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Matemática Financeira para Caixa – Juros, descontos e equivalências

Capítulo 5

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

Conceitos fundamentais e leitura de enunciados

Em Matemática Financeira, a prova costuma descrever uma operação (aplicação, empréstimo, desconto de título, parcelamento) e pedir um valor (montante, juros, valor presente, taxa, prazo) ou a comparação entre alternativas. Para resolver com segurança, identifique sempre: (1) capital inicial (C) ou valor presente (VP), (2) montante (M) ou valor futuro (VF), (3) taxa (i) e sua unidade (ao mês, ao ano), (4) prazo (n) na mesma unidade da taxa, (5) regime (simples ou composto) e (6) se há desconto (comercial ou racional).

Erros típicos: usar taxa ao mês com prazo em anos sem converter; confundir taxa nominal com efetiva; aplicar fórmula de juros simples em situação de capitalização composta; tratar desconto como juros “ao contrário” sem observar o tipo de desconto.

Checklist rápido de interpretação

  • Se o enunciado diz “capitalização”, “juros sobre juros”, “taxa efetiva”, “acumula mês a mês”: use juros compostos.
  • Se diz “juros simples”, “proporcional ao tempo”, “sem capitalização”: use juros simples.
  • Se diz “desconto por fora”, “desconto comercial”, “valor nominal do título”: tende a ser desconto simples comercial.
  • Se diz “desconto por dentro”, “valor atual”, “desconto racional”: tende a ser desconto racional.
  • Se aparece “taxa nominal a.a. com capitalização mensal”: é nominal; converta para taxa efetiva mensal e, se necessário, para efetiva anual.

Juros simples

No regime de juros simples, os juros crescem linearmente: incidem sempre sobre o capital inicial. É comum em situações de curto prazo e em questões que explicitam “juros simples”.

Fórmulas essenciais

  • Juros: J = C · i · n
  • Montante: M = C + J = C · (1 + i · n)

Onde: C é o capital (valor presente), i é a taxa por período (em decimal), n é o número de períodos.

Passo a passo prático (juros simples)

Exemplo: Um capital de R$ 2.000 é aplicado a juros simples de 3% ao mês por 5 meses. Calcule os juros e o montante.

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  • 1) Identifique: C = 2.000; i = 3% a.m. = 0,03; n = 5.
  • 2) Juros: J = 2.000 · 0,03 · 5 = 2.000 · 0,15 = 300.
  • 3) Montante: M = C + J = 2.000 + 300 = 2.300.

Taxa proporcional em juros simples

Em juros simples, taxas são proporcionais ao tempo: 2% ao mês equivale a 24% ao ano (multiplica por 12), desde que o regime seja simples e o período seja compatível.

Exemplo: 1,5% a.m. em juros simples corresponde a 18% a.a. (1,5 · 12).

Juros compostos (capitalização)

No regime composto, os juros são capitalizados: a cada período, o saldo cresce e os juros do período seguinte incidem sobre o saldo atualizado. É o regime mais frequente em finanças e muito cobrado.

Fórmulas essenciais

  • Montante: M = C · (1 + i)^n
  • Valor presente: C = M / (1 + i)^n
  • Juros: J = M − C

Passo a passo prático (juros compostos)

Exemplo: Um capital de R$ 5.000 é aplicado a 2% ao mês, por 6 meses, em juros compostos. Calcule o montante.

  • 1) Identifique: C = 5.000; i = 0,02; n = 6.
  • 2) Aplique: M = 5.000 · (1,02)^6.
  • 3) Aproximação útil: (1,02)^6 ≈ 1,126162 (pode ser fornecido na prova ou calculado).
  • 4) M ≈ 5.000 · 1,126162 = 5.630,81.

Em provas, é comum fornecer (1+i)^n ou permitir arredondamentos. Quando não houver, use aproximações com cuidado e mantenha casas decimais até o final.

Montagem de fórmula a partir do enunciado

Se o enunciado diz “aplicação hoje para resgatar no futuro”, normalmente você está indo de VP para VF: M = C(1+i)^n. Se diz “quanto devo aplicar hoje para obter X no futuro”, você está indo de VF para VP: C = M/(1+i)^n.

Exemplo: Quanto devo aplicar hoje para ter R$ 10.000 em 8 meses a 1,5% a.m. (composto)?

  • 1) M = 10.000; i = 0,015; n = 8.
  • 2) C = 10.000 / (1,015)^8.

Taxa nominal e taxa efetiva

Taxa nominal é uma taxa anunciada em um período maior (geralmente ao ano) com capitalização em períodos menores. Ela não representa diretamente o crescimento real anual se houver capitalização intra-anual.

Taxa efetiva é a taxa que efetivamente incide em um período específico, considerando a capitalização naquele período.

Relação típica: nominal ao ano com capitalização mensal

Se a taxa é nominal de j% a.a. com capitalização mensal, a taxa efetiva mensal é:

i_m = j / 12

(em termos percentuais, divide por 12; em decimal, também divide por 12).

Já a taxa efetiva anual correspondente (considerando capitalização mensal) é:

i_a,efetiva = (1 + i_m)^12 - 1

Passo a passo prático (nominal → efetiva)

Exemplo: Taxa nominal de 24% a.a. com capitalização mensal. Encontre a taxa efetiva mensal e a efetiva anual.

  • 1) i_m = 24%/12 = 2% a.m. (0,02).
  • 2) i_a,efetiva = (1,02)^12 − 1.
  • 3) Aproximação: (1,02)^12 ≈ 1,26824 → i_a,efetiva ≈ 26,824% a.a.

Note que 24% nominal a.a. não é igual a 24% efetivo a.a. quando há capitalização mensal.

Equivalência de taxas

Duas taxas são equivalentes quando produzem o mesmo fator de capitalização no mesmo horizonte de tempo. Em regime composto, a equivalência é feita por fatores (potências), não por proporcionalidade simples.

Equivalência em juros compostos

Se i1 é a taxa por período 1 e i2 por período 2, para um mesmo horizonte:

(1 + i1)^(n1) = (1 + i2)^(n2)

Exemplo clássico: taxa mensal equivalente a uma taxa anual efetiva:

(1 + i_m)^12 = (1 + i_a)

Logo:

i_m = (1 + i_a)^(1/12) - 1

Passo a passo prático (anual efetiva → mensal equivalente)

Exemplo: Uma taxa efetiva de 12% a.a. Qual a taxa mensal equivalente (composta)?

  • 1) Use: i_m = (1 + 0,12)^(1/12) − 1.
  • 2) Se a prova não exigir cálculo exato, pode pedir apenas a expressão ou fornecer aproximação.

Equivalência em juros simples

Em juros simples, a equivalência costuma ser proporcional: i_a = 12 · i_m, desde que o prazo seja convertido de forma coerente e o regime seja explicitamente simples.

Descontos: simples e composto

Desconto é a operação de trazer um valor futuro (valor nominal do título) para o presente. Em provas, aparecem dois tipos principais: desconto comercial (por fora) e desconto racional (por dentro). Também podem aparecer versões compostas (com capitalização).

Desconto simples comercial (por fora)

No desconto comercial simples, o desconto é calculado sobre o valor nominal (N). Fórmulas:

  • Desconto: D = N · d · n
  • Valor atual (recebido): A = N − D = N · (1 − d · n)

Onde d é a taxa de desconto simples por período.

Passo a passo prático (desconto comercial simples)

Exemplo: Um título de valor nominal R$ 10.000 vence em 4 meses. Taxa de desconto comercial simples de 2% a.m. Qual o valor atual?

  • 1) N = 10.000; d = 0,02; n = 4.
  • 2) D = 10.000 · 0,02 · 4 = 800.
  • 3) A = 10.000 − 800 = 9.200.

Desconto simples racional (por dentro)

No desconto racional simples, o valor atual é obtido “por dentro”, como um valor presente em juros simples. Fórmulas:

  • Valor atual: A = N / (1 + i · n)
  • Desconto: D = N − A

Note que aqui se usa i (taxa de juros) e não d (taxa de desconto), embora a prova possa chamar genericamente de “taxa”. Leia com atenção se menciona “racional” ou “por dentro”.

Passo a passo prático (desconto racional simples)

Exemplo: Um título de R$ 10.000 para 4 meses, com taxa de 2% a.m. em desconto racional simples. Qual o valor atual?

  • 1) N = 10.000; i = 0,02; n = 4.
  • 2) A = 10.000 / (1 + 0,02·4) = 10.000 / 1,08 ≈ 9.259,26.
  • 3) D = 10.000 − 9.259,26 ≈ 740,74.

Compare: no comercial simples, o valor atual foi 9.200; no racional simples, 9.259,26. Em geral, para os mesmos N, taxa e prazo, o desconto comercial tende a “descontar mais” (valor atual menor) que o racional.

Desconto composto (com capitalização)

Quando o desconto é composto, o valor atual é trazido a valor presente por fator composto. A forma mais comum em prova é o desconto racional composto (equivalente a VP em juros compostos):

  • Valor atual: A = N / (1 + i)^n
  • Desconto: D = N − A

Algumas bancas também cobram o desconto comercial composto:

  • Valor atual: A = N · (1 − d)^n

Se o enunciado não especificar, observe palavras-chave: “por dentro” sugere racional; “por fora” sugere comercial.

Comparações e armadilhas frequentes em questões

1) Converter prazo e taxa para a mesma unidade

Se a taxa é ao mês, o prazo deve estar em meses. Se o prazo está em dias, a prova pode indicar ano comercial (360 dias) ou ano civil (365). Quando não indicar, é comum usar 360 em contexto bancário, mas siga o que o enunciado determinar.

Exemplo de conversão: 90 dias = 3 meses (se considerar 30 dias por mês) ou 90/360 = 0,25 ano (ano comercial).

2) Identificar se a taxa é efetiva ou nominal

“12% a.a. com capitalização mensal” não é 1% a.m. efetivo por definição; é 12% nominal a.a., então i_m = 12%/12 = 1% a.m. e a efetiva anual será (1,01)^12 − 1.

3) Distinguir juros de montante

Se a questão pede “juros”, calcule J (diferença entre montante e capital). Se pede “montante”, é o valor final. Muitos erros vêm de entregar M quando pediram J.

4) Desconto não é o mesmo que juros

Em desconto comercial simples, o desconto é calculado sobre o valor nominal N, não sobre o valor atual A. Já no racional, o valor atual é calculado como um valor presente. Essa diferença muda o resultado.

Fórmulas reunidas (para montagem rápida)

Juros simples

J = C · i · n  M = C(1 + i·n)

Juros compostos

M = C(1 + i)^n  C = M/(1 + i)^n  J = M - C

Nominal e efetiva (capitalização mensal)

i_m = j/12  i_a,efetiva = (1 + i_m)^12 - 1

Desconto simples comercial

D = N · d · n  A = N(1 - d·n)

Desconto simples racional

A = N/(1 + i·n)  D = N - A

Desconto racional composto

A = N/(1 + i)^n  D = N - A

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao ler um enunciado que informa “taxa nominal de 24% ao ano com capitalização mensal”, qual procedimento está correto para obter a taxa efetiva anual correspondente?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Taxa nominal a.a. com capitalização mensal exige converter para a taxa efetiva mensal (j/12) e depois compor no ano: (1+i_m)^12 − 1. Multiplicar por 12 vale para proporcionalidade em juros simples, não para capitalização composta.

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