O que é ICP (Ideal Customer Profile) no B2B online
ICP (Perfil de Cliente Ideal) é a definição objetiva do tipo de empresa que tem maior probabilidade de comprar de você com boa margem, baixa fricção operacional e alta chance de recompra. No B2B online, o ICP não serve apenas para marketing: ele vira regra de atendimento e de jornada (catálogo com compra direta, cotação assistida ou proposta consultiva).
Um ICP bem feito combina três camadas: (1) Fit (aderência ao que você vende e ao seu modelo de operação), (2) Value (potencial de receita e recorrência) e (3) Friction/Risk (complexidade de aprovação, fiscal, prazo, crédito e logística). A conversão aumenta quando você direciona cada perfil para o caminho certo, evitando forçar compra direta onde o cliente precisa de negociação, e evitando atendimento consultivo onde o cliente só quer reposição rápida.
Dimensões de segmentação que mais impactam conversão no B2B online
1) Setor e atividade (CNAE)
Setor define necessidades, linguagem, padrões de compra e exigências fiscais. Use CNAE para identificar empresas com alta probabilidade de consumo do seu mix e para evitar segmentos com baixa aderência.
- Exemplo: se você vende EPI, CNAEs de construção, indústria e logística tendem a ter consumo recorrente e urgência; já escritórios podem ter demanda menor e mais esporádica.
2) Porte (faturamento, número de funcionários, número de unidades)
Porte influencia ticket, frequência, exigência de cadastro e nível de aprovação. Em geral, empresas maiores têm maior volume, mas também mais etapas (compras, financeiro, compliance).
- Exemplo prático: pequenas empresas podem comprar pelo catálogo com pagamento imediato; grandes contas podem exigir homologação, contrato e faturamento.
3) Região (UF, cidade, raio logístico)
Região impacta prazo, frete, impostos (ICMS, substituição tributária), disponibilidade de entrega e viabilidade de SLA. A conversão cai quando o prazo prometido não é realista para a região.
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4) Maturidade de compras
Maturidade é o quão estruturado é o processo de compras: desde “o dono compra” até “compras centralizado com políticas e ERP”. Quanto maior a maturidade, maior a necessidade de cotação formal, documentação e previsibilidade.
5) Frequência de reposição
Reposição recorrente favorece catálogo e automação (recompra, listas, assinaturas/rotinas). Compra eventual tende a exigir mais explicação e suporte.
6) Sensibilidade a prazo (urgência e SLA)
Alguns segmentos compram por urgência (parada de linha, obra, manutenção). Nesses casos, disponibilidade e prazo valem mais do que desconto — e o canal precisa refletir isso (estoque visível, entrega clara, atendimento rápido).
7) Exigências fiscais e de cadastro
Algumas empresas exigem: inscrição estadual, retenções, NCM correto, CFOP, substituição tributária, emissão para filiais, centro de custo, pedido com referência, anexos. Se isso for comum no seu ICP, o fluxo precisa suportar.
8) Complexidade de aprovação
Quantas pessoas aprovam? Existe limite por alçada? Precisa de 3 cotações? Precisa de contrato? Quanto maior a complexidade, mais sentido faz cotação/proposta e acompanhamento.
Passo a passo para definir ICP e segmentação orientados a vendas online
Passo 1 — Liste seus “melhores clientes” e “piores clientes” (com critérios operacionais)
Separe 20–50 contas reais (ou leads recentes) e classifique em dois grupos: (a) alta margem + baixa dor operacional + recompra; (b) baixa margem + alta dor operacional + alto retrabalho/inadimplência. O objetivo é encontrar padrões mensuráveis.
- Critérios para “melhores”: compra recorrente, baixo índice de devolução, pagamento em dia, poucos ajustes fiscais, ticket médio saudável, baixa necessidade de negociação.
- Critérios para “piores”: sempre pede desconto, exige prazo longo sem histórico, alto risco de crédito, pedidos com muitos erros de cadastro, solicitações fiscais complexas sem volume correspondente, alto custo de atendimento.
Passo 2 — Transforme padrões em atributos de ICP (fit, value, friction/risk)
Crie uma ficha de ICP com campos objetivos. Exemplo de estrutura:
| Dimensão | Campo | Como medir | Faixa ideal |
|---|---|---|---|
| Fit | CNAE/Setor | CNAE principal + palavras-chave | Lista de CNAEs prioritários |
| Fit | Região | UF/cidade/raio | UFs com SLA competitivo |
| Value | Volume potencial | Estimativa por porte/unidades | Acima de X/mês |
| Value | Recorrência | Frequência de reposição | Semanal/quinzenal/mensal |
| Friction | Complexidade fiscal | Exige ST? retenções? multi-CNPJ? | Baixa a média |
| Risk | Risco de crédito | Score/atrasos/limite | Baixo |
Passo 3 — Defina segmentos operacionais (não apenas “personas”)
Em vez de criar apenas descrições genéricas, crie segmentos que determinam o caminho de compra. Exemplo de segmentação operacional:
- Segmento A — Reposição rápida: compra recorrente, baixa complexidade, alta urgência.
- Segmento B — Compra com cotação: precisa de formalização, comparação, aprovação por alçada.
- Segmento C — Projeto/solução: mix amplo, especificação técnica, customização, negociação e proposta.
- Segmento D — Alto risco/alto atrito: baixa aderência, fiscal complexo, histórico ruim ou exigências desproporcionais ao volume.
Passo 4 — Colete sinais (dados) para priorização e roteamento
Para vender online com eficiência, você precisa de sinais que possam ser capturados antes ou no início do contato. Abaixo estão sinais práticos e como obtê-los.
Sinais de fit (aderência)
- CNAE: capturar via formulário (CNPJ) e consultar base pública/serviços de enriquecimento; mapear CNAEs prioritários.
- Mix compatível: verificar se o segmento compra itens do seu catálogo (por exemplo, famílias de produtos por setor).
- Região atendida: validar SLA e custo de frete por CEP/UF.
Sinais de value (potencial)
- Volume potencial: estimar por porte (funcionários/unidades), consumo típico do setor, ou histórico de compras (se já é cliente).
- Recorrência: identificar se há reposição (consumo contínuo) ou compra pontual (projeto).
- Mix (largura e profundidade): quantas categorias podem comprar de você; quanto maior o mix possível, maior LTV.
Sinais de urgência e prazo
- Urgência: “preciso para hoje/amanhã”, “parada”, “obra em andamento”.
- Sensibilidade a prazo: se o cliente aceita lead time maior em troca de preço, ou se paga mais por entrega rápida.
Sinais de fricção (fiscal e aprovação)
- Exigências fiscais: necessidade de ST, retenções, faturamento para filiais, pedido com centro de custo, anexos obrigatórios.
- Complexidade de aprovação: precisa de cotação formal? quantos aprovadores? exige 3 cotações? tem calendário de compras?
Sinais de risco de crédito
- Risco de crédito: score/limite, histórico de atrasos, pedidos acima do padrão, solicitação de prazo longo sem relacionamento.
- Comportamento de risco: pressa para faturar sem cadastro completo, inconsistências cadastrais, troca frequente de CNPJ.
Passo 5 — Crie um modelo simples de pontuação (score) para priorizar
Use um score de 0 a 100 combinando fit, value e risk/friction. Exemplo prático:
- Fit (0–40): CNAE prioritário (0/15), região atendida com SLA (0/10), aderência ao mix (0/15).
- Value (0–40): volume potencial (0/20), recorrência (0/10), mix (0/10).
- Friction/Risk (0–20): baixa complexidade fiscal (0/10), baixo risco de crédito (0/10).
Regra de leitura: pontuação alta não significa “catálogo direto” automaticamente; significa “prioridade de atendimento”. O roteamento (catálogo/cotação/proposta) depende principalmente de fricção e complexidade.
Como transformar o ICP em regras operacionais (catálogo, cotação ou proposta consultiva)
Depois de definir ICP e score, converta em regras claras para o time e para o site/atendimento. O objetivo é reduzir atrito e aumentar conversão, direcionando cada empresa para o caminho mais provável de fechar.
Regra 1 — Quem pode comprar pelo catálogo (compra direta)
Indicado quando a compra é padronizada, com baixa necessidade de negociação e baixa complexidade fiscal/aprovação.
- Critérios típicos: recorrência alta, ticket dentro de um limite, pagamento à vista/cartão/PIX/boleto imediato, exigências fiscais padrão, entrega dentro do SLA, risco de crédito baixo.
- Exemplo de regra: “Empresas com CNAE em lista A + região com SLA até 3 dias + score ≥ 70 + sem exigência de faturamento especial podem finalizar no catálogo.”
Regra 2 — Quem exige cotação (cotação assistida)
Indicado quando o cliente precisa de documento formal, comparação ou ajustes de condições (prazo, frete, impostos, disponibilidade), mas o escopo ainda é relativamente transacional.
- Critérios típicos: aprovação por compras, necessidade de cotação com validade, pedido acima de um valor mínimo, exigência de prazo de pagamento, itens com variação de preço/lead time, necessidade de faturamento para CNPJ/filial específica.
- Exemplo de regra: “Se o cliente solicitar prazo de pagamento, ou se o pedido ultrapassar R$ X, ou se houver exigência fiscal especial, o checkout vira ‘solicitar cotação’.”
Regra 3 — Quem deve ser atendido por proposta consultiva
Indicado quando há necessidade de diagnóstico, especificação, composição de solução, negociação estruturada e alinhamento com múltiplos stakeholders.
- Critérios típicos: mix amplo e não padronizado, projeto (implantação/expansão), necessidade técnica, customização, contrato, entregas faseadas, múltiplas unidades, alto impacto operacional no cliente.
- Exemplo de regra: “Se houver mais de N categorias no carrinho + necessidade de especificação + múltiplos locais de entrega, direcionar para proposta consultiva com responsável comercial.”
Como implementar as regras na prática (checklist operacional)
- No cadastro (CNPJ): capturar CNAE, UF, porte estimado e validar inscrição estadual quando aplicável.
- No catálogo: exibir compra direta apenas para perfis elegíveis; para os demais, exibir botão de cotação/proposta.
- No carrinho: gatilhos por valor, itens especiais, lead time e região para alternar “finalizar” vs “solicitar cotação”.
- No CRM/atendimento: criar filas por score (prioridade) e por tipo de jornada (catálogo/cotação/proposta).
- Na política comercial: definir limites objetivos (ticket máximo para compra direta, prazo máximo sem análise, regiões atendidas com SLA, lista de CNAEs alvo).
Matriz de prioridade: Alto valor x Alta aderência
Use uma matriz 2x2 para decidir onde investir tempo comercial e onde automatizar. Defina “Aderência” como fit + baixa fricção, e “Valor” como volume potencial + recorrência + mix.
| Alta aderência | Baixa aderência | |
|---|---|---|
| Alto valor | Quadrante 1: Prioridade máxima
| Quadrante 2: Seleção criteriosa
|
| Baixo valor | Quadrante 3: Automatizar
| Quadrante 4: Desqualificar/baixar prioridade
|
Critérios objetivos de desqualificação (para proteger conversão e margem)
Desqualificar não é “dispensar” de forma rude; é definir que o lead não deve consumir esforço comercial ou não deve receber determinadas condições. Use critérios objetivos para reduzir decisões subjetivas.
Desqualificação por baixa aderência (fit)
- CNAE fora da lista-alvo e sem evidência clara de uso do seu mix.
- Região fora da cobertura logística ou com SLA incompatível com a expectativa do cliente.
- Pedido composto majoritariamente por itens que você não atende bem (baixa disponibilidade, alto lead time, baixa competitividade).
Desqualificação por fricção desproporcional
- Exigências fiscais/cadastrais complexas sem volume mínimo que justifique (ex.: múltiplos anexos, contrato, homologação longa para ticket baixo).
- Processo de aprovação que exige múltiplas etapas e prazos longos para compras pequenas e não recorrentes.
Desqualificação por risco de crédito
- Solicitação de prazo longo sem histórico e com sinais de risco (cadastro inconsistente, urgência para faturar, recusa em fornecer dados).
- Score/limite abaixo do mínimo definido para faturamento a prazo.
- Histórico de inadimplência ou disputas recorrentes (quando aplicável).
Desqualificação por comportamento comercial
- Negociação baseada apenas em desconto, sem abertura para alternativas (prazo, lote, substituição de itens, recorrência).
- Solicitação repetida de propostas sem avanço (ex.: “só para comparar”) sem critérios claros de decisão.
Exemplo de regras em formato operacional (para documentação interna)
Se (CNAE ∉ lista_prioritaria) e (volume_potencial < X) => prioridade = baixa; canal = catálogo (sem condições especiais) ou desqualificar. Se (região fora_SLA) e (cliente sensível a prazo = alto) => desqualificar ou oferecer apenas retirada/alternativa logística. Se (risco_credito = alto) => permitir compra apenas com pagamento antecipado; bloquear prazo. Se (exigência_fiscal = alta) e (ticket_estimado < Y) => não atender por proposta consultiva; oferecer cotação padrão ou recusar condições especiais. Se (mix > N categorias) ou (projeto = sim) => canal = proposta consultiva; responsável = vendedor.