Ortografia e acentuação: o que mais cai e como revisar
Ortografia é o conjunto de regras de escrita das palavras. Em provas, costuma aparecer em: grafia correta, emprego de letras (s/ss/ç/x/ch), hífen e acentuação. Acentuação é a marca gráfica que indica a sílaba tônica e segue regras conforme a tonicidade e a terminação.
Pontos de atenção (com exemplos)
- Por que / porque / por quê / porquê: Por que (pergunta direta/indireta): “Por que você faltou?”; “Não sei por que faltou.” Porque (explicação/causa): “Faltou porque estava doente.” Por quê (fim de frase): “Você faltou por quê?” Porquê (substantivo): “O porquê da ausência.”
- Mal x mau: mal (oposto de bem; advérbio): “Ele se sentiu mal.” mau (oposto de bom; adjetivo): “Ele é um mau pagador.”
- Há x a: há (verbo haver = existe/tempo passado): “Há dois dias.” a (tempo futuro/distância): “Daqui a dois dias”; “a 3 km”.
- Onde x aonde: onde (lugar fixo): “Onde fica a agência?” aonde (movimento, com verbo que pede “a”): “Aonde você vai?”
- Acentuação: oxítonas terminadas em a(s), e(s), o(s), em(ens): “café”, “avó”, “também”. paroxítonas terminadas em l, n, r, x, ps, ã(s), ão(s), um(uns), i(s), us, ditongo: “fácil”, “hífen”, “tórax”, “órfã”, “órgãos”, “tênis”, “vírus”, “história”. proparoxítonas: todas acentuadas: “técnico”, “público”, “econômica”.
Passo a passo prático de revisão (em 10 minutos)
- 1) Substitua mentalmente mal/mau por bem/bom para decidir.
- 2) Troque há por “faz” (tempo passado): se couber, é há (“faz dois dias” → “há dois dias”).
- 3) Em “por que/porque”, pergunte: é pergunta? então por que. É resposta/causa? então porque. Está no fim? por quê. Vira “o motivo”? porquê.
- 4) Marque a sílaba tônica e classifique (oxítona/paroxítona/proparoxítona). Aplique a regra de terminação.
Classes de palavras: função na frase e erros típicos
Classes de palavras são categorias (substantivo, adjetivo, verbo etc.) que ajudam a entender a função de cada termo na oração. Em prova, o foco costuma ser: identificação, valor semântico e substituições que mudam o sentido.
Mapa rápido com exemplos do cotidiano
- Substantivo (nomeia): “cliente”, “contrato”, “agência”.
- Adjetivo (caracteriza): “atendimento rápido”, “documento válido”.
- Verbo (ação/estado): “solicitar”, “informar”, “estar”.
- Advérbio (circunstância): “atendeu bem”, “respondeu rapidamente”.
- Pronome (substitui/retoma): “ele”, “isso”, “aquele”.
- Preposição (liga termos): “de”, “a”, “para”, “com”.
- Conjunção (liga orações): “porque”, “embora”, “quando”.
- Artigo (define): “o”, “a”, “um”, “uma”.
Armadilhas frequentes
- “Mesmo” como pronome: evite em redação oficial (“Encaminhe ao mesmo”). Prefira: “Encaminhe ao setor” ou “Encaminhe a ele”.
- “A gente” (coloquial) x “nós” (formal): em comunicação institucional, prefira “nós” ou construções impessoais (“informa-se”, “solicita-se”).
- “Onde” usado para ideias abstratas: “situação em que”, “momento em que” são melhores que “onde” quando não há lugar físico.
Concordância verbal e nominal: regras essenciais e aplicação
Concordância é o ajuste entre palavras: o verbo concorda com o sujeito (concordância verbal) e o adjetivo/artigo/pronome concorda com o substantivo (concordância nominal). Em textos formais, erros de concordância comprometem a credibilidade.
Concordância verbal: casos que mais geram erro
- Sujeito simples: “O cliente solicitou informação.”
- Sujeito composto: “O gerente e o atendente informaram o prazo.”
- “Haver” com sentido de existir (impessoal, fica no singular): “Há documentos pendentes.”
- “Fazer” indicando tempo (impessoal): “Faz dois meses.”
- Porcentagem: “30% dos clientes preferem atendimento digital.” (concordância com “clientes”). “30% do público prefere” (com “público”).
Concordância nominal: atenção ao termo mais próximo e ao núcleo
- “Informações claras e objetivas.”
- “É proibida a entrada.” (núcleo “entrada” → feminino).
- “É proibido entrar.” (verbo no infinitivo como ideia geral → masculino invariável em muitas construções).
Passo a passo para checar concordância
- 1) Encontre o núcleo do sujeito (quem pratica a ação).
- 2) Verifique se o verbo está no mesmo número/pessoa do núcleo.
- 3) Localize o substantivo núcleo e confira se artigos/adjetivos/pronomes “acompanham” gênero e número.
- 4) Procure “gatilhos” de impessoalidade: há (existir), faz (tempo).
Regência verbal e nominal: preposições que mudam o sentido
Regência é a relação de dependência entre um termo e seu complemento, frequentemente marcada por preposição. Em prova, cobra-se a preposição correta e a consequência disso na crase.
Verbos comuns e suas regências (com exemplos)
- Informar: informar algo a alguém / informar alguém de algo. “Informou o prazo ao cliente.”
- Assistir (ver): assistir a. “Assistiu ao vídeo.”
- Preferir: preferir X a Y (sem “do que”). “Prefere atendimento presencial a atendimento remoto.”
- Solicitar: solicitar algo (geralmente sem preposição). “Solicitou segunda via.”
- Obedecer: obedecer a. “Obedeça às normas.”
- Visar (objetivar): visar a. “Visa à melhoria do serviço.”
Regência nominal (nomes que pedem preposição)
- “Necessidade de documentos.”
- “Acesso a informações.”
- “Apto a exercer a função.”
- “Responsável por conferir dados.”
Passo a passo para acertar regência
- 1) Identifique o termo regente (verbo ou nome).
- 2) Pergunte “o quê?” e “a quem/de quê/em quê?” para descobrir a preposição exigida.
- 3) Confirme se a preposição gera crase ao encontrar artigo feminino “a”.
Crase: quando ocorre e como decidir sem decorar demais
Crase é a fusão da preposição a com o artigo feminino a/as (ou com pronomes demonstrativos iniciados por “a”: “aquele(s)”, “aquela(s)”, “aquilo”). O acento grave indica essa fusão: “à/às”.
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Casos típicos de uso
- Antes de palavra feminina com artigo: “Dirigiu-se à gerência.”
- Locuções femininas: “à medida que”, “à vista”, “à tarde”.
- Antes de “aquela(s)/aquele(s)/aquilo”: “Referiu-se àquela norma.”
Casos típicos de não uso
- Antes de palavra masculina: “a prazo”, “a serviço”.
- Antes de verbo: “a partir”, “a fazer”.
- Antes de pronomes pessoais: “a ela”, “a você” (sem artigo).
- Antes de nomes de cidade sem artigo: “a Brasília” (mas: “à Bahia”, quando há artigo).
Teste prático (substituição por “ao”)
Troque o termo feminino por um masculino equivalente. Se virar “ao”, então no feminino tende a ser “à”. Ex.: “Dirigiu-se à gerência” → “Dirigiu-se ao setor”.
Pontuação: clareza, hierarquia de ideias e erros que mudam sentido
Pontuação organiza o texto e define relações entre ideias. Em comunicação institucional, pontuar bem evita interpretações equivocadas, especialmente em orientações, prazos e solicitações.
Vírgula: usos essenciais
- Separar itens: “Anexe RG, CPF e comprovante de residência.”
- Isolar adjunto adverbial deslocado: “Após a conferência, encaminhe o pedido.”
- Isolar explicações (aposto): “O solicitante, titular da conta, assinou o formulário.”
- Separar orações com conectivos: “O documento está legível, mas falta assinatura.”
Erros comuns com vírgula
- Separar sujeito do verbo: incorreto “O cliente da agência, solicitou…” correto “O cliente da agência solicitou…”
- Separar verbo do complemento: incorreto “Solicitamos, o envio…” correto “Solicitamos o envio…”
Dois-pontos, ponto e vírgula e travessão
- Dois-pontos para introduzir lista/explicação: “Documentos necessários: RG, CPF e comprovante.”
- Ponto e vírgula para separar itens longos: “Encaminhar: (i) formulário assinado; (ii) cópia do RG; (iii) comprovante atualizado.”
- Travessão para destaque (com moderação): “O prazo — contado em dias úteis — inicia após o protocolo.”
Passo a passo para revisar pontuação
- 1) Leia em voz alta e marque pausas naturais (sem transformar toda pausa em vírgula).
- 2) Verifique se há vírgula entre sujeito e verbo ou entre verbo e complemento: se houver, reavalie.
- 3) Procure listas: se forem curtas, use vírgulas; se forem longas, prefira dois-pontos e itens.
- 4) Confira conectivos (“mas”, “portanto”, “embora”): veja se há necessidade de vírgula antes/depois.
Colocação pronominal: próclise, ênclise e mesóclise no uso formal
Colocação pronominal é a posição do pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, lhes) em relação ao verbo. Em textos formais, a escolha deve respeitar fatores de atração e evitar construções inadequadas.
Regras práticas
- Próclise (pronome antes do verbo) com palavras atrativas: “Não se esqueça do protocolo.” “Quando me enviar, anexe o comprovante.”
- Ênclise (pronome depois do verbo) quando não há atração e o verbo inicia a oração: “Encaminhe-me os documentos.” “Informe-nos o número do pedido.”
- Mesóclise (no futuro do presente/pretérito) em padrão formal mais rígido: “Informar-lhe-ei o resultado.” (em muitos contextos administrativos, pode-se preferir reescrita: “Informarei o resultado ao senhor/à senhora.”)
Cuidados frequentes
- Evite iniciar frase com pronome oblíquo átono: em vez de “Me encaminhe…”, prefira “Encaminhe-me…” ou use atrator: “Por favor, me encaminhe…”
- Com “não”, “nunca”, “jamais”, “que”, “quando”, “se”: a próclise tende a ser obrigatória: “Não se aplica.”
Paralelismo e ambiguidade: como deixar instruções inequívocas
Paralelismo é manter a mesma estrutura gramatical em itens coordenados (listas e comparações). Ambiguidade ocorre quando a frase permite mais de uma interpretação. Em comunicação do cotidiano, esses pontos são críticos em orientações, prazos, exigências e responsabilidades.
Paralelismo: exemplos e correção
- Sem paralelismo: “Solicitamos o envio do RG, comprovar endereço e assinatura do termo.”
- Com paralelismo: “Solicitamos o envio do RG, a comprovação de endereço e a assinatura do termo.”
- Outra forma: “Solicitamos enviar o RG, comprovar endereço e assinar o termo.” (todos no infinitivo).
Ambiguidade: onde nasce e como eliminar
- Pronome sem referente claro: “Informe ao cliente que o gerente ligará para ele.” (quem é “ele”?) Melhor: “Informe ao cliente que o gerente ligará para o cliente.”
- Adjunto deslocado: “Encaminhe o contrato assinado ao setor.” (quem assinou?) Melhor: “Encaminhe ao setor o contrato já assinado pelo cliente.”
- Termos genéricos: “Enviar documento atualizado.” (qual documento?) Melhor: “Enviar comprovante de residência atualizado (emitido nos últimos 90 dias).”
Passo a passo para revisar listas e instruções
- 1) Verifique se todos os itens da lista começam com a mesma classe/forma verbal (substantivos ou infinitivos).
- 2) Troque pronomes (“ele”, “isso”, “o mesmo”) por termos explícitos quando houver risco de dúvida.
- 3) Acrescente critérios objetivos (prazo, formato, responsável, canal) quando a orientação puder ser interpretada de mais de um modo.
Clareza e correção na comunicação escrita: padrão do cotidiano (redação oficial aplicada)
Na redação oficial do cotidiano, busca-se linguagem impessoal, objetiva e padronizada, com informações completas e verificáveis. A correção gramatical sustenta a clareza; a clareza reduz retrabalho e conflitos.
Princípios práticos
- Objetividade: uma ideia por frase, evitando rodeios.
- Impessoalidade: preferir “solicita-se”, “informa-se”, “comunica-se” quando adequado.
- Precisão: datas, prazos, canais, anexos e responsáveis explícitos.
- Padronização: termos consistentes (não alternar “solicitante/cliente/usuário” sem motivo).
Modelos curtos (com estrutura clara)
1) Solicitação de documento
Assunto: Complementação de documentação Para dar andamento à solicitação, solicitamos o envio dos seguintes documentos: 1) RG e CPF; 2) comprovante de residência atualizado (emitido nos últimos 90 dias). O envio deve ser realizado até DD/MM/AAAA, pelo canal informado no atendimento. Em caso de dúvida, favor retornar com o número do protocolo XXXXX.2) Informação de pendência e prazo
Consta pendência de assinatura no termo de adesão. Para regularização, o titular deve assinar o documento e devolvê-lo até DD/MM/AAAA. Após o recebimento, o prazo de análise será de X dias úteis.3) Resposta objetiva com base em regra
Conforme as regras aplicáveis ao procedimento, a atualização cadastral requer documento de identificação válido e comprovante de residência. Assim, não é possível concluir a solicitação sem a apresentação dos documentos listados.Checklist de revisão (antes de enviar)
- 1) O texto responde: o quê, quem, quando, como e onde?
- 2) Há termos vagos (“o mais rápido possível”, “documento atualizado”) que precisam de critério?
- 3) Há risco de ambiguidade por pronomes (“ele”, “isso”, “o mesmo”)?
- 4) Regência e crase: verbos/nomes exigem preposição? Se houver “a” + feminino com artigo, marcou “à”?
- 5) Pontuação: não há vírgula separando sujeito do verbo? Listas estão bem formatadas?
- 6) Concordância: verbo concorda com o núcleo do sujeito? Adjetivos concordam com o substantivo?