Trilha de aprendizado · Nível 15 · Tutorial 5

Repetibilidade e dispersão das medições

Caracterizar a repetibilidade de uma série curta de medições por média, amplitude e desvio-padrão, reconhecendo quando as condições variam durante a coleta.

  • Nível: Intermediário
  • Duração: 20 min
  • 9 passos
Repetibilidade e dispersão das medições

O que você vai percorrer

  1. Defina as condições de repetição Delimite uma avaliação de repetibilidade mantendo as condições relevantes comparáveis e restringindo a conclusão ao que foi observado. 2 min
  2. Registre sem perder a sequência Registre leituras brutas em ordem temporal e documente as condições da coleta para que a série possa ser analisada sem perder contexto. 2 min
  3. Calcule a média e os desvios Calcule a média de uma série curta e os desvios individuais, preservando sinais, unidades e casas decimais. 3 min
  4. Determine a amplitude observada Calcule a amplitude pelos extremos de uma série e reconheça o que esse resumo deixa de mostrar. 2 min
  5. Calcule o desvio-padrão amostral Calcule variância e desvio-padrão amostrais, compare dispersões internas e interprete as unidades corretamente. 3 min
  6. Procure padrões ao longo do tempo Use a ordem temporal para reconhecer deriva, alternância e mudanças de patamar que podem ficar escondidas por estatísticas descritivas. 3 min
  7. Investigue leituras discrepantes Investigue uma leitura que se destaca sem apagar dados para melhorar artificialmente os indicadores. 2 min
  8. Separe repetibilidade de exatidão Entenda por que leituras consistentes entre si ainda podem estar deslocadas em relação a uma referência. 2 min
  9. Aplique e conclua a análise Caracterize uma série curta de medições com cálculos, inspeção temporal e uma conclusão limitada às condições observadas. 3 min

O que você vai aprender

  • Organizar uma série de leituras sem perder sua ordem temporal.
  • Calcular média, desvios, amplitude e desvio-padrão amostral de um conjunto curto.
  • Identificar padrões que tornam inadequado resumir toda a série como uma condição estável.
  • Explicar por que repetibilidade não demonstra ausência de erro sistemático.

Antes de começar

  • Orçamento de erro da cadeia de medição
  • Leitura de tensão com o ADC do Arduino Uno
  • Ruído elétrico e relação sinal-ruído

Passo 1 de 9

Defina as condições de repetição

Delimite uma avaliação de repetibilidade mantendo as condições relevantes comparáveis e restringindo a conclusão ao que foi observado.

O que deve permanecer comparável

Uma pergunta delimitada

O que a repetibilidade descreve

Repetibilidade é a proximidade entre resultados obtidos ao medir a mesma grandeza com o mesmo procedimento, sistema de medição, operador e condições relevantes, em um intervalo curto.

A pergunta é restrita: nas condições mantidas nesta coleta, as leituras ficaram próximas umas das outras? Isso não é uma afirmação sobre todo o uso futuro do sistema.

Mesmo contexto de medição

Ilustração de uma mesma montagem eletrônica sendo medida repetidamente sob condições visivelmente constantes.

Para avaliar repetibilidade, procure repetir a medição no mesmo contexto relevante.

Delimite a coleta

Condições relevantes

Antes de iniciar uma série, mantenha a grandeza medida e as condições que podem afetar a leitura tão constantes quanto possível.

Em uma medição de temperatura com sensor, condicionamento, ADC e firmware, registre pelo menos a configuração usada e qualquer ocorrência percebida. Exemplos de condições relevantes:

  • mesma montagem, alimentação e referência usadas na cadeia;
  • mesmo firmware e mesma configuração de aquisição;
  • mesmo procedimento e operador, quando isso for relevante;
  • intervalo curto e ritmo de leitura definido;
  • condição térmica ou estímulo que não esteja sendo alterado deliberadamente.

Não é necessário afirmar que tudo está perfeitamente imóvel. O ponto é evitar misturar situações diferentes sem identificá-las.

Dica

Registre mudanças, não as esconda

Uma mudança de alimentação, ganho, firmware, posição do sensor ou condição térmica durante a coleta pode mudar as leituras. Nesse caso, anote o evento: ele ajuda a interpretar a série depois.

Mesmo conjunto ou condições misturadas?

Compare os cenários

Considere duas coletas didáticas de uma tensão na saída de um condicionador. Em ambas há seis leituras, feitas pelo mesmo operador.

Cenários de coleta

A coleta A é adequada para investigar repetibilidade naquela configuração. A coleta B mistura condições e não deve ser tratada como uma única condição estável.
AspectoColeta AColeta B
Alimentação5,00 V durante toda a série5,00 V nas 3 primeiras; 4,70 V nas demais
Ganho do condicionadorMesmo ajusteAjuste alterado no meio
Intervalo de coleta10 s entre leituras10 s entre leituras
Registro da mudançaNenhuma mudança percebidaMudanças registradas

Prática: conclua sem generalizar

O alcance da conclusão

Uma série curta é uma amostra finita: ela descreve apenas o comportamento que foi observado nas condições anotadas.

Por exemplo, leituras obtidas agora, com uma montagem e alimentação específicas, não demonstram automaticamente como o sistema se comportará em outra temperatura ambiente, após horas de uso, com outro ajuste ou em outra alimentação.

A conclusão responsável tem alcance explícito: “nestas condições e neste intervalo, foram feitas estas leituras”.

Exemplo

Verifique sua interpretação

Qual conclusão é justificável após uma sequência curta coletada com a mesma configuração, pelo mesmo procedimento e em intervalo curto?

Limite da série curta

Escolha a afirmação mais adequada.

Passo 2 de 9

Registre sem perder a sequência

Registre leituras brutas em ordem temporal e documente as condições da coleta para que a série possa ser analisada sem perder contexto.

O que preservar no registro

A sequência também é um dado

Uma série de repetibilidade só pode ser interpretada dentro das condições em que foi coletada. Por isso, registre cada leitura na sequência em que ocorreu, junto com um índice ou instante, o valor e a unidade.

Não reorganize os valores do menor para o maior e não substitua o registro bruto por uma versão filtrada. Essas alterações rompem a ligação entre a leitura e o momento da coleta.

Ordem temporal preservada

Diagrama comparando um registro cronológico, em que cada leitura permanece ligada ao seu instante, com uma coluna de valores ordenados que perde essa ligação.

O registro cronológico mantém a associação entre “quando” e “o que foi lido”.

Dica

Registre o contexto

Além das leituras, anote a configuração identificada, o intervalo entre coletas e qualquer ocorrência percebida. Uma observação não prova a causa de uma variação, mas preserva informação para investigar depois.

Dados brutos e condições

Série didática de temperatura

Use esta série didática nos próximos cálculos do tutorial. Ela foi fornecida para estudo: não representa uma medição feita por você nem permite concluir sobre outras condições.

Leituras brutas na ordem em que foram registradas.
ÍndiceTempo decorridoLeituraUnidade
10 s25,0°C
230 s25,1°C
360 s24,9°C
490 s25,0°C
5120 s25,0°C

Exemplo

Exemplo de anotações da coleta

Registro de contexto da série

  • Configuração: cadeia de medição de temperatura identificada para o ensaio didático.
  • Intervalo planejado: 30 s entre leituras.
  • Condição anotada: alimentação mantida na mesma configuração durante a coleta.
  • Ocorrências percebidas: nenhuma anotada.

Se houvesse, por exemplo, uma alteração de configuração ou uma interrupção, ela deveria aparecer no registro ao lado da sequência, sem apagar as leituras originais.

Verifique sua organização

Escolha o registro completo

Qual registro está mais adequado para analisar depois uma série curta de repetibilidade?

Passo 3 de 9

Calcule a média e os desvios

Calcule a média de uma série curta e os desvios individuais, preservando sinais, unidades e casas decimais.

1. Calcule a média

Encontre o centro

Centro da série: a média

Retome a série didática de temperatura na ordem em que foi registrada:

25,0; 25,1; 24,9; 25,0; 25,0 °C

A quantidade de leituras é n = 5. A média amostral é o centro calculado da série:

x̄ = (soma das leituras) / n

Neste caso:

x̄ = (25,0 + 25,1 + 24,9 + 25,0 + 25,0) / 5

x̄ = 125,0 / 5 = 25,0 °C

A média resume as cinco leituras, mas não substitui os dados brutos nem a ordem temporal do registro.

Dica

Atenção aos decimais

n é somente a quantidade de leituras incluídas no cálculo. A média conserva a unidade das leituras: como a série está em °C, a média também está em °C.

Não arredonde resultados intermediários sem necessidade. Neste exemplo, a média é exatamente 25,0 °C; quando isso não ocorrer, mantenha as casas decimais disponíveis até concluir os cálculos.

2. Registre os desvios com sinal

Meça o afastamento de cada leitura

Para cada leitura, calcule o desvio em relação à média:

dᵢ = xᵢ − x̄

O sinal importa:

  • desvio negativo: leitura abaixo da média;
  • desvio positivo: leitura acima da média;
  • desvio zero: leitura igual à média.

Como x̄ = 25,0 °C, a leitura 25,1 °C tem desvio +0,1 °C. Já 24,9 °C tem desvio −0,1 °C. O desvio também conserva a unidade da leitura.

Leituras e desvios

Cálculo dos desvios da série didática, preservando o índice original da coleta.

Cada desvio é calculado em relação à média de 25,0 °C.
ÍndiceLeitura xᵢDesvio dᵢ = xᵢ − 25,0 °C
125,0 °C0,0 °C
225,1 °C+0,1 °C
324,9 °C−0,1 °C
425,0 °C0,0 °C
525,0 °C0,0 °C

Visualize os desvios

A escala mostra que o sinal informa em que lado da média a leitura está; a distância mostra quanto ela se afastou.

Escala horizontal com uma média no centro, três leituras coincidentes com ela, uma leitura à esquerda e outra à direita.

Na série, três leituras têm desvio nulo; uma fica abaixo e uma acima da média.

3. Observe o cancelamento

Exemplo

Por que somar desvios não basta

Na série didática, os desvios somam zero:

0,0 + 0,1 − 0,1 + 0,0 + 0,0 = 0,0 °C

Isso ocorre porque a média foi calculada usando essas mesmas leituras: os afastamentos abaixo e acima do centro se compensam. Portanto, a soma simples dos desvios não informa o quanto as leituras estão espalhadas.

Nos próximos passos, você verá medidas de dispersão que evitam esse cancelamento.

4. Verifique seu cálculo

Pratique média e desvio

Agora use um conjunto independente de três leituras de temperatura: 12,4; 12,6; 12,5 °C. Complete, nesta ordem, a média e os desvios indicados. Preserve os sinais e a unidade.

Complete os cálculos

Preencha separados por ponto e vírgula:

média; desvio de 12,4 °C; desvio de 12,6 °C; desvio de 12,5 °C

Passo 4 de 9

Determine a amplitude observada

Calcule a amplitude pelos extremos de uma série e reconheça o que esse resumo deixa de mostrar.

Calcule pelos extremos

Amplitude: distância entre extremos

A amplitude observada mede a distância entre os dois extremos que apareceram na amostra:

A = x_máx − x_mín

Ela usa somente a maior e a menor leitura. Como ambas têm a unidade das medições, a amplitude também fica nessa unidade.

Retome a série didática registrada na ordem de coleta: 25,0; 25,1; 24,9; 25,0; 25,0 °C.

  • x_máx = 25,1 °C
  • x_mín = 24,9 °C
  • A = 25,1 − 24,9 = 0,2 °C

Não é necessário ordenar os dados para calcular A: preserve a sequência original no registro e apenas identifique seus extremos.

Visualizando a amplitude

Escala horizontal com cinco leituras de temperatura, uma no extremo inferior, uma no superior e três no centro; uma seta dupla liga os extremos.

A amplitude é a distância, na escala das leituras, entre o menor e o maior valor observados.

Dica

O que a amplitude não garante

A amplitude descreve este conjunto observado. Ela não é uma propriedade fixa do instrumento nem um limite assegurado para a próxima leitura.

Se você coletar mais leituras, ou repetir o ensaio em outro momento ou condição, pode surgir um extremo diferente e a amplitude mudar. Portanto, ao comunicar esse resultado, registre também o número de leituras e as condições da coleta.

Reconheça a limitação

Mesma amplitude, arranjos internos distintos

Duas séries podem ter os mesmos extremos e, portanto, a mesma amplitude, mas apresentar concentrações diferentes entre esses extremos.

Compare além dos extremos

Dois gráficos de pontos com os mesmos extremos: no primeiro, três leituras ficam no centro; no segundo, há mais leituras nos extremos.

Os dois conjuntos têm os mesmos extremos e a mesma amplitude, mas a organização interna das leituras é diferente.

Exemplo

Limite do resumo

Compare estes conjuntos novos, ambos em °C:

  • Conjunto A: 24,8; 25,0; 25,0; 25,0; 25,2
  • Conjunto B: 24,8; 24,8; 25,0; 25,2; 25,2

Nos dois casos, x_mín = 24,8 °C e x_máx = 25,2 °C; logo, a amplitude é 0,4 °C. Porém, o conjunto A concentra mais leituras no centro, enquanto o B tem mais leituras nos extremos.

A amplitude é útil como resumo rápido do intervalo visto, mas ignora as leituras entre mínimo e máximo. No próximo step, você verá uma medida que considera todas as leituras.

Pratique o cálculo

Calcule a amplitude

Em uma nova coleta de tensão, as leituras foram 12,4 V; 12,7 V; 12,3 V; 12,5 V. A amplitude observada é __.

Teste a interpretação

Verifique sua interpretação

Verdadeiro ou falso: se duas séries têm a mesma amplitude observada, então suas leituras internas necessariamente apresentam a mesma dispersão.

Passo 5 de 9

Calcule o desvio-padrão amostral

Calcule variância e desvio-padrão amostrais, compare dispersões internas e interprete as unidades corretamente.

Transforme os desvios em dispersão

Por que usar quadrados?

Na série anterior, os desvios positivos e negativos somavam zero. Para medir o afastamento de todas as leituras, elevamos cada desvio ao quadrado. Assim, sinais opostos não se cancelam e leituras mais afastadas pesam mais no total.

Do desvio ao desvio ao quadrado

Escala de temperatura centrada na média e quadrados que representam os afastamentos elevados ao quadrado.

Ao quadrado, todo afastamento passa a contribuir positivamente para a soma.

Variância e desvio-padrão

Para uma amostra com n > 1 leituras:

s² = Σ(xᵢ − x̄)² / (n − 1)

A variância amostral, s², é a média ajustada dos desvios ao quadrado. Dividimos por n − 1, e não por n, porque a média foi calculada com essa mesma amostra: os desvios ficam sujeitos à condição de somarem zero.

O desvio-padrão amostral é s = √s². Ele volta à mesma unidade das leituras.

Calcule em uma série curta

Exemplo

Exemplo calculado

Considere cinco leituras de temperatura, em °C: 24,8; 25,0; 25,1; 24,9; 25,2. A média já calculada é x̄ = 25,0 °C. A tabela mostra cada etapa sem arredondar antes da hora.

Unidades importam

Os quadrados dos desvios somam 0,10 °C². Como n = 5, o denominador é n − 1 = 4.

  • s² = 0,10 / 4 = 0,025 °C²
  • s = √0,025 = 0,158... °C, ou aproximadamente 0,16 °C

A variância fica em °C² porque os desvios foram elevados ao quadrado. Ao extrair a raiz, s fica novamente em °C.

Tabela do exemplo

Cálculo dos desvios ao quadrado

A soma dos desvios simples é zero; a soma dos quadrados é 0,10 °C².
Leitura xᵢ (°C)Desvio xᵢ − x̄ (°C)(xᵢ − x̄)² (°C²)
24,8−0,20,04
25,00,00,00
25,1+0,10,01
24,9−0,10,01
25,2+0,20,04

Não confunda amplitude com s

Mesmos extremos, dispersões diferentes

Dois conjuntos podem ter a mesma quantidade de leituras, a mesma média e a mesma amplitude, mas não a mesma dispersão interna.

  • Conjunto A: 24,8; 25,0; 25,0; 25,0; 25,2 → s ≈ 0,14 °C
  • Conjunto B: 24,8; 24,8; 25,0; 25,2; 25,2 → s ≈ 0,20 °C

Ambos têm amplitude de 0,4 °C. No conjunto B, mais leituras estão afastadas da média; por isso, seu s é maior.

Compare a distribuição interna

Dois gráficos de pontos com os mesmos extremos; o da direita concentra mais pontos longe do centro.

A amplitude olha apenas os extremos. O desvio-padrão também considera onde as leituras intermediárias ficaram.

Dica

Interpretação com limite

s descreve a dispersão observada nesta amostra e nestas condições. Ele não é o maior erro possível nem define, por si só, um intervalo que obrigatoriamente contenha todas as leituras futuras.

Pratique o cálculo

Sequencie o cálculo

Organize as etapas para calcular o desvio-padrão amostral de uma série.

  1. Calcular a média x̄ das leituras.
  2. Somar os desvios ao quadrado e dividir por n − 1 para obter s².
  3. Calcular cada desvio xᵢ − x̄ e elevá-lo ao quadrado.
  4. Extrair a raiz quadrada de s² para obter s.

Encontre a variância

Para as leituras 9,7 V; 10,0 V; 10,0 V; 10,3 V, a média é 10,0 V. Complete: s² = ____ V².

Retorne à unidade original

Usando s² = 0,06 V², complete: s ≈ ____ V.

Passo 6 de 9

Procure padrões ao longo do tempo

Use a ordem temporal para reconhecer deriva, alternância e mudanças de patamar que podem ficar escondidas por estatísticas descritivas.

Veja a ordem das leituras

A sequência também é evidência

Média, amplitude e desvio-padrão resumem os valores, mas não mostram em que ordem eles ocorreram. Por isso, complemente a tabela de leituras com um gráfico de leitura versus instante — ou versus índice da coleta quando os intervalos forem regulares.

Observe a forma da sequência antes de descrevê-la como repetição sob condição estável. Três padrões merecem atenção:

  • Deriva: leituras que sobem ou descem ao longo da coleta.
  • Alternância: leituras que oscilam repetidamente entre faixas.
  • Mudança de patamar: um grupo inicial em uma faixa e, depois, outro grupo em uma faixa diferente.

Os cálculos continuam válidos como descrição do conjunto observado. O cuidado é não usar apenas um número médio e um único s para ocultar que as condições ou o comportamento podem ter variado.

Padrões visíveis na sequência

Três gráficos de linha mostram, respectivamente, tendência crescente, alternância entre valores altos e baixos e uma mudança abrupta para um patamar mais alto.

A forma temporal acrescenta informação que os resumos numéricos sozinhos não exibem.

Compare antes de resumir

Mesmos valores, histórias diferentes

Considere duas sequências de quatro leituras de temperatura, feitas nos mesmos instantes. Elas contêm exatamente os mesmos valores; apenas a ordem muda.

Compare as sequências preservando a ordem de coleta.

As estatísticas descritivas são iguais porque o conjunto de valores é o mesmo.
ÍndiceSequência A (°C)Sequência B (°C)
124,824,8
225,025,4
325,225,0
425,425,2

Exemplo

Interprete com prudência

Nas duas sequências, a média é 25,1 °C, a amplitude é 0,6 °C e o desvio-padrão amostral também é igual. Porém, a sequência A cresce continuamente: ela sugere uma possível deriva. A sequência B alterna acima e abaixo do centro.

Esses desenhos não identificam a causa. Verifique o registro: houve alteração de configuração, intervalo irregular, aquecimento do conjunto, troca de alimentação ou outra ocorrência? Registre o que foi observado, sem concluir uma causa física apenas pela aparência do gráfico.

Pratique a leitura temporal

Reconheça o padrão

Associe cada descrição ao padrão temporal mais adequado.

Relacione cada sequência à sua descrição.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Limite a conclusão

Decida o que relatar

Uma série curta apresenta uma subida contínua das leituras durante a coleta. Qual conclusão é mais justificável?

Escolha a melhor conduta.

Passo 7 de 9

Investigue leituras discrepantes

Investigue uma leitura que se destaca sem apagar dados para melhorar artificialmente os indicadores.

Reconheça a necessidade de investigação

Destaque não é prova de erro

Uma leitura que se destaca é um sinal para investigar

Uma observação discrepante é uma leitura que se afasta claramente das demais ou quebra o padrão temporal da série. Ela pode influenciar a média, ampliar a amplitude e aumentar o desvio-padrão amostral (s).

Isso não revela, por si só, que o valor esteja errado. A leitura pode ter sido transcrita incorretamente, pode indicar uma mudança real da grandeza ou pode estar associada a alguma ocorrência no sistema de medição.

Observe o padrão e preserve a pista

Sequência de cinco leituras de temperatura, com quatro pontos próximos entre si e um ponto mais alto destacado junto a um caderno de registro.

O ponto destacado pode afetar os resumos numéricos, mas também é uma pista sobre o que ocorreu durante a coleta.

Trate o dado de modo justificável

Exemplo

Exemplo: o que fazer com 27,1 °C

Considere a série, preservada na ordem de coleta:

24,8; 24,9; 24,8; 27,1; 24,9 °C

A leitura de 27,1 °C se destaca. Removê-la faria a amplitude e provavelmente s diminuírem, mas essa redução não é uma justificativa para excluí-la.

Antes de qualquer tratamento, consulte o registro: instante da leitura, configuração, intervalo entre amostras e ocorrências anotadas. Investigue possibilidades como erro de transcrição, alteração real da temperatura, reposicionamento do sensor, mudança de alimentação ou outra ocorrência observada — sem afirmar uma causa apenas pelo número.

Dica

Registre a decisão, não apenas o resultado

Conduta rastreável:

  1. Preserve a leitura bruta no registro original.
  2. Confira se há erro de transcrição ou de unidade.
  3. Relacione a leitura às condições e ocorrências registradas.
  4. Registre a decisão e sua justificativa.
  5. Se não houver explicação, declare a limitação; uma nova coleta, sob condições documentadas, pode ser mais apropriada.

Uma exclusão só é defensável quando existe justificativa documentada. Não “limpe” a série apenas para obter indicadores menores.

Verifique sua decisão

Decida com base em evidências

Em uma série de temperatura, uma leitura se destaca e sua remoção reduz bastante o desvio-padrão amostral. Qual é a conduta mais justificável?

Aplique o procedimento

Redija uma nota rastreável

Uma série contém uma leitura que se destaca. Escreva uma nota curta de análise dizendo: o que você consultaria no registro, como trataria o dado original e o que declararia se não encontrasse explicação.

Escreva pelo menos 120 caracteres (0/120).

Passo 8 de 9

Separe repetibilidade de exatidão

Entenda por que leituras consistentes entre si ainda podem estar deslocadas em relação a uma referência.

Compare a série com a referência

Duas comparações diferentes

Resultados próximos não significam necessariamente resultados corretos

Repetibilidade descreve quão próximos os resultados ficam entre si. Para falar em proximidade a um valor esperado, é preciso compará-los com uma referência apropriada.

Cenário didático: uma referência indica 25,00 °C. Uma cadeia de medição produz cinco leituras em sequência: 25,42; 25,40; 25,41; 25,43; 25,42 °C.

Elas estão bem concentradas, mas todas aparecem acima da referência. A dispersão pequena resume a proximidade interna da série; ela não elimina esse deslocamento comum.

Referência e agrupamento

Escala de temperatura com uma referência em 25,00 °C e cinco leituras muito próximas umas das outras perto de 25,42 °C, deslocadas para cima.

A concentração das leituras e a distância até a referência respondem a perguntas diferentes.

O que os indicadores não mostram

Exemplo

Leitura do exemplo

Para a série 25,42; 25,40; 25,41; 25,43; 25,42 °C:

  • média = 25,416 °C;
  • amplitude = 0,03 °C;
  • desvio-padrão amostral, aproximadamente, = 0,011 °C.

A amplitude e o desvio-padrão são pequenos: nas condições da coleta, as leituras foram próximas entre si. Porém, a média está cerca de 0,416 °C acima da referência de 25,00 °C.

Portanto, a descrição prudente é: a série apresentou baixa dispersão observada, mas ficou deslocada em relação à referência do cenário.

Ligação com o orçamento de erro

No orçamento de erro da cadeia, algumas contribuições podem afetar todas as leituras de modo parecido — por exemplo, uma referência de conversão deslocada, um offset ou uma característica comum do sensor.

Como esse efeito é compartilhado, comparar uma leitura com outra pode não revelá-lo: a série continua estreita mesmo deslocada. Isso não identifica a causa do deslocamento; apenas impede concluir que ela está ausente.

Dica

Cuidado com a interpretação

Não conclua que a causa é uma peça específica apenas olhando esta série. O ponto é mais limitado: dispersão baixa, por si só, não testa contribuições comuns a todas as leituras.

Teste sua interpretação

Verifique a conclusão

Uma série com amplitude pequena e desvio-padrão amostral pequeno prova que não há desvio sistemático em relação a uma referência.

Ouça a afirmação

Uma série com amplitude pequena e desvio-padrão amostral pequeno prova que não há desvio sistemático em relação a uma referência.

Uma série com amplitude pequena e desvio-padrão amostral pequeno prova que não há desvio sistemático em relação a uma referência.

Baixa dispersão basta?

A afirmação é verdadeira ou falsa?

Aplique a distinção

Formule uma conclusão limitada

Você mede uma referência de 10,00 V cinco vezes e obtém 10,18; 10,19; 10,18; 10,20; 10,19 V. Em uma ou duas frases, descreva o que essa série permite afirmar e o que ela não permite afirmar.

Escreva pelo menos 80 caracteres (0/80).

Passo 9 de 9

Aplique e conclua a análise

Caracterize uma série curta de medições com cálculos, inspeção temporal e uma conclusão limitada às condições observadas.

1. Analise a série A

Dados e condições

Caso integrado

Um monitor de temperatura foi mantido na mesma bancada por cerca de 2 minutos. A mesma configuração de hardware e firmware foi usada em todas as leituras; não houve ajuste declarado entre elas. Registre a ordem, pois ela também é evidência.

Uma referência independente caracterizada para este cenário didático indica 25,30 °C. Ela serve apenas para comparar o centro da série; não altera os dados brutos.

Série A — condição declarada constante

Leituras fornecidas para análise. O índice preserva a sequência temporal.

Temperatura indicada pelo sistema em graus Celsius.
ÍndiceTempo decorridoLeitura
10 s24,80 °C
230 s25,00 °C
360 s24,90 °C
490 s25,10 °C
5120 s25,00 °C

Observe centro, dispersão e sequência

Gráfico temporal com cinco leituras próximas entre si e uma linha de referência acima delas.

A sequência parece concentrada, mas seu centro visual está abaixo da referência fornecida.

2. Calcule e registre

Roteiro de cálculo

Use os cinco valores da série A, sem arredondar demais os resultados intermediários.

  1. Determine n e a média x̄.
  2. Calcule cada desvio dᵢ = xᵢ − x̄; os desvios devem somar aproximadamente zero.
  3. Encontre a amplitude A = x_máx − x_mín.
  4. Calcule s² = Σdᵢ²/(n−1) e s = √s².

Ao relatar, mantenha °C para média, desvios, amplitude e s. A variância fica em °C².

Confira os extremos

Qual é a amplitude observada da série A?

Monte a caracterização

Escreva um registro curto para a série A com n, x̄, os cinco desvios, amplitude, s e uma observação sobre a sequência temporal. Compare a média com a referência de 25,30 °C, sem chamar essa diferença de incerteza.

Escreva pelo menos 100 caracteres (0/100).

3. Não esconda a mudança

Sequência B — contraste necessário

Agora considere esta sequência B, coletada a cada 30 s: 24,8; 24,9; 25,5; 25,6; 25,5 °C. No registro, consta que a ventilação da bancada foi ligada entre a segunda e a terceira leitura.

Os indicadores globais ainda podem ser calculados. Porém, a anotação e a ordem revelam uma mudança de condição dentro da coleta.

Mudança de patamar na sequência B

Gráfico com duas leituras baixas seguidas de um salto e três leituras em patamar mais alto.

A mudança de patamar pede investigação das condições registradas antes de resumir a série inteira como estável.

Decida com base na sequência

Qual conclusão é mais justificável para a sequência B?

4. Conclua com limites claros

Resumo

Síntese da competência

  • Uma caracterização rastreável preserva leituras brutas, ordem temporal, condições e unidades.
  • Para uma série curta, registre n, média, desvios, amplitude e desvio-padrão amostral; cada indicador descreve somente o conjunto observado.
  • Inspecione a sequência: deriva, alternância, patamar ou ocorrência registrada podem tornar inadequado resumir tudo como uma única condição estável.
  • Repetibilidade descreve proximidade entre resultados. Mesmo com amplitude e s pequenos, um deslocamento comum em relação a uma referência pode permanecer.
  • Conclusões devem declarar as condições e os limites dos dados; dispersão observada não comprova exatidão nem ausência de erro sistemático.

Tutorial concluído

Parabéns! Você concluiu: Repetibilidade e dispersão das medições

Pronto! Você pode caracterizar a dispersão observada sem confundir repetibilidade com exatidão.

Baixe o Aplicativo agora para ter acesso a + de 5000 cursos gratuitos, exercícios, certificado e muito conteúdo sem pagar nada!

  • Cursos online 100% gratuitos do início ao fim

    Milhares de cursos online em vídeo, ebooks e áudiobooks.

  • Mais de 60 mil exercícios gratuitos

    Para testar seus conhecimentos no decorrer dos cursos online

  • Certificado Digital gratuito válido em todo o Brasil

    Gerado diretamente na galeria de fotos do seu celular e enviado ao seu e-mail

Aplicativo Cursa na tela de ebook, na tela de curso em vídeo e na tela de exercícios do curso, mais o certificado de conclusão de curso