NR-35 para Iniciantes: Permissão de Trabalho, Procedimentos Operacionais e Controle de Mudanças

Capítulo 9

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

Permissão de Trabalho (PT) / Autorização: o que é e para que serve

A Permissão de Trabalho (PT) (ou Autorização para Trabalho em Altura) é um documento de controle operacional que formaliza: o que será feito, onde, quando, por quem, com quais controles e em quais condições a atividade pode iniciar, continuar, ser bloqueada ou liberada. Na prática, a PT funciona como um “contrato de execução segura” válido por um período definido e condicionado ao cenário real do campo.

Ela não substitui a análise de risco; ela conecta a análise de risco à execução, garantindo checagens finais, responsabilidades claras e critérios objetivos para parar e retomar.

Estrutura recomendada da PT: informações mínimas

Uma PT eficaz é curta, objetiva e verificável. Abaixo, um modelo de campos mínimos (adapte ao seu processo interno):

BlocoO que deve conterExemplo prático
IdentificaçãoNº da PT, data/hora de emissão, local exato, área/equipamento, descrição da tarefaPT-2026-014; Cobertura do galpão B; substituição de exaustor
EquipeNomes, funções, aptidões/autorizações internas, contatoExecutor 1, Executor 2, Supervisor; telefone do resgatista designado
ValidadeInício e término; regra de revalidação (troca de turno, pausa longa, mudança de clima)Válida das 08:00 às 12:00; revalidar após almoço
Condições para iniciarPré-requisitos verificáveis (isolamentos, sinalização, inspeções, liberação de área)Área isolada com cones e fita; acesso liberado; inspeção de equipamentos concluída
Riscos e controlesResumo dos riscos críticos e controles obrigatórios (sem copiar a análise inteira)Queda de altura: sistema individual + ancoragem definida; queda de objetos: amarração de ferramentas
Pontos críticosEtapas onde o risco aumenta e exige checagem extraTransposição de guarda-corpo; movimentação do exaustor na borda
Critérios de bloqueioCondições objetivas para parar (bloquear) e não iniciar/retomarVento forte; ancoragem indisponível; isolamento rompido; equipe incompleta
Critérios de liberação/retomadaO que precisa acontecer para liberar novamenteReforçar isolamento; substituir equipamento; rebriefing; revalidação da PT
ComunicaçãoBriefing (DDS/diálogo), canal de comunicação, quem autoriza mudançasRádio canal 3; mudanças somente com Supervisor + Segurança
AssinaturasEmissor, responsável pela área, supervisor da execução, executoresAssinaturas e horários

Responsáveis típicos na PT (sem duplicar papéis já tratados)

  • Emissor/Autorizador: confere pré-requisitos, anexos e libera o início.
  • Responsável pela área: garante condições do local (isolamentos, interferências, permissões correlatas).
  • Supervisor da execução: garante cumprimento do procedimento e interrompe em desvios.
  • Executores: executam conforme procedimento e comunicam mudanças/condições impeditivas.

Anexos essenciais: o “pacote” da PT

Para trabalho em altura, a PT deve estar acompanhada de anexos que permitam checagem rápida e rastreável. Recomenda-se anexar:

  • Análise de risco (APR/JSA/ART conforme seu padrão): riscos, controles, pontos críticos e medidas adicionais.
  • Checklist de equipamentos: itens de acesso, ferramentas e equipamentos de proteção/inspeção aplicáveis ao cenário.
  • Plano de resgate: método, recursos, equipe designada, tempo-alvo, comunicação e ponto de atendimento.
  • Desenho/ croqui (quando aplicável): área, rota de acesso, pontos de ancoragem/linhas, zonas de isolamento.
  • Permissões correlatas (quando aplicável): bloqueio e etiquetagem, espaço confinado, trabalho a quente, içamento, etc.

Checklist de equipamentos: como escrever para ser “checável”

Evite itens genéricos como “EPI ok”. Prefira itens com critério de aceitação e ação em caso de reprovação:

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  • Item: talabarte/absorvedor — Aceitação: sem cortes, sem costuras rompidas, etiqueta legível — Ação: retirar de uso e substituir.
  • Item: conectores — Aceitação: trava funcionando, sem deformação — Ação: substituir e registrar.
  • Item: ferramenta com amarração — Aceitação: cordim/fitas íntegros, ponto de fixação definido — Ação: instalar amarração antes de subir.

Validade, revalidação e “parada segura” dentro da PT

A PT deve declarar quando expira e quando precisa ser revalidada. Revalidação é uma mini-rodada de checagens e confirmação de que o cenário não mudou.

Gatilhos práticos para revalidar

  • Troca de turno ou troca de membros da equipe.
  • Interrupção longa (ex.: pausa de almoço) ou retomada no dia seguinte.
  • Mudança de condições ambientais (chuva, rajadas de vento, baixa visibilidade).
  • Alteração de método, acesso, ferramenta, equipamento, ponto de ancoragem, ou área de trabalho.
  • Ocorrência de quase-acidente, queda de objeto, falha de equipamento ou desvio relevante.

Critérios de bloqueio e liberação: escreva como “se… então…”

Critérios bons são objetivos e acionáveis. Use linguagem direta:

  • Se o isolamento da área for rompido, então parar a atividade, restabelecer isolamento e rebriefing antes de retomar.
  • Se o ponto de ancoragem previsto ficar indisponível, então bloquear a PT e acionar controle de mudanças para definir alternativa aprovada.
  • Se houver necessidade de improviso (ex.: extensão não prevista, escada não prevista, rota diferente), então interromper e revisar procedimento/PT.

Da análise de risco ao Procedimento Operacional (PO): como transformar em passo a passo claro

A análise de risco lista perigos e controles; o Procedimento Operacional (PO) descreve como executar com aqueles controles, na ordem correta, com pontos de verificação. Um PO bom reduz improviso e padroniza decisões.

Estrutura simples de PO (modelo)

  • Objetivo e escopo: qual tarefa e limites (o que está dentro e fora).
  • Pré-requisitos: PT emitida, anexos disponíveis, equipe definida, ferramentas e recursos.
  • Materiais/equipamentos: lista do que será usado (somente o necessário).
  • Passo a passo: sequência numerada, com verbos de ação.
  • Pontos críticos: etapas que exigem checagem adicional e confirmação do supervisor.
  • Critérios de aceitação: como saber que cada etapa ficou correta.
  • Ações em caso de desvio: o que fazer se algo sair do previsto (parar, isolar, comunicar, revalidar).
  • Registros: o que guardar (PT, checklists, fotos quando permitido, evidências de inspeção).

Exemplo de PO (trecho) — substituição de componente em cobertura

Objetivo: substituir exaustor no telhado do galpão B.

Pré-requisitos: PT válida; análise de risco anexada; checklist de equipamentos aprovado; plano de resgate disponível e comunicado.

1) Isolar a área abaixo do ponto de trabalho (raio definido no croqui).  (Aceitação: isolamento completo e sinalizado; acesso controlado.)  (Desvio: se houver circulação, parar e reforçar isolamento.) 2) Realizar briefing com a equipe: sequência, pontos críticos e comunicação.  (Aceitação: todos confirmam entendimento; dúvidas registradas.) 3) Conferir ferramentas com amarração e organizar em bolsa porta-ferramentas.  (Aceitação: nenhuma ferramenta solta.) 4) Acessar a cobertura pela rota definida.  (Ponto crítico: transição para a cobertura.)  (Aceitação: transição realizada conforme método definido; sem improvisos.)  (Desvio: se rota estiver obstruída, retornar e acionar controle de mudanças.) 5) Posicionar-se no posto de trabalho e executar a substituição do exaustor.  (Ponto crítico: movimentação do exaustor próximo à borda.)  (Aceitação: peça controlada; área abaixo isolada; comunicação ativa.) 6) Finalizar: retirar materiais, conferir ausência de objetos soltos, liberar área e encerrar PT.  (Aceitação: limpeza e conferência final realizadas; registros anexados.)

Como identificar “pontos críticos” no PO

Use a análise de risco para marcar etapas com maior potencial de acidente ou de perda de controle. Perguntas úteis:

  • Em que momento há mudança de nível ou transição (subida/descida, passagem por aberturas)?
  • Quando há movimentação de carga/peça perto de borda ou sobre pessoas?
  • Quando há mudança de configuração (reposicionamento, troca de acesso, troca de ferramenta)?
  • Quando a equipe tende a “acelerar” (final da tarefa, retrabalho, pressão de prazo)?

Critérios de aceitação: torne verificável

Critério de aceitação é uma frase que permite checar se está “ok” sem interpretação subjetiva. Exemplos:

  • Isolamento: perímetro completo, com sinalização visível e controle de acesso.
  • Ferramentas: 100% com amarração instalada antes do acesso.
  • Comunicação: rádio testado e canal definido antes do início.
  • Registros: checklist assinado e anexado à PT antes de liberar.

Ações em caso de desvio: padronize a resposta

Inclua no PO um bloco curto de resposta a desvios, por exemplo:

  • Parar em condição não prevista.
  • Manter a área segura (isolamento e organização).
  • Comunicar supervisor e responsável pela área.
  • Avaliar se é ajuste simples (revalidação) ou mudança relevante (controle de mudanças).
  • Registrar o que mudou e a decisão tomada (anexo à PT).

Controle de Mudanças (MOC) aplicado ao trabalho em altura: fluxo simples

Controle de mudanças é um processo rápido para garantir que, quando o cenário real muda, a equipe não “adapte no improviso”. Em trabalho em altura, mudanças pequenas podem alterar o risco de forma grande; por isso, defina um fluxo mínimo e objetivo.

O que deve disparar o controle de mudanças

  • Mudança de local (outro ponto do telhado, outra fachada, outra estrutura).
  • Mudança de método (ex.: trocar acesso planejado por outro; alterar sequência).
  • Mudança de equipamentos (ferramenta diferente, equipamento de acesso diferente, ancoragem alternativa).
  • Mudança de condições (clima, interferências, presença de terceiros, área abaixo ocupada).
  • Mudança de equipe (substituição de executor/supervisor) ou de turno.

Fluxo prático (5 passos) para MOC em campo

  1. Parar e estabilizar: interromper a tarefa, manter isolamento e organização do posto.
  2. Descrever a mudança: o que mudou, por que mudou, qual alternativa está sendo considerada.
  3. Reavaliar riscos: atualizar a análise de risco (adendo) focando no que mudou e nos pontos críticos afetados.
  4. Aprovar e registrar: responsável definido aprova (assinatura/registro), atualiza PT/PO (adendo) e comunica a equipe.
  5. Rebriefing e retomada: confirmar entendimento, revalidar checklists impactados e retomar.

Modelo de registro rápido de mudança (adendo)

CampoPreenchimento
Descrição da mudançaEx.: acesso original bloqueado por manutenção; usar rota alternativa pela escada externa
MotivoInterferência não prevista
Riscos novos/alteradosEx.: maior circulação de pessoas; novo ponto de transição; maior exposição a queda de objetos
Controles adicionaisEx.: ampliar isolamento; adicionar vigia; ajustar sequência; reforçar amarração de ferramentas
Documentos impactadosPT (validade/revalidação), PO (passo 4), checklist (acesso), plano de resgate (rota)
AprovaçãoNome, função, data/hora

Exercícios práticos (para fixação)

Exercício 1 — Montar uma PT completa (com anexos)

Cenário: troca de luminária em mezanino industrial, com circulação de pessoas abaixo e necessidade de isolamento.

Tarefa: preencha os campos mínimos da PT e liste anexos obrigatórios.

  • Identificação (local exato, descrição, data/hora)
  • Equipe (nomes/funções)
  • Validade e gatilhos de revalidação
  • Condições para iniciar (mínimo 5 itens verificáveis)
  • Riscos críticos e controles (mínimo 4)
  • Critérios de bloqueio e liberação (mínimo 4 “se… então…”)
  • Anexos: análise de risco, checklist, plano de resgate, croqui

Exercício 2 — Transformar uma análise de risco em PO (passo a passo)

Entrada (resumo de riscos): queda de altura na transição; queda de objetos; interferência de terceiros; necessidade de reposicionamento durante a tarefa.

Tarefa: escreva um PO com:

  • 6 a 10 passos numerados
  • 2 pontos críticos claramente marcados
  • 1 critério de aceitação por passo
  • ações em caso de desvio para: (a) isolamento rompido, (b) ferramenta sem amarração, (c) rota obstruída

Exercício 3 — Desenhar um fluxo simples de controle de mudanças

Cenário: durante a execução, o ponto planejado de trabalho fica inacessível e a equipe sugere deslocar 8 metros para outro trecho, usando outra rota de acesso.

Tarefa: desenhe (em texto) um fluxo com caixas e setas, incluindo quem aprova e quais documentos precisam de adendo. Use o modelo abaixo e complete:

[Mudança identificada] -> [Parar e estabilizar] -> [Descrever mudança] -> [Reavaliar riscos (adendo)] -> [Aprovar (quem?)] -> [Atualizar PT/PO/checklists/plano de resgate] -> [Rebriefing] -> [Retomar]

Critério de qualidade: seu fluxo deve deixar explícito: (1) quando a atividade para, (2) quem decide, (3) o que precisa ser atualizado antes de retomar.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual afirmação descreve corretamente a função da Permissão de Trabalho (PT) em atividades de trabalho em altura?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A PT é um controle operacional que amarra a anlise de risco  execue7e3o, definindo responsabilidades, condie7f5es, validade/revalidae7e3o e crite9rios objetivos para iniciar, bloquear, liberar e retomar.

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NR-35 para Iniciantes: Sinalização, Isolamento de Área e Proteção Contra Queda de Objetos

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