Trilha de aprendizado · Nível 14 · Tutorial 6

Regras de trilhas, vias e espaçamentos

Preparar uma placa de duas camadas no KiCad e configurar regras de trilhas, vias e espaçamentos compatíveis com correntes e restrições declaradas.

  • Nível: Intermediário
  • Duração: 25 min
  • 9 passos
Regras de trilhas, vias e espaçamentos

O que você vai percorrer

  1. Do esquemático à placa Atualize a PCB a partir do esquemático local, analise as alterações e confira os vínculos transferidos antes de iniciar o layout. 3 min
  2. Entenda e configure as duas camadas Configure a estrutura de duas camadas e reconheça quais elementos conduzem, protegem ou identificam a placa. 2 min
  3. Defina o contorno e as reservas mecânicas Crie um contorno fechado na Edge.Cuts, confira suas dimensões e preserve as áreas mecânicas de fixação antes do posicionamento. 3 min
  4. Leia as dimensões de trilhas e vias Interprete a largura das trilhas e a geometria nominal de vias passantes antes de definir regras de fabricação e corrente. 2 min
  5. Estabeleça os limites de fabricação e espaçamento Defina mínimos geométricos para o caso didático de 5 V, distinguindo capacidade de fabricação, margem de projeto e segurança elétrica. 3 min
  6. Estime a largura pela corrente e pelo aquecimento Use a calculadora local de trilhas do KiCad para obter uma estimativa térmica documentada e escolher uma largura preliminar compatível com o mínimo de fabricação. 4 min
  7. Confira também a queda de tensão Verifique a queda de tensão de trilhas de cobre e compare larguras candidatas com um orçamento declarado para o trecho. 3 min
  8. Transforme os requisitos em classes de redes Crie e atribua classes de redes no KiCad, separando valores preferenciais de roteamento dos mínimos geométricos globais. 3 min
  9. Revise e justifique as regras da placa Consolidação das regras de trilhas, vias e espaçamentos, com revisão de uma via diante de uma restrição de fabricação alterada. 4 min

O que você vai aprender

  • Atualizar a placa a partir do esquemático conferido.
  • Definir camadas, contorno e restrições geométricas.
  • Criar classes de redes com larguras e espaçamentos apropriados.
  • Estimar uma largura de trilha declarando corrente, espessura de cobre e hipótese térmica.
  • Reconhecer quando queda de tensão ou limitações de fabricação exigem revisão das regras.

Antes de começar

  • Associação de footprints e conferência de pinagem
  • Verificação elétrica do esquemático com ERC
  • Potência, energia e aquecimento

Passo 1 de 9

Do esquemático à placa

Atualize a PCB a partir do esquemático local, analise as alterações e confira os vínculos transferidos antes de iniciar o layout.

Sincronize os documentos

Atualize no projeto local

Abra o projeto local que você já conferiu no KiCad: o esquemático deve estar salvo, com footprints associados. Em seguida, abra o Editor de PCB do mesmo projeto.

No editor de placas, use o comando de atualização a partir do esquemático, normalmente em Ferramentas → Atualizar PCB a partir do esquemático ou pela tecla F8. Essa operação compara os dois documentos e transfere para a placa as referências, footprints e redes definidos no esquemático.

Ela não cria uma placa roteada. Neste momento, o objetivo é trazer para o PCB as informações do circuito e verificar se as associações foram preservadas.

O que a atualização transfere

Diagrama mostrando um esquemático à esquerda e footprints correspondentes no editor de PCB à direita, ligados por uma atualização.

A atualização leva referências, footprints e redes do esquemático para a placa; as linhas finas ainda são apenas conexões pendentes.

Inspecione as alterações

Leia o resumo antes de aplicar

Antes de confirmar, leia o resumo de alterações exibido pelo KiCad. Ele é a oportunidade de interromper uma atualização que não corresponde ao que você espera.

Procure especialmente por:

  • Inclusões: footprints ou redes que deveriam entrar na placa.
  • Substituições: footprint alterado para uma referência existente; confirme se a mudança é intencional.
  • Exclusões: itens que seriam removidos; investigue antes de aceitar.

Uma exclusão ou substituição inesperada pode indicar que o esquemático salvo não é o que você imaginava, que uma referência mudou ou que um footprint foi retirado da associação. Corrija a causa no esquemático quando necessário e só então atualize novamente.

Dica

Pausa útil

Não use o resumo apenas como uma etapa para clicar em “Atualizar PCB”. Compare as referências listadas com a mudança que você fez no esquemático. Uma alteração inesperada é um sinal para parar e investigar, não para aceitar automaticamente.

Valide a transferência

Confira referências e redes nos pads

Depois de confirmar a atualização, os footprints podem aparecer agrupados na área de trabalho da placa. Sem posicioná-los nem rotear, faça duas conferências simples:

  1. Selecione alguns footprints e verifique se a referência corresponde ao componente do esquemático, como R1, C1 ou J1.
  2. Inspecione pads de componentes relevantes. O pad deve mostrar a rede esperada, como GND, +5V ou o nome de um sinal.

Esses dados confirmam o vínculo elétrico transferido. Se um pad não tiver a rede esperada, volte ao esquemático, verifique a conexão e atualize a PCB outra vez.

O que observar no PCB

Footprints ainda não posicionados, com pads associados a redes e linhas finas entre eles.

Referências e redes nos pads são dados transferidos. As linhas finas indicam conexões que ainda precisam ser realizadas em cobre.

Dica

Não confunda linhas pendentes com cobre

As linhas finas entre pads são linhas de conexão pendentes, também chamadas de ratsnest. Elas mostram quais pads pertencem à mesma rede, mas não são trilhas, não conduzem corrente e não representam um trajeto obrigatório. O posicionamento e o roteamento serão tratados depois.

Fixe o procedimento

Sequência de atualização

Organize as ações na sequência mais segura para sincronizar o esquemático com a placa.

Ordene o procedimento

Coloque as ações na ordem correta, da primeira à última.

  1. Conferir referências e redes em alguns pads no PCB atualizado
  2. Ler o resumo de inclusões, substituições e exclusões
  3. Confirmar a atualização quando as alterações forem esperadas
  4. Abrir o Editor de PCB do mesmo projeto e iniciar a atualização a partir do esquemático

Passo 2 de 9

Entenda e configure as duas camadas

Configure a estrutura de duas camadas e reconheça quais elementos conduzem, protegem ou identificam a placa.

Veja o que compõe a placa

O corte de uma placa de duas camadas

Uma placa de duas camadas tem dois condutores externos:

  • F.Cu: cobre da face superior (front copper).
  • B.Cu: cobre da face inferior (back copper).

Entre eles existe um material isolante, que dá sustentação mecânica e impede que os dois cobres se toquem diretamente. Em uma placa comum, esse material costuma ser laminado à base de fibra de vidro e resina.

Os pads e as futuras trilhas pertencem a uma dessas camadas de cobre — ou podem se conectar entre elas por uma via metalizada, assunto que será detalhado mais adiante.

Camadas físicas e suas funções

Corte esquemático mostrando cobre superior e inferior separados por um material isolante, com máscara e serigrafia na superfície.

F.Cu e B.Cu são as camadas condutoras. Máscara e serigrafia ficam na superfície, mas não substituem cobre.

Ajuste a estrutura no projeto local

Máscara e serigrafia não são condutores

Não confunda as camadas de documentação e proteção com camadas que conduzem corrente:

  • Máscara de solda: revestimento isolante que protege o cobre exposto e ajuda a evitar pontes de solda. Ela possui aberturas sobre pads destinados à soldagem.
  • Serigrafia: tinta de identificação, usada para referências, polaridade e marcações de montagem. Não é uma conexão elétrica.
  • F.Cu e B.Cu: são as camadas de cobre que formam pads, trilhas e outras conexões elétricas.

Assim, uma marca visual sobre a placa não significa que exista cobre naquele ponto.

Configure duas camadas no KiCad

No Editor de Placas, abra Configuração da Placa e procure a seção de Stackup/Empilhamento ou de camadas, conforme a versão do KiCad. Defina a quantidade de camadas de cobre como 2. Confirme que as camadas externas ativas são F.Cu e B.Cu.

As camadas F.Mask, B.Mask, F.Silkscreen e B.Silkscreen podem continuar visíveis na lista: elas têm outras funções e não aumentam a quantidade de camadas de cobre.

Dica

Hipótese de cobre

Para este caso didático, registre 35 µm como espessura do cobre externo, tanto em F.Cu quanto em B.Cu. Esse valor será uma hipótese explícita nos cálculos de largura de trilha posteriores.

Diferencie função e espessura

Duas espessuras diferentes

A espessura de cobre é a espessura da lâmina condutora, por exemplo 35 µm. Ela participa da seção de uma trilha e, portanto, será relevante para corrente, resistência e aquecimento.

Já a espessura total da placa inclui cobre, isolante e revestimentos. Ela é uma característica mecânica e de fabricação separada. Não conclua a espessura do cobre apenas pela espessura total da placa.

Antes de fabricar, as espessuras e o empilhamento devem ser confirmados com o fabricante escolhido. Aqui, 35 µm é uma condição de projeto para os cálculos didáticos, não uma garantia sobre qualquer placa comercial.

Confira sua leitura do corte da placa

Associe cada elemento à sua função principal.

Faça as associações corretas.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Passo 3 de 9

Defina o contorno e as reservas mecânicas

Crie um contorno fechado na Edge.Cuts, confira suas dimensões e preserve as áreas mecânicas de fixação antes do posicionamento.

Escolha a camada e a dimensão

O que define a placa

O contorno físico informa onde a placa será recortada. No editor de PCB, desenhe-o na camada Edge.Cuts — não em F.SilkS, B.SilkS ou em uma camada de desenho auxiliar.

Para este exercício, use inicialmente um retângulo de 60 × 40 mm. Ele é uma referência didática ajustável: as dimensões reais devem atender ao gabinete, aos conectores e às demais restrições do seu projeto.

Contorno físico versus desenhos

Diagrama de uma placa retangular com um único perímetro de corte, uma linha interna de serigrafia e uma linha auxiliar externa, além de cotas de 60 mm e 40 mm.

Apenas o perímetro contínuo na Edge.Cuts define o recorte da placa.

Feche e confira o contorno

Construa um único perímetro

No seu projeto local, abra o Editor de PCB e selecione Edge.Cuts como camada ativa. Use a ferramenta de linhas gráficas ou retângulo para criar um contorno de 60 × 40 mm.

Confira as coordenadas, o comprimento dos segmentos ou a ferramenta de medição do KiCad para verificar as duas dimensões. O importante é registrar valores numéricos, não estimar pela aparência na tela.

Dica

Verifique antes de seguir

Um contorno válido é um laço contínuo: cada extremidade encontra exatamente a extremidade seguinte. Evite deixar uma fresta quase invisível, sobrepor dois segmentos no mesmo trecho ou criar cruzamentos.

Se usar linhas, aproxime com zoom cada canto e confirme que os pontos finais coincidem. Se usar um retângulo, ainda confira suas dimensões e se nenhum outro desenho em Edge.Cuts está criando um segundo recorte.

Exemplo

O que vale a pena anotar

Exemplo de registro local

  • Camada do contorno: Edge.Cuts
  • Forma: retângulo fechado
  • Largura: 60,0 mm
  • Altura: 40,0 mm
  • Conferência: cotas/medição e inspeção ampliada dos quatro cantos

Anote os valores realmente usados no seu projeto; eles podem ser diferentes do exemplo.

Preserve a área de fixação

Indique as reservas mecânicas

Reserve espaço para a fixação já nesta fase. Uma fixação não é somente o furo: considere o diâmetro do furo, a área ocupada pela cabeça do parafuso ou espaçador e o acesso de uma chave ou ferramenta.

Marque essas reservas de modo visível, por exemplo em uma camada de desenho auxiliar. Elas não devem virar um segundo contorno em Edge.Cuts. Ainda não é hora de posicionar os blocos do circuito; apenas preserve a geometria mecânica necessária.

Espaço além do furo

Placa retangular vazia com quatro furos de fixação próximos aos cantos, círculos maiores para a cabeça do parafuso e áreas em cunha para acesso de ferramenta.

A reserva de fixação inclui furo, volume da fixação e acesso, não apenas o círculo do furo.

Registre a decisão

Faça sua conferência

No editor local, confira seu contorno e suas reservas. Em seguida, relate o que você configurou. Não é necessário enviar arquivo ou imagem.

Escreva pelo menos 180 caracteres (0/180).

Passo 4 de 9

Leia as dimensões de trilhas e vias

Interprete a largura das trilhas e a geometria nominal de vias passantes antes de definir regras de fabricação e corrente.

Observe a seção da trilha

Trilha: largura e espessura

Uma trilha é uma faixa de cobre que realiza uma conexão física na placa. Sua seção transversal depende de duas dimensões:

  • largura: medida no plano do layout;
  • espessura do cobre: medida através da camada, por exemplo, os 35 µm adotados neste caso didático.

De modo simplificado, a seção da trilha é largura × espessura. Duas trilhas com a mesma largura podem ter seções diferentes se o cobre tiver espessuras diferentes. A largura é uma dimensão geométrica que você vê e configura no editor; a capacidade de corrente será estimada mais adiante, com hipóteses térmicas explícitas.

Seção de uma trilha

Diagrama em corte de uma trilha de cobre, destacando a largura no plano da placa e a espessura vertical do cobre.

A seção da trilha resulta da largura definida no layout e da espessura da camada de cobre.

Reconheça uma via passante

Via não é só um furo

Uma via passante metalizada conecta o cobre superior (F.Cu) ao inferior (B.Cu). Ela possui um furo no substrato e uma fina parede interna metalizada que realiza a conexão elétrica entre as camadas.

Isso é diferente de um furo somente mecânico, sem metalização. Um furo mecânico pode servir à fixação, mas não cria, por si só, uma conexão entre F.Cu e B.Cu.

Via metalizada e furo mecânico

Comparação em corte entre uma via passante com parede interna metalizada e um furo mecânico sem metalização.

A parede metalizada do furo forma o caminho condutor da via entre as duas camadas.

Dica

Geometria não basta

O cobre que conduz na via está principalmente na parede interna metalizada, e não apenas no disco de cobre visível pela face da placa. Portanto, o diâmetro externo, isoladamente, não comprova a corrente que a via suporta. Espessura da metalização, diâmetro do furo, condições térmicas e processo de fabricação também importam.

Calcule o anel nominal

Três medidas da via

No editor, uma via costuma ser descrita por três medidas:

  • diâmetro externo: diâmetro total do cobre circular;
  • diâmetro do furo: abertura perfurada no centro;
  • anel anular: faixa radial de cobre entre a borda do furo e a borda externa.

A relação geométrica nominal é:

anel anular = (diâmetro externo − diâmetro do furo) ÷ 2

O divisor por 2 aparece porque a diferença de diâmetros corresponde ao cobre presente nos dois lados radiais do furo.

Exemplo

Exemplo: calcule o anel

Considere uma via com diâmetro externo de 0,80 mm e furo de 0,40 mm.

Anel anular = (0,80 − 0,40) ÷ 2 = 0,20 mm

Esse é um valor geométrico nominal. A furação e a metalização variam dentro das tolerâncias do processo; por isso, regras e dimensões precisam prever margem e ser confirmadas com o fabricante.

Atenção

Nominal não significa garantido

Nas propriedades e regras do KiCad, as dimensões são a intenção nominal de projeto, não uma garantia automática do resultado fabricado. Antes de fabricar, confirme os limites, as tolerâncias e como o fornecedor especifica o furo e a via — por exemplo, se o valor se refere ao furo acabado.

Verifique seu cálculo

Pratique a relação geométrica

Uma via tem diâmetro externo de 0,90 mm e furo de 0,50 mm. O anel anular nominal é de ____ mm.

Espessura da trilha

Qual dimensão descreve a espessura da trilha na direção perpendicular ao plano da placa?

Passo 5 de 9

Estabeleça os limites de fabricação e espaçamento

Defina mínimos geométricos para o caso didático de 5 V, distinguindo capacidade de fabricação, margem de projeto e segurança elétrica.

Entenda o papel dos mínimos

Três origens para uma regra

Uma regra geométrica nasce do encontro de três fatores:

  • Exigência elétrica: o que as redes precisam no circuito de baixa tensão.
  • Capacidade de fabricação: o que o processo escolhido consegue produzir com tolerância.
  • Margem de projeto: folga deliberada para tornar a placa mais robusta à variação.

Os mínimos globais do KiCad definem o que não deve ser violado na placa. Eles não substituem o dimensionamento por corrente, nem afirmam que uma separação é segura para qualquer tensão.

O que cada limite controla

Diagrama de duas trilhas separadas, uma via com furo e anel de cobre, e uma trilha afastada da borda da placa.

São verificações diferentes: cobre–cobre, furo e anel da via, e cobre–borda.

Declare o perfil antes de desenhar

Perfil didático assumido

Para este exercício de uma interface de 5 V, adote o perfil didático abaixo. Ele é uma hipótese explícita de projeto; não descreve um fabricante real.

Limites do perfil

Valores mínimos geométricos a configurar ou usar como referência no projeto.

Perfil válido apenas para o caso didático de baixa tensão.
ParâmetroMínimo adotadoOnde se aplica
Largura de trilha0,20 mmQualquer trecho de cobre roteado
Espaçamento0,20 mmCobre de redes diferentes
Cobre à borda0,50 mmCobre em relação a Edge.Cuts
Furo de via0,30 mmDiâmetro do furo acabado/especificado conforme fabricante
Anel anular0,15 mmCobre radial ao redor do furo da via

Leve os números ao KiCad

Configure os mínimos globais

No Editor de Placas, abra Configuração da placa e localize as regras de projeto e as definições de vias. Insira os mínimos globais do perfil:

  1. Defina 0,20 mm para largura mínima de trilha e afastamento mínimo entre cobres de redes diferentes.
  2. Defina 0,50 mm para a distância mínima entre cobre e o contorno em Edge.Cuts.
  3. Nas dimensões de via, use furo mínimo de 0,30 mm e anel mínimo de 0,15 mm, verificando como sua versão apresenta esses campos.

Os nomes e a organização dos campos podem variar entre versões do KiCad. O importante é registrar os quatro limites e conferir suas unidades.

Dica

Dois afastamentos distintos

Não confunda os afastamentos:

  • Cobre–cobre evita que objetos condutores de redes diferentes fiquem próximos demais.
  • Cobre–borda preserva material entre o cobre e o recorte físico da placa.

Uma trilha pode respeitar 0,20 mm de outra trilha e ainda estar irregular se estiver a menos de 0,50 mm de Edge.Cuts.

Mantenha o escopo de baixa tensão

Atenção

O perfil não é uma especificação de fábrica

Antes de fabricar, confirme com o fornecedor as capacidades, tolerâncias e a convenção usada para o diâmetro do furo. Alguns processos informam limites para furo acabado; outros partem do furo antes da metalização. Não presuma equivalência.

Também confirme se o diâmetro externo proposto deixa o anel necessário: o furo mínimo e o anel mínimo são requisitos complementares.

Atenção

Limite de aplicação

Estes valores foram adotados somente para a interface de 5 V do tutorial. Eles não comprovam isolamento para rede elétrica, alta tensão ou qualquer condição de segurança. Máscara de solda também não deve ser usada como justificativa isolada de distância elétrica.

Para outras tensões e ambientes, os requisitos devem ser definidos especificamente.

Pratique a leitura do perfil

Verifique os limites

Qual opção é incompatível com o perfil didático apresentado?

Passo 6 de 9

Estime a largura pela corrente e pelo aquecimento

Use a calculadora local de trilhas do KiCad para obter uma estimativa térmica documentada e escolher uma largura preliminar compatível com o mínimo de fabricação.

Declare as hipóteses antes do resultado

O que será estimado

Uma calculadora de trilhas fornece uma estimativa inicial, não uma comprovação térmica da placa pronta. Ela relaciona corrente, espessura do cobre, posição da camada e elevação de temperatura admitida para sugerir uma largura.

Neste exercício, use dados declarados — não tente inferir o consumo da interface:

  • Corrente contínua: 0,50 A
  • Cobre externo: 35 µm
  • Temperatura ambiente assumida: 25 °C
  • Elevação de temperatura admitida: 10 °C

A temperatura ambiente é uma condição registrada do exercício. A entrada térmica usada na calculadora é a elevação de 10 °C. Com essas hipóteses, a trilha poderia atingir aproximadamente 35 °C, mas isso não é uma previsão garantida para a placa real.

Entradas e condição térmica

Esquema de uma trilha na camada externa superior, mostrando espessura do cobre, corrente e a diferença entre ambiente e elevação de temperatura.

A espessura e a posição do cobre entram no cálculo; a elevação térmica é a diferença entre a temperatura da trilha e o ambiente.

Execute e documente a estimativa

Use a calculadora local

No computador, abra a Calculadora PCB da sua instalação local do KiCad e localize a calculadora de largura de trilha. Selecione cobre externo (external layer), pois F.Cu e B.Cu são faces externas da placa de duas camadas.

Preencha os campos de entrada da calculadora com:

  • corrente: 0,50 A;
  • elevação de temperatura: 10 °C;
  • espessura do cobre: 35 µm;
  • camada: externa.

A calculadora padrão do KiCad é baseada no modelo IPC-2221, indicado na própria ferramenta ou em sua documentação. Não procure uma seleção entre modelos se ela não aparecer na sua versão. A temperatura ambiente de 25 °C deve ficar no seu registro de hipóteses; ela não substitui o campo de elevação de temperatura.

Confira as unidades exibidas antes de anotar o resultado. Dependendo da configuração, a ferramenta pode mostrar a largura em mm ou mil.

O que registrar

Registro sugerido para seu caderno de projeto. A largura de referência ajuda a conferir a ordem de grandeza; o valor exibido pode variar levemente com arredondamentos e a versão da ferramenta.

Mantenha condições e resultado juntos: uma largura isolada não informa a hipótese que a produziu.
ParâmetroValorUnidade / observação
Corrente contínua0,50A
Posição do cobreExternoF.Cu ou B.Cu
Espessura de cobre35µm
Temperatura ambiente25°C; condição registrada
Elevação inserida10°C
ModeloIPC-2221modelo da calculadora padrão
Largura de referênciacerca de 0,12mm; confira a unidade exibida
Largura obtidaSeu resultadoregistre o valor e a unidade

Aplique o mínimo sem confundir os critérios

Transforme a estimativa em uma regra preliminar

Para 0,50 A, cobre externo de 35 µm e elevação de 10 °C, a calculadora baseada em IPC-2221 deve indicar uma largura próxima de 0,12 mm. Esse valor é uma referência para verificar se você leu corretamente a unidade e os campos; ele não substitui o resultado registrado na sua instalação.

A estimativa térmica fica abaixo do mínimo global de fabricação adotado no projeto: 0,20 mm. Portanto, a largura preliminar não pode ser 0,12 mm. Ela deve ser, no mínimo, o maior valor entre a estimativa e o mínimo de fabricação.

A calculadora não reproduz automaticamente ventilação, cobre vizinho, fontes de calor, geometria completa ou a distribuição real de corrente na placa acabada. Use o resultado como ponto de partida. No próximo step, a queda de tensão poderá exigir uma largura maior.

Exemplo

Exemplo de decisão documentada

A calculadora indicou aproximadamente 0,12 mm para o caso declarado. Como o mínimo global de fabricação deste projeto é 0,20 mm, uma escolha preliminar coerente é 0,20 mm ou um valor maior que caiba no layout.

A justificativa não é que 0,20 mm “melhora” automaticamente o modelo térmico: ela apenas respeita simultaneamente a estimativa obtida e o piso geométrico adotado. Quando houver uma exigência adicional, como queda de tensão, ela também deverá entrar na decisão.

Prática: deixe a hipótese rastreável

Registre a decisão

Faça o registro do seu caso a partir da calculadora local. Inclua todas as hipóteses, o resultado exibido, sua largura preliminar e uma limitação da estimativa. Não é necessário enviar arquivo ou imagem.

Escreva pelo menos 140 caracteres (0/140).

Passo 7 de 9

Confira também a queda de tensão

Verifique a queda de tensão de trilhas de cobre e compare larguras candidatas com um orçamento declarado para o trecho.

Relacione geometria, resistência e queda

Resistência do trecho de cobre

A corrente não é o único critério

Uma largura que parece adequada pela estimativa térmica ainda pode causar queda de tensão excessiva se o trecho for longo.

Para uma trilha de cobre, use a resistência de referência:

R = ρL / (w × t)

  • ρ: resistividade do cobre; neste exemplo, 1,724 × 10⁻⁸ Ω·m a 20 °C;
  • L: comprimento do trecho, em m;
  • w: largura, em m;
  • t: espessura do cobre, em m.

Depois, calcule a queda no trecho com Vqueda = I × R. A seção condutora é w × t: aumentar a largura reduz a resistência, desde que a espessura permaneça a mesma.

Geometria usada no cálculo

Diagrama de uma trilha reta entre fonte e carga, com comprimento, largura e espessura do cobre destacados.

O comprimento aumenta a resistência; largura e espessura aumentam a seção condutora e reduzem a resistência.

Compare a queda antes de escolher

Exemplo

Caso de verificação

Considere o mesmo caso de corrente contínua usado na estimativa térmica, agora com um limite de queda de tensão para um trecho específico:

  • Corrente: 0,50 A
  • Comprimento estimado do trecho: 100 mm = 0,100 m
  • Cobre externo: 35 µm = 35 × 10⁻⁶ m
  • Resistividade adotada: 1,724 × 10⁻⁸ Ω·m a 20 °C
  • Queda máxima admitida no trecho: 20 mV = 0,020 V

Esse orçamento vale somente para esses 100 mm. Ele não representa automaticamente a queda entre a fonte e qualquer ponto do circuito.

Cálculo de uma candidata

Para uma largura de 1,50 mm:

R = (1,724 × 10⁻⁸ × 0,100) / (1,50 × 10⁻³ × 35 × 10⁻⁶)

R ≈ 0,0328 Ω

Então:

Vqueda = 0,50 × 0,0328 ≈ 0,0164 V = 16,4 mV

Como 16,4 mV é menor que 20 mV, essa candidata atende ao orçamento declarado para esse trecho, na condição de referência de 20 °C.

Comparação das candidatas

Compare as larguras para o mesmo comprimento, cobre e corrente do exemplo.

Valores aproximados, calculados com resistividade do cobre a 20 °C.
LarguraResistênciaQueda a 0,50 AAtende a 20 mV?
0,25 mm0,197 Ω98,5 mVNão
0,50 mm0,0985 Ω49,3 mVNão
1,00 mm0,0493 Ω24,6 mVNão
1,50 mm0,0328 Ω16,4 mVSim

Verifique e interprete o resultado

Dica

Decisão ainda é preliminar

A resistência calculada usa a resistividade de referência a 20 °C. O cobre fica mais resistivo quando sua temperatura aumenta; portanto, não trate esse valor como invariável.

Além de atender à queda de tensão, a largura escolhida precisa caber no espaço disponível sem violar os espaçamentos e as demais regras geométricas. Quando o comprimento real for conhecido após o posicionamento e o roteamento, refaça esta conta para o trecho real.

Pratique o cálculo

No caso de 0,50 A, 100 mm de comprimento, cobre de 35 µm e largura de 1,50 mm, a queda de tensão é aproximadamente ____ mV.

Conclua

Com os dados do exercício, uma trilha de 1,50 mm precisa ser alargada para cumprir o limite de 20 mV no trecho de 100 mm.

Passo 8 de 9

Transforme os requisitos em classes de redes

Crie e atribua classes de redes no KiCad, separando valores preferenciais de roteamento dos mínimos geométricos globais.

Agrupe redes por requisito declarado

Classe segue requisito, não nome

Classes de redes agrupam redes que têm o mesmo requisito declarado. Elas deixam parâmetros preferenciais prontos para o roteamento, sem decidir pela aparência ou apenas pelo nome.

Neste projeto, uma rede de sinal pode permanecer na classe padrão. Já uma rede de alimentação de 5 V pode receber uma classe própria somente se realmente atender às hipóteses usadas antes: 0,50 A contínuos, cobre externo de 35 µm, trecho inicialmente estimado em 100 mm e orçamento de queda de 20 mV.

Antes de criar uma classe, identifique a rede existente, sua corrente declarada e a justificativa da largura. Uma classe de maior corrente pode existir sem redes atribuídas, mas nesse caso não altera nenhuma rede da placa.

Uma regra para cada conjunto de necessidades

Diagrama com redes de sinal e alimentação associadas a classes distintas, além de uma classe sem rede atribuída.

A classe é atribuída explicitamente às redes. Uma classe criada, mas vazia, não modifica a placa.

Dica

Piso global e escolha da classe

Uma classe não substitui os mínimos globais configurados anteriormente. Os mínimos continuam sendo o piso geométrico do projeto; os valores da classe orientam a escolha normal durante o roteamento.

Crie as classes sem confundir os limites

Configure valores coerentes

No Editor de Placas, abra Configuração da placa e localize as classes de redes. Mantenha os mínimos globais já adotados e crie apenas classes necessárias às redes atuais.

Para este caso didático, os mínimos globais incluem 0,20 mm de largura e espaçamento, furo mínimo de via de 0,30 mm e anel mínimo de 0,15 mm. Uma via de 0,60 mm com furo de 0,30 mm resulta em anel nominal de 0,15 mm por lado.

Os parâmetros da tabela são um ponto de partida coerente com o perfil didático, não uma especificação de fabricante real.

Exemplo de classes para a interface de 5 V

Use Alimentação_0A50 apenas se houver no seu esquema uma rede à qual se aplique o caso declarado de 0,50 A contínuos.

Largura e via são preferências da classe; os mínimos globais continuam ativos.
ClasseAplicação declaradaEspaçamentoLarguraVia: diâmetro / furo
PadrãoRedes sem requisito especial0,20 mm0,25 mm0,60 / 0,30 mm
Alimentação_0A50Rede de 5 V a 0,50 A no caso calculado0,20 mm1,50 mm0,80 / 0,40 mm

Preferência não é mínimo específico

Como interpretar os valores

  • Mínimos globais: são limites geométricos. Neste perfil, largura e espaçamento não ficam abaixo de 0,20 mm; o furo não fica abaixo de 0,30 mm; o anel não fica abaixo de 0,15 mm.
  • Espaçamento da classe: é o afastamento aplicável entre cobres de redes diferentes daquela classe e não pode contrariar o mínimo global.
  • Largura e via da classe: são escolhas preferenciais. A largura de 1,50 mm é coerente com a candidata que atendeu ao exemplo de 0,50 A, 100 mm, cobre de 35 µm e queda máxima de 20 mV.

Uma largura preferencial de 1,50 mm não cria, por si só, um mínimo obrigatório específico para todo trecho futuro da rede.

Confira a classe efetiva e os limites da via

Atribua e confira a classe efetiva

Na lista de atribuição de redes, associe explicitamente cada rede existente à classe adequada e confira a classe efetiva exibida pelo KiCad.

No seu projeto local:

  1. Atualize a lista de redes, se a interface oferecer essa opção.
  2. Atribua a rede de alimentação a Alimentação_0A50 somente se a hipótese de 0,50 A realmente se aplicar.
  3. Deixe as demais redes em Padrão, salvo outra justificativa declarada.
  4. Confirme na lista que cada rede aparece na classe pretendida.

Redes que não forem movidas permanecem em Padrão; isso é correto quando não há requisito adicional conhecido.

Atenção

Classe maior exige justificativa

Não atribua uma rede a uma classe de maior corrente apenas “por precaução”. A largura maior pode não caber entre pads, conectores, reservas mecânicas e outros objetos. Primeiro declare o requisito; depois escolha e confira a classe correspondente.

Geometria não comprova corrente

Uma via de 0,80 mm de diâmetro externo com furo de 0,40 mm possui geometria compatível com o perfil didático. Explique o que essa geometria comprova e o que ainda precisa ser avaliado para decidir se a via é adequada à corrente da conexão. Mencione a metalização da parede do furo, as condições térmicas e o processo de fabricação.

Escreva pelo menos 120 caracteres (0/120).

Prática de conferência

Registre sua decisão

No seu projeto local, registre as redes existentes e a classe efetiva de cada uma. Depois, justifique os parâmetros configurados.

Inclua:

  • quais redes ficaram em Padrão e quais foram atribuídas a outra classe;
  • a relação entre espaçamento, largura e via escolhidos e os mínimos globais;
  • se aplicável, a hipótese que justifica Alimentação_0A50;
  • por que a largura preferencial de uma classe não garante a largura de cada trecho futuro;
  • por que uma classe criada, mas sem redes, não tem efeito na placa.

Não é necessário enviar arquivo ou imagem.

Escreva pelo menos 220 caracteres (0/220).

Passo 9 de 9

Revise e justifique as regras da placa

Consolidação das regras de trilhas, vias e espaçamentos, com revisão de uma via diante de uma restrição de fabricação alterada.

1. Registre o que fundamenta as regras

Registro de projeto

Feche as decisões em um registro curto

Antes de seguir para o layout, registre as hipóteses que produziram suas regras. Isso permite revisar uma decisão quando mudar a fabricação, o comprimento real de uma conexão ou a corrente prevista.

Para o caso didático, anote: placa de duas camadas; cobre externo de 35 µm; corrente de 0,50 A contínuos; ambiente de 25 °C; elevação térmica admitida de 10 °C; trecho inicialmente estimado em 100 mm; e orçamento de queda de 20 mV nesse trecho.

Registre também os mínimos de fabricação assumidos e os valores preferenciais das classes realmente usadas. Eles não são propriedades universais do KiCad nem de qualquer fabricante: são escolhas documentadas para este projeto de baixa tensão.

Decisões declaradas

Exemplo de síntese para consultar no projeto local.

Valores didáticos; confirme os limites reais com o fabricante antes de fabricar.
AspectoDecisão registrada
Estrutura2 camadas: F.Cu e B.Cu
Cobre externo35 µm
Hipótese térmica0,50 A; 25 °C; elevação de 10 °C
Queda de tensão100 mm; máximo de 20 mV no trecho
Mínimos globais0,20 mm largura e espaçamento; 0,50 mm à borda
Via mínima inicialFuro 0,30 mm; anel 0,15 mm; externo 0,60 mm
ClassesPadrão e, se aplicável, Alimentação_0A50 com redes atribuídas explicitamente

2. Reavalie uma restrição alterada

Revisão de via

Mudança de fabricação: refaça a geometria

Imagine que o fabricante escolhido passa a exigir furo mínimo de 0,40 mm para vias. O anel anular mínimo do projeto continua sendo 0,15 mm.

Não mantenha o diâmetro externo de 0,60 mm: com o furo maior, ele deixaria apenas 0,10 mm de anel por lado. Recalcule pela relação:

diâmetro externo mínimo = diâmetro do furo + 2 × anel mínimo

Assim, o novo valor precisa acomodar o furo exigido e o anel nos dois lados. Atualize de modo coerente os mínimos globais e as dimensões preferenciais de via das classes que efetivamente usam vias.

Uma via geometricamente aceitável ainda não prova capacidade de corrente equivalente à da trilha. Essa análise depende também da metalização da parede do furo, das condições térmicas e do processo real.

Geometria antes e depois

Aumentar o furo preservando o mesmo anel exige aumentar também o diâmetro externo.

Comparação entre uma via de furo menor e uma via revisada com furo e diâmetro externo maiores, mantendo a mesma largura de anel anular.

A relação geométrica é: externo = furo + duas vezes o anel.

3. Justifique sua revisão

Aplicação final

Elabore um registro final da configuração revisada no seu projeto local. Use os dados do caso didático já adotado e considere que o furo mínimo de via passou de 0,30 mm para 0,40 mm, enquanto o anel mínimo continua em 0,15 mm.

Inclua no texto:

  • estrutura da placa e espessura de cobre adotadas;
  • mínimos globais de largura, espaçamento e cobre–borda;
  • hipótese de corrente, ambiente, elevação térmica, comprimento e orçamento de queda;
  • largura de trilha escolhida e o critério dominante no caso de 100 mm; explique por que ela atende também aos demais critérios;
  • classes efetivamente usadas pelas redes existentes — ou a justificativa para não usar Alimentação_0A50;
  • novo diâmetro externo mínimo da via e os campos que conferiria no KiCad;
  • o que ainda não foi validado por apenas configurar essas regras.

Não é necessário enviar arquivo ou imagem.

Escreva pelo menos 450 caracteres (0/450).

4. Limite da preparação

Resumo

Síntese

Use esta revisão sempre que uma condição declarada mudar.

  • Documente estrutura, cobre, corrente, hipótese térmica, comprimento e orçamento de queda de tensão.
  • Separe mínimos globais de fabricação dos valores preferenciais usados pelas classes de redes.
  • A largura escolhida deve atender ao critério dominante e também aos demais requisitos declarados.
  • Quando o furo mínimo muda, recalcule o diâmetro externo para preservar o anel: externo = furo + 2 × anel.
  • Confira localmente os valores configurados e a atribuição efetiva das redes às classes.
  • Regras configuradas não equivalem a placa posicionada, roteada, fabricada ou validada.

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