Trilha de aprendizado · Nível 12 · Tutorial 7

Ponte H: sentido de rotação e recirculação

Analisar os estados de uma ponte H e os caminhos de corrente associados ao acionamento, à recirculação e à parada de um motor CC.

  • Nível: Intermediário
  • Duração: 18 min
  • 9 passos
Ponte H: sentido de rotação e recirculação

O que você vai percorrer

  1. Ler a estrutura da ponte H Reconheça a topologia, os nomes dos componentes e as convenções de tensão e corrente que serão usadas em toda a análise. 2 min
  2. Relacionar diagonais e sentido de acionamento Associe as diagonais da ponte H às polaridades aplicadas ao motor e aos respectivos percursos de alimentação. 2 min
  3. Separar acionamento, alta impedância e frenagem Classifique estados estáticos da ponte H, distinguindo acionamento, alta impedância, terminais unidos e combinações excluídas. 2 min
  4. Traçar a recirculação local Trace a corrente residual de um motor após retirar o acionamento, identificando a recirculação local pelo trilho inferior. 2 min
  5. Seguir a corrente de volta ao barramento Analise o retorno da corrente indutiva ao barramento quando a ponte H passa para alta impedância. 2 min
  6. Entender o que acontece no intervalo desligado do PWM Interprete o intervalo desligado do PWM relacionando o estado da ponte ao caminho da corrente residual. 2 min
  7. Distinguir as formas de parada Diferencie parada livre, frenagem dinâmica e devolução de energia observando o caminho da corrente e o destino predominante da energia. 2 min
  8. Reconhecer o risco de elevação da alimentação Analise por que a energia devolvida por um motor pode elevar a tensão do barramento quando a fonte não consegue absorvê-la. 2 min
  9. Aplicar a análise completa da ponte H Aplique uma sequência de análise para justificar estados, caminhos de corrente, formas de parada e possível retorno de energia ao barramento. 3 min

O que você vai aprender

  • Relacionar os estados permitidos da ponte à polaridade aplicada ao motor.
  • Traçar o percurso de uma corrente indutiva nos estados de acionamento e recirculação.
  • Distinguir parada livre, frenagem dinâmica e devolução de energia à fonte.
  • Identificar situações em que a energia retornada pode elevar a tensão da alimentação.

Antes de começar

  • Dimensionamento do acionamento de um pequeno motor CC
  • Regiões de operação e parâmetros dos MOSFETs
  • Seleção de reguladores e módulos de alimentação

Passo 1 de 9

Ler a estrutura da ponte H

Reconheça a topologia, os nomes dos componentes e as convenções de tensão e corrente que serão usadas em toda a análise.

Mapa da ponte H

A topologia básica

Uma ponte H tem dois braços conectados entre o barramento positivo +V e a referência 0 V. O motor fica entre os pontos centrais dos braços: terminal A à esquerda e terminal B à direita.

Adotaremos esta convenção fixa:

  • Braço A: Q1 é a chave superior; Q2, a inferior.
  • Braço B: Q3 é a chave superior; Q4, a inferior.
  • Cada chave tem seu diodo em antiparalelo: D1 a D4, respectivamente.

Manter os mesmos nomes evita ambiguidades ao analisar a corrente nos próximos estados da ponte.

Esquema de ponte H com os braços A e B, motor entre A e B, chaves Q1 a Q4 e diodos D1 a D4.

A e B são os terminais elétricos do motor; os dois trilhos são +V e 0 V.

Convenções de sinal

Referências para tensão e corrente

Neste tutorial, a tensão do motor é sempre medida de A em relação a B:

v_AB = v_A − v_B

Assim, v_AB é positiva quando o ponto A está em tensão maior que B; é negativa quando A está em tensão menor que B. Essa convenção descreve a polaridade elétrica aplicada ao motor, sem atribuir antecipadamente “horário” ou “anti-horário”: o sentido mecânico depende de como os fios do motor foram conectados.

Também fixaremos a referência positiva de corrente i_M de A para B. Uma corrente real no outro sentido será representada por i_M negativa.

Motor entre A e B com seta de corrente de referência de A para B e polaridade positiva de v_AB em A.

A referência de corrente e a polaridade de tensão são escolhas de análise; elas permanecem fixas.

Orientação dos diodos

Diodos associados às chaves

No modelo ideal usado aqui, cada chave pode conduzir quando habilitada. Os diodos continuam presentes mesmo quando suas chaves não estão conduzindo.

A orientação importa:

  • Os diodos superiores, D1 e D3, permitem corrente dos pontos centrais para o barramento +V.
  • Os diodos inferiores, D2 e D4, permitem corrente da referência 0 V para os pontos centrais.

Essas direções serão a base para traçar caminhos de corrente mais adiante. Por enquanto, observe apenas a estrutura e não tente escolher combinações de chaves.

Diagrama destacando D1 e D3 orientados dos pontos centrais ao barramento positivo, e D2 e D4 de 0 V aos pontos centrais.

A orientação dos diodos será essencial para entender a corrente indutiva nos próximos passos.

Verifique a referência

Cheque de leitura

Complete a expressão da tensão do motor segundo a referência adotada.

Escreva pelo menos 8 caracteres (0/8).

Relação de tensão

Preencha a lacuna: v_AB = ____

Passo 2 de 9

Relacionar diagonais e sentido de acionamento

Associe as diagonais da ponte H às polaridades aplicadas ao motor e aos respectivos percursos de alimentação.

Q1–Q4: polaridade positiva entre A e B

Diagonais aplicam polaridades opostas

Duas diagonais, duas polaridades

Considere a ponte H já nomeada: Q1 e Q2 no braço A; Q3 e Q4 no braço B. O motor está entre A e B, com v_AB = v_A − v_B.

Para acionar o motor, ligue uma chave superior de um braço e uma chave inferior do outro: uma diagonal. No modelo ideal, isso conecta os terminais do motor a trilhos opostos da alimentação.

A diagonal não tem um sentido mecânico universal chamado “horário”. Ela define uma polaridade entre A e B. O sentido físico da rotação depende de como os fios do motor foram conectados aos terminais A e B.

Diagonal Q1–Q4

Esquema de uma ponte H com Q1 e Q4 destacados e corrente convencional atravessando o motor de A para B.

Com Q1 e Q4 ligados, A fica no barramento positivo e B na referência de 0 V.

Q3–Q2: polaridade invertida

Percurso com v_AB positiva

Leia o caminho antes de nomear o giro

Com Q1–Q4 ligados, o percurso de alimentação, no modelo ideal, é:

+V → Q1 → A → motor → B → Q4 → 0 V

Logo, v_AB é positiva. Considerando a corrente no sentido da polaridade aplicada, ela percorre o motor de A para B, que é a referência positiva definida anteriormente.

Para uma conexão fixa do motor, essa polaridade produz um dos sentidos de acionamento. Qual será chamado de horário depende de qual terminal físico do motor foi ligado a A.

Percurso com v_AB negativa

A diagonal oposta inverte a polaridade

Com Q3–Q2 ligados, o percurso de alimentação passa a ser:

+V → Q3 → B → motor → A → Q2 → 0 V

Agora B está no potencial positivo e A em 0 V. Portanto, v_AB = v_A − v_B é negativa. No sentido da polaridade aplicada, a corrente no motor segue de B para A.

As diagonais aplicam polaridades opostas e, para a mesma conexão do motor, correspondem a sentidos de acionamento opostos.

As duas diagonais

Comparação entre Q1–Q4, que aplica positivo em A, e Q3–Q2, que aplica positivo em B.

Inverter a diagonal inverte a polaridade aplicada e o sentido da corrente associado a ela.

Resumo funcional

Compare os acionamentos

Use os nós A e B como referência. A tabela descreve o acionamento ideal, considerando a corrente no sentido da polaridade aplicada.

Estados de acionamento no modelo de chaves ideais.
Diagonal ligadav_ABPercurso pelo motor
Q1–Q4PositivaA → B
Q3–Q2NegativaB → A

Dica

Polaridade não é rotação instantânea

Uma troca de diagonal muda a polaridade comandada. Isso não permite concluir, sozinho, que a corrente do enrolamento ou o eixo já inverteram no mesmo instante.

A corrente do motor e a rotação têm continuidade física. Os percursos disponíveis durante uma troca de estado serão analisados nos próximos steps.

Prática de associação

Associe diagonal, polaridade e percurso

Associe cada condição à conclusão elétrica compatível no modelo ideal. Não use “horário” ou “anti-horário”: analise somente os nós A e B, a polaridade e o percurso da corrente.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Passo 3 de 9

Separar acionamento, alta impedância e frenagem

Classifique estados estáticos da ponte H, distinguindo acionamento, alta impedância, terminais unidos e combinações excluídas.

Quais estados podem aparecer?

Estados além das diagonais

Além das diagonais de acionamento, a ponte H tem estados em que os dois terminais do motor ficam no mesmo potencial ou ficam sem canal de chave habilitado. Neste step, considere chaves ideais e mantenha a convenção: v_AB = v_A − v_B.

Se A e B estão no mesmo trilho, então v_AB = 0 V no modelo ideal. Isso descreve a tensão entre os terminais; não significa que os trilhos positivo e 0 V foram unidos entre si.

Comparação dos estados estáticos

Esquema comparando os dois terminais do motor unidos ao trilho inferior, unidos ao trilho superior e com todas as chaves desligadas.

Nos dois primeiros casos, A e B estão no mesmo potencial ideal. No último, os canais das chaves estão desabilitados.

Classifique sem confundir os trilhos

Tabela de estados permitidos

Use esta classificação estática para ler a ponte. Os sentidos de acionamento já vistos aparecem nas duas primeiras linhas. Os estados de terminais unidos são usados para frenagem dinâmica; o efeito completo sobre corrente e movimento será estudado depois.

Estados ideais: ON = chave habilitada; OFF = chave desabilitada.
Q1Q2Q3Q4Estado de A e Bv_AB ideal
ONOFFOFFONA em +V; B em 0 Vpositivo
OFFONONOFFA em 0 V; B em +Vnegativo
OFFOFFOFFOFFcanais desabilitadosnão fixado
OFFONOFFONA e B em 0 V0 V
ONOFFONOFFA e B em +V0 V

Frenagem e alta impedância

Com Q2 e Q4 ligados, ambos os terminais são conectados ao trilho de 0 V. Com Q1 e Q3 ligados, ambos são conectados ao trilho positivo. Em ambos os casos, o motor está com os terminais unidos pelo mesmo trilho — não há caminho comandado que una diretamente +V a 0 V.

Já com as quatro chaves desligadas, os canais estão desabilitados. Os diodos em antiparalelo continuam fisicamente no circuito; por isso, não conclua que v_AB será necessariamente 0 V.

Atenção

Combinações que não devem ser usadas

Exclua da tabela qualquer combinação que ligue as duas chaves do mesmo braço: Q1 com Q2, ou Q3 com Q4. Essa condição cria, no modelo estático, uma ligação entre os trilhos da alimentação. Aqui ela é apenas excluída da análise; a prevenção segura durante comutações será abordada no próximo tutorial.

Teste sua classificação

Verifique a alta impedância

No modelo da ponte H, qual afirmação descreve corretamente o estado em que Q1, Q2, Q3 e Q4 estão desligados?

Reconheça a combinação excluída

Qual combinação deve ser excluída por ligar simultaneamente as duas chaves do mesmo braço?

Passo 4 de 9

Traçar a recirculação local

Trace a corrente residual de um motor após retirar o acionamento, identificando a recirculação local pelo trilho inferior.

Retirar o acionamento sem interromper a corrente

A corrente preserva seu sentido inicial

Considere que a ponte vinha acionando o motor com Q1 e Q4 ligados e que a corrente de referência era positiva, de A para B. Ao desligar Q1 e manter Q4 ligado, a corrente do enrolamento não pode cair a zero instantaneamente.

No primeiro instante, ela ainda tende a sair por A, atravessar o motor até B e seguir no mesmo sentido. O acionamento pela fonte foi retirado; o que muda é o caminho disponível para fechar o laço.

Laço local pelo trilho inferior

Esquema de ponte H em que a corrente percorre o motor de A para B, Q4, o trilho de 0 V e D2, retornando a A; o trilho positivo não participa do laço.

Com Q4 mantido ligado após Q1 desligar, a corrente positiva recircula por Q4 e D2, sem passar pelo trilho positivo.

Exemplo

Q4 ligado: D2 fecha o caminho

A continuidade da corrente determina o diodo que entra em condução: para conservar o sentido A → B no motor, o retorno pelo trilho inferior precisa subir até A. Pela orientação dos diodos inferiores, esse retorno ocorre por D2.

Essa é uma recirculação local: não há caminho pelo trilho positivo para devolver energia ao barramento. A corrente tende a decair, mas não é correto atribuir toda a energia envolvida apenas a dissipação. Há perdas resistivas no enrolamento e quedas no laço; ao mesmo tempo, pode haver troca eletromecânica associada à força contraeletromotriz. O decaimento depende dessas condições.

Estado comandado não é o mesmo que condução

Duas chaves inferiores habilitadas

Outra forma de disponibilizar o mesmo laço inferior é comandar Q2 e Q4 ligados. Idealmente, A e B ficam no potencial de 0 V.

Isso descreve o estado comandado, mas não identifica sozinho qual componente conduz naquele instante. Se a corrente ainda é positiva, A → B, ela entra em B, passa por Q4 até o trilho inferior e precisa retornar desse trilho para A. Em um MOSFET ligado que permite condução reversa pelo canal, Q2 pode conduzir esse trecho de retorno.

Diodo ou canal: o laço continua local

Comparação entre recirculação por D2 e Q4 e recirculação por Q2 e Q4, ambas usando o motor e o trilho inferior.

O comando pode habilitar duas chaves inferiores; a corrente existente decide o sentido instantâneo e, portanto, o percurso efetivo.

Dica

Três ideias que não devem ser confundidas

Separe sempre três informações:

  1. Referência de corrente: neste caso, positiva significa A → B.
  2. Estado comandado: por exemplo, Q2 e Q4 habilitados.
  3. Componente condutor: pode ser um diodo ou o canal de uma chave habilitada, conforme o sentido da corrente e as condições do circuito.

Assim, “Q2 e Q4 ligados” não significa que a corrente se tornou zero nem que passou a circular no sentido oposto.

Verifique o percurso

Atenção

Monte o percurso da corrente

Partindo do ponto A, ordene os trechos do laço de recirculação quando Q1 é desligado e Q4 permanece ligado. Preserve a corrente inicialmente positiva no motor, de A para B.

Verifique o percurso

Ordene os trechos do laço local a partir de A.

  1. Trilho de 0 V
  2. Q4
  3. Motor: de A para B
  4. D2: retorno para A

Conclusão

Mesmo quando Q2 e Q4 deixam A e B idealmente no mesmo potencial, a corrente do motor não se anula instantaneamente. Sua evolução depende da indutância do enrolamento, da força contraeletromotriz, da resistência e das quedas de tensão do percurso.

Neste estado local, o ponto essencial é que a corrente encontra um laço pelo trilho inferior, sem usar o barramento positivo.

Passo 5 de 9

Seguir a corrente de volta ao barramento

Analise o retorno da corrente indutiva ao barramento quando a ponte H passa para alta impedância.

O retorno pelo barramento

Corrente positiva com todas as chaves desligadas

Quando todas as quatro chaves são desligadas, os canais da ponte ficam desabilitados, mas os diodos em antiparalelo continuam disponíveis.

Considere a corrente que existia imediatamente antes do desligamento como positiva: ela atravessa o motor de A para B. A indutância do enrolamento se opõe a uma mudança instantânea dessa corrente. Assim, ela continua inicialmente de A para B e força a condução de um novo laço:

A → motor → B → D3 → barramento positivo → capacitor do barramento → 0 V → D2 → A.

D3 conecta o ponto B ao trilho positivo; D2 conecta o trilho de 0 V ao ponto A. Esse é um percurso de retorno pelo barramento, não uma recirculação local pelo trilho inferior.

O laço fechado pelos diodos e pelo capacitor

Diagrama de uma ponte H desligada. Para corrente inicial de A para B, as setas mostram o percurso pelo motor, por D3 até o trilho positivo, pelo capacitor até 0 V e por D2 de volta a A.

Com corrente inicial A → B, D3 e D2 fecham o caminho através do barramento e de seu capacitor.

Sinal da tensão e fim da condução

Polaridade que se opõe à corrente

No laço anterior, D2 prende A próximo de 0 V e D3 prende B próximo do barramento positivo. Portanto, idealmente, v_AB = v_A − v_B é negativa, embora a corrente residual ainda seja positiva de A para B.

Isso é esperado: durante a devolução, a polaridade no motor se opõe à corrente que o enrolamento tenta manter. Tensão e corrente, portanto, não precisam ter o mesmo sinal nesse intervalo.

Exemplo

O percurso espelhado

Se a corrente inicial fosse negativa, de B para A, o desenho se espelharia:

B → motor → A → D1 → barramento positivo → capacitor → 0 V → D4 → B.

Agora conduzem os diodos D1 e D4. Em ambos os casos, parte da energia antes armazenada no campo magnético do motor é transferida ao barramento, com perdas nos diodos, no enrolamento e nas conexões. O capacitor é o receptor imediato desse retorno; não se deve pressupor, nesta análise, que a fonte externa absorva essa energia.

Dica

O laço termina quando a corrente se anula

Os diodos só sustentam esse caminho enquanto houver corrente no sentido compatível. À medida que a corrente residual decai até zero, o percurso pelos diodos deixa de conduzir.

Assim, alta impedância não significa ausência imediata de corrente, mas também não significa que os diodos conduzem para sempre. O estado posterior depende das condições elétricas e mecânicas do motor.

Verifique o percurso

Identifique o caminho de retorno

Todas as chaves foram desligadas enquanto a corrente no motor ainda era de A para B. Qual percurso é compatível com essa corrente residual?

Passo 6 de 9

Entender o que acontece no intervalo desligado do PWM

Interprete o intervalo desligado do PWM relacionando o estado da ponte ao caminho da corrente residual.

Acionamento não é o ciclo inteiro

Um ciclo tem dois percursos

PWM na ponte H: dois estados por ciclo

Aqui, PWM não significa apenas “ligar e desligar o motor”. Em cada período, a ponte alterna entre:

  1. um estado de acionamento, que aplica uma polaridade ao motor; e
  2. um estado do intervalo desligado, que define por onde a corrente do enrolamento continua.

Considere a corrente inicialmente positiva, de A para B. No intervalo ligado, Q1 e Q4 conduzem: a tensão é positiva, \(v_{AB}>0\), e a corrente pode crescer.

Ao terminar esse intervalo, a corrente não cai a zero instantaneamente. O estado escolhido para o intervalo desligado determina se ela recircula localmente ou retorna ao barramento.

PWM com recirculação local

Diagrama em dois painéis: no intervalo ligado, a corrente vai da alimentação pelo motor; no intervalo desligado com os terminais unidos ao trilho inferior, ela recircula pelo motor e pelo trilho inferior.

O ciclo de trabalho fixa a duração relativa dos intervalos; o estado escolhido no intervalo desligado define o segundo percurso.

O estado desligado precisa ser declarado

O estado desligado precisa ser declarado

Duas escolhas para o intervalo desligado

A tabela abaixo usa uma convenção didática de estados ideais. Ela descreve as saídas da ponte, não os pinos nem a tabela de entradas de um componente comercial.

Parta, nos dois casos, de corrente positiva de A para B ao fim do intervalo de acionamento Q1–Q4.

Tabela funcional didática

Compare o destino da corrente no trecho em que o PWM está em nível desligado.

Estados ideais para comparar dois intervalos desligados após Q1–Q4.
IntervaloEstado das chavesvAB idealPercurso inicial da corrente A → B
LigadoQ1 e Q4 habilitadosPositivaBarramento + → Q1 → A → motor → B → Q4 → 0 V
Desligado: união localQ2 e Q4 habilitadosZeroA → motor → B → Q4 → 0 V → Q2 → A
Desligado: saídas desabilitadasQ1, Q2, Q3 e Q4 desligadosOposta enquanto há correnteA → motor → B → D3 → barramento positivo → capacitor → 0 V → D2 → A

O ciclo de trabalho não conta toda a história

Mesma corrente inicial, evolução diferente

Corrente e tensão nos dois casos

Com os terminais unidos pelo trilho inferior, \(v_{AB}\) é idealmente zero. A corrente residual de A para B encontra um laço local e tende a decair. Ela não zera só porque os terminais foram unidos.

Com todas as chaves desligadas, a mesma corrente inicialmente passa por D3 a partir de B, retorna pelo barramento e pelo capacitor e passa por D2 para voltar a A. Enquanto esses diodos conduzem, a polaridade de \(v_{AB}\) se opõe à corrente residual; por isso a corrente tende a decair de outra forma.

Quando a corrente chega a zero, ela não continua automaticamente pelos diodos no mesmo sentido. O percurso precisa ser reavaliado a partir do novo estado elétrico.

Comparação qualitativa

Comparação entre recirculação local com tensão ideal zero e retorno pelos diodos D3 e D2 ao barramento com tensão oposta à corrente residual.

O mesmo ciclo de trabalho pode produzir curvas de corrente diferentes porque o estado desligado, e não apenas sua duração, muda o percurso e a tensão aplicada.

Dica

Leitura correta da comparação

Não conclua que uma curva sempre cai mais rápido que a outra em qualquer montagem. O enrolamento, a força contraeletromotriz, as quedas nos componentes e o barramento real influenciam o decaimento. A conclusão segura é: o ciclo de trabalho sozinho não define a corrente do motor.

Escolha o percurso do intervalo desligado

Verifique a análise

Um PWM usa Q1–Q4 no intervalo ligado. Ao entrar no intervalo desligado, a tabela informa que Q2 e Q4 ficam habilitados. Considerando que a corrente ainda era positiva, de A para B, selecione a interpretação compatível com esse intervalo.

Escolha o laço local

Selecione o percurso compatível com o intervalo desligado.

Passo 7 de 9

Distinguir as formas de parada

Diferencie parada livre, frenagem dinâmica e devolução de energia observando o caminho da corrente e o destino predominante da energia.

Parar depende do caminho disponível

Antes de classificar a parada

Parar um motor não é um único estado elétrico. Para analisar o que ocorre, separe duas perguntas:

  1. Por onde a corrente pode circular agora?
  2. Para onde vai a energia predominante?

A corrente do enrolamento não some no instante em que o comando muda. Já a energia mecânica do rotor só pode sustentar uma corrente se o motor estiver gerando e houver um caminho elétrico disponível.

Três destinos possíveis para a energia

Comparação visual entre motor em parada livre, motor com terminais unidos dissipando energia e motor devolvendo energia ao barramento.

O percurso disponível determina se o rotor segue livre, se a energia é dissipada localmente ou se pode alcançar o barramento.

Parada livre ou frenagem local

Parada livre

Com as chaves desabilitadas, a ponte fica em alta impedância. Logo após desligar, ainda pode haver um breve percurso pelos diodos por causa da corrente indutiva residual; isso é um transitório elétrico.

Depois que essa corrente se anula, se a força contraeletromotriz do motor não for suficiente para polarizar um caminho pelos diodos, não há corrente relevante. O rotor então desacelera predominantemente pelo atrito e pela carga mecânica: é a parada livre.

Portanto, alta impedância não significa que a corrente zera instantaneamente, mas pode resultar em giro livre após o transitório.

Atenção

Atenção ao transitório

Não conclua que houve recuperação de energia só porque apareceu corrente nos diodos por um instante ao desligar. Esse retorno pode ser apenas a energia magnética que estava armazenada no enrolamento.

Frenagem dinâmica

Na frenagem dinâmica, os terminais do motor são unidos pelo mesmo trilho, por exemplo com Q2 e Q4 habilitados no modelo ideal. Um motor que ainda gira atua como gerador: sua força contraeletromotriz pode manter uma corrente em um laço local.

A energia mecânica do rotor é convertida em energia elétrica e dissipada principalmente na resistência do enrolamento e nas quedas do percurso condutor. Essa corrente produz efeito de frenagem, mas não implica parada instantânea.

Ao selecionar esse estado, a corrente que já existia também respeita a continuidade: primeiro ocorre o transitório elétrico; depois, se o rotor ainda gerar tensão suficiente, pode permanecer a corrente de frenagem.

Dica

Terminais unidos não são trilhos em curto

A união de A e B cria um caminho para a corrente do motor, mas não une diretamente o trilho positivo ao 0 V. Isso não é um curto-circuito da alimentação.

Devolver energia exige condições

Quando há devolução durante a frenagem

A devolução de energia durante a frenagem requer mais do que o motor estar girando. É preciso que ele gere uma tensão e uma corrente compatíveis com um caminho de retorno ao barramento.

Nessa condição, parte da energia mecânica do rotor pode chegar ao capacitor e à alimentação. Isso é diferente do retorno breve da energia magnética do enrolamento logo após uma comutação.

Nem toda parada devolve energia, e nem toda corrente que alcança o barramento representa regeneração sustentada. Devolver energia também não garante que a fonte consiga absorvê-la; esse efeito sobre a alimentação será analisado no próximo step.

Compare os caminhos e a energia

A comparação considera o comportamento predominante após o transitório elétrico inicial. Ela não prevê quantitativamente o tempo de parada.

Formas de parada conforme as condições elétricas disponíveis.
Condição após o transitórioCaminho de correnteDestino predominante da energia
Alta impedância; diodos não conduzemNenhum caminho elétrico relevanteAtrito e carga mecânica desaceleram o rotor
Terminais unidos; motor ainda geraLaço local pelo motor e chaves ou diodosDissipação no enrolamento e no percurso
Motor gera e há caminho aos trilhosRetorno ao barramentoEnergia mecânica pode chegar ao capacitor
Pulso logo após desligarDiodos enquanto há corrente residualParte da energia magnética do enrolamento

Pratique: distinguir as formas de parada

Classifique os quatro casos

Associe cada situação à interpretação predominante. Considere explicitamente se a corrente é apenas residual ou se o rotor continua gerando.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Justifique pela corrente e pela energia

Compare, em poucas frases, estes três casos após o transitório inicial:

  1. alta impedância, sem condução pelos diodos;
  2. terminais A e B unidos, com o rotor ainda gerando;
  3. rotor gerando com caminho de retorno até o barramento.

Para cada caso, indique o caminho da corrente e o destino predominante da energia. Depois explique por que um breve pulso pelos diodos logo após desligar não comprova devolução sustentada da energia mecânica do rotor.

Escreva pelo menos 180 caracteres (0/180).

Passo 8 de 9

Reconhecer o risco de elevação da alimentação

Analise por que a energia devolvida por um motor pode elevar a tensão do barramento quando a fonte não consegue absorvê-la.

O barramento também armazena energia

Para onde vai a energia devolvida?

Quando o motor devolve corrente ao barramento, essa energia precisa ter um destino. Ela pode ser consumida por outras cargas, absorvida por uma fonte capaz de receber corrente reversa ou, por um tempo, armazenada no capacitor do barramento.

Se a energia recebida for maior que a energia absorvida e consumida, o capacitor carrega e a tensão do barramento sobe. Isso pode ocorrer mesmo que a ponte e o motor estejam dentro de suas correntes nominais.

Energia acumulada no barramento

Diagrama de um motor devolvendo energia ao barramento; parte chega ao capacitor, cuja tensão aumenta, enquanto uma fonte não absorve corrente reversa.

Quando o retorno não encontra absorção ou consumo suficiente, o capacitor recebe energia e a tensão pode aumentar.

Corrente limitada não significa tensão controlada

Exemplo

Exemplo: fonte que só fornece

Considere um barramento de 5 V com capacitor, uma ponte H e uma fonte regulada. Durante a desaceleração, o motor passa a devolver energia pela ponte.

A fonte pode ser excelente para fornecer corrente à carga e ainda assim não conseguir absorver a corrente que retorna. Nesse caso, limitar a corrente de saída da fonte não resolve o problema: essa limitação atua sobre a corrente fornecida pela fonte, não garante um destino para a corrente que entra nela.

Enquanto houver retorno líquido, o capacitor absorve energia e sua tensão se eleva. Sua capacidade é temporária e finita; ele não torna a regeneração automaticamente segura.

Atenção

Limite de segurança

Não trate uma fonte ou regulador comum como absorvedor de energia sem confirmação explícita na documentação. Antes de qualquer prática com motor e ponte H, verifique os limites de tensão do barramento e se a alimentação declara capacidade de absorver corrente reversa.

Este risco deve ser analisado, não provocado em bancada.

Teste de raciocínio

Verifique a afirmação

Uma ponte H devolve corrente a um barramento que tem capacitor e uma fonte sem capacidade documentada de absorver corrente reversa. Qual conclusão é correta?

A limitação de corrente da fonte garante que a tensão do barramento não subirá durante o retorno de energia.

Conclusão segura

Regra de análise

Ao analisar uma situação de retorno de energia, siga esta pergunta: a energia que entra no barramento tem um destino documentado?

Sem essa garantia, considere que o capacitor pode elevar sua tensão até que o retorno cesse ou algum limite seja atingido. Não conclua que a fonte absorve energia apenas porque ela alimenta o circuito ou possui limitação de corrente.

Dica

Em resumo

  • Corrente devolvida precisa de um destino.
  • Fonte que fornece corrente pode não absorver corrente reversa.
  • Limite de corrente da fonte não garante proteção contra elevação de tensão.
  • O capacitor armazena energia apenas temporariamente.
  • Verifique documentação e limites de tensão antes de uma prática.

Passo 9 de 9

Aplicar a análise completa da ponte H

Aplique uma sequência de análise para justificar estados, caminhos de corrente, formas de parada e possível retorno de energia ao barramento.

Retome o caso pelo estado e pela corrente

Roteiro de análise

Use esta sequência para analisar qualquer trecho da ponte H:

  1. Identifique o estado comandado das chaves.
  2. Considere a corrente que já existe no enrolamento; ela não muda instantaneamente.
  3. Trace o caminho disponível para essa corrente: canal de MOSFET, diodo ou barramento.
  4. Determine o destino da energia: alimentação do motor, perdas no laço local ou retorno ao barramento.

Caso integrado: uma ponte H ideal é alimentada em 5 V. O motor está entre A e B. Antes do intervalo analisado, Q1 e Q4 estavam ligados e a corrente no motor é positiva, de A para B.

Três percursos para a mesma corrente inicial

Esquema de uma ponte H mostrando o acionamento, a recirculação local pelo trilho inferior e o retorno ao barramento pelo capacitor.

Com corrente inicial de A para B, o estado das chaves decide se a fonte alimenta o motor, se a corrente recircula localmente ou se ela retorna ao capacitor do barramento.

Compare as escolhas de estado

Alternativas após o acionamento

Compare os estados para a mesma condição inicial: corrente positiva de A para B. Os percursos indicados são os percursos iniciais; quando a corrente se anula, a condução correspondente pelos diodos deixa de existir.

Estados analisados imediatamente após a condição inicial de corrente A → B, em uma ponte ideal de 5 V.
Estado comandadov_AB ideal inicialPercurso inicial da correnteEfeito e destino da energia
Q1 e Q4 ligados+5 V+5 V → Q1 → A → motor → B → Q4 → 0 VA fonte alimenta o motor
Q2 e Q4 ligados0 VA → motor → B → Q4 → 0 V → Q2 (canal reverso) → ARecirculação local; há perdas no laço
Todas desligadasNegativa enquanto D2 e D3 conduzemA → motor → B → D3 → +V → capacitor → 0 V → D2 → AParte da energia chega ao barramento

Leia o instante e o estado mantido

Não confunda o instante elétrico com a frenagem mecânica. Logo após trocar de Q1–Q4 para Q2–Q4, a corrente que já era positiva encontra um laço local. Isso, por si só, não comprova torque de frenagem.

Se esse estado for mantido e o rotor ainda girar, o motor poderá gerar uma corrente apropriada nesse laço; então há frenagem dinâmica, com energia mecânica dissipada no enrolamento e no percurso condutor. Já com todas as chaves desligadas, a corrente residual inicial segue por D3, pelo barramento e pelo capacitor até 0 V, retornando por D2.

A diagonal Q3–Q2 aplica polaridade oposta como estado estático. Ela não deve ser lida como uma inversão instantânea da corrente inicial A → B; a comutação segura para reversão será o tema do próximo tutorial.

Dica

O capacitor faz parte do percurso

No retorno ao barramento, não abrevie o laço como apenas “D3 para D2”. O capacitor do barramento fecha o percurso entre o trilho positivo e 0 V. Se a energia recebida não for consumida nem absorvida por uma fonte documentada para corrente reversa, esse capacitor pode carregar e elevar a tensão do barramento.

Aplique o traçado de corrente

Escolha o laço inicial

No caso de 5 V, o PWM passa de Q1–Q4 para Q2–Q4 enquanto a corrente ainda é de A para B. Qual diagrama mostra o percurso inicial de recirculação local, sem passagem pelo trilho positivo?

Consolide e encerre

Justifique as duas alternativas

Responda em poucas frases para o caso de 5 V:

Após Q1–Q4 alimentar o motor com corrente de A para B, compare duas escolhas para o intervalo desligado do PWM:

  • Q2 e Q4 ligados;
  • todas as chaves desligadas.

Indique o caminho inicial da corrente em cada caso, o destino predominante da energia e por que a segunda escolha pode elevar a tensão do barramento. Diferencie a recirculação inicial da possibilidade de frenagem dinâmica se o estado com terminais unidos for mantido.

Escreva pelo menos 220 caracteres (0/220).

Resumo

Síntese final

A análise elétrica pode ser feita sem montar o circuito, inverter o motor abruptamente ou provocar uma falha.

  • Comece pelo estado comandado, mas sempre considere a corrente que já existia no motor.
  • Q1–Q4 e Q3–Q2 aplicam polaridades opostas; a diagonal não define, sozinha, o sentido mecânico chamado de horário ou anti-horário.
  • Terminais unidos oferecem recirculação local à corrente residual; frenagem dinâmica exige a condição posterior de o rotor gerar corrente nesse laço.
  • Com todas as chaves desligadas, uma corrente residual pode retornar por diodos, trilho positivo, capacitor do barramento e trilho de 0 V.
  • A fonte pode não absorver energia devolvida; nesse caso, a tensão do barramento pode subir.
  • A análise dos estados termina aqui. A comutação segura com um driver será tratada no próximo tutorial.

Tutorial concluído

Parabéns! Você concluiu: Ponte H: sentido de rotação e recirculação

Você concluiu a análise de sentido, recirculação, parada e retorno de energia em uma ponte H.

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