NR-35 para Iniciantes: Proteção Coletiva no Trabalho em Altura Conforme NR-35

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

+ Exercício

Conceito e lógica de controle: por que a proteção coletiva vem primeiro

Proteção coletiva (PC) no trabalho em altura é o conjunto de sistemas que reduz o risco de queda e de queda de materiais para todas as pessoas expostas, sem depender do comportamento individual a cada movimento. Na lógica de controle prevista na NR-35, prioriza-se a proteção coletiva sempre que tecnicamente possível, complementando com proteção individual quando necessário (por exemplo, em pontos de transição, montagem/desmontagem, ou quando a PC não elimina totalmente o risco).

Na prática, a PC busca: (1) impedir a queda (barreiras e guarda-corpos), (2) limitar consequências caso ocorra (redes), (3) organizar e segregar áreas (barreiras físicas e sinalização), e (4) oferecer pontos coletivos de ancoragem para sistemas de retenção/posicionamento quando aplicável (linhas de ancoragem coletivas).

Sistemas de proteção coletiva aplicáveis e quando usar

1) Guarda-corpos e rodapés

São barreiras instaladas em bordas de lajes, plataformas, passarelas, aberturas e perímetros de trabalho para impedir a queda de pessoas e a queda de ferramentas/materiais.

  • Aplicações típicas: bordas de lajes, mezaninos, telhados com acesso por passarela, plataformas de manutenção, aberturas de piso (quando não for possível tampar/fechar).
  • Critérios básicos de seleção: resistência compatível com o esforço esperado, fixação adequada ao substrato (concreto, aço, madeira), continuidade ao longo da borda, presença de rodapé quando houver risco de queda de objetos.
  • Limitações: não substitui controle de acesso (pessoas podem remover/abrir trechos), pode ser ineficaz se houver vãos, fixação fraca ou se a superfície de trabalho permitir escorregamento para fora da proteção.

2) Plataformas de trabalho (fixas, móveis, provisórias)

Estruturas que fornecem superfície estável para execução da tarefa, reduzindo improvisos como “pisar em terças”, “andar em telha” ou apoiar-se em elementos não projetados para carga.

  • Aplicações típicas: manutenção em fachadas, instalações industriais, áreas com necessidade de permanência e movimentação de ferramentas, frentes de serviço repetitivas.
  • Critérios básicos de seleção: capacidade de carga (pessoas + materiais), estabilidade (travamentos/contraventamentos), acesso seguro (escada incorporada/controle de acesso), guarda-corpo e rodapé quando houver borda exposta.
  • Limitações: risco de sobrecarga, deslocamento indevido, montagem incorreta, interferência com linhas energizadas ou equipamentos móveis.

3) Redes de segurança

São sistemas de retenção coletiva para reduzir a severidade de uma queda quando a prevenção por barreira não é viável (por exemplo, montagem estrutural, grandes vãos, frentes abertas).

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  • Aplicações típicas: estruturas metálicas, obras com vãos, montagem de coberturas, áreas onde a instalação de guarda-corpo é temporariamente impossível.
  • Critérios básicos de seleção: tipo de rede adequado ao cenário, área de cobertura suficiente, altura de instalação e folga para deformação sem colisão com obstáculos, pontos de fixação dimensionados.
  • Limitações: não elimina a queda; exige espaço livre abaixo; pode falhar se houver cortes, abrasão, fixação inadequada ou se receber queda de objetos pontiagudos/pesados fora do previsto.

4) Linhas de ancoragem coletivas (horizontais/estruturais)

São sistemas coletivos de ancoragem que permitem conectar equipamentos individuais (talabarte/trava-quedas) de forma organizada e com pontos projetados para suportar esforços, reduzindo improvisos como “ancorar em tubulação” ou “amarrar em guarda-corpo”.

  • Aplicações típicas: manutenção em coberturas, passarelas técnicas, áreas com deslocamento longitudinal, frentes de serviço com vários trabalhadores.
  • Critérios básicos de seleção: projeto/compatibilidade com a estrutura, pontos terminais e intermediários adequados, identificação e limitação de usuários simultâneos, compatibilidade com conectores e absorvedores de energia.
  • Limitações: exige cálculo/projeto e instalação correta; pode aumentar a distância de queda se mal configurada; não substitui guarda-corpo quando este for viável.

5) Barreiras físicas e segregação de áreas

São elementos que impedem acesso a zonas de risco (bordas, aberturas, área sob trabalho em altura) e organizam circulação, reduzindo exposição de terceiros e risco de queda de materiais sobre pessoas.

  • Aplicações típicas: isolamento de área inferior, bloqueio de acesso a aberturas, delimitação de rotas seguras, controle de aproximação de bordas.
  • Critérios básicos de seleção: robustez (não apenas fita), estabilidade, visibilidade, continuidade e posicionamento que realmente impeça a entrada.
  • Limitações: perde eficácia se houver “atalhos”, remoção para passagem, ou se não houver disciplina de controle de acesso.

Critérios práticos de seleção: como decidir qual proteção coletiva usar

Passo a passo de decisão (checklist rápido)

  1. Mapeie as bordas, aberturas e zonas de queda de materiais no local de trabalho (perímetro, vãos, claraboias, shafts, passagens).
  2. Pergunte primeiro: dá para eliminar a exposição? Ex.: executar a tarefa a partir de um piso inferior, usar ferramenta de longo alcance, pré-montagem em solo.
  3. Se não der para eliminar, priorize impedir a queda com guarda-corpo/rodapé, fechamento de aberturas, plataformas com proteção perimetral.
  4. Se impedir não for viável temporariamente (montagem, frente aberta), avalie retenção coletiva (redes) e/ou linhas de ancoragem coletivas para uso de sistemas individuais de forma controlada.
  5. Inclua segregação (barreiras físicas) para proteger terceiros e evitar circulação sob a área.
  6. Verifique interferências: vento, tráfego de equipamentos, proximidade de energia, corrosão, superfícies frágeis, acesso e resgate.
  7. Defina padrão de montagem e inspeção antes do início e durante a atividade (quem verifica, quando e como registrar).

Instalação e verificação: pontos críticos por sistema

Guarda-corpos e rodapés: instalação e checagens essenciais

  1. Fixação: confirme que o método de fixação é compatível com o material base (ex.: chumbadores adequados em concreto; grampos/projetos específicos em estrutura metálica).
  2. Continuidade: não deixe trechos “abertos” em cantos, encontros com escadas, passagens e mudanças de nível; se houver portinhola, ela deve permanecer fechada quando não estiver em uso.
  3. Rigidez: aplique verificação funcional (empurrão controlado) para identificar folgas, torções e deslocamentos.
  4. Rodapé: instale quando houver risco de queda de objetos; complemente com organização (porta-ferramentas, amarração de ferramentas quando aplicável).
  5. Compatibilidade com a tarefa: garanta que o guarda-corpo não force o trabalhador a se inclinar para fora para alcançar o ponto de trabalho (isso gera comportamento inseguro).

Plataformas: instalação e checagens essenciais

  1. Base e nivelamento: apoios firmes, sem “calços improvisados”; verifique travas e estabilizadores.
  2. Capacidade: sinalize e respeite carga; evite acúmulo de materiais em um único ponto.
  3. Acesso: escada/entrada segura, sem necessidade de “pular” ou escalar estruturas.
  4. Proteção perimetral: guarda-corpo e rodapé quando houver borda exposta.
  5. Integridade: verifique piso antiderrapante, ausência de tábuas soltas, corrosão, deformações e pontos cortantes.

Redes de segurança: instalação e checagens essenciais

  1. Projeto de cobertura: rede deve cobrir a zona de possível queda (incluindo deslocamentos laterais).
  2. Folga e espaço livre: confirme que a deformação da rede não levará a colisão com estruturas, máquinas ou o solo.
  3. Fixações: pontos de ancoragem e amarrações sem desgaste; evite contato com arestas vivas (use proteção de borda quando necessário).
  4. Integridade: inspecione malha, cordas, costuras, nós e pontos de abrasão/corte.
  5. Controle de objetos: avalie risco de queda de materiais pontiagudos; use bandejas, rodapés e contenções adicionais quando aplicável.

Linhas de ancoragem coletivas: instalação e checagens essenciais

  1. Conformidade do sistema: utilize sistema projetado/fornecido para essa finalidade; evite “cabo de aço improvisado” sem especificação.
  2. Pontos terminais e intermediários: verifique fixação, torque/travas, ausência de deformação e corrosão.
  3. Identificação: capacidade, número máximo de usuários, sentido de uso e inspeção devem estar definidos e acessíveis.
  4. Trajeto: linha posicionada para reduzir fator de queda e minimizar necessidade de desconexões.
  5. Compatibilidade: conectores e dispositivos devem correr/operar corretamente (teste funcional com o tipo de conector usado).

Barreiras físicas: instalação e checagens essenciais

  1. Robustez: prefira gradis, guarda-corpos provisórios, painéis ou barreiras rígidas em vez de apenas fita.
  2. Posicionamento: instale a uma distância que impeça aproximação da borda e crie rota segura.
  3. Continuidade e acesso controlado: evite “vãos” para passagem; quando houver portão, mantenha controle e fechamento.
  4. Área inferior: isole e sinalize para impedir circulação sob a atividade; ajuste o perímetro conforme a projeção de queda de objetos.

Roteiro de inspeção visual e funcional (antes de liberar o trabalho)

Use este roteiro como verificação rápida e repetível. A inspeção deve ocorrer antes do início e sempre que houver mudança (vento forte, impacto, remanejamento, troca de frente de serviço, movimentação de equipamentos).

1) Inspeção visual (olhar e identificar)

  • Integridade: há peças faltando, trincas, corrosão, deformações, cortes, nós improvisados, soldas quebradas?
  • Fixações: chumbadores/grampos/parafusos estão presentes e aparentam estar firmes? há folgas visíveis?
  • Continuidade: existem aberturas no perímetro, vãos em cantos, trechos removidos “temporariamente”?
  • Rodapé/contensão: há risco de queda de objetos? o rodapé existe e está contínuo?
  • Interferências: arestas vivas em contato com rede/linha; proximidade de energia; tráfego de equipamentos; pontos de esmagamento.
  • Organização: materiais acumulados na borda, ferramentas soltas, cabos/mangueiras criando tropeço.

2) Inspeção funcional (testar sem danificar)

  • Guarda-corpo: teste de rigidez com empurrão controlado em pontos críticos (cantos, emendas, portinholas). Não deve haver deslocamento significativo, soltura ou “balanço” excessivo.
  • Plataforma: caminhe e observe flexão anormal, ruídos, tábuas soltas; verifique travas/estabilizadores e acesso.
  • Rede: verifique tensão/amarrações, pontos de contato com arestas e se a área de cobertura está correta; confirme espaço livre abaixo.
  • Linha de ancoragem coletiva: teste a passagem do conector/dispositivo ao longo do trajeto; verifique se não há pontos que forcem desconexão; confirme identificação e limite de usuários.
  • Barreiras: tente acessar a zona restrita pelo caminho mais provável; se for fácil “passar por baixo/por cima”, a barreira não está eficaz.

3) Registro e ação imediata

  • Se houver não conformidade crítica (risco iminente de queda), não liberar a atividade até correção.
  • Registre o que foi encontrado, onde, e a correção aplicada (foto e checklist ajudam).
  • Reinspecione após a correção e após qualquer remanejamento.

Não conformidades comuns e como corrigir

SistemaNão conformidade comumRisco geradoCorreção prática
Guarda-corpoTrecho removido para passagem de material e não recolocadoQueda na borda expostaInstalar portinhola/trecho móvel com fechamento automático ou reorganizar logística para não exigir remoção; bloquear a área até recompor a proteção
Guarda-corpoFixação em base frágil (madeira deteriorada, chapa fina) ou com poucos pontosColapso da barreira ao esforçoRefazer fixação em elemento estrutural adequado; usar suportes e chumbadores corretos; reforçar montantes e travessas
RodapéAusente ou com vãosQueda de ferramentas/materiaisInstalar rodapé contínuo; complementar com bandeja/contensão e organização de materiais
PlataformaCalços improvisados, piso desnivelado, travas não acionadasTombamento/escorregamentoNivelar corretamente, usar sapatas/apoios adequados, acionar travas e estabilizadores; interditar até corrigir
PlataformaSobrecarga por acúmulo de materiaisRuptura/colapsoDefinir limite e logística de abastecimento; distribuir carga; retirar excedentes
RedeRede com abrasão/corte por contato com aresta vivaFalha na retençãoInstalar proteção de borda (capa/rolete), reposicionar e substituir trechos danificados; revisar pontos de contato
RedeEspaço livre insuficiente abaixoColisão após deformaçãoRebaixar/realocar a rede, ampliar área de cobertura, remover obstáculos ou adotar solução de prevenção (guarda-corpo/plataforma)
Linha de ancoragem coletivaSem identificação de capacidade/usuários; uso acima do previstoRuptura/sobrecargaRegularizar com especificação e identificação; limitar usuários; adequar projeto/instalação ao número necessário
Linha de ancoragem coletivaTrajeto obriga desconexões frequentesExposição a queda durante transiçõesReposicionar a linha, criar pontos intermediários, usar soluções que permitam passagem contínua; reorganizar o posto de trabalho
Barreiras físicasIsolamento apenas com fita, fácil de atravessarEntrada de terceiros na zona de riscoSubstituir por barreira rígida/gradil; criar acesso controlado; reforçar vigilância e rotas
Barreiras físicasÁrea inferior não isolada sob trabalho em alturaAcidente por queda de objetosIsolar perímetro compatível com a projeção de queda; ajustar conforme a frente de serviço; instalar contenções adicionais

Exemplos práticos de aplicação (cenários típicos)

Cenário A: manutenção em borda de laje

  • Preferência: guarda-corpo contínuo com rodapé ao longo da borda e barreira física para controlar aproximação de pessoas não envolvidas.
  • Complemento comum: linha de ancoragem coletiva para conectar sistemas individuais durante pontos de transição (entrada/saída da área) ou quando houver necessidade de trabalhar além do plano do guarda-corpo (avaliar se é realmente necessário).
  • Ponto de atenção: evitar que a tarefa exija inclinar o tronco para fora do guarda-corpo; ajustar a plataforma/posto de trabalho.

Cenário B: montagem com frente aberta (sem possibilidade imediata de guarda-corpo)

  • Preferência: rede de segurança cobrindo a zona de queda + barreiras para isolar área inferior.
  • Complemento: linha de ancoragem coletiva para reduzir exposição durante deslocamentos e montagem.
  • Ponto de atenção: checar espaço livre abaixo da rede e proteção contra arestas vivas.

Cenário C: trabalho em cobertura com deslocamento longitudinal

  • Preferência: passarela/plataforma de circulação com guarda-corpo onde viável; quando não, linha de ancoragem coletiva projetada para o trajeto.
  • Complemento: barreiras físicas para impedir acesso a áreas frágeis e isolamento de área inferior quando houver risco de queda de objetos.
  • Ponto de atenção: evitar pontos que obriguem desconexão; revisar trajeto e posicionamento da linha.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao selecionar medidas de proteção para trabalho em altura, qual alternativa segue a lógica de controle prevista na NR-35?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A lógica prioriza eliminar a exposição e, quando isso não é possível, usar proteção coletiva para impedir a queda. A proteção individual entra como complemento em transições ou quando a proteção coletiva não remove todo o risco.

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