
Passo 1 de 9
Definir o sinal de entrada e a saída desejada
Defina os requisitos do sensor, do condicionador e da carga antes de dimensionar o mapeamento.
Trilha de aprendizado · Nível 7 · Tutorial 11
Dimensionar e verificar uma interface analógica simples para um sensor com saída em tensão, ajustando ganho, referência e filtragem sem ultrapassar os limites do estágio.
Definir o sinal de entrada e a saída desejada
Defina os requisitos do sensor, do condicionador e da carga antes de dimensionar o mapeamento. 2 min
Calcular ganho e deslocamento
Calcule os coeficientes de uma transformação linear para levar a faixa de tensão do sensor à faixa de saída desejada. 3 min
Transformar o mapeamento em circuito
Converta os coeficientes do mapeamento em uma topologia, uma razão de resistores e uma referência compatível com a alimentação disponível. 3 min
Garantir uma referência utilizável
Verifique o carregamento da referência, use buffer quando necessário e estime como variações de V_ref afetam a saída. 3 min
Conferir as margens do estágio
Verifique o mapeamento com valores comerciais e compare tensões, correntes e erros com os limites garantidos do estágio. 3 min
Preservar o sinal e limitar o ruído
Escolha de um passa-baixas de entrada e verificação conjunta da preservação do sinal, do ruído e dos limites dinâmicos. 3 min
Preparar e realizar o teste em três pontos
Prepare um teste reproduzível em três pontos para conferir eletricamente o condicionador com entradas conhecidas e medições reais. 3 min
Interpretar as diferenças entre cálculo e medição
Use resíduos de três medições para reconhecer indícios de deslocamento, erro de ganho ou saturação e priorizar verificações elétricas. 3 min
Consolidar e justificar a solução
Integre requisitos, equação, implementação, margens e ensaio para emitir uma conclusão técnica verificável. 4 min

Passo 1 de 9
Defina os requisitos do sensor, do condicionador e da carga antes de dimensionar o mapeamento.
Antes de escolher resistores ou um amplificador operacional, transforme o pedido em requisitos mensuráveis. Uma interface só pode ser dimensionada quando se sabe o que o sensor fornece, o que o condicionador deve suportar e o que a saída precisa entregar à carga.
Para o sensor, registre:
Esses dados descrevem a fonte. Eles não definem, por si só, a precisão, a carga ou o ruído permitido na saída.

Localize cada requisito no ponto da cadeia ao qual ele realmente se aplica.
Caso-guia deste tutorial
O sensor fornece uma tensão entre 0,5 V e 2,5 V, com resistência de saída de 10 kΩ. Sua informação útil inclui a componente contínua e variações de até 10 Hz.
A interface deverá fornecer 0,5 V a 4,5 V, na mesma direção de variação: quando a tensão do sensor aumenta, a saída também aumenta. O estágio usa alimentação simples de 5 V e deve acionar uma carga de entrada de pelo menos 100 kΩ.
Para a saída, adote erro contínuo total máximo de ±50 mV e ruído total máximo de 0,30 mV eficaz, avaliado de 0,1 Hz a 100 Hz.
A banda e o ponto de referência fazem parte do requisito de ruído. Dizer apenas “0,30 mV de ruído” não permitiria comparar medições nem estimativas.
Organize os dados antes do projeto. Nas próximas etapas, esta especificação será usada para obter o mapeamento, verificar a referência, preservar as variações úteis e conferir os limites elétricos.
| Ponto | Requisito | Valor |
|---|---|---|
| Sensor | Faixa útil | 0,5 V a 2,5 V |
| Sensor | Resistência de saída | 10 kΩ |
| Sensor | Variações úteis | CC a 10 Hz |
| Condicionador | Alimentação | 5 V simples |
| Saída | Faixa desejada | 0,5 V a 4,5 V |
| Carga | Impedância mínima | 100 kΩ |
| Saída | Erro contínuo | até ±50 mV |
| Saída | Ruído | até 0,30 mV eficaz, 0,1 a 100 Hz |
Evite misturar uma característica medida ou fornecida pelo sensor com uma exigência imposta à interface.
A faixa de saída é uma necessidade do destino da cadeia; o condicionador é projetado para atendê-la.
Associe cada especificação ao elemento que ela caracteriza principalmente.
| Elemento | Perguntas essenciais |
|---|---|
| Sensor | Qual faixa útil, resistência de saída e frequência relevante? |
| Condicionador | Qual alimentação, erro e ruído são aceitáveis? |
| Carga | Qual faixa deve receber e qual corrente ou impedância exige? |
Associe cada requisito ao elemento que ele caracteriza principalmente.
Toque em um item e depois no par correspondente.
Uma proposta informa apenas: sensor entre 0,5 V e 2,5 V, variações úteis até 10 Hz, saída desejada de 0,5 V a 4,5 V, alimentação de 5 V e carga de 100 kΩ. Qual informação ausente impede uma verificação elétrica importante antes do dimensionamento?

Passo 2 de 9
Calcule os coeficientes de uma transformação linear para levar a faixa de tensão do sensor à faixa de saída desejada.
Queremos transformar a tensão do sensor em outra faixa, preservando a relação linear entre elas:
V_saida = a × V_sensor + b
No caso-guia, os pares que devem corresponder são:
A equação deve satisfazer os dois pares ao mesmo tempo.

Os dois pares de extremos fixam a inclinação e a posição da transformação linear.
Exemplo
Primeiro, calcule o ganho pela razão entre as variações desejadas:
a = ΔV_saida / ΔV_sensor
Para o caso-guia:
ΔV_sensor = 2,5 − 0,5 = 2,0 V
ΔV_saida = 4,5 − 0,5 = 4,0 V
Logo:
a = 4,0 / 2,0 = 2
Cada variação de 1 V no sensor deverá provocar uma variação de 2 V na saída. Como os dois extremos aumentam juntos, o ganho é positivo.
Exemplo
Agora use qualquer par conhecido em V_saida = a × V_sensor + b. Com o extremo inferior:
0,5 = 2 × 0,5 + b
0,5 = 1,0 + b
b = −0,5 V
Portanto, a equação completa é:
V_saida = 2 × V_sensor − 0,5 V
Confira no outro extremo:
V_saida = 2 × 2,5 − 0,5 = 4,5 V
A conferência é essencial: o mesmo mapeamento precisa acertar os dois extremos especificados.
Complete o coeficiente que falta na equação do caso-guia:
V_saida = 2 × V_sensor + ___ V
Qual é o valor de b, em volts?
O termo b é um deslocamento contínuo desejado da relação entre entrada e saída. Ele faz parte da especificação do mapeamento.
Isso não é o mesmo que a tensão de offset de entrada do amplificador operacional. O offset do componente é uma imperfeição: ele acrescenta erro à saída real e pode variar entre peças e condições. Mais adiante, esse erro será considerado nas margens do estágio.
Em resumo: projete b para cumprir a faixa requerida; verifique o offset do operacional para estimar o desvio em torno dessa faixa.
Verdadeiro ou falso: o coeficiente b da equação é simplesmente o offset de entrada inevitável do amplificador operacional.

Passo 3 de 9
Converta os coeficientes do mapeamento em uma topologia, uma razão de resistores e uma referência compatível com a alimentação disponível.
No passo anterior, o caso-guia resultou em:
V_saida = 2 × V_sensor − 0,5 V
Agora os coeficientes deixam de ser apenas números: eles precisam corresponder a uma topologia e a componentes.
Compare a equação desejada com as relações das configurações inversora e não inversora já estudadas. A topologia escolhida precisa reproduzir simultaneamente os dois coeficientes.

A polaridade desejada da saída é o primeiro critério para escolher a configuração.
Para o não inversor com referência, faça a associação direta:
a = 1 + R_f/R_g
b = (1 − a) × V_ref
No caso-guia, a = 2 e b = −0,5 V. Então:
Com os valores do caso, uma escolha possível é R_f = 10 kΩ e R_g = 10 kΩ. A referência calculada é 0,5 V. O próximo step verificará se essa referência permanece nesse valor quando ligada à rede de realimentação.
Exemplo
Aplicando R_f = R_g = 10 kΩ e V_ref = 0,5 V:
V_saida = 0,5 V + 2 × (V_sensor − 0,5 V)
Logo:
V_saida = 2 × V_sensor − 0,5 V
Conferência dos extremos:
A variação de entrada e a de saída têm a mesma polaridade. Como o ganho positivo pedido é maior que 1, o não inversor realiza naturalmente esse mapeamento.
Dica
O ganho é definido pela razão entre resistores, não pelos valores absolutos. Valores absolutos serão escolhidos considerando corrente na rede, ruído e disponibilidade comercial. Nesta etapa, confirme primeiro se a razão e a referência necessárias são viáveis.
A configuração inversora usa as associações:
a = −R_f/R_in
b = (1 − a) × V_ref
Ela é adequada quando a saída deve variar no sentido oposto ao sensor. Por exemplo, para a = −2, use R_f/R_in = 2 e calcule V_ref a partir de b.
Considere também o carregamento: nessa configuração, o sensor enxerga aproximadamente R_in para pequenas variações em torno da referência. Portanto, R_in não pode ser escolhido apenas pela razão; a resistência de saída do sensor precisa tolerar essa carga.
Atenção
Antes de escolher resistores, compare as possibilidades básicas:
Se o ganho positivo desejado for menor que 1, ou se a referência exigida estiver fora da faixa disponível, não tente resolver apenas trocando R_f e R_g. A relação estrutural da topologia continua a mesma; a solução precisa ser revista.
Dica
Roteiro de escolha: 1. Compare o sinal de a com a polaridade desejada. 2. Verifique se o módulo de a é permitido pela topologia. 3. Calcule a razão de resistores. 4. Calcule V_ref por b/(1 − a) e confira se ela está disponível na alimentação. 5. Para o inversor, confira se a carga imposta por R_in é aceitável ao sensor.
No caso-guia, use o não inversor para realizar a = 2. Qual razão R_f/R_g é necessária?
Ainda no caso-guia, a = 2 e b = −0,5 V. Qual é a tensão V_ref, em volts, necessária no não inversor?
Com alimentação simples de 0 a 5 V, avalie a proposta V_saida = 2 × V_sensor + 0,5 V usando somente um não inversor básico com referência. Qual conclusão é correta?

Passo 4 de 9
Verifique o carregamento da referência, use buffer quando necessário e estime como variações de V_ref afetam a saída.
No não inversor do caso-guia, o ganho é a = 2 e a referência necessária é V_ref = 0,5 V. Um divisor de 90 kΩ para +5 V e 10 kΩ para 0 V produz 0,5 V somente em circuito aberto.
Seu equivalente de Thévenin é V_th = 0,5 V e R_th = 90 kΩ || 10 kΩ = 9 kΩ. Ao conectar esse nó ao resistor R_g da realimentação, a referência deixa de ser uma fonte rígida: a corrente em R_g modifica sua tensão. Portanto, não basta calcular o divisor sem carga; é preciso analisar o divisor e R_g juntos.

A resistência de Thévenin do divisor permite que a tensão de referência mude quando a rede de realimentação troca corrente com esse nó.
Exemplo
No extremo alto do caso-guia, V_sensor = 2,5 V. Se a referência fosse idealmente rígida em 0,5 V, R_g = 10 kΩ receberia:
(2,5 − 0,5) / 10 kΩ = 0,20 mA
Essa é a corrente que uma referência rígida teria de absorver nesse ponto. Mas um divisor direto não permanece em 0,5 V enquanto absorve essa corrente. Resolva os dois elementos conectados:
(V_ref − 0,5)/9 kΩ + (V_ref − 2,5)/10 kΩ = 0
O resultado é V_ref ≈ 1,45 V. A corrente real em R_g passa a ser aproximadamente (2,5 − 1,45)/10 kΩ = 0,105 mA. O divisor direto continua inadequado, pois a referência se afastou muito dos 0,5 V requeridos.
Quando a impedância do divisor altera V_ref além do erro permitido, use o divisor somente para definir a tensão de entrada de um buffer. A saída do buffer passa a alimentar R_g e apresenta baixa impedância para a rede de realimentação.
No caso-guia, o buffer deve operar com entrada e saída próximas de 0,5 V e ser capaz de absorver até cerca de 0,20 mA quando V_sensor atingir 2,5 V. Verifique na folha de dados sua faixa de modo comum, excursão de saída, capacidade de absorver e fornecer corrente e estabilidade com a carga conectada. O buffer reduz o carregamento do divisor; ele não remove seus próprios limites.
Exemplo
Mantendo V_sensor e as razões de resistores fixas, a variação da referência se propaga como:
ΔV_saida = (1 − a) × ΔV_ref
Para a = 2, uma elevação de +20 mV em V_ref provoca:
ΔV_saida = (1 − 2) × (+20 mV) = −20 mV
Assim, elevar a referência reduz a saída nesse não inversor. Além disso, o divisor depende da alimentação: a razão 10 kΩ/(90 kΩ + 10 kΩ) é 0,1. Se +5 V variar +50 mV, o divisor ideal varia aproximadamente +5 mV. O buffer evita que a realimentação carregue o divisor, mas não elimina essa variação nem o ruído que já chega pela alimentação.
Dica
Uma referência de baixa impedância não é necessariamente uma referência precisa ou silenciosa. Inclua sua tolerância e seu ruído nos limites do condicionador. O buffer isola o divisor da carga, mas transmite sua tensão média e suas variações para a saída conforme a sensibilidade do circuito.
No caso-guia, a = 2. Se V_ref aumentar +5 mV por uma variação da alimentação, complete o efeito previsto na saída:
ΔV_saida = (1 − 2) × (+5 mV) =
Preencha a lacuna com a variação de saída.
No extremo V_sensor = 2,5 V, o divisor de 0,5 V tem R_th = 9 kΩ e está conectado a R_g = 10 kΩ. A solução carregada é aproximadamente V_ref = 1,45 V. Qual decisão é mais adequada?

Passo 5 de 9
Verifique o mapeamento com valores comerciais e compare tensões, correntes e erros com os limites garantidos do estágio.
Com os valores comerciais escolhidos, recalcule a equação antes de confiar no mapeamento nominal. No caso-guia, use o não inversor com Rf = 10 kΩ, Rg = 10 kΩ e Vref = 0,500 V.
Assim, a = 1 + Rf/Rg = 2,00 e:
Vsaída = 0,500 V + 2,00 × (Vsensor − 0,500 V)
Portanto, 0,500 V na entrada produz 0,500 V na saída; 2,500 V produz 4,500 V. Esse é o resultado nominal — ainda não é uma garantia de operação linear.

As tensões de entrada, a saída, a referência e as correntes na realimentação e na carga devem ser verificadas nas condições de uso.
Exemplo
Para resistores de 1%, a razão Rf/Rg também varia. Nos extremos independentes de tolerância, o ganho fica aproximadamente entre 1,980 e 2,020. Com Vref mantida em 0,500 V, a saída calculada para Vsensor = 2,500 V fica entre 4,460 V e 4,540 V só por efeito da razão de resistores.
Não basta verificar que o valor nominal é 4,500 V: use os limites pertinentes dos componentes e do operacional.
Agora compare os valores de todos os nós com limites garantidos, não apenas com os trilhos de 0 e 5 V. Considere este operacional alimentado com 5 V, uma carga de 10 kΩ e estas especificações fornecidas:
No não inversor, V+ é a tensão do sensor: ela varia de 0,500 a 2,500 V e atende ao limite de modo comum. Em operação linear, V− acompanha V+, portanto também fica nessa faixa.
No extremo alto, a rede Rf + Rg equivale a 20 kΩ entre a saída de 4,500 V e a referência de 0,500 V. Ela exige 4,0 V / 20 kΩ = 0,20 mA da saída. A carga de 10 kΩ exige 4,500 V / 10 kΩ = 0,45 mA.
A saída deve fornecer cerca de 0,65 mA nesse ponto, abaixo dos 5 mA garantidos. A faixa de saída, mesmo incluindo o valor alto de 4,540 V por tolerância dos resistores, ainda está abaixo de 4,70 V.
O offset máximo contribui aproximadamente ±4 mV na saída. A variação da referência também desloca a saída: ΔVsaída = (1 − a) × ΔVref; perto de a = 2, isso é cerca de ±5 mV. Essas parcelas reduzem a margem e devem ser consideradas no pior caso.
Dica
Uma margem é a distância até um limite garantido. Por exemplo, uma previsão alta conservadora próxima de 4,55 V deixa aproximadamente 0,15 V até a excursão garantida de 4,70 V.
Se um limite elétrico for ultrapassado, a realimentação não consegue mais manter V+ ≈ V−: a saída pode saturar, e a equação linear deixa de prever o circuito. Já um desvio pequeno, ainda dentro de todos os limites, pode ser erro de precisão por offset, referência ou tolerância — não é prova de saturação.
A mesma interface tem modo comum garantido de 0 a 3,80 V e excursão de saída garantida de 0,10 a 4,70 V. Em uma alternativa, a carga passa a ser 1 kΩ e o operacional só garante 2 mA de corrente de saída. Qual condição obriga rejeitar essa alternativa?

Passo 6 de 9
Escolha de um passa-baixas de entrada e verificação conjunta da preservação do sinal, do ruído e dos limites dinâmicos.
O passa-baixas de primeira ordem deve entrar na cadeia sem eliminar a informação contínua do sensor. No caso-guia, use um resistor de 10 kΩ em série com a saída do sensor e um capacitor de 68 nF do nó de entrada para 0 V, antes da entrada não inversora do condicionador.
Em regime contínuo, o capacitor deixa de conduzir: a tensão média do sensor chega ao condicionador praticamente sem atenuação. Para as variações, o corte não deve ser escolhido automaticamente igual à maior frequência útil. Ele deve ficar suficientemente acima de 10 Hz para que a atenuação nessa frequência respeite o erro permitido.
Para o passa-baixas, |H(f)| = 1/√[1 + (f/fc)²]. Um corte mais alto preserva melhor as variações úteis, mas deixa passar mais ruído que chega pela entrada.

O RC atua antes do condicionador: preserva a componente contínua e atenua variações rápidas que chegam pela saída do sensor.
Dica
O capacitor do filtro deve retornar à mesma referência usada para medir a saída do sensor. Nesta interface de alimentação simples, ela é 0 V.
O filtro não corrige ganho, deslocamento intencional ou uma referência instável. Ganho e referência continuam sendo definidos pela realimentação e pelo circuito de V_ref.
Exemplo
A resistência de saída de 10 kΩ, declarada para o sensor do caso-guia, participa do filtro. Com a entrada do operacional de alta impedância, a resistência vista pelo capacitor é aproximadamente:
R_total = R_sensor + R
Usando R_sensor = 10 kΩ, R = 10 kΩ e C = 68 nF:
R_total = 20 kΩ
fc ≈ 1/(2π × 20 kΩ × 68 nF) ≈ 117 Hz
Em 10 Hz, |H| ≈ 0,996, isto é, a perda é cerca de 0,36%. Portanto, o filtro preserva adequadamente a variação útil de até 10 Hz. Se R_sensor fosse ignorada, o corte calculado seria incorreto.
Dica
Aumentar C reduz o corte e pode diminuir o ruído vindo do sensor, mas também aumenta a atenuação das variações úteis e o tempo de estabilização.
Por exemplo, mantendo R_total = 20 kΩ e trocando 68 nF por 330 nF, o corte cai para aproximadamente 24 Hz. Em 10 Hz, a perda já seria cerca de 7,7%, inadequada se a interface só admitir 1% de atenuação na faixa útil.
Com R_sensor = 10 kΩ, R = 10 kΩ e C = 68 nF, o corte efetivo é aproximadamente 117 Hz. Qual é a consequência de considerar apenas R = 10 kΩ no cálculo de fc?
Mantenha o requisito do caso-guia: ruído total máximo de 0,30 mV eficaz, referido à saída, na banda de 0,1 Hz a 100 Hz. O corte de aproximadamente 117 Hz não é, por si só, a largura de banda equivalente de ruído.
A tabela usa contribuições já calculadas e referidas à saída na mesma banda de 0,1 Hz a 100 Hz. Combine fontes não correlacionadas pela raiz da soma dos quadrados. Para evitar que a resposta do operacional altere de modo relevante o RC planejado, adote também uma margem de projeto: banda em malha fechada de pelo menos 10 × fc, cerca de 1,17 kHz.
Verificação da alternativa com R = 10 kΩ e C = 68 nF.
| Verificação | Dados | Resultado |
|---|---|---|
| Ruído do sensor filtrado | 0,16 mV eficaz na saída | Incluído |
| Operacional e resistores | 0,18 mV eficaz na saída | Incluído |
| Referência | 0,10 mV eficaz na saída | Incluído |
| Ruído total | √(0,16² + 0,18² + 0,10²) | ≈ 0,26 mV eficaz |
| Requisito de ruído | Máximo 0,30 mV eficaz, 0,1 a 100 Hz | Atende; margem pequena |
| Banda do operacional | GBW 100 kHz; ganho de ruído 2 | ≈ 50 kHz; margem sobre 1,17 kHz |
| Slew rate | 0,10 V/µs disponível | Maior que ≈ 0,00013 V/µs exigido |
Atenção
O filtro de entrada atenua o ruído que já chega pela saída do sensor. Ele não filtra automaticamente o ruído acrescentado depois dele pelo operacional, pelos resistores de realimentação ou pela referência.
Por isso, inclua essas fontes no orçamento na banda declarada. Uma referência ruidosa pode aparecer na saída conforme a sensibilidade da topologia.
Selecione a alternativa para o caso-guia. Requisitos: variações úteis até 10 Hz com perda máxima de 1%; ruído total máximo de 0,30 mV eficaz, referido à saída entre 0,1 Hz e 100 Hz; e margem de projeto de banda em malha fechada de pelo menos 10 × fc.
Considere R_sensor = 10 kΩ, R = 10 kΩ, ganho de ruído 2 e slew rate disponível de 0,10 V/µs. A maior senoide útil de saída pode ter 2 V de pico a 10 Hz, exigindo aproximadamente 0,00013 V/µs.
Qual alternativa atende simultaneamente aos requisitos e às margens de projeto?

Passo 7 de 9
Prepare um teste reproduzível em três pontos para conferir eletricamente o condicionador com entradas conhecidas e medições reais.
Use três tensões equivalentes para verificar eletricamente o condicionador: extremo inferior, ponto intermediário e extremo superior da faixa que o sensor forneceria. No caso-guia, aplique 0,50 V, 1,50 V e 2,50 V.
A equação nominal do estágio é:
V_saida = 2 × V_entrada − V_ref
Com V_ref = 0,50 V, as previsões nominais são 0,50 V, 2,50 V e 4,50 V. Porém, no registro do ensaio, calcule a previsão usando V_entrada e V_ref realmente medidos. Assim, uma variação já presente no divisor de teste não será confundida com erro do condicionador.

Em cada ponto, registre a tensão após o filtro, a referência sob carga e a saída.
Monte o mesmo condicionador verificado nas etapas anteriores, alimentado por 5 Vcc:
Essa montagem testa o condicionador com o filtro originalmente dimensionado. Ela não substitui uma validação da resposta em frequência com sinais variáveis.
Ligue o nó central de apenas um divisor por vez ao resistor de 10 kΩ do filtro. Todos os pontos de 0 V devem ser comuns: fonte, divisores, capacitor, referência e multímetro.
A resistência de saída de cada divisor é sua resistência de Thévenin. Ela se soma aproximadamente aos 10 kΩ do filtro durante a acomodação do capacitor. Em corrente contínua estabilizada, a entrada do operacional idealmente quase não carrega o divisor; ainda assim, V_IN deve ser medido.
| Ponto | Resistor para +5 V | Resistor para 0 V | V_IN nominal | R de saída |
|---|---|---|---|---|
| Baixo | 90 kΩ | 10 kΩ | 0,50 V | 9 kΩ |
| Médio | 70 kΩ | 30 kΩ | 1,50 V | 21 kΩ |
| Alto | 10 kΩ | 10 kΩ | 2,50 V | 5 kΩ |
Dica
Use o desacoplamento recomendado na folha de dados, entre os pinos de alimentação do operacional e próximo ao CI. Confira a pinagem do seu encapsulamento antes de energizar. O buffer de referência reduz o carregamento do divisor, mas sua tensão ainda deve ser medida com o circuito conectado.
Atenção
Trabalhe somente com 5 Vcc e limite de corrente apropriado à montagem. Faça mudanças de fios, resistores, seleção do divisor ou posição do CI somente com a fonte desligada.
Antes de ligar, confira referência comum, polaridade da fonte, pinagem e desacoplamento. Se a fonte entrar em limitação, desligue-a e revise a montagem. Não presuma que 4,50 V é alcançável sem que o operacional e a carga já tenham sido verificados para essa excursão.
Em cada condição, meça os três nós abaixo depois que o filtro estabilizar.
| Medição | Ponto positivo da ponta de prova | Uso no ensaio |
|---|---|---|
| V_IN | nó após o filtro, na entrada não inversora | entrada realmente aplicada |
| V_ref | saída do buffer de referência | referência sob carga |
| V_OUT | saída do condicionador | comparação com a previsão |
Ordene as ações para realizar um ponto do ensaio com segurança. Depois de registrar as três tensões, desligue a fonte antes de selecionar o divisor seguinte.
Coloque as ações na ordem correta para um ponto de teste.
Para cada linha, calcule:
V_OUT prevista = 2 × V_IN medida − V_ref medida
Depois compare com a saída observada. Estes são dados completos de uma montagem de exemplo para quem não dispõe de bancada. Eles servem para praticar o registro; a interpretação sistemática de padrões de diferença será feita no próximo step.
| Ponto | V_IN medida | V_ref medida | V_OUT observada |
|---|---|---|---|
| Baixo | 0,49 V | 0,50 V | 0,49 V |
| Médio | 1,49 V | 0,50 V | 2,47 V |
| Alto | 2,48 V | 0,50 V | 4,45 V |
Com os dados do ponto médio, V_IN = 1,49 V e V_ref = 0,50 V. Qual é a V_OUT prevista, em volts?
Se você tem a montagem, registre os três pares de valores: ponto, V_IN medida, V_ref medida, V_OUT prevista e V_OUT observada. Se não tem bancada, use a tabela anterior e informe pelo menos uma previsão calculada e a diferença entre ela e a observação.
O ensaio com divisores verifica a parte elétrica da interface — filtro, referência e condicionador — sob tensões conhecidas. Ele não valida se a grandeza física produz a tensão correta no sensor real.
Escreva pelo menos 20 caracteres (0/20).

Passo 8 de 9
Use resíduos de três medições para reconhecer indícios de deslocamento, erro de ganho ou saturação e priorizar verificações elétricas.
Depois do ensaio, compare cada leitura com a previsão calculada para a tensão realmente aplicada ao condicionador — não apenas com o valor nominal que o divisor deveria produzir.
Defina o resíduo em cada ponto como:
resíduo = V_saida observada − V_saida prevista
Resíduo positivo indica saída acima da previsão; negativo indica saída abaixo. Três pontos revelam padrões úteis, mas não provam sozinhos qual componente está defeituoso.

Calcule o resíduo separadamente para os pontos inferior, intermediário e superior.
Exemplo
Considere uma interface cuja previsão é 0,5 V, 2,5 V e 4,5 V para três tensões de teste medidas na entrada.
As leituras foram 0,60 V, 2,59 V e 4,61 V. Os resíduos são +0,10 V, +0,09 V e +0,11 V.
Como eles são aproximadamente constantes, há indício de deslocamento: toda a reta está um pouco acima da prevista. Antes de mexer no circuito, meça a referência sob carga e confira se a tensão de entrada usada no cálculo é a que chegou ao estágio.
Compare os três padrões abaixo. “Aproximadamente” é importante: pequenas diferenças entre resíduos também podem vir de tolerâncias, offset e ruído dentro da banda definida.
Use os resíduos para formular uma hipótese, não para fechar um diagnóstico. Mais de uma causa pode estar presente ao mesmo tempo.
| Padrão nas leituras | Indício principal | Próxima verificação |
|---|---|---|
| Resíduos parecidos nos 3 pontos | Deslocamento | Referência sob carga e conexões da referência |
| Resíduo muda com a entrada | Erro de ganho | Razão efetiva dos resistores e tensão de entrada aplicada |
| Saída deixa de acompanhar perto de um extremo | Saturação ou limite elétrico | Alimentação, carga, corrente e excursão garantida da saída |

Deslocamento tende a preservar a inclinação; erro de ganho a altera; saturação reduz a inclinação perto de um limite.
Exemplo
Você mediu a entrada aplicada, a referência sob carga e as três saídas. Associe cada conjunto de resíduos à interpretação mais compatível.
Dica
Não conclua que o sensor falhou a partir deste ensaio: tensões equivalentes verificam o condicionador. A relação entre grandeza física e tensão do sensor requer uma validação separada.
Padrão A: +0,08 V; +0,09 V; +0,08 V
Padrão B: −0,03 V; +0,00 V; +0,04 V
Padrão C: +0,01 V; +0,00 V; −0,42 V, sendo que a saída se aproximou do limite superior do operacional.
Escreva pelo menos 100 caracteres (0/100).
Siga uma ordem que evite alterar componentes sem evidência:
Só então escolha a correção. Razão de resistores trata ganho; referência trata deslocamento; saturação pede revisão das condições elétricas ou da arquitetura.
Qual é a próxima verificação mais pertinente quando os resíduos são +0,10 V, +0,09 V e +0,11 V nos três pontos, e por quê?
Escreva pelo menos 90 caracteres (0/90).

Passo 9 de 9
Integre requisitos, equação, implementação, margens e ensaio para emitir uma conclusão técnica verificável.
Uma solução é verificável quando liga, sem lacunas, requisitos → equação → implementação → margens → filtragem/ruído → ensaio.
Aplique esse fluxo a esta variação autocontida do caso-guia. O objetivo é decidir se o condicionador elétrico atende às condições declaradas. Isso não comprova, por si só, a relação entre uma grandeza física e a tensão produzida pelo sensor real.

A aceitação exige evidências para cada bloco, não apenas uma leitura de saída aparentemente correta.
Todos os valores abaixo pertencem ao mesmo caso e devem ser usados juntos na justificativa final. As tolerâncias do filtro permitem verificar a atenuação também no pior caso, e não somente com valores nominais.
| Item | Condição ou limite | Valor |
|---|---|---|
| Sensor | Faixa; resistência de saída; variação útil | 0,60 a 2,40 V; 1,0 kΩ ±10%; até 2 Hz |
| Saída requerida | Faixa; carga; erro no ensaio | 0,80 a 4,20 V; 100 kΩ; ±50 mV |
| Operacional | Modo comum; excursão com 100 kΩ | 0 a 4,50 V; 0,15 a 4,75 V |
| Operacional | Corrente; offset máximo | 5 mA; ±1 mV |
| Operacional | GBW; slew rate | 1 MHz; 0,10 V/µs |
| Resistores de ganho | Rf = 80 kΩ; Rg = 90 kΩ | 0,1% cada |
| Referência em buffer | Valor sob carga | 0,375 V ±5 mV |
| Filtro de entrada | R externo; capacitor | 15 kΩ ±1%; 820 nF ±5% |
| Filtro de entrada | Perda máxima em 2 Hz | 2% |
| Ruído de saída | Banda; limite; estimativa | 0,1 a 100 Hz; 0,30 mV eficaz; 0,26 mV eficaz |
Pelos extremos:
a = (4,20 − 0,80) / (2,40 − 0,60) = 1,8889
Usando 0,60 V → 0,80 V:
b = 0,80 − 1,8889 × 0,60 = −0,3333 V
Portanto: V_saida = 1,8889 × V_sensor − 0,3333 V.
Como o ganho é positivo e maior que 1, use o não inversor: R_f/R_g = a − 1 = 0,8889. Com R_f = 80 kΩ e R_g = 90 kΩ, o ganho é 1,8889. A referência necessária é 0,375 V, pois b = (1 − a) × V_ref.
Um divisor pode definir 0,375 V nominal a partir de 5 V, mas sua saída deve ser seguida por buffer. A saída desse buffer alimenta R_g; assim, a especificação de 0,375 V ±5 mV é avaliada com a rede conectada.
Complete a equação: V_saida = 1,8889 × V_sensor + ___ V.
No passa-baixas, a maior atenuação em 2 Hz ocorre quando a frequência de corte é a menor: resistência total e capacitância nos valores máximos.
Em 2 Hz, |H| ≈ 1/√[1 + (2/11,4)²] = 0,985, ou perda de aproximadamente 1,5%. Portanto, o filtro atende ao limite de 2% mesmo na condição mais atenuante. O corte nominal é cerca de 12,1 Hz.
O ruído estimado de 0,26 mV eficaz é menor que o limite de 0,30 mV eficaz, ambos entre 0,1 Hz e 100 Hz. A banda aproximada do estágio é 1 MHz / 1,8889 ≈ 530 kHz, muito acima do corte. Para uma senoide de saída de 1,7 V de pico a 2 Hz, o slew rate exigido é aproximadamente 0,000021 V/µs, abaixo de 0,10 V/µs.
Use três entradas equivalentes: 0,60 V, 1,50 V e 2,40 V. A tabela reúne previsão e margens até os limites garantidos de saída.
Com tolerâncias de 0,1%, o ganho fica aproximadamente entre 1,8871 e 1,8907. Somando de modo conservador os efeitos da razão dos resistores, referência de ±5 mV e offset de ±1 mV, o desvio contínuo estimado permanece abaixo de ±12 mV nos extremos. Essa estimativa é menor que o critério de ±50 mV do ensaio.
| V de teste | V saída prevista | Margem garantida | Par de teste |
|---|---|---|---|
| 0,60 V | 0,80 V | 0,65 V acima de 0,15 V | 0,60 V → 0,80 V |
| 1,50 V | 2,50 V | 2,35 V acima de 0,15 V; 2,25 V abaixo de 4,75 V | 1,50 V → 2,50 V |
| 2,40 V | 4,20 V | 0,55 V abaixo de 4,75 V | 2,40 V → 4,20 V |
As entradas do operacional variam de 0,60 a 2,40 V, dentro da faixa garantida de 0 a 4,50 V. No extremo alto, a carga de 100 kΩ exige 4,20 V / 100 kΩ = 42 µA. A rede R_f + R_g exige aproximadamente (4,20 − 0,375) V / 170 kΩ = 22,5 µA. A saída fornece cerca de 64,5 µA no total, muito abaixo dos 5 mA garantidos.
Essas margens calculadas sustentam a hipótese de operação linear. A confirmação prática ainda depende de medir o circuito montado, a referência sob carga e as tensões realmente aplicadas.
As medições abaixo foram feitas após a acomodação do filtro, com V_IN e V_ref medidos no circuito. Calcule a previsão com V_OUT prevista = 1,8889 × V_IN − 0,3333 V e compare-a à saída observada.
| Ponto | V_IN medida | V_ref medida | V_OUT observada |
|---|---|---|---|
| Inferior | 0,60 V | 0,375 V | 0,81 V |
| Intermediário | 1,50 V | 0,375 V | 2,51 V |
| Superior | 2,40 V | 0,375 V | 4,19 V |
Qual é o maior valor absoluto de resíduo nas três leituras fornecidas? Informe em mV.
Para as leituras fornecidas, as previsões são 0,80 V, 2,50 V e 4,20 V. Os resíduos — observado menos previsto — são +10 mV, +10 mV e −10 mV.
O maior módulo é 10 mV: menor que o orçamento contínuo estimado de ±12 mV e que o critério de ensaio de ±50 mV. As saídas também permanecem afastadas dos limites garantidos de 0,15 V e 4,75 V. A perda máxima calculada do filtro em 2 Hz é cerca de 1,5%, abaixo de 2%, inclusive com as tolerâncias fornecidas. O ruído estimado, 0,26 mV eficaz, também fica abaixo de 0,30 mV eficaz na banda declarada.
Assim, as evidências sustentam a aceitação elétrica do condicionador nas condições declaradas. Isso não elimina a necessidade de investigar uma montagem própria caso seus resíduos ultrapassem o orçamento previsto, ainda que permaneçam abaixo do critério de ensaio.
Redija uma conclusão técnica curta. Declare: 1) aceitar ou revisar o condicionador neste ensaio; 2) uma evidência numérica; 3) o que foi verificado; e 4) o que ainda não foi validado.
Escreva pelo menos 120 caracteres (0/120).
Resumo
Parabéns! Você concluiu: Ajuste de ganho e offset para sinais de sensores
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