Trilha de aprendizado · Nível 12 · Tutorial 1

Dimensionamento de reguladores lineares

Dimensionar a faixa de operação de um regulador linear, verificando se a tensão de entrada, a corrente de carga e a dissipação permitem manter a saída com margem térmica.

  • Nível: Intermediário
  • Duração: 21 min
  • 9 passos
Dimensionamento de reguladores lineares

O que você vai percorrer

  1. Entenda o que o regulador mantém constante Veja como um regulador linear usa realimentação para controlar sua saída e por que essa regulação possui limites. 2 min
  2. Defina a tensão de saída Defina a tensão de saída de reguladores fixos e ajustáveis usando a relação e o esquema específicos do componente. 3 min
  3. Identifique a queda mínima necessária Selecione o dropout aplicável à corrente e à temperatura do projeto e diferencie a diferença de tensão disponível de um limite garantido. 2 min
  4. Calcule a margem no vale da entrada Calcule a tensão mínima que chega ao regulador no vale da ondulação e determine a margem disponível para manter a regulação. 3 min
  5. Estime a potência dissipada Estime a potência dissipada por um regulador linear separando a parcela da corrente de saída da parcela de corrente quiescente e selecionando condições compatíveis de maior dissipação. 3 min
  6. Verifique a temperatura e a margem térmica Estime a temperatura de junção com dados térmicos representativos da montagem e calcule a margem até um limite de projeto conservador. 3 min
  7. Delimite a faixa de operação Delimite a faixa utilizável combinando limites de entrada, corrente e temperatura para uma montagem declarada. 3 min
  8. Diferencie as causas de perda de regulação 2 min
  9. Conclua um dimensionamento completo Aplique os critérios elétricos e térmicos a um caso completo e justifique a faixa de operação obtida. 3 min

O que você vai aprender

  • Calcular a margem entre a menor tensão de entrada e a tensão necessária para manter a regulação.
  • Determinar a saída de um regulador ajustável usando a relação especificada pelo fabricante.
  • Estimar dissipação e temperatura de junção nas condições mais exigentes de entrada e carga.
  • Distinguir perda de regulação por dropout de restrições de corrente ou aquecimento.

Antes de começar

  • Filtragem capacitiva após a retificação
  • Perdas e margem térmica em transistores
  • Alimentação, excursão e precisão do amplificador operacional

Passo 1 de 9

Entenda o que o regulador mantém constante

Veja como um regulador linear usa realimentação para controlar sua saída e por que essa regulação possui limites.

Regulação por ajuste da queda interna

A função de um regulador linear

Um regulador linear recebe uma tensão de entrada e busca manter uma tensão de saída definida para a carga. Para isso, ele ajusta a queda de tensão em seu elemento interno de passagem.

Se a entrada aumenta, o regulador pode aumentar essa queda interna. Se a carga muda, ele também corrige sua ação. A energia correspondente à diferença de tensão não é convertida em uma tensão maior: em grande parte, torna-se calor no regulador.

A saída só permanece regulada enquanto entrada, corrente de carga e temperatura estiverem dentro das condições especificadas para o componente e sua montagem.

Modelo funcional

Diagrama funcional de regulador linear com entrada variável, elemento de passagem, referência, realimentação, saída para uma carga e fluxo de calor.

A realimentação compara a saída com uma referência e comanda o elemento de passagem; a diferença entre entrada e saída aparece como queda interna e aquecimento.

O que cada parte faz

Blocos e funções

Sem analisar o circuito interno, use este modelo funcional:

  • Entrada (VIN): recebe a energia da fonte.
  • Elemento de passagem: fica no caminho entre entrada e saída e ajusta sua queda de tensão.
  • Saída (VOUT): alimenta a carga.
  • Referência: representa o valor elétrico usado como comparação.
  • Realimentação: informa ao regulador o valor efetivo da saída para que ele corrija desvios.

A realimentação negativa já foi estudada: aqui, ela permite ao regulador compensar variações dentro de sua capacidade, e não eliminar qualquer limitação física.

Exemplo

Exemplo conceitual

Pense em uma entrada que varia moderadamente enquanto a carga exige uma saída estável. Se houver tensão suficiente na entrada e a corrente estiver dentro do permitido, o elemento de passagem assume a diferença necessária entre entrada e saída.

Quando não há mais margem de tensão, quando a carga exige corrente demais ou quando o componente aquece além da condição aceitável, o regulador já não consegue simplesmente “corrigir mais”. A saída pode então deixar de atender ao valor especificado.

Duas maneiras de definir a saída

Saída fixa ou ajustável?

Há duas formas comuns de definir a tensão de saída:

  • Regulador fixo: a tensão nominal de saída é estabelecida pelo próprio modelo, como 3,3 V ou 5 V. A folha de dados informa sua faixa de tolerância e as condições para atendê-la.
  • Regulador ajustável: a saída é definida por uma rede externa ligada ao terminal de ajuste, seguindo a equação e o circuito recomendados pelo fabricante.

“Fixo” e “ajustável” descrevem como a saída é definida; ambos ainda precisam respeitar seus limites de entrada, corrente e temperatura.

Dica

Circuito recomendado

Use o circuito de aplicação recomendado na folha de dados como parte das condições para o regulador funcionar conforme especificado. Ele pode incluir capacitores e outros componentes externos.

Neste tutorial, esses componentes serão tratados como requisito de aplicação. Não vamos calcular capacitâncias nem discutir estabilidade do circuito; o foco será verificar a faixa elétrica e térmica em que o regulador pode operar.

Cheque sua compreensão

Verifique o modelo

Associe cada elemento à sua função no modelo funcional do regulador.

Faça as associações corretas.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Regulação tem limites

Um regulador linear mantém sua tensão de saída especificada para qualquer tensão de entrada, corrente de carga e temperatura.

Passo 2 de 9

Defina a tensão de saída

Defina a tensão de saída de reguladores fixos e ajustáveis usando a relação e o esquema específicos do componente.

Leia a configuração correta

Fixo ou ajustável

Em um regulador fixo, a saída é definida pelo modelo. Por exemplo, um componente pode ser especificado para 3,3 V ou 5,0 V. Na folha de dados, confirme a tensão nominal, sua tolerância e as condições da especificação; não deduza a saída apenas pelo encapsulamento ou por um nome comercial.

Em um regulador ajustável, uma rede externa ligada ao terminal de ajuste define a saída. O esquema e a equação são próprios do componente: use sempre os dados do fabricante. Nesta etapa, será usado um modelo didático de três terminais.

Rede de ajuste do modelo

Diagrama de um regulador ajustável em que R1 liga a saída ao pino de ajuste e R2 liga o pino de ajuste à referência comum.

A posição dos resistores define como aplicar a equação: R1 fica acima do pino ADJ; R2 fica entre ADJ e a referência comum.

Dica

Equação do modelo

Para o modelo mostrado, use:

V_saida = V_ref × (1 + R2/R1) + I_ajuste × R2

  • R1: entre a saída e o pino de ajuste.
  • R2: entre o pino de ajuste e a referência comum.
  • V_ref e I_ajuste: parâmetros informados para o componente e suas condições declaradas.

A equação não é universal. Antes de calcular, confira se o esquema e os parâmetros pertencem exatamente ao regulador escolhido.

Dimensione e confira

Exemplo

Calcule o resistor de ajuste

Considere estes parâmetros completos para o regulador ajustável do modelo apresentado:

  • V_ref = 1,25 V
  • I_ajuste = 50 µA
  • R1 = 240 Ω
  • saída desejada = 5,00 V

Isolando R2:

R2 = (V_saida − V_ref) / (V_ref/R1 + I_ajuste)

Substituindo:

R2 = (5,00 − 1,25) / (1,25/240 + 0,000050)

R2 ≈ 713,15 Ω.

Esse é o valor calculado. Ao selecionar um resistor comercial próximo, recalcule a saída obtida.

Confira a saída com o valor comercial

Se for escolhido o valor comercial R2 = 715 Ω, faça a conferência com a equação completa:

V_saida = 1,25 × (1 + 715/240) + 0,000050 × 715

V_saida ≈ 5,010 V.

A parcela da corrente de ajuste é 0,000050 × 715 = 0,0358 V. Ela pode ser pequena, mas só deve ser omitida quando a documentação e a precisão exigida justificarem essa aproximação.

Alguns modelos também exigem uma corrente mínima de carga para permanecer dentro da especificação. Quando esse requisito existir, a corrente do divisor e da carga deve atendê-lo conforme a folha de dados.

Atenção

Limite desta etapa

Os capacitores e as demais conexões do circuito recomendado pelo fabricante fazem parte da aplicação do regulador. Use o esquema recomendado para o componente. Aqui, o foco é definir e conferir a tensão de saída; estabilidade e dimensionamento de capacitores não serão tratados neste tutorial.

Pratique a conferência

Pratique a conferência

Agora faça uma conferência independente no mesmo modelo. Considere V_ref = 1,25 V, I_ajuste = 50 µA, R1 = 240 Ω e o resistor comercial R2 = 390 Ω.

Calcule V_saida pela equação completa e informe o resultado arredondado para três casas decimais, em volts.

Tensão conferida

V_saida ≈ __

Checklist de saída

Antes de seguir para a verificação da entrada, confirme: esquema compatível com o componente, R1 e R2 nas posições corretas, parâmetros usados nas condições declaradas e saída recalculada depois de escolher resistores reais.

Passo 3 de 9

Identifique a queda mínima necessária

Selecione o dropout aplicável à corrente e à temperatura do projeto e diferencie a diferença de tensão disponível de um limite garantido.

Entenda o limite de dropout

Dropout não é toda a queda disponível

A diferença de tensão disponível entre os pinos do regulador é:

ΔV_disponível = V_entrada − V_saída

Já o dropout é a diferença mínima que o componente exige para continuar regulando em condições especificadas de corrente e temperatura. Portanto, a condição de regulação é:

ΔV_disponível ≥ V_dropout aplicável

A igualdade representa o limiar idealizado: abaixo dele, o elemento de passagem já não consegue criar a queda interna necessária e a saída pode ficar abaixo do valor especificado. Com folga, ΔV_disponível pode ser muito maior que o dropout publicado.

Regulação e perda de margem

Comparação entre um regulador com diferença de tensão disponível suficiente e outro cuja entrada está próxima demais da saída.

À esquerda, a diferença disponível supera o dropout exigido. À direita, ela se aproxima do mínimo necessário e a saída deixa de permanecer regulada.

Leia a especificação sem otimismo indevido

Selecione condições compatíveis

O dropout não costuma ser um único número válido para qualquer situação. Ao ler uma tabela ou gráfico, confira as condições associadas ao dado:

  • Corrente de saída: em geral, uma corrente maior requer dropout maior.
  • Temperatura: o dropout pode variar ao longo da faixa térmica; use a condição indicada pelo fabricante.
  • Tensão de saída, versão do componente e método de ensaio: podem limitar a validade da especificação.

Para o dimensionamento, procure um valor que cubra a maior corrente prevista e a faixa de temperatura aplicável. Não escolha o menor ponto de uma curva se ele pertence a outra condição.

Exemplo

Típico e garantido têm papéis diferentes

Dados ilustrativos de uma folha de dados mostram por que as condições importam. Um valor típico descreve um comportamento representativo sob ensaio; um máximo garantido estabelece o limite que o fabricante assegura nas condições declaradas. Para garantir regulação, o dado garantido aplicável é a escolha conservadora.

Exemplo de especificação de dropout

Dados ilustrativos para um regulador de 3,3 V.

Compare tanto o valor quanto a condição de ensaio antes de usar um dado no projeto.
Tipo de dadoDropoutCondição declarada
Típico0,18 V100 mA, 25 °C
Máximo garantido0,30 V100 mA, faixa térmica especificada
Típico0,42 V500 mA, 25 °C
Máximo garantido0,70 V500 mA, faixa térmica especificada

Aplique o critério de seleção

O que LDO significa — e o que não significa

Um LDO (low-dropout regulator) é um regulador linear projetado para exigir uma queda mínima menor que a de outros reguladores lineares comparáveis. Isso pode ajudar quando a entrada está pouco acima da saída.

Mas LDO não significa dropout zero, nem capacidade de elevar uma entrada menor que a saída. Ele continua precisando de uma diferença mínima aplicável entre entrada e saída. Também não significa dissipação desprezível: quando há corrente e diferença de tensão, há potência a considerar. A avaliação térmica será feita adiante.

Dados para a escolha

Em uma aplicação, a saída é 3,3 V e a carga pode chegar a 300 mA. A folha de dados informa os dois valores abaixo. Como o projeto precisa manter a regulação em toda a faixa de temperatura de operação declarada, o dado típico a 25 °C não é suficiente para estabelecer uma garantia.

O próximo exercício pede o dropout apropriado para esta condição de projeto.
EspecificaçãoValorCondição
Típica0,25 V300 mA, 25 °C
Máxima garantida0,55 V300 mA, faixa de operação

Pratique: típico ou garantido?

Escolha o dado que assegura a condição

Para a aplicação de 3,3 V e até 300 mA apresentada na tela anterior, qual valor deve ser adotado como dropout aplicável na verificação de regulação garantida?

Passo 4 de 9

Calcule a margem no vale da entrada

Calcule a tensão mínima que chega ao regulador no vale da ondulação e determine a margem disponível para manter a regulação.

Localize a tensão crítica

Use o pior instante

Para verificar se a saída continua regulada, olhe o pior instante: a menor tensão nos pinos de entrada do regulador. A tensão nominal da fonte — e, em uma fonte com ondulação, também a tensão média — não garante esse ponto.

No vale da ondulação, a tensão que chega ao componente pode ser menor ainda por causa das quedas em cabo, conector, trilha ou contato. Portanto, a sequência é:

  1. encontre o menor valor fornecido pela fonte;
  2. desconte as quedas até o pino IN;
  3. compare o resultado com a saída exigida mais o dropout aplicável.

O vale precisa chegar ao pino de entrada

Diagrama de uma tensão com ondulação passando por cabo e conector até um regulador; o vale da tensão nos pinos de entrada é destacado.

O dropout deve ser verificado no vale que efetivamente chega ao regulador, após as quedas de conexão.

Calcule o vale disponível

Do dado de ondulação ao pino IN

A ondulação pode ser informada de formas diferentes. Use a relação que corresponde ao dado disponível:

  • Se você conhece o pico e a ondulação é dada em pico a pico:

V_fonte,mín = V_pico − V_ondulação,pp

  • Se você conhece a média de uma ondulação aproximadamente centrada:

V_fonte,mín ≈ V_média − V_ondulação,pp / 2

Não trate um valor pico a pico como se fosse uma queda inteira a partir da média. E não suponha que uma tensão nominal seja o valor mínimo sem dados que confirmem isso.

Depois, desconte as quedas externas:

V_entrada,mín = V_fonte,mín − V_quedas de conexão

Exemplo

Exemplo: encontre o vale nos pinos

Dados de um caso:

  • tensão no pico da fonte: 8,4 V;
  • ondulação: 0,8 V pico a pico;
  • queda total em cabo e conector no vale: 0,15 V.

Então:

V_fonte,mín = 8,4 − 0,8 = 7,6 V

V_entrada,mín = 7,6 − 0,15 = 7,45 V

Os 7,45 V, e não os 8,4 V de pico, serão usados na verificação de dropout.

Interprete o resultado

Transforme o vale em margem

Com a tensão mínima nos pinos, calcule a margem de entrada:

M_entrada = V_entrada,mín − (V_saida,máx + V_dropout,máx)

Use a maior saída que o projeto precisa garantir e o dropout máximo aplicável à corrente e à temperatura já definidos.

No caso anterior, suponha:

  • V_entrada,mín = 7,45 V
  • V_saida,máx = 5,10 V
  • V_dropout,máx = 1,10 V

M_entrada = 7,45 − (5,10 + 1,10) = 1,25 V

Há 1,25 V além do mínimo necessário nesse vale.

Dica

Leia o sinal da margem

Interprete o resultado:

  • Margem negativa: a entrada mínima não basta; haverá perda de regulação em alguma condição.
  • Margem nula: o cálculo apenas alcança o limite. Não há reserva para tolerâncias, envelhecimento ou variações não incluídas.
  • Margem positiva: há reserva acima do requisito calculado. Ainda é preciso decidir se ela é suficiente para as incertezas relevantes do projeto.

Uma margem positiva não avalia aquecimento nem capacidade de corrente. Essas verificações serão feitas separadamente.

Verifique seu cálculo

Prática: margem no pior caso

Uma fonte tem 9,0 V no pico e ondulação de 1,0 V pico a pico. As conexões retiram 0,20 V no vale. Para V_saida,máx = 5,05 V e V_dropout,máx = 1,20 V, complete a margem de entrada em volts.

M_entrada = __

Passo 5 de 9

Estime a potência dissipada

Estime a potência dissipada por um regulador linear separando a parcela da corrente de saída da parcela de corrente quiescente e selecionando condições compatíveis de maior dissipação.

Modele as perdas do regulador

As duas parcelas de dissipação

A corrente quiescente, I_quiescente, é a corrente que o próprio regulador retira da entrada para alimentar seus circuitos internos. Ela não é entregue à carga.

Para uma estimativa em regime permanente, use:

P_diss ≈ (V_entrada − V_saída) × I_saída + V_entrada × I_quiescente

A primeira parcela é a potência associada à corrente fornecida pela saída. A segunda é o consumo interno alimentado pela entrada. Use os valores e as condições informados para o componente; um valor típico em vazio não deve ser adotado automaticamente para outra corrente ou temperatura.

Diagrama funcional mostrando corrente de carga saindo do regulador, corrente quiescente entrando no regulador e calor dissipado pelo componente.

A dissipação reúne a queda de tensão que atua sobre a corrente de saída e o consumo próprio do regulador.

Dica

Qual corrente entra em I_saída?

Nesta estimativa, use a corrente total fornecida pela saída. Em um regulador ajustável, isso pode incluir a carga principal, a corrente do divisor de ajuste e a carga mínima exigida pelo modelo. Não conte I_quiescente dentro de I_saída: ela aparece na segunda parcela da equação.

Aplique a estimativa ao pior caso

Escolha o extremo correto

Para aquecimento, procure uma combinação compatível de maior tensão de entrada, maior corrente de saída e menor tensão de saída. Ela tende a maximizar a queda interna do regulador e a corrente que a atravessa.

Isso é diferente da verificação de dropout: para dropout, o caso crítico normalmente é o menor valor de entrada disponível. Os dois extremos devem ser avaliados separadamente.

Exemplo

Exemplo: calcule cada parcela

Considere um regulador ajustável com V_entrada = 12 V, V_saída = 5 V, carga de 200 mA, divisor consumindo 5 mA e I_quiescente = 3 mA na condição declarada.

A corrente total de saída é:

I_saída = 200 mA + 5 mA = 205 mA

Parcela da saída:

(12 − 5) × 0,205 = 1,435 W

Parcela quiescente:

12 × 0,003 = 0,036 W

Logo, P_diss ≈ 1,435 + 0,036 = 1,471 W.

Dropout e dissipação usam extremos diferentes

Compare as verificações no mesmo projeto.

Os extremos só podem ser combinados quando forem compatíveis com o cenário real de operação.
VerificaçãoCondição que costuma ser críticaMotivo
DropoutMenor V_entradaA entrada pode ficar próxima demais da saída.
DissipaçãoMaior V_entrada e I_saídaAumentam a queda interna e a potência convertida em calor.
Saída ajustávelMenor V_saída, se compatívelAumenta a diferença V_entrada − V_saída.

Confira as parcelas e o extremo

Pratique: parcela quiescente

No exemplo anterior, complete a parcela de potência associada à corrente quiescente:

P_quiescente = 12 V × 3 mA = ____ W

Valor da parcela

Preencha o valor da lacuna.

Pratique: escolha do extremo

Qual conjunto tende a produzir a maior dissipação em um regulador linear de saída ajustável?

Passo 6 de 9

Verifique a temperatura e a margem térmica

Estime a temperatura de junção com dados térmicos representativos da montagem e calcule a margem até um limite de projeto conservador.

Relacione dissipação e montagem

Do calor gerado à junção

A estimativa térmica liga a dissipação já calculada à montagem real do regulador:

T_j ≈ T_ambiente + P_diss × R_θJA

Use a maior temperatura ambiente prevista para o equipamento, não a temperatura confortável da bancada. E use o valor de R_θJA documentado para uma condição de montagem comparável: encapsulamento, placa, área de cobre e circulação de ar.

O resultado é uma estimativa da temperatura de junção — a região interna do semicondutor onde a potência vira calor. Não é uma leitura direta da superfície do encapsulamento.

A montagem faz parte do cálculo

Diagrama do caminho térmico entre a junção interna do regulador, o encapsulamento, a placa e o ar, comparando uma placa com cobre amplo a uma protoboard.

RθJA não é uma propriedade isolada do chip: o valor depende também de como ele foi montado.

Calcule a margem térmica

Exemplo

Exemplo: estime a junção

Considere um regulador que, no pior ponto de dissipação, tenha P_diss = 1,20 W. A folha de dados informa R_θJA = 42 °C/W para o encapsulamento montado em uma placa específica. O equipamento pode operar com ambiente de até 50 °C.

Então:

T_j ≈ 50 °C + (1,20 W × 42 °C/W)
T_j ≈ 100,4 °C

O produto W × °C/W resulta em °C: neste caso, a junção fica cerca de 50,4 °C acima do ambiente.

Defina uma margem de projeto

O máximo absoluto do componente é 150 °C, mas o projeto define um limite mais conservador de 125 °C. A margem térmica é calculada contra o limite de projeto:

M_térmica = T_limite de projeto − T_j

M_térmica = 125 °C − 100,4 °C = 24,6 °C

Há margem positiva nas condições declaradas. Isso não prova o mesmo resultado em qualquer placa, nem transforma 150 °C em temperatura-alvo de operação.

Condições e resultado

Dados usados no exemplo

A estimativa só vale enquanto estas condições forem representativas.
GrandezaValorPapel no cálculo
Dissipação1,20 WCalor gerado no pior ponto
Ambiente máximo50 °CBase da estimativa
RθJA documentada42 °C/WPara a placa especificada
Tj estimada100,4 °CResultado do modelo
Limite de projeto125 °CMeta térmica adotada
Margem térmica24,6 °CFolga até a meta

Valide a conclusão térmica

Atenção

Não misture condições de montagem

Não transporte automaticamente uma RθJA de uma placa de ensaio para uma protoboard, uma placa menor ou outra disposição de cobre. A resistência térmica publicada pode pressupor uma área de cobre e condições de convecção que a sua montagem não possui.

Se a montagem for diferente e não houver dado aplicável, trate o cálculo como uma estimativa condicionada, não como aprovação definitiva. Meça a temperatura externa se necessário, mas não a confunda diretamente com T_j: a relação entre superfície e junção depende do caminho térmico.

Verifique a validade da estimativa

Um regulador dissipa 1,20 W. A folha de dados informa RθJA = 42 °C/W em uma placa de teste especificada, e o ambiente máximo previsto é 50 °C. O projeto usa limite de 125 °C. Qual conclusão é tecnicamente adequada?

Selecione a melhor conclusão.

Passo 7 de 9

Delimite a faixa de operação

Delimite a faixa utilizável combinando limites de entrada, corrente e temperatura para uma montagem declarada.

Interseção dos requisitos

A região que atende a todos os limites

A faixa admissível não é definida por um único número de corrente ou tensão. Ela é a interseção de todas as condições aplicáveis ao mesmo ponto de operação:

  • entrada suficiente para vencer o dropout;
  • entrada dentro da faixa de operação recomendada;
  • corrente dentro da capacidade especificada;
  • temperatura de junção abaixo do limite de projeto para a montagem real.

Assim, um regulador pode suportar determinada corrente em uma entrada baixa, mas não na mesma corrente quando a entrada aumenta e a dissipação cresce. O valor de corrente destacado na folha de dados não é uma garantia isolada: ele depende de entrada, temperatura ambiente e montagem.

Mapa da faixa admissível

Mapa conceitual de tensão de entrada versus corrente de saída, com uma região verde admissível limitada por dropout, corrente e aquecimento.

Cada fronteira exclui uma parte do mapa. Um ponto só é utilizável se estiver dentro da região comum a todos os limites.

Dica

Projete para a faixa recomendada

Limites recomendados definem as condições em que o funcionamento é especificado e deve ser projetado. Já os máximos absolutos indicam valores que não devem ser excedidos; não são metas de uso contínuo nem substituem a verificação térmica.

Se a faixa desejada mudar — por exemplo, reduzindo a tensão máxima de entrada ou limitando a corrente da carga — recalcule a margem de dropout, a dissipação e a temperatura. Não basta validar somente o limite que motivou a mudança.

Avalie pontos de operação

Exemplo com condições declaradas

Considere este caso didático, já associado a uma montagem documentada: saída de 5,0 V, dropout máximo de 0,5 V, corrente nominal máxima de 0,50 A, entrada recomendada entre 5,5 V e 12 V, temperatura ambiente máxima de 40 °C e limite de projeto de junção de 100 °C.

Com RθJA = 50 °C/W, a potência máxima pelo critério térmico é:

P_diss,máx = (100 − 40) / 50 = 1,20 W

Para os pontos abaixo, use:

P_diss ≈ (V_entrada − 5,0 V) × I_saída + V_entrada × 0,002 A

A corrente quiescente de 2 mA foi informada para este exemplo.

Mapa convertido em tabela

Classificação dos pontos usando simultaneamente os limites elétricos e térmicos.

O mesmo componente tem corrente utilizável diferente conforme a tensão de entrada.
PontoV entradaI saídaP diss. aprox.Resultado
A6,0 V0,30 A0,312 WAdmissível
B10,0 V0,35 A1,770 WTérmico: reprovado
C12,0 V0,30 A2,124 WTérmico: reprovado
D5,4 V0,10 A0,051 WDropout: reprovado
E10,0 V0,55 A2,770 WCorrente e térmico: reprovado

Leia os resultados em conjunto

O ponto A atende à entrada mínima, à corrente e ao limite térmico. O ponto B tem corrente abaixo de 0,50 A, mas falha porque dissipa 1,770 W, acima dos 1,20 W permitidos pela montagem. O ponto D dissipa pouco, porém sua entrada de 5,4 V é menor que os 5,5 V exigidos para manter 5,0 V na saída com o dropout aplicável.

Portanto, reduzir a corrente máxima permitida em entradas altas pode tornar o projeto viável. Outra possibilidade é restringir a entrada máxima. Em qualquer alteração, todos os limites devem ser verificados outra vez.

Pratique a seleção

Verifique a região admissível

No caso da tabela, qual ponto pertence à faixa de operação admissível?

Passo 8 de 9

Diferencie as causas de perda de regulação

Observe mais do que a saída

O sintoma precisa de contexto

A queda na saída é um sintoma, não um diagnóstico

Uma saída abaixo do valor ajustado pode ocorrer por dropout, por limite de corrente ou por restrição térmica. Para formular uma hipótese, reúna dados do mesmo ponto de operação:

  • tensão nos pinos de entrada do regulador;
  • tensão e corrente de saída;
  • comportamento ao longo do tempo;
  • dissipação e temperatura de junção estimada.

Compare essas evidências com os limites aplicáveis ao componente e à montagem. Não provoque sobrecarga nem desligamento térmico para testar: analise dados fornecidos ou medições feitas dentro de condições seguras.

Quatro evidências para comparar

Diagrama de um regulador linear com medições na entrada, na saída, na corrente de carga e na condição térmica; três trajetos visuais representam dropout, excesso de corrente e aquecimento.

Os mesmos sintomas na saída podem ter origens diferentes; verifique o conjunto de evidências.

Compare as hipóteses

Padrões de evidência

Use a hipótese que melhor explica os registros, sem confundir uma proteção com condição normal de uso.

Indícios típicos; confirme sempre com os dados e limites do componente específico.
HipóteseEvidências que a sustentamLeitura inicial
DropoutEntrada nos pinos próxima de Vsaída + dropout aplicável; carga dentro do previstoFalta margem entre entrada e saída
Restrição de correnteDemanda de carga acima da corrente utilizável nas condições; entrada ainda possui margemA capacidade de corrente é o limitante
Restrição térmicaDissipação e Tj estimada sem margem; alteração após aquecimento ou ciclos conforme o componenteA montagem térmica é o limitante
Dados inconclusivosFalta entrada nos pinos, corrente ou condição térmicaNão atribua uma causa única

Atenção

Segurança na análise

Proteções de corrente e de temperatura existem para reduzir danos em condições anormais. Elas não são pontos de operação desejados, nem devem ser investigadas provocando curto-circuito, sobrecarga ou superaquecimento.

Pratique a distinção

Interprete os registros

Associe cada registro à hipótese mais sustentada. Considere que os valores já foram medidos ou calculados em condição segura.

Evidência e hipótese

Faça as associações.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Passo 9 de 9

Conclua um dimensionamento completo

Aplique os critérios elétricos e térmicos a um caso completo e justifique a faixa de operação obtida.

1. Reúna condições e dados

Caso de dimensionamento

Use este caso integrado. Considere os valores fornecidos para este modelo de regulador ajustável e para esta montagem; eles não devem ser generalizados para outros componentes.

A carga externa pode variar de 0 a 350 mA. O divisor também consome corrente da saída. A proposta inicial é aceitar a faixa de 6,4 V a 9,0 V nos pinos de entrada, com ambiente de até 35 °C.

A análise deve confirmar quatro pontos: saída ajustada, margem no vale da entrada, dissipação no pior extremo e temperatura de junção.

Parâmetros informados

Dados usados no caso.

Dados elétricos e térmicos válidos para o exemplo.
ParâmetroValorCondição ou observação
Vref1,25 VModelo ajustável apresentado
Iajuste50 µAPara o cálculo da saída
R1 / R2240 Ω / 720 ΩR1: saída–ajuste; R2: ajuste–comum
Dropout máximo0,80 VNa corrente total considerada
Iq5 mANo extremo de entrada e carga usado
Corrente externa máxima350 mACarga proposta
Corrente máxima do modelo500 mANas condições declaradas
RθJA40 °C/WMontagem documentada
Limite de projeto de Tj110 °CAbaixo do máximo absoluto

2. Faça as contas nos extremos corretos

Saída e verificação no vale

Primeiro, determine a saída e inclua no balanço a corrente do divisor:

  • Vsaída = 1,25 × (1 + 720/240) + 50 µA × 720 = 5,036 V.
  • Corrente no divisor: 1,25 V / 240 Ω = 5,21 mA.
  • Corrente total de saída no pior caso: 350 mA + 5,21 mA = 355,21 mA.

No vale de 6,4 V, a margem de entrada é:

M = 6,4 − (5,036 + 0,80) = 0,564 V.

A margem é positiva: há tensão suficiente para regular nesse ponto, segundo o dropout máximo informado.

Leitura visual da margem

Diagrama de regulador ajustável com divisor resistivo e comparação entre entrada suficiente e entrada insuficiente para manter a regulação.

A verificação de dropout usa a menor tensão nos pinos, enquanto o divisor acrescenta corrente à saída.

3. Justifique a faixa proposta

Dissipação, temperatura e decisão

Para aquecimento, use o outro extremo: entrada máxima e corrente total máxima.

P_diss ≈ (9,0 − 5,036) × 0,35521 + 9,0 × 0,005
P_diss ≈ 1,45 W

Tj ≈ 35 + 1,45 × 40 = 93 °C

Margem térmica ≈ 110 − 93 = 17 °C.

Conclusão para este caso: a faixa proposta de 6,4 V a 9,0 V e até 350 mA de carga externa é aprovada pelo modelo, pois atende ao dropout, à corrente máxima de 500 mA e ao limite térmico de projeto. A condição que exige maior atenção é a térmica, não uma proteção interna.

Revise a margem elétrica

Complete a margem de entrada calculada no vale de 6,4 V: M_entrada = __ V.

4. Consolide e encerre

Registre a decisão técnica

Em uma ficha de dimensionamento, uma conclusão curta deve informar a faixa aprovada, o resultado elétrico no vale, a condição térmica no extremo de dissipação e as condições que tornam o cálculo válido.

Se a temperatura ambiente prevista aumentasse ou a montagem tivesse RθJA maior, uma correção compatível seria restringir entrada ou corrente, ou melhorar a condição térmica. Depois, todos os limites precisariam ser recalculados. Não use limitação de corrente ou desligamento térmico como margem normal de projeto.

Aplicação final

Qual é a conclusão técnica para este caso? Inclua a faixa de entrada e carga, o limite que exige maior atenção, ao menos um resultado numérico e uma condição de validade da conclusão.

Escreva pelo menos 120 caracteres (0/120).

Resumo

Critérios essenciais

  • Defina a saída pela relação e pelos parâmetros especificados pelo fabricante.
  • Verifique o dropout no menor valor de entrada disponível nos pinos do regulador.
  • Estime a dissipação no extremo compatível de maior entrada e maior corrente.
  • Calcule Tj com a condição térmica documentada e reserve margem até o limite de projeto.
  • A faixa aprovada é a interseção dos limites de entrada, corrente e temperatura; ela depende da montagem declarada.
  • Uma queda na saída não identifica sozinha dropout, limitação de corrente ou aquecimento.

Tutorial concluído

Parabéns! Você concluiu: Dimensionamento de reguladores lineares

Você concluiu o dimensionamento de um regulador linear: saída, margem de entrada, dissipação e margem térmica devem ser coerentes na mesma faixa de operação. A seguir, você estudará como um conversor buck reduz tensão por chaveamento.

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