Norma-padrão na prática administrativa
Na rotina do Técnico Administrativo Penitenciário, a norma-padrão aparece em memorandos, ofícios, e-mails institucionais, despachos, termos e relatórios. Em provas, os itens mais cobrados costumam avaliar: correção gramatical, adequação vocabular e reescrita sem alteração de sentido. A seguir, os tópicos mais recorrentes com regras aplicadas a comunicações internas e documentos oficiais.
Ortografia e acentuação
Conceito e aplicação
Ortografia é o conjunto de regras de escrita correta das palavras; acentuação gráfica indica a sílaba tônica e diferencia palavras. Em documentos administrativos, erros ortográficos comprometem a credibilidade e podem gerar ambiguidades (ex.: “ratificar” x “retificar”).
Passo a passo prático (revisão rápida)
- 1) Identifique palavras de grafia duvidosa (principalmente termos técnicos e formas verbais).
- 2) Verifique acentuação em oxítonas, paroxítonas e hiatos.
- 3) Atenção a homônimos e parônimos comuns em atos administrativos.
- 4) Padronize siglas, abreviações e nomes próprios conforme o padrão institucional.
Quadro de regras + exceções (acentuação)
1) Oxítonas: acentuam-se terminadas em a(s), e(s), o(s), em(ens) → café, também, avó, parabéns. Exceção prática: palavras terminadas em -em (singular) são oxítonas sem acento: item, ordem (não é oxítona), porém “alguém” (termina em -ém) é acentuada. 2) Paroxítonas: acentuam-se terminadas em l, n, r, x, ps, ã(s), ão(s), i(s), us, um(uns), ditongo → útil, hífen, caráter, tórax, bíceps, órfã, órgãos, júri, vírus, álbum, álbuns, história. Exceção prática: paroxítonas terminadas em -a, -e, -o (sem ditongo) não levam acento: mesa, parede, livro. 3) Hiatos: acentuam-se i e u tônicos formando sílaba sozinhos (sem “nh”) → saída, baú, país. Exceções: não acentua i/u quando precedidos de ditongo: feiura, baiuca; nem em “i/u” seguidos de “nh”: rainha.Parônimos frequentes em documentos
- Ratificar (confirmar) x retificar (corrigir): “Ratifica-se o despacho.” / “Retifica-se o item 2 do memorando.”
- Descrição x discrição: “Descrição do fato” / “Agir com discrição”.
- Mandado (ordem judicial) x mandato (período de exercício): “cumprimento de mandado”.
- Emergência (situação urgente) x emergência (ato de emergir; menos comum): em geral, use “emergência”.
Erros frequentes (lista)
- “A nível de” (preferir “em nível de” ou reescrever: “quanto a”, “no que se refere a”).
- “Seje”, “esteje” (correto: “seja”, “esteja”).
- “Houveram” no sentido de existir (correto: “houve”).
- Confusão entre “por que/porque/por quê/porquê”.
Classes de palavras (com foco em uso e pegadinhas)
Conceito e aplicação
Classes de palavras são categorias gramaticais (substantivo, adjetivo, verbo etc.). Em provas, cobram-se funções e efeitos de sentido, especialmente em reescritas e correções.
Pontos mais cobrados
- Substantivo x adjetivo: “servidor público” (adjetivo) x “o público” (substantivo).
- Advérbio x adjetivo: “procedimento correto” (adjetivo) x “proceder corretamente” (advérbio).
- Pronomes de tratamento (uso formal): “Vossa Senhoria” (3ª pessoa: “Vossa Senhoria solicita”).
- Conjunções e relações lógicas: causa, consequência, condição, concessão (muito cobrado em reescrita).
Quadro de regras + exceções (pronomes de tratamento)
Regra: pronomes de tratamento exigem verbo na 3ª pessoa. Ex.: “Vossa Senhoria encaminha o relatório.” Erro comum: “Vossa Senhoria encaminhais...” (inadequado). Observação prática: em comunicações internas, mantenha uniformidade do tratamento ao longo do texto (não alternar “você” e “Vossa Senhoria”).Concordância verbal e nominal
Conceito e aplicação
Concordância é a relação de harmonia entre verbo e sujeito (verbal) e entre nomes (nominal). Em textos administrativos, a concordância correta evita interpretações equivocadas e é alvo frequente de questões de “correção gramatical”.
Concordância verbal: regras essenciais
1) Sujeito simples → verbo concorda com o núcleo. Ex.: “O setor encaminhou o memorando.” 2) Sujeito composto anteposto → verbo no plural (regra geral). Ex.: “O diretor e a chefia solicitaram providências.” 3) Sujeito composto posposto → plural ou concordância com o núcleo mais próximo (dependendo do estilo e da ênfase). Ex.: “Solicitaram/solicitou providências o diretor e a chefia.” (em prova, prefira o plural como forma mais segura). 4) Expressões partitivas (“a maioria de”, “parte de”) → verbo pode ir ao singular (ênfase no conjunto) ou plural (ênfase nos indivíduos). Ex.: “A maioria dos servidores concordou/concordaram.” 5) “Haver” no sentido de existir → impessoal (sempre singular). Ex.: “Houve inconsistências no relatório.” 6) “Fazer” indicando tempo → impessoal (singular). Ex.: “Faz dois dias que o sistema está instável.”Concordância nominal: regras essenciais
1) Adjetivo concorda com o substantivo. Ex.: “informações sigilosas”; “procedimento interno”. 2) Adjetivo posposto a dois substantivos de gêneros diferentes → pode ir ao masculino plural (regra geral). Ex.: “relatório e planilha anexos.” 3) “É proibido/é necessário/é bom” → varia se houver artigo. Ex.: “É proibida a entrada.” (com artigo “a”) / “É proibido entrada.” (sem artigo). 4) “Anexo”, “incluso”, “obrigado” → concordam com o termo a que se referem. Ex.: “Seguem anexas as planilhas.” / “Segue anexo o relatório.”Erros frequentes (lista)
- “Houveram problemas” (correto: “houve problemas”).
- “Fazem três anos” (correto: “faz três anos”, quando tempo decorrido).
- “Segue anexas o relatório” (correto: “Segue anexo o relatório” ou “Seguem anexos os relatórios”).
- “É proibido a entrada” (correto: “É proibida a entrada”).
Regência verbal e nominal
Conceito e aplicação
Regência é a relação de dependência entre um termo e seu complemento, com ou sem preposição. Em documentos, a regência impacta diretamente a crase e a correção formal.
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Verbos mais cobrados (com exemplos administrativos)
1) Assistir (ver) → “assistir a” Ex.: “O servidor assistiu à reunião.” 2) Informar → “informar algo a alguém” / “informar alguém de algo” Ex.: “Informou o fato à chefia.” / “Informou a chefia do fato.” 3) Comunicar → “comunicar algo a alguém” Ex.: “Comunica-se a alteração aos setores.” 4) Preferir → “preferir X a Y” Ex.: “Prefere-se o envio por e-mail ao envio impresso.” 5) Implicar (acarretar) → sem preposição Ex.: “A falha implica atraso.” 6) Obedecer → “obedecer a” Ex.: “Obedecer às normas internas.”Regência nominal (casos recorrentes)
1) “Necessário a” (necessário a algo) Ex.: “É necessária a atualização do cadastro.” (aqui é concordância) 2) “Favorável a” Ex.: “Parecer favorável à solicitação.” 3) “Ciente de” Ex.: “A chefia está ciente do ocorrido.” 4) “Apto a/para” Ex.: “Servidor apto a exercer a função.”Erros frequentes (lista)
- “Informar para” (em geral, prefira “informar algo a alguém” ou “informar alguém de algo”).
- “Preferir do que” (correto: “preferir X a Y”).
- “Implicar em” no sentido de acarretar (em prova, costuma ser considerado inadequado: “implicar atraso”).
Crase (à): quando usar e como testar
Conceito e aplicação
Crase é a fusão da preposição a com o artigo feminino a/as (ou com pronomes demonstrativos iniciados por “a”: aquele(s), aquela(s), aquilo). Em comunicações internas, aparece muito em expressões como “à chefia”, “à unidade”, “às normas”.
Passo a passo prático (teste da crase)
- 1) Verifique se o termo anterior exige preposição “a” (regência): “encaminhar a”, “dirigir-se a”, “obedecer a”.
- 2) Verifique se o termo seguinte admite artigo feminino “a/as”: “a chefia”, “a unidade”, “as normas”.
- 3) Se ambos ocorrerem, há crase: a + a = à; a + as = às.
- 4) Faça o teste do masculino: se no masculino vira “ao”, no feminino tende a virar “à”. Ex.: “ao setor” → “à unidade”.
Quadro de regras + exceções (crase)
Usa-se crase: 1) Antes de substantivo feminino com artigo: “Encaminho à chefia.” 2) Em locuções femininas: “à medida que”, “às vezes”, “à disposição”. 3) Antes de “aquele(s)/aquela(s)/aquilo”: “Refiro-me àquele memorando.” Não se usa crase: 1) Antes de palavra masculina: “a despacho” (na prática, reescreva: “ao despacho”). 2) Antes de verbo: “a partir de”, “a considerar”. 3) Antes de pronomes pessoais (em geral): “a ela”, “a você” (sem crase). 4) Antes de nomes de cidade sem artigo: “a Brasília” (sem crase); com artigo: “à Bahia” (uso regional/consagrado). Observação de prova: “à” antes de “casa” e “terra” só em casos específicos: “à casa” (quando especificada: “à casa do servidor”); “à terra” (quando oposta a bordo: “voltar à terra”).Erros frequentes (lista)
- “À partir de” (correto: “A partir de”).
- “Encaminho a à chefia” (correto: “Encaminho à chefia”).
- “Referente à o processo” (correto: “referente ao processo”).
Pontuação (clareza e segurança interpretativa)
Conceito e aplicação
Pontuação organiza a leitura e pode alterar sentido. Em textos administrativos, vírgulas indevidas podem gerar ambiguidade em determinações e prazos.
Regras mais cobradas com exemplos
1) Não separar sujeito e verbo por vírgula. Errado: “O servidor responsável, encaminhou o relatório.” Certo: “O servidor responsável encaminhou o relatório.” 2) Isolar adjuntos adverbiais deslocados (quando longos) e orações explicativas. Ex.: “Após a conferência dos anexos, encaminhe-se o processo.” Ex.: “Os documentos, que estavam incompletos, retornaram ao setor.” (explicativa) 3) Não usar vírgula antes de “e” em regra, salvo para ênfase/orações com sujeitos diferentes. Ex.: “O setor analisou o pedido e encaminhou resposta.” Ex.: “O setor analisou o pedido, e a chefia decidiu pelo indeferimento.” 4) Dois-pontos para introduzir enumeração/explicação. Ex.: “Solicita-se: (i) relatório; (ii) planilha; (iii) justificativa.”Erros frequentes (lista)
- Vírgula entre sujeito e verbo.
- Ausência de vírgula em adjunto adverbial longo no início da frase (prejudica clareza).
- Uso excessivo de ponto e vírgula sem necessidade.
Colocação pronominal (próclise, ênclise, mesóclise)
Conceito e aplicação
Colocação pronominal é a posição do pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos etc.) em relação ao verbo. Em textos formais, a banca costuma cobrar o respeito aos fatores de atração e evitar início de frase com pronome oblíquo.
Regras práticas mais cobradas
1) Próclise (pronome antes do verbo) com palavras atrativas: não, nunca, já, que, quem, quando, como, onde, talvez, pronomes indefinidos, etc. Ex.: “Não se admite atraso.” / “Quando se tratar de urgência, priorize-se.” 2) Ênclise (pronome após o verbo) quando não houver palavra atrativa e, em geral, no início de oração. Ex.: “Encaminhe-se o processo.” (forma comum em despachos) 3) Mesóclise (no futuro do presente/pretérito) em registro formal, quando não houver atrativo. Ex.: “Encaminhar-se-á o relatório.” (pouco usada, mas cobrada em prova) Observação: evite iniciar período com pronome: “Se encaminha...” → prefira “Encaminha-se...” (em textos formais).Erros frequentes (lista)
- Iniciar frase com pronome oblíquo em contexto formal (“Me informaram...”).
- Ignorar palavra atrativa (“Não encaminhe-se” → “Não se encaminhe”).
Correção de períodos e reescrita (manter sentido e adequação)
Conceito e aplicação
Correção de períodos envolve eliminar ambiguidades, ajustar concordância/regência, reduzir redundâncias e adequar o nível de formalidade. Em provas, é comum pedir reescrita “sem alterar o sentido” ou “mantendo a correção gramatical”.
Passo a passo prático para reescrever
- 1) Localize o núcleo do sentido (quem faz o quê, quando, por quê).
- 2) Verifique regência (preposições exigidas) e, em seguida, crase.
- 3) Ajuste concordância (sujeito/verbo; nome/adjetivo).
- 4) Simplifique períodos longos (divida orações, substitua gerúndios vagos, retire repetições).
- 5) Preserve conectivos (causa, condição, concessão) para não mudar a relação lógica.
Quadro: problemas típicos e correções-modelo
1) Ambiguidade de referente: “Solicitou ao diretor a chefia do setor.” Melhor: “A chefia do setor solicitou ao diretor...” (define o sujeito) 2) Redundância: “Reitero novamente o pedido.” Melhor: “Reitero o pedido.” 3) Gerúndio impreciso: “Estaremos encaminhando o relatório.” Melhor: “Encaminharemos o relatório.” / “O relatório será encaminhado.” 4) Formalidade: “A gente precisa ver isso.” Melhor: “É necessário verificar o assunto.”Lista de erros frequentes em comunicações internas (com correção)
- “Segue em anexo os documentos.” → “Seguem anexos os documentos.” ou “Segue anexo o documento.”
- “Houveram divergências no sistema.” → “Houve divergências no sistema.”
- “Encaminho para análise da chefia.” → “Encaminho à chefia para análise.” (ou “Encaminho para análise pela chefia”, se a banca aceitar a construção passiva analítica).
- “A nível de setor, houve mudança.” → “No setor, houve mudança.” / “Quanto ao setor, houve mudança.”
- “Conforme solicitado segue as informações.” → “Conforme solicitado, seguem as informações.”
- “Não encaminhe-se o processo.” → “Não se encaminhe o processo.”
Exercícios de transformação frasal (com gabarito comentado)
Exercício 1 (concordância e clareza)
Reescreva mantendo o sentido e corrigindo a concordância: “Segue anexas o relatório e a planilha para conferência.”
Gabarito comentado: “Seguem anexos o relatório e a planilha para conferência.” Comentário: sujeito composto (“o relatório e a planilha”) pede verbo no plural (“seguem”). O adjetivo “anexos” vai ao masculino plural por concordar com o conjunto (regra geral).
Exercício 2 (haver impessoal)
Reescreva mantendo o sentido: “Houveram inconsistências nos dados apresentados.”
Gabarito comentado: “Houve inconsistências nos dados apresentados.” Comentário: “haver” no sentido de existir é impessoal e fica no singular.
Exercício 3 (crase por regência)
Reescreva inserindo crase quando cabível: “Encaminho a chefia a solicitação recebida.”
Gabarito comentado: “Encaminho à chefia a solicitação recebida.” Comentário: “encaminhar” exige preposição “a” e “chefia” admite artigo “a” → a + a = à. Já “a solicitação” é objeto direto, sem preposição.
Exercício 4 (regência: preferir)
Reescreva mantendo o sentido e adequando a regência: “Preferimos enviar por e-mail do que imprimir.”
Gabarito comentado: “Preferimos o envio por e-mail à impressão.” Comentário: “preferir X a Y”. A reescrita nominaliza as ações e mantém a relação de preferência.
Exercício 5 (pontuação: adjunto adverbial deslocado)
Reescreva pontuando adequadamente: “Após a conferência dos anexos encaminhe-se o processo ao setor competente.”
Gabarito comentado: “Após a conferência dos anexos, encaminhe-se o processo ao setor competente.” Comentário: adjunto adverbial longo no início deve ser isolado por vírgula para facilitar leitura.
Exercício 6 (colocação pronominal com palavra atrativa)
Reescreva mantendo o sentido e corrigindo a colocação: “Não encaminhe-se o memorando sem assinatura.”
Gabarito comentado: “Não se encaminhe o memorando sem assinatura.” Comentário: “não” atrai o pronome (próclise).
Exercício 7 (reescrita formal: evitar gerúndio vago)
Reescreva mantendo o sentido e elevando a formalidade: “Estaremos verificando a situação e retornando em seguida.”
Gabarito comentado: “Verificaremos a situação e retornaremos em seguida.” Comentário: substitui-se o gerúndio por futuro do presente, mais direto e adequado ao padrão formal.
Exercício 8 (conectivo e sentido lógico)
Reescreva sem alterar a relação de causa: “O prazo foi prorrogado porque houve instabilidade no sistema.”
Gabarito comentado: “Houve instabilidade no sistema; por isso, o prazo foi prorrogado.” Comentário: mantém-se a causalidade (“por isso” indica consequência da causa apresentada).
Exercício 9 (evitar ambiguidade)
Reescreva para eliminar ambiguidade: “O servidor informou ao diretor o chefe do setor.”
Gabarito comentado: “O servidor informou ao diretor que o chefe do setor havia sido comunicado.” Comentário: a frase original permite leitura equivocada (parece que “o chefe do setor” é o objeto informado). A reescrita explicita a oração subordinada e o conteúdo da informação.
Exercício 10 (correção de “é proibido/necessário”)
Reescreva corrigindo a concordância: “É proibido a entrada de visitantes sem identificação.”
Gabarito comentado: “É proibida a entrada de visitantes sem identificação.” Comentário: com artigo “a” antes de “entrada”, a expressão varia e concorda com o substantivo feminino.