NR-35 para Iniciantes: Sinalização, Isolamento de Área e Proteção Contra Queda de Objetos

Capítulo 10

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

Conceitos: por que sinalizar, isolar e proteger contra queda de objetos

Em trabalho em altura, o risco não está apenas com quem está no nível elevado. A área inferior e as áreas adjacentes podem ser atingidas por queda de objetos (ferramentas, parafusos, pedaços de material, respingos), por movimentação de cargas e por trânsito de pessoas que não participam da atividade. Por isso, a sinalização e o isolamento têm três objetivos práticos: impedir acesso indevido, organizar rotas seguras e comunicar o risco de forma simples e contínua durante toda a execução.

O isolamento não é “colocar uma fita”. É um arranjo de controle que define: (1) perímetro (onde ninguém deve entrar), (2) pontos de acesso controlado (onde alguém pode entrar com autorização), (3) rotas alternativas (por onde terceiros podem circular sem passar na zona de risco) e (4) responsável por manter a eficácia (quem repõe cones, ajusta barreiras e orienta pessoas).

Planejamento do isolamento: como definir perímetro, acessos e rotas

1) Levantamento rápido do “cone de risco” de queda de objetos

Antes de montar qualquer barreira, observe o que pode cair e de onde: ferramentas manuais, peças pequenas, sobras de corte, embalagens, fragmentos, poeira, respingos de tinta/argamassa, além de objetos que podem ser derrubados por vento ou por movimentação do trabalhador. Em seguida, estime a área de impacto provável no piso inferior. Como regra prática, quanto maior a altura e quanto mais “solto” o material, maior deve ser o perímetro.

  • Queda vertical direta: risco concentrado abaixo do ponto de trabalho.
  • Queda com projeção: risco se espalha (ex.: uso de esmerilhadeira, corte, perfuração, vento, arremesso acidental).
  • Queda durante içamento/descida: risco acompanha a rota de movimentação de materiais.

2) Definição do perímetro (zona de exclusão)

Desenhe mentalmente (ou em croqui simples) a zona onde ninguém deve permanecer. Considere:

  • Altura e tipo de tarefa (montagem, manutenção, pintura, corte, instalação).
  • Ferramentas e materiais (peças pequenas aumentam chance de queda “silenciosa”).
  • Condições ambientais (vento, chuva, vibração, iluminação).
  • Interferências (portas, corredores, docas, escadas, rotas de empilhadeira).

Se houver circulação inevitável próxima, transforme o perímetro em corredor protegido (barreira rígida e/ou proteção superior/rodapé/tela, conforme viabilidade) e mantenha o fluxo fora da projeção de queda.

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3) Rotas alternativas e fluxo de pessoas

Isolar sem oferecer alternativa cria “atalhos” e violações. Planeje:

  • Desvio sinalizado (setas, cones guiando, placas de orientação).
  • Ponto de travessia controlada (quando não há desvio possível): travessia somente com autorização e com a atividade interrompida momentaneamente, se necessário.
  • Separação de pedestres e veículos (barreiras e sinalização específicas).

4) Controle de acesso e comunicação com terceiros

Defina como terceiros serão informados e impedidos de entrar:

  • Responsável pelo isolamento: uma pessoa designada para montar, inspecionar e manter o isolamento.
  • Ponto único de entrada (quando aplicável): acesso por um local visível, com placa e orientação.
  • Comunicação prévia: avise áreas vizinhas (produção, logística, manutenção, segurança patrimonial) sobre horário, local e impacto nas rotas.
  • Reforço em mudanças: se a frente de trabalho se deslocar, o isolamento deve “andar junto” (não deixe área antiga aberta e área nova sem proteção).

Sinalização mínima necessária e como montar na prática

Elementos de sinalização e isolamento (quando usar cada um)

  • Fita zebrada: boa para delimitação visual rápida; não impede passagem. Use quando o risco é baixo/moderado e há boa disciplina de circulação.
  • Cones: criam “linha” visual e ajudam a guiar rotas; precisam de espaçamento adequado e estabilidade.
  • Cavaletes/barreiras móveis: aumentam a restrição física; úteis em corredores e entradas.
  • Gradis/barreiras rígidas: melhor escolha quando há grande fluxo de pessoas, risco elevado ou histórico de invasão de área.
  • Placas: comunicam o motivo e a proibição/obrigação (ex.: “Área isolada”, “Risco de queda de objetos”, “Acesso restrito”).

Princípio prático: quanto maior o risco e o fluxo de terceiros, mais “física” deve ser a barreira. Fita sozinha raramente é suficiente em áreas com circulação intensa.

Passo a passo: montagem do isolamento no campo

  1. Marque o perímetro no piso (mentalmente ou com referência visual). Identifique entradas naturais: portas, corredores, escadas, passagens entre máquinas.

  2. Escolha o tipo de barreira (fita + cones; barreira móvel; gradil). Se houver risco de impacto de veículos, priorize barreira rígida e afastamento maior.

  3. Monte primeiro os pontos críticos: entradas e rotas de maior fluxo. Em seguida, feche o restante do perímetro.

  4. Instale placas em locais de decisão (onde a pessoa escolhe entrar ou desviar). Evite placa “perdida” no meio do isolamento.

  5. Crie rota alternativa com sinalização direcional (cones guiando e placas de orientação). Se não houver rota, estabeleça travessia controlada.

  6. Defina e sinalize o ponto de acesso autorizado (se necessário). Ex.: “Entrada autorizada somente com responsável”.

  7. Verifique visibilidade: a sinalização deve ser vista de longe e em diferentes ângulos. Ajuste para iluminação baixa, reflexos ou obstáculos.

  8. Teste a eficácia: caminhe como um “terceiro distraído”. É fácil entender que não pode passar? Existe “brecha” convidativa? A rota alternativa é óbvia?

Como manter a eficácia durante a execução

Isolamento falha por “degradação” ao longo do tempo: fita cai, cone é deslocado, alguém abre passagem, o trabalho muda de posição. Para manter:

  • Inspeção periódica (ex.: a cada mudança de etapa, a cada intervalo, após movimentação de material, após vento/chuva).
  • Reposição imediata de itens deslocados.
  • Atualização do perímetro quando a frente de trabalho se move.
  • Controle de materiais: não deixe caixas, sobras e ferramentas “invadirem” a rota alternativa.
  • Comunicação ativa: oriente terceiros que se aproximarem; não confie apenas na placa.

Proteção contra queda de ferramentas e materiais

Fontes comuns de queda de objetos

  • Ferramentas manuais (chaves, alicates, trenas, estiletes).
  • Fixadores e peças pequenas (parafusos, porcas, abraçadeiras, conectores).
  • Materiais de consumo (latas, cartuchos, rolos, panos).
  • Sobras de corte (rebarbas, fragmentos).
  • Objetos apoiados em superfícies instáveis (beirais, pranchas, bandejas improvisadas).

Medidas práticas: amarração, bolsas, rodapés, telas e organização

  • Amarração (tool lanyard): use para ferramentas com risco de queda. Fixe em ponto adequado do cinto/porta-ferramentas, evitando comprimento que permita “efeito chicote” ou enrosco. Prefira sistemas com absorção de energia para reduzir tranco.
  • Bolsas e porta-ferramentas fechados: para peças pequenas e fixadores. Evite carregar itens soltos em bolsos abertos.
  • Organização do posto: mantenha apenas o necessário no nível elevado; o excedente fica armazenado em local seguro. Separe “em uso” e “reserva”.
  • Rodapés (quando houver plataforma/andaime/estrutura com piso): reduzem queda de objetos rolantes. Verifique continuidade (sem vãos) e fixação.
  • Telas/redes de retenção: úteis quando há risco de projeção lateral ou quando o perímetro não pode ser ampliado. Devem estar bem fixadas e dimensionadas para o tipo de material.
  • Bandejas/recipientes para miudezas: use recipientes estáveis, com borda, evitando improvisos (caixas leves que tombam).
  • Controle de resíduos: descarte frequente de sobras; não acumule rebarbas e embalagens no alto.

Inspeção rápida antes e durante

Inclua verificações simples e repetíveis:

  • Ferramentas com ponto de conexão íntegro (sem trincas, sem improviso com arame).
  • Lanyards sem cortes, nós indevidos, mosquetões funcionando.
  • Porta-ferramentas e bolsas sem rasgos e com fechamento eficiente.
  • Rodapés/telas sem folgas e sem pontos de passagem de objetos.
  • Área de trabalho sem itens apoiados em bordas.

Checklist de isolamento e proteção contra queda de objetos

ItemVerificaçãoStatus
Perímetro definidoZona de exclusão cobre área inferior e projeções lateraisOK / Ajustar
Entradas mapeadasPortas, corredores, escadas e passagens identificadasOK / Ajustar
Barreira adequadaFita/cones vs barreira rígida conforme fluxo e riscoOK / Ajustar
Placas posicionadasEm pontos de decisão, legíveis e coerentes com o riscoOK / Ajustar
Rota alternativaDesvio claro, sem obstáculos, sinalizado até o destinoOK / Ajustar
Acesso controladoPonto de entrada autorizado definido (se aplicável)OK / Ajustar
Responsável designadoQuem monta/inspeciona/ajusta o isolamento está definidoOK / Ajustar
Inspeção periódicaFrequência definida (por etapa/intervalo/mudança)OK / Ajustar
Ferramentas amarradasFerramentas críticas com lanyard e conexão corretaOK / Ajustar
Peças pequenas contidasBolsas fechadas/recipientes estáveis; nada soltoOK / Ajustar
Rodapés/telasInstalados quando aplicável, sem vãos e bem fixadosOK / Ajustar
Organização do postoSem acúmulo; materiais longe de bordas; descarte frequenteOK / Ajustar
Comunicação com terceirosÁreas impactadas avisadas; orientação ativa no localOK / Ajustar

Cenários de campo: decida o arranjo adequado

Cenário 1: manutenção em telhado sobre corredor de pedestres

Situação: equipe fará substituição de exaustor no telhado. Abaixo há um corredor interno com fluxo constante. Há risco de queda de parafusos e ferramentas.

Decisão do aluno: qual arranjo é mais adequado?

  • Opção A: fita zebrada apenas, mantendo corredor aberto.
  • Opção B: isolamento com barreira rígida fechando o corredor, rota alternativa sinalizada, placas em ambas as entradas, e ferramenta com amarração + bolsa para fixadores.
  • Opção C: cones espaçados sem placas, orientando “passar rápido”.

Critérios para escolher: fluxo alto + risco de objetos pequenos = necessidade de impedir acesso e oferecer desvio claro. Considere também travessia controlada apenas se não houver rota alternativa.

Cenário 2: trabalho em plataforma elevatória ao lado de via de empilhadeira

Situação: instalação de luminária a 6 m de altura. A plataforma fica próxima à rota de empilhadeiras. Há risco de colisão e de queda de ferramentas.

Decisão do aluno: como isolar?

  • Opção A: fita e cones no chão, sem alterar rota da empilhadeira.
  • Opção B: barreira rígida e afastamento que impeça aproximação do veículo, desvio da rota com sinalização, e ponto de controle para liberar passagem quando a plataforma estiver recolhida.
  • Opção C: apenas um colaborador “avisando” os motoristas.

Critérios para escolher: interação com veículos pede barreira física e gestão de rota; comunicação verbal sozinha é frágil.

Cenário 3: pintura em fachada com risco de respingos e queda de materiais leves

Situação: pintura em altura com rolos e baldes; risco de respingo e queda de panos/fitas/materiais leves com vento. Área inferior é um pátio com circulação moderada.

Decisão do aluno: qual combinação faz sentido?

  • Opção A: ampliar perímetro, usar cones + fita, placas de alerta, e organizar materiais em recipientes estáveis; considerar tela de retenção se houver projeção lateral.
  • Opção B: isolar apenas o ponto exatamente abaixo, sem considerar vento.
  • Opção C: sem isolamento, apenas aviso verbal.

Critérios para escolher: vento e materiais leves aumentam projeção; sinalização deve orientar desvio e proteger contra respingos.

Cenário 4: montagem com peças pequenas em mezanino sobre área de produção

Situação: montagem de suportes com muitas porcas e arruelas. Abaixo há postos de trabalho fixos (pessoas não podem ser realocadas facilmente).

Decisão do aluno: como reduzir risco para quem está embaixo?

  • Opção A: manter produção e usar apenas fita no piso.
  • Opção B: combinar contenção no nível superior (bolsas fechadas, recipientes, rodapé/tela), criar proteção coletiva adicional (ex.: tela/anteparo sob a borda do mezanino quando aplicável), e isolar a área inferior com barreira rígida onde for possível.
  • Opção C: permitir circulação normal e pedir “atenção redobrada”.

Critérios para escolher: quando não dá para afastar pessoas, a prioridade é reter o objeto na origem (contenção/organização) e criar barreiras/anteparos para reduzir exposição.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em um trabalho em altura com grande fluxo de pessoas na área inferior e risco de queda de objetos pequenos, qual arranjo de isolamento e proteção é mais adequado?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Com risco elevado e circulação intensa, a barreira deve ser mais física para impedir acesso indevido, com rota alternativa bem sinalizada. Além disso, é necessário reter objetos na origem usando amarração de ferramentas e contenção de peças pequenas.

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