Sensor TPS e corpo de borboleta: posição, resposta ao acelerador e falhas comuns

Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

O que é o TPS e por que ele é tão importante

O TPS (Throttle Position Sensor) é o sensor que informa à ECU a posição da borboleta (abertura do acelerador). Na prática, ele traduz a intenção do motorista: “quero manter”, “quero acelerar”, “quero tirar o pé”. Essa informação é crítica porque a borboleta muda rápido, e a ECU precisa reagir rápido para manter o motor estável e responsivo.

Em muitos sistemas, o TPS trabalha junto com o corpo de borboleta (mecânico ou eletrônico) e ajuda a ECU a tomar decisões como:

  • Enriquecimento em transientes: quando você acelera de repente, o ar entra mais rápido do que o combustível conseguiria acompanhar apenas por correção lenta. A ECU usa a variação do TPS (velocidade de abertura) para adicionar combustível momentaneamente e evitar “buraco”.
  • Controle de marcha lenta: a ECU identifica quando o acelerador está “fechado” (posição mínima) e entra em estratégias de estabilização da lenta (por atuador de marcha lenta ou pela própria borboleta eletrônica).
  • Retomadas: ao voltar a acelerar após desaceleração, a ECU usa TPS para sair de estratégias de corte/baixa injeção e retomar torque com suavidade.

Onde fica e como funciona no corpo de borboleta

Corpo de borboleta mecânico (cabo)

No corpo mecânico, o pedal puxa um cabo que gira a borboleta. O TPS normalmente fica acoplado ao eixo da borboleta e funciona como um potenciômetro (um “resistor variável”): conforme a borboleta abre, a tensão do sinal muda de forma progressiva.

Valores típicos (podem variar por veículo):

  • Fechado: cerca de 0,4 a 0,8 V
  • Aberto: cerca de 4,0 a 4,8 V

A ECU observa não só a posição, mas também a mudança rápida (derivada) para enriquecer transientes.

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Borboleta eletrônica (drive-by-wire) e sensores duplos

Na borboleta eletrônica, o pedal não abre a borboleta diretamente. Há:

  • Sensor(es) no pedal (APP) informando o pedido do motorista.
  • Motor elétrico no corpo de borboleta para posicionar a lâmina.
  • Sensores de posição da borboleta (TPS) geralmente duplos (redundância).

Essa redundância existe por segurança: a ECU compara dois sinais (TPS1 e TPS2). Eles podem ser:

  • Dois sinais com curvas diferentes (um sobe enquanto o outro desce, ou sobem em escalas diferentes).
  • Dois sinais que sobem juntos, mas com faixas/ganhos distintos.

Se a correlação entre eles sair do esperado, a ECU pode limitar aceleração e entrar em modo de emergência (limp mode) para evitar aceleração indevida.

Como a ECU usa o TPS no dia a dia (situações práticas)

1) “Buraco” na aceleração (transiente)

Ao pisar rápido, a ECU detecta a abertura rápida do TPS e injeta um extra momentâneo. Se o TPS tiver falhas (pontos mortos, ruído, salto), a ECU “não enxerga” corretamente a intenção e o motor pode dar buraco, engasgar ou hesitar.

2) Marcha lenta e desaceleração

Com o acelerador fechado, a ECU precisa reconhecer com precisão a condição de “borboleta fechada” para estabilizar a lenta. Se o TPS indicar levemente aberto quando não está, a ECU pode:

  • Manter rotação mais alta do que o normal.
  • Oscilar a lenta tentando corrigir.
  • Ter dificuldade de “voltar” para a lenta após uma acelerada.

3) Retomadas suaves

Em retomadas, a ECU combina o pedido do motorista (TPS/APP) com a posição real da borboleta (em sistemas eletrônicos) para entregar torque. Se houver divergência, pode ocorrer hesitação ou limitação de potência.

Sintomas típicos de falhas no TPS/corpo de borboleta

  • Buracos na aceleração (principalmente em aceleração rápida).
  • Hesitação ao sair com o carro ou ao retomar.
  • Marcha lenta oscilando (sobe e desce), ou lenta alta.
  • Trancos em velocidade constante (sinal instável “balançando”).
  • Modo de emergência (limp mode) em borboleta eletrônica: aceleração limitada, resposta lenta, rotação limitada, luz de injeção acesa.

Observação importante: sintomas parecidos podem ter outras causas (entrada de ar falsa, combustível, ignição). O diferencial do TPS é que o problema costuma aparecer como inconsistência de posição ou variação não linear do sinal.

Testes práticos com scanner (passo a passo)

O scanner é a forma mais segura e rápida de avaliar se a ECU está recebendo um sinal coerente. Procure parâmetros como Throttle Position, TPS %, Throttle Angle, APP % (pedal) e, em borboleta eletrônica, TPS1/TPS2 ou Throttle Pos Sensor 1/2.

Passo a passo: leitura de TPS em %/ângulo

  • 1) Chave ligada, motor desligado: observe o valor em repouso. Em muitos carros, aparece algo como 0–5% (ou alguns graus). O importante é ser estável.
  • 2) Acelere bem devagar até o máximo: o valor deve subir de forma progressiva, sem saltos.
  • 3) Retorne devagar até fechar: deve descer de forma progressiva, sem “pular” ou ficar preso em um valor.
  • 4) Faça pequenas aberturas (toques leves): o scanner deve responder rápido, sem atraso.
  • 5) Em borboleta eletrônica: compare pedido do pedal (APP) com posição real da borboleta (TPS). Em aceleração leve, os dois devem ser coerentes (não necessariamente iguais, mas sem discrepâncias absurdas).

O que é sinal de problema no scanner

  • Oscilação do TPS parado (sem mexer no pedal).
  • Saltos (ex.: de 12% para 25% e volta) durante movimento suave.
  • Valor travado (não muda) ou muda muito pouco.
  • Incoerência TPS1 x TPS2 (quando o scanner mostra ambos): divergência fora do padrão do veículo.
  • Códigos de falha relacionados a correlação/posição da borboleta (comuns em borboleta eletrônica). O código exato varia, mas a lógica é “sinal fora de faixa” ou “correlação incorreta”.

Verificações básicas com multímetro (sem procedimentos arriscados)

O objetivo aqui é verificar se o sinal do TPS varia de forma suave e contínua. Em TPS do tipo potenciômetro, falhas comuns são pontos mortos na trilha resistiva, gerando “buracos” na tensão.

Antes de medir

  • Se possível, use um esquema elétrico ou identificação de pinos para não confundir 5V de referência, terra e sinal.
  • Evite “enfiar” pontas de prova que alarguem terminais. Prefira pontas finas apropriadas.
  • Não force a borboleta eletrônica com a mão (em muitos modelos isso pode danificar engrenagens ou descalibrar).

Passo a passo: teste de variação de tensão (TPS potenciômetro)

  • 1) Chave ligada (motor pode ficar desligado).
  • 2) Meça a referência: entre pino de 5V e terra deve haver aproximadamente 5 V.
  • 3) Meça o sinal: entre pino de sinal e terra, observe a tensão com a borboleta fechada.
  • 4) Abra a borboleta lentamente (em corpo mecânico, pelo acionamento do cabo): a tensão deve subir de forma linear e suave até próximo de 4–5 V.
  • 5) Procure falhas: qualquer “pulo”, queda repentina, ou região em que a tensão não muda indica possível desgaste/defeito.

Em borboleta eletrônica com sensores duplos, a medição direta por multímetro pode ser menos prática sem diagrama e sem acesso fácil. Nesses casos, o scanner costuma ser a melhor primeira ferramenta para ver correlação e estabilidade.

Cuidados com limpeza do corpo de borboleta

Sujeira e verniz no corpo de borboleta podem causar lenta irregular, sensação de “presa” ao retornar e resposta inconsistente, principalmente quando a borboleta trabalha muito próxima do fechamento.

Boas práticas (seguras) de limpeza

  • Use produto apropriado para corpo de borboleta (limpador específico). Evite solventes agressivos sem orientação.
  • Não encharque conectores e não direcione jatos para dentro de componentes eletrônicos.
  • Limpe a borda da borboleta e o duto com pano macio, removendo a crosta onde a lâmina encosta.
  • Após limpeza, alguns veículos precisam de procedimento de reaprendizado de marcha lenta/borboleta (via scanner ou rotina do fabricante). Se não for feito quando necessário, pode haver lenta alta ou oscilação.

Riscos de desmontagem inadequada

  • Desregular batente da borboleta (parafuso de batente) pode alterar a posição mínima e confundir a ECU.
  • Danos em engrenagens e motor (borboleta eletrônica) ao forçar manualmente.
  • Entrada de ar falsa por junta mal assentada após remoção, gerando sintomas parecidos com TPS defeituoso.
  • Quebra de travas e conectores do chicote, causando falhas intermitentes difíceis de diagnosticar.

Checklist rápido de diagnóstico (TPS e corpo de borboleta)

SintomaO que observar no scannerVerificação básica
Buraco/engasgo ao acelerarTPS com saltos ou atraso; APP sobe mas TPS não acompanha (eletrônica)Multímetro: variação de tensão com falhas/pontos mortos (mecânica)
Marcha lenta oscilandoTPS instável em repouso; ângulo mínimo variandoInspecionar sujeira no corpo; checar conectores e aterramento
Hesitação em retomadaIncoerência entre APP e TPS; TPS1/TPS2 fora de correlaçãoChecar chicote, conectores, sinais estáveis; possível necessidade de reaprendizado após limpeza
Limp mode (borboleta eletrônica)Falhas de correlação TPS1/TPS2; posição limitadaVerificar alimentação 5V/terra, conectores; evitar desmontagens sem procedimento

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em um sistema com borboleta eletrônica (drive-by-wire), qual é o principal objetivo de usar dois sinais de TPS (TPS1 e TPS2) e como a ECU reage quando eles não se correlacionam como esperado?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Na borboleta eletrônica, dois TPS são usados para redundância e verificação de coerência. Se a correlação entre TPS1 e TPS2 sair do esperado, a ECU pode reduzir a resposta do acelerador e entrar em limp mode para evitar aceleração indevida.

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