Trilha de aprendizado · Nível 7 · Tutorial 8

Dimensionamento de filtros ativos de primeira ordem

Dimensionar filtros ativos passa-baixas e passa-altas de primeira ordem e usar suas funções de transferência para calcular ganho, atenuação e fase em frequências de interesse.

  • Nível: Intermediário
  • Duração: 25 min
  • 9 passos
Dimensionamento de filtros ativos de primeira ordem

O que você vai percorrer

  1. Escolher o filtro e reconhecer sua estrutura Escolha a topologia passa-baixas ou passa-altas e reconheça a rede RC seguida do estágio ativo. 3 min
  2. Modelar a resposta passa-baixas Use a transferência passa-baixas de primeira ordem para calcular o ganho de amplitude em uma frequência. 3 min
  3. Modelar a resposta passa-altas Use a rede RC passa-altas para calcular o ganho em módulo e manter uma polarização válida na entrada do estágio ativo. 2 min
  4. Dimensionar R, C e ganho de passagem Selecione valores comerciais para R, C e para o estágio de ganho, mantendo separados o corte da rede RC e o ganho de passagem. 3 min
  5. Calcular ganho e atenuação nas frequências de interesse Calcule módulo, ganho absoluto e atenuação relativa sem confundir as referências em decibéis. 2 min
  6. Interpretar e calcular a fase Determine a fase de filtros ativos passa-baixas e passa-altas de primeira ordem e interprete avanço ou atraso entre senoides. 2 min
  7. Verificar impedâncias e tolerâncias Estime o efeito da resistência da fonte e das tolerâncias antes de confiar no corte e no ganho nominais. 3 min
  8. Confirmar que o amplificador não domina a resposta Valide banda, slew rate e limites elétricos do amplificador para que a resposta RC dimensionada permaneça válida na faixa de uso. 3 min
  9. Aplicação final: dimensionar e justificar um filtro Aplique o dimensionamento, a análise de tolerâncias e a validação do amplificador em um caso completo de filtro passa-altas. 4 min

O que você vai aprender

  • Escolher uma configuração passa-baixas ou passa-altas a partir das frequências que devem ser preservadas.
  • Dimensionar R, C e ganho de passagem para uma frequência de corte especificada.
  • Calcular o módulo da transferência e a atenuação em frequências selecionadas.
  • Interpretar a fase da resposta a partir da função de transferência.
  • Verificar se impedâncias, tolerâncias e limites do amplificador permitem usar o modelo adotado.

Antes de começar

  • Ganho em decibéis e resposta em frequência
  • Banda passante e slew rate do amplificador operacional
  • Dimensionamento do amplificador não inversor
  • Impedância em circuitos RC e RL
  • Operações com números complexos

Passo 1 de 9

Escolher o filtro e reconhecer sua estrutura

Escolha a topologia passa-baixas ou passa-altas e reconheça a rede RC seguida do estágio ativo.

Escolha pela região que importa

Comece pelas frequências úteis

Um filtro escolhe quais variações do sinal devem chegar à saída com pouca alteração e quais devem ser reduzidas. A escolha começa pelo requisito:

  • Passa-baixas: preserve frequências abaixo da região de corte e atenue frequências mais altas.
  • Passa-altas: preserve frequências acima da região de corte e atenue frequências mais baixas.

Exemplo: para suavizar variações rápidas indesejadas em um sinal lento, use passa-baixas. Para remover uma componente contínua ou uma variação muito lenta antes de analisar mudanças rápidas, use passa-altas.

O que cada filtro privilegia

Comparação visual: o passa-baixas mantém a região de baixas frequências e reduz gradualmente as altas; o passa-altas faz o oposto.

A transição é gradual: frequência de corte não é uma fronteira de rejeição total.

Reconheça a posição de R e C

Dois blocos, duas funções

Nos dois casos, a estrutura tem dois blocos:

  1. Rede RC seletiva: é onde R e C fazem a resposta depender da frequência.
  2. Estágio ativo: um buffer ou amplificador não inversor recebe o nó da rede RC.

O estágio ativo reduz o carregamento sobre a rede seletiva e pode definir o ganho na faixa de passagem. Ele não transforma a resposta em uma chave: a redução fora da faixa útil continua sendo gradual.

As duas redes RC

Esquema comparando a rede passa-baixas, com resistor em série e capacitor para a referência, à rede passa-altas, com capacitor em série e resistor para a referência.

O nó entre os dois componentes alimenta a entrada não inversora do buffer ou amplificador.

Compare antes de ligar

Mapa rápido das topologias

Compare as topologias pela posição dos componentes em relação ao caminho do sinal e à referência.

A referência é o ponto em torno do qual o sinal é analisado e polarizado.
TopologiaComponente em sérieComponente entre nó e referênciaUso típico
Passa-baixasResistorCapacitorPreservar variações lentas
Passa-altasCapacitorResistorPreservar variações rápidas

Pratique a escolha

Decida a topologia

Associe cada requisito à topologia adequada.

Requisito: manter as variações de até algumas dezenas de hertz e reduzir interferências em frequência bem maior.

Qual topologia você escolheria? Justifique em uma frase.

Confira e delimite o modelo

Identifique a estrutura

Relacione cada descrição à topologia correspondente.

Descrição A: resistor no caminho do sinal e capacitor do nó para a referência.

Descrição B: capacitor no caminho do sinal e resistor do nó para a referência.

Escreva qual é passa-baixas e qual é passa-altas.

Dica

Hipóteses do modelo inicial

Nesta introdução, adotamos uma fonte e uma referência com impedâncias suficientemente baixas e uma entrada do amplificador com impedância suficientemente alta na faixa analisada. Essas hipóteses permitem que a rede RC determine a seleção de frequências. Mais adiante, você verificará quando elas deixam de ser adequadas.

Passo 2 de 9

Modelar a resposta passa-baixas

Use a transferência passa-baixas de primeira ordem para calcular o ganho de amplitude em uma frequência.

Da rede RC à transferência

Transferência das variações

No passa-baixas ativo, a rede RC entrega ao estágio ativo uma variação de tensão que depende da frequência. O estágio, com ganho de passagem K, amplifica essa variação sem alterar a forma básica da seleção feita por R e C.

Definimos a transferência como:

H(f) = Ṽ_saida / Ṽ_entrada

Os símbolos com til representam fasores das variações do sinal em torno das polarizações. Portanto, H(f) não compara os níveis contínuos totais de entrada e saída. Se ambos os sinais estiverem centrados em uma referência contínua, essa referência não entra no cálculo de H(f).

Estrutura analisada

Diagrama de uma rede com resistor em série e capacitor para a referência, seguida por um amplificador não inversor de ganho K.

A rede RC determina a fração do sinal que chega ao amplificador; o estágio ativo estabelece o ganho de passagem K.

Corte e ganho de amplitude

Função de transferência

Com a entrada do amplificador suficientemente alta em impedância, ela praticamente não carrega a rede RC. Pela divisão de impedâncias, a tensão no capacitor é:

Ṽ_RC / Ṽ_entrada = 1 / (1 + j f/f_c)

Multiplicando pelo ganho do estágio ativo, resulta:

H(f) = K / (1 + j f/f_c)

A frequência de corte ideal da rede é:

f_c = 1/(2πRC)

Essa expressão vale sob as hipóteses já adotadas: fonte e referência de baixa impedância e entrada do amplificador de alta impedância na faixa analisada.

Módulo e comportamento

O módulo, isto é, o ganho de amplitude na frequência f, é:

|H(f)| = K / √[1 + (f/f_c)²]

Use |H(f)| para calcular amplitudes: se a entrada tem amplitude Vₚ, a saída tem amplitude |H(f)| × Vₚ, usando a mesma convenção de amplitude nos dois sinais.

Em frequências muito menores que f_c, |H| se aproxima de K. Em frequências muito maiores, |H| diminui à medida que f aumenta. A componente contínua da fonte é transmitida pela rede RC passa-baixas; H(f), porém, descreve as variações de sinal.

Exemplo calculado

Exemplo

Exemplo no corte

Um passa-baixas tem K = 2 e f_c = 1 kHz. Determine o módulo em f = 1 kHz.

  1. Razão de frequência: f/f_c = 1 kHz / 1 kHz = 1.
  2. Substitua no módulo:

|H| = 2 / √(1 + 1²)

|H| = 2 / √2 ≈ 1,41

Assim, uma entrada de 100 mV de amplitude produz aproximadamente 141 mV de amplitude na saída. Apesar da queda no corte, o ganho absoluto ainda é maior que 1 porque o ganho de passagem é K = 2.

Verifique sua interpretação

Pratique o cálculo

Para um passa-baixas com K = 4, f_c = 2 kHz e frequência avaliada f = 6 kHz, complete o valor aproximado de |H(f)|.

Módulo acima do corte

|H(f)| ≈ ____

Passo 3 de 9

Modelar a resposta passa-altas

Use a rede RC passa-altas para calcular o ganho em módulo e manter uma polarização válida na entrada do estágio ativo.

Da rede RC à função de transferência

A transferência passa-altas

No passa-altas, o capacitor fica em série com o sinal. O nó depois dele alimenta a entrada não inversora do estágio ativo e se liga à referência por R. A saída da rede RC é, portanto, a tensão sobre R.

Para pequenas variações em torno da polarização, a divisão de impedâncias fornece:

H(f) = K × (j f/f_c)/(1 + j f/f_c)

com f_c = 1/(2πRC), sob as hipóteses de fonte com impedância baixa, referência firme e entrada do amplificador com impedância alta.

O fator K é o ganho de passagem do buffer ou amplificador não inversor que vem depois da rede RC.

O sinal e o caminho de polarização

Diagrama de uma rede passa-altas: capacitor em série, resistor do nó de entrada à referência e estágio ativo de ganho K; a variação do sinal atravessa o capacitor, mas a componente contínua não.

O resistor fixa o nó em torno da referência; o capacitor transfere apenas as variações do sinal.

Polarização e bloqueio de contínuo

Bloquear contínuo não é deixar o nó flutuar

O capacitor em série bloqueia a componente contínua que vem da fonte. Isso não significa que a entrada do amplificador — nem a saída — fique sem polarização.

O resistor R ligado à referência cria o caminho contínuo necessário para as correntes de polarização da entrada e define a tensão de repouso desse nó. Assim, a saída pode permanecer polarizada em torno da referência, enquanto recebe somente a parcela variável do sinal.

Sem esse resistor, o nó após o capacitor pode ficar flutuante. Na prática, pequenas correntes e fugas deslocariam sua tensão até um limite, comprometendo a operação linear.

Dica

Leitura física

Em frequências muito abaixo de f_c, o módulo tende a zero: as variações lentas são atenuadas. Acima de f_c, o módulo se aproxima de K, desde que o estágio ativo ainda possa ser aproximado pelo ganho escolhido nessa faixa.

Verifique a conexão

Qual conexão fornece o caminho contínuo de polarização para a entrada do amplificador em um passa-altas?

Escolha o esquema que representa um passa-altas com caminho de polarização válido.

Aplicar a expressão do módulo

Exemplo

Módulo abaixo do corte

O módulo da transferência é:

|H(f)| = K × (f/f_c) / √[1 + (f/f_c)²]

Exemplo: para K = 2, f_c = 1 kHz e f = 100 Hz:

f/f_c = 0,1

|H| = 2 × 0,1 / √(1 + 0,1²)
|H| = 0,2 / √1,01 ≈ 0,199

Logo, uma entrada de amplitude 100 mV nessa frequência produziria aproximadamente 19,9 mV de amplitude na saída. Use sempre a mesma convenção de amplitude para entrada e saída.

Calcule o módulo

Um passa-altas tem K = 3 e f_c = 2 kHz. Qual é o módulo |H| em f = 200 Hz? Arredonde para três casas decimais.

Síntese

Resumo

Essencial deste step

  • No passa-altas, considera-se a tensão sobre o resistor R da rede RC.
  • H(f) = K × (j f/f_c)/(1 + j f/f_c).
  • |H(f)| = K × (f/f_c)/√[1 + (f/f_c)²].
  • O capacitor bloqueia a componente contínua da fonte; R ligado à referência mantém a polarização do nó de entrada.
  • Abaixo do corte, o módulo diminui; acima dele, aproxima-se de K dentro da validade do estágio ativo.

Passo 4 de 9

Dimensionar R, C e ganho de passagem

Selecione valores comerciais para R, C e para o estágio de ganho, mantendo separados o corte da rede RC e o ganho de passagem.

Separar corte de ganho

Sequência de dimensionamento

Para as duas topologias estudadas, comece definindo a frequência de corte desejada, f_c, e o ganho de passagem, K. Em seguida, escolha um capacitor C disponível e calcule o resistor da rede seletiva:

R = 1/(2π f_c C)

O par R–C define o corte; o estágio não inversor define K. Essa separação permite ajustar cada objetivo sem misturar os resistores da rede RC com os resistores de realimentação.

Dois blocos, duas funções

Diagrama mostrando uma rede RC antes de um estágio ativo, com R e C separados visualmente de Rf e Rg.

A rede RC estabelece f_c; o buffer ou o amplificador não inversor estabelece o ganho de passagem K.

Dica

Escolhas possíveis

Um mesmo corte pode ser obtido com diversos pares de R e C. Por exemplo, reduzir C e aumentar R na mesma proporção mantém o valor nominal de RC. Neste momento, escolha valores comerciais próximos do cálculo; a influência de impedâncias e tolerâncias será verificada mais adiante.

Exemplo completo

Exemplo

Dimensionando a rede RC

Exemplo para um filtro passa-baixas ou passa-altas com f_c desejada de 1,0 kHz e ganho de passagem K = 3.

  1. Escolha C = 100 nF.
  2. Calcule R:

R = 1/(2π × 1000 × 100 nF) = 1,59 kΩ.

  1. Escolha o valor comercial próximo R = 1,6 kΩ.
  2. Recalcule o corte nominal obtido:

f_c = 1/(2π × 1,6 kΩ × 100 nF) = 995 Hz.

O valor obtido é próximo de 1,0 kHz e deve ser registrado como 995 Hz, não como exatamente 1,0 kHz.

Exemplo

Definindo o ganho de passagem

Para K = 3, use o estágio não inversor já conhecido:

K = 1 + R_f/R_g
R_f/R_g = K − 1 = 2

Uma escolha simples é R_g = 10 kΩ e R_f = 20 kΩ. Assim, K = 1 + 20 kΩ/10 kΩ = 3.

Se K = 1, use um buffer: a saída é realimentada diretamente à entrada inversora. Não há necessidade de R_f e R_g para estabelecer ganho unitário.

Resistores do circuito

Os símbolos R têm funções diferentes. Registre-os separadamente no projeto.

Não substitua o resistor R da rede seletiva pelos resistores de ganho.
SímboloFunçãoExemplo
RForma RC e define f_c junto com C1,6 kΩ
CForma RC e define f_c junto com R100 nF
R_gResistor inferior do ganho não inversor10 kΩ
R_fRealimentação do ganho não inversor20 kΩ

Pratique a sequência

Organize o dimensionamento

Coloque em ordem uma sequência adequada para dimensionar um filtro ativo de primeira ordem.

  1. Recalcular f_c com R e C escolhidos.
  2. Calcular R = 1/(2πf_cC) e selecionar um valor comercial próximo.
  3. Definir o estágio ativo: buffer para K = 1 ou R_f/R_g = K − 1 para K > 1.
  4. Definir f_c desejada e K desejado.
  5. Escolher um valor comercial ou disponível para C.

Aplique e confira

Registre um dimensionamento

Faça um registro nominal para um filtro com f_c desejada de 500 Hz e K = 2. Use C = 220 nF, R = 1,5 kΩ, R_g = 10 kΩ e R_f = 10 kΩ.

Informe: topologia escolhida (passa-baixas ou passa-altas, conforme o requisito que você imaginar), R, C, f_c recalculada, R_g, R_f e K recalculado. Use f_c = 1/(2πRC).

Escreva pelo menos 60 caracteres (0/60).

Passo 5 de 9

Calcular ganho e atenuação nas frequências de interesse

Calcule módulo, ganho absoluto e atenuação relativa sem confundir as referências em decibéis.

Medidas de resposta

Módulo, ganho e atenuação

Três formas de descrever a mesma resposta

Em uma frequência escolhida, calcule primeiro o módulo |H(f)|. Ele é o ganho de tensão absoluto: inclui o ganho de passagem K e o efeito de filtragem.

Se a entrada tem amplitude \(V_{in}\), a saída prevista é:

\[
V_{out}=|H(f)|\,V_{in}
\]

Use a mesma convenção nos dois valores: pico com pico, RMS com RMS ou pico a pico com pico a pico.

Em decibéis, há duas leituras diferentes:

  • Ganho absoluto: \(G_{dB}=20\log_{10}|H(f)|\). Compara saída e entrada.
  • Resposta relativa à passagem: \(G_{rel}=20\log_{10}(|H(f)|/K)\). Mostra somente a perda causada pelo filtro em relação ao patamar de passagem.
  • Atenuação relativa: \(A_{rel}=20\log_{10}(K/|H(f)|)\). É a mesma perda, escrita como número positivo.

Portanto, \(A_{rel}=-G_{rel}\).

O que cada medida compara

Diagrama de resposta de módulo de um passa-baixas com patamar K, valor K dividido por raiz de 2 no corte e saída de menor amplitude.

|H| compara saída e entrada; a resposta relativa compara |H| com o ganho de passagem K.

Exemplo: K maior que 1

Exemplo

Exemplo no corte

Considere um passa-baixas com \(K=4\), \(f_c=1\ \text{kHz}\), entrada de \(200\ \text{mV RMS}\) e frequência de interesse \(f=f_c\).

No corte, qualquer filtro de primeira ordem estudado aqui tem:

\[
|H(f_c)|=\frac{K}{\sqrt2}=\frac{4}{\sqrt2}=2{,}83
\]

Assim:

\[
V_{out}=2{,}83\times200\ \text{mV RMS}=566\ \text{mV RMS}
\]

O filtro ainda amplifica a entrada: seu ganho absoluto não é negativo.

Comparação em dB

Para o mesmo caso, as leituras em dB são diferentes porque usam referências diferentes.

No corte, a perda relativa é sempre 3,01 dB, independentemente de K.
GrandezaCálculoResultado
Ganho absoluto20 log10(2,83)+9,03 dB
Resposta relativa20 log10(2,83/4)−3,01 dB
Atenuação relativa20 log10(4/2,83)+3,01 dB

Dica

Atenção à referência

Dizer simplesmente “o ganho no corte é −3 dB” só é correto se o ganho de passagem for unitário, \(K=1\). Com \(K=4\), o ganho absoluto no corte é aproximadamente +9 dB, embora a resposta tenha caído 3 dB em relação à passagem.

Prática: reconhecer o valor no corte

Módulo no corte

Para um filtro com ganho de passagem \(K=5\), calcule o módulo exatamente na frequência de corte. Informe o resultado com duas casas decimais.

\[
|H(f_c)|=\frac{K}{\sqrt2}
\]

Calcule o módulo

Complete o valor numérico de \(|H(f_c)|\) para \(K=5\).

Aproximação e limite do corte

Inclinações por década

Longe do corte, as retas assintóticas ajudam a estimar a resposta:

  • No passa-baixas, acima de \(f_c\), ao aumentar a frequência por um fator de 10, a resposta relativa diminui cerca de 20 dB.
  • No passa-altas, abaixo de \(f_c\), ao aumentar a frequência por um fator de 10, a resposta relativa aumenta cerca de 20 dB.

Essas são aproximações úteis nas regiões afastadas do corte. Perto de \(f_c\), use as expressões exatas de módulo.

Passa-baixas e passa-altas

Comparação entre curvas de magnitude de um passa-baixas e um passa-altas, com inclinações de 20 dB por década nas regiões de rejeição.

As retas tracejadas representam aproximações assintóticas, não a curva exata perto do corte.

Verifique a interpretação

Verdadeiro ou falso: em um passa-baixas de primeira ordem, frequências acima de \(f_c\) são totalmente bloqueadas.

Passo 6 de 9

Interpretar e calcular a fase

Determine a fase de filtros ativos passa-baixas e passa-altas de primeira ordem e interprete avanço ou atraso entre senoides.

Obter a fase pela função de transferência

Fase a partir da transferência

A fase é o argumento de H(f): para uma razão de termos complexos, ela é o argumento do numerador menos o do denominador. Como o ganho de passagem K é real e positivo, ele não acrescenta fase.

  • Passa-baixas: H(f) = K/(1 + j f/f_c) → φ(f) = −arctan(f/f_c)
  • Passa-altas: H(f) = K·(j f/f_c)/(1 + j f/f_c) → φ(f) = 90° − arctan(f/f_c), para f > 0

No passa-baixas, o sinal de saída atrasa em relação à entrada. No passa-altas, a saída avança. Essas relações descrevem senoides em regime permanente.

Avanço e atraso de fase

Comparação visual: no passa-baixas a senoide de saída está atrasada; no passa-altas ela está adiantada.

O deslocamento horizontal entre senoides representa a fase: atraso no passa-baixas e avanço no passa-altas.

Dica

O caso especial do corte

Em f = f_c, arctan(1) = 45°. Portanto, o passa-baixas tem fase de −45° e o passa-altas tem fase de +45° no corte.

As fórmulas assumem que a fase adicional do amplificador operacional é desprezível na frequência analisada. Essa hipótese será verificada ao selecionar o amplificador.

Calcular e interpretar a fase

Exemplo: duas frequências

Use a calculadora em graus e calcule primeiro a razão x = f/f_c. Depois aplique arctan(x).

Exemplo

Cálculos

Passa-baixas em f = 3f_c

x = 3

φ = −arctan(3) = −71,6°

A saída está atrasada de 71,6°.

Passa-altas em f = 0,1f_c

x = 0,1

φ = 90° − arctan(0,1)

φ = 90° − 5,7° = +84,3°

A saída está adiantada de 84,3°. Em f = 0, ela não possui módulo de saída; por isso, não se atribui fase a uma saída exatamente nula.

Ler os limites

Nos extremos do modelo:

  • Passa-baixas: quando f é muito menor que f_c, φ se aproxima de 0°; quando f é muito maior, aproxima-se de −90°.
  • Passa-altas: para f positivo muito menor que f_c, φ se aproxima de +90°; muito acima do corte, aproxima-se de 0°.

“Próximo de +90°” no passa-altas não significa fase definida em 0 Hz: nessa frequência, a componente contínua é bloqueada.

Relacionar topologia e senoides

Reconheça a resposta

Associe cada condição à fase e à relação temporal correta entre saída e entrada.

Topologia, frequência e fase

Faça as associações.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Pratique o cálculo

Calcule fora do corte

Um filtro passa-altas opera em f = 3f_c. Sua fase é aproximadamente {{blank}}.

Passo 7 de 9

Verificar impedâncias e tolerâncias

Estime o efeito da resistência da fonte e das tolerâncias antes de confiar no corte e no ganho nominais.

Incluir a resistência da fonte

A resistência da fonte entra no filtro

Uma fonte real pode ser representada por sua tensão em circuito aberto, V_s, em série com a resistência de Thévenin R_s. Nesta análise, V_s é a entrada usada para definir o ganho do filtro.

Se a referência for ideal e a entrada do amplificador tiver impedância muito alta, R_s soma-se ao resistor seletivo R. Nas duas topologias:

f_c' = 1 / [2π(R + R_s)C]

Assim, o corte efetivo fica menor que o calculado somente com R. A aproximação R_s ≪ R só é aceitável quando o desvio resultante atende ao requisito do projeto.

Fonte não ideal em série com a rede

Comparação entre filtros ativo passa-baixas e passa-altas com uma resistência de fonte Rs em série antes da rede RC.

Em ambas as topologias, Rs altera a constante de tempo vista pela rede seletiva.

Dica

O passa-altas sofre uma perda extra

Efeito no ganho de passagem

  • Passa-baixas: em baixas frequências, o capacitor se comporta aproximadamente como circuito aberto. Não há queda relevante em R_s e R; o ganho tende a K.
  • Passa-altas: em altas frequências, o capacitor se comporta aproximadamente como curto para o sinal. Então R_s e R formam um divisor antes do estágio ativo. O ganho de passagem passa a ser aproximadamente:

K_real = K × R/(R + R_s)

Logo, R_s pode deslocar o corte nas duas topologias e ainda reduzir o ganho de passagem do passa-altas.

Conferir o carregamento

Exemplo

Exemplo: efeito quantificado

Considere R = 10 kΩ, C = 10 nF, R_s = 1 kΩ e estágio com ganho K = 2.

Sem considerar a fonte:

f_c,nom = 1/[2π × 10 kΩ × 10 nF] ≈ 1,59 kHz

Com a fonte real:

f_c' = 1/[2π × 11 kΩ × 10 nF] ≈ 1,45 kHz

O corte caiu cerca de 9%. No passa-baixas, o ganho em baixas frequências continua aproximadamente 2. No passa-altas, o ganho de passagem aproximado será:

K_real = 2 × 10/11 ≈ 1,82

Atenção

Checagem de validade do modelo

Antes de usar a fórmula simplificada, compare as impedâncias na faixa de interesse:

  1. A impedância da referência é baixa o suficiente para atuar como referência do sinal?
  2. A impedância de entrada do amplificador é alta o suficiente para não carregar significativamente a rede RC?
  3. A resistência da fonte é pequena em comparação com R, ou seu efeito foi incluído?

Não existe uma correção única para toda referência ou entrada não ideal. Elas podem carregar a rede de modos dependentes da frequência e da conexão. Se esse carregamento não for desprezível, o divisor RC simples deixa de ser um modelo suficiente.

Diagnóstico curto

No exemplo, qual é a consequência correta de ignorar R_s = 1 kΩ?

Escreva pelo menos 30 caracteres (0/30).

Delimitar corte e ganho reais

Limites de frequência de corte

Tolerâncias deslocam o corte mesmo quando a fonte e o amplificador atendem às aproximações. Para uma estimativa de pior caso:

f_c,min = 1/(2πR_maxC_max)

f_c,max = 1/(2πR_minC_min)

O menor corte ocorre com R e C máximos; o maior, com R e C mínimos. Esses limites valem quando as demais aproximações do modelo continuam adequadas.

Exemplo de tolerância de R e C

Com R = 10 kΩ ±5% e C = 10 nF ±10%, os extremos possíveis de corte são mostrados abaixo. O valor nominal, cerca de 1,59 kHz, não garante sozinho a faixa obtida.

Limites de pior caso para a frequência de corte.
CondiçãoRCf_c
Nominal10,0 kΩ10,0 nF1,59 kHz
Corte mínimo10,5 kΩ11,0 nF1,38 kHz
Corte máximo9,5 kΩ9,0 nF1,86 kHz

Tolerância do ganho de passagem

Para o não inversor, K = 1 + R_f/R_g. As tolerâncias de R_f e R_g também criam um intervalo possível de ganho.

Para estimar extremos independentes, use o menor R_f com o maior R_g para K mínimo; use o maior R_f com o menor R_g para K máximo. Isso é uma estimativa de pior caso, não uma análise estatística.

Faixa possível de K

Exemplo com R_f = R_g = 10 kΩ, ambos com tolerância de ±1%.

Intervalo de ganho causado pelas tolerâncias dos resistores de realimentação.
SituaçãoCálculoGanho
Nominal1 + 10,0/10,02,000
Mínimo1 + 9,9/10,11,980
Máximo1 + 10,1/9,92,020

Praticar a estimativa

Aplicar Rs ao passa-altas

Um filtro passa-altas tem R = 12 kΩ, C = 10 nF, K = 3 e uma fonte com R_s = 3 kΩ. Considerando referência ideal e entrada de alta impedância, quais são aproximadamente o corte efetivo e o ganho de passagem?

Escreva pelo menos 20 caracteres (0/20).

Limite inferior por tolerância

Para R = 10 kΩ ±5% e C = 10 nF ±10%, qual é aproximadamente o limite inferior de corte?

Passo 8 de 9

Confirmar que o amplificador não domina a resposta

Valide banda, slew rate e limites elétricos do amplificador para que a resposta RC dimensionada permaneça válida na faixa de uso.

Definir a faixa válida do filtro

A rede RC não é o único limite

A rede RC define a resposta pretendida apenas enquanto o estágio ativo puder ser aproximado como um ganho constante K. Para um buffer ou amplificador não inversor, faça uma primeira estimativa da banda fechada:

f_BW ≈ GBW / K

Compare essa estimativa com a maior frequência que será analisada ou que precisa ser preservada, e não somente com a frequência de corte f_c. Um passa-altas, por exemplo, aproxima-se de K acima de f_c, mas o amplificador real volta a perder ganho e acrescentar fase em frequências suficientemente altas.

Limite superior do estágio ativo

Diagrama mostrando a resposta do RC passa-altas subindo até um patamar e a resposta real caindo em frequências altas devido à banda do amplificador.

O RC pode prever um patamar de ganho K, mas a banda finita do amplificador limita a faixa superior do filtro real.

Banda e slew rate são verificações diferentes

A margem necessária não tem uma razão universal, como “dez vezes maior”. Ela depende do erro de módulo e de fase que o projeto tolera. Use curvas, limites e condições da folha de dados para verificar a resposta na faixa de interesse.

Também calcule o slew rate em cada frequência relevante com a maior amplitude de saída prevista:

SR necessário ≈ 2πfV_pico

Banda insuficiente afeta pequenos sinais; slew rate insuficiente distorce uma senoide mesmo que a banda estimada pareça adequada.

Atenção

Checklist elétrico

Faça as verificações sempre nas condições reais: alimentação contínua de até 12 V e dentro dos limites do componente; tensão de modo comum nas entradas; excursão de saída para a carga; corrente exigida pela carga e pela realimentação; caminho contínuo de polarização, especialmente no passa-altas; e estabilidade no ganho escolhido.

Não conclua que o filtro funciona apenas porque R, C e K estão corretos. Se a saída precisar ir além da excursão permitida, haverá recorte. Se a entrada sair da faixa de modo comum, ou se o amplificador não for estável naquele ganho, o modelo de filtro deixa de representar o circuito.

Aplicar as estimativas a um caso

Exemplo

Exemplo de verificação

Considere um filtro passa-altas não inversor com K = 2, alimentação de 12 V e referência de 6 V. Ele será avaliado até 20 kHz e sua maior saída esperada é 3 V de pico em torno da referência. A carga é de 10 kΩ.

O estágio precisa ter aproximadamente:

  • f_BW acima de 20 kHz, com margem coerente com o erro aceito;
  • SR acima de 2π × 20 000 × 3 V ≈ 0,38 V/µs, também com margem;
  • faixa de modo comum que inclua a entrada prevista, excursão de saída que inclua 3 V a 9 V, estabilidade em ganho 2 e capacidade para a carga.

Estimativas para o exemplo

Comparação inicial das opções. A aprovação final ainda exige consultar os limites e as curvas da folha de dados nas condições de alimentação e carga usadas.

f_BW estimada por GBW/K; SR necessário calculado para 20 kHz e 3 V de pico.
OpçãoGBWf_BW estimadaSRConclusão inicial
A1 MHz500 kHz0,20 V/µsFalha em SR
B400 kHz200 kHz1,0 V/µsCandidata
C60 kHz30 kHz1,0 V/µsMargem de banda pequena

Decidir com base nos limites do amplificador

Escolher o amplificador candidato

No exemplo, qual opção é a candidata mais adequada para preservar a resposta RC até 20 kHz, antes da conferência detalhada na folha de dados?

Síntese da validação

Ao validar um filtro ativo, registre a maior frequência e a maior amplitude de saída consideradas, a estimativa de banda, o SR necessário e as verificações da folha de dados. Assim, a resposta calculada para a rede RC só é usada dentro de uma faixa em que o amplificador não a domina.

Passo 9 de 9

Aplicação final: dimensionar e justificar um filtro

Aplique o dimensionamento, a análise de tolerâncias e a validação do amplificador em um caso completo de filtro passa-altas.

Caso e especificações

Desafio de projeto

Caso de projeto

Uma fonte fornece uma senoide útil de 1 kHz, com 0,5 V de pico em torno de Vref = 2,5 V, e há uma interferência de 50 Hz. A resistência série da fonte é Rs = 100 Ω. Considere Vref ideal para pequenos sinais.

O objetivo é preservar 1 kHz e reduzir 50 Hz. Portanto, use uma rede passa-altas: capacitor em série, resistor R para Vref e estágio não inversor. O resistor R também fornece o caminho contínuo de polarização à entrada não inversora.

A entrada é definida na fonte, antes de Rs. Avalie o projeto nominal e os extremos de tolerância; uma aprovação só é válida se os requisitos forem atendidos nas condições especificadas.

Estrutura a dimensionar

Diagrama de uma fonte com resistência série alimentando um capacitor em série, resistor para a referência, amplificador não inversor e carga na saída.

A rede RC faz a seleção passa-altas; o estágio não inversor estabelece o ganho de passagem.

Dados e critérios

Use somente estes valores e limites. A atenuação exigida em 50 Hz será definida em relação à passagem real, isto é, ao ganho que inclui o efeito de Rs.

Especificações para a decisão final.
ItemValor ou requisito
C disponíveis82 nF ou 100 nF, ±10%
R da rede disponíveis6,8 kΩ ou 8,2 kΩ, ±5%
Rf e Rg disponíveis10 kΩ, ±1%
Corte desejadoAproximadamente 200 Hz
Ganho nominal desejadoK = 2 V/V
Em 1 kHz|H| ≥ 1,90 V/V, inclusive pior caso
Em 50 HzAtenuação relativa à passagem real ≥ 12 dB, inclusive pior caso
AmplificadorGBW = 3 MHz; SR = 1 V/µs
Limites de entrada e saídaEntrada: 0 a 5 V; saída: 0,1 a 4,9 V para carga ≥ 10 kΩ
Carga externa22 kΩ para Vref

Organize a verificação

Roteiro de cálculo

Roteiro para um registro verificável

  1. Escolha R e C e calcule o corte da rede isolada: fc = 1/(2πRC).
  2. Inclua a fonte: fc' = 1/[2π(R + Rs)C].
  3. Com Rf = Rg = 10 kΩ, calcule o ganho do estágio: K = 1 + Rf/Rg. No passa-altas, o ganho de passagem real é Kpass = K·R/(R + Rs).
  4. Em cada frequência, use |H| = Kpass·x/√(1+x²), com x = f/fc', e φ = 90° − arctan(x).
  5. Para a atenuação relativa à passagem real, use Apass = 20 log10(Kpass/|H|). Nessa razão, Kpass se cancela: ela depende da posição da frequência em relação ao corte, não do ganho não inversor.
  6. Propague tolerâncias. O pior caso de atenuação em 50 Hz ocorre com fc' mínimo; o pior caso de |H| em 1 kHz combina Kpass mínimo com fc' máximo.

Dica

Ponto de partida e cuidado

Para a combinação nominal R = 8,2 kΩ e C = 100 nF:

  • fc da rede isolada ≈ 194,1 Hz;
  • fc', incluindo Rs, ≈ 191,8 Hz;
  • K = 2 e Kpass ≈ 1,976 V/V.

Com tolerâncias, use R mínimo ou máximo, C mínimo ou máximo e Rs fixo. Para o ganho, use Rf mínimo com Rg máximo para K mínimo. Não basta registrar os limites de corte: compare também os resultados de módulo e atenuação com os requisitos.

A carga externa de 22 kΩ fica em paralelo com o caminho de realimentação Rf + Rg. Nominalmente, a saída vê 22 kΩ || 20 kΩ ≈ 10,48 kΩ para Vref. No pior caso de Rf e Rg mínimos, esse caminho vale 19,8 kΩ e a carga é 22 kΩ || 19,8 kΩ ≈ 10,42 kΩ. Portanto, permanece acima de 10 kΩ.

Aplicação final

Sua decisão de projeto

Monte um registro conciso para a combinação R = 8,2 kΩ e C = 100 nF. Inclua:

  • topologia, R, C, Rf e Rg;
  • fc sem Rs e fc' nominal;
  • limites de fc' por tolerância;
  • Kpass nominal;
  • |H|, atenuação relativa à passagem real e fase em 50 Hz e 1 kHz, nominais;
  • pior caso de atenuação em 50 Hz e pior caso de |H| em 1 kHz;
  • carga efetiva nominal e de pior caso, além de banda, slew rate e excursão;
  • decisão: atende ou não atende a todos os critérios?

Mostre valores intermediários suficientes para sustentar sua conclusão.

Escreva pelo menos 350 caracteres (0/350).

Conferência e síntese

Conferência do resultado

A combinação escolhida é coerente com o corte desejado, mas a decisão não pode se basear apenas no valor nominal.

Com R = 8,2 kΩ e C = 100 nF, o corte efetivo nominal é 191,8 Hz. Em 50 Hz, a atenuação relativa à passagem real é aproximadamente 11,96 dB: já fica ligeiramente abaixo dos 12 dB exigidos. No extremo de R e C que produz o menor corte, a situação piora.

A tolerância dos resistores de ganho afeta |H| absoluto, mas não a atenuação relativa à passagem real, pois tanto |H| quanto Kpass variam pelo mesmo fator Kpass.

Registro de projeto resolvido

Valores arredondados; os extremos de |H| em 1 kHz consideram simultaneamente Rf e Rg nos sentidos desfavoráveis.

A análise de pior caso muda a decisão final.
GrandezaResultadoVerificação
TopologiaPassa-altas + não inversorPreserva a faixa de 1 kHz
R, C8,2 kΩ; 100 nFValores disponíveis
K nominal2,000 V/VRf = Rg = 10 kΩ
Kpass nominal1,976 V/VInclui Rs = 100 Ω
fc sem Rs194,1 HzRede RC isolada
fc' nominal191,8 HzInclui Rs
Faixa de fc'166,2 a 224,1 HzR ±5%; C ±10%
50 Hz nominalApass = 11,96 dB; fase +75,4°Não alcança 12 dB exatos
50 Hz, pior casoApass ≈ 10,8 dB com fc' mínimoFalha o requisito
1 kHz nominal|H| ≈ 1,94 V/V; fase +10,9°Atende nominalmente
1 kHz, pior caso|H| ≈ 1,91 V/VAtende |H| ≥ 1,90 V/V
Carga efetiva10,48 kΩ nominal; 10,42 kΩ mínimaAcima de 10 kΩ

Síntese e conclusão

Dica

Decisão fundamentada

A maior amplitude de saída prevista em 1 kHz é aproximadamente 0,99 V de pico em torno de 2,5 V, portanto varia aproximadamente entre 1,51 V e 3,49 V. A carga externa de 22 kΩ em paralelo com Rf + Rg é cerca de 10,48 kΩ nominalmente. Mesmo com Rf e Rg em seus mínimos, a carga é cerca de 10,42 kΩ; assim, permanece dentro da condição garantida de carga ≥ 10 kΩ para a excursão de 0,1 V a 4,9 V.

O slew rate requerido é cerca de 0,0062 V/µs, bem abaixo de 1 V/µs. Mesmo usando o maior ganho fechado possível, a estimativa de banda é da ordem de 1,5 MHz, muito acima de 1 kHz.

Assim, os limites do amplificador não são o problema deste caso. A falha está na margem de atenuação do RC. Aumentar fc melhora a atenuação em 50 Hz e reduz o módulo em 1 kHz. Diminuir fc melhora |H| em 1 kHz, mas reduz a atenuação relativa em 50 Hz. O projeto exige novos valores, tolerâncias mais estreitas ou requisitos revistos, seguidos de nova verificação completa.

Síntese do tutorial

Condições para justificar um filtro ativo de primeira ordem.
EtapaRegistro necessário
Selecionar topologiaPreservar baixas ou altas frequências conforme o requisito
DimensionarRegistrar R, C, K e os valores comerciais escolhidos
Calcular respostaUsar módulo, atenuação e fase nas frequências relevantes
Incluir não idealidadesConsiderar Rs, tolerâncias, referência e entrada
Validar amplificadorChecar banda, slew rate, polarização, excursão e carga
DecidirAprovar somente se todos os limites forem atendidos

Revisão final

Pontos essenciais

Revise estes critérios antes de considerar um dimensionamento concluído.
CritérioConclusão
TopologiaEscolha passa-baixas ou passa-altas pela faixa que deve ser preservada.
Corte realInclua a resistência da fonte quando ela for relevante.
GanhosDiferencie K do estágio e Kpass quando Rs afeta o passa-altas.
RespostaCalcule módulo, atenuação relativa e fase nas frequências de interesse.
TolerânciasPropague os extremos até cada requisito crítico.
Validade do modeloConfirme impedâncias, carga, banda, slew rate e excursão do amplificador.

Conclusão

Tutorial concluído

Parabéns! Você concluiu: Dimensionamento de filtros ativos de primeira ordem

Excelente trabalho! Você integrou seleção, dimensionamento e verificação crítica de um filtro ativo de primeira ordem.

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