Trilha de aprendizado · Nível 7 · Tutorial 6

Ganho em decibéis e resposta em frequência

Converter ganhos entre razão linear e decibéis e interpretar curvas de resposta em frequência para identificar atenuação, faixa de passagem e frequência de corte.

  • Nível: Intermediário
  • Duração: 16 min
  • 8 passos
Ganho em decibéis e resposta em frequência

O que você vai percorrer

  1. O ganho depende da frequência Compare senoides de entrada e saída para reconhecer as duas partes de uma resposta em frequência: módulo do ganho e diferença de fase. 2 min
  2. Da razão de tensão aos decibéis Use logaritmos de base 10 para expressar razões de tensão em decibéis, mantendo as amplitudes compatíveis. 3 min
  3. Atenuação não é inversão Diferencie atenuação em decibéis da inversão indicada pelo sinal do ganho linear. 2 min
  4. Dos decibéis à amplitude de saída Converta um ganho em decibéis para razão linear e use-o para prever a amplitude de saída. 2 min
  5. Como ler o eixo de frequência Leia diagramas de Bode usando o eixo de frequência logarítmico, identificando décadas e associando ganho e fase à mesma frequência. 2 min
  6. Faixa de passagem e frequência de corte Use o patamar da faixa de passagem como referência para encontrar o ponto aproximadamente 3 dB abaixo dele. 2 min
  7. Variação de ganho por década Estime a mudança de ganho em uma ou duas décadas e aplique a aproximação apenas onde a inclinação é válida. 2 min
  8. Aplicação final: interpretar uma resposta completa Aplique conversões, leitura de módulo e fase, identificação de corte e inclinação por década em um caso completo de resposta em frequência. 3 min

O que você vai aprender

  • Converter razões de tensão em decibéis e realizar a conversão inversa.
  • Distinguir atenuação em decibéis de inversão do sinal.
  • Localizar a frequência de corte em uma curva de ganho.
  • Calcular a variação aproximada de ganho ao longo de décadas de frequência.

Antes de começar

  • Amplitude, frequência, fase e valor eficaz
  • Impedância em circuitos RC e RL
  • Dimensionamento do amplificador não inversor
  • Dimensionamento do amplificador inversor

Passo 1 de 8

O ganho depende da frequência

Compare senoides de entrada e saída para reconhecer as duas partes de uma resposta em frequência: módulo do ganho e diferença de fase.

Resposta em frequência

O que comparar

Uma resposta, duas informações

Em regime permanente, aplique senoides e observe a saída depois que o transitório desaparecer. Para cada frequência, compare a saída com a entrada.

A resposta em frequência descreve como duas características mudam quando a frequência muda:

  • o módulo do ganho: quanto a amplitude de saída é maior ou menor que a de entrada;
  • a diferença de fase: o deslocamento temporal da saída em relação à entrada.

Assim, não basta olhar apenas se a senoide “ficou menor”. Ela também pode adiantar ou atrasar em relação à entrada.

Amplitude e alinhamento

Três comparações entre senoides de entrada azul e saída laranja: iguais e alinhadas; saída menor; e saída deslocada no tempo.

A amplitude e o deslocamento entre os sinais podem mudar de forma independente.

Condições da observação

Mude uma variável por vez

Faça uma comparação justa

Para investigar o efeito da frequência, mantenha a mesma amplitude de entrada, a mesma polarização, o mesmo circuito e a mesma carga. Mude somente a frequência da senoide e espere o circuito entrar em regime permanente antes de comparar.

A amplitude usada no ganho é a variação do sinal ao redor do nível de polarização — por exemplo, o valor de pico, pico a pico ou RMS, desde que a comparação use a mesma definição nos dois sinais.

Uma componente contínua pode deslocar a senoide para cima ou para baixo na tela, mas não faz parte da amplitude da variação senoidal.

Polarização não é amplitude

Duas senoides com a mesma altura, mas centradas em níveis de polarização diferentes.

O deslocamento contínuo muda o centro do sinal; a amplitude é medida em torno desse centro.

Identifique o que mudou

Pratique a leitura visual

Observe cada par de sinais e associe a mudança principal percebida. Considere que a entrada permanece igual em todos os casos.

Associe cada observação à interpretação principal.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Síntese

Resumo

Em resumo

  • A resposta em frequência compara saída e entrada enquanto a frequência varia.
  • Ela contém duas informações: módulo do ganho e diferença de fase.
  • Para comparar frequências, mantenha a entrada e as demais condições do circuito constantes.
  • A amplitude é a variação em torno da polarização; o nível contínuo não entra nessa medida.

Passo 2 de 8

Da razão de tensão aos decibéis

Use logaritmos de base 10 para expressar razões de tensão em decibéis, mantendo as amplitudes compatíveis.

O que o dB mede

Decibéis descrevem uma razão

Decibel (dB) expressa uma razão entre duas amplitudes; não é uma tensão absoluta. Para ganho de tensão, compare a saída com a entrada:

G_dB = 20 × log10(|V_saida/V_entrada|)

As barras indicam que, neste cálculo, usamos o módulo da razão: o tamanho da relação entre as amplitudes. Aqui o foco é converter essa razão em dB.

A razão compara amplitudes

Comparação visual entre sinais de mesma amplitude e sinais cuja saída tem o dobro da amplitude de entrada.

O valor em dB vem da relação entre as amplitudes de saída e de entrada, e não de uma amplitude isolada.

Como calcular sem misturar medidas

Logaritmo de base 10

O logaritmo de base 10 responde à pergunta: “10 elevado a qual expoente produz este número?”

Exemplos:

  • log10(1) = 0, porque 10⁰ = 1
  • log10(10) = 1, porque 10¹ = 10
  • log10(100) = 2, porque 10² = 100

Em resumo: log10(10ˣ) = x. Na calculadora científica, procure a tecla log, que normalmente significa logaritmo de base 10.

Exemplo

Cálculo na prática

Para calcular um ganho de tensão em dB:

  1. Divida a amplitude de saída pela amplitude de entrada.
  2. Aplique log ao resultado.
  3. Multiplique por 20.

Para V_entrada = 0,50 V e V_saida = 5,0 V:

G_dB = 20 × log10(5,0/0,50)

G_dB = 20 × log10(10) = 20 dB

Em uma calculadora, uma entrada segura é: 20 × log(5 ÷ 0,5).

Dica

Compatibilidade antes da razão

Antes de dividir, as duas amplitudes devem usar a mesma unidade e a mesma definição:

  • V com V, ou mV com mV;
  • pico com pico;
  • pico a pico com pico a pico;
  • RMS com RMS.

Por exemplo, 200 mV e 0,80 V podem ser comparados depois de converter 0,80 V para 800 mV. Já comparar diretamente 200 mV de pico com 0,80 V RMS não é válido.

Aplicação guiada

Pratique o cálculo

Uma entrada de 250 mV pico a pico produz uma saída de 1,0 V pico a pico. Complete o ganho de tensão em decibéis.

Exercício

Verifique a conversão

V_entrada = 100 mV RMS e V_saida = 0,50 V RMS. O ganho é aproximadamente __ dB.

Passo 3 de 8

Atenuação não é inversão

Diferencie atenuação em decibéis da inversão indicada pelo sinal do ganho linear.

Duas propriedades diferentes

O que o sinal em dB revela

Em decibéis, o sinal informa o módulo do ganho — isto é, o quanto a amplitude muda. Ele não informa, sozinho, se a senoide foi invertida.

  • G_dB > 0: módulo maior que 1; há amplificação de amplitude.
  • G_dB = 0: módulo igual a 1; a amplitude é mantida.
  • G_dB < 0: módulo menor que 1; há atenuação.

Isso é independente de a saída estar em fase ou invertida em relação à entrada.

Módulo e orientação são informações separadas

Três pares de senoides: saída amplificada em fase, saída atenuada em fase e saída atenuada invertida.

A altura da senoide mostra o módulo; a inversão aparece na orientação oposta, equivalente a 180° de diferença de fase.

O que cada notação informa

Compare os casos

Considere ganhos reais. O sinal de A_v descreve a orientação da saída, enquanto o valor de G_dB descreve apenas o módulo de A_v, pois o cálculo usa |V_saida/V_entrada|.

Ganho linear versus ganho em dB

Valores com o mesmo módulo têm o mesmo ganho em dB, ainda que um deles seja inversor.

A coluna em dB não registra o sinal algébrico de A_v.
A_vMódulo |A_v|G_dBInterpretação
+22+6 dBAmplifica, sem inversão
−22+6 dBAmplifica, com inversão
+0,50,5−6 dBAtenua, sem inversão
−0,50,5−6 dBAtenua, com inversão
+110 dBAmplitude mantida, sem inversão
−110 dBAmplitude mantida, com inversão

Verifique a distinção

Teste sua interpretação

Verdadeiro ou falso: se o ganho de tensão é −6 dB, a saída obrigatoriamente está invertida em relação à entrada.

Classifique o ganho

Um ganho linear A_v = −0,5 representa qual situação?

Passo 4 de 8

Dos decibéis à amplitude de saída

Converta um ganho em decibéis para razão linear e use-o para prever a amplitude de saída.

Do nível em dB à razão linear

A conversão inversa

Agora, faça a conversão inversa: de decibéis para razão de tensão. Como os decibéis descrevem o módulo do ganho, use:

|A_v| = 10^(G_dB/20)

O resultado |A_v| é uma razão sem unidade. Ele informa quantas vezes a amplitude de saída é maior ou menor que a amplitude de entrada.

  • G_dB positivo → |A_v| > 1
  • G_dB = 0 → |A_v| = 1
  • G_dB negativo → |A_v| < 1

Do sinal em dB ao módulo

Comparação entre uma senoide de entrada e senoides de saída maior, igual e menor para ganhos em decibéis positivo, nulo e negativo.

O sinal do ganho em dB permite prever se o módulo calculado ficará acima, igual ou abaixo de 1.

Calcule e confira o módulo

Use os parênteses

Na calculadora, digite o expoente com parênteses: 10^(G_dB/20). Assim, a divisão por 20 acontece antes de aplicar a potência de dez.

Exemplo para +6 dB:

|A_v| = 10^(6/20) ≈ 1,995 ≈ 2

Portanto, um ganho de aproximadamente +6 dB dobra a amplitude.

Para −6 dB:

|A_v| = 10^(−6/20) ≈ 0,501 ≈ 0,5

Logo, −6 dB reduz a amplitude aproximadamente à metade.

Dica

Teste de plausibilidade

Uma conferência rápida evita erros: se você obteve |A_v| = 2 para um ganho negativo em dB, ou |A_v| = 0,5 para um ganho positivo em dB, revise o sinal e os parênteses do expoente.

Da razão à amplitude de saída

Exemplo

Exemplo completo

A entrada de um estágio é 200 mV pico a pico e o ganho informado é +14 dB. Determine a amplitude de saída em pico a pico.

  1. Converta o ganho: |A_v| = 10^(14/20) ≈ 5,01.
  2. Mantenha a mesma definição de amplitude: pico a pico com pico a pico.
  3. Calcule: V_saida = |A_v| × V_entrada.

V_saida ≈ 5,01 × 200 mVpp ≈ 1,00 Vpp.

Dica

Mesma referência de amplitude

Use sempre amplitudes compatíveis na multiplicação: RMS com RMS, pico com pico ou pico a pico com pico a pico. O ganho é uma razão; ele não altera a definição usada para medir a amplitude.

Pratique sem inventar a fase

Calcule uma saída atenuada

Um estágio tem ganho de −14 dB e recebe uma entrada de 2,0 V RMS. Converta o ganho e calcule a saída. Responda no formato: razão; amplitude RMS.

Exemplo de formato: 0,50; 1,0 V RMS

O que os decibéis não mostram

Além da atenuação, o valor de −14 dB, sozinho, permite concluir que a saída está invertida?

Passo 5 de 8

Como ler o eixo de frequência

Leia diagramas de Bode usando o eixo de frequência logarítmico, identificando décadas e associando ganho e fase à mesma frequência.

Ganho e fase no mesmo ponto

Dois painéis, uma frequência

Em uma resposta em frequência, o mesmo sinal é analisado em várias frequências. O gráfico mais comum é o diagrama de Bode, formado por dois painéis alinhados:

  • módulo do ganho, em dB;
  • fase, em graus (°).

Para cada frequência no eixo horizontal, leia o valor no painel de ganho e o valor correspondente no painel de fase. Aqui, a fase é definida por:

fase = fase da saída − fase da entrada

Assim, fase positiva indica saída adiantada em relação à entrada; fase negativa indica saída atrasada.

Leitura coordenada de ganho e fase

Dois gráficos alinhados verticalmente compartilham o eixo de frequência; uma linha vertical em 1 kHz liga as leituras de +6 dB e −45°.

Escolha uma frequência no eixo horizontal e projete-a para os dois painéis.

Exemplo

Exemplo de leitura

Se, em 1 kHz, a curva superior indica +6 dB e a inferior indica −45°, a resposta nessa frequência é:

  • módulo do ganho: +6 dB;
  • fase da saída em relação à entrada: −45°.

Não misture os eixos: dB descreve o módulo da razão de tensões; graus descrevem a diferença de fase.

Distâncias que representam razões

O eixo horizontal é logarítmico

No eixo linear, espaços iguais representam diferenças iguais: 1 kHz, 2 kHz e 3 kHz ficariam igualmente espaçados.

No eixo logarítmico, espaços iguais representam a mesma razão entre frequências. Por isso, 10 Hz → 100 Hz → 1 kHz → 10 kHz ocupa intervalos iguais: em cada passo, a frequência foi multiplicada por 10.

Essa organização permite mostrar uma faixa muito ampla de frequências sem concentrar todos os valores baixos em um canto do gráfico.

Linear versus logarítmico

Comparação entre uma escala linear, com incrementos iguais, e uma escala logarítmica, com potências de dez igualmente espaçadas.

Na escala logarítmica, a regularidade está na multiplicação, não na soma.

Exemplo

Década = fator 10

Uma década é o intervalo de uma frequência até outra dez vezes maior.

Exemplos:

  • 20 Hz até 200 Hz: 1 década;
  • 100 Hz até 1 kHz: 1 década;
  • 1 kHz até 10 kHz: 1 década;
  • 100 Hz até 10 kHz: 2 décadas.

A direção não muda a quantidade: de 10 kHz para 1 kHz também há uma década, mas percorrida no sentido de frequências menores.

Localize uma década

Marcas intermediárias não são lineares

Dentro de uma década, as marcas intermediárias não representam incrementos iguais em hertz. Entre 1 kHz e 10 kHz, podem aparecer 2 kHz, 3 kHz, 4 kHz até 9 kHz, mas elas ficam em posições não lineares.

A posição central da década corresponde à média geométrica dos extremos:

√(1 kHz × 10 kHz) ≈ 3,16 kHz

Portanto, 2 kHz aparece antes do meio do intervalo visual. Já 3,16 kHz fica aproximadamente no centro; 5 kHz fica mais à direita, e 9 kHz fica perto de 10 kHz. Observe primeiro o rótulo da década e depois as marcas menores.

Cheque rápido

Complete com a frequência que deixa este intervalo exatamente em uma década:

200 Hz → __

Uma década

200 Hz → __

Prática: leitura coordenada

Leia os dois valores

A tabela fornece leituras de dois painéis alinhados de um diagrama de Bode. Cada linha reúne o ganho e a fase na mesma frequência. Use-a como escala de apoio para conferir a leitura do gráfico.

Leituras alinhadas

Valores nos dois painéis

A fase é sempre a fase da saída menos a fase da entrada.
FrequênciaGanhoFase
200 Hz+12 dB−10°
1 kHz+8 dB−35°
2 kHz+4 dB−55°
10 kHz−8 dB−80°

Gráfico para leitura

Um diagrama de Bode com linha vertical em 2 kHz, cruzando o ganho em +4 dB e a fase em −55°.

A linha vertical conserva a frequência; apenas o valor lido muda de um painel para o outro.

Prática: leitura coordenada

Segundo o gráfico e a tabela, qual é a resposta em 2 kHz?

Passo 6 de 8

Faixa de passagem e frequência de corte

Use o patamar da faixa de passagem como referência para encontrar o ponto aproximadamente 3 dB abaixo dele.

Defina o nível de referência

A referência é a faixa de passagem

Em uma curva de ganho, a faixa de passagem é a região em que o ganho fica próximo de um nível de referência. Não é obrigatório que esse nível seja 0 dB: um estágio pode, por exemplo, manter aproximadamente 12 dB em sua faixa de passagem.

Neste tutorial, adotaremos a frequência de corte como o ponto em que o ganho caiu cerca de 3 dB em relação a esse nível de passagem:

G_dB(f_c) ≈ G_passagem,dB − 3 dB

Portanto, comece identificando o patamar da faixa de passagem; só depois subtraia 3 dB.

Corte relativo ao patamar

Exemplo de referência para localizar o corte
Ganho na passagemNível de corteNão procurar
0 dB−3 dBSempre o valor absoluto de −3 dB
12 dB9 dB0 dB
−6 dB−9 dB−3 dB

Localize o ponto de corte

Leia a queda a partir do patamar

A imagem mostra uma resposta cuja faixa de passagem está em 12 dB. O corte é localizado onde a curva alcança 9 dB, isto é, 3 dB abaixo do patamar — não onde ela cruza 0 dB.

Corte em uma curva com passagem diferente de 0 dB

Curva de ganho com patamar positivo, uma linha 3 dB abaixo desse patamar e um ponto marcando a interseção com a curva.

O ponto de corte é definido pela diferença de 3 dB em relação à faixa de passagem.

Exemplo

Exemplo

Suponha que a curva permaneça próxima de 12 dB em baixas frequências e apresente 9 dB em 2 kHz.

  1. Ganho de passagem: 12 dB
  2. Nível de corte: 12 dB − 3 dB = 9 dB
  3. Frequência em que a curva chega a 9 dB: 2 kHz

Logo, f_c ≈ 2 kHz. A frequência de corte indica uma transição característica; ela não significa que a saída se tornou nula.

Conecte dB à razão linear

O significado da queda de 3 dB

Uma queda de 3 dB não reduz a tensão à metade. Ao converter essa diferença para razão de tensão, obtemos aproximadamente:

10^(−3/20) ≈ 0,707 = 1/√2

Assim, no corte, o módulo da saída é cerca de 70,7% do módulo que teria na faixa de passagem, para a mesma entrada. Ainda há sinal na saída; ele apenas está atenuado em relação ao patamar de referência.

Exemplo

Razão de tensão no corte

Se a amplitude de saída na faixa de passagem é 4,0 V de pico, qual é a amplitude aproximada no corte?

Pratique a relação de −3 dB

Escolha a amplitude aproximada de saída no corte.

Verifique sua leitura

Encontre o corte relativo

Uma curva tem ganho de passagem de 8 dB. Ela vale 5 dB em 10 kHz. Complete com o nível de corte e a frequência de corte, separados por ponto e vírgula:

_ dB; _ kHz

Resumo do critério

Para encontrar o corte nas curvas deste tutorial:

  • identifique o ganho da faixa de passagem;
  • calcule G_passagem − 3 dB;
  • localize a frequência em que a curva alcança esse valor;
  • interprete esse ponto como início característico da transição, não como ausência de saída.

O próximo passo usa décadas de frequência e inclinações fornecidas para estimar como o ganho varia em um trecho da curva.

Passo 7 de 8

Variação de ganho por década

Estime a mudança de ganho em uma ou duas décadas e aplique a aproximação apenas onde a inclinação é válida.

Inclinação: mudança por fator dez

O que a inclinação informa

Uma inclinação em dB por década informa quanto o ganho muda quando a frequência é multiplicada por 10, dentro do trecho indicado da curva.

  • +6 dB/década: ao ir de 1 kHz para 10 kHz, o ganho aumenta cerca de 6 dB.
  • −20 dB/década: ao ir de 10 kHz para 100 kHz, o ganho diminui cerca de 20 dB.

O sinal da inclinação importa: positivo representa subida; negativo, queda. Uma década é uma razão de frequências, não uma diferença fixa em hertz.

Inclinação ao longo das décadas

Gráfico de ganho com um trecho retilíneo ascendente e outro descendente, cada um cobrindo uma década no eixo logarítmico.

Em um trecho retilíneo indicado, a inclinação expressa a mudança aproximada de ganho a cada fator 10 na frequência.

Da inclinação ao ganho final

Cálculo em duas etapas

Para estimar a mudança de ganho, use:

ΔG_dB ≈ m × N

em que m é a inclinação em dB/década e N é a quantidade de décadas percorridas. Depois, some a variação ao ganho inicial:

G_final ≈ G_inicial + ΔG_dB

Conte as décadas pela razão entre as frequências: 1 kHz → 10 kHz é 1 década; 1 kHz → 100 kHz é 2 décadas.

Exemplo

Exemplo: queda em duas décadas

Considere um trecho aproximado por uma reta de inclinação −20 dB/década. Em 10 kHz, o ganho é 4 dB. Qual é a estimativa em 1 MHz?

  1. De 10 kHz até 1 MHz: 10 kHz → 100 kHz → 1 MHz = 2 décadas.
  2. ΔG_dB ≈ −20 × 2 = −40 dB.
  3. G_final ≈ 4 + (−40) = −36 dB.

A frequência cresceu; como a inclinação é negativa, o ganho precisou diminuir.

Prática: inclinação positiva

Calcule a estimativa

Um trecho retilíneo indicado tem inclinação de +8 dB/década. O ganho é −6 dB em 100 Hz. Estime o ganho em 10 kHz.

Use somente a inclinação fornecida para esse trecho.
Frequência inicialFrequência finalInclinaçãoGanho inicial
100 Hz10 kHz+8 dB/década−6 dB

Resultado

G_final ≈ ____ dB

Use a inclinação no trecho certo

Atenção

Limite da estimativa

A inclinação é uma aproximação válida somente no trecho em que ela foi indicada. Perto de uma transição, a curva real pode ser arredondada; por isso, não prolongue uma reta aproximada para dentro da faixa de passagem ou para além da região mostrada sem essa indicação.

Use a inclinação para estimar pontos no trecho retilíneo conhecido, não para afirmar que toda resposta mantém a mesma taxa de mudança.

Curva real e reta aproximada

Curva de resposta com região plana, transição arredondada e queda; uma reta tracejada aparece apenas na parte de queda aproximadamente retilínea.

A reta tracejada serve para estimar apenas a região em que a aproximação por inclinação foi fornecida.

Cheque o limite

Se uma reta de −20 dB/década foi indicada somente após a região de transição, ela pode ser prolongada para estimar o ganho em qualquer frequência menor que a frequência de corte.

Passo 8 de 8

Aplicação final: interpretar uma resposta completa

Aplique conversões, leitura de módulo e fase, identificação de corte e inclinação por década em um caso completo de resposta em frequência.

Leia o caso antes de calcular

Caso integrado

Considere uma resposta passa-baixas medida com uma entrada senoidal constante de 0,200 V RMS. Todos os valores de tensão deste caso são RMS; portanto, podem ser comparados diretamente.

Use esta sequência para analisar a resposta:

  1. confira a definição das amplitudes;
  2. converta razões e decibéis quando necessário;
  3. leia módulo e fase na mesma frequência;
  4. identifique a faixa de passagem;
  5. localize o ponto 3 dB abaixo dela;
  6. use a inclinação apenas no trecho indicado.

A fase é definida como fase da saída menos fase da entrada. Ela complementa o módulo: um valor em dB, sozinho, não revela se a saída está invertida.

Curva de módulo do caso

Curva de ganho com patamar de mais 6 dB em baixas frequências, ponto de mais 3 dB em 10 kHz e trecho descendente até menos 17 dB em 100 kHz.

Entre 10 kHz e 100 kHz, a reta é uma aproximação com inclinação de −20 dB por década.

Dados medidos

A linha de 3 kHz traz amplitudes medidas, mas deixa o ganho em dB para você calcular. Nas demais linhas, os dados ajudam a relacionar a curva, a fase e as amplitudes.

Resposta medida para Ventrada = 0,200 V RMS.
FrequênciaGanho (dB)FaseVsaída RMS
100 Hz+6 dB0°0,400 V
1 kHz+6 dB−6°0,400 V
3 kHzcalcule−17°0,400 V
10 kHz+3 dB−45°aprox. 0,283 V
100 kHz−17 dB−84°aprox. 0,028 V

Verifique as duas conversões

Converta uma razão em decibéis

Na medição de 3 kHz, V_entrada = 0,200 V RMS e V_saída = 0,400 V RMS. Complete:

G_dB ≈ ____ dB

Converta decibéis em razão

Em 10 kHz, o ganho é +3 dB. Complete a razão de tensão:

|V_saída / V_entrada| ≈ ____

Corte, década e interpretação

Localize o corte

Qual é a frequência de corte deste caso?

Interprete a região atenuada

Use os dados para justificar sua leitura:

Em 100 kHz, o sinal está preservado ou atenuado em relação à faixa de passagem? Cite a diferença de ganho em dB. Em seguida, explique por que a queda de 10 kHz a 100 kHz é compatível com a inclinação indicada e diga se o valor de −17 dB, sozinho, permite concluir que existe inversão.

Escreva pelo menos 100 caracteres (0/100).

Síntese final

Resumo

Critérios para analisar uma resposta

  • Compare amplitudes definidas da mesma forma: RMS com RMS, pico com pico ou pico a pico com pico a pico.
  • Converta ganho de tensão com G_dB = 20 × log10(|A_v|) e |A_v| = 10^(G_dB/20).
  • Ganho negativo em dB indica módulo menor que 1; não indica, por si só, inversão.
  • A frequência de corte fica aproximadamente 3 dB abaixo do ganho da faixa de passagem, mesmo quando essa faixa não está em 0 dB.
  • Em um trecho com inclinação informada, multiplique dB por década pelo número de décadas e não extrapole a reta além do trecho indicado.

Tutorial concluído

Parabéns! Você concluiu: Ganho em decibéis e resposta em frequência

Muito bem! Agora você pode converter ganhos, separar atenuação de inversão e justificar a leitura de uma curva de resposta em frequência.

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