O que é o TPS e por que ele é tão importante
O TPS (Throttle Position Sensor) é o sensor que informa à ECU a posição da borboleta (abertura do acelerador). Na prática, ele traduz a intenção do motorista: “quero manter”, “quero acelerar”, “quero tirar o pé”. Essa informação é crítica porque a borboleta muda rápido, e a ECU precisa reagir rápido para manter o motor estável e responsivo.
Em muitos sistemas, o TPS trabalha junto com o corpo de borboleta (mecânico ou eletrônico) e ajuda a ECU a tomar decisões como:
- Enriquecimento em transientes: quando você acelera de repente, o ar entra mais rápido do que o combustível conseguiria acompanhar apenas por correção lenta. A ECU usa a variação do TPS (velocidade de abertura) para adicionar combustível momentaneamente e evitar “buraco”.
- Controle de marcha lenta: a ECU identifica quando o acelerador está “fechado” (posição mínima) e entra em estratégias de estabilização da lenta (por atuador de marcha lenta ou pela própria borboleta eletrônica).
- Retomadas: ao voltar a acelerar após desaceleração, a ECU usa TPS para sair de estratégias de corte/baixa injeção e retomar torque com suavidade.
Onde fica e como funciona no corpo de borboleta
Corpo de borboleta mecânico (cabo)
No corpo mecânico, o pedal puxa um cabo que gira a borboleta. O TPS normalmente fica acoplado ao eixo da borboleta e funciona como um potenciômetro (um “resistor variável”): conforme a borboleta abre, a tensão do sinal muda de forma progressiva.
Valores típicos (podem variar por veículo):
- Fechado: cerca de
0,4 a 0,8 V - Aberto: cerca de
4,0 a 4,8 V
A ECU observa não só a posição, mas também a mudança rápida (derivada) para enriquecer transientes.
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Borboleta eletrônica (drive-by-wire) e sensores duplos
Na borboleta eletrônica, o pedal não abre a borboleta diretamente. Há:
- Sensor(es) no pedal (APP) informando o pedido do motorista.
- Motor elétrico no corpo de borboleta para posicionar a lâmina.
- Sensores de posição da borboleta (TPS) geralmente duplos (redundância).
Essa redundância existe por segurança: a ECU compara dois sinais (TPS1 e TPS2). Eles podem ser:
- Dois sinais com curvas diferentes (um sobe enquanto o outro desce, ou sobem em escalas diferentes).
- Dois sinais que sobem juntos, mas com faixas/ganhos distintos.
Se a correlação entre eles sair do esperado, a ECU pode limitar aceleração e entrar em modo de emergência (limp mode) para evitar aceleração indevida.
Como a ECU usa o TPS no dia a dia (situações práticas)
1) “Buraco” na aceleração (transiente)
Ao pisar rápido, a ECU detecta a abertura rápida do TPS e injeta um extra momentâneo. Se o TPS tiver falhas (pontos mortos, ruído, salto), a ECU “não enxerga” corretamente a intenção e o motor pode dar buraco, engasgar ou hesitar.
2) Marcha lenta e desaceleração
Com o acelerador fechado, a ECU precisa reconhecer com precisão a condição de “borboleta fechada” para estabilizar a lenta. Se o TPS indicar levemente aberto quando não está, a ECU pode:
- Manter rotação mais alta do que o normal.
- Oscilar a lenta tentando corrigir.
- Ter dificuldade de “voltar” para a lenta após uma acelerada.
3) Retomadas suaves
Em retomadas, a ECU combina o pedido do motorista (TPS/APP) com a posição real da borboleta (em sistemas eletrônicos) para entregar torque. Se houver divergência, pode ocorrer hesitação ou limitação de potência.
Sintomas típicos de falhas no TPS/corpo de borboleta
- Buracos na aceleração (principalmente em aceleração rápida).
- Hesitação ao sair com o carro ou ao retomar.
- Marcha lenta oscilando (sobe e desce), ou lenta alta.
- Trancos em velocidade constante (sinal instável “balançando”).
- Modo de emergência (limp mode) em borboleta eletrônica: aceleração limitada, resposta lenta, rotação limitada, luz de injeção acesa.
Observação importante: sintomas parecidos podem ter outras causas (entrada de ar falsa, combustível, ignição). O diferencial do TPS é que o problema costuma aparecer como inconsistência de posição ou variação não linear do sinal.
Testes práticos com scanner (passo a passo)
O scanner é a forma mais segura e rápida de avaliar se a ECU está recebendo um sinal coerente. Procure parâmetros como Throttle Position, TPS %, Throttle Angle, APP % (pedal) e, em borboleta eletrônica, TPS1/TPS2 ou Throttle Pos Sensor 1/2.
Passo a passo: leitura de TPS em %/ângulo
- 1) Chave ligada, motor desligado: observe o valor em repouso. Em muitos carros, aparece algo como
0–5%(ou alguns graus). O importante é ser estável. - 2) Acelere bem devagar até o máximo: o valor deve subir de forma progressiva, sem saltos.
- 3) Retorne devagar até fechar: deve descer de forma progressiva, sem “pular” ou ficar preso em um valor.
- 4) Faça pequenas aberturas (toques leves): o scanner deve responder rápido, sem atraso.
- 5) Em borboleta eletrônica: compare pedido do pedal (APP) com posição real da borboleta (TPS). Em aceleração leve, os dois devem ser coerentes (não necessariamente iguais, mas sem discrepâncias absurdas).
O que é sinal de problema no scanner
- Oscilação do TPS parado (sem mexer no pedal).
- Saltos (ex.: de 12% para 25% e volta) durante movimento suave.
- Valor travado (não muda) ou muda muito pouco.
- Incoerência TPS1 x TPS2 (quando o scanner mostra ambos): divergência fora do padrão do veículo.
- Códigos de falha relacionados a correlação/posição da borboleta (comuns em borboleta eletrônica). O código exato varia, mas a lógica é “sinal fora de faixa” ou “correlação incorreta”.
Verificações básicas com multímetro (sem procedimentos arriscados)
O objetivo aqui é verificar se o sinal do TPS varia de forma suave e contínua. Em TPS do tipo potenciômetro, falhas comuns são pontos mortos na trilha resistiva, gerando “buracos” na tensão.
Antes de medir
- Se possível, use um esquema elétrico ou identificação de pinos para não confundir 5V de referência, terra e sinal.
- Evite “enfiar” pontas de prova que alarguem terminais. Prefira pontas finas apropriadas.
- Não force a borboleta eletrônica com a mão (em muitos modelos isso pode danificar engrenagens ou descalibrar).
Passo a passo: teste de variação de tensão (TPS potenciômetro)
- 1) Chave ligada (motor pode ficar desligado).
- 2) Meça a referência: entre pino de 5V e terra deve haver aproximadamente
5 V. - 3) Meça o sinal: entre pino de sinal e terra, observe a tensão com a borboleta fechada.
- 4) Abra a borboleta lentamente (em corpo mecânico, pelo acionamento do cabo): a tensão deve subir de forma linear e suave até próximo de
4–5 V. - 5) Procure falhas: qualquer “pulo”, queda repentina, ou região em que a tensão não muda indica possível desgaste/defeito.
Em borboleta eletrônica com sensores duplos, a medição direta por multímetro pode ser menos prática sem diagrama e sem acesso fácil. Nesses casos, o scanner costuma ser a melhor primeira ferramenta para ver correlação e estabilidade.
Cuidados com limpeza do corpo de borboleta
Sujeira e verniz no corpo de borboleta podem causar lenta irregular, sensação de “presa” ao retornar e resposta inconsistente, principalmente quando a borboleta trabalha muito próxima do fechamento.
Boas práticas (seguras) de limpeza
- Use produto apropriado para corpo de borboleta (limpador específico). Evite solventes agressivos sem orientação.
- Não encharque conectores e não direcione jatos para dentro de componentes eletrônicos.
- Limpe a borda da borboleta e o duto com pano macio, removendo a crosta onde a lâmina encosta.
- Após limpeza, alguns veículos precisam de procedimento de reaprendizado de marcha lenta/borboleta (via scanner ou rotina do fabricante). Se não for feito quando necessário, pode haver lenta alta ou oscilação.
Riscos de desmontagem inadequada
- Desregular batente da borboleta (parafuso de batente) pode alterar a posição mínima e confundir a ECU.
- Danos em engrenagens e motor (borboleta eletrônica) ao forçar manualmente.
- Entrada de ar falsa por junta mal assentada após remoção, gerando sintomas parecidos com TPS defeituoso.
- Quebra de travas e conectores do chicote, causando falhas intermitentes difíceis de diagnosticar.
Checklist rápido de diagnóstico (TPS e corpo de borboleta)
| Sintoma | O que observar no scanner | Verificação básica |
|---|---|---|
| Buraco/engasgo ao acelerar | TPS com saltos ou atraso; APP sobe mas TPS não acompanha (eletrônica) | Multímetro: variação de tensão com falhas/pontos mortos (mecânica) |
| Marcha lenta oscilando | TPS instável em repouso; ângulo mínimo variando | Inspecionar sujeira no corpo; checar conectores e aterramento |
| Hesitação em retomada | Incoerência entre APP e TPS; TPS1/TPS2 fora de correlação | Checar chicote, conectores, sinais estáveis; possível necessidade de reaprendizado após limpeza |
| Limp mode (borboleta eletrônica) | Falhas de correlação TPS1/TPS2; posição limitada | Verificar alimentação 5V/terra, conectores; evitar desmontagens sem procedimento |