A conciliação bancária é uma das rotinas mais importantes da Contabilidade para garantir que o que está registrado no controle financeiro (livro caixa, sistema, planilha ou ERP) realmente corresponde ao que aconteceu no banco. Quando bem feita, ela reduz erros, evita surpresas no fechamento e traz clareza sobre entradas, saídas, taxas e pendências.
Na prática, conciliar é comparar duas fontes: (1) o extrato bancário e (2) os registros internos de movimentação financeira. A meta é identificar divergências, explicar cada diferença e ajustar o que for necessário, deixando uma trilha de auditoria simples e confiável.
Por que a conciliação bancária é indispensável?
Mesmo em operações pequenas, o banco registra eventos que podem não estar no controle interno: tarifas, IOF, juros, estornos, chargebacks, compensações de cheques, transferências programadas e créditos não identificados. Sem conciliação, esses itens passam despercebidos e distorcem o saldo real.
Além disso, a conciliação bancária ajuda a:
- Evitar lançamentos duplicados (por exemplo, pagamento registrado duas vezes)
- Detectar pagamentos não compensados e boletos vencidos
- Identificar fraudes e movimentações indevidas mais rapidamente
- Preparar o fechamento mensal com menos retrabalho
- Melhorar a previsibilidade de caixa ao separar “lançado” de “compensado”

Conceitos-chave para não se perder
Saldo contábil/registrado é o saldo do seu controle interno. Saldo bancário é o saldo do extrato. A conciliação explica por que eles podem estar diferentes em um determinado dia e quais ajustes precisam ser feitos.
As diferenças mais comuns são:
- Itens em trânsito: transferências/Pix/TED lançados internamente, mas ainda não refletidos no extrato
- Pagamentos a compensar: boletos ou cartões que ainda não liquidaram
- Tarifas e encargos: taxas, juros, pacotes de serviços
- Créditos não identificados: recebimentos sem descrição clara
- Estornos e devoluções: cancelamentos, chargebacks, devoluções de Pix/transferências
Como fazer a conciliação bancária passo a passo
1) Defina um período e “trave” a base
Escolha o intervalo (diário, semanal ou mensal) e garanta que o extrato e os registros internos estejam completos. Em rotinas mensais, é comum conciliar do primeiro ao último dia do mês.
2) Padronize a identificação dos lançamentos
Se possível, trabalhe com data, valor, histórico e documento (ex.: número do boleto, identificação do Pix, NSU, ID de transação). Quanto mais padrão, mais fácil é cruzar.
3) Faça o “matching” (casamento) das movimentações
Compare cada débito e crédito do banco com o lançamento interno correspondente. Marque como “conciliado” quando houver equivalência de valor e data (ou data próxima, conforme a regra do processo).
4) Liste as pendências e classifique o motivo
O que ficou sem par deve entrar numa lista de pendências com o motivo provável: tarifa não lançada, recebimento sem identificação, pagamento ainda não compensado, valor divergente etc.
5) Ajuste registros internos (ou corrija no sistema, quando necessário)
Depois de entender a causa, faça os ajustes: incluir tarifas, corrigir valores, reclassificar contas, registrar estornos. Se o erro estiver no banco (raro, mas possível), registre a evidência e acione a instituição.
6) Valide o saldo final conciliado
Ao final, o saldo do seu controle deve bater com o saldo bancário, considerando itens em trânsito devidamente apontados (ou seja, explicados e documentados).

Erros comuns que atrapalham (e como evitar)
- Conciliar só no fim do mês: aumenta o volume de pendências. Solução: fazer conciliações frequentes (semanal ou diária em maior movimento).
- Não registrar tarifas e juros: distorce despesas financeiras. Solução: criar uma categoria/conta específica e lançar sempre.
- Ignorar créditos “genéricos”: recebimentos sem identificação podem ser receita não reconhecida ou erro. Solução: exigir padrão de identificação e rastrear origem (comprovantes, gateways, adquirentes).
- Falta de documentos: sem comprovantes, tudo vira “achismo”. Solução: anexar evidências e manter arquivo organizado.
- Tratar conciliação como tarefa mecânica: ela é também controle interno. Solução: analisar padrões de divergência para melhorar o processo.
Conciliação bancária e movimentação financeira: o que observar
Como a conciliação é o “raio-x” da movimentação financeira, vale observar pontos que costumam gerar diferenças:
- Pix: pode cair instantaneamente, mas a identificação pode variar; guarde ID/txid quando disponível.
- Cartão: há diferença entre data de venda e data de recebimento; taxas e antecipações mudam o líquido recebido.
- Boletos: liquidam em prazos específicos; retornos bancários ajudam a automatizar.
- Transferências programadas: aparecem no sistema interno antes de efetivar no banco.
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Ferramentas e boas práticas (do básico ao avançado)
No básico, uma planilha com colunas de data, descrição, valor, tipo (crédito/débito) e status (conciliado/pendente) já resolve muito. No intermediário, integrações com extratos (OFX/CSV) aceleram o matching. No avançado, ERPs e sistemas contábeis fazem conciliação semiautomática, com regras de correspondência, centros de custo e anexos de documentos.
Boas práticas que elevam o nível:
- Rotina definida (ex.: toda segunda e quinta)
- Segregação de funções (quem paga não é a mesma pessoa que concilia, quando possível)
- Plano de contas consistente para classificar corretamente
- Relatório de pendências com prazo e responsável
- Conferência de taxas (banco, adquirente, gateway, antecipação)

Aprenda Contabilidade aplicada à rotina de conciliação
Para dominar essa prática com segurança — entendendo lançamentos, classificações, controles e impactos no resultado — vale estudar Contabilidade de forma estruturada, do nível introdutório ao avançado. Uma trilha completa ajuda a transformar conciliação em um processo rápido, auditável e útil para decisões.
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Conclusão
Conciliação bancária não é apenas “bater saldo”: é um método de controle que melhora a qualidade das informações financeiras, reduz riscos e deixa o fechamento mais previsível. Com uma rotina simples, padrões de lançamento e atenção a pendências, é possível evoluir rapidamente do operacional para um nível de gestão mais confiável e orientado por dados.



















