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Engenheiro de Segurança do Trabalho - Concurso Caixa Econômica Federal

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14 páginas

Segurança e Higiene do Trabalho aplicada ao Engenheiro de Segurança do Trabalho (Concurso Caixa)

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

+ Exercício

Conceitos centrais em Segurança e Higiene do Trabalho

Segurança do Trabalho é o conjunto de ações voltadas a prevenir eventos indesejados (incidentes e acidentes) por meio do controle de perigos e riscos presentes nas atividades. Na prática do Engenheiro de Segurança, aparece em inspeções, análise de tarefas, verificação de proteções de máquinas, permissões de trabalho e auditorias de conformidade.

Higiene Ocupacional foca na antecipação, reconhecimento, avaliação e controle de agentes ambientais (físicos, químicos e biológicos) que podem causar adoecimento. Na prática, envolve caracterização de exposição, definição de estratégia de amostragem, interpretação de resultados e recomendação de controles.

Terminologia que cai em prova: perigo, risco, incidente e acidente

  • Perigo: fonte, situação ou ato com potencial de causar dano. Exemplo: parte móvel exposta de uma máquina; solvente inflamável; ruído elevado.
  • Risco: combinação entre a probabilidade de ocorrência e a severidade do dano associado ao perigo, considerando a exposição. Exemplo: risco de amputação ao operar máquina sem proteção e com acesso frequente à zona de perigo.
  • Incidente: evento relacionado ao trabalho que poderia ter causado dano, mas não causou (quase acidente) ou causou apenas perdas menores. Exemplo: queda de ferramenta de altura sem atingir ninguém; disparo de disjuntor por sobrecarga sem lesão.
  • Acidente: evento que resulta em lesão, adoecimento, dano material ou fatalidade. Exemplo: choque elétrico com queimadura; intoxicação por solvente; queda com fratura.

Ponto de auditoria: em relatórios e em questões de concurso, é comum a banca testar se o candidato confunde “perigo” (o que pode causar dano) com “risco” (o quão provável e grave é o dano, dado o contexto). Em inspeção, descreva primeiro o perigo e depois qualifique o risco (exposição, frequência, severidade).

Agentes de risco e condições ambientais de trabalho

Agentes físicos

São formas de energia que, em determinadas intensidades e tempos de exposição, podem causar danos. Em cenários típicos de uma instituição financeira e seus serviços associados (agências, centrais, manutenção predial, logística), aparecem em salas de máquinas, geradores, obras e manutenção.

  • Ruído: pode levar a perda auditiva e efeitos extra-auditivos. Exemplo prático: casa de máquinas de ar-condicionado, geradores, manutenção com ferramentas elétricas.
  • Vibração: comum em ferramentas portáteis e equipamentos de manutenção. Exemplo: martelete em obra de adequação.
  • Calor e frio: exposição em áreas externas, telhados, salas de servidores com falhas de climatização, câmaras frias em logística terceirizada.
  • Radiações ionizantes e não ionizantes: ionizantes são mais específicas (ex.: inspeções com fontes), não ionizantes podem aparecer em solda, manutenção, antenas e lasers de alinhamento.
  • Iluminação: condição ambiental relevante para conforto, erros operacionais e segurança em rotas de fuga.

Agentes químicos

Substâncias que podem entrar no organismo por inalação, pele ou ingestão acidental. Em inspeções, o Engenheiro deve observar produto, forma de uso, ventilação, armazenamento, FISPQ e compatibilidade química.

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  • Vapores e solventes: limpeza pesada, manutenção, colas e tintas em reformas. Exemplo: uso de thinner em área sem exaustão.
  • Poeiras: obras (cimento, sílica), lixamento e corte. Exemplo: corte de alvenaria sem controle de poeira.
  • Névoas e fumos metálicos: soldagem e processos térmicos em manutenção predial.
  • Produtos de limpeza: hipoclorito, desengraxantes, ácidos; risco por mistura incompatível (ex.: hipoclorito + ácido liberando gás irritante).

Agentes biológicos

Microrganismos e materiais biológicos capazes de causar infecções, alergias e outras doenças. Em ambientes administrativos, o foco costuma ser limpeza, sanitários, resíduos, controle de pragas e manutenção de sistemas de climatização. Em atividades terceirizadas (limpeza, coleta, manutenção), a exposição pode ser mais direta.

  • Vírus e bactérias: contato com superfícies, atendimento ao público, ambientes fechados com ventilação inadequada.
  • Fungos: mofo por infiltração, dutos e bandejas de condensado mal mantidos.
  • Resíduos: coleta e segregação inadequadas, perfurocortantes em serviços de saúde ocupacional terceirizados.

Condições ambientais e organizacionais que influenciam o risco

  • Ventilação: natural, mecânica, exaustão local; influencia exposição a químicos e conforto térmico.
  • Layout e circulação: rotas de fuga, áreas de armazenamento, risco de quedas e colisões.
  • Ordem e limpeza: derramamentos, cabos soltos, materiais em passagem.
  • Jornada, pausas e ritmo: fadiga aumenta probabilidade de erro e incidentes.
  • Terceirização: falhas de integração, permissões de trabalho e controle de mudanças.

Reconhecimento de riscos: como o Engenheiro atua em inspeção e auditoria

Em concursos, “reconhecimento” costuma ser cobrado como a etapa em que se identifica o agente, a fonte, a via de exposição e os trabalhadores expostos, antes de medir. Em auditorias, o reconhecimento também inclui verificar evidências documentais e práticas (o que está escrito versus o que é feito).

Passo a passo prático de reconhecimento de riscos (roteiro de campo)

  • 1) Preparar a inspeção: levantar processos, plantas, inventário de máquinas, produtos químicos (lista e FISPQ), histórico de incidentes e mudanças recentes (reforma, troca de equipamento, novo terceirizado).
  • 2) Definir o escopo e as áreas críticas: áreas com energia (elétrica, mecânica), altura, espaços confinados (quando aplicável), casa de máquinas, armazenamento de químicos, docas e obras.
  • 3) Observar a tarefa real: acompanhar o trabalho como executado, não apenas como descrito. Registrar etapas, ferramentas, posturas, improvisos e interferências.
  • 4) Identificar perigos: listar fontes de dano (partes móveis, eletricidade, superfícies quentes, produtos químicos, agentes biológicos, ruído, queda de altura, queda ao mesmo nível).
  • 5) Caracterizar exposição: quem se expõe, por quanto tempo, com que frequência, em quais condições (pico de uso, manutenção, limpeza, emergência).
  • 6) Verificar controles existentes: proteções físicas, enclausuramento, ventilação, procedimentos, sinalização, treinamento, permissões de trabalho, EPI (tipo, CA, uso correto).
  • 7) Coletar evidências: fotos (quando permitido), checklists, entrevistas rápidas, registros de manutenção, calibração, inspeções legais, ordens de serviço.
  • 8) Classificar e priorizar: usar matriz de risco ou critério interno (probabilidade x severidade) e destacar riscos intoleráveis ou não conformidades críticas.
  • 9) Planejar avaliação quantitativa (quando necessário): definir se haverá medições (dosimetria de ruído, amostragem de poeira, avaliação de calor), estratégia e representatividade.

Métodos comuns de reconhecimento e avaliação (como aparecem em prova)

  • Inspeção de segurança: verificação sistemática de condições e atos. Exemplo: checklist em casa de máquinas (proteções, sinalização, bloqueio/etiquetagem, extintores, ventilação).
  • Análise Preliminar de Riscos (APR): identifica perigos por etapa da tarefa e define controles. Exemplo: APR para troca de luminárias em altura.
  • Análise de tarefa (JSA/AST): detalha passos, perigos e controles por passo. Exemplo: manutenção em quadro elétrico com desenergização e teste de ausência de tensão.
  • Investigação de incidentes: busca causas imediatas e básicas (falhas de barreiras, treinamento, supervisão, manutenção). Exemplo: quase queda por piso molhado sem isolamento.
  • Avaliação ambiental: medições e comparação com critérios de referência (limites e padrões internos). Exemplo: ruído em sala de geradores e recomendação de enclausuramento.

Critérios de aceitabilidade: quando o risco é tolerável?

Critério de aceitabilidade é a regra usada para decidir se um risco pode permanecer como está, se precisa de melhoria ou se é inaceitável (exigindo ação imediata). Em auditoria, a banca costuma explorar a ideia de que aceitabilidade depende de critérios definidos e evidência, não de opinião.

Formas práticas de definir aceitabilidade

  • Matriz de risco: combina probabilidade e severidade e define faixas (aceitável, tolerável com controle, inaceitável). Exemplo: trabalho em altura sem ancoragem tende a cair em faixa inaceitável.
  • Comparação com limites de exposição: para higiene ocupacional, resultados de medições são comparados a valores de referência adotados (normas e critérios internos). Exemplo: ruído acima do limite exige plano de controle e gestão de proteção auditiva.
  • Conformidade legal e normativa: não conformidades críticas (ex.: ausência de proteção em máquina, falta de bloqueio, armazenamento incompatível de químicos) podem ser tratadas como inaceitáveis independentemente de “baixa frequência”.
  • Princípio ALARP: reduzir o risco “tanto quanto razoavelmente praticável”, priorizando controles mais eficazes e justificando tecnicamente quando não for possível reduzir mais.

Medidas de controle: hierarquia e exemplos aplicados

Em provas, a hierarquia de controles é recorrente: eliminação e substituição são preferíveis a controles administrativos e EPI. Em inspeções, o Engenheiro deve propor medidas seguindo essa lógica e justificar tecnicamente.

1) Eliminação

Remove o perigo do processo.

  • Exemplo: eliminar a necessidade de acesso ao telhado para leitura de medidores, adotando telemetria.
  • Exemplo: retirar equipamento obsoleto com partes móveis expostas, desativando-o formalmente.

2) Substituição

Troca por alternativa menos perigosa.

  • Exemplo: substituir solvente orgânico por produto base água em limpeza/manutenção.
  • Exemplo: substituir processo de corte a seco por corte úmido para reduzir poeira.

3) Controles de engenharia

Isolam pessoas do perigo por meio de soluções físicas.

  • Proteções e enclausuramento: carenagens, intertravamentos, barreiras físicas em máquinas.
  • Ventilação/exaustão: exaustão local para fumos de solda; ventilação mecânica em sala de baterias.
  • Automação: reduzir intervenção manual em zonas perigosas.
  • Tratamento acústico: enclausurar geradores, instalar barreiras e absorvedores para reduzir ruído.

4) Controles administrativos

Reduzem a exposição por regras, organização e gestão.

  • Procedimentos e permissões: Permissão de Trabalho para atividades críticas (altura, energia, espaço confinado quando aplicável).
  • Treinamento e capacitação: foco em tarefa crítica e evidência de competência.
  • Sinalização e isolamento: áreas molhadas, manutenção em andamento, rotas de circulação.
  • Rodízio e pausas: reduzir tempo de exposição a ruído/calor, quando engenharia não resolve de imediato.
  • Gestão de contratadas: integração, fiscalização, requisitos de EPI, documentação e supervisão.

5) Equipamentos de Proteção Individual (EPI)

Última barreira, depende de seleção correta, treinamento, ajuste, conservação e uso consistente.

  • Exemplo: protetor auditivo adequado ao nível de ruído, com orientação de colocação e higienização.
  • Exemplo: luvas compatíveis com o agente químico (não basta “luva de borracha” sem verificar permeação).
  • Exemplo: respirador com filtro correto para poeiras ou vapores, com vedação e troca programada.

Passo a passo prático para propor controles em relatório de inspeção

  • 1) Descrever o achado: local, atividade, evidência observada.
  • 2) Identificar o perigo e o dano potencial: linguagem objetiva (ex.: “parte móvel exposta com risco de aprisionamento”).
  • 3) Estimar o risco: considerar frequência de acesso, número de expostos, severidade.
  • 4) Indicar controles pela hierarquia: começar por eliminação/substituição, depois engenharia, administrativas e EPI.
  • 5) Definir responsável e prazo: curto para risco crítico; médio para melhorias estruturais.
  • 6) Definir como verificar eficácia: reinspeção, medição, teste funcional, evidência documental.

Questões comentadas (estilo banca): vocabulário e situações-problema

Questão 1

Durante inspeção, o Engenheiro observa que um trabalhador realiza limpeza com solvente inflamável em sala pequena, sem ventilação mecânica, e sem exaustão local. O frasco está aberto e há odor intenso. Assinale a alternativa que melhor descreve perigo e risco nessa situação.

  • A) Perigo: intoxicação; Risco: solvente inflamável.
  • B) Perigo: solvente inflamável e seus vapores; Risco: probabilidade e severidade de intoxicação e/ou incêndio devido à exposição em ambiente sem ventilação.
  • C) Perigo: sala pequena; Risco: odor intenso.
  • D) Perigo: ausência de EPI; Risco: frasco aberto.

Gabarito: B. Comentário: “Perigo” é a fonte com potencial de dano (solvente e vapores inflamáveis/tóxicos). “Risco” é a combinação de chance e gravidade do dano, que aumenta pela falta de ventilação, frasco aberto e exposição direta.

Questão 2

Em auditoria, foi registrado um evento em que uma chave de fenda caiu de uma escada durante manutenção, atingindo o chão sem ferir ninguém. Classifique corretamente o evento.

  • A) Acidente típico com lesão.
  • B) Doença ocupacional.
  • C) Incidente (quase acidente).
  • D) Perigo.

Gabarito: C. Comentário: Houve um evento com potencial de causar dano (queda de objeto), mas sem lesão. Isso caracteriza incidente/quase acidente, útil para ações preventivas.

Questão 3

Ao propor medidas para reduzir exposição a poeira durante corte de alvenaria, o Engenheiro sugere: (1) substituir corte a seco por corte úmido; (2) instalar exaustão local; (3) implementar rodízio; (4) fornecer respirador PFF2. A ordem apresentada corresponde, respectivamente, a quais níveis da hierarquia de controle?

  • A) Eliminação; Substituição; EPI; Administrativo.
  • B) Substituição; Engenharia; Administrativo; EPI.
  • C) Engenharia; Administrativo; Substituição; EPI.
  • D) Substituição; Administrativo; Engenharia; EPI.

Gabarito: B. Comentário: Corte úmido reduz geração de poeira (substituição/mudança de método para alternativa menos agressiva). Exaustão é controle de engenharia. Rodízio é administrativo. Respirador é EPI.

Questão 4

Em uma matriz de risco, uma atividade apresenta severidade alta e probabilidade moderada, sendo classificada como “inaceitável”. Qual conduta é mais alinhada a critérios de aceitabilidade em auditoria?

  • A) Manter a atividade e reforçar apenas o uso de EPI, pois é a medida mais rápida.
  • B) Suspender ou bloquear a atividade até implementação de controles que reduzam o risco a nível tolerável/aceitável, priorizando medidas de engenharia e eliminação/substituição quando possível.
  • C) Registrar como “observação” e reavaliar no próximo ciclo anual.
  • D) Reduzir a severidade no formulário para adequar ao padrão do setor.

Gabarito: B. Comentário: Se o critério define “inaceitável”, a gestão deve agir imediatamente: interromper, controlar e só retomar com barreiras eficazes. EPI isolado raramente é suficiente para reclassificar risco alto.

Questão 5

Em inspeção de climatização, identifica-se bandeja de condensado com acúmulo de água e presença de biofilme, além de odor de mofo em ambiente fechado. Qual agente e qual medida inicial são mais coerentes?

  • A) Agente físico; aumentar iluminação.
  • B) Agente biológico; realizar limpeza e manutenção do sistema, corrigindo drenagem e rotina de higienização.
  • C) Agente químico; substituir o ar-condicionado por ventilador.
  • D) Agente ergonômico; implementar ginástica laboral.

Gabarito: B. Comentário: Mofo e biofilme indicam risco biológico (fungos e bactérias). A ação inicial é saneamento do sistema (limpeza, drenagem, manutenção), além de avaliar ventilação e condições de umidade.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Durante uma inspeção, ao relatar um achado, qual sequência de abordagem é a mais adequada para evitar confundir “perigo” com “risco”?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O perigo é a fonte/situação com potencial de dano. O risco é a combinação de probabilidade e severidade, influenciada pela exposição (frequência e condições). Em inspeção, registra-se primeiro o perigo e depois se estima o risco.

Próximo capitúlo

Análise e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais para Engenheiro de Segurança do Trabalho (Caixa)

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