Para muita gente, a redação é a parte mais temida do ENEM — e também uma das que mais pesam na nota final, já que vale até 1000 pontos, o mesmo peso de uma área inteira de conhecimento. A boa notícia é que, diferente de outras questões da prova, a redação segue uma estrutura bastante previsível, avaliada por critérios claros e conhecidos com antecedência. Isso significa que dominar essa estrutura, mais do que “ter talento para escrever”, é uma questão de técnica e prática. Neste artigo, vamos ver como montar um texto dissertativo-argumentativo organizado, do jeito que a banca do ENEM espera encontrar, e quais critérios ela usa para avaliar.
Entendendo o que é Pedido: o Texto Dissertativo-Argumentativo
O ENEM pede um texto dissertativo-argumentativo, ou seja, um texto que defende um ponto de vista sobre o tema proposto usando argumentos organizados de forma lógica — nada de contar uma história (narração) ou apenas descrever um cenário (descrição). É importante também respeitar os direitos humanos ao longo de toda a redação: defender ideias que violem esse princípio zera a prova, independentemente da qualidade da escrita. Por isso, antes de pensar em como escrever bonito, é essencial entender exatamente que tipo de texto está sendo pedido e quais limites ele tem.
Os Cinco Critérios de Avaliação da Redação
A redação do ENEM é avaliada por cinco competências, cada uma valendo até 200 pontos. A primeira avalia o domínio da norma culta da língua escrita (gramática, ortografia, concordância). A segunda observa se o candidato compreendeu a proposta e desenvolveu o tema dentro do formato dissertativo-argumentativo. A terceira avalia a capacidade de organizar e defender um ponto de vista com informações e argumentos consistentes. A quarta analisa o uso de mecanismos linguísticos que garantem a coesão do texto, como os conectivos. Por fim, a quinta competência avalia especificamente a proposta de intervenção apresentada na conclusão. Conhecer essas cinco competências ajuda a revisar o próprio texto com mais direcionamento, em vez de tentar “escrever bem” de forma genérica.
Introdução: Apresentando o Tema e a Tese
Uma boa introdução contextualiza o tema — situando-o histórica, social ou culturalmente — e termina apresentando a tese, ou seja, o ponto de vista que o restante do texto vai defender. Uma estratégia comum e eficiente é começar com uma contextualização breve (uma referência histórica, um dado amplamente conhecido ou uma citação de conhecimento geral) e, na sequência, anunciar os dois argumentos que serão desenvolvidos nos parágrafos seguintes. Isso já mostra à banca que o texto tem planejamento, o que é valorizado nos critérios de avaliação, além de facilitar a leitura de quem está corrigindo o texto.
Desenvolvimento: Argumentando com Repertório Sociocultural
O desenvolvimento normalmente é dividido em dois parágrafos, cada um tratando de um argumento diferente que sustenta a tese apresentada na introdução. Cada parágrafo deve ter uma ideia central clara, desenvolvida com repertório sociocultural — referências a fatos históricos, conceitos filosóficos, obras literárias, dados de conhecimento geral ou notícias amplamente divulgadas, desde que sejam usados de forma pertinente e conectada ao argumento, e não apenas citados de forma solta. É esse uso do repertório, combinado com uma argumentação bem encadeada, que costuma diferenciar textos medianos de textos com nota mais alta. Vale lembrar que repertório em excesso, sem conexão real com o argumento, pode até prejudicar o texto, deixando-o com aparência de “colagem” de referências soltas.
Conclusão: A Proposta de Intervenção
A conclusão do ENEM tem uma exigência bem específica: apresentar uma proposta de intervenção detalhada para o problema discutido ao longo do texto. Essa proposta precisa conter, preferencialmente, cinco elementos: o agente que vai executar a ação (governo, escolas, famílias, mídia, entre outros), a ação em si, o meio ou modo como ela será realizada, a finalidade (o efeito esperado) e, quando possível, um detalhamento que aprofunde algum desses elementos. Propostas vagas, do tipo “o governo deveria fazer algo a respeito”, tendem a perder pontos justamente por faltar esse nível de detalhe.
Coesão e Conectivos: Amarrando as Ideias
Um texto pode ter ótimos argumentos e ainda assim perder pontos se as ideias parecerem soltas, sem conexão entre si. É aí que entram os conectivos — palavras e expressões como “além disso”, “por consequência”, “nesse sentido”, “por outro lado” — que ligam frases e parágrafos, deixando claro como uma ideia se relaciona com a anterior. Variar esses conectivos ao longo do texto, em vez de repetir sempre os mesmos, é um sinal de domínio da língua escrita, um dos critérios avaliados na correção. Vale também revisar a pontuação e a concordância antes de passar o texto a limpo, já que erros gramaticais recorrentes também impactam a nota.
Erros Comuns que Costumam Derrubar a Nota
Alguns erros aparecem com frequência mesmo em textos bem escritos. Fugir do tema proposto — discutindo algo relacionado, mas que não responde diretamente à pergunta da proposta — é um dos mais graves, podendo limitar bastante a nota mesmo que o texto esteja bem redigido. Escrever uma proposta de intervenção genérica ou copiada de textos de apoio sem adaptação também costuma ser penalizado. Por fim, deixar pouco tempo para revisão é um erro estratégico comum: reler o texto procurando erros de concordância, repetições desnecessárias e conectivos mal utilizados pode recuperar pontos importantes nos minutos finais da prova.
Conclusão
Escrever uma boa redação para o ENEM é menos sobre inspiração e mais sobre seguir uma estrutura testada: introdução com tese clara, dois parágrafos de desenvolvimento bem argumentados com repertório sociocultural, e uma conclusão com proposta de intervenção detalhada, tudo amarrado por conectivos bem escolhidos e revisado com atenção. Quanto mais você praticar essa estrutura, mais natural ela se torna, mesmo sob a pressão do dia da prova. Se você quer se preparar de forma mais completa para a redação e para as demais provas do ENEM, vale a pena conhecer os cursos preparatórios disponíveis na Cursa.



















