Pestana no Violão Passo a Passo: Fá Maior e as Formas Móveis que Destravam Qualquer Tom

Capítulo 10

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

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Neste capítulo você vai aprender a pestana, a técnica que faltava para montar Fá maior e Si menor e, com eles, completar os dois campos harmônicos que você conheceu no capítulo sete. Você vai chegar lá em etapas, começando por versões simplificadas, e vai descobrir que uma única forma de mão, deslizada pelo braço, gera qualquer acorde maior ou menor do violão.

O que é a pestana como técnica e por que ela custa no começo

No capítulo um você conheceu a pestana como a peça branca que fica entre a cabeça e a escala, sustentando as cordas. A palavra tem um segundo sentido. Na mão esquerda, fazer uma pestana é deitar o dedo 1 sobre várias cordas ao mesmo tempo, na mesma casa, como se ele fosse uma pestana móvel. Em vez de uma ponta pressionando uma corda, é a lateral inteira do dedo pressionando duas, quatro ou seis cordas de uma vez.

Ela é difícil no início por três motivos. Primeiro, o dedo precisa distribuir pressão por igual, e ele tem dobras nas articulações por onde a corda escapa e abafa. Segundo, a casa 1 é o ponto de maior tensão do braço, porque fica colada na pestana peça e a corda quase não cede. Terceiro, a tentação natural é apertar com força bruta, o que cansa a mão em segundos e leva à dor de alerta no polegar. A boa notícia é que pestana é técnica, não força. Você vai construí-la de trás para a frente, começando onde é fácil.

A técnica que economiza força

  1. Use a lateral do dedo 1, não a parte de dentro. Gire o dedo levemente na direção da cabeça do violão, de modo que a face mais ossuda, do lado do polegar, fique sobre as cordas. Essa face é mais dura e tem menos dobras.
  2. Deite o dedo bem perto do traste. Vale a mesma regra do capítulo três: quanto mais perto do traste, menos pressão você precisa. A ponta do dedo pode passar um pouco além da corda 6, isso é normal.
  3. Centralize o polegar atrás do braço. O polegar P fica na parte de trás, mais ou menos na altura do dedo 2, apontando para cima. Se ele subir por cima do braço, a pestana não fecha.
  4. Puxe com o braço em vez de apertar com a mão. Deixe o cotovelo esquerdo pesar levemente para baixo e para trás, como se puxasse o braço do violão em direção ao seu corpo. O peso do antebraço faz a maior parte do trabalho, e a pinça entre dedo e polegar apenas completa.
  5. Faça a checagem corda por corda. Toque cada corda separadamente, da 6 até a 1, dizendo em voz alta se soou limpa. Se uma corda abafar, não aperte mais: role o dedo um milímetro para um lado ou ajuste a altura do cotovelo até ela soar.
Mão esquerda fazendo pestana completa com o dedo indicador deitado sobre as seis cordas na casa um do violão

Preparação em etapas na casa cinco

Toda a preparação começa na casa 5, onde as cordas ficam mais longe da pestana peça e cedem com facilidade. Só depois você desce. Faça cada etapa com o metrônomo em sessenta bpm, contando quatro tempos em voz alta e tocando uma corda por tempo.

  1. Pestana de duas cordas. Deite o dedo 1 sobre as cordas 1 e 2 na casa 5. Toque a corda 2 no tempo um, a corda 1 no tempo dois, e descanse nos tempos três e quatro. Repita quatro vezes.
  2. Pestana de quatro cordas. Estenda o dedo sobre as cordas 1 a 4 na casa 5. Toque uma corda por tempo, da 4 até a 1, contando um, dois, três, quatro. Repita quatro vezes.
  3. Pestana de seis cordas. Deite o dedo sobre as seis cordas na casa 5. Toque da corda 6 até a 1 em seis tempos, depois solte a mão por inteiro e sacuda os dedos. Repita quatro vezes.
  4. Migração. Quando a etapa de seis cordas soar limpa na casa 5, repita tudo na casa 3. Quando soar limpa na casa 3, repita na casa 1. Essa migração pode levar dias, e está tudo bem.

Entre uma repetição e outra, sempre solte a mão. A pestana se treina em séries curtas, nunca segurando por minutos seguidos.

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Fá maior em três versões

F simplificado

Esta versão usa só as quatro cordas agudas e já substitui o Dm que você vinha usando no lugar do F. Monte assim: dedo 1 deitado sobre as cordas 1 e 2 na casa 1, dedo 2 na corda 3 casa 2, dedo 3 na corda 4 casa 3. Toque da corda 4 para baixo, evitando as cordas 5 e 6. A corda do baixo é a corda 4. Repare que os dedos 2 e 3 ficam em diagonal, um em cada casa: é o mesmo desenho que os dedos 1 e 3 fazem no Mi maior, nas cordas 3 e 4, só que uma casa para a frente.

F com pestana parcial

Agora a pestana cresce e entram os dedos que faltavam. Dedo 1 deitado sobre as cordas 1 a 4 na casa 1, dedo 2 na corda 3 casa 2, dedo 3 na corda 5 casa 3, dedo 4 na corda 4 casa 3. Toque da corda 5 para baixo. Observe que os dedos 2, 3 e 4 desenham exatamente a forma do Mi maior do capítulo sete, apenas com os dedos renumerados: o que era dedo 1 virou dedo 2, o dedo 2 virou dedo 3 e o dedo 3 virou dedo 4.

F completo

Chegou a versão definitiva. Dedo 1 deitado sobre as seis cordas na casa 1, dedo 2 na corda 3 casa 2, dedo 3 na corda 5 casa 3, dedo 4 na corda 4 casa 3. Toque as seis cordas. A corda do baixo é a corda 6. Faça a checagem corda por corda. Repare que, nesta forma, a pestana só precisa de fato segurar as cordas 6, 2 e 1, porque as outras estão sob os dedos 2, 3 e 4. As cordas que mais abafam costumam ser a 2, justamente onde fica a dobra da articulação do dedo 1, e a 1, perto da ponta. Se elas falharem, gire o dedo um pouco mais para a lateral. Se a corda 3 abafar, o problema não é a pestana, e sim o dedo 2, que precisa se aproximar do traste ou ficar mais na ponta.

Pessoa sentada treinando o acorde de Fá maior completo com pestana no violão de nylon

A forma de Mi destrava qualquer acorde maior

Aqui está o segredo que compensa todo o esforço. O F completo é a forma de Mi maior empurrada uma casa para a frente, com o dedo 1 fazendo o papel da pestana peça. Se você deslizar essa forma inteira e fizer a pestana em outra casa, o acorde muda de nome, mas continua maior. Com a pestana na casa 1, é Fá maior. Na casa 3, é Sol maior. Na casa 5, é Lá maior. Na casa 7, é Si maior. Na casa 8, é Dó maior. Na casa 10, é Ré maior. Por isso ela é chamada de forma móvel. O motivo de cada casa receber esse nome ficará claro no capítulo de transposição; por enquanto, guarde a tabela.

A mesma lógica vale para os menores. Se você fizer a pestana e colocar apenas o dedo 3 na corda 5 e o dedo 4 na corda 4, duas casas à frente da pestana, terá a forma de Mi menor móvel. Na casa 1 é Fá menor, na casa 3 é Sol menor, e assim por diante.

Para o Si menor, porém, existe um caminho mais curto do que subir a forma de Em até a casa 7. Use a forma de Lá menor com pestana na casa 2. Monte assim: dedo 1 deitado sobre as cordas 1 a 5 na casa 2, dedo 2 na corda 2 casa 3, dedo 3 na corda 4 casa 4, dedo 4 na corda 3 casa 4. Toque da corda 5 para baixo, evitando a corda 6. A corda do baixo é a corda 5. Compare com o Am: os dedos 2, 3 e 4 fazem o mesmo desenho que os dedos 1, 2 e 3 faziam, uma casa acima da pestana. Com o Bm em mãos, o campo harmônico de Sol está completo, e com o F, o de Dó também.

Exercícios com metrônomo e limite diário

Coloque o metrônomo em sessenta bpm e use a batida simples de um toque para baixo por tempo, dizendo o nome do acorde no tempo um e começando a mover os dedos no tempo de preparação.

  • Dó, Fá, Sol. Toque C por quatro tempos, F por quatro tempos, G por quatro tempos, e repita. Nas primeiras sessões use o F simplificado. Depois troque pelo F parcial e, por fim, pelo F completo. Do C para o F, o dedo 1 já está na casa 1: ele só deita. Do F para o G, o dedo 3 sobe da corda 5 para a corda 6 e serve de guia, enquanto o dedo 2 passa da corda 3 para a corda 5 e o dedo 4 salta da corda 4 para a corda 1; a pestana se desfaz.
  • Sol, Mi menor, Si menor, Dó. Quatro tempos em cada acorde. A troca difícil é Em para Bm. Prepare a forma no ar durante o tempo quatro e aceite que no início ela vai atrasar. Se precisar, dê dois compassos para o Bm.
  • Método do minuto. Aplique o método do capítulo seis ao par C e F e ao par Em e Bm. Anote quantas trocas limpas você faz em um minuto e suba cinco bpm apenas quando o número se mantiver por três dias.

Agora a regra de segurança. Nas duas primeiras semanas, limite a pestana a cinco minutos por sessão, em séries de quatro repetições com pausa entre elas. Preencha o restante dos quinze minutos com as levadas dos capítulos oito e nove sobre acordes que você já domina. A ardência nas pontas e a lateral do dedo 1 é normal. Dor no polegar, no pulso ou no cotovelo, assim como formigamento ou dormência nos dedos ou na mão, é sinal de alerta: pare no mesmo instante, sacuda a mão e revise a posição do polegar, o alinhamento do pulso e o peso do cotovelo. Se essa dor ou dormência continuar por mais de dois dias depois de descansar, procure um médico ou fisioterapeuta antes de voltar a treinar.

Resumo

Pestana é o dedo 1 deitado sobre várias cordas, feita com a lateral do dedo, polegar centrado atrás do braço e o peso do cotovelo puxando em vez da mão apertando. Ela se prepara na casa 5, em duas, quatro e seis cordas, migrando para a casa 3 e depois para a casa 1. O Fá maior vem em três versões: simplificado nas quatro cordas agudas, com pestana parcial de quatro cordas e completo com pestana nas seis cordas na forma de Mi. Essa forma, deslizada pelo braço, gera qualquer acorde maior, a forma de Mi menor gera os menores, e a forma de Lá menor com pestana na casa 2 dá o Si menor. Treine as sequências Dó, Fá, Sol e Sol, Mi menor, Si menor, Dó em sessenta bpm, no máximo cinco minutos de pestana por dia no início, parando diante de qualquer dor de alerta, formigamento ou dormência.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Por que a pestana é difícil no início, segundo o capítulo?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O capítulo explica que a pestana é difícil por três motivos específicos: o dedo 1 tem dobras nas articulações que deixam a corda escapar, a casa 1 é um ponto de tensão extrema onde a corda quase não cede, e a tendência de apertar com força bruta causa cansaço rápido. A solução é usar técnica, não força, começando o treinamento em casas mais fáceis.

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