assim, I_C varia de aproximadamente 0,25 mA a 2,25 mA. Como V_CE varia com R_ac + R_E, os extremos estimados são:

  • menor corrente: V_CE ≈ 5,97 V;
  • maior corrente: V_CE ≈ 1,03 V.

Para este caso, o transistor tem limites contínuos informados de I_C máx. = 100 mA e V_CEO máx. = 30 V. Portanto, compare o maior valor de corrente, 2,25 mA, com 100 mA; e o maior valor de V_CE, 5,97 V, com 30 V. Ambos ficam abaixo dos limites, com ampla folga nas condições fornecidas.

Potência do transistor: três grandezas diferentes

No estado C, use V_CC = 9,09 V, R_C = 4,0 kΩ, R_L = 4,0 kΩ e R_E = 470 Ω. A carga é acoplada por capacitor: R_L não conduz em repouso, mas recebe o sinal alternado.

Para o transistor, a potência quiescente é P_Q = V_CEQ × I_CQ = 3,50 V × 1,25 mA = 4,38 mW. Sob a senoide de 2,0 Vp, a potência instantânea não é constante: seu máximo estimado é 4,39 mW, próximo de I_C = 1,33 mA, e a potência média sob sinal é aproximadamente 3,14 mW.

A temperatura deve ser estimada com potência média nas condições térmicas informadas; o pico instantâneo não deve ser multiplicado diretamente por R_θJA como se fosse aquecimento contínuo. P_Q também não é, por si só, uma potência máxima universal.

Dados de dissipação e margem térmica

As potências dos resistores abaixo já consideram a senoide de 2,0 Vp. “Máxima” significa potência instantânea máxima; “média” significa potência média ao longo do ciclo.

Com R_θJA = 200 °C/W, ambiente de 40 °C e limite de junção de 150 °C, a pior estimativa térmica contínua deste caso é a de repouso: T_j ≈ 40 °C + 4,38 mW × 200 °C/W = 40,9 °C. Há ampla margem, mas ela depende das condições de montagem fornecidas.

Verifique valores contínuos, médios e instantâneos sem confundi-los.
ElementoEm repousoMáxima instantâneaMédia sob sinalLimite informado
Transistor4,38 mW4,39 mW3,14 mWI_C: 100 mA; V_CEO: 30 V; T_j: 150 °C
R_C = 4,0 kΩ6,25 mW12,25 mW6,75 mW125 mW
R_E = 470 Ω0,73 mW2,38 mW0,97 mW125 mW
R_L = 4,0 kΩ0 mW1,00 mW0,50 mW125 mW

A correção precisa passar pela checagem

Diagrama relacionando ponto Q e extremos de corrente e tensão a indicadores de dissipação no transistor e nos resistores.

A excursão escolhida altera corrente, VCE e dissipação ao longo do ciclo.

Decida com base nos dados

Justifique a proposta

Para entregar uma senoide de 2,0 Vp com 20% de margem, qual proposta atende ao caso? Justifique usando:

  1. a menor margem do estado escolhido;
  2. a amplitude de entrada necessária na base;
  3. a comparação entre I_C máximo estimado e o limite de 100 mA, e entre V_CE máximo estimado e o limite de 30 V;
  4. uma validação térmica ou de dissipação, incluindo a temperatura de junção estimada ou a potência dos resistores.

Sua resposta deve concluir claramente se a proposta é aceitável nas condições fornecidas.

Escreva pelo menos 180 caracteres (0/180).

Passo 8 de 8

Aplicação final: estime, diagnostique e ajuste

Aplique o cálculo de excursão, o diagnóstico de formas de onda e a validação de um ajuste em um caso completo.

Retome o procedimento

Caso de retomada

Use este primeiro caso para retomar a sequência de análise. Todas as amplitudes são de pico, e a frequência é tal que os capacitores de acoplamento podem ser considerados curtos para o sinal.

O estágio NPN tem resistor de emissor sem capacitor de desvio. A carga está ligada ao coletor por capacitor: ela não altera o ponto Q em corrente contínua, mas participa da carga de sinal. A saída observada é a variação no coletor; após o capacitor, a carga recebe praticamente a mesma variação de sinal, sem o nível contínuo do coletor.

Esquema e caminho do sinal

Esquema de um amplificador NPN em emissor comum com resistor de coletor, resistor de emissor e carga ligada por capacitor ao coletor.

Em corrente contínua, o capacitor isola R_L. Para o sinal, R_L fica em paralelo com R_C.

Dados fornecidos

Dados do caso e limites fornecidos para a verificação.

Parâmetros válidos para a retomada
GrandezaValorUso
V_CC12 Valimentação
R_C2,2 kΩresistor de coletor
R_E470 Ωresistor de emissor
R_L2,2 kΩcarga acoplada
I_CQ1,5 mAponto Q
V_CEQ8,0 Vponto Q
V_CE(sat)0,20 Vestimativa de saturação
A_v−2,1ganho base–coletor
Margem de projeto70% do limiteentrada na base

Estime a excursão do caso

Carga de sinal

A carga efetiva de sinal R_ac é __.

Margem até o corte

A margem positiva no coletor, em direção ao corte, é aproximadamente __.

Margem até a saturação

A margem negativa no coletor, em direção à saturação, é aproximadamente __.

Entrada com margem

Com margem de 70%, a amplitude recomendada na base é aproximadamente __.

Aplique a sequência completa

Caso final independente

Agora resolva um novo caso, sem usar os resultados numéricos da tela anterior.

Dados: R_C = 3,3 kΩ, R_L = 3,3 kΩ acoplada por capacitor, R_E = 330 Ω, I_CQ = 2,0 mA, V_CEQ = 4,74 V, V_CE(sat) = 0,20 V e A_v = −4,0. Adote uma entrada na base igual a 80% do limite estimado.

Na observação, a saída no coletor foi ajustada para 3,5 Vp e mostrou achatamento no fundo, no lado de menor tensão do coletor. Para uma correção com a entrada reduzida, considere estes dados fornecidos: I_C varia de 0,40 mA a 3,60 mA; a dissipação média estimada do transistor é 6,95 mW; a maior dissipação instantânea estimada é 9,5 mW; R_C e R_E dissipam no máximo 26 mW e 4,3 mW. Os resistores são de 0,25 W. Com R_θJA = 250 °C/W, ambiente de 45 °C e limite de junção de 150 °C, use a potência média para a estimativa térmica contínua.

Forma de onda observada

Comparação entre uma senoide no coletor achatada no fundo e uma senoide menor, limpa e centrada no mesmo ponto Q.

No coletor, um fundo achatado aponta para o limite de saturação. A segunda forma ilustra uma excursão reduzida, com folga.

Análise, diagnóstico e ajuste

Produza uma análise curta do novo caso. Mostre ou informe:

  1. R_ac e as margens positiva e negativa no coletor;
  2. qual delas limita a excursão simétrica;
  3. a amplitude recomendada na base com fator de 80%;
  4. o diagnóstico do achatamento no fundo para 3,5 Vp;
  5. por que reduzir a entrada é uma correção compatível com as verificações elétricas e térmicas fornecidas.

Use valores aproximados e deixe claras as unidades.

Escreva pelo menos 350 caracteres (0/350).

Revise e conclua

Resolução e conferência crítica

Confira a coerência entre cálculo e forma de onda: R_ac = 1,65 kΩ. As margens estimadas são aproximadamente 3,30 V rumo ao corte e 3,78 V rumo à saturação. Assim, o limite simétrico aproximado é 3,30 Vp, definido pelo corte.

Isso revela um ponto importante do diagnóstico: uma saída de 3,5 Vp ultrapassa primeiro a margem de corte e tenderia a achatar o topo do coletor. Portanto, o relato de “fundo achatado” não combina, por si só, com os dados fornecidos. Antes de mudar a polarização, é preciso conferir a referência da medição, a amplitude efetiva e a própria observação.

Ainda assim, reduzir a entrada para cerca de 0,66 Vp na base prevê aproximadamente 2,64 Vp na saída e preserva folga nos dois sentidos. Com os dados fornecidos, a temperatura contínua estimada é 45 °C + 6,95 mW × 250 °C/W ≈ 46,7 °C, abaixo do limite de 150 °C.

Resumo

Síntese do tutorial

  • Para sinal, use R_ac = R_C || R_L; a carga acoplada não define a corrente contínua do ponto Q.
  • Calcule as margens de corte e saturação separadamente; a menor define o limite simétrico aproximado.
  • Converta o limite de saída em limite na base com o ganho carregado e escolha uma margem explícita.
  • Recorte superior no coletor aponta para corte; recorte inferior aponta para saturação.
  • A forma de onda precisa ser coerente com as margens calculadas; uma inconsistência pede revisão da medição e das hipóteses.
  • O limite de recorte é uma estimativa. A excursão útil pode precisar ser menor para preservar a qualidade do sinal.
  • Ao ajustar amplitude ou polarização, confira novamente correntes, tensões e dissipações nas condições fornecidas.

Tutorial concluído

Parabéns! Você concluiu: Excursão de sinal e distorção em emissor comum

Muito bem! Agora você consegue estimar margens de excursão, escolher uma entrada com folga, diagnosticar corte ou saturação e conferir se o ajuste permanece dentro dos limites elétricos e térmicos informados.

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