Trilha de aprendizado · Nível 14 · Tutorial 4

Lista de componentes a partir do esquemático

Organizar uma lista de componentes coerente com o esquemático, distinguindo peças realmente equivalentes e registrando as especificações necessárias para identificá-las.

  • Nível: Intermediário
  • Duração: 12 min
  • 8 passos
Lista de componentes a partir do esquemático

O que você vai percorrer

  1. O que a BOM precisa representar Entenda a BOM como um documento rastreável entre o esquemático, as peças físicas e uma versão definida do circuito. 1 min
  2. Identificar cada peça sem ambiguidade Preencha campos rastreáveis para vincular cada referência a uma peça comercial, sem confundir valor, footprint, fabricante, MPN e códigos de fornecedor. 2 min
  3. Registrar o que o valor nominal não informa Documente as especificações que distinguem componentes de mesmo valor nominal e mantenha requisitos e peças selecionadas claramente separados. 2 min
  4. Definir o que entra na montagem Classifique posições montadas, DNP e recursos sem peça física para obter quantidades de montagem rastreáveis. 2 min
  5. Agrupar sem esconder diferenças Agrupe referências somente quando peça selecionada, especificações relevantes e estado de montagem forem iguais. 1 min
  6. Conferir alternativas antes de aceitar Avalie alternativas por evidências elétricas e físicas antes de registrá-las na BOM. 1 min
  7. Gerar e conferir a BOM no computador Gere uma lista local a partir do esquemático e confirme que campos, agrupamentos, estados de montagem e identificação de revisão foram preservados. 2 min
  8. Revisão final: do esquemático à lista consistente Audite uma BOM após uma mudança de montagem e confirme a rastreabilidade entre esquemático, especificações e lista revisada. 1 min

O que você vai aprender

  • Preencher os campos necessários para identificar cada peça.
  • Agrupar componentes sem perder diferenças de especificação.
  • Conferir quantidades e posições não montadas.
  • Gerar e revisar uma BOM local consistente com o circuito.

Antes de começar

  • Conectores e pontos de teste acessíveis
  • Tolerância dos resistores e limites de saída
  • Leitura de folhas de dados e dimensionamento de componentes.

Passo 1 de 8

O que a BOM precisa representar

Entenda a BOM como um documento rastreável entre o esquemático, as peças físicas e uma versão definida do circuito.

Da referência à lista

BOM: do desenho à peça física

Uma BOM (Bill of Materials, ou lista de materiais) é a relação das peças físicas necessárias para construir uma versão definida de um circuito, em uma configuração de montagem definida.

Ela não é apenas uma lista de valores como “10 kΩ” ou “100 nF”. A BOM deve permitir relacionar cada peça a uma ou mais referências que aparecem no esquemático e indicar o que será comprado ou separado para a montagem.

Diagrama conectando as referências R1, R2, C1 e J1 do esquemático às peças físicas e às linhas de uma lista de materiais.

A BOM preserva o caminho de conferência: referência do esquemático → peça física selecionada → linha da lista.

Dica

O símbolo no esquemático representa uma função elétrica; a peça comercial é o item físico escolhido; o footprint representa como essa peça será acomodada na placa. A BOM documenta a seleção das peças físicas, mantendo a ligação com as referências do esquemático.

Uma BOM sempre documenta uma versão

Exemplo

Exemplo de rastreabilidade

Considere este trecho de um circuito de interface simples. As referências identificam posições individuais no esquemático, mesmo quando duas posições usam peças iguais.

Esquemático, versão A:

  • R1 — resistor de 10 kΩ
  • R2 — resistor de 10 kΩ
  • C1 — capacitor de 100 nF
  • J1 — conector de 2 contatos

Uma BOM correspondente pode ter uma linha para os resistores, ligada às referências R1, R2, e linhas próprias para C1 e J1. A linha não substitui as referências: ela reúne e torna conferível o que aparece no circuito.

Atenção

A lista precisa de contexto

Versão do esquemático: A
Configuração de montagem: padrão

Uma BOM sem essa identificação pode ficar ambígua depois de uma alteração no circuito. A lista deve deixar claro a qual revisão do esquemático e a qual configuração de montagem ela corresponde.

Prática: seguir a rastreabilidade

Conecte os três níveis

Faça as associações para reconstruir a rastreabilidade de uma lista de materiais.

Associe cada elemento à sua função na rastreabilidade.

Relacione cada elemento à descrição correta.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Documentação não é validação

Limite importante da BOM

Uma BOM consistente melhora a documentação e a preparação da montagem, mas não prova que o circuito funciona, é seguro ou atende ao desempenho esperado. Essas questões exigem verificações próprias.

Nesta trilha, você usará seu projeto local no KiCad como base para organizar os dados, sem montar nem energizar o circuito. Os casos de conferência necessários serão apresentados nas telas, em texto e tabelas.

Em resumo

Ao revisar uma BOM, pergunte:

  1. Esta linha pode ser ligada a referências do esquemático?
  2. Ela corresponde à versão correta do circuito?
  3. A configuração de montagem está identificada?

Nos próximos passos, você detalhará a identificação das peças e os critérios para agrupá-las sem esconder diferenças relevantes.

Passo 2 de 8

Identificar cada peça sem ambiguidade

Preencha campos rastreáveis para vincular cada referência a uma peça comercial, sem confundir valor, footprint, fabricante, MPN e códigos de fornecedor.

Do símbolo à peça selecionada

A ficha de identificação da peça

Uma linha de BOM deve permitir sair de uma referência no esquemático e chegar a uma peça física específica. Para isso, registre nos símbolos ou na tabela de campos do KiCad dados consistentes:

  • Referência: identifica a posição, como R1 ou C3.
  • Valor: descrição nominal, como 10 kΩ.
  • Footprint: padrão físico associado à placa.
  • Fabricante: quem produz a peça escolhida.
  • MPN: código exato do fabricante.

A quantidade não é uma propriedade de uma referência isolada: ela será calculada para a linha da lista a partir das referências que pertencem àquela mesma peça.

Diagrama que conecta uma referência do esquemático aos campos de identificação da peça e mostra duas referências formando uma quantidade de duas unidades.

Referência identifica a posição; os demais campos identificam a peça selecionada. A quantidade vem da contagem das referências na linha.

Código exato, campo correto

MPN não é valor nem código de loja

O MPN (Manufacturer Part Number) é o código pelo qual o fabricante identifica uma variante exata. Não encurte nem descarte sufixos: eles podem indicar encapsulamento, embalagem, faixa de temperatura ou outra versão.

Compare estes tipos de informação:

  • Nome genérico: “resistor de 10 kΩ”. Descreve uma família, não uma peça única.
  • Valor: “10 kΩ”. É apenas uma característica nominal.
  • Footprint: “Resistor_SMD:R_0603_1608Metric”. Define a interface física na placa; não é o código comercial.
  • MPN: por exemplo, “ERJ-3EKF1002V”. Identifica a peça do fabricante.
  • Código do distribuidor: identificador usado por uma loja ou catálogo. Pode ajudar na compra, mas não substitui o MPN.

Exemplo

Exemplo

Exemplo de registro local para a referência R1:

Referência: R1
Valor: 10 kΩ
Footprint: Resistor_SMD:R_0603_1608Metric
Fabricante: Panasonic
MPN: ERJ-3EKF1002V

O fabricante e o MPN juntos tornam a seleção rastreável. Copiar o código de um distribuidor para o campo MPN cria ambiguidade, pois o código não é a identificação oficial da peça.

Dica

Consistência nos campos

Na tabela de campos ou nas propriedades dos símbolos, use os mesmos nomes de coluna em todo o projeto, por exemplo: Fabricante e MPN. Se uma informação vier de uma fonte comercial, preserve o MPN no campo próprio e, se necessário, registre o código de fornecedor em um campo separado.

Registro honesto e verificação

Quando a peça ainda não foi selecionada

Nem toda referência já terá uma peça comercial escolhida. Nesse caso, mantenha a lacuna explícita: preencha o que já é conhecido e registre que a seleção está pendente. Não invente fabricante ou MPN para fazer a lista parecer concluída.

Exemplo de posição ainda em seleção:

Referência: C5
Valor: 100 nF
Footprint: Capacitor_SMD:C_0603_1608Metric
Fabricante: não selecionado
MPN: não selecionado

Isso é mais útil para uma revisão do que um código plausível, porém incorreto.

Qual campo recebe o código?

Complete a identificação que corresponde ao código exato da peça escolhida pelo fabricante:

Referência: R1
Valor: 10 kΩ
Footprint: Resistor_SMD:R_0603_1608Metric
Fabricante: Panasonic
_ : ERJ-3EKF1002V

Preencha a lacuna com o nome do campo adequado.

Passo 3 de 8

Registrar o que o valor nominal não informa

Documente as especificações que distinguem componentes de mesmo valor nominal e mantenha requisitos e peças selecionadas claramente separados.

O que falta depois do valor

Valor é só o começo

Mesmo valor não significa mesma peça

O valor nominal descreve apenas uma característica. Duas linhas de 10 kΩ podem exigir peças diferentes: uma pode ser de 1%, 0,1 W e 0603; outra, de 5%, 0,25 W e THT. Elas não devem ser tratadas como a mesma seleção só porque ambas dizem “10 kΩ”.

Na BOM, registre as características que permitem conferir a escolha feita para aquele circuito. Isso torna a lista útil para compra, montagem e revisão — sem recalcular aqui o dimensionamento já definido.

Mesmo valor, especificações distintas

Comparação visual entre dois resistores de mesmo valor nominal, mas com encapsulamento, tolerância e potência diferentes.

O valor nominal não reúne, por si só, todas as condições necessárias para identificar uma peça.

Descrição verificável

Requisito ≠ peça escolhida

Registre requisitos e características selecionadas em campos distintos ou em uma descrição padronizada. O importante é que fique claro o que o circuito pede e qual peça foi escolhida.

Use unidades explícitas e uma escrita consistente: 1%, 0,1 W, 50 V, X7R, 0805, passo 2,54 mm. Evite descrições vagas como “capacitor bom” ou “conector pequeno”.

Exemplo

Exemplo

Exemplo de registro para uma linha de BOM:

Referências: R1, R2
Requisito do circuito: 10 kΩ, tolerância até 1%, potência mínima 0,1 W
Peça selecionada: resistor SMD 10 kΩ, ±1%, 0,1 W, 0603

O requisito expressa o limite aplicável; a característica da peça informa o que foi selecionado. Se a peça atender com margem, isso não muda o requisito documentado.

O que registrar

Características normalmente necessárias além do valor nominal

Inclua somente atributos que diferenciem a seleção ou sejam relevantes para a montagem.
FamíliaValor nominalCaracterísticas a registrar
ResistorResistênciaTolerância, potência, encapsulamento
CapacitorCapacitânciaTensão admissível, tolerância, tecnologia ou dielétrico, encapsulamento
Conector—Contatos, passo, orientação, tipo de montagem
CIFunção ou códigoEncapsulamento e variante relevante

Praticar a leitura de especificações

Prática local: complete as especificações

Use os trechos abaixo como dados de especificação para completar localmente os campos ou a descrição dos símbolos no seu projeto. Não é necessário procurar nem baixar documentos.

  • R3: “4,7 kΩ; ±1%; 0,125 W; 0805”
  • C4: “100 nF; ±10%; 50 V; cerâmico X7R; 0603”
  • J1: “Conector de 3 contatos; passo 2,54 mm; THT; vertical”

Registre esses dados com os mesmos nomes de campo e unidades que você escolheu usar no restante do projeto.

Complete a descrição

Associe cada componente à informação que sua descrição ainda precisa conter.

Verificação

Associe cada família ao conjunto de características que completa sua identificação.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Antes de seguir

Checklist de registro

Ao revisar uma linha da BOM, pergunte:

  1. O valor nominal está acompanhado das características que diferenciam a peça?
  2. As unidades e descrições estão claras e consistentes?
  3. Está separado o requisito do circuito da característica da peça selecionada?
  4. O campo permite reconhecer a seleção sem depender de uma interpretação informal?

Ainda não decida se duas peças podem ser substituídas ou agrupadas: esses critérios serão tratados nos próximos passos.

Dica

Em resumo

  • Valor nominal não identifica sozinho uma peça.
  • Resistores pedem, em geral, tolerância e potência; capacitores podem exigir tensão, tolerância e dielétrico.
  • Conectores exigem dados físicos de interface, como contatos, passo e orientação.
  • Requisito do circuito e característica da peça selecionada são informações diferentes.
  • Unidades explícitas e descrições padronizadas facilitam a revisão da BOM.

Passo 4 de 8

Definir o que entra na montagem

Classifique posições montadas, DNP e recursos sem peça física para obter quantidades de montagem rastreáveis.

Classifique antes de contar

Posição não é sinônimo de peça

Uma posição no esquemático não é automaticamente uma peça a montar. Para conferir a BOM, separe três casos:

  • Peça montada: exige um item físico, como um conector, resistor, circuito integrado ou terminal de teste comercial.
  • Posição DNP: existe no esquemático e no footprint, mas foi definida como não montar naquela configuração.
  • Recurso sem peça física: por exemplo, um pad de teste criado no cobre da placa. Ele pode aparecer como ponto de acesso, mas não requer compra nem montagem de um componente separado.

O esquemático preserva as posições; a BOM deve deixar claro quais delas entram na montagem atual.

Quatro situações na placa

Ilustração de uma placa com conector e terminal de teste montados, um pad de teste sem peça e um footprint de resistor vazio.

Conector e terminal comercial são peças; pad no cobre não é; footprint vazio pode representar uma posição DNP.

Dica

DNP preserva a rastreabilidade

DNP significa do not populate: não montar. Não apague a posição só para reduzir a contagem. Manter a referência, o valor, o footprint e o estado DNP documenta que a ausência é intencional.

Uma posição DNP pode continuar na BOM com uma coluna como Montar = Não ou Estado = DNP. Já uma posição pode ser excluída da BOM de compra quando não representa uma peça física, como um pad de teste no cobre. O critério é a peça existir ou não, e não apenas ela aparecer no esquemático.

Conte peças, não símbolos ou pads

Caso de conferência

Considere esta configuração de montagem. A coluna Peça física? indica se há algo a adquirir ou montar; a coluna Montar? registra a configuração atual.

Cada referência física é analisada separadamente antes de obter a quantidade de montagem.
ReferênciaDescriçãoPeça física?Montar?
R1Resistor 10 kΩSimSim
R2Resistor 10 kΩSimNão (DNP)
U1Amplificador operacional duploSimSim
J1Conector de 2 contatosSimSim
TP1Terminal de teste comercialSimSim
TP2Pad de teste no cobreNão—

Exemplo

Como a contagem é obtida

A quantidade de montagem é 4 peças: R1, U1, J1 e TP1.

Não some R2, pois está DNP. Não some TP2, pois é somente cobre da placa. E conte U1 como uma peça, mesmo que o símbolo represente duas unidades funcionais do mesmo circuito integrado. A referência física única é U1; não há uma peça para cada unidade interna do símbolo.

Registre o estado nos dados de origem

Nos campos locais do KiCad, mantenha uma indicação consistente de montagem e de inclusão na BOM para cada símbolo. Os nomes e a tela exata variam conforme a versão, mas o resultado deve ser verificável: a posição DNP continua identificável e o pad sem peça não aparece como item de compra.

Evite apagar footprint ou referência de uma posição DNP apenas para ocultá-la. Isso enfraquece a ligação entre esquemático, placa e lista.

Prática rápida

Verifique a contagem

No caso apresentado, complete a quantidade de peças a montar. Considere somente posições com peça física e marcadas para montagem.

Quantidade de peças a montar: ____

Passo 5 de 8

Agrupar sem esconder diferenças

Agrupe referências somente quando peça selecionada, especificações relevantes e estado de montagem forem iguais.

O grupo representa peças equivalentes

O que significa agrupar

Agrupar não é apenas encurtar a lista: é reunir referências que correspondem à mesma peça selecionada, com as mesmas especificações relevantes e o mesmo estado de montagem.

Assim, uma linha agrupada precisa continuar respondendo a duas perguntas:

  1. Quais posições do esquemático ela representa?
  2. Quantas peças devem ser montadas?

Valor nominal igual, sozinho, não prova que duas referências podem ocupar a mesma linha. Também não basta coincidirem valor e footprint: tolerância, potência, tensão admissível, dielétrico, fabricante, MPN ou estado DNP podem exigir linhas separadas.

Da referência ao grupo correto

Comparação entre lista por referência, agrupamento que mistura diferenças e agrupamento que preserva especificação e estado de montagem.

Uma linha da BOM só pode unir referências quando a peça e as condições de montagem coincidem.

O que precisa coincidir

Critérios de comparação

Use estes critérios para decidir se referências entram na mesma linha. A comparação deve considerar os campos que identificam a peça e as características que importam para aquela família.

Diferenças em qualquer critério relevante pedem linhas separadas.
CritérioPode ficar no mesmo grupo quando...Exemplo de motivo para separar
Fabricante e MPNsão exatamente os mesmosmesmo resistor genérico, mas MPNs diferentes
Footprinté o mesmo footprint associadoum é 0603 e outro é 0805
Especificação relevantetodos os limites e características coincidem10 kΩ com tolerâncias ou potências diferentes
Estado de montagemtodos têm o mesmo estadoR4 é DNP; R1 a R3 são montados
Valor nominalcoincide junto aos demais critérios1 µF cerâmico com dielétricos distintos quando isso foi registrado

Exemplo

Exemplo: mesmos 10 kΩ, grupos diferentes

Considere quatro resistores do esquemático:

  • R1 e R2: 10 kΩ, ±1%, 0,1 W, 0603, MPN RC0603FR-0710KL, montados.
  • R3: 10 kΩ, ±5%, 0,1 W, 0603, MPN RC0603JR-0710KL, montado.
  • R4: 10 kΩ, ±1%, 0,1 W, 0603, MPN RC0603FR-0710KL, DNP.

Uma BOM correta mantém três linhas: R1, R2 com quantidade 2; R3 com quantidade 1; e R4 com quantidade 0 a montar, identificado como DNP. Embora todos tenham 10 kΩ e footprint 0603, R3 tem outra especificação/MPN e R4 tem outro estado de montagem.

Prática: confira referências e quantidades

Escolha a BOM consistente

Para cada possível grupo, confira primeiro as referências e os campos; só depois leia a quantidade. Qual opção registra corretamente o conjunto R1 a R4 do exemplo?

Use as informações da tela anterior.
ReferênciasQuantidade a montarEstado e identificação
R1, R22Montados; RC0603FR-0710KL
R31Montado; RC0603JR-0710KL
R40DNP; RC0603FR-0710KL

Qual agrupamento deve aparecer na BOM?

Passo 6 de 8

Conferir alternativas antes de aceitar

Avalie alternativas por evidências elétricas e físicas antes de registrá-las na BOM.

O critério para aceitar uma alternativa

Alternativa é candidata, não garantia

Uma alternativa não é automaticamente equivalente porque tem o mesmo nome, valor nominal ou aparência. Ela é um candidato: só pode ser registrada depois de confrontar seus dados documentados com os requisitos já definidos para a posição.

A conferência reúne duas partes:

  • Elétrica: valor, tolerância, potência, tensão ou demais características exigidas.
  • Física: pinagem, encapsulamento, dimensões e correspondência com o footprint associado.

Além de atender aos requisitos, o candidato precisa ser identificável por fabricante e MPN. Não complete lacunas por suposição.

Duas conferências para a mesma alternativa

Diagrama mostrando que uma alternativa só é aceita quando os requisitos elétricos e físicos da posição são atendidos e documentados.

O candidato precisa ter identificação comercial e passar simultaneamente pela conferência elétrica e física.

Atenção

Cuidado com dados incompletos

Ausência de informação não é confirmação de compatibilidade. Se faltar um dado necessário — como potência, dimensão relevante, correspondência entre terminais e pads ou MPN — mantenha o candidato como não verificado. Não o registre como alternativa aprovada.

Comparar requisitos e candidatos

Caso de comparação: posição R7

Considere a posição R7. A peça selecionada é Yageo RC0805FR-0710KL, resistor de 10 kΩ, ±1%, 0,125 W, com footprint Resistor_SMD:R_0805_2012Metric.

O footprint tem dois pads, identificados como 1 e 2. O desenho de referência usa pads de 1,15 × 1,40 mm, separados por um vão interno de 0,80 mm, para um corpo 0805 de aproximadamente 2,0 × 1,25 mm. Os terminais elétricos 1 e 2 da peça devem alcançar, respectivamente, os pads 1 e 2.

Compare somente os dados fornecidos nesta tela. Não é preciso procurar componentes nem alterar o circuito.

Dados documentados dos candidatos

Cada candidato tem fabricante e MPN; a decisão ainda depende dos requisitos elétricos e da compatibilidade física documentada.

R7 exige: 10 kΩ, tolerância máxima de ±1%, potência mínima de 0,125 W e compatibilidade com o footprint 0805 descrito.
CandidatoFabricante e MPNDados elétricosCorpo / terminaisEvidência para o footprint
APanasonic ERJ-6ENF1002V10 kΩ, ±1%, 0,125 W0805; 2,0 × 1,25 mm; terminais 1 e 2Land pattern recomendado: pads 1,15 × 1,40 mm, vão 0,80 mm; terminal 1→pad 1 e 2→pad 2
BYageo RC0805JR-0710KL10 kΩ, ±5%, 0,125 W0805; 2,0 × 1,25 mm; terminais 1 e 2Land pattern e correspondência 1→1, 2→2 compatíveis com o footprint de R7
CVishay CRCW060310K0FKEA10 kΩ, ±1%, 0,1 W0603; 1,55 × 0,85 mm; terminais 1 e 2Land pattern recomendado: pads 0,95 × 1,10 mm, vão 0,65 mm; não há compatibilidade declarada com os pads de R7
DKOA RK73H2ATTD1002F10 kΩ, ±1%; potência não informada0805; 2,0 × 1,25 mm; terminais 1 e 2Land pattern e correspondência 1→1, 2→2 compatíveis com o footprint de R7

A geometria faz parte da evidência

Comparação entre um resistor 0805 alinhado aos pads do footprint de R7 e um resistor 0603 com land pattern diferente.

Dois terminais não bastam: o corpo, os pads, o vão e a correspondência dos terminais precisam ser compatíveis e documentados.

Registro sem dupla contagem

Ao aprovar uma alternativa, registre-a em campo separado, como Alternativa aprovada, preservando também o fabricante e o MPN da peça selecionada. A alternativa é uma opção para a mesma posição R7: ela não cria outra referência nem aumenta a quantidade da BOM.

Se os dados forem insuficientes, registre o candidato como pendente de conferência ou não o inclua como aprovado. Uma alternativa não verificada não deve ser usada para justificar agrupamento ou contagem.

Decidir sem presumir equivalência

Decida com base nas evidências

Classifique cada candidato de R7 usando apenas os dados fornecidos. Diferencie falha elétrica, incompatibilidade física documentada e falta de evidência.

Classifique os candidatos

Relacione cada candidato ao resultado correto da conferência.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Passo 7 de 8

Gerar e conferir a BOM no computador

Gere uma lista local a partir do esquemático e confirme que campos, agrupamentos, estados de montagem e identificação de revisão foram preservados.

Preparar a geração local

Prepare os campos na origem

A BOM deve ser gerada a partir do esquemático atual, que continua sendo a fonte dos campos e atributos. No Editor de Esquemáticos do KiCad, use este caminho principal para preparar os dados:

  1. Abra Ferramentas > Editar campos dos símbolos.
  2. Exiba as colunas Referência, Valor, Footprint, Fabricante, MPN e o campo de montagem que você adotou, como Montar ou Estado.
  3. Confira se cada posição DNP está identificada e se itens sem peça física estão marcados para não entrar na BOM, conforme a configuração do projeto.
  4. Corrija ali qualquer campo ausente ou inconsistente e salve o esquemático.

A tabela de campos permite revisar a origem dos dados antes de agrupá-los. Ela não substitui a conferência da lista resultante.

Fluxo local: campos, agrupamento e CSV

Diagrama de uma tabela de campos do esquemático passando por opções de agrupamento e DNP até uma tabela CSV agrupada.

A aparência da interface pode variar, mas o resultado precisa preservar os campos, o agrupamento, o estado de montagem e as referências.

Dica

Identifique a versão da lista

A lista aceita deve trazer uma identificação da sua origem, por exemplo: Rev. B — montagem padrão. A revisão identifica qual esquemático forneceu os dados; a configuração informa quais posições estão previstas para montagem.

Uma BOM consistente documenta peças e estados de montagem. Ela não verifica conexões elétricas, desempenho ou segurança do circuito.

Gerar sem esconder diferenças

Caminho principal: configurar o gerador

Com os campos conferidos, abra o recurso de BOM da sua instalação pelo menu Ferramentas > Gerar BOM. Em versões que apresentem um gerador ou predefinição local, selecione uma saída tabular CSV disponível e abra as opções antes de gerar.

Configure o resultado assim:

  1. Colunas: referências, quantidade, valor, footprint, fabricante, MPN e estado de montagem.
  2. Agrupamento: use os campos que definem a mesma peça e o mesmo estado: valor, footprint, fabricante, MPN, especificações relevantes e montagem/DNP. Não agrupe apenas pelo valor.
  3. Referências e quantidade: mantenha-as como resultado visível do grupo, não como motivo para unir peças diferentes.
  4. DNP e exclusões: mantenha DNP visível se ele precisa ser documentado, mas com quantidade de montagem zero; exclua somente posições sem peça física ou marcadas para exclusão.
  5. Gere a prévia e confira antes de exportar.

Alternativa: tabela de campos

Se sua versão não oferecer um gerador CSV local com essas opções, use a alternativa completa:

  1. Em Ferramentas > Editar campos dos símbolos, deixe visíveis os mesmos campos.
  2. Ordene ou filtre a tabela para localizar DNP e exclusões.
  3. Exporte ou copie os dados tabulares pelo recurso disponível nessa tabela e abra-os localmente em uma planilha ou editor de texto.
  4. Agrupe somente linhas com campos de identificação e estado iguais; mantenha a lista de referências e a quantidade calculada.
  5. Salve a cópia como CSV e identifique nela a revisão e a configuração.

Essa alternativa não cria uma segunda fonte de verdade: se detectar um erro, volte ao símbolo no esquemático, corrija o campo e produza novamente a tabela.

Critérios visíveis no resultado

Use esta conferência antes de aceitar a prévia ou o CSV. Os nomes dos comandos variam entre versões; os dados esperados não.

Conferência mínima de uma BOM para montagem.
AspectoO que conferirResultado esperado
ColunasReferências, quantidade, identificação e montagemCada linha pode ser ligada à peça e às posições
AgrupamentoMPN, footprint, especificações e estadoSó referências realmente equivalentes ficam juntas
DNPEstado explícito e quantidade de montagemRastreável, sem entrar na contagem a montar
ExclusãoExistência de peça físicaPad de teste no cobre não vira compra fictícia
MPN no CSVFormato de textoZeros e sufixos permanecem intactos

Exportar, conferir e atualizar

Inspecione o CSV e volte à origem

Ao exportar em CSV, abra o arquivo localmente primeiro em um editor de texto ou importe-o em uma planilha como dados delimitados. Confirme o separador usado — vírgula, ponto e vírgula ou tabulação — e veja se cada campo ficou em sua própria coluna.

Trate MPN como texto. Assim, um código como 00123-A ou um MPN com hífen não é alterado para número, data ou notação científica. Se a planilha mudar um código, corrija a importação ou o formato da coluna antes de salvar.

Se houver referência ausente, quantidade errada, DNP misturado a montado ou agrupamento indevido, não edite somente a cópia exportada. Corrija os campos ou atributos do esquemático e gere a lista novamente.

Fluxo de atualização

Coloque em ordem o fluxo que mantém a BOM alinhada ao esquemático após encontrar uma mudança ou divergência.

Sequência correta

Ordene as ações de revisão da BOM.

  1. Conferir campos, referências, grupos, estados DNP e quantidades do resultado.
  2. Regenerar ou reexportar a BOM local com as opções conferidas.
  3. Associar o resultado aceito à revisão e à configuração de montagem.
  4. Identificar uma mudança ou divergência na BOM ou no circuito.
  5. Corrigir os campos ou atributos correspondentes no esquemático.

Relatar a conferência

Conferência local de uma linha

Gere ou visualize a BOM do seu projeto local e escolha qualquer linha: ela pode ter uma única referência, várias referências ou ser DNP. Relate: (1) as referências, (2) a quantidade mostrada, (3) o MPN ou o estado de montagem que justifica a linha e (4) a revisão/configuração que deve acompanhar a lista.

Se ainda não houver uma linha apropriada no seu projeto, use este caso da tela: R1, R2 — quantidade 2 — MPN RC0603FR-0710KL — montados. A identificação proposta é Rev. B — montagem padrão.

Escreva pelo menos 50 caracteres (0/50).

Passo 8 de 8

Revisão final: do esquemático à lista consistente

Audite uma BOM após uma mudança de montagem e confirme a rastreabilidade entre esquemático, especificações e lista revisada.

Caso de auditoria

O caso e a configuração de montagem

Caso final: revisão B

Você vai auditar a BOM de uma pequena interface. A mudança documentada da revisão A para a revisão B foi: C2 deixou de ser montado e passou a DNP.

No esquemático da revisão B, R1, R2, C1 e J1 são posições montadas. C2 continua no desenho, com footprint e identificação, para preservar uma opção de montagem. TP1 é apenas um pad de teste no cobre: não há componente comercial associado.

A auditoria tem dois sentidos: localizar cada peça montada na BOM e, no sentido inverso, justificar cada linha da BOM pelas referências do esquemático.

Posições da revisão B

Diagrama com R1, R2, C1 e J1 montados, C2 marcado como DNP e TP1 mostrado como pad de teste no cobre.

C2 permanece rastreável como posição DNP. TP1 é acesso no cobre, não uma peça de compra.

Dados de origem no esquemático

Dados que devem permanecer associados às posições da revisão B. O código de J1 corresponde a um conector Molex KK-254 vertical, THT, de duas vias e passo de 2,54 mm, compatível com o footprint indicado.

Quantidade e estado de montagem são informações distintas.
ReferênciaQtd. montarEstado de montagemValor e especificaçõesFootprintFabricante / MPN
R1, R22Montar10 kΩ, ±1%, 0,1 WResistor_SMD:R_0603_1608MetricYageo / RC0603FR-0710KL
C11Montar100 nF, ±10%, 16 V, X7RCapacitor_SMD:C_0603_1608MetricMurata / GRM188R71C104KA01D
C20DNP100 nF, ±5%, 50 V, C0GCapacitor_SMD:C_0603_1608MetricMurata / GRM1885C1H104JA01D
J11Montar2 contatos, passo 2,54 mm, THT, verticalConnector_Molex:Molex_KK-254_AE-6410-02A_1x02_P2.54mm_VerticalMolex / 22-27-2021
TP10Sem peça físicaPad de teste no cobre, diâmetro 1,0 mmTestPoint:TestPoint_Pad_D1.0mmNão se aplica / Sem peça física

Encontrar o que não corresponde

BOM recebida para revisão

A lista recebida contém quatro divergências deliberadas:

  1. agrupa C1 e C2, embora tenham especificações e MPNs diferentes;
  2. atribui ao grupo a identificação de C1, ocultando a identificação própria de C2;
  3. informa quantidade 2 e estado Montar para o grupo, embora C2 seja DNP na revisão B;
  4. não informa a revisão do esquemático nem a configuração de montagem.

C1 e C2 têm o mesmo fabricante, Murata, mas isso não torna as peças equivalentes. R1 e R2 podem permanecer agrupados: possuem a mesma seleção, especificações relevantes e estado de montagem.

Lista a corrigir

A coluna de estado está presente, mas o estado aplicado ao grupo C1, C2 está incorreto. Compare cada linha com os dados de origem.

BOM recebida — revisão e configuração não informadas.
ReferênciasQuantidadeEstado de montagemValor e especificaçõesFootprintFabricante / MPN
R1, R22Montar10 kΩ, ±1%, 0,1 WResistor_SMD:R_0603_1608MetricYageo / RC0603FR-0710KL
C1, C22Montar100 nF, ±10%, 16 V, X7RCapacitor_SMD:C_0603_1608MetricMurata / GRM188R71C104KA01D
J11Montar2 contatos, passo 2,54 mm, THT, verticalConnector_Molex:Molex_KK-254_AE-6410-02A_1x02_P2.54mm_VerticalMolex / 22-27-2021

Dica

Como localizar as divergências

Compare cada linha com o esquemático, não apenas com o valor nominal. C1 e C2 são ambos de 100 nF e usam 0603, mas diferem em tolerância, tensão admissível, dielétrico e MPN. C2 deve continuar documentado como DNP, com quantidade de montagem zero. TP1 não entra como linha de compra porque é cobre da própria placa.

Corrigir e justificar

Aplicação final

Registre as correções da BOM recebida. Inclua:

  • como C1 e C2 devem ser separados e identificados;
  • a quantidade e o estado de montagem de cada um;
  • o tratamento de TP1;
  • a identificação de revisão e configuração que deve acompanhar a lista.

Use somente os dados deste caso. Não é necessário procurar peças, alterar o circuito ou testar conexões.

Escreva pelo menos 180 caracteres (0/180).

Fechar a revisão

BOM revisada

Depois de corrigir os campos na origem e regenerar a lista local, este é o resultado esperado para Rev. B — montagem padrão. C2 fica documentado, porém sua quantidade de montagem é zero. TP1 permanece fora da BOM por não ser uma peça física.

BOM revisada — Rev. B, montagem padrão.
ReferênciasQuantidadeEstado de montagemValor e especificaçõesFootprintFabricante / MPN
R1, R22Montar10 kΩ, ±1%, 0,1 WResistor_SMD:R_0603_1608MetricYageo / RC0603FR-0710KL
C11Montar100 nF, ±10%, 16 V, X7RCapacitor_SMD:C_0603_1608MetricMurata / GRM188R71C104KA01D
C20DNP100 nF, ±5%, 50 V, C0GCapacitor_SMD:C_0603_1608MetricMurata / GRM1885C1H104JA01D
J11Montar2 contatos, passo 2,54 mm, THT, verticalConnector_Molex:Molex_KK-254_AE-6410-02A_1x02_P2.54mm_VerticalMolex / 22-27-2021

Critérios para encerrar a revisão

A lista é aceita quando a auditoria funciona nos dois sentidos.

Conferência final do caso.
ConferênciaResultado no caso
Peças montadas localizadas na BOMR1, R2, C1 e J1 aparecem; total a montar: 4.
Linhas justificadas no esquemáticoCada linha aponta para referências existentes.
Diferenças preservadasC1 e C2 estão separados por especificações e MPN.
Estados documentadosC2 é DNP; TP1 é sem peça física e fica excluído.
Origem identificadaRev. B — montagem padrão.

Resumo

Resumo

  • Registre referência, especificações, footprint, fabricante, MPN, quantidade e estado de montagem.
  • Agrupe apenas referências da mesma peça selecionada e do mesmo estado.
  • Some somente peças físicas previstas para montagem; documente DNP e exclusões.
  • Corrija os dados no esquemático e regenere a BOM local após cada mudança.
  • Uma BOM consistente documenta o circuito, mas não confirma conexões elétricas nem desempenho.

Próximo passo

Você concluiu a revisão de uma BOM a partir do esquemático: identificou peças, preservou diferenças de especificação, tratou uma posição DNP e conferiu quantidades por referência.

No próximo tutorial, a atenção passa para a verificação elétrica das conexões no esquemático. Uma BOM consistente continua sendo documentação e não substitui essa verificação.

Tutorial concluído

Parabéns! Você concluiu: Lista de componentes a partir do esquemático

Revisão concluída: sua lista de componentes pode refletir uma configuração de montagem identificada.

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