Inquérito Policial: O Que É, Como Começa e Quais São Suas Fases

Entenda o que é o inquérito policial, quem o conduz, como ele é instaurado, quais são suas características e prazos e o que acontece depois de concluído.

Compartilhar no Linkedin Compartilhar no WhatsApp

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

Imagem do artigo Inquérito Policial: O Que É, Como Começa e Quais São Suas Fases

Quando ocorre um crime, a primeira pergunta é: quem fez, como e por quê? Boa parte da resposta vem de um procedimento chamado inquérito policial. Para quem estuda para concursos da Polícia Civil, é um dos temas mais cobrados de Direito Processual Penal, e para qualquer cidadão é importante entender como funciona essa etapa que antecede, em regra, o processo criminal.

O que é o inquérito policial?

O inquérito policial é um procedimento administrativo, de natureza investigativa, conduzido pela polícia judiciária (no âmbito estadual, a Polícia Civil, e no federal, a Polícia Federal). Seu objetivo é reunir elementos que indiquem como o crime aconteceu (a materialidade) e quem provavelmente o cometeu (a autoria). Com essas informações, o titular da ação penal, que na maioria dos casos é o Ministério Público, decide se denuncia ou não o investigado.

É importante notar que o inquérito não é um processo, e sim uma investigação. Nele ninguém é julgado nem condenado. Por isso, as provas colhidas servem principalmente para formar a convicção de quem vai acusar e, depois, precisam ser repetidas ou confirmadas em juízo, com direito ao contraditório e à ampla defesa.

Quem preside o inquérito?

O inquérito é presidido pelo delegado de polícia, autoridade responsável por decidir quais diligências serão realizadas, como ouvir testemunhas, requisitar perícias e reunir documentos. Ele conta com o apoio de escrivães, investigadores, peritos e outros profissionais da polícia. Quando a investigação exige medidas que restringem direitos, como busca e apreensão, quebra de sigilo ou prisão preventiva, é necessária autorização do juiz.

Como o inquérito é instaurado?

A forma de abertura depende do tipo de crime. O Código de Processo Penal (CPP) trata das hipóteses de instauração, que podem ser resumidas assim:

Forma de instauraçãoComo acontece
De ofício (portaria)O próprio delegado toma conhecimento do crime e abre o inquérito, nos crimes de ação penal pública
Auto de prisão em flagranteQuando alguém é preso em flagrante, a lavratura do auto dá início ao procedimento
RequisiçãoO Ministério Público ou o juiz requisitam a abertura da investigação
Requerimento da vítimaA vítima ou seu representante pede a instauração ao delegado
Representação ou requerimento específicoNecessária em crimes de ação penal pública condicionada ou de ação penal privada

Uma denúncia anônima, por si só, não costuma bastar para abrir o inquérito. Em geral, a polícia faz uma verificação preliminar para confirmar se existem indícios mínimos antes de instaurar o procedimento.

Principais características

Os manuais costumam destacar algumas características do inquérito policial, que aparecem com frequência em provas:

  • Escrito: todos os atos são reduzidos a escrito ou registrados em meios que possam ser documentados.
  • Sigiloso: o sigilo protege a investigação e a imagem do investigado, mas não pode ser oposto ao advogado, que tem acesso aos elementos já documentados, conforme entendimento consolidado em súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal.
  • Inquisitivo: a condução é feita pela autoridade policial, sem o contraditório pleno característico do processo.
  • Dispensável: o Ministério Público pode denunciar sem inquérito se já tiver elementos suficientes.
  • Discricionário: o delegado decide, dentro da lei, quais diligências são necessárias.
  • Oficialidade e oficiosidade: é conduzido por órgão oficial e, nos crimes de ação pública incondicionada, pode começar sem provocação.

Fases do inquérito

Embora a lei não divida o inquérito em etapas rígidas, é possível visualizá-lo em três momentos.

1. Instauração

É o ato que dá início ao procedimento, por meio de portaria, auto de prisão em flagrante ou outra forma prevista em lei. A partir dele, a autoridade passa a registrar tudo o que for feito.

2. Diligências

É a fase mais longa. Nela, a polícia vai até o local do crime, preserva vestígios, apreende objetos, solicita exames periciais, ouve a vítima, as testemunhas e o investigado, promove reconhecimentos e junta documentos. O CPP prevê várias dessas providências, que podem ser adaptadas ao caso concreto.

3. Relatório final

Ao terminar, o delegado elabora um relatório com o resumo do que foi apurado e o encaminha ao juiz competente, que o remete ao Ministério Público. Nesse momento pode ocorrer o indiciamento, que é o ato em que a autoridade policial indica fundamentadamente quem considera provável autor do crime. O indiciamento não equivale a uma acusação formal e não vincula o Ministério Público.

Prazos

Como regra geral, o CPP prevê que o inquérito deve ser concluído em 10 dias se o investigado estiver preso e em 30 dias se estiver solto, com possibilidade de prorrogação quando o fato for de difícil elucidação. Algumas leis especiais fixam prazos próprios, como acontece em certos crimes de competência federal ou na lei de drogas, por isso é essencial conferir a norma aplicável ao caso.

O que acontece depois?

Recebido o inquérito, o Ministério Público pode tomar três caminhos principais: oferecer a denúncia, pedir novas diligências ou promover o arquivamento, caso entenda que não há elementos suficientes ou que não houve crime. As regras sobre o procedimento de arquivamento passaram por mudanças legislativas e interpretações recentes, então vale sempre estudar a redação atual do CPP e a jurisprudência. Se a denúncia for oferecida e recebida, tem início a ação penal, e o contraditório e a ampla defesa passam a valer em toda a sua extensão.

Dicas para estudar o tema

  • Memorize a lista de características e os prazos gerais, pois são cobrados com frequência.
  • Diferencie bem investigação, que é inquisitiva, de processo, que exige contraditório.
  • Pratique questões de concursos anteriores para ver como as bancas formulam as pegadinhas.
  • Acompanhe alterações legislativas e decisões dos tribunais superiores, já que o tema é dinâmico.

Conclusão

O inquérito policial é a porta de entrada da persecução penal: organiza as informações iniciais, orienta a decisão do Ministério Público e protege, ao mesmo tempo, a sociedade e os direitos do investigado. Se você está se preparando para concursos da Polícia Civil, vale explorar os cursos de preparatório e de Direito Processual Penal da Cursa, que ajudam a estruturar os estudos e a fixar o conteúdo com exercícios.

Como Montar um Cronograma de Estudos Eficiente para Concursos Públicos

Aprenda a montar um cronograma de estudos eficiente para concursos: edital verticalizado, distribuição de tempo e revisão espaçada.

Mapas Mentais e Questões Comentadas: um Método Prático para Fixar Raciocínio Lógico

Aprenda como usar mapas mentais e questões comentadas para fixar Raciocínio Lógico com método prático e revisão eficiente.

Mapa de Estudos do Técnico Judiciário: como organizar as disciplinas e manter constância até a prova

Como montar um mapa de estudos para Técnico Judiciário, organizar disciplinas e manter constância até a prova com revisão estratégica.

Legislação e Direitos Humanos em Concursos da PM e Guarda Municipal: Como Estudar com Foco no Edital

Aprenda como estudar legislação e direitos humanos para PM e Guarda Municipal com foco no edital e estratégia eficiente de revisão.

Como Montar um Plano de Revisão para o Concurso da Polícia Civil (sem se perder no conteúdo)

Aprenda como montar um plano de revisão eficiente para o concurso da Polícia Civil e aumente sua retenção com questões e caderno de erros.

Carreira no INSS: o que faz um Técnico do Seguro Social e como estudar online com certificado grátis

Descubra o que faz um Técnico do Seguro Social e como estudar para o INSS online com certificado grátis e plano estratégico.

Código de Ética do IBGE: como estudar, interpretar e acertar nas questões de concurso

Aprenda como estudar e interpretar o Código de Ética do IBGE para acertar questões de concurso com método prático e revisão eficiente.

Correspondência Bancária e Canais de Atendimento: o que entender para se dar bem no concurso da Caixa

Entenda correspondência bancária e canais de atendimento para o concurso da Caixa e evite pegadinhas em conhecimentos bancários.