Sensores de carga do motor na injeção eletrônica: MAP e MAF

Capítulo 3

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

O que é “carga do motor” e por que MAP/MAF são tão importantes

Na injeção eletrônica, “carga do motor” é uma forma de representar quanto ar o motor está realmente admitindo em cada momento. Quanto maior a massa de ar entrando, maior deve ser a quantidade de combustível injetada para manter a mistura correta. Por isso, MAP e MAF são sensores-chave: eles ajudam a ECU a estimar a massa de ar e, a partir disso, ajustar o tempo de injeção (largura de pulso dos bicos).

De modo prático: se a ECU “acha” que entrou mais ar, ela tende a aumentar o tempo de injeção; se “acha” que entrou menos ar, tende a reduzir. Erros de leitura ou ar não medido (vazamentos) geram sintomas como lenta irregular, falhas e consumo elevado.

MAP (Manifold Absolute Pressure): carga por pressão no coletor

Como o MAP ajuda a estimar a massa de ar

O MAP mede a pressão absoluta dentro do coletor de admissão. Em marcha lenta, a borboleta está pouco aberta e o motor “puxa” ar, criando vácuo (pressão baixa). Em aceleração/carga alta, a borboleta abre, o vácuo diminui e a pressão no coletor sobe, aproximando-se da pressão atmosférica.

Com o valor de pressão do MAP (e normalmente a temperatura do ar), a ECU estima a massa de ar que entra nos cilindros. Em geral:

  • Pressão baixa no coletor (vácuo alto) → menor carga → menor tempo de injeção.
  • Pressão alta no coletor (vácuo baixo) → maior carga → maior tempo de injeção.

Tipos e sinais típicos do MAP

O MAP automotivo mais comum é do tipo piezorresistivo e costuma ter 3 fios: alimentação (5V), sinal e terra. O sinal geralmente é tensão analógica.

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  • Em vácuo alto (lenta): tensão mais baixa (valores típicos aproximados podem ficar perto de 1,0–2,0 V, variando por veículo).
  • Em carga alta (aceleração): tensão mais alta (pode subir para 3,5–4,5 V, variando por veículo).

Alguns sistemas podem usar MAP integrado em outro conjunto (por exemplo, no corpo de borboleta) ou ter calibrações diferentes. O importante para iniciante é observar se o sinal muda de forma suave com aceleração e se faz sentido com a rotação e abertura da borboleta.

Efeito de vazamentos de vácuo em sistemas com MAP

Vazamento de vácuo é entrada de ar “extra” após a borboleta (mangueiras rachadas, juntas, servo-freio, PCV etc.). Em um sistema baseado em MAP, esse ar extra tende a aumentar a pressão no coletor (reduz o vácuo). A ECU interpreta como maior carga e pode aumentar o tempo de injeção, mas a resposta real depende da estratégia do veículo e da correção por sonda lambda. Sintomas comuns incluem lenta irregular, rotação oscilando e mistura fora do ideal em transientes (arrancadas/retomadas).

MAF (Mass Air Flow): carga por medição direta do fluxo de ar

Como o MAF influencia o tempo de injeção

O MAF mede diretamente a massa de ar que passa por ele antes do corpo de borboleta. Assim, a ECU pode calcular o combustível com base em “ar medido” (mais ar medido → mais tempo de injeção). Isso costuma dar boa precisão em várias condições, desde que não haja ar entrando por fora do sensor.

Tipo comum: MAF por fio quente (hot wire)

O MAF por fio quente mantém um elemento aquecido. Quando o ar passa, ele resfria o elemento; o circuito compensa aumentando corrente para manter a temperatura. Essa compensação é convertida em sinal para a ECU.

Sinais típicos do MAF

Dependendo do projeto, o MAF pode fornecer:

  • Tensão analógica (por exemplo, algo como ~0,8–1,5 V em lenta e subindo com a aceleração).
  • Frequência (Hz) proporcional ao fluxo de ar.
  • Valor digital em alguns sistemas mais modernos (via rede), mas para iniciante o foco é: o valor deve aumentar com a rotação e com a abertura da borboleta.

Em scanner, é comum ver MAF em g/s (gramas por segundo). O número exato varia muito por cilindrada e condição, então o mais importante é a coerência: em lenta deve ser baixo e estável; ao acelerar deve subir rapidamente e sem “buracos”.

Efeito de vazamentos e restrições em sistemas com MAF

  • Vazamento após o MAF (ar não medido): entra ar no motor sem passar pelo sensor. A ECU injeta combustível para o ar “medido”, mas o motor recebe mais ar do que o calculado → tendência a mistura pobre, lenta irregular, falhas e possível dificuldade de partida.
  • Restrição de admissão (filtro entupido, duto colapsado): reduz o ar que passa pelo MAF → o sensor mede menos ar e a ECU reduz o tempo de injeção. Pode causar perda de potência e resposta lenta ao acelerador.
  • MAF sujo/contaminado: pode subestimar ou superestimar o fluxo. Subestimar tende a empobrecer; superestimar tende a enriquecer (consumo alto, cheiro de combustível, marcha lenta pesada).

Comparando MAP x MAF na prática (o que observar)

AspectoMAPMAF
O que medePressão absoluta no coletorMassa/fluxo de ar na admissão
Como “enxerga” vazamento de vácuoAltera a pressão do coletor (muda o MAP)Ar pode entrar sem ser medido (pós-MAF)
Restrição na admissãoPode refletir indiretamente (mudança de carga/pressão)Geralmente reduz leitura de fluxo (mais direto)
Verificação básicaCoerência do sinal com rotação/TPS e estabilidade na lentaCoerência do g/s (ou V/Hz) com rotação/TPS e resposta em aceleração

Verificações de iniciante (passo a passo)

1) Inspeção visual de mangueiras, dutos e vedação

Objetivo: encontrar entrada falsa de ar e problemas óbvios antes de medir qualquer coisa.

  • Com o motor desligado, verifique mangueiras de vácuo (rachaduras, ressecamento, folgas em conexões).
  • Inspecione o duto entre filtro/MAF e corpo de borboleta: trincas, abraçadeiras frouxas, duto rasgado (muito comum em sanfonados).
  • Verifique mangueiras do servo-freio e válvula PCV (quando acessível) por folgas e ressecamento.
  • Procure sinais de vedação ruim em juntas acessíveis (coletor, corpo de borboleta): marcas de óleo/poeira “colada” podem indicar passagem de ar.

2) Checagem do filtro de ar e restrições

Objetivo: eliminar causa simples de perda de potência e leituras estranhas.

  • Abra a caixa do filtro e avalie se o elemento está muito escuro, deformado ou úmido.
  • Verifique se não há obstruções na entrada de ar (folhas, plástico, espuma solta).
  • Confirme se a tampa da caixa do filtro está bem encaixada (entrada de ar “por fora” pode bagunçar leituras, especialmente com MAF).

3) Conectores e chicote do MAP/MAF

Objetivo: evitar diagnóstico errado por mau contato.

  • Com ignição desligada, desconecte e reconecte o plugue do sensor; observe pinos tortos, oxidação, trava quebrada.
  • Verifique se o chicote não está tensionado, encostando em partes quentes ou com emendas mal feitas.
  • Se houver sujeira/óleo no conector, investigue a origem (vazamento de óleo pode contaminar dutos e afetar MAF).

4) Validação cruzada com rotação e TPS (sem “decorar” valores)

Objetivo: conferir se o sensor “conta a mesma história” que o motor está vivendo.

Usando um scanner simples (ou observando parâmetros disponíveis):

  • Em marcha lenta: TPS deve indicar borboleta pouco aberta; MAP deve indicar vácuo (pressão baixa) estável; MAF deve indicar fluxo baixo e relativamente estável.
  • Aceleração rápida (leve toque): TPS sobe rapidamente; MAP deve subir (pressão aumenta) e depois estabilizar; MAF deve subir rapidamente e acompanhar a rotação.
  • Se TPS sobe, mas MAP/MAF quase não mudam: suspeite de sensor com leitura travada, mau contato, restrição severa ou problema mecânico de admissão.
  • Se MAP/MAF mudam “demais” sem coerência com TPS/rotação: suspeite de vazamento de ar, duto solto, sensor contaminado ou referência/aterramento ruins.

5) Teste prático para suspeita de entrada falsa de ar (observacional)

Objetivo: perceber sinais típicos sem ferramentas avançadas.

  • Observe a lenta: oscilação, necessidade de acelerar para manter ligado e assobio na admissão sugerem vazamento.
  • Se o veículo usa MAF, confira se há qualquer abertura após o MAF (abraçadeira frouxa, duto rachado). Isso é uma das causas mais comuns de falha e lenta irregular.
  • Se usa MAP, verifique especialmente mangueira do MAP (quando o MAP é ligado por mangueira): rachaduras ou entupimento alteram a leitura.

Tabela orientativa: sintomas x causas prováveis (MAP/MAF, vazamentos e restrições)

SintomaCausas prováveis relacionadas a MAP/MAFO que checar primeiro (iniciante)
Lenta irregular / oscilandoEntrada falsa de ar (pós-MAF ou no coletor), mangueira do MAP rachada/solta, conector com mau contato, MAF sujo subestimando/oscilaçõesMangueiras e dutos (rachas/abraçadeiras), vedação da caixa do filtro, conectores
Falha ao acelerar / “buraco” na retomadaMAF com leitura lenta/contaminado, vazamento pós-MAF (mistura pobre), MAP com sinal intermitente, restrição de admissãoDuto pós-MAF, filtro de ar, conectores; validar se MAP/MAF reagem junto com TPS
Consumo altoMAF superestimando fluxo (injeta mais), MAP indicando carga alta por vazamento/erro de leitura, restrição causando compensações inadequadas, sensor com referência/terra ruinsFiltro de ar e dutos, conectores; observar coerência: carga indicada vs TPS/rotação
Cheiro de combustível / marcha lenta “pesada”MAF superestimando, MAP indicando pressão alta indevida, mau contato gerando leitura erradaConectores e chicote; inspeção do MAF (sujeira/óleo no duto)
Perda de potência em altaRestrição na admissão (filtro entupido/duto colapsado), MAF subestimando por sujeira, vazamento que piora com vibraçãoFiltro de ar, dutos e abraçadeiras; observar se MAF (g/s) sobe proporcionalmente à rotação
Dificuldade de partida (especialmente fria) e lenta ruimVazamento pós-MAF (ar não medido), MAP com mangueira solta/entupida, sinal instável por mau contatoInspeção de mangueiras/dutos, conectores do sensor, vedação da admissão

Dicas rápidas de interpretação (sem depender de números exatos)

  • MAP coerente: em lenta deve indicar “motor leve” (vácuo alto/pressão baixa) e subir quando você abre o acelerador.
  • MAF coerente: em lenta deve ser baixo e estável; ao acelerar, deve subir rápido e acompanhar a rotação.
  • Vazamento pós-MAF: costuma piorar lenta e transientes; procure primeiro trincas e abraçadeiras após o sensor.
  • Restrição de admissão: tende a limitar a subida do MAF e reduzir potência; filtro de ar é a checagem mais simples.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em um sistema com sensor MAF, qual situação tende a causar mistura pobre e lenta irregular por entrar ar que a ECU não contabiliza corretamente?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Quando há vazamento após o MAF, parte do ar entra sem passar pelo sensor. A ECU calcula o combustível com base no ar medido, mas o motor recebe mais ar, tendendo a mistura pobre, lenta irregular e falhas.

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Sensor TPS e corpo de borboleta: posição, resposta ao acelerador e falhas comuns

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