
Passo 1 de 8
Quando o problema é um vício do produto
Reconheça indícios de vício no uso ou no valor do produto e diferencie esses problemas de simples preferência pessoal.
Trilha de aprendizado · Nível 1 · Tutorial 3
Ao concluir, o aluno poderá reconhecer problemas de adequação ou funcionamento do produto, diferenciar os prazos para reclamar e para solucionar o vício e identificar as possibilidades básicas de reparo, substituição, abatimento ou restituição, conforme o caso.
Quando o problema é um vício do produto
Reconheça indícios de vício no uso ou no valor do produto e diferencie esses problemas de simples preferência pessoal. 2 min
A garantia legal não depende de um certificado
Reconheça que a garantia legal existe por força da lei, mesmo sem certificado ou pagamento por uma garantia adicional. 2 min
Prazo para reclamar: 30 ou 90 dias
Relacione produtos duráveis e não duráveis aos prazos básicos para reclamar de vícios, sem confundir esses prazos com a vida útil do produto. 3 min
Quando o prazo para reclamar começa
Identifique o início do prazo para reclamar de vícios aparentes e ocultos, sem confundir esse prazo com a vida útil do produto. 3 min
Outro prazo: até 30 dias para sanar o vício
Diferencie o prazo para reclamar do prazo geral para o fornecedor resolver o problema do produto. 3 min
Se o vício não for sanado no prazo
Reconheça as três alternativas legais após o prazo para sanar o vício e entenda a quem cabe a escolha. 3 min
Quando as alternativas podem ser imediatas
Reconheça hipóteses legais que permitem usar as alternativas sem aguardar o prazo geral de reparo e identifique o que depende da análise do caso. 3 min
Aplicação final: reconheça a regra do caso
Analise dois casos para integrar os prazos, as possibilidades de solução e os pontos que dependem das circunstâncias. 3 min

Passo 1 de 8
Reconheça indícios de vício no uso ou no valor do produto e diferencie esses problemas de simples preferência pessoal.
No Código de Defesa do Consumidor (CDC), um vício pode ser um problema de qualidade ou funcionamento que torna o produto inadequado ao uso esperado ou diminui seu valor. Não é necessário que o produto pare completamente de funcionar.

A mochila ainda permite carregar objetos, mas o zíper que não fecha compromete o uso esperado.
Uma mochila nova cujo zíper não fecha só pode apresentar vício se também deixar de servir para carregar qualquer objeto.
Exemplo
Uma mesa vendida como nova e sem avarias é entregue com riscos profundos no tampo. Ela ainda serve de apoio, mas os riscos diminuem seu valor: isso é um indício de vício.
Agora imagine a mesma mesa sem avarias, exatamente na cor escolhida. Depois da entrega, a pessoa decide que prefere outra cor. Como você já viu, uma mudança de gosto, por si só, não é um vício.
Relacione cada situação à classificação e ao motivo correspondentes.
Toque em um item e depois no par correspondente.

Passo 2 de 8
Reconheça que a garantia legal existe por força da lei, mesmo sem certificado ou pagamento por uma garantia adicional.
A garantia legal de adequação do produto decorre da lei. Segundo o art. 24 do Código de Defesa do Consumidor (CDC), ela independe de termo expresso: não precisa estar escrita em um certificado para existir.
Por isso, a ausência de certificado de garantia não elimina essa proteção.

Com ou sem certificado, a garantia legal existe.
Um produto apresentou vício de funcionamento. Como não veio com certificado de garantia, o consumidor não tem garantia legal.
Uma garantia adicional oferecida pelo fornecedor não é condição para ter garantia legal. O consumidor não precisa contratar essa proteção extra para que a proteção da lei exista.
Exemplo
Uma loja anuncia: “Sem contratar nossa garantia adicional, o produto fica sem nenhuma garantia”.
Esse aviso não elimina a garantia legal. Avisos e condições comerciais não podem simplesmente afastar essa proteção obrigatória.
Luana não contratou a garantia adicional oferecida pela loja. Depois, o produto apresentou um vício. Qual afirmação está correta?

Passo 3 de 8
Relacione produtos duráveis e não duráveis aos prazos básicos para reclamar de vícios, sem confundir esses prazos com a vida útil do produto.
O art. 26 do Código de Defesa do Consumidor prevê dois prazos básicos para reclamar de vícios:
Esses são prazos para reclamar, não a duração que se espera do produto.

A classificação depende da natureza do produto no uso normal.
Associe cada grupo ou expressão à descrição correspondente.
Toque em um item e depois no par correspondente.
Exemplo
Uma geladeira nova parou de funcionar após poucos usos. Isso não a transforma em produto não durável: sua natureza é permitir utilização repetida por um período prolongado.
Ela continua na categoria dos duráveis, cujo prazo básico para reclamar de vícios é de 90 dias. Isso também não significa que uma geladeira deva durar apenas 90 dias.
Dica
Pergunte: “No uso normal, esse produto é consumido ou permite utilização repetida sem se esgotar rapidamente?” Não classifique o produto pelo tempo que ele levou para apresentar o problema.
Um sabonete usado poucas vezes passa a ser um produto durável se levar mais de 30 dias para acabar.

Passo 4 de 8
Identifique o início do prazo para reclamar de vícios aparentes e ocultos, sem confundir esse prazo com a vida útil do produto.
Os prazos continuam sendo 30 dias para produtos não duráveis e 90 dias para duráveis. Mas quando eles começam?
Essa diferença está no art. 26 do Código de Defesa do Consumidor.

Primeiro identifique o marco inicial; depois, aplique os 30 ou 90 dias conforme o tipo de produto.
Um liquidificador foi entregue funcionando normalmente. Cinco meses depois, uma falha ficou evidenciada. Considere que se trata de vício oculto, dentro da vida útil esperada e nas circunstâncias do caso. Qual é a regra para reclamar?
Nem todo problema que surge depois da entrega é um vício oculto coberto pela garantia legal. A análise considera a vida útil esperada do produto e as circunstâncias do caso.
Desgaste natural e mau uso não têm cobertura automática. Ao mesmo tempo, o simples fato de terem passado mais de 90 dias da compra não basta para afastar um possível vício oculto.
Exemplo
Uma peça interna que apresenta uma falha não perceptível na entrega pode indicar vício oculto. Já uma sola de sapato gasta após uso prolongado pode refletir desgaste natural. A data em que o problema apareceu, sozinha, não resolve essa distinção.
Dica
Pergunte: o problema era perceptível na entrega ou só ficou evidenciado depois? Depois, relacione o marco inicial aos 30 ou 90 dias. Em casos concretos com dúvida, essa análise não substitui orientação jurídica.
Qualquer problema que apareça anos depois da entrega está automaticamente coberto como vício oculto, mesmo que resulte de desgaste natural ou mau uso.

Passo 5 de 8
Diferencie o prazo para reclamar do prazo geral para o fornecedor resolver o problema do produto.
Você já viu os prazos de 30 ou 90 dias para reclamar, conforme o tipo de produto. Agora entra outro prazo: na regra geral do art. 18 do CDC, o fornecedor tem até 30 dias para sanar o vício.
Sanar significa resolver o problema, normalmente por reparo. Esses prazos têm funções diferentes: uma reclamação feita dentro do prazo não exige que o conserto também termine dentro daqueles mesmos 30 ou 90 dias.

Os números podem coincidir, mas as obrigações são diferentes.
Um produto durável tinha um vício aparente na entrega. No 80º dia após recebê-lo, Lia reclamou e entregou o produto ao fornecedor para reparo, no mesmo dia. Considerando a regra geral, qual afirmação está correta?
Exemplo
Um liquidificador desliga sozinho durante o uso normal. O fornecedor recebe o produto, abre um atendimento e informa que vai examiná-lo.
Essas ações iniciam o atendimento, mas ainda não sanam o vício. Para isso, é preciso resolver o problema: o liquidificador deve voltar a funcionar adequadamente.
Dica
Existem hipóteses legais específicas em que o consumidor não precisa aguardar o prazo geral para sanar o vício. Você verá essas hipóteses adiante.
Em um caso sujeito ao prazo geral de 30 dias, esse prazo terminou e o vício continua sem solução. Como o fornecedor iniciou a análise do produto dentro do prazo, ele cumpriu a obrigação de sanar o vício.

Passo 6 de 8
Reconheça as três alternativas legais após o prazo para sanar o vício e entenda a quem cabe a escolha.
Se o vício não for sanado no prazo legal, o art. 18, § 1º, do Código de Defesa do Consumidor prevê três alternativas. A escolha cabe ao consumidor:

Os três caminhos partem do consumidor: são alternativas, não etapas de uma sequência.
Relacione cada alternativa ao que acontece quando ela é escolhida.
Toque em um item e depois no par correspondente.
Nessa situação, o consumidor não precisa primeiro aceitar uma substituição para só depois pedir restituição. Também não precisa aceitar um abatimento imposto pela loja. As três alternativas são escolhas distintas, e não benefícios que se somam.
Exemplo
O prazo legal para sanar o vício do ventilador de Júlia terminou, mas o problema continua. A loja oferece apenas um abatimento. Júlia prefere devolver o produto e receber a quantia paga atualizada. A política da loja não pode limitar a escolha dela apenas ao desconto.
O prazo legal para sanar o vício da cadeira de Rafael terminou sem solução. A loja afirma: “Você só pode aceitar outra cadeira; não oferecemos restituição nem abatimento”. Essa limitação está correta? Explique quem escolhe e quais são as três alternativas.
Escreva pelo menos 60 caracteres (0/60).

Passo 7 de 8
Reconheça hipóteses legais que permitem usar as alternativas sem aguardar o prazo geral de reparo e identifique o que depende da análise do caso.
O art. 18, § 3º, do CDC permite usar imediatamente as alternativas de substituição, restituição ou abatimento, sem aguardar o prazo geral de até 30 dias, quando:
Essas hipóteses não significam que qualquer vício dá direito à troca imediata.

Uma hipótese não precisa ocorrer junto com a outra. É necessário verificar se alguma delas se aplica ao caso.
Um armário novo apresenta um vício extenso. No caso apresentado, ficou constatado que substituir as partes com problema comprometeria a qualidade do móvel. Qual conclusão corresponde à regra estudada?
Para avaliar a essencialidade, importa considerar a função do produto e as circunstâncias concretas, como a necessidade que ele atende e o impacto de ficar sem usá-lo. Não basta dizer “é importante para mim”, nem tratar uma lista de produtos como resposta definitiva para toda situação.
Exemplo
Uma família fica sem a única geladeira da casa e não tem outro meio de conservar seus alimentos. Esses fatos são relevantes para reconhecer a essencialidade e podem justificar uma alternativa imediata. A conclusão depende do caso, e não apenas do nome “geladeira”.
Dica
Reconhecer uma possível hipótese legal é diferente de garantir o resultado de um caso concreto. Em situações duvidosas, pode ser necessária orientação jurídica individual.
Uma pessoa afirma: “Meu produto apresentou vício. Ele é essencial para mim, então quero a restituição imediata”. Quais dois fatos você procuraria conhecer para avaliar a essencialidade? Explique por que essa frase, sozinha, não permite uma conclusão segura.
Escreva pelo menos 30 caracteres (0/30).

Passo 8 de 8
Analise dois casos para integrar os prazos, as possibilidades de solução e os pontos que dependem das circunstâncias.
Comece pelo problema e pelo produto. Depois, identifique o prazo para reclamar e quando ele começa. Para avaliar a solução, separe a regra geral de reparo das hipóteses legais que permitem alternativas imediatas.

O prazo para reclamar e o prazo para sanar respondem a perguntas diferentes.
Exemplo
Na entrega, Luana percebeu que o seletor do ventilador novo estava quebrado: só era possível usar uma velocidade. Ela reclamou dez dias depois. Considere que se aplica o prazo geral de até 30 dias para sanar o vício e que ele já terminou, sem solução.
Explique: há vício? Qual é o prazo para reclamar e seu marco inicial? Qual era a função dos 30 dias concedidos ao fornecedor e o que Luana pode escolher agora?
Escreva pelo menos 60 caracteres (0/60).
Exemplo
Após oito meses de uso, a geladeira de André deixou de refrigerar por um problema interno que não era perceptível na entrega. Ele reclamou dez dias após o problema aparecer. É a única geladeira da casa, usada para conservar os alimentos da família. Ainda não foram avaliadas a causa da falha e as demais circunstâncias.
Qual problema afeta o uso do produto? Se confirmado o vício oculto, qual é o prazo para reclamar e quando começa? André necessariamente precisa esperar até 30 dias para ter acesso às alternativas? Justifique sem afirmar mais do que os fatos permitem.
Escreva pelo menos 60 caracteres (0/60).
Resumo
Use este roteiro para uma análise inicial, sem substituir a orientação jurídica em casos concretos.
Parabéns! Você concluiu: Garantia legal para produtos com vício
Você concluiu este nível!
Agora você vai iniciar: Reclamações e canais de apoio
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