Em edificações da Caixa (agências, prédios administrativos e áreas técnicas), a proteção contra incêndio e emergências combina medidas de prevenção (reduzir probabilidade e severidade) e resposta (detectar, alertar, evacuar, combater princípios de incêndio e manter continuidade mínima). O Engenheiro de Segurança do Trabalho atua integrando requisitos de segurança contra incêndio, rotinas operacionais e manutenção predial, garantindo que o que está “no papel” funcione no dia a dia.
Ambientes típicos e principais cenários de emergência
Agência (atendimento ao público)
- Alta circulação e presença de público: evacuação deve ser intuitiva, com rotas desobstruídas e sinalização clara.
- Cargas de incêndio comuns: mobiliário, papel, equipamentos eletrônicos, pequenas copas.
- Risco de pânico: necessidade de alarme audível/visual e brigada treinada para orientar.
Prédio administrativo
- Ocupação prolongada: foco em rotas de fuga, compartimentação, controle de fumaça e iluminação de emergência.
- Salas de reunião/auditórios: atenção à lotação, portas de saída e sinalização de lotação/fluxo.
- Arquivos e almoxarifados: maior carga de incêndio (papelão, documentos, materiais).
Áreas técnicas (CPD/telecom, subestações, geradores, nobreaks, casa de máquinas, depósitos)
- Risco elétrico e de incêndio por sobreaquecimento: necessidade de inspeções e manutenção rigorosa.
- Agentes extintores específicos (ex.: CO2 para equipamentos energizados) e procedimentos para evitar danos colaterais.
- Controle de acesso: evacuação deve considerar equipes terceirizadas e visitantes.
Classificação de incêndios e escolha de agentes extintores
A classificação orienta o agente extintor e a técnica de combate. Em edificações corporativas, a seleção deve considerar o tipo de material combustível, presença de energia elétrica, risco de reignição e impacto em equipamentos.
Classes de incêndio (visão prática)
- Classe A: sólidos combustíveis que deixam resíduos (papel, madeira, tecido). Exemplo: fogo em arquivo morto.
- Classe B: líquidos inflamáveis/combustíveis (solventes, combustíveis, tintas). Exemplo: vazamento de combustível em área de gerador.
- Classe C: equipamentos energizados (painéis, nobreak, computadores). Exemplo: curto em quadro elétrico.
- Classe D: metais combustíveis (menos comum em agências; pode existir em oficinas específicas). Exemplo: pó de magnésio em manutenção especializada.
- Classe K: óleos e gorduras de cozinha (copas industriais). Exemplo: fritadeira em refeitório de grande prédio.
Agentes extintores e onde usar
- Água pressurizada: indicada para Classe A. Evitar em equipamentos energizados e líquidos inflamáveis.
- Espuma: indicada para Classe B e, em alguns casos, A. Útil para formar película e reduzir vapores inflamáveis.
- Pó químico seco (PQS): versátil (B e C; alguns tipos também A). Bom para princípios de incêndio, porém deixa resíduo e pode danificar eletrônicos.
- CO2: indicado para Classe C e B em ambientes controlados. Vantagem: não deixa resíduo; atenção a risco de asfixia em locais pequenos e necessidade de ventilação após uso.
- Agentes limpos (ex.: gases para salas críticas): aplicáveis em CPD/salas de telecom para minimizar danos; exigem projeto e manutenção especializados.
Passo a passo para decisão rápida do extintor (no local)
- Identifique o combustível predominante (papel/madeira, líquido, equipamento energizado).
- Verifique se há energia elétrica ativa (se sim, trate como Classe C até desenergizar).
- Escolha o extintor compatível (CO2/PQS para C; água para A; espuma/PQS para B).
- Garanta rota de fuga às costas e distância segura.
- Acione alarme/brigada e combata apenas se for princípio de incêndio, com baixa fumaça e sem risco de confinamento.
Detecção, alarme e comunicação de emergência
O tempo entre início do evento e o alerta é decisivo. Em agências e prédios administrativos, a estratégia deve combinar detecção (automática quando aplicável), acionamento manual e comunicação clara.
- Acionadores manuais: posicionamento em rotas de fuga e próximos às saídas; devem estar desobstruídos e sinalizados.
- Alarmes audíveis e visuais: importantes para ambientes ruidosos e para inclusão (pessoas com deficiência auditiva).
- Mensagens padronizadas: roteiro simples para recepção/segurança (o que informar, para quem, e como orientar público).
- Integração com portaria/monitoramento: registro do evento, acionamento do Corpo de Bombeiros e apoio à evacuação.
Sinalização, rotas de fuga e iluminação de emergência
Sinalização de emergência (orientação e proibição)
A sinalização deve permitir que um visitante que nunca esteve no local encontre a saída rapidamente. Em agências, isso é crítico por haver público externo.
- Orientação e salvamento: indicação de saídas, escadas, direção do fluxo, ponto de encontro.
- Equipamentos: localização de extintores, hidrantes, alarme manual, central de alarme.
- Proibição: “não obstruir”, “não usar elevador em caso de incêndio”, “proibido fumar” em áreas críticas.
- Mapas de rotas: afixar em locais de grande permanência (recepção, áreas de espera, corredores principais, próximo a elevadores).
Rotas de fuga (requisitos operacionais)
- Desobstrução permanente: sem caixas, móveis, banners, lixeiras grandes ou filas que bloqueiem passagem.
- Portas: devem abrir no sentido da fuga quando aplicável, com fácil acionamento e sem travas indevidas durante ocupação.
- Escadas: manter livres, com corrimãos íntegros, sinalização e iluminação adequadas.
- Elevadores: orientar para não uso em incêndio; prever alternativa acessível (plano para pessoas com mobilidade reduzida).
Iluminação de emergência
Garante visibilidade mínima para evacuação em falta de energia. Deve cobrir rotas, escadas, mudanças de nível, áreas de refúgio e pontos de equipamentos de combate.
Continue em nosso aplicativo
Você poderá ouvir o audiobook com a tela desligada, ganhar gratuitamente o certificado deste curso e ainda ter acesso a outros 5.000 cursos online gratuitos.
ou continue lendo abaixo...Baixar o aplicativo
- Testes periódicos (funcionamento e autonomia).
- Registro de falhas e correções com manutenção predial.
- Verificação de ofuscamento e sombras em corredores e escadas.
Brigada de incêndio e simulados
Estrutura e responsabilidades
- Brigadistas: primeiros a atuar em princípio de incêndio, orientar evacuação e prestar primeiros socorros básicos conforme treinamento.
- Líder de pavimento/setor: varredura rápida, conferência de salas, fechamento de portas (quando seguro) e reporte ao coordenador.
- Coordenador de emergência: decide escalonamento (evacuação parcial/total), interface com Bombeiros e gestão do ponto de encontro.
Passo a passo para planejar um simulado eficaz
- Definir objetivo: tempo de evacuação, teste de alarme, teste de comunicação, evacuação de PCD, integração com portaria.
- Escolher cenário: fumaça simulada em copa, princípio de incêndio em CPD (sem uso real de fumaça se afetar equipamentos), bloqueio de uma rota.
- Preparar observadores: pontos estratégicos para medir tempos, fluxo, gargalos e comportamento.
- Executar: acionar alarme, orientar público, conduzir ao ponto de encontro, contabilizar pessoas.
- Debriefing imediato: registrar falhas, ações corretivas, responsáveis e prazos.
- Re-simular após correções críticas (ex.: rota obstruída, falha de alarme, iluminação inoperante).
Plano de emergência: elaboração e auditoria
O plano de emergência deve ser aplicável ao tipo de edificação e às operações (agência, administrativo, técnico). Ele precisa ser simples para execução e detalhado o suficiente para orientar decisões sob estresse.
Conteúdo mínimo (visão prática)
- Escopo e cenários: incêndio, falta de energia, vazamento de gás/combustível, ameaça de bomba, alagamento, pane em elevador, emergências médicas.
- Organograma de resposta: funções, substitutos, contatos e horários (incluindo terceirizados).
- Procedimentos: acionamento de alarme, chamada de emergência, evacuação, isolamento de área, primeiros socorros, controle de acesso.
- Plantas e mapas: rotas de fuga, pontos de encontro, localização de extintores/hidrantes/alarme, salas técnicas e chaves de corte (energia, gás, gerador).
- Gestão de pessoas: visitantes, público, PCD, gestantes, idosos; método de contabilização no ponto de encontro.
- Interface com Bombeiros: ponto de recepção, entrega de informações (local do foco, materiais, riscos elétricos, plantas).
- Treinamento e simulados: periodicidade, registro e critérios de aprovação.
Passo a passo para elaborar o plano (do zero ao operacional)
- Levantamento in loco: ocupação, layout, rotas, áreas técnicas, cargas de incêndio, sistemas existentes (alarme, hidrantes, sprinklers, iluminação).
- Definição de cenários prioritários: por probabilidade e impacto (ex.: curto em quadro elétrico, incêndio em arquivo, vazamento de diesel no gerador).
- Desenho das rotas e pontos de encontro: validar capacidade de escoamento e segurança externa (longe de fachada, geradores, tráfego).
- Dimensionamento e composição da brigada: por turnos e setores; prever cobertura em horários de pico.
- Procedimentos de corte e isolamento: quem pode desenergizar, onde ficam chaves, como sinalizar área isolada.
- Treinamento e comunicação: instruções rápidas por setor, cartazes internos, integração com recepção/portaria.
- Teste por simulado: ajustar o plano com base em evidências (tempos, gargalos, falhas).
- Controle de versões: data, responsáveis, revisões após mudanças de layout, reformas ou incidentes.
Auditoria do plano: como verificar se funciona
- Entrevistas rápidas: amostra de empregados e terceirizados (sabem a rota? sabem o ponto de encontro? sabem quem aciona o alarme?).
- Teste de prontidão: checar se chaves de corte estão acessíveis e identificadas; se mapas estão atualizados.
- Rastreabilidade: evidências de inspeções, manutenção e treinamentos.
- Walkthrough: percorrer rotas com cronômetro e observar obstáculos reais (portas trancadas, catracas, mobiliário).
Mapas de risco e mapas de sinalização/rotas: como construir e validar
Para este capítulo, foque no uso prático de mapas para emergências: orientar evacuação e indicar recursos de combate. O mapa deve ser legível, atualizado e coerente com o que existe no local.
Passo a passo para montar o mapa de rotas e equipamentos
- Obter planta atualizada (as built) ou levantar medidas essenciais.
- Marcar saídas, escadas, portas corta-fogo (quando houver) e sentido de abertura.
- Inserir localização de extintores, hidrantes, acionadores manuais, central de alarme, iluminação de emergência (pontos críticos), chaves de corte.
- Definir “Você está aqui” para cada ponto de afixação do mapa.
- Validar no campo: caminhar a rota indicada e confirmar que a sinalização física corresponde ao desenho.
- Controlar versão e revisar após mudanças de layout, reformas, troca de mobiliário ou alteração de acessos.
Erros comuns a evitar
- Mapa bonito, porém desatualizado (rota aponta para porta bloqueada por reforma).
- Excesso de informação (polui e dificulta leitura em emergência).
- Ponto de encontro inseguro (próximo a gerador, área de carga/descarga, via movimentada).
- Não considerar catracas/controle de acesso (rota “ideal” vira gargalo real).
Integração com manutenção predial (o que garante confiabilidade)
Grande parte das falhas em emergências ocorre por indisponibilidade de sistemas: extintor vencido, iluminação sem bateria, porta travada, alarme inoperante. O Engenheiro de Segurança do Trabalho deve integrar requisitos de emergência ao plano de manutenção, com rotinas, responsáveis e evidências.
Pontos de integração essenciais
- Extintores: inspeção visual frequente (lacres, pressão, acesso), manutenção conforme periodicidade, reposição após uso.
- Hidrantes/mangotinhos: testes, mangueiras, esguichos, registros, pressão e acessibilidade.
- Alarme e detecção: testes funcionais, baterias, sirenes/estrobos, acionadores.
- Iluminação de emergência: teste de autonomia, substituição de baterias/luminárias.
- Portas e rotas: fechaduras, barras antipânico, molas, sinalização, desobstrução.
- Gerador e combustível: contenção de vazamentos, ventilação, housekeeping, sinalização e extintores adequados.
- Quadros elétricos: termografia/inspeções, limpeza, identificação, controle de acesso e afastamentos.
Como formalizar a integração (passo a passo)
- Listar sistemas críticos de emergência por edificação.
- Definir padrão de inspeção (checklist) e periodicidade por item.
- Amarrar cada item a um responsável (manutenção, facilities, brigada, terceirizada).
- Definir evidências mínimas (foto, ordem de serviço, relatório de teste, etiqueta).
- Criar rotina de tratamento de desvios (prazo, criticidade, bloqueio de área se necessário).
Checklist de inspeção (uso em auditorias e rondas)
Use o checklist como ferramenta de campo. Abaixo, um modelo adaptável para agência, administrativo e áreas técnicas.
1) Rotas de fuga e saídas
- Corredores e escadas desobstruídos (sem caixas, móveis, materiais de limpeza).
- Portas de saída abrem facilmente e não estão travadas durante ocupação.
- Sinalização direcional visível (sem placas encobertas).
- Escadas com corrimão íntegro e piso antiderrapante.
- Catracas/controle de acesso com procedimento para liberação em emergência.
2) Iluminação e sinalização de emergência
- Luminárias de emergência acendem em teste.
- Autonomia verificada conforme rotina (registro disponível).
- Placas de saída e equipamentos em bom estado e visíveis.
- Mapas “Você está aqui” atualizados e coerentes com layout.
3) Extintores e hidrantes
- Extintores acessíveis, sinalizados, com lacre e manômetro na faixa.
- Validade/inspeção em dia (etiqueta e registro).
- Tipo de extintor compatível com o risco do local (ex.: CO2 próximo a painéis/CPD).
- Hidrantes/mangotinhos sem vazamentos, com acessórios completos.
4) Alarme, detecção e comunicação
- Acionadores manuais desobstruídos e identificados.
- Sirenes/avisadores visuais operacionais (teste programado).
- Procedimento de chamada de emergência disponível na recepção/portaria.
- Lista de contatos atualizada (Bombeiros, manutenção, coordenação).
5) Áreas técnicas
- Quadros elétricos identificados, fechados e com acesso controlado.
- Sem armazenamento indevido (papelão, inflamáveis) em salas técnicas.
- Ventilação adequada e housekeeping (sem poeira excessiva).
- Gerador: contenção, ausência de vazamentos, extintores adequados e sinalização.
6) Brigada e prontidão
- Escala de brigadistas por turno atualizada.
- Treinamentos e reciclagens registrados.
- Simulados realizados e ações corretivas acompanhadas.
- Ponto de encontro definido e conhecido (placa externa quando aplicável).
Estudo de caso: evacuação em agência com falha parcial de energia
Cenário
Em uma agência com atendimento ao público, ocorre odor de queimado e fumaça leve próxima ao quadro elétrico do salão. Simultaneamente, há oscilação e queda parcial de energia (iluminação principal apaga em parte do salão). O alarme não dispara automaticamente, pois não há detecção naquele ponto; um empregado aciona o acionador manual.
Resposta executada (linha do tempo)
- T0: empregado percebe fumaça e comunica ao gerente; acionador manual é ativado.
- T0 + 1 min: brigadistas iniciam orientação ao público; recepção direciona saída principal.
- T0 + 2 min: tentativa de combate com CO2 no quadro elétrico (princípio de incêndio). Fumaça reduz, mas persiste odor.
- T0 + 3 min: manutenção predial é acionada; coordenador decide evacuação total por precaução.
- T0 + 5 min: ponto de encontro recebe público e empregados; contagem é feita por lista de presença e conferência por setor.
- T0 + 10 min: área é isolada; Bombeiros chegam e confirmam foco em componente do quadro; recomendam manter desenergizado até reparo.
Falhas observadas
- Gargalo na saída: fila formada por causa de um expositor de marketing próximo à rota.
- Iluminação de emergência insuficiente: em um corredor lateral, duas luminárias não acenderam, aumentando insegurança.
- Comunicação com público: mensagens divergentes (alguns orientavam “aguardar”, outros “sair agora”).
- Contabilização: dificuldade para confirmar presença de terceirizados (limpeza) que estavam em área de apoio.
Ações corretivas e lições aprendidas
- Remover/realocar expositores e padronizar “zona livre” de rota de fuga com marcação e fiscalização diária.
- Inserir teste semanal simples de iluminação de emergência com registro e abertura automática de chamado para manutenção.
- Adotar roteiro único de comunicação (frases curtas) e treinar recepção/gerência para evitar mensagens conflitantes.
- Implementar controle de presença de terceirizados por turno e ponto de encontro com responsável designado.
- Revisar posicionamento de extintores e sinalização do quadro elétrico, garantindo acesso rápido e área desobstruída.
Indicadores de desempenho (KPIs) para acompanhar
- Tempo de detecção/alerta: do início percebido ao acionamento do alarme (meta: reduzir).
- Tempo de evacuação: do alarme ao último ocupante no ponto de encontro.
- Taxa de conformidade de rotas: % de inspeções sem obstruções.
- Disponibilidade de iluminação de emergência: % de luminárias aprovadas em teste.
- Disponibilidade de extintores: % de extintores conformes (acesso, lacre, pressão, validade).
- Efetividade do simulado: nº de não conformidades críticas por simulado e tempo de fechamento das ações.
- Conformidade de contabilização: % de simulados com conferência completa (empregados, terceirizados, visitantes).
Modelos rápidos (para uso do Engenheiro de Segurança)
Roteiro de comunicação em evacuação (exemplo)
1) “Atenção: por segurança, vamos evacuar o prédio agora.” 2) “Siga a sinalização de saída e as orientações da brigada.” 3) “Não use elevadores.” 4) “Dirija-se ao ponto de encontro e aguarde instruções.”Registro mínimo pós-evento/simulado
- Data/hora e local - Cenário - Tempo de alarme e evacuação - Falhas encontradas (rotas, iluminação, alarme, comunicação) - Ações corretivas (responsável e prazo) - Evidências (fotos/OS/relatórios) - Revisão do mapa/plano (se aplicável)