A comunicação é uma das habilidades mais determinantes para a segurança do paciente e para a qualidade do cuidado em Enfermagem. Grande parte dos eventos adversos em saúde envolve falhas de comunicação: informações incompletas, ruídos na passagem de plantão, registros inconsistentes e solicitações pouco objetivas. A boa notícia é que comunicação clínica pode (e deve) ser treinada com métodos estruturados e rotinas simples.
Neste artigo, você vai entender como aplicar o SBAR, como organizar uma passagem de plantão segura e quais hábitos reduzem erros de forma consistente — do acolhimento ao registro em prontuário. Para complementar sua formação, vale explorar a trilha de cursos gratuitos na área da Saúde:
https://cursa.app/cursos-online-saude-gratuito
e a subcategoria de Enfermagem:
https://cursa.app/curso-enfermagem-online-e-gratuito
Por que a comunicação falha na rotina assistencial?
Mesmo equipes experientes enfrentam barreiras comuns:
- interrupções frequentes
- múltiplas demandas simultâneas
- alta rotatividade de leitos
- diferença de experiência entre profissionais
- documentação feita com pressa
Além disso, o uso de siglas não padronizadas, suposições (“todo mundo sabe”) e a falta de um roteiro mínimo para transmitir informações críticas aumentam o risco de erro.
Uma estratégia eficaz é reduzir a dependência da memória e do improviso, adotando ferramentas estruturadas como SBAR, checklists e padrões de passagem de plantão.
SBAR: o método simples que organiza qualquer comunicação clínica
SBAR é um acrônimo para:
- S — Situação
- B — Background (Contexto)
- A — Avaliação
- R — Recomendação
Ele padroniza a comunicação entre profissionais de saúde, tornando a mensagem objetiva, clara e completa.
1) Situação
Explique o motivo do contato de forma direta.
Exemplo:
“Paciente João, leito 12, apresentou queda de saturação para 88% em ar ambiente há 10 minutos.”
2) Background (Contexto)
Inclua informações relevantes:
- diagnóstico principal
- comorbidades
- procedimentos recentes
- alergias
- medicações importantes
Evite informações desnecessárias que não mudam a conduta.
3) Avaliação
Apresente sua avaliação clínica com dados objetivos:
- sinais vitais
- nível de consciência
- escala de dor
- achados clínicos
- resposta às intervenções já realizadas
4) Recomendação
Diga claramente o que você precisa.
Exemplos:
- “Solicito avaliação à beira-leito.”
- “Posso iniciar oxigênio a 5 L/min?”
- “Peço prescrição de gasometria.”
Também combine urgência ou prazo da resposta.

Exemplo prático de comunicação com SBAR
S:
“Paciente Maria, 67 anos, leito 05, com dor torácica intensa há 20 minutos.”
B:
“Histórico de hipertensão e diabetes, internada por pneumonia, sem alergias registradas.”
A:
“PA 160/95, FC 110, SpO2 92% com O₂ 2 L/min, dor 8/10, sudorese.”
R:
“Solicito avaliação imediata, ECG e orientação de analgesia. Posso iniciar monitorização contínua?”
Esse formato reduz retrabalho e acelera decisões clínicas.
Passagem de plantão segura: o que não pode faltar
A passagem de plantão é um momento crítico para a continuidade do cuidado.
Adotar um roteiro fixo para todos os pacientes reduz falhas de comunicação.
Checklist para passagem de plantão
Identificação e contexto
- nome do paciente
- leito
- diagnóstico principal
- precauções ou isolamento
Estado atual
- sinais vitais e tendências
- nível de consciência
- dor
- oxigenação
Dispositivos e terapias
- acesso venoso
- sondas e drenos
- oxigenoterapia
- medicações críticas
Riscos
- queda
- broncoaspiração
- lesão por pressão
- alergias
Pendências
- exames solicitados
- resultados aguardados
- procedimentos programados
Plano do turno
- prioridades assistenciais
- metas de cuidado
Sempre que possível, realize a passagem à beira-leito, conferindo:
- pulseira de identificação
- acessos e dispositivos
- bombas de infusão
Isso aumenta a segurança e a participação do paciente.
Registro em prontuário: comunicação escrita também é cuidado
O registro de Enfermagem é parte fundamental da assistência e da segurança clínica.
Boas práticas incluem:
- registrar sinais vitais e respostas a intervenções
- manter registros cronológicos e objetivos
- evitar termos vagos como “estável” sem parâmetros
- registrar horário, conduta e comunicação realizada
- usar linguagem profissional e clara
Um registro bem feito garante continuidade do cuidado e rastreabilidade clínica.

Dicas rápidas para reduzir erros de comunicação
Prepare-se antes de comunicar
Tenha sinais vitais, medicações e última evolução em mãos.
Use comunicação fechada (closed-loop)
Repita a orientação recebida para confirmar entendimento.
Exemplo:
“Então vou administrar o medicamento e reavaliar em 15 minutos, correto?”
Priorize o que é crítico
Alterações agudas e riscos devem vir primeiro.
Reduza interrupções
Faça passagem de plantão em horário e local definidos.
Padronize termos
Utilize escalas e protocolos institucionais.
Trilhas de estudo para aprofundar
Para organizar seus estudos em Enfermagem, explore conteúdos como:
Urgência e Emergência
https://cursa.app/cursos-gratuitos-online/urgencia-e-emergencia-em-enfermagem
Feridas e Curativos
https://cursa.app/cursos-gratuitos-online/feridas-e-curativos
UTI e Monitorização Hemodinâmica
https://cursa.app/cursos-gratuitos-online/uti-e-monitorizacao-hemodinamica
Conclusão
Comunicar bem é uma competência clínica essencial e treinável na Enfermagem. Ferramentas estruturadas como SBAR, roteiros padronizados de passagem de plantão e registros objetivos fortalecem a segurança do paciente, reduzem erros e melhoram a colaboração entre equipes. Quando a comunicação se torna uma rotina organizada, o cuidado ganha mais qualidade, eficiência e segurança no dia a dia assistencial.
























