
Passo 1 de 9
Comparar não é amplificar
Diferencie comparadores dedicados de amplificadores lineares e preveja o estado de saída a partir de V₊ e V₋.
Trilha de aprendizado · Nível 7 · Tutorial 12
Dimensionar um comparador com histerese para transformar uma variação analógica em uma decisão estável diante de perturbações especificadas, sem tratar comparação como amplificação linear.
Comparar não é amplificar
Diferencie comparadores dedicados de amplificadores lineares e preveja o estado de saída a partir de V₊ e V₋. 2 min
Por que um único limiar pode falhar
Entenda por que uma entrada lenta e perturbada pode fazer um comparador com limiar único alternar a saída repetidamente. 2 min
Criando dois limiares com realimentação positiva
3 min
Calculando os limiares de subida e descida
Calcule os limiares de subida e descida usando o nível de saída existente antes de cada transição. 3 min
A saída também depende do caminho
Acompanhe a saída de um comparador inversor ao longo de uma sequência e reconheça quando a tensão presente não basta para determinar o estado. 2 min
Dos limiares desejados aos componentes
4 min
Conferindo se o comparador pode operar assim
Valide alimentação, entradas, níveis de saída e carga da rede de histerese antes de aceitar os limiares calculados. 3 min
Quais perturbações ainda mudam a saída
Avalie perturbações pela margem até o limiar ativo e reconheça os limites da proteção oferecida pela histerese. 3 min
Aplicação final: uma decisão estável e verificável
Aplique o dimensionamento, a verificação elétrica e o rastreamento de estado em um caso completo de comparador inversor com histerese. 3 min

Passo 1 de 9
Diferencie comparadores dedicados de amplificadores lineares e preveja o estado de saída a partir de V₊ e V₋.
Um amplificador operacional em operação linear usa realimentação negativa para produzir uma saída proporcional à diferença de entrada, dentro dos seus limites.
Um comparador dedicado resolve outra tarefa: tomar uma decisão entre duas tensões. Sua saída vai para um estado alto ou baixo conforme qual entrada é maior. Ele é indicado quando o circuito precisa converter uma variação analógica em uma decisão de dois estados, como “acima” ou “abaixo” de uma referência.
Não use a aproximação V₊ ≈ V₋ para descrever um comparador em seus estados estáveis: ela pertence ao modelo de operação linear com realimentação negativa.

O amplificador linear responde de forma proporcional; o comparador decide entre nível alto e nível baixo.
Em um comparador, observe o sinal da diferença entre as entradas:
Nesta aplicação, usaremos um comparador de saída push-pull. Isso significa que ele estabelece ativamente tanto o nível alto quanto o baixo; não depende de um resistor externo para levar a saída ao nível alto.
Na prática, os níveis são chamados de V_OH (saída alta) e V_OL (saída baixa). Eles devem ser obtidos nas condições reais de alimentação e corrente de carga. Portanto, não suponha automaticamente que V_OH seja igual ao trilho positivo ou que V_OL seja igual ao trilho negativo.
Dica
Os nomes V_OH e V_OL descrevem níveis de saída, não valores universais. Por exemplo, uma saída alta pode ficar alguns milivolts ou mais abaixo da alimentação, dependendo do comparador e da carga.
Exemplo
Considere um comparador alimentado de 0 V a 5 V. Em certa condição de carga, a folha de dados informa V_OH = 4,8 V e V_OL = 0,15 V.
Esses são os níveis a usar ao analisar o circuito — e não 5 V e 0 V por aproximação.
Associe cada situação à função mais adequada.
| Situação | Função adequada |
|---|---|
| Elevar uma variação de 20 mV para uma faixa mensurável, preservando seus valores intermediários | Amplificação linear |
| Indicar que uma tensão ultrapassou uma referência | Comparação |
| Aplicar ganho conhecido a um sinal analógico | Amplificação linear |
| Produzir um nível alto ou baixo conforme duas tensões | Comparação |
Um comparador push-pull opera com V₊ = 2,1 V e V₋ = 1,7 V. Qual estado de saída é previsto?
Faça as associações.
Toque em um item e depois no par correspondente.

Passo 2 de 9
Entenda por que uma entrada lenta e perturbada pode fazer um comparador com limiar único alternar a saída repetidamente.
Sem histerese, o comparador usa um único limiar: a referência. Enquanto a entrada está de um lado dessa fronteira, a saída fica em um estado; ao cruzá-la, a saída troca de estado.
Por exemplo, com o sinal em V₊ e a referência em V₋, a saída fica alta quando a entrada está acima da referência e baixa quando está abaixo. O ponto importante é que qualquer cruzamento efetivo do limiar pode comandar uma troca — não importa se a variação desejada é grande ou se é apenas uma pequena perturbação.

Perto de um limiar único, cada cruzamento da entrada pode produzir uma nova comutação na saída.
Exemplo
Imagine uma entrada que deveria subir lentamente de 1,95 V para 2,05 V, com referência de 2,00 V. Pequenas perturbações fazem a tensão passar por 2,00 V várias vezes antes de se afastar de vez.
Sequência possível: 1,99 V → 2,01 V → 1,98 V → 2,02 V → 2,05 V.
Em um comparador sem histerese, os três primeiros cruzamentos alternam a decisão repetidamente. Portanto, não basta dizer que “há ruído”: o que causa as transições indesejadas é o sinal perturbado cruzar a fronteira de decisão mais de uma vez.
Uma mudança sustentada é aquela que leva a entrada para o outro lado do limiar e a mantém lá. Já uma oscilação pequena pode ser irrelevante para o fenômeno medido, mas ainda assim atravessar o limiar e acionar a saída.
Isso pode gerar pulsos extras, alternância rápida de uma indicação ou comandos repetidos para o circuito seguinte. A próxima etapa mostrará como criar uma zona entre dois limiares para tornar essa decisão menos sensível aos cruzamentos próximos da fronteira.
Um comparador sem histerese tem referência de 2,00 V em V₋. A entrada em V₊ segue a sequência 1,99 V → 2,01 V → 1,98 V → 2,02 V. Quantas transições de saída essa sequência pode provocar?

Passo 3 de 9
Aqui, o sinal de entrada é aplicado à entrada inversora do comparador, V_−. O nó V_+ não recebe apenas uma referência fixa: ele é ligado a V_ref por R_ref e à própria saída por R_fb.
Como R_fb traz parte da tensão de saída de volta para V_+, essa é uma realimentação positiva. Ela não busca igualar as entradas, como ocorria na operação linear com realimentação negativa. Em vez disso, reforça o estado de saída que acabou de ser assumido.

A saída retorna ao nó V_+ por R_fb; por isso, ela participa da decisão seguinte.
Considere primeiro a saída em nível alto. Por R_fb, esse nível puxa o nó V_+ para cima em relação ao valor que ele teria somente com V_ref. Enquanto V_in sobe, a saída permanece alta até V_in superar esse V_+ mais alto; então a saída comuta para baixo.
Após a comutação, o nível baixo da saída passa a puxar V_+ para baixo. Agora, para a saída voltar ao nível alto durante uma descida de V_in, a entrada deve cair abaixo desse novo valor de V_+, mais baixo.
Portanto, o circuito tem dois limiares: um para a entrada crescente e outro para a entrada decrescente. Nesta topologia inversora, cruzar o limiar de cima faz a saída ir para baixo; cruzar o de baixo faz a saída ir para cima.

Saída alta eleva V_+; saída baixa reduz V_+. A entrada encontra um limiar diferente em cada sentido.
Exemplo
Imagine que V_in esteja subindo lentamente e a saída esteja alta. A realimentação elevou V_+, então pequenas oscilações ao redor da referência original ainda não bastam para mudar a saída. Quando V_in finalmente ultrapassa o limiar superior ativo, como ela está em V_−, a saída vai para baixo.
Com a saída baixa, V_+ também diminui. Se V_in começar a descer, ela precisará alcançar o limiar inferior para a saída voltar ao nível alto. Entre esses dois níveis, a direção e o estado anterior importam.
Complete a interpretação da realimentação positiva nesta topologia.
Se a saída de um comparador inversor passa de baixa para alta, o que acontece qualitativamente com V_+ por causa de R_fb?
Qual esquema descreve corretamente o comparador inversor com histerese estudado?

Passo 4 de 9
Calcule os limiares de subida e descida usando o nível de saída existente antes de cada transição.
No comparador inversor deste tutorial, a entrada está em V−. O nó V+ recebe V_ref por R_ref e a saída por R_fb. Com correntes de entrada desprezíveis, a tensão em V+ — isto é, o limiar instantâneo — é:
V_T = (V_ref × R_fb + V_saida × R_ref) / (R_ref + R_fb)
Use este modelo supondo V_ref de baixa impedância e histerese interna desprezível. Use também os níveis reais V_OH e V_OL previstos para a condição de operação, não os trilhos por aproximação.

A saída realimentada muda V+ e, por isso, cria dois limiares.
Dica
Use sempre o estado que existe imediatamente antes da transição:
Não use o estado posterior à comutação no cálculo: ele só passa a existir depois que o limiar já foi cruzado.
Exemplo
Considere a rede abaixo:
Na entrada crescente, a saída ainda está alta. Portanto:
V_Tsup = (2,00 × 40 + 4,80 × 10) / (10 + 40)
V_Tsup = 128 / 50 = 2,56 V
Quando V_in sobe além de 2,56 V, a saída comuta de alta para baixa.
Exemplo
Agora considere a entrada diminuindo. Antes da nova transição, a saída permanece baixa:
V_Tinf = (2,00 × 40 + 0,20 × 10) / (10 + 40)
V_Tinf = 82 / 50 = 1,64 V
Quando V_in desce abaixo de 1,64 V, a saída comuta de baixa para alta.
A largura da janela é:
ΔV_H = V_Tsup − V_Tinf
ΔV_H = 2,56 − 1,64 = 0,92 V
Conferência direta:
ΔV_H = (V_OH − V_OL) × R_ref/(R_ref + R_fb)
ΔV_H = (4,80 − 0,20) × 10/50 = 0,92 V.
Agora calcule uma rede diferente, sem usar os valores do exemplo anterior:
Primeiro calcule V_Tsup usando o estado de saída que antecede uma entrada crescente. Depois calcule V_Tinf para uma entrada decrescente. Por último, obtenha ΔV_H pela diferença entre os limiares.
Para a rede proposta, calcule o limiar superior V_Tsup. Considere a saída imediatamente antes de uma entrada crescente cruzá-lo.
Para a mesma rede, calcule o limiar inferior V_Tinf. Considere a saída imediatamente antes de uma entrada decrescente cruzá-lo.
Usando os dois limiares calculados para a nova rede, informe a largura de histerese ΔV_H.

Passo 5 de 9
Acompanhe a saída de um comparador inversor ao longo de uma sequência e reconheça quando a tensão presente não basta para determinar o estado.
No comparador inversor deste tutorial, o sinal entra em V−. Por isso, após a resposta se estabelecer:
A região entre os limiares é a janela de histerese. Ela não determina sozinha um novo estado; ela preserva o caminho que trouxe o circuito até ali.

As setas mostram que a transição depende do sentido em que a entrada percorre a curva.
Considere um comparador inversor já estabelecido, com V_Tinf = 2,0 V e V_Tsup = 3,0 V. A sequência começa em 1,6 V; portanto, a saída inicial fica inequivocamente alta. Acompanhe cada nova amostra na ordem apresentada.
O estado só muda quando a entrada ultrapassa o limiar que está ativo para o estado atual. Valores dentro da janela apenas conservam a saída que já existia.
| Ordem | V_entrada | Relação com os limiares | V_saída |
|---|---|---|---|
| 1 | 1,6 V | Abaixo de 2,0 V | Alta |
| 2 | 2,5 V | Dentro da janela | Alta |
| 3 | 3,2 V | Acima de 3,0 V | Baixa |
| 4 | 2,4 V | Dentro da janela | Baixa |
| 5 | 1,8 V | Abaixo de 2,0 V | Alta |
Use V_Tinf = 2,0 V e V_Tsup = 3,0 V. A saída começa alta porque V_entrada inicia em 1,5 V. Depois, a entrada assume, nesta ordem: 2,6 V, 3,3 V e 2,3 V.
Escreva a sequência completa dos estados de saída, separada por vírgulas.
Estados para 1,5 V, 2,6 V, 3,3 V e 2,3 V:
Ao ligar a alimentação, V_entrada já está em 2,5 V, entre V_Tinf = 2,0 V e V_Tsup = 3,0 V. O que se pode afirmar sobre a saída inicial?

Passo 6 de 9
Parta dos quatro valores de especificação: limiar superior V_Tsup, limiar inferior V_Tinf, saída alta real V_OH e saída baixa real V_OL. Primeiro, calcule a largura desejada: ΔV_H = V_Tsup − V_Tinf.
Em seguida, encontre a fração de realimentação:
β = ΔV_H / (V_OH − V_OL) = R_ref / (R_ref + R_fb)
Dela resultam diretamente:
R_fb/R_ref = (1 − β)/β
V_ref = (V_Tinf − β × V_OL)/(1 − β)
A razão define as proporções da rede; você pode multiplicar ambos os resistores por um mesmo fator para chegar a valores comerciais adequados.

A razão R_fb/R_ref controla a largura da histerese; V_ref posiciona a janela de limiares.
Dica
Uma solução só é realizável se 0 < β < 1. Isso exige que a largura desejada seja positiva e menor que a diferença entre os níveis reais de saída: 0 < ΔV_H < V_OH − V_OL.
Também confira se a referência calculada pode existir no circuito: ela precisa estar disponível e dentro da faixa compatível com a alimentação e com as entradas do comparador. Neste passo, trate V_OH e V_OL como valores especificados para a condição de operação; a verificação detalhada de carga e folha de dados vem no próximo passo.
Exemplo
Especificações desejadas:
Uma escolha comercial próxima é R_ref = 21,5 kΩ e R_fb = 102 kΩ, cuja razão é 4,74. Mantendo V_ref = 2,137 V, recalcule os limiares pela equação já estudada:
V_T = (V_ref × R_fb + V_saida × R_ref)/(R_ref + R_fb)
Com saída baixa, V_Tinf ≈ 1,80 V. Com saída alta, V_Tsup ≈ 2,60 V. Pequenas diferenças surgem por arredondamentos nos valores escolhidos.
A referência de aproximadamente 2,14 V deve ser uma tensão disponível e suficientemente estável para esta aplicação. Ainda não estamos verificando a corrente que a rede exigirá dela.
No exemplo anterior, complete o valor de β usado para calcular a razão dos resistores.
Escreva pelo menos 3 caracteres (0/3).
Faça o dimensionamento para estas especificações: V_Tsup = 3,30 V, V_Tinf = 2,70 V, V_OH = 4,90 V e V_OL = 0,10 V.
Informe: (1) β, (2) a razão R_fb/R_ref, (3) V_ref e (4) um par de resistores comerciais que preserve aproximadamente a razão. Por fim, justifique em uma frase se a referência é compatível com uma alimentação de 5 V.
Escreva pelo menos 80 caracteres (0/80).

Passo 7 de 9
Valide alimentação, entradas, níveis de saída e carga da rede de histerese antes de aceitar os limiares calculados.
Os limiares calculados só valem se o comparador puder operar nas condições usadas no cálculo. Antes de aceitar o projeto, confira na folha de dados:
Não basta verificar apenas os limiares. Enquanto a entrada varia, V− percorre a faixa do sinal; V+ alterna entre os dois limiares. Todos esses valores precisam ser permitidos.

V− acompanha a faixa do sinal; V+ assume um dos dois limiares conforme o estado da saída.
Atenção
A faixa de modo comum limita cada entrada em relação à referência do circuito. Já o limite diferencial restringe a separação entre V+ e V−. São verificações diferentes.
Por exemplo, mesmo que V+ = 1,2 V e V− = 3,8 V estejam individualmente dentro da faixa permitida, o componente não pode ser usado nessa condição se o máximo de |V+ − V−| for menor que 2,6 V.
Use os níveis de saída que o componente realmente garante no seu circuito. V_OH e V_OL não são automaticamente iguais aos trilhos de alimentação e podem mudar com a corrente exigida pela carga.
Para a rede de histerese, estime a corrente que sai ou entra pela saída usando:
I_rede ≈ (V_saida − V_ref) / (R_fb + R_ref)
O sinal indica o sentido em relação à referência. Para avaliar a capacidade de corrente, use também o módulo e some qualquer carga externa conectada à saída.
Exemplo
Exemplo: V_OH garantido = 4,6 V, V_OL garantido = 0,2 V, V_ref = 1,5 V, R_ref = 10 kΩ e R_fb = 40 kΩ.
Com a saída alta:
I_rede ≈ (4,6 − 1,5) / 50 kΩ = 62 µA.
Com a saída baixa:
I_rede ≈ (0,2 − 1,5) / 50 kΩ = −26 µA.
A referência deve manter 1,5 V tanto recebendo quanto fornecendo essa corrente. Se for um divisor simples e sua impedância não for baixa o bastante, V_ref se desloca e os limiares deixam de ser os calculados.
Atenção
Além da rede, considere a carga externa da saída. Se V_OH é garantido somente ao fornecer 1 mA, não use esse valor para calcular os limiares quando a saída também precisar fornecer 3 mA a outra carga. Consulte limites garantidos, não apenas valores típicos de gráficos.
Em uma verificação de projeto, cada linha da folha de dados responde a uma pergunta diferente. A tabela usa o exemplo com alimentação de 5 V, V_ref = 1,5 V, R_ref = 10 kΩ e R_fb = 40 kΩ.
| Item | Valor a conferir | Conclusão esperada |
|---|---|---|
| Alimentação | 5 V versus faixa do CI | Deve estar na faixa permitida |
| Modo comum | V− do sinal e V+ entre 1,24 V e 2,12 V | Cada entrada deve ficar na faixa especificada |
| Diferencial | Maior valor possível de |V+ − V−| | Deve ser menor que o máximo absoluto |
| Saída alta | 4,6 V garantidos na corrente real | Usar este valor no limiar superior |
| Saída baixa | 0,2 V garantidos na corrente real | Usar este valor no limiar inferior |
| Referência | Corrente da rede e rigidez de V_ref | Não pode deslocar os limiares |
Por fim, compare as hipóteses do modelo com a folha de dados. Offset, correntes de entrada e histerese interna podem deslocar os limiares. Nesta etapa, a decisão é simples: eles são pequenos o bastante para a tolerância do projeto ou exigem reavaliar os limiares? Não trate esses efeitos como inexistentes sem conferir suas especificações.
Um projeto usa alimentação de 5 V, V_ref = 1,5 V, R_ref = 10 kΩ e R_fb = 40 kΩ. Os limiares calculados com níveis de saída garantidos são 2,12 V e 1,24 V.
A entrada pode variar de 0 V a 4,2 V. A folha de dados informa faixa de modo comum de 0 V a 3,6 V e tensão diferencial máxima absoluta de 2,5 V. Qual conclusão é correta?
| Grandeza | Especificação |
|---|---|
| Alimentação | 5 V |
| Faixa de V− | 0 V a 4,2 V |
| Valores possíveis de V+ | 1,24 V ou 2,12 V |
| Modo comum permitido | 0 V a 3,6 V |
| |V+ − V−| máximo | 2,5 V |
Escolha a conclusão tecnicamente válida.
| Alternativa | Avaliação |
|---|---|
| A | O projeto é válido, pois 5 V está dentro da alimentação. |
| B | O projeto é inválido: V− pode exceder a faixa de modo comum e a diferença entre as entradas também pode superar 2,5 V. |
| C | O projeto é válido, pois os limiares estão abaixo de 3,6 V. |
| D | O projeto é inválido somente porque V_ref é menor que 5 V. |
Qual é a conclusão correta para esse comparador?
Selecione a alternativa que identifica todas as violações relevantes.

Passo 8 de 9
Avalie perturbações pela margem até o limiar ativo e reconheça os limites da proteção oferecida pela histerese.
Histerese não filtra nem reduz o ruído que já existe em V_entrada. Ela muda a regra de decisão: o limiar que importa depende do estado atual da saída.
Em um comparador inversor:
Portanto, para avaliar uma perturbação, não basta comparar sua amplitude com a largura total da histerese. Compare os extremos que a entrada pode atingir com o limiar ativo no estado atual.

O ruído continua na entrada; a decisão depende do limiar que pode causar a próxima mudança.
Defina a margem até a próxima transição usando limites de tensão declarados para a perturbação.
Se a saída está alta, calcule a distância até o limiar superior:
margem = V_Tsup − V_entrada
Uma perturbação positiva máxima menor que essa margem não alcança V_Tsup. Se a perturbação puder igualar ou ultrapassar essa distância, a primeira comutação é possível.
Se a saída está baixa, use:
margem = V_entrada − V_Tinf
Agora é a excursão negativa que deve ser comparada à margem. Essas relações valem para a análise estática com cruzamentos inequívocos; não atribua comportamento garantido à igualdade exata com o limiar.
Exemplo
Considere V_Tsup = 2,6 V, V_Tinf = 2,2 V e V_entrada = 2,40 V.
Caso A — saída alta
A margem até V_Tsup é 2,6 − 2,40 = 0,20 V. Uma perturbação limitada a +0,15 V leva a entrada, no máximo, a 2,55 V: não ocorre a transição para saída baixa. Porém, uma excursão de +0,25 V pode levar a 2,65 V e cruzar V_Tsup; a comutação é possível.
Note que +0,25 V é menor que toda a janela de histerese (0,40 V). Ainda assim, basta cruzar o limiar ativo para provocar a primeira mudança.
Depois de uma primeira comutação, o limiar ativo muda.
No exemplo, uma perturbação positiva que leva a entrada acima de 2,6 V muda a saída de alta para baixa. Agora, para a saída retornar a alta, a entrada precisa cair abaixo de 2,2 V.
Assim, oscilações que só cruzam um dos limiares podem causar uma mudança e depois manter o novo estado. Já perturbações que alcançam alternadamente acima de V_Tsup e abaixo de V_Tinf podem produzir comutações repetidas.
Não suponha rejeição por duração: um pulso curto pode causar a transição se cruzar o limiar ativo nas condições reais do comparador. Além disso, um valor eficaz de ruído, sozinho, não informa o maior pico possível; é necessário um limite de excursão aplicável ao caso.
“Se a perturbação tiver amplitude menor que a largura de histerese, ela nunca poderá mudar a saída.”
| Afirmação | Verdadeiro ou falso? |
|---|---|
| Amplitude menor que a janela total | Pode ainda cruzar o limiar ativo |
A afirmação anterior é falsa?
Escreva pelo menos 120 caracteres (0/120).
Verdadeiro ou falso: se uma perturbação não percorre toda a distância entre V_Tinf e V_Tsup, ela não pode causar nem a primeira comutação.

Passo 9 de 9
Aplique o dimensionamento, a verificação elétrica e o rastreamento de estado em um caso completo de comparador inversor com histerese.
Caso final: um sensor já condicionado varia de 1,6 V a 3,2 V. Ele alimenta V− de um comparador inversor push-pull, com alimentação de 0 V a 5,0 V.
A decisão requerida é:
Para este caso, use os níveis de saída garantidos V_OH = 4,80 V e V_OL = 0,10 V. A rede é a topologia já estudada: V_ref chega a V+ por R_ref, e a saída retorna a V+ por R_fb.
Primeiro dimensione a rede. Depois confira se o componente hipotético e a referência atendem às condições declaradas.

A saída alta estabelece o limiar superior; a saída baixa estabelece o limiar inferior.
Dica
Use esta sequência, sem tratar a comparação como amplificação linear:
Para os requisitos do caso, informe o fator β:
β = (V_Tsup − V_Tinf) / (V_OH − V_OL)
β =
R_fb/R_ref =
Agora calcule a referência com:
V_ref = (V_Tinf − β × V_OL) / (1 − β)
Depois proponha um par de resistores que preserve aproximadamente a razão calculada. Registre também os limiares que você espera ao recalcular a rede.
Escreva pelo menos 80 caracteres (0/80).
Uma escolha compatível com a razão calculada é R_ref = 20,0 kΩ e R_fb = 97,6 kΩ, com V_ref = 2,389 V. A razão é 97,6/20,0 = 4,88.
O recálculo usa V_T = (V_ref × R_fb + V_saida × R_ref)/(R_ref + R_fb).
Os pequenos desvios em relação aos requisitos decorrem do arredondamento dos valores adotados.
| Situação | V_saida usada | Limiar recalculado |
|---|---|---|
| Entrada crescente | 4,80 V | V_Tsup ≈ 2,799 V |
| Entrada decrescente | 0,10 V | V_Tinf ≈ 2,000 V |
| Largura da histerese | — | ΔV_H ≈ 0,799 V |
Use estas especificações hipotéticas, todas válidas para o componente adotado:
Não há carga externa na saída neste caso.
A rede consome aproximadamente 20,5 µA quando a saída está alta e 19,5 µA no sentido oposto quando ela está baixa. Considerando a faixa do sensor e os valores possíveis de V+, qual conclusão é válida?
| Verificação | Extremo no caso | Limite informado |
|---|---|---|
| Alimentação | 5,0 V | 2,7 V a 5,5 V |
| Entradas individuais | V−: 1,6 V a 3,2 V; V+: 2,0 V a 2,8 V | 0 V a 4,0 V |
| |V+ − V−| máximo | 1,2 V | 3,5 V |
| Corrente da rede | até 20,5 µA | 0,5 mA para V_OH/V_OL |
Com base nos dados fornecidos, qual é a decisão de validação correta?
A sequência começa em 1,60 V, portanto a saída se estabelece alta. Depois, a entrada assume: 2,50 V → 2,90 V → 2,40 V → 1,90 V.
Use V_Tsup ≈ 2,80 V e V_Tinf ≈ 2,00 V. Valores dentro da janela conservam o estado anterior.
Qual sequência de saída corresponde às cinco tensões, na ordem apresentada?
Com a saída alta e V_entrada estabilizada em 2,55 V, uma perturbação limitada a ±0,20 V produz uma faixa de 2,35 V a 2,75 V. Ela não alcança V_Tsup ≈ 2,80 V, portanto não inicia a troca para saída baixa.
Uma perturbação positiva que ultrapasse 2,80 V pode causar a primeira comutação. Depois dela, o limiar ativo passa a ser V_Tinf ≈ 2,00 V. Histerese altera a decisão; ela não remove o ruído nem rejeita qualquer pulso que cruze o limiar ativo.
Escreva uma conclusão técnica de 2 ou 3 frases para este projeto. Cite os limiares, a condição de estabilidade para a perturbação dada e uma limitação dessa conclusão.
Escreva pelo menos 120 caracteres (0/120).
Resumo
Parabéns! Você concluiu: Comparadores com histerese
Você concluiu este nível!
Agora você vai iniciar: Lógica digital
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