Em provas de Técnico Bancário (área comercial), a banca costuma avaliar se você consegue extrair sentido com precisão, identificar a organização do texto e justificar respostas com base em pistas linguísticas. Compreender e interpretar não é “opinar”: é reconstruir o que o texto permite concluir.
1) Compreensão x interpretação: o que a banca quer
Compreensão (o que está dito)
Compreensão é localizar e organizar informações explícitas: tema, fatos, dados, definições, relações diretas. Em geral, responde a perguntas como “segundo o texto”, “de acordo com o autor”, “o texto afirma que…”.
Interpretação (o que está sugerido)
Interpretação é inferir informações implícitas a partir de pistas do texto (vocabulário, conectivos, exemplos, tom, comparação, causa e consequência). Não é inventar: a inferência precisa ser sustentada por elementos textuais.
Exemplo rápido
Frase: “Apesar do aumento de visitas ao site, as contratações não cresceram.”
- Compreensão: houve aumento de visitas; contratações não cresceram.
- Interpretação: o funil de conversão pode estar com problema (visitas não viram contratação), ou a qualidade do tráfego é baixa. A banca pode pedir a “conclusão possível” mais compatível com o enunciado.
2) Leitura técnica: como ler para acertar questões
Objetivo da leitura técnica
É uma leitura orientada por tarefa: identificar rapidamente a tese, os argumentos, a progressão de ideias e o papel de cada parágrafo, evitando distrações com exemplos periféricos.
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Passo a passo prático (método em 4 varreduras)
- 1ª varredura (mapa): leia título (se houver), primeiro e último parágrafo e as primeiras frases de cada parágrafo. Objetivo: captar tema e direção do texto.
- 2ª varredura (estrutura): identifique a função de cada parágrafo: introduz tema, define, exemplifica, contrapõe, conclui, propõe solução.
- 3ª varredura (marcadores): sublinhe mentalmente conectivos e palavras-chave (porém, portanto, além disso, por exemplo, em síntese). Eles indicam relações lógicas.
- 4ª varredura (perguntas): só então vá às alternativas, voltando ao trecho exato que sustenta a resposta.
Checklist de leitura para prova
- Qual é o tema (assunto geral)?
- Qual é a tese (posição/ideia central defendida)?
- Quais são os argumentos (razões, dados, exemplos)?
- Há contraponto (objeção e resposta)?
- Qual é o tom (crítico, neutro, irônico, persuasivo)?
3) Inferências: como “provar” o implícito
Tipos comuns de inferência em concurso
- Causal: se A ocorre e o texto indica consequência, inferir causa/efeito provável.
- Pronominal: identificar referente de “ele/ela/isso/aquele”.
- Lexical: deduzir sentido de palavra pelo contexto.
- Argumentativa: inferir a intenção do autor ao usar exemplo, dado ou comparação.
Passo a passo para inferir com segurança
- 1) Localize a pista: conectivo, adjetivo avaliativo, comparação, dado numérico, exemplo.
- 2) Formule a inferência em uma frase curta: “Logo, o autor sugere que…”
- 3) Teste a inferência: ela contradiz alguma frase do texto? Se contradiz, descarte.
- 4) Prefira o “menos ousado”: em alternativas, a correta costuma ser a mais fiel e moderada, sem extrapolar.
Armadilhas frequentes
- Generalização indevida: o texto fala de “alguns casos” e a alternativa diz “sempre”.
- Inversão de relação: o texto diz “A influencia B” e a alternativa diz “B influencia A”.
- Troca de foco: o texto critica um método, a alternativa critica pessoas.
4) Ideias principais e secundárias
Como identificar a ideia principal
A ideia principal é a mensagem central do texto ou do parágrafo. Em textos dissertativo-argumentativos, costuma aparecer como tese (posição do autor). Em textos expositivos, aparece como definição/explicação do tópico.
Sinais linguísticos de ideia principal
- Frases com definição: “X é…”, “Entende-se por…”
- Frases com tese: “Defende-se que…”, “É necessário…”
- Frases com síntese: “Em suma…”, “Portanto…”
Como separar secundárias
Ideias secundárias sustentam a principal: exemplos, dados, explicações, comparações, consequências, ressalvas. Se você remover a secundária, a tese ainda se mantém; se remover a principal, o parágrafo “perde o sentido”.
Exercício prático (aplicável a qualquer texto)
- 1) Resuma cada parágrafo em uma linha.
- 2) Escolha a linha que “manda” nas demais (a tese).
- 3) Classifique as outras como: definição, causa, consequência, exemplo, contraponto.
5) Coesão e coerência: como o texto “se amarra”
Coesão (ligações na superfície do texto)
Coesão é o conjunto de mecanismos linguísticos que conectam palavras, frases e parágrafos: pronomes, elipses, sinônimos, repetição controlada, conectivos. A banca cobra muito referência pronominal e valor de conectivos.
Principais mecanismos de coesão
- Referência: “esse/isso/aquele”, “o qual”, “cujo” retomam termos anteriores.
- Substituição lexical: “empresa” → “instituição” → “organização” (evita repetição).
- Elipse: omissão de termo recuperável: “João foi aprovado; Maria, também.”
- Conjunções e conectivos: indicam relação lógica (oposição, causa, conclusão etc.).
Coerência (sentido global)
Coerência é a compatibilidade das ideias entre si e com o contexto: não contradição, progressão temática, pertinência. Um texto pode ser coeso (bem conectado) e incoerente (ideias contraditórias).
Conectivos: valores mais cobrados
- Oposição: mas, porém, contudo, entretanto.
- Causa: porque, visto que, já que.
- Consequência: portanto, assim, por isso, de modo que.
- Concessão: embora, ainda que, mesmo que.
- Condição: se, caso, desde que.
- Finalidade: para, a fim de que.
- Explicação: pois (antes do verbo), porque (em geral).
Mini-treino de conectivos (como a banca troca sentido)
Base: “O texto apresenta dados; portanto, sustenta a tese.”
- Se trocar por porém, vira oposição e altera a lógica.
- Se trocar por porque, vira causa (os dados viram motivo, não consequência).
6) Tipologias textuais e o que esperar nas questões
Tipologias mais recorrentes
- Narração: fatos em sequência temporal; foco em ações, personagens, tempo e espaço.
- Descrição: características de pessoas/objetos/ambientes; muitos adjetivos e detalhamento.
- Exposição: explica um tema; define, classifica, apresenta causas e efeitos.
- Argumentação: defende ponto de vista; tese + argumentos + possíveis refutações.
- Injunção (instrucional): orienta ações; verbos no imperativo/infinitivo (“faça”, “evitar”, “seguir”).
Como a tipologia ajuda a resolver
- Em exposição, a banca cobra definição, relação entre conceitos e organização (tópicos, enumerações).
- Em argumentação, cobra tese, argumentos, pressupostos e contra-argumentos.
- Em injunção, cobra finalidade, sequência de passos e modalizadores (“deve”, “recomenda-se”).
7) Reescrita e sentido: equivalência sem mudar a ideia
O que é reescrita com manutenção de sentido
É reescrever um trecho preservando o conteúdo e as relações lógicas (causa, oposição, condição), sem alterar foco, tempo verbal relevante, intensidade e abrangência (alguns/todos; pode/deve).
Pontos que mais mudam o sentido (e derrubam alternativas)
- Modalizadores: “pode” ≠ “deve” ≠ “vai”.
- Quantificadores: “muitos” ≠ “todos”; “em geral” ≠ “sempre”.
- Negação: “não é incomum” (dupla negação com efeito de afirmação moderada).
- Conectivos: trocar “embora” por “porque” muda a relação lógica.
- Voz passiva/ativa: pode manter sentido, mas pode mudar foco e responsabilidade em algumas construções.
Passo a passo para julgar reescrita
- 1) Identifique a relação lógica: é causa? oposição? condição?
- 2) Marque palavras de força: sempre, nunca, apenas, principalmente, possivelmente.
- 3) Compare sujeito e foco: quem faz o quê? sobre o quê?
- 4) Verifique tempo e aspecto verbal: fato concluído, habitual, hipótese.
Exemplos típicos de prova
Original: “Embora haja avanços, persistem falhas.”
Equivalente: “Apesar dos avanços, ainda existem falhas.”
Não equivalente: “Como há avanços, persistem falhas.” (causa no lugar de concessão)
8) Estratégias de interpretação focadas em questões de concurso
1) Questões de ideia central (título, tema, tese)
- Evite alternativas muito específicas (detalhes e exemplos).
- Prefira a que abrange o texto inteiro, sem extrapolar.
- Se houver ironia ou crítica, observe adjetivos e escolhas lexicais.
2) Questões de inferência
- Volte ao trecho-base e procure “pistas” (conectivos, comparações, consequências).
- Desconfie de alternativas com palavras absolutas (sempre, jamais) quando o texto é moderado.
3) Questões de vocabulário no contexto
- Substitua a palavra por um sinônimo e releia a frase; veja se mantém coerência.
- Observe se a palavra tem sentido técnico, figurado ou avaliativo.
4) Questões de coesão (referentes e conectivos)
- Para pronomes (“isso”, “tal”, “o que”), localize o antecedente mais próximo que faça sentido.
- Para conectivos, pergunte: a segunda oração explica, contrasta, conclui ou condiciona a primeira?
5) Questões de “certo/errado” (afirmações sobre o texto)
- Procure no texto a frase que valida a afirmação. Se não houver base textual, tende a estar errada.
- Erros comuns: troca de sujeito, generalização, inversão de causa e efeito, intensificação indevida.
9) Roteiro de treino com questões (aplicação prática)
Passo a passo de resolução (para qualquer enunciado)
- 1) Leia o comando: ele pede ideia central, inferência, sentido de palavra, reescrita, coesão?
- 2) Marque o trecho-alvo: em questões de reescrita/coesão, trabalhe no trecho indicado, não no texto todo.
- 3) Responda em uma frase: antes de olhar alternativas, formule sua resposta.
- 4) Elimine por “pecados clássicos”: absolutização, extrapolação, contradição, troca de conectivo.
- 5) Confirme com evidência textual: a alternativa correta deve ser justificável com palavras/ideias do texto.
Modelo de anotação rápida (para treinar)
Tema: ____________________________
Tese: ____________________________
Parágrafo 1 (função): ____________
Parágrafo 2 (função): ____________
Conectivos-chave: ________________
Inferência segura: _______________