Trilha de aprendizado · Nível 6 · Tutorial 5

Chaveamento de baixa potência com MOSFET

Ao concluir, o aluno será capaz de dimensionar uma chave MOSFET para uma pequena carga resistiva, incluindo comando e descarga do gate, em circuitos próprios isolados de até 12 Vcc e com corrente limitada.

  • Nível: Intermediário
  • Duração: 20 min
  • 8 passos
Chaveamento de baixa potência com MOSFET

O que você vai percorrer

  1. Defina a chave e a referência do comando Organize uma chave MOSFET de canal N pelo lado de baixo, com referência de comando correta e medições entre os terminais adequados. 2 min
  2. Escolha pela tensão real de comando Selecione provisoriamente um MOSFET usando a resistência de condução garantida na menor tensão de gate disponível. 3 min
  3. Confira a queda de tensão e as perdas Verifique a queda de tensão e as perdas de condução de uma chave MOSFET usando R_DS(on) compatível com a temperatura prevista. 3 min
  4. Garanta o desligamento do gate Defina um caminho passivo de descarga entre gate e source e escolha R_GS equilibrando fuga residual e consumo contínuo do comando. 2 min
  5. Limite a corrente transitória do comando Escolha o resistor série do gate verificando a corrente transitória nos dois sentidos e a tensão V_GS que permanece em regime. 3 min
  6. Estime a duração das transições Estime o tempo de movimentação da carga de gate, reconheça os limites da aproximação e compare as exigências sobre o comando. 3 min
  7. Verifique os estados previstos Confira leituras estáticas da chave MOSFET e reconheça divergências de comando, condução e descarga do gate. 2 min
  8. Conclua o dimensionamento Aplique os critérios de seleção, comando e verificação a uma chave MOSFET de lado baixo. 3 min

O que você vai aprender

  • Escolher um MOSFET com condução especificada para a tensão de comando disponível.
  • Definir as conexões e os resistores de gate necessários para estados estáveis de operação.
  • Estimar queda de tensão, perdas de condução e tempo de transição sob hipóteses informadas.
  • Explicar por que atingir V_GS(th) não garante um estágio de chaveamento eficiente.

Antes de começar

  • Regiões de operação e parâmetros dos MOSFETs
  • Perdas e margem térmica em transistores
  • Chaveamento de baixa potência com BJT
  • Carga, descarga e constante de tempo RC

Passo 1 de 8

Defina a chave e a referência do comando

Organize uma chave MOSFET de canal N pelo lado de baixo, com referência de comando correta e medições entre os terminais adequados.

Conexões fundamentais

A topologia de referência

Nesta topologia, um MOSFET de canal N funciona como uma chave pelo lado de baixo: a carga fica entre o positivo da alimentação e o dreno. O source vai ao retorno da alimentação.

O ponto essencial é a referência do comando: o terminal baixo do sinal de comando deve estar no mesmo nó do source. Assim, a tensão que controla o dispositivo é realmente V_GS, medida do gate para o source.

Chave pelo lado de baixo e referência comum

Esquema de uma carga resistiva ligada ao positivo de 5 V e ao dreno de um MOSFET N; source e retorno do comando unidos no mesmo nó.

A carga conduz quando há caminho entre o dreno e o source. O comando só é interpretado corretamente em relação ao source.

Um circuito pequeno e controlado

Caso de referência

Use este caso de referência ao longo do tutorial:

  • Alimentação isolada: 5 Vcc
  • Carga resistiva: 100 Ω, potência nominal de 1 W
  • Comando nominal: 3,3 V
  • MOSFET: canal N, em chaveamento pelo lado de baixo

Com a chave ligada, a corrente convencional esperada percorre: positivo de 5 V → resistor de 100 Ω → dreno → source → retorno da fonte.

A potência nominal da carga é uma capacidade; ela não significa que a carga dissipará 1 W neste circuito. A corrente e a potência reais serão conferidas a partir da alimentação e das resistências do caminho.

Atenção

Segurança e limites do tutorial

Trabalhe apenas com circuitos próprios, isolados e de até 12 Vcc, usando fonte com limitação de corrente. Faça ou altere conexões sempre com a alimentação desligada.

Antes de energizar, confira a pinagem do MOSFET no datasheet, o retorno comum entre alimentação e comando e um estado de comando definido. Pare o teste se houver corrente ou aquecimento inesperados.

V_GS não é uma tensão isolada

Meça entre os terminais corretos

Duas tensões ajudam a verificar os estados da chave:

  • V_GS: meça entre gate e source. Ela informa o comando efetivamente visto pelo MOSFET.
  • V_DS: meça entre dreno e source. Ela mostra a tensão sobre a chave.

Não substitua V_GS pela tensão do gate medida contra um ponto qualquer. Por exemplo, 3,3 V no gate só correspondem a V_GS = 3,3 V se o source estiver no mesmo potencial da referência baixa do comando.

Leitura de V_GS

No caso de referência, suponha que o gate esteja a 3,3 V em relação ao retorno comum e que o source esteja a 0 V. Qual é V_GS?

Qual valor de V_GS corresponde à situação descrita?

Verificação visual

Reconheça a referência correta

Escolha o esquema que preserva a topologia de chaveamento pelo lado de baixo e mede V_GS com a referência correta.

Qual ligação está correta?

Passo 2 de 8

Escolha pela tensão real de comando

Selecione provisoriamente um MOSFET usando a resistência de condução garantida na menor tensão de gate disponível.

Defina a tensão de seleção

Parta do pior caso do comando

No circuito do passo anterior, o source do MOSFET está no retorno comum. Portanto, o menor nível alto previsto do comando também define, inicialmente, o menor V_GS disponível.

Para este exercício, o comando nominal é 3,3 V, com tolerância de ±0,3 V. No pior caso alto, use V_GS = 3,0 V para selecionar o componente.

A escolha deve usar um valor máximo garantido de R_DS(on), especificado para uma tensão de gate que o circuito realmente possa fornecer. Uma especificação feita a 2,5 V pode ser usada neste caso; uma feita somente a 4,5 V não comprova a condução em 3,0 V.

A tensão relevante é entre gate e source

Diagrama de uma chave MOSFET de lado baixo, com o source no retorno comum e uma seta indicando a medição de V_GS entre gate e source.

Como o source e o retorno do comando são comuns, o menor comando alto de 3,0 V estabelece o V_GS mínimo inicial deste exercício.

Dica

Limiar não é especificação de condução

Não use V_GS(th) como critério de chaveamento eficiente. Esse valor indica apenas o início da condução sob uma condição de teste de corrente pequena. Ele não garante que R_DS(on) será baixa na corrente da carga.

Procure uma linha de R_DS(on) que declare simultaneamente: valor máximo, tensão V_GS de ensaio e condições aplicáveis. A compatibilidade inicial com 3,0 V ainda será revista depois que os resistores de comando forem definidos.

Faça a triagem dos candidatos

Compare condições, não apenas números

A tabela contém dados didáticos de exercício, não componentes reais. A carga é resistiva de 100 Ω em uma alimentação isolada de 5 V; o comando pode cair a 3,0 V.

Nesta triagem, um candidato só é elegível se tiver R_DS(on) máxima especificada em V_GS compatível com 3,0 V e se seus limites atenderem ao circuito. Entre os elegíveis, adote como critério objetivo a menor R_DS(on) máxima garantida.

Candidatos do exercício

Todos os valores de R_DS(on) indicados como “máx.” são limites garantidos nas condições mostradas. “Típ.” não substitui um limite máximo nesta decisão.

Especificações resumidas para a seleção inicial.
CandidatoR_DS(on) informadoV_GS do ensaioV_DS máx.V_GS máx.I_D máx.
A80 mΩ máx.2,5 V20 V±12 V3 A
B35 mΩ máx.4,5 V30 V±20 V5 A
C45 mΩ máx.2,5 V12 V±8 V1 A
D25 mΩ típ.2,5 V20 V±12 V2 A

Exemplo

Justificativa da escolha

Seleção provisória: candidato C.

A e C são elegíveis: ambos têm R_DS(on) máxima especificada a V_GS = 2,5 V, abaixo dos 3,0 V mínimos iniciais, e limites de tensão adequados aos 5 V do circuito. A corrente esperada na carga de 100 Ω é aproximadamente 50 mA, muito abaixo de 1 A.

Pelo critério declarado — menor R_DS(on) máxima garantida entre os elegíveis — C vence com 45 mΩ, em vez de 80 mΩ de A.

B parece atraente pelos 35 mΩ, mas esse valor só é garantido com 4,5 V no gate, indisponíveis no pior caso. Mesmo que B tivesse V_GS(th) baixo, isso não mudaria essa conclusão. D informa somente valor típico, inadequado para a comparação conservadora.

A corrente máxima de catálogo é um limite do dispositivo em condições definidas; não é garantia automática para a montagem. A escolha será reavaliada após a inclusão dos resistores de comando.

Verifique seu critério

Decida pela condição garantida

Com V_GS mínimo inicial de 3,0 V, selecione o candidato que atende aos limites e tem a menor R_DS(on) máxima garantida entre os elegíveis.

Passo 3 de 8

Confira a queda de tensão e as perdas

Verifique a queda de tensão e as perdas de condução de uma chave MOSFET usando R_DS(on) compatível com a temperatura prevista.

Modele a chave ligada

Modelo ligado: duas resistências em série

Com o MOSFET de canal N ligado no lado de baixo e já conduzindo, ele pode ser modelado como uma pequena resistência, R_DS(on). Ela fica em série com a carga resistiva.

Use o modelo:

I_D ≈ V_alimentação / (R_carga + R_DS(on))

Depois, calcule a queda no MOSFET:

V_DS ≈ I_D × R_DS(on)

A mesma corrente atravessa a carga e o MOSFET. Portanto, R_DS(on) cria uma pequena queda de tensão na chave e reduz ligeiramente a corrente do circuito. Para esta análise, use uma R_DS(on) compatível com a tensão efetiva de gate e com a temperatura de projeto considerada.

Corrente e queda de tensão no estado ligado

Diagrama de uma carga resistiva ligada a 5 V e a um MOSFET de canal N no lado de baixo, com percurso da corrente e medida entre dreno e source.

No estado ligado, R_DS(on) entra em série com a resistência da carga.

Estime usando a resistência aquecida

Escolha a resistência para a temperatura

Considere este dado de exercício para um MOSFET já compatível com o comando:

  • Alimentação: 5,0 V
  • Carga: 100 Ω
  • R_DS(on) máxima especificada na condição de gate aplicável, a 25 °C: 0,10 Ω
  • Curva térmica típica fornecida: em 100 °C, fator 1,6 sobre o valor a 25 °C.

Para uma estimativa conservadora de perda, adote 100 °C como temperatura de projeto:

R_DS(on) estimada = 0,10 Ω × 1,6 = 0,16 Ω

A curva é típica: ela ajuda a estimar o comportamento, mas não transforma 0,16 Ω em um limite garantido de catálogo. O valor a 100 °C é uma hipótese conservadora para estimar uma perda superior; não é a previsão de que a junção necessariamente chegará a 100 °C.

Dados e natureza de cada valor

Valores usados na estimativa de condução do exemplo.

A condição de V_GS precisa ser a mesma que foi validada para o comando disponível.
GrandezaValorNatureza
R_carga100 ΩValor nominal do exercício
R_DS(on), 25 °C0,10 ΩMáximo especificado
Fator a 100 °C1,6Curva típica
R_DS(on), 100 °C0,16 ΩEstimativa conservadora

Verifique queda, potência e margem

Exemplo

Exemplo calculado

Com R_DS(on) = 0,16 Ω como hipótese conservadora:

  1. I_D ≈ 5,0 / (100 + 0,16) = 0,04992 A = 49,9 mA
  2. V_DS ≈ 0,04992 × 0,16 = 0,00799 V ≈ 8,0 mV
  3. P_condução ≈ (0,04992)² × 0,16 = 0,000399 W ≈ 0,40 mW

A queda de aproximadamente 8 mV é muito menor que os 5 V da alimentação. Logo, quase toda a tensão fica na carga.

Separe a potência da chave e da carga

As perdas não se distribuem da mesma forma:

  • MOSFET: P_condução ≈ I_D² × R_DS(on) ≈ 0,40 mW.
  • Carga de 100 Ω: P_carga ≈ I_D² × R_carga ≈ 0,249 W.

Neste caso, a carga foi projetada para dissipar a maior parte da potência. A perda pequena no MOSFET não deve ser confundida com a potência entregue à carga.

Dica

Confira a margem sem criar falsa precisão

Use os dados de montagem já disponíveis para conferir a margem. Por exemplo, com ambiente de 40 °C e resistência térmica junção-ambiente de 200 °C/W:

ΔT ≈ 0,000399 W × 200 °C/W = 0,08 °C

A estimativa resulta em T_j ≈ 40,08 °C. Isso não contradiz o uso de R_DS(on) a 100 °C: aquele valor foi adotado deliberadamente como hipótese conservadora para limitar a perda estimada por cima.

Compare a temperatura estimada com o limite de junção e a margem definida para o projeto. A conclusão depende das condições de montagem: tanto a curva térmica quanto R_θJA têm condições de aplicação próprias.

Pratique a verificação de condução

Dados para a prática

Agora aplique o método a outro caso, sem usar os resultados do exemplo anterior.

Dados do exercício:

  • Alimentação: 9,0 V
  • Carga resistiva: 180 Ω
  • R_DS(on) máxima a 25 °C, na condição de gate aplicável: 0,20 Ω
  • Fator de uma curva térmica típica a 100 °C: 1,5

Para esta estimativa conservadora, primeiro adote a R_DS(on) corrigida pela curva típica a 100 °C. Em seguida, calcule a corrente, V_DS e a perda de condução. Trate o resultado corrigido como estimativa, não como limite garantido.

Calcule I_D

Com a R_DS(on) corrigida pela curva típica, qual é a corrente de dreno estimada?

Calcule V_DS

Qual é a queda de tensão V_DS estimada no MOSFET?

Calcule P_condução

Qual é a perda de condução estimada no MOSFET?

Natureza do valor corrigido

Como deve ser classificado o valor de R_DS(on) = 0,30 Ω usado neste exercício?

Passo 4 de 8

Garanta o desligamento do gate

Defina um caminho passivo de descarga entre gate e source e escolha R_GS equilibrando fuga residual e consumo contínuo do comando.

Defina o gate quando o comando some

Um estado desligado definido

Quando o comando deixa de dirigir o gate, o gate não deve ficar sem referência. Instale R_GS diretamente entre gate e source desde a montagem inicial.

Esse resistor cria um caminho para remover a carga armazenada no gate e força a tendência de V_GS = 0 V. Assim, o MOSFET de canal N da chave pelo lado de baixo tende a permanecer desligado quando o comando está desconectado.

A ligação deve ser gate–source, não gate–dreno nem gate–positivo da alimentação. O source é a referência usada para V_GS.

O caminho de descarga

Esquema de uma chave MOSFET de canal N no lado de baixo, com resistor ligado diretamente entre gate e source e comando desconectado.

Com o comando aberto, R_GS liga o gate à referência do source e fornece o caminho de descarga.

Diferencie os dois modos de desligar

Baixo ativo não é desconexão

Há dois estados diferentes que podem parecer “nível baixo”, mas não são equivalentes:

  • Comando em nível baixo ativo: a fonte de comando conecta o gate à sua referência baixa. Ela absorve a carga do gate de forma ativa.
  • Comando desconectado: não há essa conexão ativa. R_GS passa a ser o caminho que define o gate em relação ao source.

Portanto, “eu mando 0 V quando desligo” não elimina a função de R_GS: uma desconexão, um mau contato ou uma saída que deixe de comandar não é o mesmo que aplicar 0 V ativamente.

Exemplo

Exemplo

Em uma fonte de 3,3 V, compare estas duas situações:

A. A saída de comando está em 0 V e ligada ao gate. Ela mantém V_GS próximo de 0 V.

B. O fio do comando não está conectado ao gate. Sem R_GS, a tensão do gate fica indefinida porque a carga armazenada não tem um caminho projetado para o source.

Com R_GS presente, a situação B também tende ao desligamento. Não energize uma montagem com gate flutuante para testar esse efeito: analise o esquema e mantenha R_GS instalado.

Escolha uma faixa, não uma receita

Use duas restrições

R_GS não tem valor universal. Escolha-o a partir de restrições explícitas:

  1. Fuga que poderia elevar o gate: para uma corrente de fuga máxima informada, estime a tensão residual: V_GS,residual ≈ I_fuga × R_GS. Ela precisa ficar abaixo do limite definido para manter o desligamento.
  2. Consumo com comando alto: quando o gate está em nível alto, há corrente contínua no resistor: I_RGS ≈ V_GS/R_GS. Essa corrente deve caber na capacidade contínua do comando.

Um resistor menor reduz a tensão gerada por uma fuga dada, fortalecendo a tendência de desligamento. Em troca, aumenta a corrente exigida da fonte de comando enquanto ela mantém o MOSFET ligado.

Exemplo

Exemplo de faixa possível

Dados de exercício: comando de 3,3 V; fuga máxima considerada de 2 µA; deseja-se V_GS residual de no máximo 0,20 V; o comando pode fornecer até 0,20 mA continuamente para R_GS.

Pela fuga: R_GS ≤ 0,20 V / 2 µA = 100 kΩ.

Pelo consumo alto: R_GS ≥ 3,3 V / 0,20 mA = 16,5 kΩ.

Logo, qualquer valor entre 16,5 kΩ e 100 kΩ atende a essas duas condições. Um valor comercial de 47 kΩ é uma escolha possível neste exemplo, não uma regra geral.

Com 47 kΩ: V residual ≈ 2 µA × 47 kΩ = 0,094 V; consumo alto ≈ 3,3 V / 47 kΩ = 0,070 mA.

Verifique a função e o compromisso

Posicione R_GS

Em uma chave MOSFET de canal N pelo lado de baixo, qual ligação mantém o gate referenciado ao estado desligado quando o comando é desconectado?

Escreva pelo menos 15 caracteres (0/15).

Calcule o consumo em nível alto

Com os dados de exercício — V_GS de 3,3 V e R_GS de 47 kΩ — a corrente contínua aproximada exigida do comando enquanto ele está alto é ____ mA.

Escreva pelo menos 3 caracteres (0/3).

Passo 5 de 8

Limite a corrente transitória do comando

Escolha o resistor série do gate verificando a corrente transitória nos dois sentidos e a tensão V_GS que permanece em regime.

Separe as funções dos resistores

Dois resistores, duas funções

Além de R_GS, que mantém o gate referenciado ao source quando o comando não está conectado, use R_G em série entre a saída de comando e o gate.

R_G limita a corrente transitória que a saída precisa fornecer ao carregar o gate ou absorver ao descarregá-lo ativamente. A resistência de saída do próprio comando, R_saída, também participa dessa limitação.

Neste exemplo, o source está no retorno comum. Portanto, a tensão relevante continua sendo V_GS, medida diretamente entre gate e source.

Posição de R_G e R_GS

Esquema de um MOSFET de canal N no lado de baixo: R_G fica em série com o comando, enquanto R_GS liga gate e source.

R_G atua no caminho de comando; R_GS define o estado do gate em repouso.

Dica

Distinção importante

Não trate R_G como um resistor que limita corrente contínua para dentro do gate: em regime estável, a corrente contínua para o gate é muito pequena. A corrente contínua relevante neste circuito, quando o comando está alto, é a que atravessa o caminho resistivo formado por R_saída, R_G e R_GS.

Respeite os dois sentidos do comando

Estime o pico de corrente

Para uma primeira estimativa, considere o gate inicialmente próximo ao source e despreze, nesse instante, a corrente por R_GS. A corrente de pico de carga é:

I_gate,pico ≈ ΔV / (R_saída + R_G)

Isso vale sob a hipótese de que as resistências informadas sejam as únicas relevantes no caminho. Se houver outra resistência série conhecida, ela também deve entrar na soma.

A capacidade de saída deve ser conferida nos dois sentidos: ela precisa fornecer corrente ao ligar e absorver corrente ao desligar ativamente. Esses limites podem ser diferentes.

Exemplo

Caso de dimensionamento

Dados didáticos para escolher R_G:

  • Comando alto: 3,3 V
  • R_saída ao fornecer corrente: 40 Ω
  • R_saída ao absorver corrente: 60 Ω
  • Capacidade de fornecer: 20 mA
  • Capacidade de absorver: 12 mA
  • R_GS: 100 kΩ

Compare duas opções de R_G usando ΔV = 3,3 V para a carga inicial e, no desligamento, aproximadamente 3,28 V no gate.

Comparação das opções

As correntes abaixo são estimativas iniciais. A opção escolhida deve respeitar tanto a capacidade de fornecer quanto a de absorver corrente.

Cálculos com as resistências de saída fornecidas.
R_GPico ao ligarPico ao desligarCompatível?
100 Ω3,3 / (40 + 100) = 23,6 mA3,28 / (60 + 100) = 20,5 mANão
470 Ω3,3 / (40 + 470) = 6,47 mA3,28 / (60 + 470) = 6,19 mASim

Não perca tensão no divisor

Confira V_GS efetivo

R_G também reduz um pouco a tensão contínua que chega ao gate, porque forma um divisor com R_GS. Desprezando a fuga do gate, no comando alto:

V_GS ≈ V_comando × R_GS / (R_saída + R_G + R_GS)

Com R_G = 470 Ω e R_GS = 100 kΩ:

V_GS ≈ 3,3 × 100000 / (40 + 470 + 100000) ≈ 3,28 V

Essa é a tensão a usar para reavaliar a escolha do MOSFET: a baixa R_DS(on) precisa ser especificada para uma tensão de gate compatível com esse valor, considerando a margem definida no projeto.

Dica

Corrente de repouso não é corrente de gate

A corrente contínua no comando alto é aproximadamente:

I ≈ 3,3 V / 100510 Ω ≈ 33 µA

Ela percorre R_saída, R_G e R_GS até o retorno. Não é uma corrente contínua “entrando no gate”; o gate isolado tem fuga muito pequena na hipótese adotada.

R_G = 470 Ω preserva quase toda a tensão de comando neste caso porque é muito menor que R_GS. Se R_GS fosse menor, ou se as resistências série fossem maiores, a redução de V_GS poderia deixar de ser desprezível.

Atenção

Rechecagem obrigatória

O valor de 3,28 V não prova, sozinho, que o MOSFET conduzirá com baixa perda. Ele apenas é a tensão efetiva disponível no gate neste circuito. Verifique na folha de dados se a R_DS(on) máxima é especificada em condição de V_GS adequada; V_GS(th) não serve para essa confirmação.

Aplique os critérios ao caso

Justifique o resistor de gate

No caso didático, justifique a escolha de R_G entre 100 Ω e 470 Ω. Registre: a corrente de pico aproximada ao ligar, a corrente de pico aproximada ao desligar e o V_GS em regime com R_G = 470 Ω. Em seguida, diga qual especificação do MOSFET precisa ser compatível com esse V_GS.

Escreva pelo menos 80 caracteres (0/80).

Passo 6 de 8

Estime a duração das transições

Estime o tempo de movimentação da carga de gate, reconheça os limites da aproximação e compare as exigências sobre o comando.

Relacione carga de gate e intervalo

Carga transferida e tempo aproximado

Para uma estimativa de movimentação de carga no gate, use:

t ≈ Q_g / I_gate,média

  • Q_g é a carga considerada para o intervalo analisado, nas condições informadas.
  • I_gate,média é a corrente média que realmente entra ou sai do gate nesse intervalo.
  • O resultado é um tempo aproximado para transferir essa carga.

Exemplo de unidades: 12 nC / 6 mA = 2 µs.

Use dados compatíveis: a carga de gate publicada depende das condições de V_GS, V_DS e corrente de dreno usadas no ensaio. Portanto, um valor de Q_g não descreve sozinho toda transição possível da montagem.

Diagrama de uma chave MOSFET pelo lado de baixo e gráfico conceitual relacionando carga de gate transferida, corrente média e intervalo de tempo.

A estimativa divide a carga que precisa ser movimentada pela corrente média disponível para movimentá-la.

Dica

O que a estimativa não afirma

Não confunda essa conta com uma previsão exata do tempo de subida ou descida de V_DS. O Q_g total ajuda a estimar o processo de carga do gate, mas as capacitâncias do MOSFET variam conforme as tensões mudam.

Por isso, uma única capacitância retirada da folha de dados não forma um circuito RC universal para todas as transições. Para este dimensionamento inicial, registre as condições usadas e trate o resultado como estimativa.

Calcule sem trocar pico por média

Exemplo

Exemplo: cálculo com corrente média

Considere um MOSFET com Q_g = 18 nC para condições próximas às do circuito analisado. Durante a carga, a corrente média efetivamente destinada ao gate foi estimada em 3 mA.

t ≈ 18 nC / 3 mA = 6 µs

Isso estima o tempo para movimentar os 18 nC considerados. Não significa, por si só, que V_DS levará exatamente 6 µs para variar de um extremo ao outro.

Atenção

Pico não é média

A corrente de pico obtida com o resistor de gate — por exemplo, ΔV/(R_saída + R_G) — vale no início, sob a hipótese correspondente. Ela não permanece necessariamente igual durante todo o deslocamento de carga.

Logo, não substitua automaticamente I_gate,média pela corrente de pico. Se o enunciado fornece uma corrente média, use-a na fórmula com Q_g.

Calcule o intervalo

Complete a estimativa: se Q_g = 24 nC e I_gate,média = 4 mA, então t ≈ ____.

Pratique a conta

Informe o tempo aproximado na unidade mais conveniente.

Se Q_g = 24 nC e I_gate,média = 4 mA, qual é o tempo aproximado para movimentar essa carga?

Compare o comando e o desligamento

Maior corrente, menor estimativa de tempo

Compare duas condições para a mesma carga de gate de 20 nC:

  • Condição A: corrente média de 2 mA → t ≈ 10 µs
  • Condição B: corrente média de 10 mA → t ≈ 2 µs

A condição B movimenta a carga mais rapidamente. Em troca, o circuito de comando precisa conseguir fornecer essa corrente ao ligar e absorver corrente ao desligar ativamente, dentro de suas especificações.

O compromisso de projeto

Transições mais longas podem manter tensão e corrente sobrepostas por mais tempo, aumentando as perdas de transição e o aquecimento. Porém, acelerar sem verificar o comando também é inadequado: a fonte de sinal deve suportar os picos e a demanda dinâmica envolvida.

O objetivo não é buscar a transição “mais rápida” isoladamente, e sim uma transição compatível com o MOSFET, o comando e as perdas previstas.

Dica

Dois modos de retirar carga

No desligamento, há dois caminhos diferentes:

  1. Desligamento ativo: a saída de comando conduz o gate para baixo e pode absorver carga.
  2. Descarga passiva: com o comando desconectado, R_GS descarrega o gate.

Eles podem ter correntes médias muito diferentes. Portanto, não presuma que os tempos de desligamento ativo e de descarga por R_GS sejam iguais.

Explique a comparação

Qual afirmação descreve corretamente a comparação entre as condições A e B?

Escreva pelo menos 80 caracteres (0/80).

Verifique a ideia central

Decida o dado aplicável

Uma estimativa por Q_g/I_gate,média usa a carga e a corrente do intervalo analisado. Qual procedimento é correto?

Escreva pelo menos 80 caracteres (0/80).

Verificação rápida

Para estimar t ≈ Q_g/I_gate,média quando o problema fornece uma corrente de pico e uma corrente média para o gate, qual deve entrar diretamente na fórmula?

Passo 7 de 8

Verifique os estados previstos

Confira leituras estáticas da chave MOSFET e reconheça divergências de comando, condução e descarga do gate.

Meça entre os nós certos

Três verificações estáticas

Depois de o circuito estabilizar, confira grandezas medidas entre os nós corretos:

  • V_GS: ponta positiva no gate e negativa no source. É a tensão de comando efetivamente vista pelo MOSFET.
  • V_DS: ponta positiva no dreno e negativa no source. Indica a queda de tensão na chave.
  • Corrente da carga: meça a tensão nos terminais da carga resistiva e estime I_carga = V_carga / R_carga.

No caso de referência, a carga é de 100 Ω. Portanto, uma tensão de carga próxima de 5 V corresponde a uma corrente próxima de 50 mA. A tensão do gate medida contra uma referência arbitrária não substitui V_GS: o source é a referência obrigatória.

Onde medir

Esquema de uma chave MOSFET de canal N pelo lado de baixo, com indicações entre gate e source, dreno e source e nos terminais da carga resistiva.

Meça cada tensão entre os dois terminais indicados; obtenha a corrente pela tensão medida na carga resistiva.

Interprete as leituras

Compare os estados estáveis

Use os valores calculados nas etapas anteriores como referência. No caso de 5 V, carga de 100 Ω, comando de 3,3 V e R_GS presente, as leituras abaixo representam tendências após a estabilização. Tolerâncias do comando, resistores e MOSFET podem alterar os números, mas não a interpretação geral dos estados.

Estados previstos

Leituras esperadas em uma chave pelo lado de baixo com carga resistiva.

Compare a montagem com as previsões do seu projeto, não com uma expectativa de valor absolutamente exato.
Estado do comandoV_GSV_DSCorrente na carga
LigadoPróximo do V_GS efetivo previstoPequenaPróxima de 5 V / 100 Ω
Desligado ativamentePróximo de 0 VPróximo de 5 VPróxima de 0 A
Comando desconectado com R_GS íntegroPróximo de 0 V após descargaPróximo de 5 VPróxima de 0 A

Dica

Cuidado com quedas pequenas

Uma leitura de V_DS próxima de zero quando a chave está ligada é coerente com uma queda pequena no MOSFET. Porém, ela não determina R_DS(on) com precisão: diante de poucos milivolts, resolução, pontas e erros do multímetro podem ser relevantes. Use essa leitura para verificar o estado da chave e compare-a com a queda prevista; não a trate como uma medição precisa da resistência.

Reconheça divergências

Diagnostique novos conjuntos de leituras

Associe cada observação a seu estado ou diagnóstico. Considere uma alimentação de 5,0 V, carga de 100 Ω, V_GS efetivo previsto de aproximadamente 3,28 V no comando alto e R_GS instalado, exceto quando a observação indicar o contrário.

Estados e divergências

Relacione cada conjunto de leituras à interpretação mais adequada.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Aplique com segurança

Atenção

Roteiro prudente para uma montagem

Antes de energizar uma montagem própria, confira sem alimentação a pinagem do MOSFET e a continuidade da referência comum entre source, retorno da alimentação e retorno do comando. Mantenha R_GS conectado desde o início.

Energize somente um circuito próprio, isolado, de até 12 Vcc e com limitação de corrente. Interrompa o teste se houver corrente acima da prevista, aquecimento inesperado, cheiro, fumaça ou leituras incompatíveis com o projeto. Desligue a alimentação antes de alterar fios ou componentes.

A análise deste passo pode ser concluída somente com o esquema e as leituras didáticas; não é necessário montar o circuito.

Use a verificação como comparação de projeto

Uma sequência útil de verificação é: primeiro confirmar pinagem, referência comum e R_GS sem alimentação; depois energizar com corrente limitada; por fim, registrar V_GS, V_DS e a tensão na carga em cada estado. Se uma leitura divergir, desligue antes de investigar conexões ou componentes.

Não tente decidir se R_DS(on) está correta apenas porque o multímetro mostra 0,00 V em V_DS. Compare a queda observada com a estimativa e com as limitações da medição.

Passo 8 de 8

Conclua o dimensionamento

Aplique os critérios de seleção, comando e verificação a uma chave MOSFET de lado baixo.

1. Leia as condições do projeto

Condições do projeto

Caso integrado

Topologia consolidada

A imagem reúne as conexões que devem permanecer no projeto: carga no dreno, source no retorno comum, R_G em série com o comando e R_GS diretamente entre gate e source.

Diagrama de uma chave MOSFET de canal N pelo lado de baixo, com carga resistiva, resistor série no gate e resistor entre gate e source.

O source, o retorno da alimentação e a referência baixa do comando são o mesmo nó.

Dados para fechar o projeto

Vamos concluir usando condições explícitas, válidas somente para este exercício:

  • Alimentação isolada: 12 Vcc, com corrente limitada.
  • Carga resistiva: 100 Ω, potência nominal de 2 W.
  • Comando alto: 3,3 V.
  • Resistência de saída do comando: 50 Ω ao fornecer corrente e 70 Ω ao absorver corrente.
  • Limite transitório do comando: 12 mA nos dois sentidos.
  • MOSFET N: V_DS máximo = 30 V; V_GS máximo = ±12 V; R_DS(on) máxima = 0,50 Ω a V_GS = 2,5 V; V_GS(th) = 0,8 a 1,2 V nas condições de teste.
  • Para condução na temperatura prevista, adote R_DS(on) = 0,75 Ω como estimativa de projeto.
  • R_GS = 10 kΩ; Q_g = 6 nC no intervalo analisado; corrente média de gate assumida para esse intervalo: 4 mA.

O objetivo é escolher R_G, verificar o estado ligado e registrar os limites da estimativa de tempo.

2. Corrija o resistor de gate

Defina o mínimo para R_G

O resistor série deve respeitar o limite de fornecimento no instante inicial de carga do gate:

I_gate,pico ≈ 3,3 V / (R_saída + R_G)

Com R_saída = 50 Ω e limite de 12 mA, determine o menor valor teórico de R_G. Depois será adotado um valor comercial maior para criar margem.

Limite de fornecimento

Qual é o valor mínimo teórico de R_G, em ohms, imposto pelo limite de fornecimento de 12 mA?

Valor adotado e verificação dos dois sentidos

Adote R_G = 330 Ω, acima do mínimo calculado.

Confira os picos sob as hipóteses dadas:

  • Ao ligar: I_pico ≈ 3,3 / (50 + 330) = 8,68 mA.
  • Ao desligar ativamente, partindo de V_G ≈ 3,18 V: I_pico ≈ 3,18 / (70 + 330) = 7,95 mA.

Os dois valores ficam abaixo de 12 mA. Portanto, R_G = 220 Ω deve ser rejeitado neste projeto: produziria aproximadamente 12,2 mA ao ligar, acima do limite. R_G limita transientes; R_GS continua sendo o caminho de descarga quando o comando é desconectado.

3. Complete as verificações do projeto

Calcule a tensão efetiva no gate

Agora complete os valores do projeto usando R_G = 330 Ω, R_GS = 10 kΩ e R_DS(on) de projeto = 0,75 Ω.

No estado alto, desprezando a fuga do gate:

V_GS ≈ 3,3 × 10.000 / (50 + 330 + 10.000)

Use esse V_GS para conferir a compatibilidade com a condição de R_DS(on) do MOSFET.

V_GS em regime

Qual é o V_GS efetivo aproximado, em volts?

Corrente da carga

Com I_D ≈ 12 V / (100 Ω + 0,75 Ω), qual é a corrente aproximada da carga?

Queda na chave

Qual é a queda V_DS aproximada no MOSFET ligado?

Perda de condução

Qual é a perda de condução aproximada do MOSFET?

Estimativa de tempo

Usando Q_g = 6 nC e I_gate,média = 4 mA, qual é o tempo aproximado para movimentar essa carga?

4. Justifique e sintetize

Justifique a aprovação do projeto

Em uma justificativa de 3 a 5 frases, conclua se o projeto atende às condições fornecidas. Inclua:

  1. Por que R_DS(on) a V_GS = 2,5 V, e não V_GS(th), sustenta a seleção;
  2. A função de R_GS se o comando for desconectado;
  3. Os picos de corrente do comando com R_G = 330 Ω e a perda de condução;
  4. Uma limitação da estimativa de 1,5 µs.

Escreva pelo menos 220 caracteres (0/220).

Resumo

Critérios de aprovação

  • Em uma chave N pelo lado de baixo, source, retorno da alimentação e referência do comando devem compartilhar o mesmo nó; V_GS é medido entre gate e source.
  • Escolha o MOSFET pela R_DS(on) máxima especificada para a menor V_GS efetiva disponível. V_GS(th) não garante condução eficiente.
  • R_GS define o estado desligado e descarrega o gate quando o comando se desconecta. R_G limita a corrente transitória junto com a resistência de saída do comando.
  • Verifique a corrente da carga, V_DS e a perda I_D² × R_DS(on) usando uma resistência compatível com a temperatura de projeto.
  • Para a transição, t ≈ Q_g/I_gate,média é uma estimativa condicionada às condições de carga e comando. A corrente de pico e a capacidade de fornecer e absorver corrente devem ser conferidas separadamente.

Tutorial concluído

Parabéns! Você concluiu: Chaveamento de baixa potência com MOSFET

Parabéns! Você concluiu o dimensionamento de uma chave MOSFET de baixa potência.

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