Público-alvo B2B e ICP para vendas online de maior conversão

Capítulo 2

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

O que é ICP (Ideal Customer Profile) no B2B online

ICP (Perfil de Cliente Ideal) é a definição objetiva do tipo de empresa que tem maior probabilidade de comprar de você com boa margem, baixa fricção operacional e alta chance de recompra. No B2B online, o ICP não serve apenas para marketing: ele vira regra de atendimento e de jornada (catálogo com compra direta, cotação assistida ou proposta consultiva).

Um ICP bem feito combina três camadas: (1) Fit (aderência ao que você vende e ao seu modelo de operação), (2) Value (potencial de receita e recorrência) e (3) Friction/Risk (complexidade de aprovação, fiscal, prazo, crédito e logística). A conversão aumenta quando você direciona cada perfil para o caminho certo, evitando forçar compra direta onde o cliente precisa de negociação, e evitando atendimento consultivo onde o cliente só quer reposição rápida.

Dimensões de segmentação que mais impactam conversão no B2B online

1) Setor e atividade (CNAE)

Setor define necessidades, linguagem, padrões de compra e exigências fiscais. Use CNAE para identificar empresas com alta probabilidade de consumo do seu mix e para evitar segmentos com baixa aderência.

  • Exemplo: se você vende EPI, CNAEs de construção, indústria e logística tendem a ter consumo recorrente e urgência; já escritórios podem ter demanda menor e mais esporádica.

2) Porte (faturamento, número de funcionários, número de unidades)

Porte influencia ticket, frequência, exigência de cadastro e nível de aprovação. Em geral, empresas maiores têm maior volume, mas também mais etapas (compras, financeiro, compliance).

  • Exemplo prático: pequenas empresas podem comprar pelo catálogo com pagamento imediato; grandes contas podem exigir homologação, contrato e faturamento.

3) Região (UF, cidade, raio logístico)

Região impacta prazo, frete, impostos (ICMS, substituição tributária), disponibilidade de entrega e viabilidade de SLA. A conversão cai quando o prazo prometido não é realista para a região.

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4) Maturidade de compras

Maturidade é o quão estruturado é o processo de compras: desde “o dono compra” até “compras centralizado com políticas e ERP”. Quanto maior a maturidade, maior a necessidade de cotação formal, documentação e previsibilidade.

5) Frequência de reposição

Reposição recorrente favorece catálogo e automação (recompra, listas, assinaturas/rotinas). Compra eventual tende a exigir mais explicação e suporte.

6) Sensibilidade a prazo (urgência e SLA)

Alguns segmentos compram por urgência (parada de linha, obra, manutenção). Nesses casos, disponibilidade e prazo valem mais do que desconto — e o canal precisa refletir isso (estoque visível, entrega clara, atendimento rápido).

7) Exigências fiscais e de cadastro

Algumas empresas exigem: inscrição estadual, retenções, NCM correto, CFOP, substituição tributária, emissão para filiais, centro de custo, pedido com referência, anexos. Se isso for comum no seu ICP, o fluxo precisa suportar.

8) Complexidade de aprovação

Quantas pessoas aprovam? Existe limite por alçada? Precisa de 3 cotações? Precisa de contrato? Quanto maior a complexidade, mais sentido faz cotação/proposta e acompanhamento.

Passo a passo para definir ICP e segmentação orientados a vendas online

Passo 1 — Liste seus “melhores clientes” e “piores clientes” (com critérios operacionais)

Separe 20–50 contas reais (ou leads recentes) e classifique em dois grupos: (a) alta margem + baixa dor operacional + recompra; (b) baixa margem + alta dor operacional + alto retrabalho/inadimplência. O objetivo é encontrar padrões mensuráveis.

  • Critérios para “melhores”: compra recorrente, baixo índice de devolução, pagamento em dia, poucos ajustes fiscais, ticket médio saudável, baixa necessidade de negociação.
  • Critérios para “piores”: sempre pede desconto, exige prazo longo sem histórico, alto risco de crédito, pedidos com muitos erros de cadastro, solicitações fiscais complexas sem volume correspondente, alto custo de atendimento.

Passo 2 — Transforme padrões em atributos de ICP (fit, value, friction/risk)

Crie uma ficha de ICP com campos objetivos. Exemplo de estrutura:

DimensãoCampoComo medirFaixa ideal
FitCNAE/SetorCNAE principal + palavras-chaveLista de CNAEs prioritários
FitRegiãoUF/cidade/raioUFs com SLA competitivo
ValueVolume potencialEstimativa por porte/unidadesAcima de X/mês
ValueRecorrênciaFrequência de reposiçãoSemanal/quinzenal/mensal
FrictionComplexidade fiscalExige ST? retenções? multi-CNPJ?Baixa a média
RiskRisco de créditoScore/atrasos/limiteBaixo

Passo 3 — Defina segmentos operacionais (não apenas “personas”)

Em vez de criar apenas descrições genéricas, crie segmentos que determinam o caminho de compra. Exemplo de segmentação operacional:

  • Segmento A — Reposição rápida: compra recorrente, baixa complexidade, alta urgência.
  • Segmento B — Compra com cotação: precisa de formalização, comparação, aprovação por alçada.
  • Segmento C — Projeto/solução: mix amplo, especificação técnica, customização, negociação e proposta.
  • Segmento D — Alto risco/alto atrito: baixa aderência, fiscal complexo, histórico ruim ou exigências desproporcionais ao volume.

Passo 4 — Colete sinais (dados) para priorização e roteamento

Para vender online com eficiência, você precisa de sinais que possam ser capturados antes ou no início do contato. Abaixo estão sinais práticos e como obtê-los.

Sinais de fit (aderência)

  • CNAE: capturar via formulário (CNPJ) e consultar base pública/serviços de enriquecimento; mapear CNAEs prioritários.
  • Mix compatível: verificar se o segmento compra itens do seu catálogo (por exemplo, famílias de produtos por setor).
  • Região atendida: validar SLA e custo de frete por CEP/UF.

Sinais de value (potencial)

  • Volume potencial: estimar por porte (funcionários/unidades), consumo típico do setor, ou histórico de compras (se já é cliente).
  • Recorrência: identificar se há reposição (consumo contínuo) ou compra pontual (projeto).
  • Mix (largura e profundidade): quantas categorias podem comprar de você; quanto maior o mix possível, maior LTV.

Sinais de urgência e prazo

  • Urgência: “preciso para hoje/amanhã”, “parada”, “obra em andamento”.
  • Sensibilidade a prazo: se o cliente aceita lead time maior em troca de preço, ou se paga mais por entrega rápida.

Sinais de fricção (fiscal e aprovação)

  • Exigências fiscais: necessidade de ST, retenções, faturamento para filiais, pedido com centro de custo, anexos obrigatórios.
  • Complexidade de aprovação: precisa de cotação formal? quantos aprovadores? exige 3 cotações? tem calendário de compras?

Sinais de risco de crédito

  • Risco de crédito: score/limite, histórico de atrasos, pedidos acima do padrão, solicitação de prazo longo sem relacionamento.
  • Comportamento de risco: pressa para faturar sem cadastro completo, inconsistências cadastrais, troca frequente de CNPJ.

Passo 5 — Crie um modelo simples de pontuação (score) para priorizar

Use um score de 0 a 100 combinando fit, value e risk/friction. Exemplo prático:

  • Fit (0–40): CNAE prioritário (0/15), região atendida com SLA (0/10), aderência ao mix (0/15).
  • Value (0–40): volume potencial (0/20), recorrência (0/10), mix (0/10).
  • Friction/Risk (0–20): baixa complexidade fiscal (0/10), baixo risco de crédito (0/10).

Regra de leitura: pontuação alta não significa “catálogo direto” automaticamente; significa “prioridade de atendimento”. O roteamento (catálogo/cotação/proposta) depende principalmente de fricção e complexidade.

Como transformar o ICP em regras operacionais (catálogo, cotação ou proposta consultiva)

Depois de definir ICP e score, converta em regras claras para o time e para o site/atendimento. O objetivo é reduzir atrito e aumentar conversão, direcionando cada empresa para o caminho mais provável de fechar.

Regra 1 — Quem pode comprar pelo catálogo (compra direta)

Indicado quando a compra é padronizada, com baixa necessidade de negociação e baixa complexidade fiscal/aprovação.

  • Critérios típicos: recorrência alta, ticket dentro de um limite, pagamento à vista/cartão/PIX/boleto imediato, exigências fiscais padrão, entrega dentro do SLA, risco de crédito baixo.
  • Exemplo de regra: “Empresas com CNAE em lista A + região com SLA até 3 dias + score ≥ 70 + sem exigência de faturamento especial podem finalizar no catálogo.”

Regra 2 — Quem exige cotação (cotação assistida)

Indicado quando o cliente precisa de documento formal, comparação ou ajustes de condições (prazo, frete, impostos, disponibilidade), mas o escopo ainda é relativamente transacional.

  • Critérios típicos: aprovação por compras, necessidade de cotação com validade, pedido acima de um valor mínimo, exigência de prazo de pagamento, itens com variação de preço/lead time, necessidade de faturamento para CNPJ/filial específica.
  • Exemplo de regra: “Se o cliente solicitar prazo de pagamento, ou se o pedido ultrapassar R$ X, ou se houver exigência fiscal especial, o checkout vira ‘solicitar cotação’.”

Regra 3 — Quem deve ser atendido por proposta consultiva

Indicado quando há necessidade de diagnóstico, especificação, composição de solução, negociação estruturada e alinhamento com múltiplos stakeholders.

  • Critérios típicos: mix amplo e não padronizado, projeto (implantação/expansão), necessidade técnica, customização, contrato, entregas faseadas, múltiplas unidades, alto impacto operacional no cliente.
  • Exemplo de regra: “Se houver mais de N categorias no carrinho + necessidade de especificação + múltiplos locais de entrega, direcionar para proposta consultiva com responsável comercial.”

Como implementar as regras na prática (checklist operacional)

  • No cadastro (CNPJ): capturar CNAE, UF, porte estimado e validar inscrição estadual quando aplicável.
  • No catálogo: exibir compra direta apenas para perfis elegíveis; para os demais, exibir botão de cotação/proposta.
  • No carrinho: gatilhos por valor, itens especiais, lead time e região para alternar “finalizar” vs “solicitar cotação”.
  • No CRM/atendimento: criar filas por score (prioridade) e por tipo de jornada (catálogo/cotação/proposta).
  • Na política comercial: definir limites objetivos (ticket máximo para compra direta, prazo máximo sem análise, regiões atendidas com SLA, lista de CNAEs alvo).

Matriz de prioridade: Alto valor x Alta aderência

Use uma matriz 2x2 para decidir onde investir tempo comercial e onde automatizar. Defina “Aderência” como fit + baixa fricção, e “Valor” como volume potencial + recorrência + mix.

Alta aderênciaBaixa aderência
Alto valorQuadrante 1: Prioridade máxima
  • Atender rápido
  • Proposta consultiva ou cotação com SLA curto
  • Condições comerciais planejadas
Quadrante 2: Seleção criteriosa
  • Investigar fricções (fiscal, aprovação, logística)
  • Atender se houver caminho claro para reduzir atrito
  • Evitar customizações sem contrapartida
Baixo valorQuadrante 3: Automatizar
  • Catálogo e recompra
  • Atendimento enxuto
  • Limites de desconto e prazo
Quadrante 4: Desqualificar/baixar prioridade
  • Evitar gastar tempo
  • Direcionar para autosserviço quando possível
  • Não oferecer condições especiais

Critérios objetivos de desqualificação (para proteger conversão e margem)

Desqualificar não é “dispensar” de forma rude; é definir que o lead não deve consumir esforço comercial ou não deve receber determinadas condições. Use critérios objetivos para reduzir decisões subjetivas.

Desqualificação por baixa aderência (fit)

  • CNAE fora da lista-alvo e sem evidência clara de uso do seu mix.
  • Região fora da cobertura logística ou com SLA incompatível com a expectativa do cliente.
  • Pedido composto majoritariamente por itens que você não atende bem (baixa disponibilidade, alto lead time, baixa competitividade).

Desqualificação por fricção desproporcional

  • Exigências fiscais/cadastrais complexas sem volume mínimo que justifique (ex.: múltiplos anexos, contrato, homologação longa para ticket baixo).
  • Processo de aprovação que exige múltiplas etapas e prazos longos para compras pequenas e não recorrentes.

Desqualificação por risco de crédito

  • Solicitação de prazo longo sem histórico e com sinais de risco (cadastro inconsistente, urgência para faturar, recusa em fornecer dados).
  • Score/limite abaixo do mínimo definido para faturamento a prazo.
  • Histórico de inadimplência ou disputas recorrentes (quando aplicável).

Desqualificação por comportamento comercial

  • Negociação baseada apenas em desconto, sem abertura para alternativas (prazo, lote, substituição de itens, recorrência).
  • Solicitação repetida de propostas sem avanço (ex.: “só para comparar”) sem critérios claros de decisão.

Exemplo de regras em formato operacional (para documentação interna)

Se (CNAE ∉ lista_prioritaria) e (volume_potencial < X) => prioridade = baixa; canal = catálogo (sem condições especiais) ou desqualificar. Se (região fora_SLA) e (cliente sensível a prazo = alto) => desqualificar ou oferecer apenas retirada/alternativa logística. Se (risco_credito = alto) => permitir compra apenas com pagamento antecipado; bloquear prazo. Se (exigência_fiscal = alta) e (ticket_estimado < Y) => não atender por proposta consultiva; oferecer cotação padrão ou recusar condições especiais. Se (mix > N categorias) ou (projeto = sim) => canal = proposta consultiva; responsável = vendedor.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao definir regras de jornada no B2B online (catálogo, cotação ou proposta consultiva), qual é o princípio central para aumentar a conversão e reduzir atrito?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A conversão aumenta quando o ICP vira regra operacional: cada perfil segue a jornada mais adequada. O score indica prioridade, mas o canal (catálogo/cotação/proposta) depende principalmente de fricção e complexidade de aprovação e fiscal.

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