Escopo de atuação do Médico do Trabalho na Caixa e no serviço público federal
No contexto da Caixa Econômica Federal (empresa pública federal), o Médico do Trabalho atua na promoção e preservação da saúde dos empregados, com foco na relação entre trabalho e adoecimento, na avaliação de aptidão para o trabalho e na vigilância médica vinculada aos riscos ocupacionais. O escopo é técnico-assistencial e pericial-administrativo em saúde ocupacional, sempre integrado às políticas internas de gestão de pessoas e às rotinas de Segurança e Saúde no Trabalho (SST).
Em prova, é comum aparecer a distinção entre: (1) assistência clínica comum (tratamento de doenças em geral), (2) saúde ocupacional (nexo com o trabalho, aptidão, vigilância e prevenção), e (3) perícia/avaliação administrativa (decisões sobre capacidade laboral e restrições). Na prática da Caixa, o Médico do Trabalho transita principalmente entre (2) e (3), podendo orientar e encaminhar para assistência quando necessário, mas sem confundir papéis.
Responsabilidades técnicas centrais
- Realizar exames ocupacionais (admissional, periódico, retorno ao trabalho, mudança de função e demissional), com emissão de ASO e definição de aptidão.
- Identificar e acompanhar agravos relacionados ao trabalho (por exemplo, DORT, transtornos mentais relacionados ao trabalho, alterações visuais e queixas osteomusculares associadas a trabalho em tela).
- Definir restrições e recomendações (limitações temporárias ou permanentes, necessidade de pausas, adequação ergonômica, readaptação/realocação), com base clínica e ocupacional.
- Vigilância em saúde: propor ações a partir de indicadores (absenteísmo, afastamentos, recorrência de queixas, setores críticos).
- Interface com Segurança do Trabalho para alinhar riscos identificados, medidas de controle e adequação do ambiente (ergonomia, organização do trabalho, fatores psicossociais).
- Sigilo e ética: proteger informações clínicas e comunicar à gestão apenas o necessário para fins ocupacionais (aptidão, restrições e recomendações), evitando exposição de diagnósticos.
Limites de atuação (pontos que caem em prova)
- Não confundir aptidão ocupacional com “alta” assistencial: o empregado pode estar em acompanhamento médico e ainda assim ser considerado apto com restrições, ou inapto, conforme risco e capacidade funcional.
- Não substituir a gestão: o Médico do Trabalho recomenda e fundamenta tecnicamente; decisões administrativas (lotação, metas, organização do trabalho) são da gestão, embora devam considerar as recomendações de saúde e segurança.
- Não divulgar diagnóstico à chefia: a comunicação deve ser por meio de aptidão e restrições funcionais, preservando sigilo.
- Não “carimbar” aptidão sem avaliar riscos: aptidão depende do estado de saúde e das exigências do posto (tarefas, jornada, pressão por metas, ergonomia, exposição a violência/assaltos, etc.).
Interfaces institucionais: SESMT, Gestão de Pessoas, CIPA e áreas assistenciais
Relação com SESMT e Segurança do Trabalho
O Médico do Trabalho integra o SESMT (quando estruturado) e atua de forma complementar ao Engenheiro/Técnico de Segurança. Em bancos, a maior parte dos riscos é ergonômica e psicossocial, mas também há riscos de violência, acidentes em deslocamento, riscos elétricos em áreas técnicas e riscos biológicos em atendimentos específicos. A interface típica é: Segurança identifica/quantifica riscos e propõe controles; Medicina avalia repercussões na saúde, define vigilância e aptidão, e retroalimenta o sistema com achados clínico-ocupacionais.
- Exemplo prático: aumento de queixas de dor cervical e punhos em determinada agência. Segurança revisa mobiliário e organização do trabalho; Medicina ajusta critérios de vigilância, orienta pausas e encaminha para avaliação ergonômica individual quando necessário.
Relação com Gestão de Pessoas (RH)
A Gestão de Pessoas é o canal para operacionalizar movimentações, readaptações, adequações de jornada e acompanhamento de afastamentos. O Médico do Trabalho deve fornecer informações objetivas: apto/inapto, restrições, necessidade de reavaliação e recomendações de adaptação do trabalho. Em prova, atenção para o significado de “restrição” (limitação funcional) versus “recomendação” (medida preventiva) e para a necessidade de prazos de reavaliação em restrições temporárias.
Relação com CIPA e representações internas
A CIPA e representações internas atuam na prevenção e na identificação de problemas no ambiente de trabalho. O Médico do Trabalho pode participar como apoio técnico, orientando sobre agravos frequentes (DORT, estresse, assédio) e ajudando a estruturar ações educativas e de melhoria. A interação deve ser técnica e baseada em dados, sem exposição de casos individuais identificáveis.
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Interação com assistência (rede assistencial e saúde suplementar)
Quando há necessidade de diagnóstico e tratamento, o Médico do Trabalho encaminha para assistência, solicita relatórios funcionais quando pertinentes e integra informações para decisão ocupacional. Em situações de afastamento, retorno ao trabalho e restrição, relatórios assistenciais são insumos, mas a decisão de aptidão é ocupacional e considera o posto e os riscos.
Rotinas e fluxos práticos do dia a dia: exames ocupacionais e decisões de aptidão
Os exames ocupacionais são o núcleo operacional do Médico do Trabalho no banco. Para prova, memorize: finalidade, momento de realização, documentos gerados (ASO) e critérios de aptidão (apto, apto com restrições, inapto), além de condutas diante de achados relevantes.
Fluxo-base (aplicável a qualquer exame)
- Receber demanda (convocação do empregado/candidato) e identificar tipo de exame.
- Revisar informações ocupacionais: função, setor, jornada, atividades críticas (caixa, tesouraria, atendimento, retaguarda, TI), histórico de afastamentos e queixas.
- Realizar anamnese ocupacional dirigida: sintomas, limitações, uso de medicamentos, histórico de DORT/saúde mental, eventos de violência, pressão por metas, pausas, ergonomia, sono.
- Exame físico focado (musculoesquelético, neurológico, cardiovascular, visual, conforme riscos).
- Solicitar/avaliar exames complementares quando previstos em protocolo interno ou quando clinicamente indicados.
- Concluir aptidão: apto, apto com restrições/recomendações, ou inapto (temporário ou definitivo, conforme política interna).
- Emitir e registrar ASO e demais documentos correlatos, com rastreabilidade e sigilo.
- Encaminhar ações: ergonomia, segurança, assistência, acompanhamento, reavaliação em prazo definido.
Observação para prova: o “passo a passo” precisa sempre conectar estado de saúde + exigência do posto + risco. A aptidão não é “diagnóstico”, é decisão funcional.
Exame admissional (ingresso)
Objetivo: avaliar se o candidato está apto para as atividades do cargo, considerando riscos do ambiente e exigências funcionais. Em banco, atenção para: trabalho em tela, postura sentada prolongada, atendimento ao público, pressão por metas, possíveis situações de violência e necessidade de acuidade visual adequada.
Passo a passo prático:
- Confirmar descrição do cargo e tarefas típicas (ex.: atendimento, caixa, retaguarda, TI).
- Investigar condições prévias relevantes (lombalgia crônica, tendinopatias, transtornos ansiosos/depressivos, enxaqueca, doenças cardiovasculares).
- Avaliar capacidade funcional para tarefas essenciais (digitação, permanência sentado, comunicação com público, tolerância a estresse).
- Definir aptidão: se houver condição controlada e compatível, pode ser apto ou apto com recomendações (ex.: ergonomia, pausas, acompanhamento).
- Se houver risco significativo de agravamento ou incapacidade para tarefa essencial, considerar inapto (fundamentação técnica e registro adequado).
- Situação-problema típica: candidato com histórico de síndrome do túnel do carpo operada, assintomático, função com alta demanda de digitação. Conduta frequente: apto com recomendações ergonômicas e vigilância, se sem déficit funcional; inapto apenas se houver limitação objetiva incompatível.
Exame periódico (vigilância)
Objetivo: monitorar a saúde ao longo do vínculo, detectar precocemente agravos relacionados ao trabalho e avaliar efetividade de medidas preventivas. Em bancos, o periódico é uma oportunidade de rastrear DORT, fadiga visual, sedentarismo, hipertensão, distúrbios do sono e sofrimento psíquico.
Passo a passo prático:
- Revisar histórico ocupacional e indicadores: afastamentos, repetição de queixas, mudanças de setor, metas e sobrecarga.
- Aplicar anamnese dirigida por sistemas (musculoesquelético, mental, cardiovascular) e por tarefas (tela, atendimento, caixa).
- Identificar sinais de alerta: dor com perda funcional, parestesias persistentes, crises de ansiedade/pânico, ideação suicida, uso abusivo de álcool/hipnóticos.
- Decidir: apto, apto com restrições/recomendações (pausas, rodízio, adequação de posto), ou encaminhamento para avaliação especializada.
- Registrar achados e acionar interfaces (ergonomia, segurança, RH) quando houver padrão coletivo.
- Termos recorrentes em edital: vigilância à saúde, agravos relacionados ao trabalho, nexo causal, capacidade laborativa, restrição funcional, readaptação.
Exame de retorno ao trabalho (após afastamento)
Objetivo: avaliar condições de retorno seguro após afastamento por doença/acidente, reduzindo risco de recaída e garantindo compatibilidade com o posto. Em bancos, é comum retorno após afastamentos por transtornos mentais, DORT e cirurgias ortopédicas.
Passo a passo prático:
- Entender motivo do afastamento e duração, com base em documentos disponíveis e relato do empregado.
- Avaliar capacidade funcional atual e limitações (ex.: tolerância a digitação, permanência sentado, exposição a estresse).
- Comparar limitações com exigências do posto e com fatores de risco (metas, atendimento conflituoso, jornada).
- Definir plano de retorno: apto sem restrições, apto com restrições temporárias (com prazo de reavaliação), ou inapto para retorno naquele momento.
- Acionar RH para adequações e, quando necessário, recomendar retorno gradual/ajustes organizacionais conforme política interna.
- Situação-problema típica: empregado retorna após afastamento por episódio depressivo. Se ainda há sintomas importantes e risco de descompensação em ambiente de alta pressão, pode ser indicado retorno com restrições (redução de exposição a atendimento conflituoso, pausas, acompanhamento) e reavaliação em curto prazo, sempre preservando sigilo do diagnóstico.
Exame de mudança de função (mobilidade interna)
Objetivo: verificar se o empregado está apto para novas exigências e riscos do novo posto. Em banco, mudanças comuns: atendimento para retaguarda, caixa para tesouraria, agência para central, áreas administrativas para TI (ou vice-versa).
Passo a passo prático:
- Mapear diferenças de tarefas: maior digitação? maior atendimento ao público? maior responsabilidade por numerário? maior pressão por metas?
- Reavaliar condições de saúde relevantes para as novas exigências (ex.: queixas cervicais para função com mais tela; ansiedade para função com atendimento intenso).
- Definir aptidão e restrições específicas ao novo posto (ex.: necessidade de mobiliário ajustável, pausas programadas, limitação de horas contínuas em tela).
- Registrar e comunicar ao RH apenas o necessário (restrições e recomendações).
Exame demissional (término do vínculo)
Objetivo: avaliar condições de saúde no desligamento e registrar o estado de saúde ocupacional no momento da rescisão. Em prova, atenção para a função documental do demissional e para a necessidade de coerência com histórico de agravos e afastamentos.
Passo a passo prático:
- Revisar histórico de saúde ocupacional e afastamentos.
- Investigar queixas atuais e limitações.
- Realizar exame físico direcionado e registrar achados.
- Emitir ASO demissional e orientar encaminhamentos assistenciais quando houver necessidade, sem confundir com acompanhamento ocupacional após desligamento.
Critérios de aptidão: como raciocinar e como isso aparece na prova
Conceitos operacionais
- Apto: sem limitações relevantes para as tarefas essenciais e sem risco adicional significativo de agravamento relacionado ao trabalho.
- Apto com restrições: pode trabalhar, mas com limitações funcionais objetivas (ex.: evitar movimentos repetitivos intensos, limitar tempo contínuo em digitação, evitar carga emocional intensa em atendimento) e/ou necessidade de adaptações.
- Inapto: incapacidade de executar tarefas essenciais com segurança, ou risco alto de agravamento/recidiva no contexto do posto, naquele momento.
Como a banca costuma cobrar: descreve um caso (dor em punhos, ansiedade, hipertensão descontrolada, pós-cirurgia) e pergunta a conduta correta: avaliar exigências do posto, considerar restrições temporárias, encaminhar para ergonomia, registrar adequadamente e preservar sigilo.
Checklist de decisão (modelo mental para questões)
- Quais são as tarefas essenciais do cargo/função?
- Quais riscos estão presentes (ergonômicos, psicossociais, violência, jornada)?
- Há limitação funcional atual? É objetiva e documentável?
- Há risco de agravamento se mantida a exposição?
- Existe medida de controle/adaptação viável (ergonomia, pausas, rodízio, mudança de posto)?
- Definir prazo de reavaliação quando restrição for temporária.
Registros e documentos correlatos: o que registrar e como evitar erros
O registro é parte crítica da rotina e frequentemente aparece em prova como “falha procedimental” (ex.: expor diagnóstico à chefia, ausência de rastreabilidade, falta de justificativa para restrição). O documento central é o ASO, que formaliza a aptidão e vincula o exame ao contexto ocupacional.
Boas práticas de registro (orientadas a prova)
- Clareza e objetividade: descrever limitações funcionais e recomendações, evitando termos vagos (“evitar esforço” sem especificar).
- Coerência temporal: restrição temporária deve ter prazo e critério de reavaliação.
- Sigilo: não registrar em documentos destinados à gestão diagnósticos desnecessários; focar em capacidade e restrições.
- Rastreabilidade: vincular decisão a achados clínicos e às exigências do posto.
- Encaminhamentos: quando houver necessidade de ergonomia, segurança ou assistência, registrar a orientação e o motivo funcional.
Situações-problema típicas em bancos: riscos psicossociais, DORT, assédio, metas e trabalho em tela
Risco psicossocial e metas
Em bancos, fatores psicossociais são frequentes: pressão por metas, cobrança intensa, conflitos com clientes, medo de assaltos, e sensação de falta de controle sobre o trabalho. O Médico do Trabalho deve reconhecer sinais de sofrimento psíquico e avaliar impacto funcional, sem reduzir o problema a “questão pessoal”.
- Exemplo prático: empregado com insônia, irritabilidade e crises de ansiedade associadas a cobrança diária por metas. Condutas ocupacionais possíveis: avaliar aptidão, considerar restrições temporárias (redução de exposição a atendimento conflituoso), recomendar pausas e encaminhar para assistência, além de sinalizar à área de SST/RH a necessidade de intervenção organizacional (sem expor diagnóstico).
DORT e trabalho em tela (digitação, mouse, postura sentada)
DORT em bancos costuma envolver punhos, mãos, antebraços, ombros e coluna cervical/lombar, associado a repetitividade, postura estática, mobiliário inadequado e pausas insuficientes. A prova pode cobrar diferenciação entre queixa inespecífica e quadro com sinais neurológicos (parestesias, perda de força) e a conduta de restrição/ergonomia.
- Exemplo prático: dor em punho com parestesias noturnas e teste clínico sugestivo de compressão nervosa. Conduta: avaliar função, indicar restrição de repetitividade intensa e tempo contínuo em tela, encaminhar para avaliação assistencial e acionar ergonomia para adequação do posto.
Assédio e conflitos no ambiente de trabalho
Questões de assédio aparecem como situações em que o empregado relata humilhações, ameaças de punição por metas ou isolamento. O Médico do Trabalho deve focar em: (1) acolher e avaliar repercussão na saúde e capacidade laboral, (2) orientar canais institucionais adequados, (3) registrar de forma técnica e sigilosa, e (4) propor medidas de proteção do trabalhador quando houver risco à saúde.
- Ponto de prova: o Médico do Trabalho não é “investigador” do assédio, mas pode identificar nexo entre organização do trabalho e adoecimento, e recomendar medidas preventivas e de proteção.
Sedentarismo, fatores cardiometabólicos e jornada
Ambiente bancário favorece sedentarismo e longos períodos sentado. Em periódicos, é comum identificar hipertensão, ganho ponderal e queixas de fadiga. A atuação ocupacional envolve orientar medidas preventivas e avaliar aptidão quando há descontrole clínico relevante para segurança (por exemplo, sintomas importantes, risco cardiovascular elevado), sempre articulando com assistência.
Mapa de termos e comandos de questão (como reconhecer o que a banca quer)
- “Aptidão”: decisão funcional baseada em saúde + exigências do posto + riscos.
- “Restrição”: limitação objetiva do que o empregado pode fazer (com prazo se temporária).
- “Recomendação”: medida preventiva (ergonomia, pausas, rodízio), sem necessariamente limitar.
- “Retorno ao trabalho”: foco em prevenção de recaída e compatibilidade com o posto.
- “Mudança de função”: comparar riscos e exigências do posto antigo vs novo.
- “Sigilo”: comunicar à gestão apenas aptidão e restrições, não diagnóstico.
- “Nexo”: relação entre trabalho e agravo; em banco, frequentemente discutido em DORT e transtornos mentais relacionados ao trabalho.
Modelo de resposta para questões discursivas (estrutura): 1) Identificar o exame/rotina (admissional, periódico, retorno, mudança, demissional). 2) Descrever avaliação: anamnese ocupacional + exame físico + riscos do posto. 3) Concluir aptidão (apto/apto com restrições/inapto) com justificativa funcional. 4) Indicar registros (ASO) e encaminhamentos (ergonomia, segurança, assistência), preservando sigilo.