Trilha de aprendizado · Nível 5 · Tutorial 5

Filtragem capacitiva após a retificação

Estimar a ondulação de uma saída retificada e dimensionar um capacitor de filtragem, verificando também os esforços adicionais impostos aos diodos e à fonte.

  • Nível: Intermediário
  • Duração: 22 min
  • 9 passos
Filtragem capacitiva após a retificação

O que você vai percorrer

  1. Como o capacitor sustenta a saída Veja como o capacitor, em paralelo com a carga, recarrega perto dos picos e sustenta a saída enquanto os diodos bloqueiam. 2 min
  2. Estimativa da ondulação Use a frequência de recarga e as hipóteses corretas para estimar a ondulação de uma saída filtrada. 3 min
  3. Capacitância com margem de tolerância 3 min
  4. Tensões média, mínima e máxima Estime as tensões máxima, média e mínima de uma saída filtrada e selecione a tensão nominal do capacitor pelo pior caso em vazio. 3 min
  5. A corrente escondida pela saída suavizada Entenda por que a filtragem reduz a ondulação na carga, mas concentra corrente nos diodos e na fonte durante a recarga. 3 min
  6. Recarga repetitiva não é surto único Avalie diodos, capacitor e fonte pelos esforços repetitivos de recarga, sem confundir corrente da carga, surto único e pulsos de regime. 2 min
  7. Tensão reversa com o capacitor conectado Estime a tensão reversa máxima em retificadores de meia onda e em ponte quando um capacitor de filtragem mantém a saída carregada. 2 min
  8. Menos ondulação não é o único critério Compare capacitância, energia armazenada e esforços de recarga antes de aprovar um filtro. 2 min
  9. Aplicação final: escolher e justificar o filtro Conclua um caso de filtragem capacitiva avaliando ondulação, tolerância, tensão, corrente de ondulação, pulsos de recarga, esforço reverso e energia armazenada. 3 min

O que você vai aprender

  • Explicar os intervalos de carga e descarga do capacitor pela forma de onda do retificador.
  • Calcular uma capacitância aproximada para uma ondulação e uma corrente de carga especificadas.
  • Estimar as tensões média e mínima e selecionar a tensão nominal do capacitor com margem.
  • Identificar quando os pulsos de corrente, a tensão reversa ou a energia armazenada inviabilizam uma escolha aparentemente adequada.

Antes de começar

  • Retificação de meia onda e em ponte
  • Capacitores: energia, polaridade e limites
  • Carga, descarga e constante de tempo RC
  • Seleção de diodos retificadores e Schottky

Passo 1 de 9

Como o capacitor sustenta a saída

Veja como o capacitor, em paralelo com a carga, recarrega perto dos picos e sustenta a saída enquanto os diodos bloqueiam.

O capacitor fica em paralelo com a carga

Ligação correta do filtro

Após o retificador, o capacitor de filtragem é ligado em paralelo com a carga: terminal positivo no nó positivo da saída e terminal negativo no retorno da saída. Em um capacitor polarizado, inverter essa ligação pode danificá-lo.

Considere aqui apenas sinais alternados isolados, com até 10 V de pico e energia limitada. A análise é feita pelos esquemas e formas de onda; não é necessário montar o circuito.

Esquema de uma ponte retificadora com capacitor polarizado em paralelo com a carga.

O capacitor e a carga compartilham os mesmos dois nós da saída retificada.

Recarga perto dos picos

Intervalo de recarga

A recarga não ocorre durante todo o ciclo. Próximo ao pico de cada pulso retificado, os diodos entram em condução quando a tensão instantânea disponível no retificador supera a tensão já mantida no capacitor, considerando também as quedas nos diodos do caminho.

Nesse intervalo, a corrente do retificador segue para a carga e para o capacitor. A tensão do capacitor sobe ou é reposta perto de seu valor máximo.

Forma de onda retificada e tensão do capacitor, com uma região próxima ao pico destacada como intervalo de recarga.

Perto do pico, há tensão disponível para vencer o nível do capacitor e o caminho dos diodos.

Dica

Atenção

A queda direta não é um valor fixo universal: ela depende, entre outros fatores, da corrente. Por isso, pense em “quedas dos diodos no caminho de condução”, não em uma subtração garantida e imutável.

A carga é sustentada entre os picos

Intervalo de descarga

Depois do pico, a tensão retificada cai. Quando ela deixa de ser suficiente para manter a condução, os diodos bloqueiam. O capacitor então fornece a corrente para a carga e sua tensão diminui gradualmente até a próxima recarga.

Essa descida entre picos é a ondulação da saída. O filtro a reduz, mas não torna a tensão perfeitamente constante: mudanças na entrada ou na carga ainda alteram a saída.

Forma de onda da saída com capacitor caindo gradualmente entre picos, enquanto os diodos estão bloqueados e o capacitor alimenta a carga.

Entre recargas, a carga recebe energia armazenada no capacitor; a tensão não fica fixa.

Prática: condução ou descarga?

Leia o caminho da corrente

Associe cada situação ao intervalo correspondente do ciclo.

Faça as correspondências.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Atenção

Limite da ideia de filtragem

Não conclua que “capacitor maior” significa saída invariável. A filtragem apenas sustenta a saída entre recargas; a ondulação e o nível de tensão ainda dependem das condições do circuito.

Passo 2 de 9

Estimativa da ondulação

Use a frequência de recarga e as hipóteses corretas para estimar a ondulação de uma saída filtrada.

Definição e modelo aproximado

O que mede a ondulação

Após cada recarga, o capacitor alimenta a carga até o próximo pico do sinal retificado. A queda entre o maior e o menor valor nesse intervalo é a ondulação pico a pico:

ΔV = V_máx − V_mín

ΔV não é a tensão média. Uma saída pode ter tensão média próxima de 8,7 V e, ainda assim, oscilar de 9,0 V até 8,4 V: nesse caso, ΔV = 0,6 V.

Leitura da forma de onda

Gráfico de uma saída retificada filtrada, com picos de recarga, quedas graduais e a diferença vertical entre tensão máxima e mínima.

A ondulação é a diferença vertical entre o pico após a recarga e o vale antes da recarga seguinte.

Da carga perdida à queda de tensão

Para estimar essa queda, trate a corrente da carga como aproximadamente constante durante um intervalo curto. A carga elétrica retirada do capacitor é:

ΔQ ≈ I_carga × Δt

Como ΔQ = C × ΔV, resulta:

ΔV ≈ I_carga × Δt / C

Se há uma recarga por pulso, Δt ≈ 1/f_ondulação. Portanto:

ΔV ≈ I_carga / (f_ondulação × C)

Use I em A, f em Hz e C em F; o resultado sai em V.

Frequência dos pulsos

Escolha a frequência de ondulação

A frequência relevante é a dos pulsos que recarregam o capacitor, e não necessariamente a frequência original da fonte.

Em uma entrada de 60 Hz, a meia onda tem uma oportunidade de recarga por ciclo; a ponte tem duas. Assim, para a mesma carga e o mesmo capacitor, a ponte tende a apresentar metade da ondulação estimada.

Frequência a usar na fórmula de ondulação
Topologiaf_ondulaçãoCom entrada de 60 Hz
Meia ondaf_entrada60 Hz
Ponte retificadora2 × f_entrada120 Hz

Exemplo

Exemplo: ponte a 60 Hz

Exemplo: uma ponte alimenta uma carga aproximadamente constante de 100 mA. O capacitor é de 1000 µF, e a entrada é de 60 Hz.

  • f_ondulação = 2 × 60 = 120 Hz
  • C = 1000 µF = 0,001 F

ΔV ≈ 0,100 / (120 × 0,001)

ΔV ≈ 0,83 V pico a pico

Se fosse meia onda com os mesmos valores, a estimativa seria cerca de 1,67 Vpp.

Prática: aplique a fórmula

Calcule a ondulação

Em uma ponte retificadora com entrada de 50 Hz, carga de 0,20 A e capacitor de 2200 µF, complete a estimativa. Use a frequência de ondulação correspondente à ponte.

ΔV ≈ {{blank}} Vpp

Interprete o resultado

Quando a aproximação vale

A fórmula é uma estimativa útil quando a ondulação é pequena, a corrente da carga varia pouco e o capacitor recebe recarga suficiente em todo ciclo. Nesse cenário, a curva real de descarga é exponencial, mas pode ser aproximada por uma reta curta.

Ela perde qualidade quando a ondulação é grande, a carga muda muito ao longo do ciclo ou a fonte não consegue recarregar adequadamente o capacitor. Nesses casos, não trate o número calculado como previsão precisa.

Dica

Como as variáveis influenciam

Pela expressão ΔV ≈ I/(fC):

  • aumentar I_carga aumenta ΔV;
  • aumentar C reduz ΔV;
  • aumentar f_ondulação reduz ΔV.

Essas relações indicam a tendência, não autorizam ignorar os limites de corrente da fonte, dos diodos e do próprio capacitor.

Verifique a hipótese

Se o cálculo resultar em uma ondulação muito grande, a fórmula ΔV ≈ I/(fC) continua sendo uma previsão precisa porque descreve exatamente a descarga do capacitor.

Passo 3 de 9

Capacitância com margem de tolerância

Da especificação à capacitância necessária

Dimensionamento pelo pior caso

Para limitar a ondulação, isole a capacitância na aproximação já estudada:

C_necessária ≈ I_carga / (f_ondulação × ΔV_admissível)

Use condições de pior caso para a ondulação:

  • a maior corrente de carga prevista;
  • a menor frequência de ondulação, se ela puder variar;
  • a maior ondulação que a carga ainda aceita.

O resultado é a capacitância mínima elétrica necessária, antes de considerar a tolerância do componente.

A capacitância é calculada a partir do pior cenário de corrente, frequência e ondulação admissível.

Diagrama de uma ponte retificadora com capacitor em paralelo à carga e três fatores de pior caso apontando para o capacitor.

Dimensione para a condição que produz a maior ondulação.

Tolerância define o valor mínimo

Exemplo

Exemplo: valor calculado

Considere uma ponte alimentada a 60 Hz. Sua frequência de ondulação é 120 Hz. A carga pode consumir até 0,20 A, e a ondulação admissível é 0,50 V pico a pico.

C_necessária ≈ 0,20 / (120 × 0,50)

C_necessária ≈ 0,00333 F = 3333 µF

Um capacitor nominal de 3300 µF já seria insuficiente até mesmo se tivesse exatamente o valor marcado. Além disso, um capacitor real pode ter capacitância abaixo do valor nominal.

O valor marcado não é a garantia

A tolerância negativa altera o critério de escolha. Para um capacitor de valor nominal C_nom e tolerância de ±t:

C_mín = C_nom × (1 − t)

Se a tolerância for ±20%, use t = 0,20. O componente só atende à ondulação se sua capacitância mínima possível for igual ou maior que C_necessária.

Não valide a escolha usando apenas o valor nominal.

No exemplo, compare capacitores de tolerância ±20%.

A escolha deve ser feita pela coluna de capacitância mínima.
Valor nominalC_mín com −20%Atende a 3333 µF?
3300 µF2640 µFNão
3900 µF3120 µFNão
4700 µF3760 µFSim

Recalcule antes de aprovar

Exemplo

Confirmação com C mínimo

Escolha comercial: 4700 µF ±20%.

No limite inferior:

C_mín = 4700 µF × 0,80 = 3760 µF

Agora recalcule a ondulação com esse valor mínimo, e não com 4700 µF:

ΔV ≈ 0,20 / (120 × 0,003760)

ΔV ≈ 0,44 V pico a pico

Como 0,44 V é menor que 0,50 V, o capacitor atende ao requisito de ondulação no pior limite de tolerância.

Dica

Aprovação parcial

Este resultado é uma aprovação somente quanto à ondulação estimada. A escolha ainda não está completa: tensão máxima, correntes de recarga e energia armazenada exigem verificações próprias nas próximas etapas.

Pratique a seleção com tolerância

Calcule a capacitância necessária

Uma ponte tem frequência de ondulação de 100 Hz. A carga máxima é 0,10 A e a ondulação admissível é 0,50 V pico a pico.

Qual capacitância mínima aproximada é necessária antes da tolerância? Informe o valor em µF.

Escreva pelo menos 4 caracteres (0/4).

Escolha pelo limite inferior

Para o caso anterior, qual componente atende à ondulação de 0,50 V mesmo com tolerância de ±20%?

Passo 4 de 9

Tensões média, mínima e máxima

Estime as tensões máxima, média e mínima de uma saída filtrada e selecione a tensão nominal do capacitor pelo pior caso em vazio.

Da ondulação às tensões úteis

Três tensões para observar

Depois da ponte, o capacitor é recarregado perto dos picos e depois alimenta a carga. Sua tensão cai de V_C,máx até V_mín; a diferença é a ondulação:

ΔV = V_C,máx − V_mín

Quando a ondulação é pequena e a descarga pode ser aproximada por uma rampa, use:

  • V_média ≈ V_C,máx − ΔV/2
  • V_mín ≈ V_C,máx − ΔV

A tensão média resume o nível da saída. Porém, se a carga exige uma tensão mínima para funcionar, a comparação decisiva é com V_mín, o vale da ondulação — não com V_média.

Forma de onda filtrada

Diagrama de uma saída de ponte retificadora filtrada, com tensão máxima após a recarga, tensão média e tensão mínima no vale da ondulação.

Para uma carga com tensão mínima especificada, o ponto crítico é o vale da ondulação.

Pior caso para a carga e para o capacitor

O pico disponível não é garantia

O pico estimado pela entrada e pelas quedas dos diodos indica o que está disponível em um modelo simples. Com carga, porém, o capacitor pode atingir um pico menor: há queda de tensão sob carga e efeitos das impedâncias do circuito durante a recarga.

Use os dados fornecidos para o caso, em vez de supor que o capacitor sempre alcança o pico ideal. Para verificar o funcionamento da carga, combine a menor entrada com a maior ondulação. Para escolher a tensão nominal do capacitor, considere o caso oposto: maior entrada em vazio, com as menores quedas de condução plausíveis.

Não desconte automaticamente uma queda fixa dos diodos como margem garantida: ela varia com as condições de condução.

Dois cenários necessários

Caso didático de ponte retificadora com capacitor e carga. A entrada isolada varia entre 8,0 V e 10,0 V de pico. Os valores de V_C,máx abaixo já incluem os efeitos declarados para cada condição.

A carga deve ser aprovada no cenário de menor tensão; o capacitor deve suportar o cenário de maior tensão.
CenárioV_C,máxΔVV_médiaV_mín
Entrada de 8,0 Vp, carga máxima6,6 V0,8 V6,2 V5,8 V
Entrada de 10,0 Vp, em vazio9,0 V≈ 0 V≈ 9,0 V≈ 9,0 V

Exemplo

Exemplo: dois critérios diferentes

Suponha que a carga exija pelo menos 5,5 V. No cenário de entrada mínima e carga máxima:

V_mín ≈ 6,6 − 0,8 = 5,8 V

Portanto, a carga tem 0,3 V de margem no vale da ondulação.

No outro extremo, em vazio e com entrada de 10,0 V de pico, o capacitor pode alcançar 9,0 V. Um capacitor nominal de 10 V fica perto demais desse maior valor plausível. Entre opções usuais, 16 V é uma escolha mais adequada por ficar acima do máximo com margem explícita.

Prática: requisito da carga

Verifique o vale

No cenário de menor entrada, V_C,máx é 6,6 V e a ondulação é 0,8 V. A carga exige ao menos 5,5 V. Qual conclusão é correta?

Prática: tensão nominal

Escolha pela tensão máxima

No mesmo caso, o capacitor pode alcançar 9,0 V em vazio, quando a entrada está em 10,0 V de pico. Entre as opções de 10 V, 16 V e 25 V, qual é a menor tensão nominal adequada com margem explícita?

Passo 5 de 9

A corrente escondida pela saída suavizada

Entenda por que a filtragem reduz a ondulação na carga, mas concentra corrente nos diodos e na fonte durante a recarga.

Recarga curta, corrente concentrada

A corrente não segue a aparência da saída

A tensão de saída pode parecer quase contínua, mas a corrente que a produz não é contínua em todo o circuito.

Entre os picos da tensão retificada, os diodos ficam bloqueados e o capacitor entrega corrente à carga. Próximo a cada pico, a tensão do retificador volta a superar a tensão do capacitor; então os diodos conduzem por um intervalo curto e recarregam o capacitor.

Assim, a carga pode consumir uma corrente aproximadamente constante, enquanto a fonte e os diodos fornecem corrente em pulsos.

Curvas alinhadas de tensão e corrente

Esquema de ponte retificadora com capacitor e carga, acompanhado de curvas alinhadas: tensão de saída com pequena ondulação, corrente de carga quase constante e pulsos estreitos de recarga.

A pequena ondulação resulta de recargas curtas e concentradas perto dos picos.

Por que o pico não é a corrente da carga

Duas parcelas durante a condução

Quando há condução, a corrente vinda do retificador tem duas tarefas ao mesmo tempo:

  1. alimentar a corrente que a carga está consumindo naquele instante;
  2. repor no capacitor a carga elétrica perdida durante o intervalo anterior de descarga.

Por isso, durante o pulso de recarga, a corrente nos diodos e na fonte pode ser bem maior que a corrente média ou aproximadamente contínua da carga. Não é correto usar apenas a corrente da carga como se ela fosse o pico de corrente no caminho de recarga.

Exemplo

Exemplo de interpretação

Considere uma carga que consome aproximadamente 200 mA. Durante a maior parte do ciclo, o capacitor fornece esses 200 mA e sua tensão cai um pouco.

Perto do pico seguinte, o retificador conduz por pouco tempo. Nesse intervalo, a fonte precisa fornecer os 200 mA da carga e ainda devolver ao capacitor a carga que ele entregou antes. Logo, a corrente no caminho de recarga é maior que 200 mA — mas seu valor exato depende das impedâncias reais do circuito.

Atenção

Primeira energização e limites reais

A corrente inicial também merece atenção. Se o capacitor estiver descarregado ao energizar o circuito, a diferença entre a tensão instantânea disponível e a tensão no capacitor pode ser grande. O valor inicial e a duração dessa corrente dependem do instante da energização e das impedâncias do circuito.

Não trate o circuito como ideal: resistência e impedância da fonte, diodos, fios, conexões e a resistência série equivalente do capacitor limitam os pulsos. Sem esses elementos, um modelo ideal pode prever correntes sem valor físico realista.

Interprete o esforço de recarga

O compromisso ao aumentar C

Aumentar a capacitância geralmente reduz a ondulação porque o capacitor perde menos tensão entre as recargas. Porém, ele também pode fazer a recarga ficar mais concentrada perto dos picos da senoide.

O resultado pode ser pulsos mais exigentes para a fonte, os diodos e o próprio capacitor. Não existe um fator único para calcular esse agravamento: ele depende, entre outros fatores, da impedância da fonte, das quedas nos diodos, das conexões e da resistência série do capacitor.

Portanto, “menor ondulação” é uma vantagem parcial, não uma aprovação completa do filtro.

Leia as curvas como caminhos de corrente

Associe cada situação à descrição correspondente.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Passo 6 de 9

Recarga repetitiva não é surto único

Avalie diodos, capacitor e fonte pelos esforços repetitivos de recarga, sem confundir corrente da carga, surto único e pulsos de regime.

Pulsos de regime versus partida

O pulso que se repete

A cada pico da tensão retificada, o capacitor é recarregado em um intervalo curto. Portanto, diodos, capacitor e fonte recebem pulsos repetitivos enquanto o circuito está ligado — não apenas o pico inicial de energização.

A corrente da carga pode parecer quase contínua, mas a corrente no caminho de recarga é concentrada perto dos picos. É por isso que uma escolha baseada somente na corrente contínua da carga pode falhar.

Diagrama de ponte, capacitor e carga com pulsos estreitos de recarga repetidos a cada pico, em contraste com a corrente quase contínua da carga.

A reposição de carga ocorre em pulsos curtos e recorrentes; eles exigem verificação própria.

Dados que precisam conversar

O que os limites realmente dizem

Dois números da folha de dados não bastam, sozinhos, para aprovar um diodo em um filtro capacitivo:

  • I_FSM: suporta um surto direto não repetitivo, sob duração, forma de pulso, temperatura inicial e outras condições declaradas. Não autoriza aplicar esse mesmo pico em todos os ciclos.
  • Corrente direta média máxima: limita o aquecimento médio nas condições especificadas, mas não descreve necessariamente o pico, a largura e a repetição dos pulsos de recarga.

Para aprovar os diodos, procure um limite, gráfico ou curva aplicável a pulsos repetitivos e compare a amplitude, duração, taxa de repetição e condições térmicas do caso.

Atenção

Atenção

Se a documentação só fornece I_FSM e corrente direta média, sem dado aplicável a pulsos repetitivos nas condições do circuito, a conclusão correta é: não há informação suficiente para aprovar os diodos. Não transforme um limite de surto em margem de operação contínua.

Verificações separadas

Compare as informações necessárias para cada avaliação.

As correntes não podem ser tratadas como equivalentes.
ElementoDado a conferirNão concluir apenas por
DiodoPulso repetitivo: pico, duração, repetição e condição térmicaI_FSM ou corrente média isolados
FonteCorrente eficaz requerida e especificação aplicávelCorrente contínua da carga
CapacitorCorrente de ondulação e temperatura/condições declaradasCapacitância e tensão nominal

Checagem antes da aprovação

Fonte e capacitor também sentem os pulsos

Uma fonte também não fornece necessariamente uma corrente igual à corrente contínua consumida pela carga. Como a recarga é pulsada, a fonte pode ter de suportar uma corrente eficaz maior, quando esse valor for fornecido ou estimado no caso.

Confira a especificação de corrente eficaz da fonte nas condições indicadas. Não substitua essa verificação por “a carga consome só 0,5 A”.

No capacitor, confira o limite de corrente de ondulação na temperatura, frequência e condição de montagem relevantes. Essa corrente produz aquecimento interno; capacitância suficiente e tensão nominal adequada não garantem, por si só, que o componente suporte o regime.

Exemplo

Decida com os dados disponíveis

Considere um retificador com capacitor. A carga consome 0,50 A contínuos. A folha de dados do diodo informa I_FSM = 20 A para um surto não repetitivo especificado e corrente direta média máxima de 1 A, mas não traz curva nem limite de pulsos repetitivos. Qual é a decisão tecnicamente correta?

Qual decisão é adequada para esse diodo?

Passo 7 de 9

Tensão reversa com o capacitor conectado

Estime a tensão reversa máxima em retificadores de meia onda e em ponte quando um capacitor de filtragem mantém a saída carregada.

Meia onda: some as tensões

Meia onda: tensões que se somam

Na meia onda, o pior bloqueio ocorre no pico negativo da entrada. Nesse instante, o capacitor ainda mantém o nó de saída positivo, enquanto o ânodo do diodo está negativo.

Assim, as tensões se somam sobre o diodo bloqueado:

V_reversa,máx ≈ V_pico,entrada + V_C,máx

Se o capacitor estiver próximo do pico da entrada e as quedas forem desprezadas, o esforço se aproxima de 2 × V_pico,entrada. Isso é maior do que no retificador sem capacitor.

Pior instante na meia onda

Esquema de meia onda no pico negativo: a entrada deixa o ânodo negativo e o capacitor mantém o cátodo positivo, impondo tensão reversa ao diodo.

No pico negativo, a tensão da fonte e a tensão mantida pelo capacitor atuam em sentidos que aumentam o bloqueio do diodo.

Exemplo

Aplicação rápida

Exemplo: entrada de pico máximo igual a 10 V e capacitor que pode estar em 9 V.

V_reversa,máx ≈ 10 V + 9 V = 19 V

Para escolher o diodo, compare esse valor com V_RRM, usando a maior entrada prevista e uma margem. Não use apenas a tensão média da saída como referência.

Ponte: leia os nós, não só a saída

Ponte: esforço por diodo

Em uma ponte retificadora convencional, o capacitor também sustenta a saída entre os picos. Porém, ao analisar cada diodo bloqueado no instante desfavorável, o esforço reverso aproximado por diodo é diferente:

V_reversa,máx por diodo ≈ V_pico,entrada

Portanto, não se deve aplicar automaticamente a regra de “duas vezes o pico” à ponte. Os quatro diodos e os nós da ponte criam uma distribuição de tensões diferente da meia onda.

Meia onda e ponte comparadas

Comparação visual entre o diodo bloqueado de uma meia onda, que vê a soma da entrada e do capacitor, e um diodo bloqueado da ponte, que vê aproximadamente um pico de entrada.

A topologia determina quais nós ficam em cada potencial; por isso o esforço reverso por diodo não é o mesmo.

Atenção

Limite do cálculo

Considere a maior amplitude de entrada prevista, inclusive em vazio, e uma margem de projeto. As estimativas não cobrem transientes desconhecidos; se eles forem relevantes, são necessárias especificações ou dados adicionais do caso.

Prática: meia onda

Calcule a tensão reversa

Complete a estimativa para uma meia onda: entrada com pico de 8 V e capacitor em 7,5 V no instante crítico.

V_reversa,máx ≈ 8 V + 7,5 V = {{1}} V

Resposta

Digite o valor numérico da lacuna.

Escreva pelo menos 1 caracteres (0/1).

Verifique antes de aprovar

Compare as topologias

Uma entrada tem pico máximo de 10 V e um capacitor de filtragem está conectado. Qual estimativa corresponde ao esforço reverso máximo por diodo?

Estimativas com quedas de condução desprezadas.
TopologiaTensão reversa por diodo
Meia onda≈ 10 V + V_C,máx; perto de 20 V se V_C,máx ≈ 10 V
Ponte convencional≈ 10 V

Decisão de seleção

Para uma ponte convencional com entrada máxima de 10 V de pico, qual afirmação é adequada para selecionar o V_RRM de cada diodo?

Escreva pelo menos 20 caracteres (0/20).

Passo 8 de 9

Menos ondulação não é o único critério

Compare capacitância, energia armazenada e esforços de recarga antes de aprovar um filtro.

Ondulação menor, compromisso maior

Energia: use o pior caso correto

Capacitância maior também armazena mais energia

A energia no capacitor é estimada por:

E = C × V² / 2

Para avaliar a maior energia plausível, use simultaneamente:

  • a capacitância no limite superior de tolerância, C_máx;
  • a maior tensão plausível no capacitor, V_C,máx.

Isso é diferente da verificação de ondulação: nela, o caso crítico era a capacitância mínima, C_mín. Uma tensão relativamente baixa não torna a energia desprezível se a capacitância for grande.

O compromisso da capacitância

Comparação visual entre capacitor menor, com maior ondulação e menor energia, e capacitor maior, com menor ondulação, maior energia e pulsos de recarga mais concentrados.

Mais capacitância pode achatar a ondulação, mas aumenta a energia armazenada e pode elevar os esforços de recarga.

Aprovação parcial não basta

Duas escolhas que atendem à ondulação

Considere uma ponte retificadora de baixa tensão cujo capacitor pode alcançar 10 V. A carga e a frequência já foram avaliadas: os dois capacitores atendem à ondulação exigida.

Agora compare os demais critérios. Para a energia, use a capacitância máxima de tolerância. Para os pulsos repetitivos, não aceite um componente apenas porque suporta um surto único.

Compare além da ondulação

Dados de comparação para a mesma saída de 10 V.

A escolha só pode prosseguir se todos os limites declarados forem atendidos.
OpçãoCapacitância e tolerânciaC máxEnergia máxima a 10 VSituação
A1000 µF ±20%1200 µF0,060 JDentro do limite de 0,20 J
B4700 µF ±20%5640 µF0,282 JAcima do limite de 0,20 J

Atenção

Critério de interrupção

Não aumente C indefinidamente. Uma capacitância que melhora a ondulação ainda pode ser inadequada se:

  • a energia máxima excede o limite declarado do caso;
  • os diodos, a fonte ou o próprio capacitor não têm dados aplicáveis aos pulsos repetitivos de recarga;
  • a corrente de ondulação ou o aquecimento permitido do capacitor é excedido.

Nessas situações, interrompa a decisão: “melhor ondulação” não é uma aprovação de projeto.

Atenção

Energia remanescente

Em uma montagem própria de baixa energia, desligue e desconecte a alimentação antes de manusear o circuito. Descarregue o capacitor por um resistor adequadamente dimensionado e confirme a tensão antes de tocar nos terminais. Não faça curto-circuito direto no capacitor.

Verifique antes de escolher

Calcule o pior caso de energia

Para a opção B, use C_máx = 5640 µF e V_C,máx = 10 V. Complete a energia máxima estimada:

E = __

Energia máxima

A energia máxima estimada da opção B é {{blank}}.

Justifique a escolha

Decisão orientada por requisitos

A opção B reduz mais a ondulação que a opção A, mas sua energia máxima estimada é 0,282 J, acima do limite declarado de 0,20 J. Em uma ou duas frases, justifique a decisão e cite outra verificação que continuaria necessária para qualquer capacitor escolhido.

Escreva pelo menos 80 caracteres (0/80).

Passo 9 de 9

Aplicação final: escolher e justificar o filtro

Conclua um caso de filtragem capacitiva avaliando ondulação, tolerância, tensão, corrente de ondulação, pulsos de recarga, esforço reverso e energia armazenada.

1. Ler o caso antes de escolher

Dados e critérios

Caso integrado: ponte com filtro

Uma ponte retificadora alimenta uma carga de 100 mA a partir de uma senoide isolada de até 10 V de pico, a 50 Hz. Logo, a frequência de ondulação é 100 Hz.

O capacitor fica em paralelo com a carga. No pior caso sob carga, os dados do circuito indicam V_C,máx = 8,7 V após a recarga. Em vazio, na maior entrada, ele pode alcançar 9,0 V.

Requisitos: ondulação de no máximo 0,60 Vpp; tensão mínima na carga de pelo menos 8,0 V; e tensão nominal do capacitor de pelo menos 20% acima da maior tensão plausível no capacitor.

Ponte, capacitor e forma de onda

Esquema de ponte retificadora com capacitor em paralelo à carga e gráfico mostrando recargas próximas aos picos e descarga entre elas.

Na ponte, ocorrem duas oportunidades de recarga a cada ciclo de entrada; com 50 Hz, a ondulação é de 100 Hz.

Opções e limites declarados

Compare as opções pelos limites de tolerância, tensão, corrente de ondulação e energia. Os dados de pulsos foram obtidos para este caso considerando impedâncias não ideais.

Dados didáticos para a decisão do caso.
ItemDados relevantes
C11500 µF ±20%; 16 V; ondulação máx. 0,20 A eficaz, 100 Hz e 25 °C
C22200 µF ±20%; 16 V; ondulação máx. 0,30 A eficaz, 100 Hz e 25 °C
C32200 µF ±20%; 10 V; ondulação máx. 0,30 A eficaz, 100 Hz e 25 °C
Capacitor no circuitoCorrente de ondulação prevista: 0,24 A eficaz, a 100 Hz e 25 °C
D1V_RRM = 30 V; pulso repetitivo: até 2,0 A por 2 ms, a 100 Hz
D2V_RRM = 15 V; I_FSM = 20 A; sem limite de pulso repetitivo informado
Circuito e fontePulso previsto: 1,6 A por 2 ms, a 100 Hz; fonte: 0,18 A eficaz exigidos, máximo de 0,25 A eficaz
EnergiaLimite declarado do caso: 0,15 J; use C_máx e 9,0 V

2. Aplicar o roteiro

Ordene o procedimento

Coloque as etapas na ordem mais adequada para avaliar o filtro.

  1. Calcular a capacitância necessária para a ondulação admissível.
  2. Verificar tensões, corrente de ondulação, pulsos, V_RRM, fonte e energia antes da decisão.
  3. Recalcular a ondulação com a capacitância mínima por tolerância.
  4. Identificar a frequência de ondulação.

Cálculo no limite inferior

Para C2 ou C3 no pior caso de tolerância, complete:

ΔV ≈ 0,10 A / (100 Hz × 0,00176 F) ≈ __ Vpp

3. Selecionar e justificar

Decisão justificada

Com os dados do caso e seu cálculo, escreva uma decisão técnica em 2 a 4 frases. Indique:

  • qual capacitor você seleciona ou por que nenhuma opção atende;
  • um resultado de ondulação ou de tensão mínima;
  • a verificação de tensão nominal, corrente de ondulação e energia;
  • qual diodo pode ser aceito com os dados fornecidos e por que o outro não pode ser aprovado.

Escreva pelo menos 140 caracteres (0/140).

4. Conferir e concluir

Conferência da decisão

Resolução do caso

C1 é reprovado pela ondulação: C_mín = 1200 µF e ΔV ≈ 0,83 Vpp.

C2 atende: C_mín = 1760 µF, ΔV ≈ 0,57 Vpp e V_mín ≈ 8,13 V. A tensão nominal de 16 V é maior que 9,0 V × 1,20 = 10,8 V. Sua corrente de ondulação admissível, 0,30 A eficaz, supera os 0,24 A eficaz previstos.

C3 filtra como C2 e suporta a corrente de ondulação, mas seus 10 V não atendem ao critério mínimo de 10,8 V para a margem de tensão.

Para C2, C_máx = 2640 µF. Então, E ≈ 0,00264 × 9,0² / 2 = 0,107 J, abaixo do limite de 0,15 J. D1 e a fonte também atendem aos dados declarados. D2 permanece sem aprovação: I_FSM não valida recarga repetitiva.

Resumo

Síntese da decisão

  • Na ponte, a frequência de ondulação é duas vezes a frequência de entrada; neste caso, 100 Hz.
  • Dimensione pela maior corrente e valide a ondulação usando C_mín por tolerância.
  • A carga deve atender à tensão mínima; a tensão nominal do capacitor deve cobrir a maior tensão plausível com a margem definida.
  • A corrente de ondulação admissível do capacitor deve ser comparada à corrente eficaz prevista nas mesmas condições de frequência e temperatura.
  • Aprovação exige verificar também pulsos repetitivos, corrente eficaz da fonte, V_RRM e energia armazenada.
  • I_FSM não substitui um limite aplicável aos pulsos repetitivos de recarga.

Tutorial concluído

Parabéns! Você concluiu: Filtragem capacitiva após a retificação

Muito bem! Uma saída com pouca ondulação só é adequada quando tensão, corrente, pulsos repetitivos e energia também atendem aos limites.

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