Neste capítulo você vai aprender a abrir a cifra de qualquer música em um site ou aplicativo e entender tudo o que está escrito nela: onde cada acorde entra na letra, o que significam as seções, e o que querem dizer os números e letrinhas que aparecem grudados no nome do acorde, como sete, sus e a barra. Você já sabe montar dez acordes e tocar oito levadas. Agora vai ganhar a chave que abre o repertório inteiro da internet.
Como uma cifra aparece na tela
Cifra é o nome que damos ao texto de uma música com os acordes escritos por cima da letra. Ela tem três partes. A primeira é o cabeçalho, no alto da página. Ali aparece o tom da música, por exemplo tom: G, e às vezes uma indicação de capotraste, como capotraste na casa dois. Por enquanto, apenas leia essa linha e siga adiante; o capotraste será assunto do próximo capítulo. Se o cabeçalho disser afinação padrão, ótimo, é a que você aprendeu.
A segunda parte são as seções. Os sites dividem a música em blocos com nomes entre colchetes ou em destaque: intro é a introdução instrumental, antes de a letra começar; verso ou primeira parte é a estrofe que conta a história; refrão é a parte que se repete e que todo mundo canta junto; ponte é um trecho diferente que aparece uma vez, geralmente antes do último refrão. Também aparecem sinais de repetição, como duas vezes, bis, ou a instrução repete refrão. Quando vir isso, toque o bloco de novo, sem procurar acordes novos.
A terceira parte é a letra com os acordes. Cada acorde está escrito exatamente em cima da sílaba onde ele deve começar a soar. Se estiver escrito G em cima de ci na palavra ciranda, você troca para Sol maior no instante em que canta ci e mantém esse acorde até aparecer o próximo nome. Se um verso inteiro passa sem acorde novo, é porque o acorde anterior continua. A intro geralmente vem só com a sequência de acordes, sem letra, e você toca um ou dois compassos de cada um com a levada escolhida.
Os símbolos, um por um
Letra sozinha e a letra com m
Isso você já conhece. Letra sozinha é acorde maior, como C, G e D. Letra com m minúsculo é acorde menor, como Am, Em e Dm. Guarde uma regra de ouro: o m é o único sufixo que muda o caráter do acorde de forma que se nota muito. Os demais são temperos.
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O número sete: acorde com sétima
Quando aparece o número sete depois da letra, como G7, temos um acorde com sétima. Ele acrescenta uma nota que cria tensão e pede para andar até o acorde seguinte. Por isso o sete quase sempre aparece no grau cinco, logo antes de voltar à tônica. A boa notícia é que cada um deles nasce de um acorde que você já sabe.
- G7: monte o Sol maior com a variante dos dedos dois e três nas cordas cinco e seis, e, em vez do dedo quatro na corda um casa três, coloque o dedo um na corda um casa um. Toque as seis cordas.
- E7: monte o Mi maior e simplesmente levante o dedo três da corda quatro, deixando essa corda solta. Toque as seis cordas.
- A7: monte o Lá maior e levante o dedo da corda três, deixando-a solta. Ficam dedo um na corda quatro casa dois e dedo três na corda dois casa dois. Não toque a corda seis.
- D7: dedo um na corda dois casa um, dedo dois na corda três casa dois, dedo três na corda um casa dois. Toque da corda quatro para baixo. Repare que é um triângulo invertido em relação ao Ré maior.
- C7: monte o Dó maior e acrescente o dedo quatro na corda três casa três. Toque da corda cinco para baixo.

maj7 ou 7M: sétima maior
Se depois da letra vier maj7, ou 7M com M maiúsculo, é a sétima maior, um acorde de som suave e sonhador, muito comum em bossa nova e MPB. Exemplo: Cmaj7 é o Dó maior com o dedo um levantado, deixando a corda dois solta. Ficam só os dedos dois e três. Não confunda: o sete sozinho é tenso, o maj7 é macio.
sus2 e sus4
O sufixo sus, com o número dois ou quatro, indica um acorde suspenso: uma nota do acorde foi trocada por uma vizinha, criando a sensação de que algo ficou no ar e vai resolver no acorde normal. Em geral a cifra alterna, por exemplo, D, Dsus4, D. Dsus4: monte o Ré maior e troque o dedo dois da corda um casa dois pelo dedo quatro na corda um casa três. Asus2: monte o Lá maior e levante o dedo três da corda dois, deixando-a solta.
add9: nota acrescentada
Add quer dizer acrescentar. Cadd9 é o Dó maior com uma nota a mais que dá brilho. Montagem: dedo três na corda cinco casa três, dedo dois na corda quatro casa dois, dedo quatro na corda dois casa três, cordas três e um soltas, sem a corda seis. Repare que é o C com o dedo da corda dois subindo da casa um para a casa três.
A barra de baixo
Quando você vê duas letras separadas por uma barra inclinada, como C barra G ou D barra F sustenido, a letra antes da barra é o acorde e a letra depois da barra é a nota mais grave que deve soar embaixo dele. É um acorde normal com um baixo diferente. C barra G: monte o Dó maior e acrescente o dedo quatro na corda seis casa três; agora toque as seis cordas. D barra F sustenido: monte o Ré maior e pressione a corda seis na casa dois. Muita gente faz isso passando o polegar por cima do braço, ou remontando o acorde com o dedo um na corda seis casa dois, dedo dois na corda três casa dois, dedo três na corda dois casa três e dedo quatro na corda um casa dois. Se estiver difícil, a regra do iniciante é simples: toque só o acorde antes da barra e ignore o baixo. A música continua funcionando.

Sustenido e bemol
O sinal de sustenido, que parece uma cerquinha e é a mesma tecla de hashtag do celular, sobe o acorde meio tom, ou seja, uma casa. O sinal de bemol, uma letra b minúscula, desce meio tom. Assim, F sustenido maior é a forma de Mi com pestana na casa dois, e B bemol maior é a mesma forma na casa seis. Você já tem essa ferramenta desde o capítulo da pestana. Como calcular cada um com rapidez será assunto do próximo capítulo.
Diminuto e aumentado: só para reconhecer
Se aparecer dim, um pequeno círculo elevado, ou a palavra aum ou o sinal de mais, trata-se de um acorde diminuto ou aumentado. São acordes de passagem, de um compasso ou menos. Neste momento basta reconhecê-los e aplicar a estratégia a seguir.
A estratégia de simplificação
Aqui está o segredo que faz um iniciante tocar qualquer cifra hoje. Olhe para o nome do acorde e pergunte: qual é a letra, e ela tem m minúsculo grudado? Toque só isso. G7 vira G. Cmaj7 vira C. Asus2 vira A. Dsus4 vira D. C barra G vira C. Am7 vira Am. Em9 vira Em. Se o acorde for diminuto ou aumentado, toque o acorde anterior por mais um tempo e siga. Depois, quando a música já estiver saindo inteira, vá reintroduzindo os temperos um a um, começando pelos setes, que são os mais fáceis. E lembre que alguns sites brasileiros escrevem os nomes em português, como Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si, em vez de C, D, E, F, G, A e B. A correspondência é a que você viu no capítulo de afinação; os sufixos são exatamente os mesmos.
Exercício: lendo uma cifra completa em voz alta
Imagine a cifra de uma canção com o seguinte conteúdo. No cabeçalho está escrito tom: G. A intro traz G, D, Em, C. O verso vai assim: G na palavra quando, D na palavra noite, Em na palavra chega, C na palavra canto. O refrão traz C na palavra vem, G na palavra comigo, D7 na palavra ficar e G na palavra aqui, com a indicação duas vezes. Faça o exercício em três passos, sem o violão. Primeiro, leia as seções na ordem, dizendo o nome de cada uma. Segundo, leia cada acorde em voz alta com seu nome completo em português: Sol maior, Ré maior, Mi menor, Dó maior, Ré com sétima. Terceiro, descubra o tom. O cabeçalho já diz G, mas confira: a música começa e termina em G, o acorde de repouso, e todos os outros, D, Em, C e D7, pertencem ao campo harmônico de Sol que você aprendeu. Quando uma cifra não trouxer o tom no cabeçalho, use exatamente esse raciocínio: o acorde onde a música descansa no final é a tônica, e os demais devem caber na família dela.
Depois de ler, pegue o violão, ligue o metrônomo em sessenta e cinco bpm e toque a cifra com a batida simples, um acorde por compasso, dizendo o nome do acorde no tempo um. Faça o D7 na versão completa, pois você já sabe montá-lo. Em seguida, escolha uma música de verdade que você gosta, abra a cifra no celular e repita os três passos.
Resumo
Uma cifra tem cabeçalho com o tom, seções como intro, verso, refrão e ponte, sinais de repetição e acordes escritos sobre a sílaba onde entram. Os sufixos são temperos: sete traz tensão e nasce de um acorde que você já sabe; maj7 é suave; sus2 e sus4 ficam no ar e resolvem; add acrescenta uma nota; a barra indica o baixo, que pode ser ignorado no início; sustenido e bemol sobem ou descem uma casa; dim e aumentado bastam ser reconhecidos. Na dúvida, toque a letra com o m se houver, e nada mais. E encontre o tom pelo acorde de repouso e pelo campo harmônico.