Trilha de aprendizado · Nível 15 · Tutorial 4

Orçamento de erro da cadeia de medição

Estimar o erro da cadeia de medição completa, combinando tolerâncias, offset, referência e conversão na mesma unidade da grandeza medida.

  • Nível: Avançado
  • Duração: 24 min
  • 10 passos
Orçamento de erro da cadeia de medição

O que você vai percorrer

  1. Da temperatura ao valor calculado Modele a cadeia TMP36–condicionamento–ADC–firmware e estabeleça a expressão nominal que servirá de base ao orçamento de erro. 3 min
  2. Sensibilidades: tudo em graus Celsius Converta perturbações de tensão em contribuição de erro em °C, identificando o nó em que cada uma entra e a validade local da sensibilidade. 2 min
  3. Da tolerância dos resistores ao erro de ganho Propague os limites dos resistores até o ganho do condicionador e converta seu efeito para erro de temperatura, sem tratar percentuais de tolerância como erro direto em graus Celsius. 3 min
  4. Erros do sensor e do amplificador 2 min
  5. Referência, ADC e quantização Converta variações de referência e limites do ADC para graus Celsius, preservando a convenção de 1024 intervalos usada pelo firmware. 3 min
  6. Um orçamento sem dupla contagem Organize as contribuições em uma tabela rastreável e escolha especificações sem contar o mesmo efeito duas vezes. 2 min
  7. Extremos que podem ocorrer juntos Restrinja o pior caso a combinações compatíveis com as variáveis físicas compartilhadas pela cadeia. 2 min
  8. Cálculo do limite de pior caso Calcule limites positivo e negativo pelo modelo completo, inclua a especificação agregada do ADC sem dupla contagem e declare o resultado somente sob suas condições de validade. 3 min
  9. Onde reduzir o erro Use o orçamento em °C para escolher mudanças com impacto real e distribuir metas sem esconder efeitos ainda não limitados. 2 min
  10. Aplicação final: auditar e justificar o orçamento Aplicação final do orçamento de erro em um monitor de temperatura: auditoria de conversão, interações, limites de pior caso e decisão de projeto. 4 min

O que você vai aprender

  • Escrever a relação entre a temperatura e o valor calculado pelo firmware.
  • Expressar as contribuições de erro em graus Celsius usando suas sensibilidades.
  • Calcular um limite de pior caso com hipóteses e condições explícitas.
  • Identificar dupla contagem, extremos incompatíveis e a contribuição dominante.

Antes de começar

  • Arquitetura do sistema e contratos de interface
  • Tolerância dos resistores e limites de saída
  • Alimentação, excursão e precisão do amplificador operacional
  • Conversão analógico-digital: referência e quantização

Passo 1 de 10

Da temperatura ao valor calculado

Modele a cadeia TMP36–condicionamento–ADC–firmware e estabeleça a expressão nominal que servirá de base ao orçamento de erro.

Modele o caminho completo

Uma cadeia, dois tipos de valor

Modele a medição como uma sequência de cinco grandezas:

  1. temperatura aplicada ao modelo, \(T\);
  2. tensão real do sensor, \(V_S\);
  3. tensão real na entrada do ADC, \(V_A\), após o condicionamento;
  4. código inteiro produzido pelo ADC, \(C\);
  5. temperatura calculada pelo firmware, \(\hat T\).

Os valores físicos podem diferir dos nominais. Por exemplo, o ganho real é \(G\), enquanto o firmware usa a constante fixa \(G_N\). O orçamento de erro investigará justamente as consequências dessas diferenças, inicialmente sem correção de calibração.

Da grandeza física ao número

Diagrama em sequência mostrando temperatura, sensor analógico, amplificador não inversor, ADC e microcontrolador.

Cada bloco transforma ou interpreta o sinal; o orçamento localizará os desvios ao longo desse caminho.

Inverta a cadeia com constantes nominais

Código, níveis e escala do firmware

Para o TMP36 ideal, use os coeficientes nominais:

\[
V_S=0{,}500\ \text{V}+0{,}010\ \text{V/°C}\cdot T
\]

Com ganho nominal \(G_N\), a tensão nominal no ADC é \(V_A=G_N V_S\).

Adote uma convenção única para o ADC de 10 bits: há 1024 códigos possíveis, de 0 a 1023, e a largura nominal de um intervalo é:

\[
q_V=\frac{V_{REF,N}}{1024}
\]

Neste tutorial, o firmware reconstrói a tensão pela expressão \(V_{A,fw}=C\,V_{REF,N}/1024\). Portanto, o código máximo 1023 reconstrói \(V_{REF,N}-q_V\), e não exatamente \(V_{REF,N}\). Essa é a convenção de escala do firmware; quantização e limites de transição serão tratados depois.

Conversão nominal

Trecho para estudar ou usar no firmware. As constantes são nominais; não há correção por calibração.

cpp
const float VREF_NOM = 5.000f;  // V
const float G_NOM    = 2.000f;
const float V0_NOM   = 0.500f;  // V, TMP36 a 0 °C
const float S_NOM    = 0.010f;  // V/°C

float temperaturaC(uint16_t code) {
  float vAmp = code * VREF_NOM / 1024.0f;
  float vSensor = vAmp / G_NOM;
  return (vSensor - V0_NOM) / S_NOM;
}

Delimite a validade do modelo

A expressão que será auditada

Em forma algébrica, a mesma conversão nominal é:

\[
\hat T=
\frac{\left(\frac{C\,V_{REF,N}}{1024\,G_N}\right)-0{,}500\ \text{V}}
{0{,}010\ \text{V/°C}}
\]

A ordem importa: o código vira tensão no ADC; a divisão por \(G_N\) a refere à saída do sensor; só então são removidos os 500 mV a 0 °C e aplicada a sensibilidade de 10 mV/°C.

Defina o erro da cadeia como:

\[
e_T=\hat T-T
\]

Erro positivo indica leitura acima da temperatura de entrada; erro negativo indica leitura abaixo.

Atenção

Condições antes de orçar

Caso-base autocontido deste step

  • Faixa analisada: \(0\) a \(50\) °C.
  • Requisito de projeto: erro de indicação de até \(\pm2\) °C nessa faixa.
  • Condicionador não inversor: \(R_f=10{,}0\ \text{kΩ}\) e \(R_g=10{,}0\ \text{kΩ}\), logo \(G_N=2{,}000\).
  • ADC de 10 bits, \(V_{REF,N}=5{,}000\) V e escala de firmware com denominador 1024.
  • Para exercícios posteriores, podem ser usados limites didáticos para componentes; eles não devem ser tratados como especificações garantidas de uma peça real sem consultar sua folha de dados e as condições aplicáveis.

O modelo só vale com aquisição estabilizada, sensor e amplificador em região linear e sem saturação. Nesta faixa ideal, \(V_S\) vai de 0,500 V a 1,000 V e \(V_A\) vai de 1,000 V a 2,000 V, dentro de uma referência nominal de 5,000 V.

Verifique a ordem das transformações

Prática: reconstrua a conversão

Complete as constantes e o denominador da conversão nominal. O trecho não aplica calibração nem representa ainda os desvios reais.

cpp
float vAmp = code *  / ;
float vSensor = vAmp / ;
float tempC = (vSensor - ) / ;

Passo 2 de 10

Sensibilidades: tudo em graus Celsius

Converta perturbações de tensão em contribuição de erro em °C, identificando o nó em que cada uma entra e a validade local da sensibilidade.

Defina onde a perturbação entra

Sensibilidade como conversor de unidade

Parta da expressão nominal já obtida, agora escrita em função da tensão no nó de entrada do ADC, \(V_A\):

\[
\hat T=\frac{V_A/G_N-0{,}500\ \text{V}}{0{,}010\ \text{V/°C}}
\]

A sensibilidade a um parâmetro ou perturbação \(p\) responde: quanto \(\hat T\) muda para cada unidade de mudança em \(p\), mantendo a temperatura de entrada e os demais parâmetros fixos.

\[
S_p=\frac{\Delta\hat T}{\Delta p}
\qquad\Rightarrow\qquad
\Delta\hat T\approx S_p\,\Delta p
\]

O coeficiente traz unidade e sinal. Por exemplo, \(+25\ \text{°C/V}\) indica que elevar o parâmetro em 1 mV eleva \(\hat T\) em aproximadamente 0,025 °C. A meta é converter cada perturbação para a unidade final comum: °C.

O nó de entrada muda a sensibilidade

Diagrama da cadeia sensor, amplificador, ADC e firmware, com uma perturbação antes do amplificador e outra na entrada do ADC.

A mesma perturbação em mV produz contribuições diferentes em °C quando é inserida em nós diferentes da cadeia.

Isole o caminho até a temperatura

Perturbação no nó do ADC

Isole o termo que contém \(V_A\):

\[
\hat T=\frac{V_A}{0{,}010\,G_N}-50
\]

Portanto, para uma perturbação inserida diretamente no nó do ADC:

\[
S_{V_A}=\frac{1}{0{,}010\,G_N}\quad[\text{°C/V}]
\]

Para os cálculos numéricos deste step, use \(G_N=4{,}000\), o ganho nominal do caso que será consolidado no orçamento. Assim:

\[
S_{V_A}=\frac{1}{0{,}010\times4}=+25\ \text{°C/V}
\]

O sinal é positivo: elevar \(V_A\) eleva a temperatura calculada. Logo, \(+4\ \text{mV}\) nesse nó correspondem a \((+25)(+0{,}004)=+0{,}10\ \text{°C}\).

Exemplo

Perturbação na saída do sensor

Uma perturbação \(\Delta V_S\) na saída do sensor entra antes do ganho. No modelo nominal, ela chega ao ADC como \(\Delta V_A=G_N\Delta V_S\). Substituindo na expressão anterior:

\[
\Delta\hat T=\frac{1}{0{,}010G_N}(G_N\Delta V_S)
=+100\ \text{°C/V}\cdot\Delta V_S
\]

Assim, \(S_{V_S}=+100\ \text{°C/V}\), independentemente do ganho nominal neste modelo linear. Uma perturbação de \(+4\ \text{mV}\) em \(V_S\) produz \(+0{,}40\ \text{°C}\).

Não aplique o ganho duas vezes: ele já foi usado para transportar a perturbação de \(V_S\) até \(V_A\).

Interprete sinal e validade local

Duas avaliações próximas

Também é possível obter uma sensibilidade sem cálculo diferencial. Avalie o mesmo modelo duas vezes, alterando somente o parâmetro de interesse:

\[
S_p\approx\frac{\hat T(p+\Delta p)-\hat T(p)}{\Delta p}
\]

Por exemplo, com \(G_N=4\), aumentar \(V_A\) de 2,000 V para 2,004 V aumenta \(\hat T\) em 0,100 °C. Logo, \(S_{V_A}\approx0{,}100/0{,}004=+25\ \text{°C/V}\).

Em um coeficiente negativo, as direções se invertem: \(-30\ \text{°C/V}\) significa que acrescentar 1 mV reduz o resultado em aproximadamente 0,030 °C.

Dica

Sensibilidade não substitui análise de extremos

Neste modelo, as sensibilidades a \(V_A\) e \(V_S\) são constantes, pois a conversão é linear nesses nós. Isso não é uma regra geral.

Quando a expressão inclui razões, limites de excursão ou outros termos não lineares, a sensibilidade pode variar com a temperatura e com o ponto de operação. Nesse caso, o valor obtido por uma pequena perturbação é uma aproximação local: ele converte aquela perturbação perto daquele ponto, mas não demonstra sozinho um limite garantido para toda a faixa de temperatura.

Nos próximos steps, os extremos do modelo serão avaliados explicitamente antes de declarar um limite de pior caso.

Verifique unidade e sinal

Prática: do nó do ADC para °C

No caso numérico deste step, \(G_N=4{,}000\). Uma perturbação de \(+3\ \text{mV}\) é inserida diretamente no nó \(V_A\), depois do ganho e antes do ADC.

Complete o coeficiente e a contribuição estimada. Use volts na multiplicação: \(+3\ \text{mV}=+0{,}003\ \text{V}\).

Sensibilidade e contribuição

Complete as duas lacunas.

latex
S_{V_A}= \ \mathrm{°C/V}
\Delta\hat T=S_{V_A}\,(+0{,}003\ \mathrm{V})=\ \mathrm{°C}

Passo 3 de 10

Da tolerância dos resistores ao erro de ganho

Propague os limites dos resistores até o ganho do condicionador e converta seu efeito para erro de temperatura, sem tratar percentuais de tolerância como erro direto em graus Celsius.

Dos resistores ao ganho real

Comece pelos limites individuais

Considere o condicionador não inversor do caso deste step: \(R_f=30{,}0\ \text{kΩ}\pm1\%\), \(R_g=10{,}0\ \text{kΩ}\pm1\%\) e ganho nominal usado pelo firmware:

\[
G_N=1+\frac{R_f}{R_g}=1+\frac{30}{10}=4{,}000
\]

Aplique a tolerância primeiro aos resistores:

  • \(R_f\): 29,70 a 30,30 kΩ;
  • \(R_g\): 9,90 a 10,10 kΩ.

A razão \(R_f/R_g\) não recebe simplesmente “±2%”. Para obter seus limites, use combinações opostas e admissíveis: \(R_f\) mínimo com \(R_g\) máximo produz a menor razão; \(R_f\) máximo com \(R_g\) mínimo produz a maior razão. Só depois some o termo fixo 1 para encontrar o ganho.

Extremos da razão e do ganho

Os extremos da razão determinam os extremos do ganho completo. O termo fixo 1 não varia com os resistores.

Avalie os extremos antes de calcular qualquer variação percentual.
GrandezaMínimoNominalMáximo
Rf29,70 kΩ30,00 kΩ30,30 kΩ
Rg9,90 kΩ10,00 kΩ10,10 kΩ
Rf/Rg2,94063,00003,0606
G = 1 + Rf/Rg3,94064,00004,0606

Propagação correta da tolerância

A tolerância é aplicada aos resistores; a consequência aparece primeiro na razão e depois no ganho. Os dois resistores devem ir a extremos opostos para maximizar ou minimizar a razão.

Diagrama de amplificador não inversor mostrando Rf baixo e Rg alto levando a ganho menor, e Rf alto e Rg baixo levando a ganho maior.

Extremos opostos dos resistores produzem os limites do ganho.

Do ganho real ao erro em °C

Razão resistiva não é ganho completo

A razão nominal é 3,0000. Seus desvios pelos extremos são aproximadamente −1,98% e +2,02%. Porém, o ganho completo contém o termo 1:

\[
G=1+\frac{R_f}{R_g}
\]

Assim, em relação a \(G_N=4,000\):

  • \(G_{min}=3,9406\): −1,485%;
  • \(G_{max}=4,0606\): +1,515%.

Logo, a tolerância individual de cada resistor não é, por si só, a variação percentual do ganho. E os limites podem ser assimétricos: preserve os dois valores em vez de arredondá-los prematuramente para um único ±%.

O ganho atua sobre a tensão completa do sensor

Sem calibração, o firmware continua usando \(G_N=4\). Para o TMP36 ideal:

\[
V_S(T)=0{,}500+0{,}010T
\]
\[
T_{calc}=\frac{G\,V_S(T)/G_N-0{,}500}{0{,}010}
\]

O ganho real \(G\) multiplica toda a tensão \(V_S\), inclusive os 500 mV existentes a 0 °C. Portanto, erro de ganho não é um percentual aplicado diretamente à temperatura em °C.

No extremo de 50 °C, \(V_S=1,000\) V. Mesmo com \(G_{max}=4,0606\), a entrada analógica é aproximadamente 4,061 V, abaixo de 5,000 V. O exemplo permanece dentro da faixa do ADC, supondo também que o condicionador tenha excursão de saída compatível.

Exemplo

Exemplo no extremo superior da faixa

Em \(T=50\) °C, \(V_S=1,000\) V.

  • Para \(G_{min}=3,9406\): \(T_{calc}\approx48,515\) °C; contribuição de ganho \(\approx-1,485\) °C.
  • Para \(G_{max}=4,0606\): \(T_{calc}\approx51,515\) °C; contribuição de ganho \(\approx+1,515\) °C.

Aplicar cerca de 1,5% diretamente aos 50 °C daria aproximadamente 0,75 °C, resultado incorreto: ignoraria a parcela de 500 mV, equivalente a 50 °C na escala do sensor.

Compare os dois limites

Extremos e aproximação local

Para uma variação pequena perto de \(G_N\), mantendo \(T\) fixo:

\[
\Delta T_{calc}\approx\frac{V_S(T)}{G_N\cdot0{,}010}\,\Delta G
\]

Em 50 °C, \(V_S=1,000\) V e \(G_N=4\). A sensibilidade local ao ganho é \(+25\ \text{°C}\) por unidade de ganho. Aplicada aos desvios \(\Delta G\), ela fornece aproximadamente −1,485 °C e +1,515 °C.

Neste modelo, \(T_{calc}\) é linear em \(G\), então a aproximação coincide com a avaliação pelos extremos. Ainda assim, o cálculo pelos extremos é o registro mais direto dos limites e mantém sua assimetria.

Verifique o efeito na temperatura

Prática: ganhos extremos e contribuição

Use os limites dos resistores e o ponto \(T=50\) °C. Considere \(V_S=1,000\) V, \(G_N=4,000\) e \(e_G=T_{calc}-T\). Complete os ganhos extremos e suas contribuições de ganho. Use quatro casas decimais nos ganhos e três nas contribuições.

Cálculo pelos extremos

Complete o cálculo pelos extremos.

latex
\begin{aligned}
G_{min} &= 1 + \frac{29{,}70}{10{,}10} =  \\
G_{max} &= 1 + \frac{30{,}30}{9{,}90} =  \\
e_{G,min} &= \frac{(G_{min}/4{,}000)\cdot1{,}000-0{,}500}{0{,}010}-50 = \ \mathrm{°C} \\
e_{G,max} &= \frac{(G_{max}/4{,}000)\cdot1{,}000-0{,}500}{0{,}010}-50 = \ \mathrm{°C}
\end{aligned}

Passo 4 de 10

Erros do sensor e do amplificador

Erro especificado do sensor

Erro do sensor no modelo

Dois pontos de entrada, uma unidade comum

No modelo já usado, a saída ideal do sensor é:

\[
V_S=0{,}500\text{ V}+0{,}010\text{ V/°C}\cdot T
\]

Represente um erro do sensor como uma temperatura equivalente \(e_S\):

\[
V_S=0{,}500+0{,}010(T+e_S)
\]

Assim, se a especificação aplicável do sensor limita \(e_S\) a ±2 °C, sua contribuição para o orçamento é diretamente ±2 °C. Não a multiplique pelo ganho do condicionador: ela já entrou antes dele como variação equivalente de temperatura.

Use esse limite somente na faixa de temperatura, alimentação, montagem e demais condições declaradas pela especificação consultada.

Onde cada erro entra

Diagrama da cadeia sensor, amplificador e processamento, com o erro do sensor entrando no sensor e o offset entrando na entrada do amplificador.

Localizar o ponto de entrada evita aplicar o mesmo ganho — ou sua compensação — duas vezes.

Dica

Limites válidos e lacunas

Um limite global de erro do sensor pode já reunir efeitos internos definidos pelo fabricante. Se você o usar como “erro total do sensor”, não some novamente parcelas que ele declara incluir, como desvio de offset ou não linearidade.

Por outro lado, deriva, autoaquecimento ou efeito de alimentação só entram separadamente se: (1) houver um limite aplicável; e (2) você tiver verificado que esse efeito não já está incluído no limite global escolhido. Sem limite disponível, registre a lacuna; não invente um número nem trate um valor típico como limite de pior caso.

Offset do amplificador

Offset de entrada referido à temperatura

Para o amplificador não inversor, com ganho nominal

\[
G_N=1+\frac{R_f}{R_g},
\]

o offset de entrada \(V_{OS}\) produz, na saída analógica, aproximadamente:

\[
\Delta V_O=G_N\,V_{OS}
\]

A conversão nominal da cadeia divide a tensão de saída por \(G_N\) e pela sensibilidade do sensor \(S=10\text{ mV/°C}\). Logo:

\[
\Delta T_{OS}=\frac{G_N V_{OS}}{G_N S}=\frac{V_{OS}}{S}
\]

O ganho de ruído propaga o offset até a saída; ao referir o resultado de volta à temperatura, o ganho nominal se cancela. Esse cancelamento vale para este modelo linear e para o offset referido à entrada.

Exemplo

Exemplo: não aplicar o ganho duas vezes

Considere, apenas como exemplo de cálculo, \(V_{OS}=\pm 1{,}0\text{ mV}\) e \(S=10\text{ mV/°C}\).

\[
\Delta T_{OS}=\frac{\pm1{,}0\text{ mV}}{10\text{ mV/°C}}=\pm0{,}10\text{ °C}
\]

Se \(G_N=5\), a saída se desloca ±5 mV. Esse valor é intermediário: ao converter a saída de volta pela escala nominal, divide-se por 5. Portanto, o resultado continua ±0,10 °C — e não ±0,50 °C.

Se a especificação já fornecer um erro de tensão na saída, use diretamente:

\[
\Delta T=\frac{\Delta V_O}{G_N S}
\]

Não aplique \(G_N\) outra vez: ele já está embutido no erro de saída informado.

Prática de referência à temperatura

Localize o erro antes de converter

Associe cada descrição à expressão que a refere à temperatura. Considere \(S=10\text{ mV/°C}\), ganho nominal \(G_N\), e um modelo linear sem saturação.

Associe especificação e contribuição

Faça as associações corretas.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Passo 5 de 10

Referência, ADC e quantização

Converta variações de referência e limites do ADC para graus Celsius, preservando a convenção de 1024 intervalos usada pelo firmware.

A referência entra na escala inteira

Referência real altera o código

A tensão de entrada do ADC não muda quando apenas a referência real muda. O código, porém, varia aproximadamente na razão inversa:

\[
C\propto\frac{V_A}{V_{REF,real}}
\]

Mantendo sensor, ganho e ADC ideais, mas considerando que o firmware usa \(V_{REF,N}\), a conversão fica:

\[
\hat T=\frac{V_{REF,N}}{V_{REF,real}}(T+50)-50
\]

Logo, aumentar \(V_{REF,real}\) reduz o código para a mesma tensão \(V_A\) e faz \(\hat T\) diminuir. O termo \(T+50\) representa a tensão completa do TMP36 em °C equivalentes: os 500 mV presentes a 0 °C correspondem a 50 °C nessa escala. Não aplique simplesmente um percentual sobre \(T\).

Mesma tensão, códigos diferentes

Diagrama mostrando que uma referência maior no ADC produz código menor para a mesma tensão de entrada.

A referência modifica a escala da conversão; ela não modifica a tensão gerada pelo sensor.

Exemplo

Exemplo no extremo de temperatura

Com \(V_{REF,N}=5{,}000\) V, no extremo \(T=50\) °C:

\[
S_{V_{REF}}\approx-\frac{T+50}{V_{REF,N}}
=-\frac{100}{5}=-20\ \text{°C/V}
\]

Se a referência real sobe para 5,010 V, a avaliação do modelo completo fornece:

\[
\hat T=\frac{5{,}000}{5{,}010}\cdot100-50
\approx49{,}800\ \text{°C}
\]

A contribuição é aproximadamente \(-0{,}200\) °C. A sensibilidade local chega a quase o mesmo resultado para essa pequena variação: \(-20\ \text{°C/V}\times0{,}010\ \text{V}=-0{,}200\) °C.

Converta a variação da referência

Prática: referência para graus Celsius

Considere \(T=30\) °C, \(V_{REF,N}=5{,}000\) V e \(V_{REF,real}=5{,}025\) V. Sensor e ganho são ideais; somente a referência difere do valor nominal. Use o modelo completo:

\[
\hat T=\frac{V_{REF,N}}{V_{REF,real}}(T+50)-50
\]

Informe a contribuição da referência, \(e_{REF}=\hat T-T\), com sinal e três casas decimais.

Contribuição da referência

Complete: \(e_{REF}=\) ___ °C.

Erros do ADC na unidade do resultado

Escala nominal: LSB para °C

Use a mesma convenção do firmware deste tutorial: ADC de 10 bits, 1024 códigos possíveis (0 a 1023) e reconstrução:

\[
V_{A,fw}=C\frac{V_{REF,N}}{1024}
\]

Com \(G_N=4{,}000\), \(V_{REF,N}=5{,}000\) V e sensibilidade do TMP36 de 10 mV/°C, uma variação equivalente de um código desloca a temperatura calculada em:

\[
q_T=\frac{5{,}000}{1024\cdot4{,}000\cdot0{,}010}
=0{,}12207\ \text{°C/LSB}
\]

Esse é o conversor entre um erro definido em LSB, no código do ADC, e °C calculados pelo firmware.

Converta conforme a definição

A unidade sozinha não basta: leia como a folha de dados define cada limite. Offset e INL frequentemente já vêm em LSB. Erro de ganho pode ser informado em LSB no extremo, como percentual da escala completa ou como percentual da leitura; são definições diferentes.

Conversões para a escala nominal deste caso: qT = 0,12207 °C/LSB.
Especificação do ADCContribuição referida à temperatura
Offset ±eOS LSB±eOS × qT
INL ±eINL LSB±eINL × qT
Ganho ±eG LSB no extremo±eG × qT
Ganho ±p% da escala completa±(p/100) × 1024 × qT
Ganho ±p% da leitura C±(p/100) × C × qT

Exemplo

Exemplo: offset expresso em LSB

Se uma especificação declarar offset equivalente de \(+2\) LSB, converta pela escala nominal completa da cadeia:

\[
\Delta\hat T=(+2\ \text{LSB})\,(0{,}12207\ \text{°C/LSB})
\approx+0{,}244\ \text{°C}
\]

O sinal é positivo porque um deslocamento positivo de código aumenta a tensão reconstruída e a temperatura calculada. Este cálculo apenas refere essa especificação à temperatura; a decisão sobre quais especificações podem coexistir no orçamento será tratada adiante.

INL referido à temperatura

Um limite de INL de \(-1{,}5\) LSB é dado como deslocamento equivalente do código. Complete: \(\Delta\hat T=\) ___ °C.

Quantização e fórmula coerentes

Quantização depende da convenção

Quantização não recebe automaticamente o limite de meio LSB. Esse valor só é compatível quando a convenção de codificação representa o nível contínuo mais próximo, com erro de arredondamento limitado a \(\pm0{,}5\) LSB. Nessa condição, para este caso:

\[
\Delta T_Q=\pm0{,}5q_T
=\pm0{,}0610\ \text{°C}
\]

Se a transição ou a representação do ADC seguir outra convenção, derive o intervalo a partir dela. Mantenha a mesma escala do firmware: 1024 intervalos e código máximo 1023. O código 1023 reconstrói \(1023\cdot V_{REF,N}/1024\), não exatamente \(V_{REF,N}\).

Cheque a coerência da escala

O firmware usa \(V_{A,fw}=C\cdot5{,}000/1024\). Qual afirmação é incompatível com essa fórmula?

Passo 6 de 10

Um orçamento sem dupla contagem

Organize as contribuições em uma tabela rastreável e escolha especificações sem contar o mesmo efeito duas vezes.

Monte a trilha de cada parcela

Uma linha, uma origem rastreável

Um orçamento auditável não é só uma lista de números. Cada linha precisa responder: de onde vem o limite, em que unidade foi informado, sob quais condições vale, qual é a sensibilidade e quantos °C ela pode deslocar o resultado.

Use uma linha para cada mecanismo físico ou especificação escolhida. A coluna de contribuição em °C coloca todas as parcelas na mesma unidade, mas não transforma valores típicos em limites garantidos.

Nesta etapa, organize e elimine sobreposições; o cálculo do limite global ficará para depois.

Diagrama da cadeia de medição ligado a uma tabela de rastreabilidade; duas especificações sobrepostas do ADC são destacadas como conflito.

A tabela conecta cada contribuição ao bloco e à definição que a sustenta.

Registre unidade, condição e conversão

Colunas mínimas do orçamento

O formato abaixo é um modelo de registro. Os valores servem apenas para mostrar como documentar as linhas; não some as contribuições ainda.

Exemplo de orçamento parcialmente preenchido.
OrigemLimite informadoUnidade originalCondições/definiçãoSensibilidadeContribuição
Sensor±0,5°CFaixa e alimentação declaradas1 °C/°C±0,5 °C
Offset do amplificador±1mV na entradaModelo de offset adotado100 °C/V±0,10 °C
Referência externa±5mVEm torno de 5,000 VObtida do modeloConverter em °C
ADC: erro total±2LSBDefinição do fabricanteEscala nominal em °C/LSBConverter em °C

Dica

Não esconda a definição

Condição e definição são indispensáveis. “±2 LSB” não basta: registre se é erro total, offset, ganho, INL ou outra grandeza; informe também faixa, referência e temperatura de operação quando a fonte as exigir.

Se a sensibilidade variar com a temperatura, anote o ponto ou intervalo usado. Isso mantém visível o que o número em °C realmente representa.

Escolha linhas sem sobreposição

Exemplo

Especificação agregada é uma alternativa

Uma folha de dados pode declarar, por exemplo: erro total do ADC = ±2 LSB, definido como o efeito combinado de offset, erro de ganho, não linearidade integral (INL) e quantização, nas condições especificadas.

Nesse caso há dois caminhos válidos:

  1. Usar a linha única “erro total do ADC”; ou
  2. Usar linhas separadas de offset, ganho, INL e quantização, se houver limites e definições compatíveis.

Não use os dois caminhos juntos. Somar o erro total e seus componentes conta o mesmo efeito mais de uma vez.

Também confira o que está fora — ou dentro

A referência externa só entra como linha própria se não estiver incluída na especificação escolhida do ADC e se ela fizer parte do modelo da cadeia. Da mesma forma, a resolução de apresentação do firmware só entra se o arredondamento exibido afetar a grandeza que está sendo orçada e ainda não tiver sido incluído na quantização ou em outra linha.

Classifique a evidência: limite garantido, valor típico ou hipótese didática. Apenas a primeira categoria, nas condições declaradas, sustenta por si só um orçamento de pior caso.

Prática: elimine a dupla contagem

Audite as linhas escolhidas

Um caso informa: “Erro total do ADC: ±2 LSB, incluindo offset, ganho, INL e quantização”. Em outra tabela aparecem os limites individuais de offset, ganho e INL. A referência externa é especificada separadamente e não é incluída no erro total do ADC.

Qual conjunto deve entrar no orçamento para representar o ADC e a referência, sem dupla contagem?

Selecione o conjunto correto.

Passo 7 de 10

Extremos que podem ocorrer juntos

Restrinja o pior caso a combinações compatíveis com as variáveis físicas compartilhadas pela cadeia.

Mapeie a causa comum

Uma condição, vários efeitos

Uma análise de pior caso não pode escolher cada contribuição como se ela variasse de modo independente. Se uma mesma variável física — por exemplo, a alimentação \(V_{DD}\) ou a temperatura ambiente — afeta mais de um bloco, há dependência entre essas contribuições.

Represente a variável compartilhada uma única vez no modelo. Depois, deixe seus efeitos aparecerem nas expressões de cada bloco. Assim, se a análise escolhe \(V_{DD}=4{,}75\ \text{V}\), todos os parâmetros dependentes dessa condição devem assumir valores compatíveis com 4,75 V. Não é válido combinar um limite que só vale para 4,75 V com outro que só vale para 5,25 V.

Procure a condição compartilhada

A tabela não afirma que todos os blocos necessariamente dependem da alimentação; isso precisa vir do modelo e das especificações aplicáveis. Ela serve para localizar uma possível causa comum antes de combinar extremos.

Registre a mesma condição física nas linhas afetadas; não escolha um extremo diferente dela em cada linha.
BlocoParâmetro que pode ser afetadoCondição comum a registrar
TMP36Saída ou limite aplicávelVDD e temperatura ambiente
AmplificadorOffset, excursão ou limite aplicávelVDD e temperatura ambiente
ADCReferência, se ligada ao trilhoVDD
FirmwareConstantes nominaisNão varia com VDD

Escreva a dependência no modelo

Uma variável, efeitos coerentes

Escreva a dependência diretamente no modelo, em vez de criar parcelas independentes para uma mesma causa. Em uma forma geral:

\[
V_S=V_S(T,V_{DD})
\]
\[
V_A=G(V_{DD})\,V_S(T,V_{DD})
\]
\[
x=\frac{V_A}{V_{REF}(V_{DD})}
\]

Aqui, \(x\) é a razão contínua que determina o código antes de considerar a quantização. A variável \(V_{DD}\) aparece uma única vez como condição comum, mas pode afetar sensor, ganho e referência por relações diferentes.

O firmware ainda usa suas constantes nominais para converter o código em \(\hat T\). Ao avaliar \(V_{DD}\) em um extremo, avalie conjuntamente todos os termos que dependem dele.

A variável entra uma vez no modelo

A alimentação comum é uma causa compartilhada; os efeitos são determinados pelas relações específicas de cada bloco.
EtapaRelação no modeloEfeito ao mudar VDD
SensorVS(T, VDD)Somente o declarado pela especificação
AmplificadorG(VDD) × VSPode alterar a tensão aplicada ao ADC
ReferênciaVREF(VDD)Altera a razão VA/VREF
FirmwareConstantes nominaisPermanece fixo

Não presuma cancelamento

Trilho comum não prova cancelamento

Se a referência do ADC vier do mesmo trilho do sensor, isso não torna automaticamente o TMP36 ratiométrico com o ADC. Compartilhar a origem de alimentação apenas cria uma variável comum.

Para haver cancelamento, a relação algébrica precisa mostrar que numerador e denominador variam na mesma proporção com \(V_{DD}\). Por exemplo, seria necessário demonstrar que a tensão relevante do sensor e \(V_{REF}\) possuem dependências proporcionais no intervalo e nas condições analisadas.

A saída nominal do TMP36 contém uma parcela de 500 mV e uma inclinação de 10 mV/°C. Portanto, não a trate como fração fixa da alimentação sem uma relação aplicável que prove isso. O cancelamento pode ser total, parcial ou inexistente; o modelo decide.

Causa comum não é proporção comum

Só uma dependência proporcional demonstrada pode justificar cancelamento na razão usada pela conversão.
AfirmaçãoO que ela sustentaO que ela não sustenta
Sensor e ADC usam VDDHá uma condição comumCancelamento automático
VREF depende de VDDA escala do ADC pode variarQue VS varia na mesma proporção
Modelo mostra VS/VREF constanteCancelamento naquele modelo e condiçãoValidade fora das condições declaradas

Classifique a conclusão corretamente

Conservador não significa atingível

Compare duas conclusões possíveis:

  1. Limite conservador: soma de módulos de limites individuais. Pode ser útil quando as parcelas são limitadas, mas não demonstra que todos os módulos e sinais ocorram simultaneamente.
  2. Extremo fisicamente atingível: uma condição do modelo produz simultaneamente aqueles valores. Exige compatibilidade entre condições, sinais e limites declarados.

Não atribua probabilidades a essas combinações neste orçamento. A pergunta aqui é: “o modelo e os limites permitem esta combinação?”. A consolidação numérica do orçamento virá no próximo step.

Pratique a auditoria de combinações

Decida pelo modelo

“Como o TMP36 e a referência do ADC recebem a mesma alimentação, qualquer variação de alimentação necessariamente se cancela no valor de temperatura calculado.” A afirmação é verdadeira?

Audite os extremos

Em uma revisão, alguém escolhe o maior erro do sensor sob \(V_{DD}=4{,}75\ \text{V}\) e, ao mesmo tempo, o maior erro da referência sob \(V_{DD}=5{,}25\ \text{V}\). Explique o problema e como o modelo deve ser reescrito.

Escreva pelo menos 80 caracteres (0/80).

Passo 8 de 10

Cálculo do limite de pior caso

Calcule limites positivo e negativo pelo modelo completo, inclua a especificação agregada do ADC sem dupla contagem e declare o resultado somente sob suas condições de validade.

1. Preserve as interações

Extremos do modelo completo

Depois de eliminar sobreposições, encontre os extremos do modelo completo. Para o caso condicional deste step, use:

\[
E=\hat T-T=(k-1)(T+50)+k\left(e_S+\frac{V_{OS}}{0{,}010}\right)+e_{ADC}
\]

\[
k=\frac{V_{REF,N}}{V_{REF,real}}\frac{G}{G_N}
\]

O termo \(T+50\) representa a tensão completa do TMP36 na escala equivalente de temperatura; por isso, ganho e referência não podem ser aplicados como uma porcentagem apenas de \(T\).

Calcule separadamente \(E_+\), o maior erro positivo, e \(E_-\), o menor erro negativo. O limite simétrico a declarar é:

\[
|E|{pior}=\max\left(|E+|,|E_-|\right)
\]

A soma dos módulos é aceitável como limite conservador apenas para termos efetivamente aditivos e limitados nas mesmas condições. Aqui, \(G\) e \(V_{REF,real}\) pertencem ao fator multiplicativo \(k\): devem permanecer juntos no modelo.

Limites usados neste caso

Este é um caso didático condicional. Os limites abaixo são considerados simultaneamente admissíveis e independentes, exceto quando uma condição comum for explicitamente declarada. O limite agregado do ADC já inclui offset, ganho, INL e quantização; portanto, essas parcelas não entram outra vez.

Valores adotados para a análise de pior caso deste step; não representam especificações universais de componentes.
GrandezaLimite inferiorLimite superiorCondição ou definição
Temperatura T0 °C50 °CFaixa analisada
Erro do sensor eS−1,0 °C+1,0 °CLimite global adotado
Offset de entrada VOS−1,0 mV+1,0 mVReferido à entrada do amplificador
Rf29,70 kΩ30,30 kΩ30,0 kΩ ±1%
Rg9,90 kΩ10,10 kΩ10,0 kΩ ±1%
Referência real4,950 V5,050 VFirmware usa 5,000 V
Erro total do ADC eADC−2 LSB+2 LSBInclui offset, ganho, INL e quantização

2. Avalie os lados positivo e negativo

Reduza sem quebrar o modelo

Os extremos resistivos já obtidos para o ganho nominal \(G_N=4{,}000\) são:

\[
G_{min}=1+\frac{29{,}70}{10{,}10}=3{,}9406
\]
\[
G_{max}=1+\frac{30{,}30}{9{,}90}=4{,}0606
\]

Assim, preservando a razão entre referência e ganho:

\[
k_{min}=\frac{5{,}000}{5{,}050}\frac{3{,}9406}{4{,}000}\approx0{,}97539
\]
\[
k_{max}=\frac{5{,}000}{4{,}950}\frac{4{,}0606}{4{,}000}\approx1{,}02541
\]

Para obter erro positivo, escolha ganho alto, referência baixa, sensor acima do nominal e offset positivo. Para o erro negativo, inverta essas escolhas. Isso é válido neste caso porque os limites foram declarados simultaneamente admissíveis.

Localize o extremo na faixa inteira

Como \(k_{max}-1>0\), o erro positivo cresce com \(T\). Como \(k_{min}-1<0\), o erro negativo se torna mais negativo quando \(T\) cresce. Portanto, os dois módulos críticos ocorrem em \(T=50\) °C neste caso — uma conclusão algébrica, não uma escolha automática do extremo superior.

O ADC tem limite agregado de ±2 LSB. Pela escala nominal já adotada:

\[
q_T=0{,}12207\ \text{°C/LSB}
\]
\[
e_{ADC}=\pm2q_T=\pm0{,}24414\ \text{°C}
\]

Como esse limite é agregado, ele substitui linhas individuais de offset, ganho, INL e quantização do ADC.

Os dois caminhos de extremo

Diagrama da cadeia de medição mostrando os caminhos de erro positivo e negativo e sua maior separação no extremo superior da faixa de temperatura.

Ganho e referência atuam multiplicativamente no mesmo caminho; o limite do ADC é acrescentado uma única vez como especificação agregada.

3. Feche o limite e valide a faixa

Exemplo

Calcule os dois limites

Avaliação no extremo de 50 °C

No lado positivo, \(e_S=+1{,}0\) °C, \(V_{OS}=+1{,}0\) mV e \(e_{ADC}=+0{,}24414\) °C:

\[
E_+=(1{,}02541-1)\cdot100+1{,}02541\cdot(1{,}0+0{,}1)+0{,}24414
\]
\[
E_+\approx+3{,}913\ \text{°C}
\]

No lado negativo, \(e_S=-1{,}0\) °C, \(V_{OS}=-1{,}0\) mV e \(e_{ADC}=-0{,}24414\) °C:

\[
E_-=(0{,}97539-1)\cdot100+0{,}97539\cdot(-1{,}0-0{,}1)-0{,}24414
\]
\[
E_-\approx-3{,}778\ \text{°C}
\]

Logo, o maior módulo é o do lado positivo. Arredondando para fora, o limite condicional é \(\pm3{,}92\) °C.

Confira a validade do modelo

Antes de aceitar os extremos, verifique a faixa analógica. No maior sinal de entrada do ADC:

\[
V_{A,max}=G_{max}\,[0{,}500+0{,}010(50+1)+0{,}001]
\]
\[
V_{A,max}=4{,}0606\cdot1{,}011\approx4{,}105\ \text{V}
\]

Esse valor permanece abaixo da menor referência admitida, 4,950 V. No extremo inferior, a tensão também permanece acima de 0 V. Portanto, neste caso, a cadeia fica na região linear presumida em toda a faixa. Se algum extremo saturasse sensor, amplificador ou ADC, a expressão linear não poderia ser usada além desse ponto.

4. Registre o que o cálculo sustenta

Declare o maior módulo

Use os limites já calculados: \(E_+=+3{,}913\) °C e \(E_-=-3{,}778\) °C. Informe o pior caso com duas casas decimais, arredondando de modo conservador.

Limite de pior caso

Complete: \(|E|_{pior}=\pm\) ___ °C.

Classifique a conclusão

Qual redação classifica corretamente o resultado deste step?

Atenção

Não extrapole o significado do cálculo

Registre sempre: modelo e versão analisados; faixa de 0 a 50 °C; aquisição estabilizada; cadeia linear e sem saturação; origem e definição de cada limite; hipótese de simultaneidade; e parcelas sem limite disponível.

Se todos os valores forem limites aplicáveis, o resultado sustenta um limite condicional de pior caso. Se algum valor for típico, ou se houver efeito relevante sem limite, declare uma estimativa ou uma lacuna — não uma garantia. Comparar ±3,92 °C ao requisito de ±2 °C é análise de projeto: neste caso calculado, o requisito não é atendido. Isso não é validação experimental, nem análise de repetibilidade, nem intervalo de confiança.

Passo 9 de 10

Onde reduzir o erro

Use o orçamento em °C para escolher mudanças com impacto real e distribuir metas sem esconder efeitos ainda não limitados.

Compare na unidade do requisito

Encontre o termo dominante

No ponto crítico da faixa, compare as contribuições já convertidas para °C e obtidas sob as mesmas hipóteses do limite de pior caso. A maior contribuição em módulo é a dominante naquele caso.

Não compare diretamente a tolerância percentual de um resistor com milivolts de offset ou LSBs do ADC. Cada origem só é comparável depois de referida à temperatura calculada.

Exemplo: se o orçamento total é 1,80 °C e o sensor contribui com 0,80 °C, melhorar o sensor tende a ter mais impacto que reduzir uma parcela de 0,10 °C — desde que a nova especificação seja realmente válida nas mesmas condições.

Barra de orçamento de erro com o bloco do sensor visualmente maior que os demais blocos da cadeia.

A largura de cada bloco representa sua contribuição já expressa em °C; o maior bloco orienta a primeira prioridade de melhoria.

Alocação não é cobertura automática

Distribua metas, mas preserve margem

Uma meta de projeto distribui o erro admissível entre blocos antes de fechar todas as escolhas. Ela não substitui o orçamento calculado: após selecionar componentes ou alterar o circuito, recalcule o limite global.

Exemplo para requisito de ±2,00 °C: as metas abaixo somam 2,00 °C. A margem de 0,45 °C fica reservada para efeitos ainda sem limite. Essa reserva é uma decisão explícita, não uma prova de que tais efeitos cabem nela.

Exemplo de alocação de metas de pior caso para o requisito de ±2,00 °C.

Todas as parcelas estão em °C e são comparáveis.
BlocoMeta alocadaJustificativa
Sensor0,70Maior parcela prevista
Ganho resistivo0,35Razão e ganho completos
Referência0,25Afeta a escala do ADC
Offset do amplificador0,15Limite referido à cadeia
ADC e quantização0,10Conforme definição adotada
Margem não limitada0,45Reserva declarada
Total2,00Igual ao requisito

Priorize e confira a meta

Decida pela contribuição dominante

No orçamento de pior caso de um ponto crítico, as contribuições são: sensor 0,80 °C; ganho resistivo 0,45 °C; referência 0,30 °C; offset 0,15 °C; ADC 0,10 °C. Qual mudança reduz mais o limite, considerando que cada melhoria é viável e não altera as outras parcelas?

Qual alteração tem o maior impacto direto no limite calculado?

Verifique uma alocação

Para um requisito de ±2,00 °C, qual alocação é compatível com o requisito e declara margem para efeitos ainda não limitados?

Passo 10 de 10

Aplicação final: auditar e justificar o orçamento

Aplicação final do orçamento de erro em um monitor de temperatura: auditoria de conversão, interações, limites de pior caso e decisão de projeto.

Caso e fronteira da análise

Caso autocontido para auditar

Caso integrado: auditoria final

Retome o monitor de temperatura já analisado, sem calibração:

  • faixa: 0 a 50 °C; requisito: ±2,00 °C;
  • sensor: \(V_S=0{,}500+0{,}010(T+e_S)\), com \(e_S=\pm1{,}0\) °C;
  • condicionador não inversor: \(G_N=4{,}000\), \(R_f=30{,}0\) kΩ ±1% e \(R_g=10{,}0\) kΩ ±1%;
  • offset de entrada do amplificador: \(V_{OS}=\pm1{,}0\) mV;
  • referência real: 4,950 a 5,050 V; referência nominal: 5,000 V;
  • ADC de 10 bits: erro total agregado de ±2 LSB, incluindo offset, ganho, INL e quantização.

A análise é válida apenas para aquisição estabilizada, cadeia linear e sem saturação. É uma previsão por cálculo sob os limites declarados; não é uma medição do equipamento.

Uma cadeia, um modelo de extremo

Diagrama da cadeia de temperatura com sensor, amplificador, ADC e firmware; cinco fontes de desvio convergem para o resultado calculado.

O ganho, a referência, o sensor e o offset devem ser avaliados juntos no modelo; o erro agregado do ADC é acrescentado conforme sua definição.

Coerência entre código e orçamento

Primeira auditoria: a escala é única

A conversão nominal adotada desde o início usa 1024 intervalos para os códigos de 0 a 1023. Portanto, o denominador do firmware e a escala usada para converter LSB em °C precisam ser coerentes:

\[
q_T=\frac{5{,}000}{1024\cdot4{,}000\cdot0{,}010}=0{,}12207\ \text{°C/LSB}
\]

Uma versão copiada com denominador 1023, enquanto o orçamento conserva \(q_T\) calculado com 1024, mistura duas convenções. Não ajuste o denominador para fazer o código máximo coincidir com a referência: preserve uma única transferência em todo o modelo.

Corrija a conversão do firmware

Corrija a única constante incompatível com a convenção adotada no orçamento.

cpp
float temperaturaC(uint16_t code) {
  float vAmp = code * 5.000f / ;
  return (vAmp / 4.000f - 0.500f) / 0.010f;
}

Cálculo completo, sem dupla contagem

Auditoria das inclusões e interações

Os extremos dos resistores já fornecem \(G_{min}=3{,}9406\) e \(G_{max}=4{,}0606\). No extremo de 50 °C, não some isoladamente as contribuições de ganho, referência, sensor e offset: elas interagem pelo fator

\[
k=\frac{V_{REF,N}}{V_{REF,real}}\frac{G}{G_N}
\]

Use diretamente:

\[
E=(k-1)(T+50)+k\left(e_S+\frac{V_{OS}}{0{,}010}\right)+e_{ADC}
\]

O termo \(e_{ADC}\) entra ao final porque, neste caso, seu limite total é definido como deslocamento agregado equivalente de código. Não acrescente linhas separadas de offset, ganho, INL ou quantização do ADC.

Registro parcial do orçamento

Cada linha abaixo entra uma única vez na avaliação dos extremos. Os limites do caso são assumidos simultaneamente admissíveis para este exercício; em um projeto real, essa hipótese exigiria verificação das condições compartilhadas.

Tabela rastreável: o cálculo final preserva as interações no fator k.
OrigemLimite usadoComo entra no modeloObservação de auditoria
ResistoresG: 3,9406 a 4,0606Dentro de kExtremos da razão Rf/Rg
Referência4,950 a 5,050 VDentro de kNão é incluída no ADC total
SensoreS = ±1,0 °CMultiplicado por kLimite global do sensor
Offset do amplificadorVOS = ±1,0 mVMultiplicado por kEquivale a ±0,10 °C antes de k
ADC totaleADC = ±2 LSBSomado uma vezInclui offset, ganho, INL e quantização
Escala do ADC0,12207 °C/LSBeADC = ±0,24414 °CDerivada com denominador 1024

Recalcule os termos do extremo positivo

Complete os dois valores necessários para o lado positivo do modelo completo.

latex
\begin{aligned}
k_{max} &= \frac{5{,}000}{4{,}950}\frac{4{,}0606}{4{,}000} =  \\
e_{ADC,+} &= +2\left(\frac{5{,}000}{1024\cdot4{,}000\cdot0{,}010}\right) = +\ \mathrm{°C}
\end{aligned}

Justificativa e encerramento

Conclusão técnica da auditoria

Faça sua conclusão de auditoria usando papel, calculadora ou uma ferramenta local. Registre: \(E_+\), \(E_-\), o maior módulo arredondado conservadoramente, a faixa e as condições de validade, a comparação com ±2,00 °C, a contribuição dominante e uma mudança prioritária.

Diga também por que a conclusão é prevista por cálculo, e não desempenho demonstrado por medição. Considere como dominante o efeito de escala combinado de ganho e referência no extremo positivo: \((k_{max}-1)\cdot100\approx+2,541\) °C.

Escreva pelo menos 220 caracteres (0/220).

Resumo

Síntese do método

  • Modele a cadeia até o valor calculado pelo firmware e mantenha uma única convenção de escala.
  • Refira cada limite à temperatura, identificando o nó e a definição da especificação.
  • Para ganho, referência, sensor e offset que interagem, avalie os extremos no modelo completo.
  • Use uma especificação agregada como alternativa às parcelas que ela já inclui.
  • Declare faixa, condições, simultaneidade, lacunas e a diferença entre cálculo previsto e resultado medido.
  • O próximo tutorial tratará da repetibilidade e da dispersão de séries de leituras.

Tutorial concluído

Parabéns! Você concluiu: Orçamento de erro da cadeia de medição

Tutorial concluído. Você auditou a conversão, evitou dupla contagem, preservou interações no modelo de pior caso e justificou uma decisão de projeto com suas condições e limites.

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