O que é proposta de valor na captação (e por que o proprietário entende rápido)
Proposta de valor é a forma objetiva de responder à pergunta do proprietário: “Por que eu deveria anunciar com você e não com outra pessoa (ou sozinho)?” Na captação de imóveis, ela precisa ser clara (o que você faz), comprovável (como você prova) e orientada ao resultado (o que muda para o proprietário em prazo, segurança e qualidade do processo).
Uma proposta de valor forte não é uma lista de “diferenciais” genéricos. Ela conecta um diagnóstico do imóvel a um plano de execução com entregáveis verificáveis: evidências para precificação, plano de divulgação, triagem de interessados, condução de visitas e segurança, com transparência de relatórios.
Estrutura simples (e memorável) da proposta de valor
- Diagnóstico: o que está ajudando/atrapalhando a venda/locação hoje.
- Estratégia: como você vai posicionar o imóvel (preço, apresentação, público-alvo e canais).
- Execução: quais etapas você conduz e como reduz atrito (triagem, visitas, negociação).
- Controle: como o proprietário acompanha (relatórios, métricas e próximos passos).
- Segurança: como você reduz risco (checagens, regras de visita, registro de interações).
Passo a passo para construir uma proposta de valor clara (em 60–90 minutos)
Passo 1 — Diagnóstico do imóvel (checklist objetivo)
O diagnóstico é o “antes” que justifica o seu plano. Ele deve ser rápido, respeitoso e baseado em observação e dados.
- Documentação e restrições: situação básica (ex.: matrícula/registro disponível, pendências aparentes, regras de condomínio, possibilidade de financiamento). Se algo não puder ser verificado no momento, registre como “a confirmar”.
- Condição e apresentação: pontos de melhoria de baixo custo (iluminação, organização, pequenos reparos, odor, ruído, fotos).
- Liquidez: fatores que aceleram ou travam (andar, posição solar, vaga, elevador, condomínio, estado de conservação, vizinhança imediata).
- Concorrência direta: 5 a 10 imóveis comparáveis (mesma tipologia e região próxima) e como o imóvel se posiciona.
Entregável: uma página com “3 forças + 3 riscos + 3 ações rápidas”. Isso vira parte do seu relatório inicial.
Passo 2 — Precificação orientada por evidências (sem “achismo”)
O proprietário confia quando percebe método. A precificação por evidências combina comparáveis, ajuste por características e leitura de demanda.
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Como apresentar:
- Faixa de preço (mínimo–alvo–máximo) em vez de um número único, explicando o que precisa acontecer para sustentar o topo da faixa.
- Comparáveis com ajustes simples: “este é similar, mas tem 1 vaga a mais”, “este é reformado”, “este tem condomínio menor”.
- Estratégia de teste (quando aplicável): “começamos no alvo por X dias; se não houver sinais mínimos, ajustamos”.
Métricas de sinal mínimo (exemplos): número de contatos qualificados por semana, taxa de resposta, agendamentos, visitas realizadas, propostas recebidas.
| Indicador | O que mostra | Ação se estiver baixo |
|---|---|---|
| Contatos qualificados/semana | Demanda real no preço | Rever preço, anúncio e fotos |
| Agendamentos/contatos | Qualidade do anúncio e triagem | Ajustar copy, destacar diferenciais, melhorar triagem |
| Visitas/agendamentos | Atrito e confiança | Regras de visita, horários, confirmação, roteiro |
| Propostas/visitas | Adequação preço x entrega | Rever preço, condições e objeções recorrentes |
Passo 3 — Plano de divulgação (com promessa de processo, não de “milagre”)
O plano precisa ser específico: o que será feito, quando, com quais materiais e como será medido.
- Materiais: fotos padronizadas, vídeo curto (se fizer sentido), planta/medidas, descrição com benefícios reais (ex.: “sol da manhã” em vez de “excelente”).
- Posicionamento: 3 a 5 ângulos de valor do imóvel (ex.: “pronto para morar”, “condomínio com lazer”, “próximo a serviços”).
- Roteiro de anúncio: título objetivo + 5 bullets de diferenciais + condições claras + chamada para triagem.
- Calendário: data de publicação, revisões semanais, atualização de fotos/anúncio se necessário.
Entregável: um “plano de 14 dias” com ações e checkpoints (ex.: revisão do anúncio no dia 7 com base nos indicadores).
Passo 4 — Triagem de interessados (qualidade de leads como benefício verificável)
Triagem é onde você transforma “muitos contatos” em “poucas visitas boas”. Para o proprietário, o benefício é reduzir desgaste, curiosos e risco.
Roteiro de triagem (exemplo):
- Motivo da mudança/compra e prazo.
- Quem decide e quem vai morar/usar.
- Forma de pagamento (financiamento, recursos próprios, permuta) e estágio (pré-aprovado, sim/não).
- Imóveis já vistos e o que faltou.
- Disponibilidade para visita e documentos básicos (quando aplicável).
Entregável: registro de triagem por lead (mesmo que resumido) e classificação simples: “A (pronto) / B (em preparação) / C (curioso)”.
Passo 5 — Condução de visitas (roteiro, controle e feedback)
Visita bem conduzida aumenta conversão e reduz “tour turístico”. O proprietário percebe valor quando há método e retorno rápido.
- Pré-visita: confirmar presença, reforçar endereço/horário, alinhar regras (documento, número de pessoas, pontualidade).
- Durante: roteiro por ambientes, destacar benefícios verificáveis (ventilação, incidência solar, reformas), responder com transparência o que sabe e registrar o que precisa confirmar.
- Pós-visita: feedback em até 24h com objeções e próximos passos (ex.: “achou o condomínio alto”, “precisa de vaga extra”).
Entregável: relatório de visita com 3 campos: “o que gostou / o que travou / chance de proposta (alta/média/baixa)”.
Passo 6 — Segurança e redução de risco (sem criar medo, com protocolo)
Segurança é parte da proposta de valor quando vira procedimento. Evite discurso alarmista; foque em protocolo.
- Identificação: registro de nome e documento (ou confirmação equivalente) antes da visita, conforme política do seu negócio e legislação local.
- Controle de acesso: visitas acompanhadas, horários definidos, limite de pessoas, atenção a objetos pessoais.
- Registro: histórico de contatos, agendamentos, visitas e ocorrências.
- Orientação ao proprietário: como preparar o imóvel para visita (guardar itens de valor, deixar ambientes acessíveis, pets).
Entregável: “protocolo de visita segura” em uma página para o proprietário.
Transformando diferenciais em benefícios verificáveis
O proprietário não compra “diferencial”; compra o efeito do diferencial. Para gerar confiança, conecte cada diferencial a um benefício mensurável e a uma evidência (relatório, prazo, indicador).
| Diferencial (o que você faz) | Benefício para o proprietário | Como verificar |
|---|---|---|
| Precificação por comparáveis e faixa | Menos tempo parado e menos “queima” de anúncio | Relatório com comparáveis + revisão em X dias |
| Triagem estruturada | Menos visitas improdutivas e mais propostas | Registro A/B/C + taxa de visitas por lead |
| Relatórios semanais | Transparência e decisões rápidas | Envio em dia fixo com métricas e ações |
| Roteiro de visita + feedback em 24h | Melhor conversão e ajustes rápidos | Relatório pós-visita com objeções recorrentes |
| Protocolo de segurança | Menos risco e mais tranquilidade | Checklist de visita e registro de presença |
Modelo de “promessa” ética (sem garantir resultado)
Use linguagem de processo e compromisso, não de garantia: “Eu não prometo vender em X dias; eu prometo um processo com indicadores, revisões e transparência para aumentar a probabilidade de venda no melhor preço possível dentro do mercado.”
Modelos de argumentos: exclusividade vs. não exclusividade (sem agressividade)
Quando faz sentido exclusividade
- Imóvel com necessidade de posicionamento (preço, apresentação, narrativa) e que exige consistência.
- Proprietário quer um ponto focal de comunicação e menos ruído.
- Você vai investir mais tempo/recursos (materiais, agenda, gestão de leads, relatórios).
Argumento modelo para exclusividade (foco em eficiência e controle)
Script: “Para eu entregar o plano completo com consistência — precificação por evidências, divulgação organizada, triagem e relatório semanal — a exclusividade ajuda porque evita mensagens desencontradas, anúncios duplicados e visitas sem critério. Assim, eu consigo controlar a qualidade dos leads e te dar previsibilidade do que está acontecendo. Se em X dias os indicadores não estiverem no mínimo combinado, a gente revisa preço e estratégia com base em dados.”
Como tornar verificável:
- Defina prazo de revisão (ex.: 14 ou 21 dias) e métricas (contatos qualificados, visitas, propostas).
- Combine rotina de relatório (dia fixo, formato, indicadores).
- Inclua cláusula de performance de processo (não de resultado): se você não entregar X ações (ex.: relatório, atualização do anúncio, triagem), o proprietário pode encerrar.
Quando faz sentido não exclusividade
- Proprietário está em fase de teste e precisa construir confiança.
- Imóvel muito líquido e com alta demanda, onde o principal risco é perder timing.
- Você ainda não tem histórico com o proprietário e quer entrar com um “piloto” de processo.
Argumento modelo para não exclusividade (foco em piloto e construção de confiança)
Script: “Podemos começar sem exclusividade por um período de teste. Eu vou aplicar o mesmo método: diagnóstico, faixa de preço por evidências, triagem e relatório. O que eu preciso para funcionar é: anúncio alinhado (sem informações conflitantes), acesso organizado para visitas e retorno rápido do proprietário. Se você perceber valor no processo e nos indicadores, a gente pode migrar para exclusividade para ganhar eficiência.”
Como evitar perda de controle:
- Alinhe uma única versão de preço e condições (para não gerar desconfiança no comprador).
- Combine regras de visita e registro de quem visitou (evita duplicidade e conflitos).
- Estabeleça canal oficial para atualizações (ex.: e-mail/WhatsApp) e periodicidade de relatório.
Como evitar discursos agressivos (e ainda assim conduzir a decisão)
Troque pressão por critérios
Em vez de “sem exclusividade eu não trabalho”, use critérios: “Para eu assumir responsabilidade de ponta a ponta, eu preciso de controle do processo. Se não for exclusividade, eu consigo atuar, mas com escopo e métricas bem definidos.”
Frases que geram resistência (evite) e alternativas
| Evite dizer | Prefira dizer |
|---|---|
| “Se não for exclusivo, não vale a pena.” | “Com exclusividade eu consigo entregar mais controle e previsibilidade; sem exclusividade eu ajusto o escopo e combinamos regras para funcionar.” |
| “Outros corretores só atrapalham.” | “Múltiplos anúncios e informações diferentes podem confundir o comprador; por isso proponho alinhamento de preço, condições e comunicação.” |
| “Eu garanto vender rápido.” | “Eu garanto método, transparência e revisões baseadas em indicadores.” |
| “Seu preço está errado.” | “Pelos comparáveis e pela demanda, esta faixa tende a gerar mais tração; podemos testar e revisar com dados.” |
Kit de entrega: proposta de valor em uma página (modelo preenchível)
PROPOSTA DE VALOR — CAPTAÇÃO (1 PÁGINA) 1) Diagnóstico (resumo) - Forças (3): - Riscos (3): - Ações rápidas (3): 2) Precificação por evidências - Faixa sugerida: R$ ___ (mín) | R$ ___ (alvo) | R$ ___ (máx) - Comparáveis usados (3–5): 3) Plano de divulgação (14 dias) - Materiais: ( ) fotos ( ) vídeo ( ) planta/medidas ( ) descrição revisada - Checkpoints: Dia 7 (revisão) | Dia 14 (decisão) 4) Triagem e visitas - Perguntas-chave de triagem: prazo, forma de pagamento, decisores, pré-aprovação - Regras de visita: confirmação, identificação, limite de pessoas, horários 5) Transparência - Relatório: semanal, toda ___ (dia), com: contatos qualificados, agendamentos, visitas, feedback, ações 6) Segurança - Protocolo: visitas acompanhadas + registro de presença + orientações ao proprietárioComo apresentar esse kit na reunião (roteiro de 7 minutos)
- 1 minuto: “Vou te mostrar como eu conduzo o processo para reduzir tempo, desgaste e risco.”
- 2 minutos: diagnóstico (forças, riscos, ações rápidas).
- 2 minutos: faixa de preço e comparáveis (por que essa faixa).
- 1 minuto: plano de 14 dias e checkpoints.
- 1 minuto: triagem, visitas, segurança e relatório semanal.