A gestão de riscos é um dos diferenciais entre projetos que apenas “andam” e projetos que realmente entregam valor com previsibilidade. Em vez de tratar problemas somente quando acontecem, uma abordagem estruturada antecipa ameaças, reduz impactos e melhora decisões. Uma ferramenta simples e poderosa para isso é a matriz de riscos (probabilidade x impacto), que ajuda a priorizar o que merece atenção imediata.
Neste artigo, você vai aprender como construir e usar uma matriz de riscos na prática: identificar riscos, avaliar probabilidade e impacto, definir respostas e acompanhar tudo ao longo do projeto — sem depender de ferramentas complexas.
O que é uma matriz de riscos (probabilidade x impacto)?
A matriz de riscos é um quadro que cruza probabilidade (chance do risco acontecer) com impacto (o dano caso aconteça). Cada risco é posicionado no quadrante correspondente, permitindo visualizar rapidamente o que é crítico, moderado ou aceitável.

Por que ela funciona tão bem?
- Clareza: transforma opiniões soltas em um mapa visual e comparável.
- Prioridade: ajuda a decidir onde investir tempo e recursos.
- Alinhamento: facilita conversas objetivas com stakeholders.
- Rastreabilidade: apoia o registro e o acompanhamento de ações preventivas.
Passo 1: Identifique os riscos de forma organizada
Antes de pontuar probabilidade e impacto, é preciso levantar riscos com boa cobertura. Algumas fontes comuns:
- Escopo: mudanças frequentes, requisitos incompletos, “itens em aberto”.
- Cronograma: dependências externas, atividades críticas com estimativas frágeis.
- Custos: variação cambial, aumento de fornecedores, retrabalho.
- Qualidade: falta de critérios de aceite, testes insuficientes.
- Recursos: indisponibilidade de pessoas-chave, rotatividade.
- Partes interessadas: conflitos, baixo engajamento, aprovações lentas.
Dica prática: faça uma sessão rápida de brainstorming com o time e complemente com lições aprendidas de projetos anteriores (quando disponíveis). O objetivo é ter uma lista inicial “boa o suficiente” para priorizar, e não uma lista perfeita.
Passo 2: Defina escalas de probabilidade e impacto (e documente)
Um erro comum é usar notas sem definir o que elas significam. Para a matriz ser consistente, crie escalas claras. Exemplo de escala 1–5:
- Probabilidade: 1 (rara) a 5 (quase certa)
- Impacto: 1 (baixo) a 5 (crítico)
Você pode detalhar o impacto por dimensão (prazo, custo, qualidade). Por exemplo, impacto 5 em prazo pode ser “atraso > 20%” e impacto 5 em custo “estouro > 15%”. Isso reduz subjetividade e melhora a comparação entre riscos.
Passo 3: Calcule a prioridade (score) e estabeleça faixas
Uma forma simples de priorizar é multiplicar: Prioridade = Probabilidade x Impacto. Depois, defina faixas, como:
- Alto: 16–25 (ação imediata e plano robusto)
- Médio: 8–15 (plano de resposta e monitoramento)
- Baixo: 1–7 (aceitação e acompanhamento leve)
Essas faixas podem variar conforme o contexto do projeto, mas o importante é manter o critério visível e acordado.
Passo 4: Defina a resposta para cada risco prioritário
Risco sem resposta vira apenas “lista de preocupações”. Para os principais riscos, escolha estratégias clássicas:
- Evitar: mudar o plano para eliminar a ameaça (ex.: remover uma dependência arriscada).
- Mitigar: reduzir probabilidade ou impacto (ex.: protótipo, teste antecipado, plano de contingência).
- Transferir: repassar responsabilidade/impacto (ex.: seguro, contrato com SLA).
- Aceitar: consciente e monitorado (com gatilhos claros para agir se ocorrer).
Boa prática: para cada risco relevante, registre responsável, ação, prazo e um gatilho (sinal de alerta). Exemplo de gatilho: “fornecedor atrasou 2 marcos consecutivos”.
Passo 5: Transforme a matriz em rotina (monitoramento contínuo)
A matriz de riscos não é um documento para ser criado e esquecido. Inclua-a em rituais simples:
- Revisão semanal/quinzenal: atualizar probabilidades, impactos e status das ações.
- Revisão em marcos: reavaliar riscos quando houver mudanças importantes.
- Registro de ocorrências: quando um risco vira problema, documentar causa e prevenção futura.
Com o tempo, isso cria um histórico que melhora estimativas e aumenta a maturidade em gestão de projetos.
Modelo rápido de registro de risco (copiar e usar)
- ID: R-01
- Descrição: Dependência de aprovação externa pode atrasar entregas
- Causa: Fluxo de aprovação sem SLA
- Probabilidade (1–5): 4
- Impacto (1–5): 4
- Score: 16 (Alto)
- Resposta: Mitigar
- Ação: Definir SLA e alternativa de aprovação por substituto
- Responsável: Nome/área
- Gatilho: Aprovação > 3 dias úteis
- Status: Aberto / Em andamento / Concluído

Erros comuns ao usar matriz de riscos (e como evitar)
- “Tudo é alto”: se muitos riscos caem no vermelho, a escala está mal definida ou há riscos duplicados. Refinar critérios e consolidar itens resolve.
- Não ter dono: risco sem responsável não anda. Sempre atribua um owner.
- Confundir risco com problema: risco é possibilidade futura; problema já aconteceu. Trate problemas com gestão de issues.
- Focar só na probabilidade: um risco raro, mas catastrófico, pode exigir plano (impacto importa muito).
Para aprofundar e praticar
Quem deseja desenvolver rotina e técnica pode explorar trilhas de gestão e negócios e formações específicas em projetos. Veja conteúdos relacionados:
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Se o objetivo for conhecer padrões e terminologias amplamente adotados no mercado, um bom ponto de partida é entender o ecossistema relacionado ao
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(sem que isso seja pré-requisito para aplicar a matriz de riscos no dia a dia).
Como referência externa para conceitos e boas práticas em risco, vale consultar também:
https://www.iso.org/iso-31000-risk-management.html
Conclusão
A matriz de riscos é uma ferramenta acessível e extremamente eficaz para aumentar previsibilidade, reduzir surpresas e melhorar a tomada de decisão. Ao definir escalas claras, priorizar pelo impacto real, criar respostas com responsáveis e acompanhar periodicamente, a gestão de riscos deixa de ser burocracia e passa a ser vantagem competitiva em qualquer projeto.


















