Poucas medidas de saúde são tão simples e, ao mesmo tempo, tão importantes quanto a higienização das mãos. Em hospitais, clínicas, consultórios e também em casa, as mãos são um dos principais caminhos pelos quais microrganismos passam de uma pessoa ou superfície para outra. Neste artigo, você vai entender por que a prática é tão valorizada, quais são os cinco momentos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e como executar a técnica corretamente.
Por que higienizar as mãos é tão importante
As mãos tocam pacientes, equipamentos, maçanetas, celulares e o próprio rosto o tempo todo. Nesse contato, bactérias e vírus podem ser transportados sem que ninguém perceba. As infecções relacionadas à assistência à saúde, aquelas adquiridas durante o atendimento, estão entre as complicações que mais preocupam os serviços de saúde, e a higiene das mãos é reconhecida como uma das medidas mais eficazes para reduzi-las.
Além de proteger o paciente, a prática protege o próprio profissional e a comunidade, porque impede que os microrganismos saiam do ambiente de cuidado e cheguem a outros lugares.
Água e sabonete ou álcool em gel?
Existem duas formas principais de higienização, e cada uma tem o seu momento:
| Método | Quando usar | Duração aproximada |
|---|---|---|
| Água e sabonete | Quando as mãos estão visivelmente sujas, com sangue ou fluidos corporais, e após usar o banheiro. | 40 a 60 segundos |
| Preparação alcoólica (álcool em gel ou líquido a 70%) | Quando as mãos não estão visivelmente sujas, entre um procedimento e outro. | 20 a 30 segundos |
A preparação alcoólica é prática e rápida, o que facilita a adesão no dia a dia dos serviços. Já a água com sabonete continua indispensável quando existe sujeira visível.
Os 5 momentos para higienizar as mãos
A OMS organizou as indicações em cinco momentos, fáceis de memorizar e aplicáveis a qualquer ambiente de cuidado:
- Antes de tocar o paciente. Protege o paciente dos microrganismos que estão nas suas mãos.
- Antes de realizar um procedimento limpo ou asséptico. Por exemplo, antes de uma punção, de um curativo ou de preparar medicação.
- Após risco de exposição a fluidos corporais. Protege o profissional e o ambiente de cuidado.
- Após tocar o paciente. Evita levar microrganismos do paciente para outros locais.
- Após tocar superfícies próximas ao paciente. Cama, grades, bomba de infusão e outros objetos da área do paciente também contaminam as mãos.
Perceba que dois momentos protegem o paciente (antes) e três protegem o profissional e o ambiente (após). Essa lógica ajuda a lembrar por que a higiene é necessária tanto na entrada quanto na saída de um atendimento.
Técnica correta com água e sabonete
Não basta passar as mãos rapidamente sob a torneira. A técnica envolve etapas que garantem que todas as superfícies sejam alcançadas:
- Retire anéis, pulseiras e relógio e molhe as mãos sem encostar na pia.
- Aplique sabonete líquido suficiente para cobrir toda a superfície das mãos.
- Esfregue palma com palma.
- Esfregue a palma de uma mão sobre o dorso da outra, com os dedos entrelaçados, e repita com a outra mão.
- Entrelace os dedos e esfregue as palmas.
- Esfregue o dorso dos dedos contra a palma da mão oposta, com os dedos entrelaçados.
- Esfregue os polegares com movimentos circulares, uma mão de cada vez.
- Esfregue as pontas dos dedos e as unhas contra a palma da mão oposta, com movimentos circulares.
- Enxágue bem, seque com papel toalha descartável e use o mesmo papel para fechar a torneira, quando ela for de acionamento manual.
Os pontos mais esquecidos costumam ser os polegares, as pontas dos dedos, o espaço entre os dedos e o dorso das mãos. Vale dar atenção especial a eles.
Técnica com preparação alcoólica
Os movimentos são os mesmos, mas a duração é menor. Aplique uma quantidade de produto suficiente para cobrir todas as superfícies, esfregue seguindo a sequência de movimentos e só interrompa quando as mãos estiverem completamente secas. Se o produto secar antes de 20 segundos, provavelmente a quantidade foi insuficiente.
Erros que comprometem a higienização
- Usar adornos (anéis, pulseiras, relógios) durante o atendimento, pois eles acumulam sujidade e dificultam a limpeza.
- Manter unhas longas ou com esmalte descascado, que abrigam microrganismos.
- Reduzir o tempo de fricção por pressa.
- Reutilizar toalhas de tecido ou secar as mãos de forma inadequada.
- Achar que luvas substituem a higiene: as mãos devem ser higienizadas antes de calçar e depois de retirar as luvas.
- Passar álcool sobre mãos visivelmente sujas, quando o correto seria usar água e sabonete.
Cuidados com a pele das mãos
Lavar as mãos muitas vezes ao dia pode ressecar a pele, e a pele ferida dificulta a limpeza e aumenta o desconforto. Por isso, é recomendável usar hidratantes aprovados no serviço, evitar água muito quente e manter as unhas curtas. Machucados e cortes devem ser cobertos com curativo apropriado.
Também vale para o dia a dia
Fora do ambiente hospitalar, a lógica é a mesma: lave as mãos antes de preparar alimentos, antes de comer, depois de usar o banheiro, depois de tossir ou espirrar, depois de cuidar de uma pessoa doente e depois de tocar em lixo ou animais. É um hábito barato, ao alcance de todos e muito eficaz para reduzir a transmissão de doenças comuns.
Conclusão
Conhecer os cinco momentos e dominar a técnica de fricção transforma um gesto rotineiro em uma poderosa ferramenta de segurança do paciente. Se você pretende atuar na área ou quer aprofundar seus conhecimentos em cuidados, biossegurança e rotinas assistenciais, vale conhecer os cursos de Enfermagem e de Saúde disponíveis na Cursa, que ajudam a transformar boas práticas em hábito profissional.




















