Quem trabalha com estoque logo percebe que guardar mercadoria não é apenas encontrar um espaço vazio na prateleira. A ordem em que os produtos entram e saem faz toda a diferença para evitar vencimentos, perdas e confusão no inventário. É aí que entram os métodos PEPS, UEPS e FEFO. Neste artigo, você vai entender o que significa cada sigla, quando usar cada método e como colocá-los em prática no dia a dia.
Por que a ordem de saída importa
Imagine um mercado que recebe duas remessas de iogurte: uma na segunda-feira e outra na quinta. Se o repositor sempre pega o lote mais fácil de alcançar, que costuma ser o da frente, o lote antigo pode ficar esquecido no fundo até vencer. O prejuízo aparece em forma de descarte, de reclamação de cliente e de dinheiro parado.
Definir uma regra clara de movimentação ajuda toda a equipe a trabalhar do mesmo jeito, facilita a conferência e torna o estoque mais previsível. Além disso, esses métodos também são usados na contabilidade para valorizar o estoque, mas aqui vamos focar na parte operacional, que é a rotina do estoquista e do repositor.
PEPS: primeiro que entra, primeiro que sai
O PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai) é o método mais conhecido e o mais intuitivo. A lógica é simples: o produto que chegou primeiro ao estoque deve ser o primeiro a ser enviado para a venda ou para a produção. Em inglês, ele aparece como FIFO (First In, First Out).
Na prática, o PEPS pede organização física. Ao receber uma nova remessa, o estoquista posiciona os itens novos atrás ou embaixo dos antigos, deixando os mais velhos na frente, prontos para sair. Esse método funciona bem para a maioria dos produtos, principalmente aqueles que podem ficar obsoletos ou perder qualidade com o tempo, como alimentos, produtos de higiene, peças de reposição e materiais com prazo de uso.
UEPS: último que entra, primeiro que sai
No UEPS (Último que Entra, Primeiro que Sai), ou LIFO em inglês, o item que chegou por último é o primeiro a ser retirado. Parece estranho à primeira vista, mas existem situações em que essa é a lógica natural do espaço físico. Pense em pilhas de caixas empilhadas em um corredor estreito ou em materiais a granel, como areia, brita ou grãos despejados em um silo: o que foi colocado por último fica por cima e é o mais fácil de retirar.
O UEPS só é indicado quando o produto não tem prazo de validade nem sofre deterioração. Para itens perecíveis, ele aumenta o risco de que as unidades mais antigas fiquem esquecidas. Vale também lembrar que as regras de uso desse método para fins contábeis variam conforme a legislação de cada país, então o setor contábil da empresa deve ser consultado nesses casos.
FEFO: primeiro que vence, primeiro que sai
O FEFO (First Expired, First Out, ou “primeiro que vence, primeiro que sai”) leva em conta a data de validade em vez da data de entrada. É o método mais seguro para produtos perecíveis, como laticínios, carnes, frutas, medicamentos e cosméticos.
Veja a diferença com um exemplo: uma remessa de queijo chegou na segunda com validade para 30 dias, e outra chegou na quarta com validade para 15 dias. Pelo PEPS, sairia primeiro a da segunda. Pelo FEFO, sai primeiro a da quarta, porque vence antes. Por isso, o FEFO exige que o estoquista confira e registre as datas de validade no recebimento.
Comparativo rápido entre os três métodos
| Método | Critério de saída | Indicado para | Cuidado principal |
|---|---|---|---|
| PEPS | Data de entrada mais antiga | Maioria dos produtos, itens que ficam obsoletos | Posicionar novos lotes atrás dos antigos |
| UEPS | Data de entrada mais recente | Materiais não perecíveis e a granel | Não usar com itens que vencem |
| FEFO | Menor prazo de validade | Perecíveis, medicamentos, cosméticos | Registrar e conferir validades |
Como colocar o método em prática
Escolher a sigla certa é só metade do trabalho. A outra metade é criar hábitos que sustentem o método no cotidiano. Algumas práticas ajudam bastante:
- Confira no recebimento: verifique quantidade, estado da embalagem, lote e validade antes de guardar qualquer item.
- Identifique os endereços: use códigos de corredor, prateleira e posição para saber exatamente onde cada lote está.
- Etiquete os lotes: uma etiqueta com data de entrada ou de validade, visível, evita dúvidas na hora de separar.
- Reabasteça pela frente: guarde os itens novos atrás e retire sempre pela frente, especialmente em gôndolas e câmaras frias.
- Faça rondas periódicas: revise as prateleiras com frequência para localizar produtos próximos do vencimento.
- Registre as movimentações: seja em planilha, seja em sistema, mantenha o saldo atualizado para que o inventário reflita a realidade.
Erros comuns que atrapalham o método
O erro mais frequente é guardar por conveniência. Quando a pressa aumenta, é tentador colocar o lote novo na frente porque está mais perto da mão. Outro problema é misturar lotes diferentes no mesmo espaço sem identificação, o que impede saber o que é antigo e o que é novo. Também é comum a falta de padrão entre turnos: se cada pessoa trabalha de um jeito, o método perde o sentido.
Por fim, vale lembrar da segurança: ao reorganizar prateleiras, respeite o limite de peso e use os equipamentos de proteção e de movimentação corretos, como carrinhos, paleteiras e escadas apropriadas.
Conclusão
PEPS, UEPS e FEFO são ferramentas simples que, quando aplicadas com disciplina, reduzem perdas, melhoram o giro de mercadorias e deixam o trabalho mais organizado. Entender a lógica por trás de cada método ajuda o profissional a escolher o mais adequado para cada tipo de produto. Se você quer se aprofundar em rotinas de armazenagem, recebimento e inventário, vale conhecer os cursos de Estoquista e Repositor e de Logística disponíveis na Cursa.







