Comunicação em Enfermagem: SBAR, Passagem de Plantão e Segurança do Paciente na Prática

Aprenda a aplicar SBAR, melhorar a passagem de plantão e fortalecer a comunicação em enfermagem para aumentar a segurança do paciente.

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Tempo estimado de leitura: 6 minutos

Imagem do artigo Comunicação em Enfermagem: SBAR, Passagem de Plantão e Segurança do Paciente na Prática

A comunicação é uma das habilidades mais determinantes para a segurança do paciente e para a qualidade do cuidado em Enfermagem. Grande parte dos eventos adversos em saúde envolve falhas de comunicação: informações incompletas, ruídos na passagem de plantão, registros inconsistentes e solicitações pouco objetivas. A boa notícia é que comunicação clínica pode (e deve) ser treinada com métodos estruturados e rotinas simples.

Neste artigo, você vai entender como aplicar o SBAR, como organizar uma passagem de plantão segura e quais hábitos reduzem erros de forma consistente — do acolhimento ao registro em prontuário. Para complementar sua formação, vale explorar a trilha de cursos gratuitos na área da Saúde:
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e a subcategoria de Enfermagem:
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Por que a comunicação falha na rotina assistencial?

Mesmo equipes experientes enfrentam barreiras comuns:

  • interrupções frequentes
  • múltiplas demandas simultâneas
  • alta rotatividade de leitos
  • diferença de experiência entre profissionais
  • documentação feita com pressa

Além disso, o uso de siglas não padronizadas, suposições (“todo mundo sabe”) e a falta de um roteiro mínimo para transmitir informações críticas aumentam o risco de erro.

Uma estratégia eficaz é reduzir a dependência da memória e do improviso, adotando ferramentas estruturadas como SBAR, checklists e padrões de passagem de plantão.

SBAR: o método simples que organiza qualquer comunicação clínica

SBAR é um acrônimo para:

  • S — Situação
  • B — Background (Contexto)
  • A — Avaliação
  • R — Recomendação

Ele padroniza a comunicação entre profissionais de saúde, tornando a mensagem objetiva, clara e completa.

1) Situação

Explique o motivo do contato de forma direta.

Exemplo:
“Paciente João, leito 12, apresentou queda de saturação para 88% em ar ambiente há 10 minutos.”

2) Background (Contexto)

Inclua informações relevantes:

  • diagnóstico principal
  • comorbidades
  • procedimentos recentes
  • alergias
  • medicações importantes

Evite informações desnecessárias que não mudam a conduta.

3) Avaliação

Apresente sua avaliação clínica com dados objetivos:

  • sinais vitais
  • nível de consciência
  • escala de dor
  • achados clínicos
  • resposta às intervenções já realizadas

4) Recomendação

Diga claramente o que você precisa.

Exemplos:

  • “Solicito avaliação à beira-leito.”
  • “Posso iniciar oxigênio a 5 L/min?”
  • “Peço prescrição de gasometria.”

Também combine urgência ou prazo da resposta.

“Equipe de enfermagem em estação de trabalho hospitalar, duas pessoas passando informações com prontuário e checklist visível, ambiente clínico limpo, estilo realista, iluminação suave, foco em colaboração e clareza”

Exemplo prático de comunicação com SBAR

S:
“Paciente Maria, 67 anos, leito 05, com dor torácica intensa há 20 minutos.”

B:
“Histórico de hipertensão e diabetes, internada por pneumonia, sem alergias registradas.”

A:
“PA 160/95, FC 110, SpO2 92% com O₂ 2 L/min, dor 8/10, sudorese.”

R:
“Solicito avaliação imediata, ECG e orientação de analgesia. Posso iniciar monitorização contínua?”

Esse formato reduz retrabalho e acelera decisões clínicas.

Passagem de plantão segura: o que não pode faltar

A passagem de plantão é um momento crítico para a continuidade do cuidado.
Adotar um roteiro fixo para todos os pacientes reduz falhas de comunicação.

Checklist para passagem de plantão

Identificação e contexto

  • nome do paciente
  • leito
  • diagnóstico principal
  • precauções ou isolamento

Estado atual

  • sinais vitais e tendências
  • nível de consciência
  • dor
  • oxigenação

Dispositivos e terapias

  • acesso venoso
  • sondas e drenos
  • oxigenoterapia
  • medicações críticas

Riscos

  • queda
  • broncoaspiração
  • lesão por pressão
  • alergias

Pendências

  • exames solicitados
  • resultados aguardados
  • procedimentos programados

Plano do turno

  • prioridades assistenciais
  • metas de cuidado

Sempre que possível, realize a passagem à beira-leito, conferindo:

  • pulseira de identificação
  • acessos e dispositivos
  • bombas de infusão

Isso aumenta a segurança e a participação do paciente.

Registro em prontuário: comunicação escrita também é cuidado

O registro de Enfermagem é parte fundamental da assistência e da segurança clínica.

Boas práticas incluem:

  • registrar sinais vitais e respostas a intervenções
  • manter registros cronológicos e objetivos
  • evitar termos vagos como “estável” sem parâmetros
  • registrar horário, conduta e comunicação realizada
  • usar linguagem profissional e clara

Um registro bem feito garante continuidade do cuidado e rastreabilidade clínica.

“Tela dividida mostrando ‘SBAR’ em um quadro branco e, ao lado, uma enfermeira anotando dados vitais, estética educacional, cores neutras, estilo infográfico realista”

Dicas rápidas para reduzir erros de comunicação

Prepare-se antes de comunicar

Tenha sinais vitais, medicações e última evolução em mãos.

Use comunicação fechada (closed-loop)

Repita a orientação recebida para confirmar entendimento.

Exemplo:
“Então vou administrar o medicamento e reavaliar em 15 minutos, correto?”

Priorize o que é crítico

Alterações agudas e riscos devem vir primeiro.

Reduza interrupções

Faça passagem de plantão em horário e local definidos.

Padronize termos

Utilize escalas e protocolos institucionais.

Trilhas de estudo para aprofundar

Para organizar seus estudos em Enfermagem, explore conteúdos como:

Urgência e Emergência
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Feridas e Curativos
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UTI e Monitorização Hemodinâmica
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Conclusão

Comunicar bem é uma competência clínica essencial e treinável na Enfermagem. Ferramentas estruturadas como SBAR, roteiros padronizados de passagem de plantão e registros objetivos fortalecem a segurança do paciente, reduzem erros e melhoram a colaboração entre equipes. Quando a comunicação se torna uma rotina organizada, o cuidado ganha mais qualidade, eficiência e segurança no dia a dia assistencial.

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Em uma emergência, é comum que o nervosismo faça a pessoa pular etapas, focar no que “parece mais grave” e acabar deixando passar riscos importantes. Por isso, profissionais de resgate e saúde seguem uma lógica simples e repetível: primeiro garantir segurança e identificar ameaças imediatas à vida (avaliação primária) e depois investigar lesões e sinais menos óbvios (avaliação secundária). Essa sequência ajuda a agir com mais calma, rapidez e precisão — mesmo sem ser da área.
Antes de qualquer contato, a regra número um é: não vire a próxima vítima. Observe o ambiente e procure perigos como trânsito, eletricidade, fogo, fumaça, gás, objetos cortantes, risco de queda, agressor por perto ou aglomeração. Se não for seguro, afaste-se, isole a área quando possível e acione ajuda. Em locais públicos, peça apoio: alguém para chamar o serviço de emergência, alguém para buscar um kit de primeiros socorros, e outra pessoa para sinalizar o local.
Com a cena segura, entra a avaliação primária: um check rápido para encontrar e corrigir o que pode matar em minutos. Comece verificando a responsividade: fale alto, apresente-se, pergunte se a pessoa está bem e observe se responde adequadamente. Se a pessoa não responde, chame ajuda imediatamente e peça para ligarem para o serviço de emergência — ou ligue você, se estiver sozinho. Se responde, ainda assim observe sinais de gravidade: confusão, fala arrastada, palidez intensa, suor frio, dificuldade para respirar ou dor forte no peito.
Em seguida, foque em respiração e circulação de forma objetiva. Note se a pessoa respira com esforço, se há ruídos anormais, se a pele está azulada (lábios/unhas) ou se existe sangramento abundante visível. Sangramentos graves exigem ação imediata de controle. Já sinais de insuficiência respiratória pedem rapidez para acionar o socorro, manter a via aérea o mais livre possível e posicionar a pessoa de maneira confortável para respirar (por exemplo, sentada e apoiada, se estiver consciente). Se houver piora rápida, trate como emergência crítica.
Superada a varredura do que é imediatamente fatal, a avaliação secundária entra como uma investigação mais completa. Aqui, a ideia é encontrar outras lesões, entender o que aconteceu e acompanhar sinais ao longo do tempo. Uma técnica comum é o exame “da cabeça aos pés”: observe e palpe com cuidado (quando apropriado) procurando dor, deformidades, inchaços, cortes, hematomas, assimetria e sensibilidade. Faça isso de forma organizada: cabeça e face, pescoço, ombros e tórax, abdômen, quadril, pernas e pés, braços e mãos. Se houver suspeita de trauma importante (queda, colisão, pancada forte), evite movimentar a vítima desnecessariamente e priorize acionar o socorro.
Na avaliação secundária, também ajuda usar perguntas estruturadas para coletar informações sem se perder. Um modelo simples é lembrar de: o que aconteceu, o que a pessoa sente agora, quando começou, se piora/melhora, e se houve desmaio. Se a pessoa estiver consciente, pergunte sobre alergias, uso de medicamentos e condições prévias relevantes (como diabetes, asma, epilepsia). Essas informações podem ser decisivas para o atendimento profissional e para evitar erros comuns — por exemplo, oferecer algo para comer/beber a alguém que pode precisar de procedimento médico ou que esteja com náuseas.
Um ponto frequentemente ignorado é o monitoramento. Primeiros socorros não é só ‘fazer algo’ e ir embora: é observar evolução até a chegada da ajuda. Reavalie periodicamente nível de consciência, padrão respiratório, cor da pele e intensidade da dor. Se houver qualquer piora, atualize a chamada ao serviço de emergência. Em situações com tempo de espera, mantenha a pessoa aquecida (sem superaquecer), evite aglomeração e transmita segurança com comunicação clara.
Também é essencial saber quando interromper a avaliação e priorizar ações imediatas. Exemplos típicos: dificuldade intensa para respirar, hemorragia volumosa, convulsão prolongada, dor torácica forte, sinais de AVC (rosto caído, fraqueza em um lado, fala alterada), rebaixamento de consciência, ou trauma com deformidade importante. Nesses casos, o melhor “próximo passo” quase sempre é acionar socorro, manter segurança, não oferecer alimentos/bebidas e acompanhar sinais.
Para estudar essa lógica com mais segurança e praticar a tomada de decisão em diferentes cenários, vale explorar conteúdos da área de saúde e da trilha de primeiros socorros. Confira a categoria de cursos de saúde em
https://cursa.app/cursos-online-saude-gratuito e aprofunde-se na subcategoria específica de https://cursa.app/curso-primeiros-socorros-online-e-gratuito.
Como complemento, é útil conhecer recomendações de organizações reconhecidas. Você pode consultar orientações gerais em fontes como a https://www.who.int/ e materiais educativos da https://www.icrc.org/, que reforçam a importância de agir com segurança, acionar ajuda e seguir protocolos claros.
Dominar avaliação primária e secundária não significa “virar profissional”, mas sim ganhar um mapa mental para agir melhor sob pressão. Com uma sequência organizada, você reduz erros, reconhece sinais de gravidade mais cedo e aumenta as chances de um desfecho positivo até a chegada do atendimento especializado.