Precificação e posicionamento do imóvel para captação consistente

Capítulo 5

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

O que é precificação e posicionamento (e por que isso impacta sua captação)

Precificação é transformar informações do mercado e do imóvel em uma faixa de preço recomendada (não um “chute”). Posicionamento é decidir como o imóvel vai ser apresentado e em qual faixa ele vai competir: “melhor custo-benefício do prédio”, “pronto para morar”, “oportunidade para reforma”, “andar alto com vista”, etc.

Para captação consistente, o objetivo é alinhar três pontos: (1) preço compatível com comparáveis, (2) narrativa coerente com a realidade e (3) expectativa do proprietário ajustada ao tempo de venda desejado. Quando esses três pontos não batem, o imóvel vira “encalhe”, gera desgaste e reduz sua taxa de conversão em autorizações.

Levantamento de comparáveis: como escolher imóveis realmente similares

O que é um comparável válido

Comparáveis (ou “comps”) são imóveis que competem com o seu no olhar do comprador. Um comparável válido precisa ser parecido em tipologia (apto/casa), metragem, número de quartos, vaga, padrão do prédio e localização (mesma rua ou entorno imediato, quando possível).

Checklist de similaridade (use como filtro)

  • Raio: preferencialmente mesma rua; se não, até 500–800m em bairros homogêneos (ajuste conforme a cidade).
  • Metragem: variação máxima de 10–15%.
  • Quartos: igual (ex.: 2 dorm vs 2 dorm).
  • Vagas: igual; se diferente, anote para ajuste.
  • Condomínio e padrão: idade do prédio, lazer, portaria, elevador, vagas demarcadas.
  • Andar/face: andar alto vs baixo; face/sol; ruído (avenida x miolo).
  • Estado de conservação: reformado, original, precisa de obra.
  • Condomínio (R$): valor e o que inclui (água/gás, fundo de reserva, etc.).

Fontes para levantar comparáveis (sem depender de “um único lugar”)

  • Anúncios ativos: mostram o que está “pedindo” (teto de expectativa).
  • Anúncios encerrados/retirados: indicam onde o mercado rejeitou preço/condição.
  • Transações efetivas (quando acessível): melhor referência, pois é preço realizado.
  • Corretores da região: validação qualitativa (tempo médio, objeções recorrentes).
  • Portaria/síndico: histórico de vendas no prédio (quando possível e ético).

Regra prática: trabalhe com 6 a 12 comparáveis, sendo pelo menos 3 muito próximos (mesmo prédio ou quarteirão) e o restante para “bordas” (um pouco acima e um pouco abaixo) para entender o corredor de preço.

Transformando comparáveis em faixa de preço (método prático)

Passo a passo para construir a faixa

  1. Monte uma tabela com os comparáveis e normalize tudo para R$/m².
  2. Separe por grupos: (a) mesmo prédio/rua, (b) entorno próximo, (c) “alternativas” que o comprador consideraria.
  3. Identifique o corredor: pegue a faixa central (mediana) de R$/m² dos melhores comparáveis.
  4. Aplique ajustes (para cima/baixo) conforme diferenças relevantes: conservação, andar/face, vaga, condomínio, rua e atratividade.
  5. Converta em três números: Preço de liquidez (vende mais rápido), Preço de mercado (equilíbrio), Preço aspiracional (testa o topo com prazo maior).

Tabela modelo de comparáveis (exemplo)

CompLocalQuartosVagaCondomínioEstadoPreço pedidoR$/m²Observações
AMesmo prédio7021R$ 650ReformadoR$ 560.0008.000Andar alto, face silenciosa
BMesma rua7221R$ 720OriginalR$ 520.0007.222Andar baixo, precisa pintura
C800m6820R$ 580BomR$ 495.0007.279Sem vaga, rua mais movimentada

Como ajustar por fatores que mais distorcem o preço

Evite “percentuais mágicos” fixos. Use ajustes como faixas e sempre compare com evidências (comps). Abaixo, um guia prático para estruturar o raciocínio:

Continue em nosso aplicativo e ...
  • Ouça o áudio com a tela desligada
  • Ganhe Certificado após a conclusão
  • + de 5000 cursos para você explorar!
ou continue lendo abaixo...
Download App

Baixar o aplicativo

  • Estado de conservação: reformado compete em um patamar acima; original compete com “oportunidade” e precisa refletir custo/risco de obra.
    Prática: estime um custo de melhoria (pintura, elétrica, hidráulica, piso) e converta em impacto no preço, lembrando que comprador costuma descontar custo + inconveniência.
  • Andar/face: andar alto, vista e face silenciosa aumentam atratividade; térreo/ruído reduz.
    Prática: compare comps do mesmo prédio com andares diferentes, quando existir, para medir o “prêmio” real.
  • Vaga: diferença de vaga pode mudar o público.
    Prática: busque comps “com vaga” e “sem vaga” na mesma microárea para ver o delta de mercado.
  • Condomínio: condomínio alto reduz demanda, principalmente em ticket mais sensível.
    Prática: compare imóveis similares com condomínio menor e observe tempo de mercado e nível de desconto.
  • Rua e atratividade: esquina barulhenta, proximidade de comércio noturno, escola, ponto de ônibus, ou rua arborizada e calma.
    Prática: trate como fator de liquidez: rua melhor vende com menos desconto; rua pior exige preço mais competitivo.

Construindo a faixa final (modelo simples)

Depois de ajustar, gere uma faixa com três cenários:

  • Preço de liquidez: faixa inferior do corredor (atrai mais visitas e propostas mais cedo).
  • Preço de mercado: centro do corredor (equilíbrio entre valor e tempo).
  • Preço aspiracional: topo do corredor (exige diferenciais claros e aceita mais tempo).

Exemplo: corredor ajustado entre R$ 7.300 e R$ 8.000/m² em um imóvel de 70m².
Liquidez: 70 × 7.300 = R$ 511.000
Mercado: 70 × 7.650 = R$ 535.500
Aspiracional: 70 × 8.000 = R$ 560.000

Posicionamento: como decidir “em que prateleira” o imóvel vai competir

Mapa rápido de posicionamento (3 perguntas)

  • Quem compra? (investidor, família, primeira compra, downsizing)
  • Por que esse imóvel? (localização, planta, vista, reforma, vaga, lazer)
  • Contra quem compete? (quais 3 alternativas o comprador veria no mesmo dia)

Exemplos de posicionamento coerente com preço

  • “Pronto para morar”: fotos e visita impecáveis, preço mais próximo do topo, argumentos de economia de obra e tempo.
  • “Oportunidade para modernizar”: preço mais competitivo, transparência sobre itens a fazer, foco em planta/localização.
  • “Melhor custo-benefício do prédio”: preço levemente abaixo de comps diretos, objetivo de gerar múltiplas visitas e acelerar proposta.

Posicionamento não é maquiagem: se o imóvel é original e barulhento, ele não pode ser posicionado como “premium silencioso”. O mercado pune incoerência com falta de visitas.

Conversa de ajuste de preço: técnica com ancoragem responsável e evidências

Princípios para não virar “briga de opinião”

  • Comece por objetivo: “qual é a prioridade: vender rápido, equilibrar, ou tentar o topo?”
  • Use evidências: comps, corredor de R$/m², diferenças objetivas.
  • Traga cenários (tempo x preço): o proprietário escolhe conscientemente.
  • Combine gatilhos de revisão: ajuste baseado em métricas (visitas, propostas, feedback).

Roteiro prático de conversa (com frases prontas)

1) Alinhamento de prioridade

“Antes de falarmos de número: sua prioridade é vender em até X dias, ou você prefere testar um valor mais alto mesmo que leve mais tempo?”

2) Ancoragem responsável (faixa, não número solto)

“Pelos comparáveis mais próximos, o mercado está trabalhando entre R$ 510 mil e R$ 560 mil para imóveis como o seu. A diferença depende principalmente de (estado/andar/vaga/rua).”

3) Evidências (mostre 3 a 5 comps-chave)

“Este aqui é do mesmo prédio e está reformado, por isso pede mais. Este outro é original e está mais perto do piso. O seu fica no meio por causa de…”

4) Cenários tempo x preço (deixe explícito o custo do tempo)

“Se colocarmos em R$ 560 mil, estamos no topo e precisamos aceitar um prazo maior e mais negociação. Em R$ 535 mil, ficamos no centro e tendemos a ter mais visitas. Em R$ 510 mil, a chance de proposta rápida aumenta.”

5) Proposta de teste com regras (evita “deixa assim e vê”)

“Podemos testar o preço aspiracional por 14 a 21 dias. Se não bater X visitas qualificadas e pelo menos Y propostas/intenções, ajustamos para o preço de mercado.”

Métricas simples para sustentar ajuste sem desgaste

  • Visitas qualificadas: pessoas que realmente comprariam aquela tipologia e faixa.
  • Feedback recorrente: “caro para o que entrega”, “condomínio alto”, “precisa reforma”.
  • Propostas: ausência de proposta após volume razoável de visitas é sinal forte de desalinhamento.

Regra prática: se há visitas, mas nenhuma proposta, normalmente o preço está acima do que o conjunto entrega (ou existe um “defeito de posicionamento” não tratado na comunicação).

Relatório simples de mercado para o proprietário (estrutura pronta)

Um relatório curto (2 a 4 páginas) aumenta confiança e reduz discussão emocional. Estruture assim:

1) Resumo do imóvel avaliado

  • Endereço (ou referência), tipologia, m², quartos, vagas
  • Andar/face, estado de conservação
  • Condomínio e principais itens incluídos
  • Pontos fortes e pontos de atenção (objetivos)

2) Panorama do micro-mercado

  • Faixa de R$/m² observada nos comparáveis
  • Oferta atual (quantos similares competem)
  • Observações de liquidez (o que vende mais rápido e por quê)

3) Tabela de comparáveis

Inclua 6 a 12 comps com: localização, m², vagas, condomínio, estado, preço pedido e R$/m², mais observações.

4) Ajustes e racional

  • Quais fatores puxam para cima (ex.: andar alto, vista, vaga)
  • Quais fatores puxam para baixo (ex.: original, rua barulhenta, condomínio alto)
  • O que é “não negociável” e o que pode ser mitigado (ex.: pintura, organização, iluminação)

5) Faixa recomendada e cenários

  • Liquidez: R$ X (prazo estimado menor)
  • Mercado: R$ Y (prazo estimado médio)
  • Aspiracional: R$ Z (prazo estimado maior)

Importante: trate prazo como estimativa e condicione a execução (apresentação, disponibilidade de visita, documentação, etc.).

6) Plano de revisão de preço (acordo prévio)

  • Período de teste inicial (ex.: 14–21 dias)
  • Meta de tração (ex.: X visitas qualificadas)
  • Critério de ajuste (ex.: reduzir para o centro do corredor)
  • Registro de feedback (lista objetiva)

Alinhando expectativa antes de assinar autorização/contrato

O que precisa estar combinado (para evitar conflito depois)

  • Faixa de preço e preço de anúncio: qual cenário foi escolhido e por quê.
  • Margem de negociação: até onde pode ir sem nova consulta (ex.: “até 3%”).
  • Prazo de teste: quando reavaliar com base em métricas.
  • Condições de visita: horários, chaves, antecedência, imóvel preparado.
  • Documentação: o que já existe e o que será providenciado (para não travar proposta).
  • Transparência sobre pontos de atenção: ruído, sol, necessidade de obra, condomínio, etc.

Mini-roteiro de alinhamento (antes da assinatura)

1) “Confirmando: seu objetivo é (prazo).” 2) “A faixa indicada pelo mercado é (X a Z). Vamos iniciar em (Y) por (motivo).” 3) “Testaremos por (período). Se não tivermos (métrica), ajustamos para (novo patamar).” 4) “Negociação: posso trabalhar até (limite) sem te acionar; abaixo disso, te consulto.” 5) “Visitas: combinamos (regras). Documentos: (checklist).”

Quando esse alinhamento é feito por escrito (no relatório e no combinado do plano), a conversa de ajuste deixa de ser “você quer baixar meu imóvel” e vira “vamos seguir o plano baseado no que o mercado respondeu”.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao alinhar preço e posicionamento para uma captação consistente, qual abordagem mais reflete a prática recomendada no conteúdo?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A estratégia combina comparáveis válidos, normalização por R$/m² e ajustes baseados em evidências para gerar uma faixa (liquidez/mercado/aspiracional). Isso permite posicionar o imóvel de forma coerente e alinhar expectativa do proprietário ao tempo de venda.

Próximo capitúlo

Preparação para abordagem de proprietários na captação de imóveis

Arrow Right Icon
Capa do Ebook gratuito Como Captar Imóveis do Zero: Estratégias Éticas e Consistentes
29%

Como Captar Imóveis do Zero: Estratégias Éticas e Consistentes

Novo curso

17 páginas

Baixe o app para ganhar Certificação grátis e ouvir os cursos em background, mesmo com a tela desligada.