
Passo 1 de 7
Armazenar um bit é manter um estado
Memória digital começa quando o circuito conserva um estado interno, fazendo a saída depender também do que ocorreu antes.
Trilha de aprendizado · Nível 8 · Tutorial 6
Ao concluir, o aluno será capaz de explicar como um flip-flop D armazena um bit e prever sua saída em diagramas temporais ideais, considerando a borda ativa e o tipo de reset.
Armazenar um bit é manter um estado
Memória digital começa quando o circuito conserva um estado interno, fazendo a saída depender também do que ocorreu antes. 2 min
Identificar D, clock, Q e a borda ativa
Reconheça os terminais do flip-flop D e interprete, pelo símbolo e pela descrição funcional, qual transição do clock é ativa. 2 min
Distinguir sensibilidade a nível e a borda
Compare a janela de transparência de um latch D com a captura pontual de um flip-flop D. 2 min
Prever Q em diagramas temporais ideais
Use bordas ativas e o estado inicial para prever Q em um flip-flop D ideal. 3 min
Inicializar o estado com reset síncrono
Use a tabela funcional para identificar a polaridade, a prioridade e o instante de atuação de um reset síncrono. 3 min
Interpretar o reset assíncrono
3 min
Aplicação final: validar a memória de um bit
Resolva dois casos finais de flip-flop D ideal e consolide como captura, retenção e reset definem a saída Q. 3 min

Passo 1 de 7
Memória digital começa quando o circuito conserva um estado interno, fazendo a saída depender também do que ocorreu antes.
Um multiplexador seleciona uma entrada e encaminha seu valor à saída. Se as entradas e a seleção forem iguais em dois instantes, sua saída será igual nos dois casos: ele não precisa lembrar do passado.
Para armazenar um bit, o circuito precisa conservar internamente um valor 0 ou 1. Esse valor conservado é chamado de estado.

O multiplexador depende das entradas atuais; o bloco de memória inclui um estado interno.
Um circuito combinacional produz sua resposta a partir das entradas atuais. Já um circuito sequencial produz sua resposta usando as entradas atuais e o estado que já estava armazenado.
De forma conceitual, uma realimentação interna permite que o valor armazenado influencie o próprio circuito e seja mantido. Não é necessário conhecer a implementação com portas para usar essa ideia: basta reconhecer que existe uma informação interna persistindo.
Exemplo
Imagine duas memórias de um bit recebendo exatamente o mesmo comando de atualização, que neste momento não altera nada:
As entradas atuais podem ser idênticas, mas as saídas diferem porque os estados anteriores são diferentes. Essa dependência do passado é a característica essencial de um circuito sequencial.
Dica
A retenção pressupõe alimentação válida e a ausência de um evento que atualize o estado. Desligar a alimentação não garante que o bit seja conservado; esta memória não deve ser confundida com armazenamento não volátil.
Associe cada situação ao tipo de comportamento predominante.
Faça as associações corretas.
Toque em um item e depois no par correspondente.

Passo 2 de 7
Reconheça os terminais do flip-flop D e interprete, pelo símbolo e pela descrição funcional, qual transição do clock é ativa.
Em um flip-flop D, D é a entrada de dados: o bit que poderá se tornar o novo estado. Q é a saída que mostra o bit atualmente armazenado.
O sinal clock não é um dado a ser guardado. Ele define o evento em que o flip-flop observa D. Entre esses eventos, Q representa o estado já armazenado.

D fornece o dado; o clock indica quando observá-lo; Q exibe o estado armazenado.
Exemplo
Alguns símbolos também têm a saída Q̅ (lê-se “Q barra”). Ela é o complemento de Q:
Portanto, Q̅ não armazena um segundo bit independente: é apenas a representação invertida do mesmo estado.
Uma borda é uma transição do clock, não um período inteiro em nível alto ou baixo.
O símbolo informa qual delas é ativa. O pequeno triângulo no terminal de clock indica que o componente reage a uma borda. Sem bolha nesse terminal, a convenção apresentada indica borda de subida.

Triângulo: sensibilidade à borda. Bolha no clock: borda de descida, nesta convenção.
Dica
Não conclua a borda ativa apenas pelo nome de um pino. Em um componente real, confirme a interpretação na descrição funcional ou na tabela funcional da folha de dados. O símbolo e essa descrição devem concordar.
Associe cada elemento à sua função no flip-flop D.
Faça as associações corretas.
Toque em um item e depois no par correspondente.
Um símbolo de flip-flop D mostra um triângulo no clock, sem bolha. Qual transição é a borda ativa?

Passo 3 de 7
Compare a janela de transparência de um latch D com a captura pontual de um flip-flop D.
Um latch D sensível a nível possui uma janela de transparência. Quando sua habilitação está no nível ativo — neste exemplo, nível alto —, Q acompanha D. Se D muda, Q também pode mudar enquanto essa janela permanece aberta.
Quando a habilitação sai do nível ativo, o latch fecha a janela e conserva o último valor que estava em D.

No latch sensível a nível alto, o intervalo em nível alto é uma janela de transparência.
Dica
Pense na habilitação como uma janela, não como um único momento: enquanto ela está ativa, mudanças sucessivas em D podem chegar a Q.
Um flip-flop D sensível à borda de subida não acompanha D durante todo o nível alto do clock. Ele observa D no instante em que o clock passa de 0 para 1 e armazena esse valor em Q.
Depois da borda, Q é conservado até a próxima borda de subida. Portanto, manter o clock em 1 não abre uma janela de transparência.

A borda é um instante de captura; o patamar alto seguinte não torna o flip-flop transparente.
Exemplo
Comparação direta:
Nos dois casos, fora da condição de atualização, o valor armazenado é mantido.
Considere D inicialmente em 0. O sinal de controle sobe e permanece em 1. Durante esse patamar alto, D muda para 1 e depois volta para 0.
Qual afirmação descreve corretamente as saídas?
| Elemento | Q na subida | D muda para 1 no patamar alto | D volta para 0 no patamar alto |
|---|---|---|---|
| Latch D | Acompanha D | Muda para 1 | Muda para 0 |
| Flip-flop D | Captura 0 | Permanece 0 | Permanece 0 |
Dica
A diferença não está no nome do sinal: ambos podem receber um sinal que fica alto. O que importa é a regra do elemento: nível ativo para o latch ou transição ativa para o flip-flop.
Um latch D é transparente quando EN=1. Um flip-flop D usa a borda de subida do clock. Inicialmente, D=0 e ambas as saídas estão em 0. EN e clock sobem para 1; depois, enquanto ambos continuam em 1, D muda para 1.
Qual é o resultado ideal logo após essa mudança de D?

Passo 4 de 7
Use bordas ativas e o estado inicial para prever Q em um flip-flop D ideal.
Considere um flip-flop D ideal de borda de subida, sem comandos adicionais, com estado inicial conhecido.
Para traçar Q:
Neste modelo, D está estável ao redor da borda ativa e Q muda sem atraso visível. Uma descida do clock e uma mudança isolada em D não atualizam Q.
Observe o padrão: as linhas-guia passam somente pelas bordas de subida. É nelas que Q recebe o valor de D; nos demais intervalos, Q retém o último estado.

Para um flip-flop D de borda de subida, a leitura de D acontece somente nas subidas do clock.
A tabela funcional também descreve eventos, não apenas combinações de entradas. Para este flip-flop D ideal, sem reset:
A indicação ↑CLK significa uma transição de 0 para 1 no clock. O traço — significa que o valor de D não importa naquele intervalo: sem borda ativa, o estado é conservado.
| Condição do clock | D | Próximo Q |
|---|---|---|
| ↑CLK | 0 | 0 |
| ↑CLK | 1 | 1 |
| Sem ↑CLK | — | Q atual |
Dica
Uma captura pode não aparecer como transição no desenho: se Q já vale 1 e D vale 1 na próxima borda ativa, Q continua em 1. Ainda houve captura; o valor novo apenas é igual ao estado armazenado.
Exemplo
Exemplo: um flip-flop de borda de subida começa com Q = 0. Nas três subidas sucessivas do clock, D vale 1, depois 0, depois 0.
A sequência de Q é: começa em 0; após a primeira subida, torna-se 1; após a segunda, torna-se 0; após a terceira, continua 0. Mudanças de D ocorridas entre essas subidas não alteram Q.
Complete a sequência do exemplo. Q começa em 0. Nas três bordas de subida, D vale 1, 0 e 0. Depois das bordas, Q vale, respectivamente: 1, {{lacuna}}, 0.
Qual é o valor da lacuna?
Qual diagrama representa um flip-flop D ideal de borda de subida que começa com Q = 0, captura D = 1 na primeira subida e D = 0 na segunda? Considere que D também muda uma vez entre as duas subidas.
Escolha o diagrama correto.
Atenção
Este é um modelo lógico ideal. Circuitos reais têm atrasos e exigem que D esteja estável em uma janela ao redor da borda. Esses requisitos serão estudados no próximo tutorial.

Passo 5 de 7
Use a tabela funcional para identificar a polaridade, a prioridade e o instante de atuação de um reset síncrono.
Ao energizar um flip-flop D genérico, não se deve presumir que Q comece em 0 ou em 1. Para a análise lógica, represente essa condição como desconhecida, indicada aqui por X.
X não é um terceiro nível lógico físico. É uma anotação: com as informações disponíveis, ainda não é possível afirmar se Q vale 0 ou 1. Um reset permite estabelecer um estado conhecido.

O reset síncrono só define Q quando ocorre a borda ativa do clock.
Neste step, use este flip-flop de borda de subida com reset síncrono RST ativo em nível alto. Portanto, RST = 1 significa que o reset está solicitado.
A tabela funcional é a referência: na borda ativa, o reset tem prioridade sobre D. Fora de uma borda de subida, Q conserva seu valor, mesmo que RST mude.
Dica
Convenções usadas:
O comportamento ideal deste flip-flop D com reset síncrono ativo alto é:
| Clock | RST | D | Q(n+1) |
|---|---|---|---|
| ↑ | 1 | X | 0 |
| ↑ | 0 | 0 | 0 |
| ↑ | 0 | 1 | 1 |
| Sem ↑ | X | X | Q(n) |
Exemplo
Considere Q inicialmente desconhecido (X). RST começa em 0. Antes da primeira borda de subida, D vale 1; na primeira borda, Q captura 1.
Depois, RST passa a 1 e D vale 1. Na próxima borda de subida, a tabela manda Q para 0: o reset tem prioridade sobre D.
Se RST voltar a 0, Q não muda imediatamente. Na borda ativa seguinte, o flip-flop volta a capturar D normalmente.
Em um flip-flop com reset síncrono ativo alto, RST fica em 1 durante todo o intervalo entre duas bordas de subida e volta a 0 antes da próxima borda. O que acontece com Q por causa desse pulso de reset?
Selecione a previsão correta.
Na borda de subida, se RST estiver ativo, a entrada que deixa de importar é:
Na borda ativa com RST = 1, a entrada {{blank}} é indiferente para o próximo valor de Q.

Passo 6 de 7
Um reset assíncrono força Q ao estado definido assim que fica ativo, sem esperar a borda ativa do clock. No exemplo deste step, o estado forçado é Q = 0.
A tabela funcional é a fonte da regra: enquanto o reset estiver ativo, D e clock não alteram Q. Quando o reset é liberado, o flip-flop volta ao funcionamento normal, mas não captura D naquele instante; a próxima captura ocorre apenas na próxima borda ativa.

A ativação do reset altera Q fora da borda; a liberação apenas devolve o controle ao clock.
Considere esta tabela funcional de um componente específico, com CLR ativo em nível baixo e prioridade sobre a captura de D.
| CLR | Clock | D | Próximo Q |
|---|---|---|---|
| 0 | qualquer | qualquer | 0 |
| 1 | borda de subida | 0 | 0 |
| 1 | borda de subida | 1 | 1 |
| 1 | sem borda de subida | qualquer | mantém Q |
Compare um mesmo pulso de reset ativo entre duas bordas de subida:
Portanto, “ativo em nível baixo” descreve a polaridade, não o sincronismo. Um reset pode ser ativo baixo e síncrono, ou ativo baixo e assíncrono. Consulte sempre o símbolo e, principalmente, a tabela funcional do dispositivo.

A posição temporal do pulso é igual; o que muda é a regra indicada na tabela funcional.
Exemplo
Exemplo ideal: Q começa em 1. CLR está em 1, D vale 1 e não há borda de subida. Quando CLR cai para 0, Q passa imediatamente a 0. Mesmo que D mude e ocorram bordas de clock, Q permanece em 0 enquanto CLR estiver em 0.
Depois que CLR retorna a 1, Q continua em 0 até a próxima borda de subida. Nessa borda, se D for 1, Q passa para 1.
Relacione cada situação à consequência no flip-flop D ideal com CLR assíncrono ativo baixo da tabela apresentada.
Faça as associações.
Toque em um item e depois no par correspondente.
Complete a frase considerando o reset assíncrono do exemplo: “Após CLR ser liberado, D será capturado apenas na próxima __ do clock.”
Após CLR ser liberado, D será capturado apenas na próxima __ do clock.
Atenção
Nos diagramas ideais deste tutorial, a liberação do reset é mostrada afastada das bordas do clock. Em circuitos reais, a liberação exige cuidados temporais especificados pelo fabricante; esse assunto será estudado no próximo tutorial.

Passo 7 de 7
Resolva dois casos finais de flip-flop D ideal e consolide como captura, retenção e reset definem a saída Q.
Para prever Q em um flip-flop D ideal, combine:
Aplique a tabela antes da regra normal de captura. Sem reset ativo, Q recebe D somente na borda ativa e conserva esse valor até o próximo evento que o altere. Use X quando o estado inicial é desconhecido na análise; X não é um terceiro nível lógico físico.

A tabela funcional decide o que acontece em cada evento; o diagrama temporal mostra quando ele ocorre.
Use esta tabela funcional nos dois casos finais. Ela declara explicitamente as prioridades e evita supor o comportamento apenas pelo nome do pino.
| Condição | Ação em Q |
|---|---|
| Reset síncrono ativo na borda ativa | Q ← 0 |
| Reset síncrono inativo na borda ativa | Q ← D |
| Reset assíncrono ativo | Q ← 0 imediatamente |
| Reset assíncrono liberado, sem borda ativa | Q conserva o valor |
| Sem reset ativo e sem borda ativa | Q conserva o valor |
O flip-flop é sensível à borda de subida. Seu reset síncrono, R, é ativo em 1 e tem prioridade sobre D na borda ativa.
Como R é síncrono, ele só é avaliado nas bordas de subida. Determine a sequência de Q: antes da primeira borda, após a primeira e após a segunda.
Sequência de Q: X, {{lacuna}}, {{lacuna}}
Escreva pelo menos 3 caracteres (0/3).
Agora o flip-flop continua sensível à borda de subida, mas possui reset assíncrono /R: ele é ativo em 0.
Q começa em X. Entre duas bordas de subida, /R muda de 1 para 0 enquanto D = 1. Depois, /R volta para 1 ainda antes da próxima borda. Na próxima borda de subida, D = 1.
A ativação de /R força Q sem esperar o clock. Sua liberação não captura D: apenas devolve o controle à próxima borda ativa.

Q muda na ativação de /R, permanece em 0 na liberação e só captura D na borda de subida seguinte.
No caso descrito, qual é a sequência de Q: estado inicial, após /R ficar em 0, após /R voltar a 1 e após a próxima borda de subida?
Escreva pelo menos 7 caracteres (0/7).
Explique, em uma ou duas frases, por que Q permanece em 0 quando /R volta a 1, antes da próxima borda de subida.
Escreva pelo menos 30 caracteres (0/30).
Resumo
Parabéns! Você concluiu: Memória de um bit com flip-flop D
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