Trilha de aprendizado · Nível 15 · Tutorial 7

Orçamento de incerteza e fatores de abrangência

Construir um orçamento simples de incerteza para uma medição de validação, combinando contribuições justificadas e declarando corretamente a incerteza padrão ou expandida.

  • Nível: Avançado
  • Duração: 25 min
  • 8 passos
Orçamento de incerteza e fatores de abrangência

O que você vai percorrer

  1. Definir o resultado ao qual o orçamento se aplica Delimite o resultado de medição antes de reunir contribuições de incerteza. 2 min
  2. Interpretar as fontes e obter incertezas padrão Aprenda a distinguir estatística, especificações, correções e declarações de calibração antes de registrar incertezas padrão em um orçamento. 3 min
  3. Montar a tabela sem contar o mesmo efeito duas vezes Organize um orçamento de incerteza rastreável, separando correções, fontes aplicáveis e parcelas que poderiam duplicar o mesmo efeito. 3 min
  4. Propagar cada contribuição para a unidade do resultado Converta cada incerteza padrão para a unidade do resultado usando a magnitude do coeficiente de sensibilidade, preservando o sinal apenas no modelo de medição. 3 min
  5. Verificar se a soma quadrática é válida 2 min
  6. Calcular a incerteza padrão combinada Calcule a incerteza padrão combinada a partir de contribuições já propagadas e interprete corretamente a unidade e o significado de u_c. 3 min
  7. Expandir a incerteza sem prometer cobertura automática Calcule a incerteza expandida e diferencie o uso de k de uma afirmação justificada de cobertura. 4 min
  8. Concluir o orçamento e declarar o resultado Conclua um orçamento de incerteza autocontido e apresente o resultado com condições e limitações explícitas. 5 min

O que você vai aprender

  • Montar uma tabela de incertezas com origem e hipótese de cada contribuição.
  • Converter as contribuições para a unidade do resultado usando sensibilidades.
  • Calcular a incerteza combinada quando as hipóteses da soma quadrática forem atendidas.
  • Interpretar e utilizar um fator de abrangência sem atribuir cobertura automática a k = 2.
  • Redigir um resultado de medição com condições e limitações explícitas.

Antes de começar

  • Modelos de distribuição e incerteza padrão
  • Orçamento de erro da cadeia de medição
  • Medição de tensão contínua entre dois pontos

Passo 1 de 8

Definir o resultado ao qual o orçamento se aplica

Delimite o resultado de medição antes de reunir contribuições de incerteza.

Delimite antes de calcular

Um orçamento tem um alvo específico

Um orçamento de incerteza não pertence ao circuito inteiro nem a um instrumento “em geral”. Ele se aplica a um resultado de medição definido: grandeza, ponto observado, procedimento, configuração e condições.

Neste tutorial, usaremos dados didáticos completos. Você não precisa energizar uma montagem nem obter arquivos externos.

O que define o resultado

Diagrama de um ponto de teste de 5 V medido por multímetro, ligado visualmente à janela de observação, à temperatura ambiente, à faixa selecionada e ao procedimento.

O mesmo número só é comparável quando se preservam a definição e as condições da medição.

Registre procedimento e condições

Definição operacional

Caso condutor — resultado de interesse

Estimar a tensão contínua média no ponto de teste TP5V de uma configuração identificada do projeto, durante uma janela de 60 s.

O resultado será associado ao procedimento abaixo; mudar qualquer elemento relevante pode exigir outro orçamento ou uma revisão de suas hipóteses.

Exemplo

Escopo do caso

  • Grandeza: tensão contínua média em TP5V.
  • Configuração: placa de validação identificada, alimentada por fonte CC ajustada para 5,00 V; carga eletrônica do projeto conectada.
  • Procedimento: registrar 10 leituras do multímetro distribuídas em 60 s e calcular a média.
  • Instrumento: multímetro digital na faixa de 20 Vcc.
  • Condições: ambiente de 23 °C ± 2 °C; cabos conectados ao mesmo ponto de teste e ao retorno de referência.
  • Modelo do resultado: média das leituras, com as correções aplicáveis documentadas.

Esses dados delimitam o significado de “tensão medida”. Não são ainda um cálculo de incerteza.

Não confunda os propósitos

Dois orçamentos, duas perguntas

No orçamento de pior caso, combinamos limites admissíveis para investigar extremos possíveis, como já foi feito no orçamento de erro da cadeia.

No orçamento de incerteza, organizaremos o conhecimento disponível sobre este resultado medido: dispersão das leituras, informações aplicáveis do instrumento, correções e hipóteses. Ele não transforma limites de especificação em probabilidades por si só.

Portanto, não reutilize automaticamente um orçamento de pior caso como orçamento de incerteza, mesmo que ambos mencionem o mesmo circuito.

Limites e conhecimento sobre a medição

Comparação visual: à esquerda, limites extremos de um orçamento de pior caso; à direita, leituras agrupadas em torno de um resultado para um orçamento de incerteza.

Pior caso explora limites admissíveis; incerteza descreve o conhecimento disponível sobre um resultado sob condições definidas.

Prática: identifique uma definição válida

Verifique o escopo

Qual definição é suficientemente específica para iniciar o orçamento de incerteza do caso condutor?

Passo 2 de 8

Interpretar as fontes e obter incertezas padrão

Aprenda a distinguir estatística, especificações, correções e declarações de calibração antes de registrar incertezas padrão em um orçamento.

Reconheça o que cada fonte informa

Três fontes, três interpretações

Antes de preencher um orçamento, identifique que tipo de informação cada fonte fornece. Para a tensão contínua média definida no passo anterior, as fontes usuais são:

  • Série de leituras: pode fornecer a incerteza padrão da média, desde que estabilidade e independência das leituras sejam justificáveis.
  • Especificação do instrumento: fornece um limite ou uma regra de desempenho, válido apenas na faixa, no modo e nas condições declaradas.
  • Certificado ou informação de calibração: pode trazer uma correção e/ou uma incerteza declarada, com condições e, às vezes, um fator k.

O número disponível não entra automaticamente como incerteza padrão. Primeiro registre sua origem, validade e significado.

Da fonte ao valor utilizável

Diagrama mostrando leituras repetidas, especificação do instrumento e certificado de calibração passando por uma verificação de aplicabilidade antes de gerar uma incerteza padrão.

A fonte só é utilizável depois de conferir se suas condições correspondem à medição.

Valide o contexto e o significado

Não confunda os valores disponíveis

Use esta distinção operacional ao registrar uma fonte. Ela evita colocar na mesma coluna valores que têm funções diferentes.

Tratamentos preliminares antes de montar as contribuições do orçamento.
Informação encontradaO que ela significaTratamento adequado
Média e dispersão de leiturasInformação estatística da sérieUsar a incerteza da média somente com estabilidade e independência justificadas
±0,05% da leitura + 2 dígitosLimite de desempenho especificadoConferir faixa, modo, resolução, ambiente e interpretação da especificação antes de modelar
Correção de −3 mVAjuste a aplicar ao resultado, se aplicávelCorrigir o resultado; registrar separadamente a incerteza associada à correção
U = 0,020 V, k = 2Incerteza expandida declarada pela fonteRecuperar a incerteza padrão com u = U/k
U = 0,020 V, sem kDeclaração incompleta para essa conversãoRegistrar a limitação e esclarecer a fonte; não inventar k

Dica

Verifique a aplicabilidade

Uma especificação pode deixar de ser aplicável se, por exemplo, foi escrita para outra faixa, para temperatura ambiente diferente, para uso após aquecimento do instrumento ou para uma resolução distinta. Também verifique se ela já inclui efeitos que outra fonte pretende representar.

Uma correção desloca o melhor valor estimado. A incerteza associada informa o que ainda se desconhece após aplicar a correção. Portanto, correção e incerteza não são parcelas intercambiáveis.

Converta apenas com a hipótese documentada

Exemplo

Recupere u a partir de U e k

Quando uma fonte declara uma incerteza expandida U acompanhada de seu próprio fator k, obtenha a incerteza padrão daquela fonte por:

u = U / k

Exemplo: um certificado aplicável à faixa usada informa U = 0,020 V e k = 2. Logo, a incerteza padrão recuperada é:

u = 0,020 V / 2 = 0,010 V

Registre também as condições do certificado, como ponto calibrado, faixa, data e condições de uso. O k aqui pertence à declaração da fonte; ele não decide, por si só, como será declarado o resultado final.

Atenção

Sem k, sem suposição

Se uma fonte informar somente “incerteza de 0,020 V” sem dizer se esse valor é padrão, expandido, limite ou qual modelo o sustenta, não escolha um divisor por conveniência. Marque a informação como insuficiente para conversão e busque esclarecimento ou uma fonte aplicável alternativa.

Pratique a interpretação correta

Classifique as informações

Associe cada informação ao tratamento mais adequado.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Converta a declaração da fonte

Uma fonte aplicável declara U = 0,020 V com k = 2. A incerteza padrão é u = __.

Passo 3 de 8

Montar a tabela sem contar o mesmo efeito duas vezes

Organize um orçamento de incerteza rastreável, separando correções, fontes aplicáveis e parcelas que poderiam duplicar o mesmo efeito.

Estruture antes de calcular

Uma linha, uma evidência

Um orçamento rastreável começa definindo o que cada linha representa. Para a tensão contínua média em TP5V, medida com o multímetro na faixa de 20 Vcc, registre a origem do dado, sua condição de validade e a hipótese usada antes de convertê-lo em incerteza padrão.

Mantenha também a correção aplicada separada das linhas de incerteza. A correção altera o melhor valor estimado; a incerteza associada descreve o que ainda se desconhece depois dessa aplicação. O valor da correção não é, por si só, uma incerteza padrão.

Rastreabilidade das fontes

Diagrama de fontes distintas — calibração, leituras repetidas e incremento do visor — chegando a linhas separadas de um orçamento, enquanto uma correção é aplicada diretamente ao resultado.

Correção aplicada e incerteza associada têm funções diferentes; efeitos sobrepostos não devem gerar duas parcelas.

Campos essenciais do orçamento

A tabela pode ser larga; se necessário, divida-a em uma parte descritiva e outra numérica. O importante é que cada linha permita responder: de onde veio o dado, em quais condições vale e por que entrou — ou não entrou — no orçamento.

Estrutura a preparar antes de qualquer propagação para o resultado.
OrigemValor disponívelUnidadeCondição de validadeModelo ou hipóteseConversão para u padrão*
CalibraçãoU = 0,004VMesmo multímetro; faixa de 20 Vcc; certificado aplicávelU declarado com k = 2u = U/k
Repetiçõesu da média = 0,0012VTP5V, janela de 60 s e configuração definidasSérie previamente considerada aplicávelValor já em u
Resoluçãoq = 0,001VLeitura na faixa de 20 VccArredondamento; verificar sobreposição(q/2)/√3

Registre a conversão, sem propagar ainda

Exemplo

Correção não é parcela de incerteza

Considere uma média indicada de 5,012 V no caso condutor. Um certificado aplicável ao mesmo multímetro, na faixa de 20 Vcc, informa correção de +0,001 V. Ao aplicá-la, o melhor valor estimado passa a ser 5,013 V.

O certificado também declara U = 0,004 V, k = 2. Isso fornece u = 0,002 V para a incerteza associada à calibração, desde que as condições documentadas permaneçam aplicáveis. A correção de +0,001 V não entra novamente na coluna de incerteza padrão.

Resolução como arredondamento

Para um visor com incremento q, o arredondamento pode ser representado por um intervalo de largura q. Sob a hipótese de distribuição retangular, a semilargura é q/2:

u_res = (q/2) / √3

Com q = 0,001 V, resulta u_res ≈ 0,000289 V. Essa é uma possível linha do orçamento, não uma inclusão automática: ela só entra se o arredondamento ainda não estiver adequadamente representado por outra informação incluída.

Parte numérica preparada

A coluna numérica completa ainda terá coeficiente de sensibilidade e contribuição na unidade do resultado. Esses campos permanecem preparados, mas não serão calculados agora; a propagação será feita no próximo passo.

Incertezas padrão obtidas antes da propagação.
OrigemConversão para uu padrãoUnidade de uSensibilidadeContribuição no resultado
CalibraçãoU/k0,002VA preencher depoisA preencher depois
RepetiçõesValor já fornecido0,0012VA preencher depoisA preencher depois
Resolução(q/2)/√30,000289VA preencher depoisA preencher depois

Verifique a sobreposição antes de incluir

Atenção

Evite duplicação

Não some resolução, quantização, dispersão observada e especificações agregadas por hábito. Investigue o escopo de cada fonte.

Uma especificação pode declarar que já inclui resolução. Uma análise de repetições pode, em certas condições, já incorporar parte da variação associada aos valores quantizados. Por outro lado, uma série com o mesmo valor exibido não demonstra que a incerteza de arredondamento seja nula.

Também não some automaticamente uma especificação e uma calibração se ambas descrevem o mesmo desempenho do instrumento. Registre a decisão: incluída, excluída por sobreposição documentada ou excluída como desprezível nas condições assumidas.

Decida sobre a resolução

No orçamento de TP5V, o certificado aplicável à faixa de 20 Vcc declara que sua incerteza exclui a resolução do visor. As dez leituras usadas para a média foram todas 5,012 V; a incerteza das repetições foi atribuída à instabilidade da fonte, observada em um registro independente. O multímetro tem q = 0,001 V. Qual registro é mais defensável?

Prática de documentação

Documente o orçamento parcial

Documente um orçamento parcial para a tensão corrigida em TP5V, com o multímetro na faixa de 20 Vcc.

Dados: certificado aplicável informa correção de +0,001 V e U = 0,004 V, k = 2; a série de dez leituras fornece u da média = 0,00030 V; o visor tem q = 0,001 V. Neste caso, a análise das repetições representa somente a instabilidade da fonte externa e não representa o arredondamento do visor.

Escreva três linhas no formato origem | hipótese ou condição | incerteza padrão. Em seguida, justifique em uma frase por que a correção não deve aparecer como uma quarta incerteza.

Escreva pelo menos 120 caracteres (0/120).

Passo 4 de 8

Propagar cada contribuição para a unidade do resultado

Converta cada incerteza padrão para a unidade do resultado usando a magnitude do coeficiente de sensibilidade, preservando o sinal apenas no modelo de medição.

Propague, antes de combinar

Da entrada ao resultado

Cada linha do orçamento parte de uma incerteza padrão da entrada, uᵢ, mas o resultado pode estar em outra unidade ou em outro ponto da cadeia. Propague-a pela sensibilidade do modelo:

contribuiçãoᵢ = |cᵢ| × uᵢ

O coeficiente cᵢ mantém seu sinal no modelo de medição. Já a contribuição registrada no orçamento é uma magnitude não negativa; por isso, usa-se |cᵢ|.

A unidade deve fechar. Se o resultado está em V e uma entrada está em mV, então o coeficiente pode ter unidade V/mV. Após a multiplicação, a contribuição fica em V: a unidade do resultado.

Conversão para uma unidade comum

Diagrama de três incertezas de entrada passando por sensibilidades e chegando a contribuições na unidade comum, volts.

A sensibilidade é a ponte entre a unidade da entrada e a unidade do resultado.

Dica

Sinal no modelo; magnitude no orçamento

Não altere o sinal da equação apenas para preencher a tabela. Por exemplo, no modelo y = Vₗ − δ, a sensibilidade de δ é cδ = −1. Se u(δ) = 0,003 V, a contribuição é |−1| × 0,003 V = 0,003 V.

O sinal participa do cálculo do valor estimado de y. A magnitude expressa o tamanho da incerteza que chega a y.

Aplique o modelo à tensão

Exemplo

Tensão corrigida em TP5V

Para a tensão contínua corrigida em TP5V, represente o resultado por:

y = V̄ₗ + δcal

V̄ₗ é a média das leituras indicadas e δcal é a correção aplicável do certificado. Ambas as entradas estão expressas em volts no mesmo ponto de teste; portanto, suas sensibilidades são unitárias. Isso não elimina a necessidade de registrá-las: a unidade V/V mostra por que a contribuição final continua em V.

Propagação com sensibilidades unitárias

Cada coeficiente unitário decorre deste modelo específico; não é uma regra para toda cadeia de medição.

As contribuições ficam em volts porque as entradas e o resultado se referem à mesma grandeza de tensão no modelo.
EntradaIncerteza padrão uᵢcᵢ|cᵢ| × uᵢ
Média indicada V̄ₗ0,00030 V+1 V/V0,00030 V
Calibração δcal0,0020 V+1 V/V0,0020 V
Resolução0,000289 V+1 V/V0,000289 V

Exemplo

Sensibilidade diferente de um

Considere agora uma tensão medida depois de um condicionamento de ganho conhecido, G = 10, mas cujo resultado desejado é referido à entrada:

x = Vsaída / G

Para u(Vsaída) = 0,020 V, a sensibilidade é cVsaída = 1/G = 0,100 V de entrada/V de saída. Logo, a contribuição referida à entrada é:

|0,100| × 0,020 V = 0,0020 V

Embora V/V seja numericamente adimensional, explicitar a relação ajuda a distinguir tensão de saída da tensão referida à entrada.

Atenção

Hipótese sobre o ganho

Neste exemplo, a incerteza do ganho foi desconsiderada somente pela hipótese explícita de que G é conhecido com incerteza desprezível diante das demais parcelas, nas condições usadas. Se essa hipótese não for defensável, G precisa aparecer como outra entrada do modelo; não o ignore por hábito.

Calcule a contribuição propagada

Pratique uma sensibilidade não unitária

No modelo x = Vsaída / G, adote G = 10 conhecido sem incerteza relevante e u(Vsaída) = 0,030 V. Calcule a contribuição de Vsaída referida à entrada. Digite o valor com a unidade.

Complete a contribuição

A contribuição de incerteza padrão de Vsaída, referida à entrada, é __.

Diferencie sinal de magnitude

Cheque sinal e magnitude

No modelo y = Vₗ − δ, qual alternativa preserva corretamente o sinal da sensibilidade de δ e registra sua contribuição para u(δ) = 0,003 V?

Sinal no modelo e contribuição no orçamento

Escolha a expressão correta.

Passo 5 de 8

Verificar se a soma quadrática é válida

As hipóteses não são automáticas

Duas condições para avançar

Antes de combinar, verifique as hipóteses

A fórmula simplificada da soma quadrática só é apropriada quando:

  1. as contribuições já propagadas ao resultado podem ser tratadas como não correlacionadas; e
  2. o modelo é suficientemente linear no intervalo de incerteza analisado.

Linhas diferentes na tabela organizam o orçamento, mas não demonstram essas condições. Antes do cálculo, investigue a origem física e documental de cada parcela e a resposta do modelo na região realmente usada.

O caso compatível com a fórmula simplificada

Diagrama de fontes distintas chegando a um resultado e uma curva de resposta reta no intervalo analisado.

A combinação simplificada exige fontes tratáveis como não correlacionadas e resposta aproximadamente linear no intervalo considerado.

Separe repetição de relação entre fontes

Investigue a origem física e documental

Correlação é variação conjunta

Duas contribuições são correlacionadas quando tendem a variar juntas por uma causa, informação ou referência compartilhada. Por exemplo, duas parcelas baseadas na mesma referência de tensão ou no mesmo dado de calibração podem ter uma relação que não aparece apenas olhando os valores numéricos.

Compartilhar um instrumento, uma referência, uma alimentação ou uma origem documental é um sinal para investigar. Isso não prova sozinho que exista correlação, nem informa sua intensidade. Mas impede assumir automaticamente que ela seja nula.

Fontes separadas ou origem compartilhada?

Comparação entre duas contribuições com origens separadas e duas contribuições ligadas a uma mesma referência compartilhada.

Uma origem compartilhada requer investigação antes de usar a combinação simplificada.

Exemplo

Não confunda as duas verificações

A independência entre as repetições de uma série responde a outra pergunta: ela pode sustentar o uso da incerteza padrão da média. Já a correlação discutida aqui é a relação entre fontes distintas do orçamento.

Assim, uma série estável e com leituras independentes não demonstra que a incerteza de calibração, a resolução ou outra contribuição do orçamento sejam não correlacionadas. Verifique cada hipótese no seu próprio nível.

A sensibilidade representa o intervalo?

Cheque a linearidade no intervalo

A sensibilidade representa o intervalo?

A propagação por coeficiente de sensibilidade representa bem o modelo quando uma pequena mudança na entrada produz resposta aproximadamente proporcional no intervalo relevante.

Desconfie da aproximação perto de saturação, de um limiar, de uma mudança automática de faixa ou de qualquer região em que o ganho mude. Nessas situações, um único coeficiente local pode não representar toda a variação possível da entrada.

Resposta linear e resposta em saturação

Dois gráficos: uma reta de inclinação constante e uma curva que se achata por saturação dentro do intervalo destacado.

Em uma região curva ou de saturação, a sensibilidade local pode não descrever adequadamente a propagação.

Atenção

Limite importante

Não tente corrigir uma hipótese falha aumentando k. O fator de abrangência multiplica uma incerteza combinada obtida por um método sustentado; ele não elimina correlação nem torna linear um modelo que não é. Se as condições não forem justificadas, registre a limitação e não aplique a fórmula simplificada.

Prática de decisão

Exemplo

Cenário para decisão

Um orçamento para a tensão média em TP5V contém três linhas: incerteza da média de dez leituras, incerteza de calibração e resolução do visor. As três usam o mesmo multímetro.

A documentação disponível confirma que o certificado se aplica à faixa de 20 Vcc, mas não esclarece se sua incerteza já incorpora efeitos de resolução. Também não há análise que separe a dispersão das leituras da quantização do visor. A resposta do instrumento permaneceu na mesma faixa e longe de saturação.

Verificação das hipóteses

Qual decisão é tecnicamente mais defensável para esse cenário?

Cheque a afirmação

Verdadeiro ou falso: se duas contribuições aparecem em linhas separadas da tabela, elas são necessariamente não correlacionadas.

Passo 6 de 8

Calcular a incerteza padrão combinada

Calcule a incerteza padrão combinada a partir de contribuições já propagadas e interprete corretamente a unidade e o significado de u_c.

Combine contribuições já convertidas

O que entra no cálculo

Depois de confirmar que as contribuições são não correlacionadas e que o modelo é suficientemente linear no intervalo considerado, combine-as por soma quadrática:

u_c = √[(c₁u₁)² + (c₂u₂)² + (c₃u₃)²]

Use as contribuições já propagadas, isto é, |cᵢ| × uᵢ, todas na unidade do resultado. Não some diretamente as incertezas padrão das fontes se elas estiverem em unidades diferentes ou se ainda não tiverem passado pela sensibilidade.

Da contribuição individual à incerteza combinada

Diagrama com três contribuições na mesma unidade, seus quadrados e uma única incerteza combinada obtida pela raiz da soma.

A combinação atua sobre os quadrados das contribuições, não sobre uma soma direta dos valores.

Exemplo: tensão corrigida

Dados do exemplo

Considere a tensão contínua corrigida de um ponto de teste de 5 V. O orçamento já produziu três contribuições na unidade do resultado. As hipóteses para a soma quadrática foram verificadas anteriormente.

Dica

Unidade e arredondamento

Cada termo elevado ao quadrado tem unidade V². A soma também fica em V²; ao extrair a raiz, u_c volta para V.

Mantenha dígitos de guarda nas etapas intermediárias. Só arredonde a incerteza combinada ao final, conforme a precisão justificável do orçamento.

Exemplo

Cálculo completo

Aplicando a sequência:

  1. Quadrados: 0,0060² = 0,00003600 V²; 0,0100² = 0,00010000 V²; 0,0029² = 0,00000841 V².
  2. Soma: 0,00014441 V².
  3. Raiz: u_c = √0,00014441 V² = 0,012016… V.

Assim, para o arredondamento adotado neste exemplo, u_c = 0,0120 V.

A soma direta daria 0,0060 + 0,0100 + 0,0029 = 0,0189 V. Esse número não é a incerteza padrão combinada pela hipótese de independência; ele ignora o efeito da soma quadrática.

Tabela usada no cálculo

As contribuições abaixo já incluem |cᵢ| × uᵢ.

Todas as contribuições estão referidas à tensão corrigida.
OrigemContribuição padrãoQuadrado
Média das leituras0,0060 V0,00003600 V²
Calibração aplicável0,0100 V0,00010000 V²
Resolução não sobreposta0,0029 V0,00000841 V²

Pratique com novos valores

Novo cálculo

Agora use um orçamento diferente, cujas hipóteses para a soma quadrática já foram justificadas. As três contribuições já foram propagadas para a tensão corrigida:

  • repetibilidade da média: 0,0030 V;
  • calibração aplicável: 0,0040 V;
  • resolução não sobreposta: 0,0010 V.

Eleve cada contribuição ao quadrado, some os resultados em V² e extraia a raiz. Preserve dígitos de guarda antes de informar o valor final.

Calcule a incerteza padrão combinada

Digite u_c com unidade.

Escreva pelo menos 4 caracteres (0/4).

Cheque o método e a interpretação

Evite dois erros comuns

Considere o modelo x = Vsaída / G, com G = 10 conhecido sem incerteza relevante. A fonte informa u(Vsaída) = 0,030 V. Logo, a contribuição já propagada para x é 0,0030 V.

Qual procedimento calcula corretamente a incerteza padrão combinada quando essa contribuição é combinada com outras contribuições não correlacionadas já expressas em V?

Escreva pelo menos 30 caracteres (0/30).

Interprete antes de avançar

O que u_c significa

A incerteza padrão combinada resume a dispersão atribuída ao resultado, segundo o modelo e as hipóteses documentadas. Ela não é um limite garantido e não define, por si só, um intervalo com cobertura numérica.

O próximo passo tratará da expansão por um fator de abrangência e das condições necessárias para fazer afirmações sobre cobertura.

Confirme a sequência

Verdadeiro ou falso: se as contribuições já estão na unidade do resultado e as hipóteses foram verificadas, deve-se somar seus quadrados, extrair a raiz e reportar u_c na unidade do resultado.

Escreva pelo menos 8 caracteres (0/8).

Passo 7 de 8

Expandir a incerteza sem prometer cobertura automática

Calcule a incerteza expandida e diferencie o uso de k de uma afirmação justificada de cobertura.

Forme a incerteza expandida

Expandir o resultado

Do resultado padrão ao intervalo declarado

Após combinar as contribuições e obter u_c, a incerteza padrão combinada do resultado, você pode declarar uma incerteza expandida:

U = k × u_c

O intervalo é escrito como y ± U, em que y é o valor estimado do mensurando.

O fator k não é uma correção nem altera a medição central. Ele apenas multiplica a incerteza padrão combinada para definir a largura do intervalo que será declarado.

Da incerteza padrão ao intervalo

Diagrama mostrando um resultado de tensão, sua incerteza padrão combinada, a multiplicação por k e o intervalo expandido correspondente.

A expansão aumenta a largura declarada em torno de y; ela não desloca o valor estimado.

Exemplo

Exemplo de cálculo

Exemplo didático. Para uma tensão corrigida de y = 5,012 V, suponha que o orçamento tenha produzido u_c = 0,018 V e que um procedimento aplicável determine k = 2.

  • U = 2 × 0,018 V = 0,036 V
  • Declaração: 5,012 V ± 0,036 V (k = 2)

Com os dígitos mostrados, o intervalo numérico vai de 4,976 V a 5,048 V. A indicação de uma probabilidade de cobertura depende de justificativas adicionais; não decorre só do cálculo.

Separe multiplicador e cobertura

Dois papéis distintos para k

O k que aparece na informação de uma fonte não migra automaticamente para o resultado final.

Por exemplo, um certificado pode informar para uma correção de calibração: U_cal = 0,020 V, k = 2. Essa informação permite recuperar a incerteza padrão daquela fonte: u_cal = 0,010 V. Depois, u_cal é combinada com as demais contribuições para produzir u_c.

O k do resultado combinado precisa ser escolhido ou informado para a declaração final. Ele pode coincidir numericamente com o k da calibração, mas isso não é uma transferência automática de significado nem de cobertura.

Atenção

Cobertura não é garantia

A cobertura é uma probabilidade atribuída ao intervalo pelo modelo do resultado e pelas informações que sustentam o orçamento. Não é garantia de que o valor verdadeiro esteja contido naquele intervalo.

Quando “aproximadamente 95%” pode ser dito

É possível associar k próximo de 2 a cobertura de aproximadamente 95% somente quando houver suporte para isso, incluindo:

  1. o resultado poder ser tratado como aproximadamente normal no intervalo relevante; e
  2. u_c estar suficientemente bem estimada.

Poucas leituras podem tornar a estimativa de dispersão pouco conhecida. Além disso, um resultado composto por contribuições com comportamento distante do normal pode não sustentar essa associação simples. Nesses casos, ainda é possível declarar U e k, mas sem escrever uma porcentagem de cobertura não justificada.

Declarações possíveis

Compare o que cada declaração sustenta.

A última coluna depende das evidências disponíveis, não apenas do número escolhido para k.
Informação disponívelDeclaração adequadaCobertura numérica?
u_c e k definidos pelo procedimentoy ± U (k informado)Somente se o procedimento a sustentar
u_c e k = 2 adotado, modelo bem sustentadoy ± U (k = 2)Pode declarar aproximadamente 95%
u_c e k = 2, poucas leituras ou modelo incertoy ± U (k = 2)Não declarar 95% automaticamente

Pratique o cálculo

Calcule U

No orçamento de tensão, foi obtido u_c = 0,018 V. O procedimento aplicável informa usar k = 2 para a declaração. Complete o valor de U em volts.

Lacuna de cálculo

U = ____ V

Interprete sem prometer demais

Avalie a declaração

Um certificado de calibração de uma contribuição informa U_cal = 0,020 V com k = 2. No orçamento final, essa informação já foi convertida para incerteza padrão e combinada com outras fontes. A equipe pretende declarar o resultado final com k = 2.

Qual interpretação é tecnicamente sustentada?

Escolha a formulação prudente

Qual frase deve acompanhar a declaração final se não há evidência suficiente para sustentar uma cobertura numérica?

Passo 8 de 8

Concluir o orçamento e declarar o resultado

Conclua um orçamento de incerteza autocontido e apresente o resultado com condições e limitações explícitas.

1. Caso final e orçamento rastreável

Feche o escopo do resultado

Caso final: tensão corrigida em TP5V

O resultado se aplica à tensão contínua média em TP5V, na placa de validação identificada, com carga eletrônica do projeto conectada. Foram feitas 10 leituras em 60 s, usando multímetro na faixa de 20 Vcc, entre TP5V e o retorno de referência, em ambiente de 23 °C ± 2 °C.

A média indicada foi 5,012 V. O certificado aplicável informa correção de +0,001 V; portanto, o valor estimado é:

y = 5,013 V

A declaração abaixo valerá para esta configuração, procedimento, faixa e janela de observação — não para qualquer ponto de 5 V ou outra condição de uso.

Fontes rastreáveis para um único resultado

O diagrama organiza as três evidências do caso: variação temporal, calibração e arredondamento do visor. Todas devem chegar à mesma unidade antes da combinação.

Diagrama de um ponto de teste de baixa tensão ligado a três fontes de incerteza que convergem para um resultado de tensão.

Linhas distintas só podem ser combinadas depois de investigar o que cada uma já representa.

Dados completos do orçamento

A tabela já traz as conversões e as sensibilidades. O modelo é y = V̄ind + δcal; para as três linhas, a contribuição chega ao resultado com c = +1 V/V.

A avaliação documental sustenta modelo linear no intervalo analisado e tratamento não correlacionado entre as três parcelas. Isso inclui uma separação explícita entre a instabilidade da fonte e o arredondamento do visor.

Orçamento didático para a tensão corrigida em TP5V.
OrigemValor disponívelHipótese e verificaçãocᵢContribuição (V)
Variação da fonteu = 0,00030 VObtida por monitoramento independente da instabilidade da fonte na janela de 60 s; não foi estimada a partir dos valores exibidos pelo multímetro.+10,00030
CalibraçãoU = 0,004 V; k = 2Certificado aplicável à faixa de 20 Vcc; correção +0,001 V aplicada em y; certificado declara excluir resolução.+10,00200
Resoluçãoq = 0,001 VArredondamento retangular residual do visor: q/(2√3) = 0,000289 V. As 10 indicações iguais não foram usadas para estimar a primeira linha.+10,000289
Quantização adicional—Excluída: seria outra descrição do mesmo arredondamento já representado pela resolução.——

2. Combine, expanda e arredonde

Calcule a incerteza padrão combinada

Use somente as três contribuições incluídas. Como já estão em volts e as hipóteses foram sustentadas para este caso:

u_c = √[(0,00030)² + (0,00200)² + (0,000289)²] V

Mantenha dígitos de guarda. O resultado desta etapa é uma incerteza padrão combinada, não uma incerteza expandida.

Aplicação: obtenha u_c

Qual é o valor de u_c, preservando pelo menos três algarismos significativos?

Expanda sem declarar cobertura automática

O procedimento deste relatório determina usar k = 2 para expandir o resultado. Calcule primeiro sem arredondar demais:

U = 2 × u_c

O uso de k é justificável pelo procedimento, mas os dados do caso não fornecem suporte suficiente para associar uma cobertura numérica ao intervalo.

Aplicação: calcule U

Qual é o valor de U antes do arredondamento final da declaração?

3. Declare o resultado e seus limites

Transforme o cálculo em uma declaração

Agora redija a conclusão técnica do caso. Arredonde U de modo coerente e alinhe o resultado à mesma casa decimal. Inclua:

  • valor estimado e unidade;
  • identificação de que a incerteza é U, com o valor de k;
  • configuração, procedimento ou condições essenciais;
  • correção aplicada;
  • hipótese relevante para a combinação;
  • limitação sobre cobertura.

Não conclua conformidade, aprovação do projeto ou segurança de energização. Essas conclusões exigem procedimentos e evidências próprios.

Redija o resultado final

Escreva uma declaração técnica curta para a tensão contínua média corrigida em TP5V.

Escreva pelo menos 180 caracteres (0/180).

4. Encerramento

Resumo

Síntese do percurso

O orçamento percorre uma cadeia de decisões; o cálculo só é defensável quando essa cadeia permanece explícita.

  • Defina a grandeza, a configuração, o procedimento e as condições aos quais o resultado se aplica.
  • Documente a origem, a validade e a hipótese de cada contribuição; mantenha correção separada de incerteza.
  • Evite dupla contagem: verifique se resolução, quantização, dispersão ou especificações agregadas descrevem o mesmo efeito.
  • Propague cada parcela pela sensibilidade e combine quadraticamente apenas quando não correlação e linearidade forem sustentadas.
  • Distingua u_c de U; informe k ao declarar U e só informe cobertura numérica quando houver justificativa.
  • Um orçamento caracteriza um resultado específico; não prova sozinho conformidade, segurança de energização ou desempenho fora das condições consideradas.

Atenção

Alcance da conclusão

O orçamento concluído torna visíveis tanto a qualidade metrológica do resultado quanto seu alcance limitado. Preserve essas condições ao comparar resultados ou atualizar o orçamento.

Tutorial concluído

Parabéns! Você concluiu: Orçamento de incerteza e fatores de abrangência

Você concluiu um orçamento de incerteza e declarou um resultado de medição sem atribuir cobertura automática ao fator k.

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