Trilha de aprendizado · Nível 7 · Tutorial 5

Alimentação, excursão e precisão do amplificador operacional

Selecionar um amplificador operacional pelos limites de alimentação, entrada, saída e precisão, descartando componentes incompatíveis mesmo quando o ganho ideal parece adequado.

  • Nível: Intermediário
  • Duração: 20 min
  • 8 passos
Alimentação, excursão e precisão do amplificador operacional

O que você vai percorrer

  1. A alimentação permite usar esse componente? Verifique se os trilhos disponíveis atendem à faixa de alimentação recomendada do amplificador operacional. 2 min
  2. Verifique a faixa de tensão nas entradas Verifique as tensões efetivamente presentes em V+ e V− antes de concluir que um estágio pode operar linearmente. 3 min
  3. Excursão de saída e o significado de rail-to-rail Compare a faixa de saída exigida com os limites garantidos e interprete corretamente as classificações rail-to-rail. 3 min
  4. A saída também alimenta a realimentação Calcule a corrente total no pino de saída, incluindo carga e realimentação, e compare-a somente com condições garantidas de operação linear. 3 min
  5. Do offset de entrada ao erro de saída Estime o limite de erro na saída causado pela tensão de offset de entrada, usando o fator de realimentação apropriado em cada topologia. 3 min
  6. Correntes de entrada também geram erro Identifique e estime os erros adicionais criados pelas correntes de polarização nas resistências conectadas às entradas. 3 min
  7. Precisão garantida na temperatura de uso Verifique limites estáticos garantidos na faixa de temperatura de uso e some as contribuições de erro de modo conservador. 2 min
  8. Escolha e justifique um amplificador operacional Integre alimentação, faixa de entrada, excursão, corrente e precisão para selecionar um candidato por limites garantidos. 3 min

O que você vai aprender

  • Comparar requisitos de um estágio com as especificações de amplificadores operacionais.
  • Verificar a faixa de modo comum e a excursão de saída para toda a faixa do sinal.
  • Estimar o erro de saída causado pelo offset de entrada.
  • Identificar erros adicionais associados às correntes de polarização e às resistências do circuito.

Antes de começar

  • Dimensionamento do amplificador não inversor
  • Dimensionamento do amplificador inversor
  • Seleção de diodos retificadores e Schottky
  • Desacoplamento da alimentação em circuitos integrados

Passo 1 de 8

A alimentação permite usar esse componente?

Verifique se os trilhos disponíveis atendem à faixa de alimentação recomendada do amplificador operacional.

Alimentação não é a referência do sinal

Primeira verificação: os trilhos

Um estágio pode ter o ganho ideal e ainda ser inviável com um determinado amplificador operacional. Antes de analisar sinal, saída ou precisão, confira se a alimentação disponível está dentro da faixa recomendada de operação do componente.

A tensão de alimentação relevante é a diferença entre os trilhos ligados aos pinos de alimentação:

V_alim = V+ − V−

Exemplo: com V+ = 5 V e V− = 0 V, o componente recebe 5 V de alimentação. Uma referência de sinal em 2,5 V não é um terceiro trilho e não aumenta essa alimentação.

Diagrama de um operacional alimentado entre 5 V e 0 V, com uma referência de 2,5 V separada da alimentação.

A alimentação é a diferença entre os trilhos V+ e V−; a referência organiza o sinal, mas não é um trilho adicional.

Use a faixa recomendada

Como ler a especificação

Considere estes candidatos fictícios. As faixas abaixo são dadas para operação recomendada; portanto, são as faixas a usar ao decidir se o componente pode operar no estágio.

Atenção

Recomendado não é máximo absoluto

Os máximos absolutos são limites de sobrevivência, não condições de projeto. Operar abaixo ou acima da faixa recomendada — mesmo sem ultrapassar um máximo absoluto — não garante amplificação linear, ganho previsto ou precisão.

Também não conclua que “fonte simples” significa “qualquer tensão simples”. Essa indicação só diz que o componente pode usar um trilho negativo como referência do circuito; a tensão entre os trilhos ainda deve obedecer à especificação.

Candidatos fictícios para um estágio

Dados didáticos; os demais limites do estágio serão verificados nas próximas etapas.
CandidatoAlimentação recomendadaMáximo absolutoCondição indicada
OP-A4,5 a 12 V13 VFonte simples ou simétrica
OP-B2,7 a 5,5 V6,0 VFonte simples ou simétrica
OP-C9 a 30 V32 VFonte simples ou simétrica

Pratique a decisão

Exemplo

Verifique antes de usar

Um não inversor já dimensionado terá ganho ideal de 3 e será alimentado por V+ = 5 V e V− = 0 V. Pela alimentação apenas, qual candidato da tabela é compatível?

Quais candidatos podem ser considerados na próxima verificação?

Fixe o critério

O que foi decidido

Checklist inicial de alimentação:

  • Identifique os dois trilhos realmente ligados ao operacional.
  • Calcule V+ − V−.
  • Compare o resultado com a faixa recomendada do candidato.
  • Confira as condições declaradas na tabela; não infira compatibilidade por um rótulo genérico.

Passar neste checklist apenas permite seguir a análise. Ainda será necessário verificar as tensões nas entradas, a saída, a corrente e os erros estáticos.

Exemplo

Máximo absoluto é critério de funcionamento?

Em uma alimentação de 5 V, um componente cuja operação recomendada começa em 9 V pode ser aceito se seu máximo absoluto for 32 V.

A afirmação do exemplo é verdadeira ou falsa?

Passo 2 de 8

Verifique a faixa de tensão nas entradas

Verifique as tensões efetivamente presentes em V+ e V− antes de concluir que um estágio pode operar linearmente.

O que a faixa de modo comum limita

A restrição é nas duas entradas

A faixa de modo comum informa quais tensões podem estar presentes nas entradas V+ e V− enquanto o amplificador operacional opera linearmente. Ela deve ser conferida nas condições de alimentação usadas no circuito.

Não basta verificar a tensão diferencial entre as entradas. Mesmo quando V+ ≈ V− pela realimentação negativa, ambas podem estar em uma tensão fora da faixa permitida.

Exemplo de especificação didática, com alimentação de 0 V a 5 V: faixa de modo comum garantida de 0,2 V a 3,8 V. Para ser compatível, cada terminal de entrada deve permanecer nesse intervalo durante toda a variação do sinal.

Diagrama de um operacional alimentado entre 0 V e 5 V, com uma faixa central segura para as tensões presentes nas duas entradas.

A faixa de modo comum limita as tensões em V+ e V−, não apenas a diferença entre elas.

Atenção

Fora da faixa, sem garantia

A faixa é uma condição de operação, não uma previsão de defeito. Se uma entrada sair dela, o fabricante deixa de garantir operação linear: a saída pode apresentar comportamento diferente do ganho esperado, e não é correto supor apenas um recorte simples.

Caso não inversor

Não inversor: acompanham o sinal

Para verificar um estágio, determine o intervalo de tensão em cada terminal e compare seus extremos aos limites garantidos. Quando a relação entre sinal e tensão do terminal é monotônica, basta avaliar os extremos do sinal.

Não inversor: V+ recebe o sinal. Enquanto o estágio está linear, V− acompanha aproximadamente V+. Portanto, os dois terminais percorrem aproximadamente a faixa do sinal aplicada.

Exemplo: sinal de 0,5 V a 3,2 V; faixa de modo comum de 0,2 V a 3,8 V. As duas entradas ficam dentro da faixa.

Comparação visual de V+ e V− em um amplificador não inversor: as duas tensões variam juntas dentro da faixa segura.

No não inversor em regime linear, V+ e V− ficam aproximadamente na mesma faixa de tensão.

Dica

Aproximação útil

Não é necessário que V+ e V− sejam exatamente iguais para fazer esta verificação. A aproximação é suficiente para estimar a faixa, mas a garantia final vem da especificação de modo comum do componente.

Caso inversor

Inversor: o sinal externo não chega a V−

No estágio inversor, V+ é ligado à referência. Pela realimentação negativa, V− permanece aproximadamente nessa mesma referência durante a operação linear.

Assim, a tensão do sinal antes de R_in não é a tensão no terminal inversor. O resistor R_in sustenta a diferença de tensão que conduz corrente até o nó inversor.

Exemplo: V+ = 2,5 V, sinal antes de R_in varia de 1,0 V a 4,0 V. Então V− ≈ 2,5 V, e ambas as entradas ficam aproximadamente em 2,5 V. Para uma faixa de modo comum de 0,2 V a 3,8 V, o estágio atende a esse requisito.

Diagrama de um amplificador inversor em que o sinal varia antes de R_in, enquanto V+ e V− permanecem próximos à tensão de referência.

No inversor, compare a referência em V+ e o nó V− com a faixa de modo comum; não compare diretamente o sinal antes de R_in.

Pratique a leitura do inversor

Cheque o nó correto

Um amplificador operacional está alimentado entre 0 V e 5 V. Sua faixa de modo comum garantida é de 0,2 V a 3,8 V.

Em um estágio inversor, V+ está em 2,5 V. O sinal aplicado antes de R_in varia de 0,5 V a 4,5 V. Qual intervalo deve ser comparado à faixa de modo comum para avaliar V−?

Qual é a resposta correta?

Passo 3 de 8

Excursão de saída e o significado de rail-to-rail

Compare a faixa de saída exigida com os limites garantidos e interprete corretamente as classificações rail-to-rail.

Trilhos não são automaticamente a faixa de saída

A saída tem limites próprios

A alimentação de 0 V a 5 V não garante, por si só, que a saída possa variar de 0 V a 5 V. A excursão de saída é o intervalo de tensão que o amplificador operacional consegue entregar mantendo a operação linear, nas condições especificadas.

Uma folha de dados pode, por exemplo, garantir saída entre 0,10 V e 4,85 V com alimentação de 0 V a 5 V. Esses limites ficam afastados dos trilhos: 100 mV do trilho negativo e 150 mV do positivo.

Para aprovar o estágio, compare os extremos de saída já previstos com os dois limites garantidos — não apenas com os trilhos da fonte.

Diagrama de uma alimentação de 0 V a 5 V e de uma faixa de saída garantida menor, de 0,10 V a 4,85 V.

Os limites de saída garantidos podem ficar afastados dos trilhos de alimentação.

A margem existe nos dois lados

Leia as condições junto com o limite

Os limites de excursão só valem nas condições em que foram especificados. Ao ler uma tabela, associe sempre o resultado à alimentação e à carga ou à corrente de saída indicadas.

Exemplo de especificação: alimentação de 5 V, carga de 10 kΩ para 2,5 V; saída garantida de 0,10 V a 4,85 V. Esse dado não autoriza concluir que os mesmos limites ocorrerão com outra alimentação ou uma carga mais exigente.

Use o intervalo garantido como uma "janela". A faixa exigida pelo seu sinal precisa caber inteiramente dentro dela.

Exemplo

Exemplo: compare os dois extremos

Um estágio alimentado entre 0 V e 5 V deve gerar uma saída de 0,30 V a 4,70 V. O componente garante 0,10 V a 4,85 V, nas mesmas condições de alimentação e carga.

Margem inferior: 0,30 − 0,10 = 0,20 V.

Margem superior: 4,85 − 4,70 = 0,15 V.

O estágio cabe na janela garantida. A menor margem é a superior: 0,15 V.

Comparação de intervalos

Faixa exigida e faixa garantida devem ser comparadas nas mesmas condições de alimentação e carga.

Um limite menor que o trilho não significa necessariamente incompatibilidade.
GrandezaLimite inferiorLimite superior
Saída exigida0,30 V4,70 V
Saída garantida0,10 V4,85 V
Margem0,20 V0,15 V

Uma etiqueta não substitui os limites

Rail-to-rail: de qual terminal?

A expressão rail-to-rail precisa de complemento:

  • Entrada rail-to-rail (RRIN): refere-se à faixa de modo comum das entradas. Não assegura a aproximação da saída aos trilhos.
  • Saída rail-to-rail (RRO): refere-se à capacidade de a saída se aproximar dos trilhos, sob condições definidas. Não assegura a faixa de entrada.
  • Entrada e saída rail-to-rail (RRIO): declara ambas as características, mas ainda exige conferir os números e as condições.

Mesmo uma saída chamada rail-to-rail pode ter uma distância residual até cada trilho, que muda com a carga, a alimentação e outros limites de especificação.

Comparação visual entre operacional com entrada rail-to-rail, saída rail-to-rail e ambos, com pequenas folgas junto aos trilhos.

A classificação indica onde procurar a especificação: entradas, saída ou ambas.

Cheque a especificação correspondente

Um componente anunciado como “rail-to-rail” tem apenas essa expressão destacada na página inicial. Qual conclusão é segura?

PossibilidadeConclusão
A expressão não especifica o terminalVerificar se se refere à entrada, à saída ou a ambas.
A saída é rail-to-railAinda verificar os limites numéricos na carga e alimentação usadas.
A entrada é rail-to-railAinda verificar separadamente a excursão de saída.

Prática: encontre o limite excedido

Verifique o intervalo

Com alimentação de 0 V a 5 V e a carga da especificação, um amplificador operacional garante saída entre 0,12 V e 4,80 V. Um estágio exige uma saída entre 0,20 V e 4,86 V.

Qual extremo exigido está fora da excursão garantida?

IntervaloLimite inferiorLimite superior
Garantido0,12 V4,80 V
Exigido0,20 V4,86 V

Selecione a alternativa correta.

Passo 4 de 8

A saída também alimenta a realimentação

Calcule a corrente total no pino de saída, incluindo carga e realimentação, e compare-a somente com condições garantidas de operação linear.

Some os ramos ligados à saída

A corrente vista pelo pino de saída

Além da carga externa, a saída do amplificador operacional alimenta a própria rede de realimentação. Portanto, a corrente de saída não é, em geral, apenas a corrente da carga.

Adote nesta tela a convenção: I_saida é positiva quando sai do pino de saída do operacional. Para cada ramo ligado à saída, calcule a corrente nesse sentido e some algebricamente:

I_saida = I_carga + I_realimentação + ...

Resultado positivo: o operacional fornece corrente. Resultado negativo: ele absorve corrente. Ambos os sentidos precisam ser compatíveis com as especificações aplicáveis.

Dois ramos, uma corrente total

Diagrama de um operacional cuja saída se liga a uma carga conectada à alimentação positiva e a uma rede de realimentação conectada ao terra, com setas de corrente em sentidos opostos.

As correntes dos ramos podem ter sentidos opostos; a corrente no pino é a soma algébrica delas.

Exemplo numérico e verificação

Exemplo

Exemplo: carga e realimentação

Considere uma saída que varia de 1 V a 4 V. Ela está ligada a uma carga de 10 kΩ conectada a 5 V e a uma rede de realimentação formada por R_f = 10 kΩ e R_g = 10 kΩ para o terra.

Como R_f e R_g são iguais, o nó inversor vale aproximadamente V_saida/2. Assim:

  • Corrente no ramo da carga, no sentido de saída para 5 V: I_carga = (V_saida − 5 V) / 10 kΩ
  • Corrente na realimentação, no sentido de saída para o terra: I_realimentação = V_saida / 20 kΩ

A soma usa os sinais dos resultados, não seus módulos.

Demanda nos extremos

Calcule os dois extremos da faixa. O extremo de 1 V exige absorção; o de 4 V exige fornecimento. Não basta verificar somente o maior módulo de tensão de saída.

Correntes positivas saem da saída do operacional.
V_saidaI_cargaI_realimentaçãoI_saida totalAção da saída
1 V−0,40 mA+0,05 mA−0,35 mAAbsorve 0,35 mA
4 V−0,10 mA+0,20 mA+0,10 mAFornece 0,10 mA

Dica

Compare condições compatíveis

Para aceitar o componente, compare cada extremo exigido com os limites garantidos na mesma alimentação, direção de corrente e condição de carga. Por exemplo, uma especificação de excursão obtida fornecendo 2 mA não demonstra automaticamente a excursão ao absorver corrente.

Confira também se a tensão exigida permanece dentro da excursão garantida nessas condições. Corrente e excursão devem ser verificadas juntas.

Calcule um novo ponto da faixa

Pratique a soma algébrica

Use a mesma topologia do exemplo: carga de 10 kΩ entre a saída e 5 V, com R_f = 10 kΩ e R_g = 10 kΩ para o terra. Agora considere V_saida = 3 V e adote corrente positiva saindo do operacional.

Calcule e informe: 1) I_carga; 2) I_realimentação; 3) I_saida total, com sinal; e 4) se a saída fornece ou absorve corrente.

Escreva pelo menos 30 caracteres (0/30).

Evite uma conclusão perigosa

Atenção

Não use corrente de curto como referência

A corrente de curto-circuito, quando informada, é uma condição de proteção ou sobrevivência em falha. Ela não é uma corrente-alvo nem uma garantia de operação linear contínua.

Use os limites de saída e de excursão especificados para as condições reais do seu circuito. Nunca valide um estágio dizendo apenas que a corrente exigida é menor que a corrente de curto-circuito.

Limite apropriado

Se a folha de dados informa corrente de curto-circuito de 30 mA, um estágio que exige 20 mA está automaticamente aprovado para amplificação linear contínua.

Passo 5 de 8

Do offset de entrada ao erro de saída

Estime o limite de erro na saída causado pela tensão de offset de entrada, usando o fator de realimentação apropriado em cada topologia.

Offset: uma imperfeição que a realimentação transfere

Um pequeno erro na entrada aparece na saída

Mesmo com resistores ideais e realimentação negativa, um amplificador operacional real pode exigir uma pequena tensão diferencial entre as entradas para produzir a saída esperada. Essa imperfeição é a tensão de offset de entrada, indicada por \(V_{os}\).

Ela equivale, para a estimativa, a um pequeno desequilíbrio aplicado à entrada. A realimentação transfere esse desequilíbrio para a saída. Portanto, uma saída calculada como correta no modelo ideal pode apresentar um desvio contínuo adicional.

Use o módulo máximo especificado, \(|V_{os,max}|\), para calcular um limite de erro. O sinal real do offset não é conhecido: a saída pode ficar acima ou abaixo do valor ideal.

Offset transferido pela realimentação

Comparação visual de amplificadores não inversor e inversor, mostrando um pequeno offset diferencial nas entradas e um erro maior na saída.

O mesmo offset de entrada é multiplicado por um fator definido pela rede de realimentação.

Estimativa no amplificador não inversor

Não inversor: offset vezes o fator 1 + Rf/Rg

No estágio não inversor, estime o módulo do erro de saída por:

\[
|V_{erro,out}| \approx |V_{os}| \times \left(1 + \frac{R_f}{R_g}\right)
\]

O fator é o ganho do estágio não inversor em relação à referência. A estimativa vale enquanto a saída calculada, incluindo sua margem de erro, ainda puder permanecer na região linear já verificada.

Exemplo: se \(R_f=90\,kΩ\), \(R_g=10\,kΩ\) e \(|V_{os,max}|=0{,}5\,mV\), o fator é \(1+90/10=10\). Logo, \(|V_{erro,out,max}|\approx 5\,mV\).

Dica

Interprete como limite

Não atribua sinal ao resultado: ±5 mV não é uma previsão de que o erro será positivo e negativo ao mesmo tempo. Significa que, pelo limite de offset, a saída pode se afastar do valor ideal em até 5 mV para um dos lados.

Estimativa no amplificador inversor

Inversor: o fator não é o módulo do ganho

No estágio inversor, com fonte de sinal e referência ideais, a estimativa é:

\[
|V_{erro,out}| \approx |V_{os}| \times \left(1 + \frac{R_f}{R_{in}}\right)
\]

Atenção: o ganho de sinal é \(-R_f/R_{in}\), mas o offset é transferido pelo fator \(1+R_f/R_{in}\). Portanto, não use apenas o módulo do ganho de sinal.

Isso fica especialmente importante em um atenuador inversor: mesmo quando \(|R_f/R_{in}|<1\), o fator do offset continua maior que 1.

Exemplo

Exemplo: inversor atenuador

Considere \(R_{in}=20\,kΩ\), \(R_f=10\,kΩ\) e \(|V_{os,max}|=2\,mV\).

  • Ganho de sinal: \(-R_f/R_{in}=-0{,}5\)
  • Fator do offset: \(1+R_f/R_{in}=1{,}5\)
  • Limite de erro: \(2\,mV\times1{,}5=3\,mV\)

Embora o sinal seja atenuado à metade, o offset pode causar até 3 mV de desvio na saída.

Fatores para estimar o erro por offset

Compare os fatores de transferência de offset das duas configurações.

Em ambos os casos, use o módulo máximo de V_os.
ConfiguraçãoGanho de sinalFator aplicado a |V_os|
Não inversor1 + R_f/R_g1 + R_f/R_g
Inversor−R_f/R_in1 + R_f/R_in

Prática: aplique o fator correto

Calcule o limite

Em um amplificador inversor, \(R_{in}=30\,kΩ\), \(R_f=10\,kΩ\) e \(|V_{os,max}|=0{,}6\,mV\). Complete o limite estimado de erro na saída:

\[
|V_{erro,out,max}| \approx 0{,}6\,mV \times (1+10/30) = \underline{\hspace{1cm}}\,mV
\]

Resposta

Preencha a lacuna com o valor numérico em mV.

Diferencie sinal e offset

Verificação final

Um estágio inversor tem \(R_f/R_{in}=0{,}5\). Qual fator deve multiplicar \(|V_{os,max}|\) para estimar o módulo do erro na saída?

Passo 6 de 8

Correntes de entrada também geram erro

Identifique e estime os erros adicionais criados pelas correntes de polarização nas resistências conectadas às entradas.

De onde vem o erro de polarização?

Correntes pequenas, efeito mensurável

No operacional ideal, as correntes que entram em V+ e V− são nulas. No componente real, há pequenas correntes contínuas de polarização nos dois terminais, indicadas por I_B+ e I_B−.

Quando uma dessas correntes atravessa uma resistência conectada à entrada, ela produz uma queda de tensão. Essa queda se torna um erro adicional na saída, mesmo que o ganho ideal esteja correto.

Não suponha que I_B+ e I_B− sejam iguais, tenham o mesmo sentido ou se cancelem. Em uma análise conservadora, identifique separadamente o caminho resistivo de cada corrente e some os módulos dos erros relevantes.

Cada entrada tem seu próprio caminho

Diagrama de um amplificador não inversor: a corrente de polarização da entrada não inversora passa pela resistência da fonte, e a da entrada inversora está associada à rede de realimentação.

As quedas em R_s e R_f podem chegar à saída por caminhos diferentes.

Resistências absolutas também importam

Estimativa em um não inversor

Considere um não inversor com referência ideal em R_g. Para estimar os módulos das contribuições de polarização:

  • I_B+ produz uma queda aproximada de |I_B+| × R_s na entrada não inversora. Essa queda é transferida à saída pelo fator 1 + R_f/R_g.
  • I_B− exige corrente no nó inversor. Com a referência ideal, sua contribuição direta aproximada na saída é |I_B−| × R_f.

Sem contar com cancelamentos:

|Erro de saída| ≈ |I_B+| × R_s × (1 + R_f/R_g) + |I_B−| × R_f

A estimativa é estática e vale enquanto o estágio permanecer na região linear. Se a fonte ou a referência tiverem outras resistências no caminho, elas também precisam ser consideradas no ponto de entrada correspondente.

Exemplo

Exemplo: mesmo ganho, resistores diferentes

Dados: R_s = 10 kΩ, I_B+ = I_B− = 50 nA e fator 1 + R_f/R_g = 11.

A queda causada por I_B+ em R_s é 50 nA × 10 kΩ = 0,5 mV. Transferida à saída pelo fator 11, ela contribui com 5,5 mV.

Agora compare duas redes que preservam a razão R_f/R_g = 10. A rede com resistores maiores mantém o mesmo ganho ideal e o mesmo fator de transferência para a saída, mas aumenta a contribuição de I_B− porque R_f é maior. Portanto, razões iguais de resistores não garantem erros iguais.

Mesmo ganho não significa mesmo erro

Comparação das contribuições de polarização. As duas redes têm ganho ideal igual a 11.

Estimativa conservadora: soma dos módulos das duas contribuições.
RedeR_f / R_gErro por I_B+Erro por I_B−Total estimado
A100 kΩ / 10 kΩ5,5 mV5 mV10,5 mV
B1 MΩ / 100 kΩ5,5 mV50 mV55,5 mV

Pratique a identificação dos caminhos

Localize os caminhos

Associe cada corrente ao caminho que deve ser examinado primeiro neste estágio não inversor.

Associe corrente e caminho

Faça as associações.

Toque em um item e depois no par correspondente.

Calcule e compare as redes

Novo caso: duas redes de razão igual

Use os dados a seguir para calcular sem reutilizar os valores da tabela anterior.

R_s = 4 kΩ; I_B+ = 80 nA; I_B− = 25 nA.

As duas redes mantêm R_f/R_g = 10, portanto o fator 1 + R_f/R_g é 11:

  • Rede C: R_f = 40 kΩ e R_g = 4 kΩ.
  • Rede D: R_f = 400 kΩ e R_g = 40 kΩ.

Calcule primeiro a contribuição de I_B+, depois a contribuição de I_B− em cada rede. Ao final, compare as somas conservadoras.

Primeira contribuição

Qual é a contribuição de I_B+ para o erro de saída, em qualquer uma das duas redes?

Segunda contribuição

Qual é a contribuição de I_B− para o erro de saída na rede D?

Compare os resultados

Qual comparação está correta para as somas conservadoras de erro de saída?

Passo 7 de 8

Precisão garantida na temperatura de uso

Verifique limites estáticos garantidos na faixa de temperatura de uso e some as contribuições de erro de modo conservador.

Use limites que cubram o ambiente

Temperatura muda os limites

Offset e correntes de polarização variam entre exemplares e também com a temperatura. Por isso, um valor típico, uma medição isolada ou um dado a 25 °C não prova sozinho que o estágio respeitará o erro permitido em todo o ambiente de uso.

Para uma conclusão garantida, use limites máximos especificados para uma faixa térmica que contenha toda a faixa prevista, nas condições elétricas compatíveis. Se a folha de dados não fornecer limite aplicável, a conclusão correta é: não há dados suficientes para garantir a conformidade.

Típico não é garantia

Comparação visual entre uma curva típica estreita e uma faixa mais ampla de limites garantidos ao longo da temperatura.

O projeto precisa suportar os limites garantidos, não apenas o comportamento mais comum.

Como interpretar dados térmicos

Leia cada número junto de sua condição térmica e elétrica.

Exemplos de especificações didáticas
Dado informadoO que permite concluirUso no projeto
V_OS típico: 0,2 mV a 25 °CComportamento representativoNão garante o pior caso
V_OS máx.: 0,8 mV, −20 °C a 70 °CLimite em toda a faixa indicadaUse diretamente
V_OS máx. a 25 °C e deriva máx.Pode estimar os extremos térmicosSome apenas limites aplicáveis
I_B típico a 25 °CExpectativa no ponto de testeNão prova precisão térmica

Monte o limite sem duplicar dados

Exemplo

Exemplo: offset, deriva e polarização

Considere um não inversor que opera de −20 °C a 70 °C. A especificação informa |V_OS| máximo de 0,50 mV a 25 °C e deriva máxima de 3 µV/°C. O extremo mais distante está a 45 °C de 25 °C.

Se os dois limites forem garantidos e aplicáveis:

|V_OS| ≤ 0,50 mV + (3 µV/°C × 45 °C) = 0,635 mV.

O fator de transferência do offset para a saída é 1 + R_f/R_g = 11. Logo, o erro de saída por offset é até:

0,635 mV × 11 = 6,99 mV.

Suponha que as contribuições máximas das correntes de polarização, já estimadas na saída, somem 1,20 mV. A soma conservadora é:

6,99 mV + 1,20 mV = 8,19 mV.

Se o erro estático permitido for 10 mV, restam 1,81 mV de margem para essas contribuições analisadas.

Atenção

Não conte a temperatura duas vezes

Se a folha de dados já declarar |V_OS| máximo de 0,80 mV para toda a faixa de −20 °C a 70 °C, use esse limite diretamente. Com fator 11, o erro de saída por offset é 0,80 mV × 11 = 8,8 mV.

Não some a deriva outra vez. Ela já está contemplada no limite térmico informado. Somar um limite de faixa inteira com a deriva usada para construí-lo contaria o efeito da temperatura duas vezes.

Escopo da estimativa

A soma de módulos é uma estimativa estática conservadora para offset e correntes de polarização do operacional. Ela considera resistores e referência como ideais ou já definidos por suas próprias especificações.

Não inclui tolerância de resistores, variação da referência, ruído, resposta em frequência nem efeitos dinâmicos. Esses efeitos exigem verificações próprias; não devem ser misturados a esta estimativa sem dados compatíveis.

Identifique uma garantia utilizável

Exemplo

Escolha o dado adequado

Um estágio deve manter o erro estático dentro do limite entre −10 °C e 60 °C. Qual especificação sustenta diretamente uma conclusão garantida sobre o offset nessa faixa?

Garantia térmica

Selecione a especificação adequada.

Pratique a verificação completa

Dados para a verificação

Novo caso: um não inversor deve funcionar de −5 °C a 55 °C. Para o candidato avaliado, são garantidos:

  • |V_OS| máximo de 0,40 mV a 25 °C;
  • deriva máxima de 2 µV/°C;
  • fator de transferência do offset para a saída de 6;
  • contribuições máximas das correntes de polarização, já referidas à saída, de 0,90 mV.

O erro estático permitido é 4,0 mV. Além disso, a menor margem de excursão entre a saída nominal e o limite garantido é 5,0 mV.

Use o extremo térmico mais distante de 25 °C. Considere que os limites de offset e deriva são aplicáveis às condições do estágio.

Calcule o limite térmico do offset

Complete o limite térmico de offset de entrada: |V_OS| ≤ 0,40 mV + (2 µV/°C × 30 °C) = ____ mV.

Compare erro e margem de saída

Qual conclusão resulta do cálculo?

Passo 8 de 8

Escolha e justifique um amplificador operacional

Integre alimentação, faixa de entrada, excursão, corrente e precisão para selecionar um candidato por limites garantidos.

1. Fixe os requisitos elétricos

Requisito do estágio

Caso de seleção — estágio já dimensionado

Um não inversor opera com alimentação de 0 V e 3,3 V, referência em 0 V, ganho ideal de 3 e entrada entre 0,50 V e 0,90 V. Portanto, a saída nominal deve ir de 1,50 V a 2,70 V.

A carga é 20 kΩ para 0 V. A rede de realimentação usa R_f = 20 kΩ e R_g = 10 kΩ. A resistência série da fonte é 5 kΩ. O estágio deve operar entre 0 °C e 60 °C, com erro estático máximo de 10 mV.

Você não precisa redimensionar o ganho: deve verificar se cada candidato permite esse estágio nas condições dadas.

Tensões e ramos que importam

Diagrama de um amplificador não inversor alimentado entre 0 V e 3,3 V, com entrada entre 0,50 V e 0,90 V, saída entre 1,50 V e 2,70 V, rede de realimentação e carga.

A saída alimenta simultaneamente a carga e a rede de realimentação; ambas entram na corrente total.

Dica

Demanda máxima de saída

No extremo de 2,70 V, a carga pede 2,70/20 kΩ = 135 µA e a realimentação pede 2,70/(20 kΩ + 10 kΩ) = 90 µA. A saída deve fornecer 225 µA.

No extremo inferior, a demanda é 125 µA. Assim, basta comparar a condição garantida de excursão do candidato com uma corrente de fornecimento de pelo menos 225 µA. Não use a corrente de curto-circuito como critério de operação linear.

2. Compare limites, não apenas o ganho

Como comparar os candidatos

Compare especificações garantidas nas condições apresentadas. Para o erro estático deste caso, use a soma conservadora:

erro máximo ≈ 3 × (V_OS + I_B+ × 5 kΩ) + I_B− × 20 kΩ

O fator 3 é o ganho de ruído deste não inversor. Não conte com cancelamento entre contribuições de sinal desconhecido.

Candidatos sob comparação

Dados fictícios, porém completos para a decisão estática.

Todos os valores marcados como máximo são garantidos somente na condição indicada.
CandidatoAlimentaçãoModo comumSaída garantidaPrecisão e temperatura
A2,7 a 5,5 V0 a V+ − 0,2 V0,05 a 3,20 V; fonte ≤ 1 mA em 3,3 VVOS 1 mV máx.; IB+ e IB− 50 nA máx.; −20 a 70 °C
B4,5 a 16 V0 a V+ − 1,2 V0,20 a 3,00 V; fonte ≤ 1 mA em 5 VVOS 0,5 mV máx.; IB 20 nA máx.; −40 a 85 °C
C2,7 a 5,5 V0 a V+ − 0,15 V0,04 a 3,22 V; fonte ≤ 1 mA em 3,3 VVOS típico 0,2 mV e IB típico 5 nA, ambos a 25 °C; sem máximos

3. Decida a situação de cada candidato

Classifique a evidência disponível

Relacione cada candidato à conclusão correta para os requisitos do caso.

Toque em um item e depois no par correspondente.

4. Justifique e conclua

Aplicação final

Justifique a escolha do candidato A em poucas frases. Inclua: faixa de entrada, faixa de saída e sua condição de corrente, corrente máxima exigida, erro estático máximo e uma limitação do que essa decisão ainda não verifica.

Escreva pelo menos 180 caracteres (0/180).

Síntese da decisão

A seleção estática bem justificada verifica, nas condições reais de alimentação, carga e temperatura:

  • faixa de alimentação;
  • modo comum nas duas entradas;
  • excursão e corrente de saída;
  • offset e correntes de polarização;
  • limites garantidos, não somente típicos.

Neste caso, A é compatível; B é incompatível pela alimentação; C não tem dados garantidos suficientes. Ganho ideal correto, isoladamente, não comprova que o estágio funciona com precisão.

Resumo

Revisão do tutorial

  • Verifique os extremos de tensão e de corrente, não apenas um ponto nominal.
  • Compare a carga externa e a realimentação ao calcular a corrente da saída.
  • Use limites garantidos na faixa de temperatura prevista.
  • Classifique ausência de dados como “sem conclusão garantida”, e não como aprovação.
  • A verificação estática não substitui a análise de resposta em frequência.

Tutorial concluído

Parabéns! Você concluiu: Alimentação, excursão e precisão do amplificador operacional

Excelente! Você avaliou alimentação, entrada, saída, corrente e precisão antes de aceitar um componente.

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