Neste capítulo você vai aprender a tocar sem palheta, usando os próprios dedos da mão direita. Vai conhecer o dedilhado em quatro e em três tempos, o samba simplificado, a bossa básica e a levada MPB, completando assim as oito levadas do livro que começaram no capítulo anterior. Tudo o que você já domina continua valendo: o metrônomo lento, a contagem em voz alta, o tempo de preparação e a regra de que a mão direita nunca para.
A mão direita com os dedos
Parta da posição de repouso da mão direita, ensinada no capítulo de postura. O antebraço apoia de leve na borda do tampo e a mão fica flutuando sobre a boca do violão, um pouco mais perto do cavalete do que do braço. O pulso fica levemente arqueado, como se você segurasse uma laranja grande, e os dedos ficam curvados.
Cada dedo tem uma letra e um endereço fixo. O polegar, que já chamamos de P, cuida das cordas graves: seis, cinco e quatro. O indicador recebe a letra i minúscula e fica na corda três. O médio recebe a letra m e fica na corda dois. O anular recebe a letra a e fica na corda um. O dedo mínimo não toca. Antes de começar qualquer padrão, encoste cada dedo na sua corda sem puxar: i na três, m na dois, a na um, e o polegar apoiado na corda grave do acorde. Esse encosto prévio é o segredo para não perder a corda, porque o dedo já sabe onde está antes de tocar.
O movimento dos dedos i, m e a é para dentro da mão, como quem chama alguém com o dedo, puxando a corda e deixando o dedo voltar sozinho ao lugar. O polegar faz o contrário: desce em direção ao chão, roçando a corda grave. Toque com a carne da ponta do dedo, com um pouquinho de unha se ela estiver curta e lisa. Unhas compridas demais na mão direita dão som metálico; se preferir, use só a ponta do dedo, que produz um som redondo e macio, muito bonito no violão de nylon.
A corda do baixo de cada acorde
Toda levada com os dedos começa pelo baixo, que é a corda grave mais importante do acorde, aquela que o polegar toca no tempo um. Grave esta lista, que vale para o livro inteiro. Mi menor e Mi maior: corda seis. Lá menor, Lá maior e Dó maior: corda cinco. Sol maior: corda seis. Ré maior e Ré menor: corda quatro. Repare que é sempre a corda mais grave que já tocamos em cada acorde, a mesma que aparecia em primeiro lugar na lista de duas cordas graves do capítulo de palheta.
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Levada cinco: dedilhado básico em quatro por quatro
Dedilhado é a levada em que as notas do acorde são tocadas uma de cada vez, em vez de todas juntas. É o som de balada suave, de canção de ninar e de muita música de igreja. Monte o acorde Lá menor, ligue o metrônomo em sessenta bpm e toque um dedo por tempo. No um, P toca a corda cinco. No dois, i toca a corda três. No três, m toca a corda dois. No quatro, a toca a corda um. Conte em voz alta um, dois, três, quatro, e repita sem parar. Depois de alguns compassos, troque para Mi menor no tempo de preparação e continue: agora o P vai à corda seis, e os outros três dedos não mudam de lugar. Esse é o grande conforto do dedilhado: quando o acorde muda, só o polegar muda de corda.
Quando esse padrão estiver tranquilo, use a contagem subdividida um e dois e três e quatro e para uma variação de oito notas. No um, P. No e, i. No dois, m. No e, a. No três, m. No e, i. No quatro, m. No e, a. Em letras, fica P, i, m, a, m, i, m, a. Ela preenche o compasso inteiro e soa fluida. Exercício: Dó, Sol, Lá menor, Ré menor, um acorde por compasso, em sessenta e cinco bpm, dizendo o nome do acorde no tempo um. Erro típico: o polegar se adianta e a mão acelera. Deixe o clique mandar e toque o baixo exatamente em cima dele.
Dedilhado em três por quatro para valsas e músicas de igreja
Em três tempos, a versão mais simples é baixo e duas pinças. Pinça, neste livro, é quando i, m e a puxam as cordas três, dois e um ao mesmo tempo, produzindo um acorde pequeno e limpo. Faça assim: no um, P no baixo; no dois, pinça; no três, pinça. Conte um, dois, três, com o um mais forte, e você já tem uma valsa. A segunda versão usa seis notas, duas por tempo, e é a mais bonita para hinos. No um, P. No e, i. No dois, m. No e, a. No três, m. No e, i. Em letras: P, i, m, a, m, i. Pratique com Dó, Sol, Lá menor e Ré menor, depois com Lá, Ré e Mi, em sessenta bpm, contando em voz alta. Esse padrão vai servir para as valsas e para a canção de Natal do repertório final.
Levada seis: samba simplificado
O samba de verdade tem uma riqueza rítmica que leva anos para amadurecer. Aqui você vai aprender uma versão simplificada que funciona muito bem para acompanhar canto. A ideia é o polegar marcar o baixo nos tempos um e três, como o surdo da bateria de escola de samba, e os três dedos pinçarem o acorde nos contratempos, que são os e da contagem. Comece com uma versão de treino, sem contratempo. No um, P no baixo. No dois, pinça. No três, P no baixo. No quatro, pinça. Isso ainda é uma marcha, mas serve para a mão se acostumar a alternar polegar e pinça. Quando estiver seguro, desloque as pinças para os e e acrescente uma pinça a mais. No um, P. No e, pinça. No dois, silêncio. No e, pinça. No três, P. No e, pinça. No quatro, silêncio. No e, pinça. Fale a contagem completa e perceba que o acorde parece sempre chegar um pouquinho antes do tempo: isso é o balanço. Andamento: sessenta bpm no início, subindo até setenta e cinco. Progressão: Sol, Ré, Dó, Ré, um acorde por compasso, lembrando de mudar o polegar para a corda seis, quatro e cinco conforme o acorde. Erro típico: a pinça sair pesada e encobrir o baixo. Toque as três cordas agudas com metade da força do polegar.
Levada sete: bossa básica
A bossa nova nasceu do samba tocado baixinho no violão, e tem dois ingredientes novos. O primeiro é o baixo alternado: o polegar toca a corda do baixo no tempo um e, no tempo três, toca a corda grave vizinha. Em Lá menor, corda cinco e depois corda quatro; em Mi maior, corda seis e depois corda cinco; em Ré menor e em Ré maior, corda quatro e depois corda cinco, a vizinha mais grossa, porque a corda três pertence ao dedo i e o baixo precisa continuar na região grave. Repare que o polegar nunca sai das cordas seis, cinco e quatro. O segundo ingrediente é a síncope, que é o acorde puxado fora do tempo, antecipado em relação ao clique. Conte bem devagar. No um, P na corda do baixo. No e, pinça. No dois, silêncio. No e, pinça. No três, P na corda alternada. No e, silêncio. No quatro, pinça. No e, silêncio. E o ciclo recomeça. As duas primeiras pinças caem nos contratempos e a terceira cai em cima do tempo quatro; é essa mistura que dá o gingado característico. Andamento: sessenta bpm, e não tenha pressa em subir, porque bossa é para ser tocada calma. Progressão: Lá menor, Ré menor, Mi, Mi, com dois compassos em cada acorde no começo. Erro típico: perder a conta nos silêncios. Nesses momentos, encoste os dedos nas cordas sem tocar e marque o pulso com o pé.

Levada oito: levada MPB
A levada de MPB, sigla de música popular brasileira, mistura dedilhado com batida. Ela usa dois recursos. O primeiro é a pinça completa: o polegar toca o baixo no mesmo instante em que i, m e a puxam as cordas três, dois e um, soando quatro cordas de uma vez. O segundo é a batida com o dorso dos dedos: um toque leve para baixo nas cordas usando as costas das unhas de i, m e a juntos, como quem espana uma migalha da mesa. Faça assim. No um, pinça completa. No dois, batida com o dorso para baixo. No e, pinça só de i, m e a. No três, pinça completa. No quatro, batida com o dorso para baixo. No e, pinça de i, m e a. Conte um, dois e, três, quatro e. Andamento sugerido: setenta bpm. Progressão: Dó, Sol, Lá menor, Ré menor, e depois Sol, Ré, Mi menor, Dó. Erro típico: a batida com o dorso sair forte e áspera. Ela deve ser um sopro, sempre mais baixa que a pinça.
Como treinar as quatro levadas
- Trabalhe uma levada por dia, por cerca de dez minutos, sempre com metrônomo e contagem em voz alta.
- Comece com um só acorde até o padrão sair sem pensar; só depois acrescente a progressão.
- Na troca de acorde, apenas o polegar muda de corda; i, m e a continuam nas cordas três, dois e um. Prepare a mão esquerda no tempo de preparação, como sempre.
- Se um dedo perde a corda, volte a encostá-lo antes de puxar e reduza o andamento em cinco bpm.
- Tensão ou dor no pulso direito é dor de alerta: pare, solte o ombro, arqueie de novo o pulso e retome com o andamento mais lento.
Resumo
Você aprendeu a posição da mão direita para tocar com os dedos: polegar P nas cordas graves, indicador i na corda três, médio m na corda dois e anular a na corda um, sempre encostados antes de puxar. Memorizou a corda do baixo de cada acorde: corda seis para Em, E e G; corda cinco para Am, A e C; corda quatro para D e Dm. Conheceu quatro padrões descritos por contagem falada: o dedilhado em quatro por quatro e em três por quatro, o samba simplificado com baixo nos tempos um e três e pinças nos contratempos, a bossa básica com baixo alternado e síncope, e a levada MPB com pinça completa e batida leve com o dorso dos dedos. Com as quatro levadas de palheta do capítulo anterior, seu conjunto de oito levadas está completo, e todas seguem a mesma lógica: andamento lento, contagem em voz alta e mão direita que nunca para.