Neste capítulo você vai aprender a segurar a palheta e a tocar quatro levadas completas: balada, pop, sertanejo de raiz e reggae. Até aqui, sua mão direita só fazia um toque para baixo por tempo, como no capítulo do pulso e do metrônomo. Agora ela vai começar a dividir o tempo, ir e voltar, e dar caráter às progressões que você já monta com os acordes Em, Am, C, G, D, A, E e Dm.
Como segurar a palheta
A palheta é uma pequena placa de plástico em forma de gota. Para começar, escolha uma palheta fina ou média, que dobra um pouco ao tocar as cordas e perdoa erros de força. Segure assim: apoie a palheta sobre a lateral do dedo indicador da mão direita, dobrado como se você fosse apontar para o chão. Coloque o polegar por cima, de modo que a ponta da palheta sobre apenas meio centímetro para fora. Se sobrar muita palheta, ela vai enroscar nas cordas. Se sobrar pouco, o polegar vai raspar as cordas.
A palheta não fica perfeitamente plana em relação às cordas. Incline-a um pouquinho para a frente, de modo que a ponta corte a corda de lado, como uma faca que fatia em vez de bater. Isso produz um som mais macio e evita o estalo duro. O movimento vem do pulso e do antebraço, e não dos dedos. Imagine que você está sacudindo água da mão. A mão passa sobre as seis cordas em um arco pequeno, sem sair muito longe do violão.

Existem dois toques. O toque para baixo você já conhece: a palheta desce da corda seis em direção à corda um. O toque para cima é o caminho de volta: a palheta sobe da corda um em direção à corda seis. O toque para cima costuma pegar apenas três ou quatro cordas agudas, e isso é normal. Ele é mais leve que o toque para baixo, e essa diferença de peso é o que dá vida à levada.
Dividindo o tempo: um e dois e três e quatro e
Até agora você contava um, dois, três, quatro, e cada número recebia um toque para baixo. Para tocar levadas, vamos colocar uma palavra entre os números. Conte em voz alta: um e dois e três e quatro e. Cada tempo virou duas metades: o número e o e. A regra de ouro é simples. Nos números, a mão desce. Nos e, a mão sobe. Mesmo quando você não toca as cordas, a mão continua se movendo, descendo no número e subindo no e, como um pêndulo que nunca para. Tocar ou não tocar é só uma questão de encostar ou não a palheta nas cordas durante o movimento.
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Faça um teste sem acorde nenhum, com a mão esquerda apenas abafando as cordas. Ligue o metrônomo em sessenta bpm, conte em voz alta e toque baixo no número e cima no e, em todas as oito metades. Ouça um som seco e regular. Esse é o esqueleto de qualquer levada.
Levada um: balada em quatro por quatro
A balada é a levada mais usada em músicas lentas e em louvores. Aqui está a fórmula, tempo por tempo. No tempo um, toque para baixo, com peso. No tempo dois, toque para baixo e, no e, toque para cima. No tempo três, não toque nada no número, e no e toque para cima. No tempo quatro, toque para baixo e, no e, toque para cima. Fale assim, marcando onde a mão encosta: um, dois e, e, quatro e. Repare que o tempo três fica com um pequeno vazio que é preenchido pelo toque para cima. Esse vazio é o respiro que dá o balanço da balada.
Andamento sugerido: sessenta a setenta bpm. Progressão de exercício: C, G, Am, Dm, um acorde por compasso, repetindo o ciclo por cinco minutos. Comece com dois compassos por acorde se a troca ainda atrapalhar. Erro típico: parar a mão no tempo três, porque não há toque para baixo ali. Lembre-se de que a mão continua descendo no três, só não encosta nas cordas. Se ela parar, o toque para cima seguinte chega atrasado.
Levada dois: pop com acento nos tempos dois e quatro
A levada pop tem toques para baixo em todos os quatro tempos e toques para cima nos e do dois e do quatro. A fórmula: tempo um, baixo. Tempo dois, baixo com força e, no e, cima. Tempo três, baixo. Tempo quatro, baixo com força e, no e, cima. Fale: um, dois e, três, quatro e. O segredo está no acento, que é o toque mais forte. No pop, o acento cai nos tempos dois e quatro, e não no tempo um, como nosso ouvido espera. É o mesmo lugar onde bateria de qualquer música de rádio bate a caixa.
Andamento sugerido: oitenta a noventa bpm. Progressão de exercício: G, D, Em, C. Bata palmas antes de pegar o violão, contando e batendo apenas no dois e no quatro, para o corpo sentir o acento deslocado. Erro típico: acentuar o tempo um por hábito e deixar a levada quadrada. Grave trinta segundos no celular e ouça se o toque mais forte está mesmo no dois e no quatro.
Levada três: sertanejo de raiz e a batida moda de viola
No sertanejo de raiz, a mão direita imita uma dupla: o baixo grave e o rasgueado. Baixo grave é um toque para baixo curto apenas nas duas cordas mais grossas do acorde. Rasgueado é um toque para baixo aberto, atravessando todas as cordas do acorde com energia. A fórmula: tempo um, baixo grave em duas cordas. Tempo dois, rasgueado para baixo e, no e, cima. Tempo três, baixo grave em duas cordas. Tempo quatro, rasgueado para baixo e, no e, cima. Fale: um, dois e, três, quatro e, dizendo grave nos tempos um e três para lembrar de segurar a mão.
Quais são as duas cordas graves de cada acorde? Para E, Em e G, toque as cordas seis e cinco. Para A, Am e C, toque as cordas cinco e quatro. Para D e Dm, toque as cordas quatro e três. Andamento sugerido: setenta a oitenta bpm. Progressão de exercício: A, D, E, a clássica progressão dos graus um, quatro e cinco que você viu no capítulo anterior, e depois G, C, D. Erro típico: abrir demais o toque nos tempos um e três e pegar todas as cordas, o que apaga a diferença entre o baixo e o rasgueado. Mire a palheta bem perto da corda seis e freie o pulso logo depois da segunda corda.

Levada quatro: reggae nos contratempos
Contratempo é a metade do tempo que fica no e, entre um número e o outro. No reggae, a mão descansa exatamente onde as outras levadas batem forte: nos números não se toca nada, e nos e entra um toque para baixo curto e abafado. A fórmula: tempo um, silêncio, e no e toque para baixo curto. Tempo dois, silêncio, e no e toque para baixo curto. E assim nos tempos três e quatro. Fale: um pá, dois pá, três pá, quatro pá, dizendo pá no lugar do e e tocando junto com a sílaba.
Para o som ficar curto, use o abafamento. Logo depois de tocar, alivie a pressão dos dedos da mão esquerda sem tirá-los das cordas. Só que isso cala apenas as cordas que estão presas pelos dedos: as cordas soltas do acorde, como as cordas cinco e um do Am ou as cordas seis, dois e um do E, continuam soando. Por isso, faça também o abafamento com a mão direita: logo depois do toque, encoste de leve a lateral da palma sobre as cordas, perto da ponte. Se preferir, deite um dedo livre da mão esquerda sobre as cordas soltas. Com os dois abafamentos juntos, o acorde morre na hora, e o som seco é a marca do estilo. Como o toque cai no e, aqui a mão desce no e e sobe no número, ao contrário das outras levadas. Andamento sugerido: setenta a oitenta bpm, e o pé marcando forte os números para você não se perder. Progressão de exercício: Am, Dm, E e depois C, G, Am, Dm. Erro típico: deixar o acorde soar comprido e cheio, o que transforma o reggae em uma batida qualquer. Pense em toques que duram menos que uma piscada.
Mantendo a levada durante a troca de acorde
A regra do capítulo do metrônomo continua valendo: a mão direita nunca para. Com as levadas, isso fica mais fácil do que parece, porque o último toque para cima do tempo quatro cai justamente no tempo de preparação. Faça assim: no e do quatro, comece a soltar os dedos da mão esquerda enquanto a palheta sobe. O toque para cima vai pegar cordas soltas ou meio montadas, e isso soa como uma passagem natural. No tempo um seguinte, o novo acorde já está firme para receber o toque para baixo pesado.
Treine com o método do minuto que você já usa: escolha uma levada e dois acordes, ligue o metrônomo em sessenta bpm e conte quantas trocas você consegue sem a mão direita hesitar. Se a mão parar ou a levada quebrar, baixe o andamento antes de tentar de novo. Tocar limpo e devagar vale mais do que tocar rápido e sujo.
Recapitulando
Você aprendeu a segurar a palheta com meio centímetro de ponta, levemente inclinada, movendo o pulso como um pêndulo que desce nos números e sobe nos e da contagem um e dois e três e quatro e. Conheceu quatro levadas: a balada, com o respiro no tempo três; o pop, com acento nos tempos dois e quatro; o sertanejo de raiz, alternando baixo grave em duas cordas com rasgueado; e o reggae, com toques curtos e abafados nos contratempos. Cada uma tem seu andamento, sua progressão de treino e um erro típico para vigiar. E, em todas, a mão direita continua se movendo durante a troca de acorde, aproveitando o toque para cima do tempo quatro como tempo de preparação.