Proposta de valor para captação de imóveis: diferenciação e confiança

Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

O que é proposta de valor na captação (e por que o proprietário entende rápido)

Proposta de valor é a forma objetiva de responder à pergunta do proprietário: “Por que eu deveria anunciar com você e não com outra pessoa (ou sozinho)?” Na captação de imóveis, ela precisa ser clara (o que você faz), comprovável (como você prova) e orientada ao resultado (o que muda para o proprietário em prazo, segurança e qualidade do processo).

Uma proposta de valor forte não é uma lista de “diferenciais” genéricos. Ela conecta um diagnóstico do imóvel a um plano de execução com entregáveis verificáveis: evidências para precificação, plano de divulgação, triagem de interessados, condução de visitas e segurança, com transparência de relatórios.

Estrutura simples (e memorável) da proposta de valor

  • Diagnóstico: o que está ajudando/atrapalhando a venda/locação hoje.
  • Estratégia: como você vai posicionar o imóvel (preço, apresentação, público-alvo e canais).
  • Execução: quais etapas você conduz e como reduz atrito (triagem, visitas, negociação).
  • Controle: como o proprietário acompanha (relatórios, métricas e próximos passos).
  • Segurança: como você reduz risco (checagens, regras de visita, registro de interações).

Passo a passo para construir uma proposta de valor clara (em 60–90 minutos)

Passo 1 — Diagnóstico do imóvel (checklist objetivo)

O diagnóstico é o “antes” que justifica o seu plano. Ele deve ser rápido, respeitoso e baseado em observação e dados.

  • Documentação e restrições: situação básica (ex.: matrícula/registro disponível, pendências aparentes, regras de condomínio, possibilidade de financiamento). Se algo não puder ser verificado no momento, registre como “a confirmar”.
  • Condição e apresentação: pontos de melhoria de baixo custo (iluminação, organização, pequenos reparos, odor, ruído, fotos).
  • Liquidez: fatores que aceleram ou travam (andar, posição solar, vaga, elevador, condomínio, estado de conservação, vizinhança imediata).
  • Concorrência direta: 5 a 10 imóveis comparáveis (mesma tipologia e região próxima) e como o imóvel se posiciona.

Entregável: uma página com “3 forças + 3 riscos + 3 ações rápidas”. Isso vira parte do seu relatório inicial.

Passo 2 — Precificação orientada por evidências (sem “achismo”)

O proprietário confia quando percebe método. A precificação por evidências combina comparáveis, ajuste por características e leitura de demanda.

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Como apresentar:

  • Faixa de preço (mínimo–alvo–máximo) em vez de um número único, explicando o que precisa acontecer para sustentar o topo da faixa.
  • Comparáveis com ajustes simples: “este é similar, mas tem 1 vaga a mais”, “este é reformado”, “este tem condomínio menor”.
  • Estratégia de teste (quando aplicável): “começamos no alvo por X dias; se não houver sinais mínimos, ajustamos”.

Métricas de sinal mínimo (exemplos): número de contatos qualificados por semana, taxa de resposta, agendamentos, visitas realizadas, propostas recebidas.

IndicadorO que mostraAção se estiver baixo
Contatos qualificados/semanaDemanda real no preçoRever preço, anúncio e fotos
Agendamentos/contatosQualidade do anúncio e triagemAjustar copy, destacar diferenciais, melhorar triagem
Visitas/agendamentosAtrito e confiançaRegras de visita, horários, confirmação, roteiro
Propostas/visitasAdequação preço x entregaRever preço, condições e objeções recorrentes

Passo 3 — Plano de divulgação (com promessa de processo, não de “milagre”)

O plano precisa ser específico: o que será feito, quando, com quais materiais e como será medido.

  • Materiais: fotos padronizadas, vídeo curto (se fizer sentido), planta/medidas, descrição com benefícios reais (ex.: “sol da manhã” em vez de “excelente”).
  • Posicionamento: 3 a 5 ângulos de valor do imóvel (ex.: “pronto para morar”, “condomínio com lazer”, “próximo a serviços”).
  • Roteiro de anúncio: título objetivo + 5 bullets de diferenciais + condições claras + chamada para triagem.
  • Calendário: data de publicação, revisões semanais, atualização de fotos/anúncio se necessário.

Entregável: um “plano de 14 dias” com ações e checkpoints (ex.: revisão do anúncio no dia 7 com base nos indicadores).

Passo 4 — Triagem de interessados (qualidade de leads como benefício verificável)

Triagem é onde você transforma “muitos contatos” em “poucas visitas boas”. Para o proprietário, o benefício é reduzir desgaste, curiosos e risco.

Roteiro de triagem (exemplo):

  • Motivo da mudança/compra e prazo.
  • Quem decide e quem vai morar/usar.
  • Forma de pagamento (financiamento, recursos próprios, permuta) e estágio (pré-aprovado, sim/não).
  • Imóveis já vistos e o que faltou.
  • Disponibilidade para visita e documentos básicos (quando aplicável).

Entregável: registro de triagem por lead (mesmo que resumido) e classificação simples: “A (pronto) / B (em preparação) / C (curioso)”.

Passo 5 — Condução de visitas (roteiro, controle e feedback)

Visita bem conduzida aumenta conversão e reduz “tour turístico”. O proprietário percebe valor quando há método e retorno rápido.

  • Pré-visita: confirmar presença, reforçar endereço/horário, alinhar regras (documento, número de pessoas, pontualidade).
  • Durante: roteiro por ambientes, destacar benefícios verificáveis (ventilação, incidência solar, reformas), responder com transparência o que sabe e registrar o que precisa confirmar.
  • Pós-visita: feedback em até 24h com objeções e próximos passos (ex.: “achou o condomínio alto”, “precisa de vaga extra”).

Entregável: relatório de visita com 3 campos: “o que gostou / o que travou / chance de proposta (alta/média/baixa)”.

Passo 6 — Segurança e redução de risco (sem criar medo, com protocolo)

Segurança é parte da proposta de valor quando vira procedimento. Evite discurso alarmista; foque em protocolo.

  • Identificação: registro de nome e documento (ou confirmação equivalente) antes da visita, conforme política do seu negócio e legislação local.
  • Controle de acesso: visitas acompanhadas, horários definidos, limite de pessoas, atenção a objetos pessoais.
  • Registro: histórico de contatos, agendamentos, visitas e ocorrências.
  • Orientação ao proprietário: como preparar o imóvel para visita (guardar itens de valor, deixar ambientes acessíveis, pets).

Entregável: “protocolo de visita segura” em uma página para o proprietário.

Transformando diferenciais em benefícios verificáveis

O proprietário não compra “diferencial”; compra o efeito do diferencial. Para gerar confiança, conecte cada diferencial a um benefício mensurável e a uma evidência (relatório, prazo, indicador).

Diferencial (o que você faz)Benefício para o proprietárioComo verificar
Precificação por comparáveis e faixaMenos tempo parado e menos “queima” de anúncioRelatório com comparáveis + revisão em X dias
Triagem estruturadaMenos visitas improdutivas e mais propostasRegistro A/B/C + taxa de visitas por lead
Relatórios semanaisTransparência e decisões rápidasEnvio em dia fixo com métricas e ações
Roteiro de visita + feedback em 24hMelhor conversão e ajustes rápidosRelatório pós-visita com objeções recorrentes
Protocolo de segurançaMenos risco e mais tranquilidadeChecklist de visita e registro de presença

Modelo de “promessa” ética (sem garantir resultado)

Use linguagem de processo e compromisso, não de garantia: “Eu não prometo vender em X dias; eu prometo um processo com indicadores, revisões e transparência para aumentar a probabilidade de venda no melhor preço possível dentro do mercado.”

Modelos de argumentos: exclusividade vs. não exclusividade (sem agressividade)

Quando faz sentido exclusividade

  • Imóvel com necessidade de posicionamento (preço, apresentação, narrativa) e que exige consistência.
  • Proprietário quer um ponto focal de comunicação e menos ruído.
  • Você vai investir mais tempo/recursos (materiais, agenda, gestão de leads, relatórios).

Argumento modelo para exclusividade (foco em eficiência e controle)

Script: “Para eu entregar o plano completo com consistência — precificação por evidências, divulgação organizada, triagem e relatório semanal — a exclusividade ajuda porque evita mensagens desencontradas, anúncios duplicados e visitas sem critério. Assim, eu consigo controlar a qualidade dos leads e te dar previsibilidade do que está acontecendo. Se em X dias os indicadores não estiverem no mínimo combinado, a gente revisa preço e estratégia com base em dados.”

Como tornar verificável:

  • Defina prazo de revisão (ex.: 14 ou 21 dias) e métricas (contatos qualificados, visitas, propostas).
  • Combine rotina de relatório (dia fixo, formato, indicadores).
  • Inclua cláusula de performance de processo (não de resultado): se você não entregar X ações (ex.: relatório, atualização do anúncio, triagem), o proprietário pode encerrar.

Quando faz sentido não exclusividade

  • Proprietário está em fase de teste e precisa construir confiança.
  • Imóvel muito líquido e com alta demanda, onde o principal risco é perder timing.
  • Você ainda não tem histórico com o proprietário e quer entrar com um “piloto” de processo.

Argumento modelo para não exclusividade (foco em piloto e construção de confiança)

Script: “Podemos começar sem exclusividade por um período de teste. Eu vou aplicar o mesmo método: diagnóstico, faixa de preço por evidências, triagem e relatório. O que eu preciso para funcionar é: anúncio alinhado (sem informações conflitantes), acesso organizado para visitas e retorno rápido do proprietário. Se você perceber valor no processo e nos indicadores, a gente pode migrar para exclusividade para ganhar eficiência.”

Como evitar perda de controle:

  • Alinhe uma única versão de preço e condições (para não gerar desconfiança no comprador).
  • Combine regras de visita e registro de quem visitou (evita duplicidade e conflitos).
  • Estabeleça canal oficial para atualizações (ex.: e-mail/WhatsApp) e periodicidade de relatório.

Como evitar discursos agressivos (e ainda assim conduzir a decisão)

Troque pressão por critérios

Em vez de “sem exclusividade eu não trabalho”, use critérios: “Para eu assumir responsabilidade de ponta a ponta, eu preciso de controle do processo. Se não for exclusividade, eu consigo atuar, mas com escopo e métricas bem definidos.”

Frases que geram resistência (evite) e alternativas

Evite dizerPrefira dizer
“Se não for exclusivo, não vale a pena.”“Com exclusividade eu consigo entregar mais controle e previsibilidade; sem exclusividade eu ajusto o escopo e combinamos regras para funcionar.”
“Outros corretores só atrapalham.”“Múltiplos anúncios e informações diferentes podem confundir o comprador; por isso proponho alinhamento de preço, condições e comunicação.”
“Eu garanto vender rápido.”“Eu garanto método, transparência e revisões baseadas em indicadores.”
“Seu preço está errado.”“Pelos comparáveis e pela demanda, esta faixa tende a gerar mais tração; podemos testar e revisar com dados.”

Kit de entrega: proposta de valor em uma página (modelo preenchível)

PROPOSTA DE VALOR — CAPTAÇÃO (1 PÁGINA) 1) Diagnóstico (resumo) - Forças (3): - Riscos (3): - Ações rápidas (3): 2) Precificação por evidências - Faixa sugerida: R$ ___ (mín) | R$ ___ (alvo) | R$ ___ (máx) - Comparáveis usados (3–5): 3) Plano de divulgação (14 dias) - Materiais: ( ) fotos ( ) vídeo ( ) planta/medidas ( ) descrição revisada - Checkpoints: Dia 7 (revisão) | Dia 14 (decisão) 4) Triagem e visitas - Perguntas-chave de triagem: prazo, forma de pagamento, decisores, pré-aprovação - Regras de visita: confirmação, identificação, limite de pessoas, horários 5) Transparência - Relatório: semanal, toda ___ (dia), com: contatos qualificados, agendamentos, visitas, feedback, ações 6) Segurança - Protocolo: visitas acompanhadas + registro de presença + orientações ao proprietário

Como apresentar esse kit na reunião (roteiro de 7 minutos)

  • 1 minuto: “Vou te mostrar como eu conduzo o processo para reduzir tempo, desgaste e risco.”
  • 2 minutos: diagnóstico (forças, riscos, ações rápidas).
  • 2 minutos: faixa de preço e comparáveis (por que essa faixa).
  • 1 minuto: plano de 14 dias e checkpoints.
  • 1 minuto: triagem, visitas, segurança e relatório semanal.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

O que torna uma proposta de valor mais convincente para o proprietário na captação de imóveis?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Uma proposta de valor forte responde ao “por que com você” com clareza, evidências e foco no resultado, mostrando método: diagnóstico + estratégia + execução + controle + segurança, com entregáveis e indicadores que o proprietário consegue verificar.

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Precificação e posicionamento do imóvel para captação consistente

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