O que é um funil de captação (e por que ele muda seu jogo)
Funil de captação é a forma de organizar, medir e melhorar o caminho que um proprietário percorre até o imóvel ficar ativo para comercialização. Em vez de “fazer de tudo um pouco”, você passa a enxergar etapas claras, com números e prazos, para identificar onde está travando e o que precisa ajustar.
Um funil específico de captação pode ser estruturado assim: leads de proprietários → qualificados → visita marcada → visita realizada → proposta/contrato → imóvel ativo. O objetivo da gestão do funil é manter fluxo constante entre as etapas, com metas operacionais (atividades) e metas de resultado (imóveis captados/ativos).
Estrutura do funil: definições práticas de cada etapa
1) Leads de proprietários
São contatos de proprietários que podem virar captação. Aqui entram nomes/telefones/e-mails recebidos por qualquer canal (indicação, parcerias, online, prospecção local), desde que você consiga retornar.
- Regra de ouro: lead só existe se tiver próxima ação definida (ex.: “ligar hoje 16h”, “enviar mensagem amanhã 9h”).
2) Qualificados
Leads que passaram por um filtro mínimo e fazem sentido para seu foco atual. Qualificação, na gestão do funil, significa: “vale investir tempo para tentar visita?”.
- Saída desta etapa: lead qualificado com status “pronto para agendar visita” ou “em nutrição/retorno futuro”.
3) Visita marcada
Existe data e horário confirmados com o proprietário. Gestão aqui é reduzir faltas e remarcações.
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- Critério: só conta como “marcada” quando houver confirmação explícita (mensagem/áudio/ok).
4) Visita realizada
Aconteceu de fato. A gestão desta etapa é garantir que toda visita gere um próximo passo claro (proposta/ajustes/retorno).
- Critério: visita realizada deve gerar registro completo e tarefa de follow-up com prazo.
5) Proposta/contrato
Você formalizou condições e está em negociação/assinatura. Gestão aqui é velocidade e clareza: pendências, objeções e prazos.
- Critério: existe documento enviado e data combinada para retorno/assinatura.
6) Imóvel ativo
Imóvel pronto para ser divulgado e atendido, com tudo que precisa para entrar em operação (cadastro completo, mídia, regras de atendimento, chaves, etc.).
- Critério: “ativo” é quando está publicável e atendível, não quando “assinou”.
Como montar seu funil em uma planilha ou CRM (passo a passo)
Passo 1: crie campos mínimos obrigatórios
- Nome do proprietário
- Telefone/WhatsApp e e-mail
- Endereço/região
- Tipo de imóvel
- Origem do lead (canal)
- Etapa do funil (uma das 6)
- Próxima ação (o que fazer)
- Data da próxima ação (quando fazer)
- Observações (objeções, preferências, contexto)
Passo 2: defina regras de passagem de etapa (para não “maquiar” números)
Sem regra, você acha que está avançando, mas só está mudando status. Use critérios objetivos:
- Lead → Qualificado: respondeu e confirmou interesse real em conversar sobre captação + imóvel dentro do seu foco.
- Qualificado → Visita marcada: data/hora confirmadas.
- Visita marcada → Visita realizada: visita ocorreu.
- Visita realizada → Proposta/contrato: proposta enviada ou contrato encaminhado.
- Proposta/contrato → Imóvel ativo: tudo pronto para operação (não apenas “quase”).
Passo 3: crie uma visão em quadro (Kanban) + uma visão em agenda
Use duas formas de enxergar o mesmo funil:
- Kanban: colunas por etapa para ver volume e gargalos.
- Agenda: lista diária por “próxima ação” para executar sem depender de memória.
Metas operacionais vs. metas de resultado (com indicadores semanais)
Metas de resultado (o que você quer obter)
- Imóveis ativos por semana/mês
- Contratos assinados por semana/mês
- Visitas realizadas por semana
Essas metas são importantes, mas você não controla totalmente o “sim” do proprietário. Por isso, elas precisam ser sustentadas por metas operacionais.
Metas operacionais (o que você controla)
- Número de tentativas de contato por dia
- Número de conversas efetivas por dia (contatos atendidos/respondidos)
- Número de qualificados por semana
- Número de visitas marcadas por semana
- Número de follow-ups feitos no prazo (SLA)
Indicadores semanais essenciais (painel simples)
Monte um painel semanal com contagem por etapa e taxas de conversão. Exemplo de tabela para acompanhar:
| Métrica | Meta semanal | Realizado | Taxa | Observação |
|---|---|---|---|---|
| Leads de proprietários | 40 | — | — | Por canal |
| Qualificados | 20 | — | Qualificados/Leads | Qualidade do lead |
| Visitas marcadas | 10 | — | Marcadas/Qualificados | Agendamento |
| Visitas realizadas | 8 | — | Realizadas/Marcadas | No-show/remarcação |
| Propostas/contratos enviados | 6 | — | Propostas/Visitas | Follow-up |
| Imóveis ativos | 3 | — | Ativos/Propostas | Ativação |
Como transformar meta de imóveis ativos em meta de atividades (exemplo prático)
Suponha que você quer 3 imóveis ativos/semana. Você olha suas taxas médias (iniciais, estimadas) e calcula para trás:
Meta: 3 ativos/semanaExemplo de taxas (ajuste com seus dados reais):
- Proposta/contrato → Ativo: 60%
- Visita realizada → Proposta/contrato: 75%
- Visita marcada → Visita realizada: 80%
- Qualificado → Visita marcada: 50%
- Lead → Qualificado: 50%
Calculando o necessário (aproximação):
- Para 3 ativos com 60%: precisa de 5 propostas/contratos (3 / 0,60 = 5)
- Para 5 propostas com 75%: precisa de 7 visitas realizadas (5 / 0,75 ≈ 7)
- Para 7 realizadas com 80%: precisa de 9 visitas marcadas (7 / 0,80 ≈ 9)
- Para 9 marcadas com 50%: precisa de 18 qualificados (9 / 0,50 = 18)
- Para 18 qualificados com 50%: precisa de 36 leads (18 / 0,50 = 36)
Resultado: para buscar 3 ativos/semana, você precisa gerar algo como 36 leads, 18 qualificados, 9 visitas marcadas, 7 visitas realizadas e 5 propostas por semana. Isso vira sua meta operacional.
Rotina diária de consistência (blocos de execução)
A rotina precisa proteger o que mais gera avanço de etapa: contato, follow-up e agendamento. Um modelo de dia útil (ajuste horários conforme sua realidade):
Bloco 1 (manhã): contato ativo + respostas rápidas
- Objetivo: transformar leads em conversas e conversas em qualificados.
- Tarefas: ligar/enviar mensagens para leads novos, responder retornos, confirmar dados mínimos e registrar no funil.
- Regra: todo contato termina com uma próxima ação agendada (mesmo que seja “retornar em 7 dias”).
Bloco 2 (meio do dia): follow-up de qualificados e propostas
- Objetivo: não deixar “morrer” quem já avançou.
- Tarefas: cobrar retorno de proposta/contrato, responder objeções, ajustar condições, confirmar documentos pendentes, confirmar visitas do dia seguinte.
- SLA sugerido: follow-up de proposta no máximo a cada 24–48h úteis enquanto estiver “quente”.
Bloco 3 (tarde): visitas e agendamentos
- Objetivo: realizar visitas e sair com próximo passo definido.
- Tarefas: visitas presenciais, remarcações, envio de proposta após visita (quando aplicável), confirmação de agenda.
Bloco 4 (fim do dia): cadastro interno, organização e relacionamento
- Objetivo: manter operação limpa e pronta para o dia seguinte.
- Tarefas: atualizar etapas no funil, registrar objeções, criar tarefas futuras, organizar pendências de ativação, enviar mensagens de relacionamento (sem vender agressivamente).
Checklist diário de consistência (10–15 minutos)
- Quantos leads novos entraram hoje?
- Quantos foram contatados no mesmo dia?
- Quantos qualificados foram gerados?
- Quantas visitas foram marcadas e confirmadas?
- Quais follow-ups estão vencidos?
- Qual é o “próximo passo” de cada visita realizada hoje?
Rotina semanal (cadência para não perder o controle)
Segunda: planejamento e abastecimento do funil
- Definir metas da semana (leads, qualificados, visitas, propostas, ativos).
- Separar lista de contatos prioritários (leads novos + qualificados parados + propostas abertas).
- Bloquear na agenda os blocos de contato e follow-up (como compromissos fixos).
Terça a quinta: execução pesada + visitas
- Manter volume de contato e follow-up.
- Concentrar visitas em janelas fixas (ex.: tardes), para reduzir deslocamentos e aumentar taxa de realização.
Sexta: fechamento de pendências e ativação
- “Mutirão” de propostas/contratos em aberto.
- Resolver pendências que impedem ativação (o que falta para o imóvel ficar ativo?).
- Revisar funil e preparar lista de ações da próxima semana.
Revisão semanal (30–45 minutos): o ritual que melhora o funil
Faça sempre no mesmo dia/horário. Perguntas objetivas:
- Qual etapa acumulou volume (gargalo)?
- Qual canal trouxe mais qualificados (não só leads)?
- Qual foi a taxa de no-show em visitas marcadas?
- Quanto tempo, em média, um lead ficou parado sem próxima ação?
- Qual objeção mais apareceu em propostas/contratos?
Como evitar gargalos comuns (e o que fazer quando eles aparecem)
Gargalo 1: muitos leads, poucas visitas marcadas
Sintoma no painel: Leads altos, Qualificados até existem, mas “Visita marcada/Qualificados” baixo.
Causas comuns de gestão:
- Demora para responder (lead esfria).
- Falta de cadência de tentativas (poucas tentativas por lead).
- Próxima ação mal definida (“qualquer dia eu ligo”).
- Agenda pouco flexível (poucas janelas para visita).
Correções práticas (passo a passo):
- Defina um SLA de primeiro contato: tentar contato no mesmo dia (ou em até 24h úteis).
- Crie uma regra de cadência: 3 tentativas em 48h (ex.: manhã/tarde/noite) antes de colocar em “retorno futuro”.
- Ofereça 2 opções de horário para visita (ex.: “amanhã 18h ou quinta 9h?”) para facilitar decisão.
- Bloqueie na agenda janelas fixas de visita (ex.: ter/qui 14–18h; sáb 9–12h).
Gargalo 2: visitas marcadas, mas poucas visitas realizadas
Sintoma no painel: “Visita realizada/Visita marcada” baixo, com remarcações e faltas.
Causas comuns de gestão:
- Confirmação fraca (sem reconfirmação).
- Proprietário inseguro e “foge” no dia.
- Visitas marcadas com muita antecedência sem reforço.
Correções práticas:
- Implemente confirmação em 2 tempos: no dia anterior e no dia (mensagem curta e objetiva).
- Envie um “pré-roteiro” simples: duração estimada, o que será visto, e o que você precisa que esteja disponível (chaves, acesso, etc.).
- Reduza intervalos: priorize visitas em até 72h após qualificação, quando o interesse está mais alto.
Gargalo 3: visitas realizadas, mas poucas propostas/contratos
Sintoma no painel: “Proposta/Visita realizada” baixo.
Causas comuns de gestão:
- Próximo passo não é combinado ao final da visita.
- Proposta demora para ser enviada.
- Pendências ficam difusas (ninguém sabe o que falta).
Correções práticas (processo):
- Finalize toda visita com um acordo de próximos passos: “eu envio X até tal hora e você me retorna até tal dia”.
- Crie um padrão de tempo: proposta/condições enviadas em até 24h úteis após a visita (quando aplicável).
- Use uma lista de pendências por imóvel em formato de checklist com dono e prazo (ex.: “proprietário envia documento X até quarta 12h”).
Gargalo 4: contratos fechados, mas imóvel não vira ativo
Sintoma no painel: “Imóvel ativo/Proposta/contrato” baixo e muitos itens em “pendente”.
Causas comuns de gestão:
- Ativação sem responsável e sem prazo.
- Dependência de terceiros (chaves, autorização, fotos) sem follow-up.
- Cadastro incompleto travando publicação e atendimento.
Correções práticas:
- Crie a etapa intermediária interna: “Ativação em andamento” (mesmo que não apareça no funil público), com checklist e data limite.
- Defina um prazo padrão de ativação (ex.: 48–72h após assinatura) e trate como meta operacional.
- Tenha um bloco fixo semanal de “ativação” (ex.: sexta de manhã) para zerar pendências.
Regras de ouro para manter o funil saudável
- Sem próxima ação, não existe lead: todo registro precisa de tarefa e data.
- O funil é uma fila: o que está mais perto de virar ativo tem prioridade no dia (follow-up e propostas antes de prospecção extra).
- Cadência vence motivação: blocos fixos de contato e follow-up protegem sua consistência.
- Taxas importam mais que “sensação”: se a conversão cai, ajuste processo antes de aumentar volume.
- Uma etapa por vez: evite pular etapas no sistema; isso esconde gargalos e impede melhoria.