
Passo 1 de 7
Do valor nominal aos limites de resistência
Converta o valor nominal e a tolerância percentual de um resistor em limites mínimo e máximo de resistência.
Trilha de aprendizado · Nível 2 · Tutorial 9
Estimar como as tolerâncias dos resistores alteram correntes, dissipações e tensões calculadas e verificar se um divisor sem carga atende a uma faixa de saída especificada.
Do valor nominal aos limites de resistência
Converta o valor nominal e a tolerância percentual de um resistor em limites mínimo e máximo de resistência. 3 min
Pior caso de corrente e dissipação
Escolha o menor valor admissível de resistência para calcular a maior corrente e a maior dissipação quando a tensão nos terminais é fixa. 2 min
Como cada resistor altera a saída
Preveja como a posição de cada resistor em um divisor sem carga determina o sentido da variação da tensão de saída. 2 min
Calculando os extremos do divisor
Combine os limites dos dois resistores para calcular as tensões mínima e máxima de um divisor sem carga. 3 min
A faixa calculada atende ao requisito?
Compare a faixa de saída de pior caso com os limites exigidos e decida se há atendimento completo. 2 min
Escolhendo uma tolerância que atende
Compare tolerâncias de resistores por seus limites de saída e escolha a opção menos restritiva que cumpre o requisito. 2 min
Aplicação final: justificar uma escolha
Integre os limites de resistência, os cálculos de pior caso e a comparação com uma faixa de saída para justificar uma especificação. 3 min

Passo 1 de 7
Converta o valor nominal e a tolerância percentual de um resistor em limites mínimo e máximo de resistência.
Um resistor especificado como 1,0 kΩ ±5% tem 1,0 kΩ como valor nominal: a referência usada no projeto e no enunciado. Esse não é necessariamente o valor exato de cada unidade fabricada.
A tolerância indica o afastamento admissível em torno do nominal. Neste tutorial, ela será sempre fornecida como porcentagem; não precisamos ler faixas de cores.

A tolerância define uma faixa de valores admissíveis ao redor do valor nominal.
Converta a porcentagem em fração decimal e chame-a de t. Depois, encontre a variação absoluta:
ΔR = R_nom × t
Com essa variação, os limites são:
R_min = R_nom × (1 − t)
R_max = R_nom × (1 + t)
Mantenha as unidades consistentes. Você pode calcular tudo em kΩ ou tudo em Ω.
Exemplo
Para um resistor de 1,0 kΩ ±5%:
Portanto, a especificação admite qualquer resistência de 950 Ω a 1050 Ω, inclusive os limites.
Dica
A faixa mostra valores permitidos pelo componente, mas não informa a probabilidade de cada valor dentro dela. Não conclua, por exemplo, que o valor nominal é “mais provável” apenas a partir da tolerância.
Para um resistor de 2,2 kΩ ±10%, complete: t = [lacuna].
Ainda para 2,2 kΩ ±10%, complete: ΔR = [lacuna] Ω.
Complete o limite inferior: R_min = [lacuna] Ω.
Complete o limite superior: R_max = [lacuna] Ω.

Passo 2 de 7
Escolha o menor valor admissível de resistência para calcular a maior corrente e a maior dissipação quando a tensão nos terminais é fixa.
Em uma análise de pior caso, escolha o valor admissível que torna a grandeza estudada mais crítica — não simplesmente o maior ou o menor valor por hábito.
Neste step, o resistor está submetido diretamente a uma tensão fixa V. Pelas relações já conhecidas:
Ao reduzir R, os dois resultados aumentam. Portanto, para encontrar a maior corrente e a maior dissipação, use o menor valor admissível:

Com a mesma tensão nos terminais, o limite R_min produz a maior corrente e a maior dissipação.
Dica
A conclusão depende da condição do circuito: a tensão nos terminais do resistor deve permanecer fixa. Quando R varia nesse modelo, a corrente também varia; ela não é mantida constante.
Assim, não use esta regra automaticamente para qualquer rede de resistores. O “pior caso” sempre depende da grandeza procurada e das condições que o circuito mantém fixas.
Considere um resistor de 100 Ω ±10% ligado diretamente a uma fonte ideal de 12 V.
Pelos limites de tolerância:
Compare o valor nominal com R_min, mantendo os mesmos 12 V nos terminais. R_max produziria os menores valores de corrente e potência, portanto não é o extremo crítico neste caso.
Exemplo
No valor nominal
I_nom = 12 V / 100 Ω = 0,120 A
P_nom = 12² / 100 Ω = 1,44 W
No menor valor admissível
I_max = 12 V / 90 Ω = 0,133 A
P_max = 12² / 90 Ω = 1,60 W
O cálculo nominal subestima a solicitação: 1,44 W é menor que a dissipação de pior caso, 1,60 W. Para este resistor sob tensão fixa, R_min fica no denominador dos dois cálculos.
Relacione cada condição ao resultado correspondente para um resistor ligado diretamente a uma tensão fixa.
Faça as associações de pior caso.
Toque em um item e depois no par correspondente.
Um resistor de 220 Ω ±10% está sob 12 V fixos. Seu limite mínimo é 198 Ω. Complete:
I_max = 12 V / 198 Ω = [lacuna] mA
Para o mesmo resistor de 220 Ω ±10% sob 12 V fixos, complete:
P_max = 12² / 198 Ω = [lacuna] W

Passo 3 de 7
Preveja como a posição de cada resistor em um divisor sem carga determina o sentido da variação da tensão de saída.
Considere um divisor sem carga, com alimentação fixa e resistores positivos. Chame de R_superior o resistor entre a alimentação e o nó de saída; R_inferior fica entre a saída e a referência (0 V).
A relação já conhecida é:
V_saida = V_entrada × R_inferior / (R_superior + R_inferior)
Neste step, não vamos calcular valores extremos. O objetivo é prever o sentido da variação: qual mudança faz a saída subir e qual a faz descer.

A posição, e não apenas o valor do resistor, determina como sua variação afeta a tensão de saída.
Pense no divisor como uma divisão da tensão de entrada entre dois resistores em série.
A mesma lógica vale ao contrário: diminuir R_superior eleva a saída; diminuir R_inferior reduz a saída.
Dica
Não conclua apenas olhando se uma resistência “aumentou” ou “diminuiu”. Primeiro identifique sua posição: resistência acima da saída age no sentido oposto; resistência abaixo da saída age no mesmo sentido.
Relacione cada alteração à consequência na tensão de saída, mantendo o outro resistor fixo.
Toque em um item e depois no par correspondente.
Se os dois resistores forem multiplicados pelo mesmo fator, a razão entre eles não muda. Logo, a fração da tensão de entrada que aparece na saída também não muda.
Por exemplo, levar ambos a 110% dos valores nominais altera a resistência total e a corrente do divisor, mas preserva a razão R_inferior/(R_superior + R_inferior). Assim, a saída não sobe automaticamente só porque ambos ficaram maiores.
Verdadeiro ou falso: em um divisor sem carga e com alimentação fixa, colocar R_superior e R_inferior ambos no máximo de tolerância produz necessariamente a maior tensão de saída.

Passo 4 de 7
Combine os limites dos dois resistores para calcular as tensões mínima e máxima de um divisor sem carga.
Considere o divisor sem carga, com alimentação fixa: R_superior liga V_entrada ao nó de saída, e R_inferior liga a saída à referência.
Pelo sentido das variações visto antes:
Não escolha os dois resistores no máximo ou no mínimo por hábito. A saída depende da razão entre as duas resistências; para levar essa razão a cada extremo, os resistores variam em sentidos opostos.

Para reduzir a saída, aumente o resistor superior e reduza o inferior; para elevar a saída, faça o contrário.
Substitua os extremos diretamente na fórmula do divisor.
Saída mínima
V_saida_min = V_entrada × R_inferior_min / (R_superior_max + R_inferior_min)
Saída máxima
V_saida_max = V_entrada × R_inferior_max / (R_superior_min + R_inferior_max)
Há uma regra de consistência importante: o valor de R_inferior no numerador deve ser o mesmo usado no denominador daquela conta. Cada expressão descreve um circuito possível, com um valor específico para cada resistor.
Exemplo
Considere V_entrada = 12 V, R_superior = 10 kΩ ±5% e R_inferior = 10 kΩ ±5%.
Os limites de ambos são 9,5 kΩ e 10,5 kΩ.
Extremo mínimo
V_saida_min = 12 × 9,5 / (10,5 + 9,5) = 5,7 V
Extremo máximo
V_saida_max = 12 × 10,5 / (9,5 + 10,5) = 6,3 V
A saída nominal é 6 V, mas os limites não são obtidos aplicando simplesmente ±5% à saída. Eles resultam das combinações de resistências que modificam a razão do divisor.
Dica
Não suponha que os desvios se compensam. A análise de extremos considera combinações admissíveis que tornam a saída a menor ou a maior possível. Isso também não significa que a tensão de saída tenha a mesma tolerância percentual dos resistores.
Um divisor de 10 V tem estes limites:
Qual combinação deve ser usada para calcular V_saida_min?
Complete o primeiro valor da expressão da saída mínima:
V_saida_min = 10 × 4,7 / ([lacuna] + 4,7)
Digite somente o valor em kΩ.
Agora complete o valor que falta, mantendo a substituição consistente:
V_saida_min = 10 × 4,7 / (5,3 + [lacuna])
Digite somente o valor em kΩ.
Calcule a tensão mínima:
V_saida_min = 10 × 4,7 / (5,3 + 4,7) = [lacuna] V
Com os mesmos limites do exercício anterior, qual combinação deve ser usada para calcular V_saida_max?
Complete a substituição para a saída máxima:
V_saida_max = 10 × [lacuna] / (4,7 + 5,3)
Digite somente o valor em kΩ.
Calcule a tensão máxima:
V_saida_max = 10 × 5,3 / (4,7 + 5,3) = [lacuna] V
Neste exemplo, a saída pode variar de 4,70 V a 5,30 V. Esses são limites calculados a partir das combinações admissíveis dos resistores, para um divisor sem carga e alimentação fixa.

Passo 5 de 7
Compare a faixa de saída de pior caso com os limites exigidos e decida se há atendimento completo.
Até aqui, você calculou a faixa possível de um divisor sem carga: de V_saida_min até V_saida_max. Agora compare essa faixa com a faixa que o projeto aceita.
Há atendimento somente quando a faixa calculada inteira cabe dentro da faixa exigida:
V_saida_min ≥ limite inferior exigido
e
V_saida_max ≤ limite superior exigido
Não basta os intervalos se cruzarem: nenhum extremo calculado pode ultrapassar o respectivo limite.

A aprovação exige contenção completa, como no primeiro caso.
Considere um divisor cuja saída nominal é 5,00 V. O requisito aceita saídas de 4,90 V a 5,10 V.
Os limites já calculados para diferentes casos são mostrados abaixo. Observe que a saída nominal é igual em todos eles; o que muda é a faixa de pior caso.
Compare cada extremo calculado com o limite correspondente do requisito.
| Caso | Faixa calculada | Comparação | Atende? |
|---|---|---|---|
| A | 4,94 V a 5,06 V | 4,94 ≥ 4,90 e 5,06 ≤ 5,10 | Sim |
| B | 4,87 V a 5,06 V | 4,87 < 4,90 | Não |
| C | 4,94 V a 5,13 V | 5,13 > 5,10 | Não |
Um divisor sem carga tem faixa calculada de saída entre 4,92 V e 5,08 V. O requisito é de 4,90 V a 5,10 V. Ele atende ao requisito no modelo analisado?
Verdadeiro ou falso: se a saída nominal de um divisor é 5,00 V e o requisito é 4,90 V a 5,10 V, o divisor sempre atende, independentemente de sua faixa calculada.
Um divisor sem carga foi analisado com alimentação fixa e resistores dentro das tolerâncias informadas. Foram obtidos:
O requisito é manter a saída entre 3,30 V e 3,40 V.
O divisor atende a esse requisito? Justifique comparando os dois extremos calculados com os dois limites exigidos.
Escreva pelo menos 80 caracteres (0/80).

Passo 6 de 7
Compare tolerâncias de resistores por seus limites de saída e escolha a opção menos restritiva que cumpre o requisito.
Considere um divisor sem carga com alimentação fixa de 10 V, R_superior = 10 kΩ e R_inferior = 10 kΩ. Sua saída nominal é 5,00 V.
Agora compare candidatos em que os valores nominais e a alimentação não mudam: muda somente a tolerância de ambos os resistores. Quanto menor a tolerância, menores são os intervalos possíveis de resistência e, por consequência, mais estreita tende a ser a faixa de saída de pior caso.

Restringir a tolerância estreita a faixa de pior caso; não desloca o ponto nominal.
Para este divisor, o requisito é manter a saída entre 4,90 V e 5,10 V. Os extremos abaixo já foram calculados combinando os limites corretos dos dois resistores.
| Tolerância de cada resistor | V_saida mín. | V_saida máx. | Atende de 4,90 a 5,10 V? |
|---|---|---|---|
| ±5% | 4,750 V | 5,250 V | Não |
| ±2% | 4,900 V | 5,100 V | Sim |
| ±1% | 4,950 V | 5,050 V | Sim |
O teste é feito pelos dois extremos:
As opções ±2% e ±1% atendem. A escolha menos restritiva que atende é ±2%: ela já contém toda a faixa prevista dentro do requisito. Escolher ±1% também atenderia, mas não é necessário para esta exigência.
Dica
A tolerância percentual é uma margem em torno do valor nominal. Ela não altera, por si só, a saída nominal de 5,00 V. Além disso, uma tolerância menor não conserta necessariamente um divisor cujo valor nominal já esteja fora da faixa exigida.
Para a tabela apresentada, qual especificação deve ser escolhida se o objetivo é usar a tolerância menos restritiva que ainda garante o requisito?
Em uma frase ou duas, justifique por que a opção ±5% não atende, mesmo que a saída nominal do divisor seja 5,00 V.
Escreva pelo menos 40 caracteres (0/40).

Passo 7 de 7
Integre os limites de resistência, os cálculos de pior caso e a comparação com uma faixa de saída para justificar uma especificação.
Para fechar uma análise de tolerância, siga sempre a mesma sequência:
O extremo correto depende da pergunta. Em um resistor com tensão fixa, R_min produz a maior corrente e a maior dissipação. Em um divisor sem carga, os extremos de saída exigem combinações opostas entre resistor superior e inferior.

Use os limites, não apenas o valor nominal, para sustentar a conclusão.
Caso 1 — resistor sob tensão fixa
Um resistor de 1,0 kΩ ±5% está submetido a 12 V fixos.
A tolerância gera:
Para encontrar as maiores solicitações, use R_min:
I_max = 12 V / 950 Ω
P_max = 12² / 950 Ω
Isso vale neste caso específico porque a tensão nos terminais do resistor permanece fixa.
Complete o resultado: a maior corrente no resistor é aproximadamente [lacuna] mA.
Agora calcule a dissipação máxima: P_max = 12² / 950 Ω = [lacuna] W.
Caso 2 — divisor sem carga
Considere V_entrada = 10 V, R_superior = 10 kΩ e R_inferior = 10 kΩ. O requisito é manter a saída entre 4,85 V e 5,15 V.
Compare três opções de tolerância iguais para os dois resistores. Para cada uma, a saída mínima usa R_superior máximo com R_inferior mínimo; a saída máxima usa a combinação inversa.
Resultados de pior caso para o divisor de 10 V com resistores nominais iguais de 10 kΩ.
| Tolerância | V_saida mínima | V_saida máxima | Atende? |
|---|---|---|---|
| ±5% | 4,75 V | 5,25 V | Não |
| ±2% | 4,90 V | 5,10 V | Sim |
| ±1% | 4,95 V | 5,05 V | Sim |

A tolerância de ±2% é a menos restritiva entre as opções que atendem integralmente.
Justifique a escolha para o divisor. Cite a tolerância selecionada, os extremos de saída e a comparação com o requisito de 4,85 V a 5,15 V.
Escreva pelo menos 40 caracteres (0/40).
Resumo
Parabéns! Você concluiu: Tolerância dos resistores e limites de saída
Você concluiu este nível!
Agora você vai iniciar: Montagem e medição
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