A gestão de contratadas e a terceirização em SST consiste em estabelecer requisitos, controles e rotinas de fiscalização para que empresas terceiras executem serviços com segurança, sem transferir indevidamente riscos para trabalhadores, clientes e patrimônio. Em uma instituição financeira com grande capilaridade, como agências e edifícios administrativos, os serviços terceirizados mais comuns (limpeza, manutenção predial, vigilância, obras e reformas leves) exigem padronização de regras de acesso, verificação de capacitações, controle de permissões e resposta rápida a incidentes envolvendo terceiros.
1) Escopo típico de terceirizados e riscos críticos em unidades da Caixa
Serviços terceirizados frequentes
- Limpeza e conservação: uso de químicos, trabalho em altura eventual (limpeza de vidros), risco de quedas, cortes, contato com resíduos, circulação em áreas com público.
- Manutenção predial: elétrica, ar-condicionado, hidráulica, telhados, elevadores, geradores/UPS, risco de choque elétrico, arco elétrico, queda, aprisionamento, energização inesperada.
- Vigilância e portaria: postura, turnos, abordagem de ocorrências, interface com público, risco de violência, controle de acesso.
- Obras e reformas leves: poeira, ruído, interferência em rotas de fuga, isolamento de áreas, trabalho com ferramentas elétricas, corte e perfuração, risco de incêndio por trabalho a quente.
Pontos de atenção em ambiente bancário
- Convivência com público: necessidade de isolamento físico, sinalização e controle de circulação.
- Áreas sensíveis: tesouraria, salas de TI, CFTV, casa de máquinas, áreas técnicas e rotas de fuga.
- Continuidade operacional: intervenções com janela de manutenção, controle de ruído/poeira, gestão de energia e climatização.
- Risco reputacional e contratual: incidentes com terceiros impactam imagem e podem gerar responsabilização solidária/subsidiária conforme o caso, além de sanções contratuais.
2) Modelo de governança: quem faz o quê (matriz de responsabilidades)
Uma matriz de responsabilidades (estilo RACI) evita lacunas: define quem executa, quem aprova, quem deve ser consultado e quem precisa ser informado. Abaixo, um exemplo adaptável para unidades bancárias.
Matriz RACI (exemplo)
Atividade / Papel Gestor do Contrato SST (Eng.) Fiscal de Campo Contratada Unidade (Agência) Segurança Patrimonial SESMT/Medicina (quando aplicável) Compras/Jurídico (quando aplicável) TI/Infra (quando aplicável) Brigada/Facilities (quando aplicável) CIPA/Representantes (quando aplicável) Cliente/Público (impactado) Órgãos externos (quando aplicável) RACI (resumo) Evidência mínima Frequência Critério de aceite Ação corretiva padrão SLA Penalidade contratual (se aplicável) Observações Link/Registro Status Data Responsável Assinatura Comentários Anexos Versão Revisão Aprovação Treinamento Comunicação Auditoria Indicadores Riscos Controles Permissões Acesso Incidentes Emergência Encerramento Lições aprendidas Plano de ação Prazo Custo Impacto Prioridade Monitoramento Relatório Foto Checklist PT APR DDS Integração EPI EPC Bloqueio/LOTO Isolamento Sinalização Resíduos Transporte Ferramentas Subcontratação Seguro ASO Certificados ART Cronograma Interferências Interface Aprovação final Liberação de área Entrega Aceite final Arquivamento Retenção Confidencialidade LGPD Segurança da informação CFTV Chaves Credencial Visitante Acompanhamento Reunião Ata Notificação Multa Suspensão Rescisão Reincidência Escalonamento Comitê Direção Compliance Controladoria Auditoria interna Auditoria externa Regulador Ministério do Trabalho (quando aplicável) Bombeiros (quando aplicável) Defesa Civil (quando aplicável) Concessionária (quando aplicável) Fornecedor Fabricante Manual Procedimento Norma interna NR aplicável Política Termo Anexo Formulário Registro Sistema Portal E-mail Telefone Plantão 24/7 Horário comercial Feriado Noturno Final de semana Janela Interdição Permissão Liberação Revalidação Renovação Vencimento Alerta Bloqueio Desbloqueio Escopo Mudança Gestão de mudanças MOC Aprovação MOC Risco residual Aceitação de risco Comitê de risco Plano de contingência Backup Continuidade Retorno Teste Simulado Treinamento Reciclagem Certificação Avaliação Prova Lista de presença Foto evidência Geolocalização QR code Assinatura digital Carimbo Data/hora Observação Não conformidade Ação Responsável Prazo Verificação Encerramento Indicador KPI Dashboard Relatório mensal Relatório semanal Relatório diário Reunião de alinhamento Reunião de obra Reunião de segurança DDS Toolbox APR PT Checklist Inspeção Auditoria Investigação Comunicação Registro Arquivo Retenção Encerramento (Modelo: simplificar conforme necessidade)Para uso prático, recomenda-se uma versão enxuta com 10 a 15 atividades essenciais. Exemplo de atividades: homologação documental, integração, liberação de acesso, emissão de permissões, inspeções, gestão de mudanças, comunicação de incidentes, bloqueio de atividades inseguras, aceite de entrega e encerramento.
3) Homologação de contratadas: requisitos de SST e documentação
A homologação é o processo de verificar se a empresa terceirizada tem capacidade técnica e organizacional para executar o serviço com segurança. Deve ocorrer antes do início das atividades e ser revalidada conforme periodicidade e criticidade do contrato.
Checklist de homologação (documentos e evidências)
- Cadastro e regularidade: CNPJ, contrato social, certidões exigidas pelo contrato, apólices/seguros quando previstos.
- Responsável técnico: indicação formal e, quando aplicável, ART/registro do responsável pela execução (ex.: elétrica/obras).
- Gestão de SST da contratada: política/procedimentos internos aplicáveis ao serviço, evidências de gestão de riscos do próprio serviço (ex.: procedimentos de bloqueio, trabalho em altura, ferramentas elétricas).
- Capacitações: certificados compatíveis com as tarefas (ex.: eletricidade, trabalho em altura, espaço confinado, operação de plataformas, combate a incêndio quando aplicável), com validade e carga horária.
- Saúde ocupacional: comprovação de aptidão ocupacional dos trabalhadores para as atividades previstas (apto para função e restrições), conforme exigências contratuais e legais.
- Relação nominal: lista de trabalhadores autorizados, com função, documento, empresa, supervisor e contatos.
- Plano de trabalho: escopo, cronograma, horários, interferências com operação da agência, medidas de isolamento e limpeza, plano de descarte de resíduos.
- Equipamentos e ferramentas: lista de ferramentas, máquinas e equipamentos a serem utilizados, com inspeções e manutenções quando aplicável.
- EPI/EPC: lista mínima por atividade e comprovação de fornecimento/treinamento de uso pela contratada.
- Subcontratação: regra explícita (permitida ou não) e, se permitida, exigência de homologação equivalente para subcontratadas.
Passo a passo prático da homologação
- 1. Classificar criticidade do serviço: baixo (limpeza rotineira), médio (manutenção predial simples), alto (elétrica, trabalho em altura, obra com interferência em rotas de fuga).
- 2. Definir pacote documental por criticidade: quanto maior o risco, maior o nível de evidência exigida (procedimentos, permissões, responsável técnico, inspeções).
- 3. Conferir validade e aderência: checar datas, assinaturas, coerência entre função e treinamento, compatibilidade com o escopo.
- 4. Aprovar ou devolver com pendências: registrar pendências com prazo e bloquear mobilização até regularização.
- 5. Registrar em sistema/planilha de controle: status (aprovado/pendente), vencimentos, responsáveis e alertas de renovação.
4) Integração de terceiros e regras de acesso
A integração é a etapa em que o trabalhador terceirizado recebe orientações específicas do local (agência/edifício) e entende as regras de convivência, rotas, áreas restritas e como atuar em emergências. Deve ser obrigatória antes do primeiro acesso operacional.
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Conteúdo mínimo de integração (foco em agência)
- Mapa de áreas: áreas permitidas, áreas restritas (tesouraria, TI, CFTV), rotas de circulação e pontos de encontro.
- Regras de convivência: isolamento de área, sinalização, proibição de improvisos, organização e limpeza, controle de poeira/ruído.
- Emergências: alarmes, rotas de fuga, ponto de encontro, como acionar responsáveis locais.
- Comunicação: quem é o fiscal local, como registrar ocorrências e como interromper atividade por condição insegura.
- Permissões: quando é obrigatória permissão de trabalho (ex.: elétrica, trabalho a quente, intervenção em áreas técnicas).
- Segurança patrimonial: credencial, controle de chaves, acompanhamento, proibição de fotos em áreas sensíveis, regras de entrada de materiais.
Regras de acesso (exemplo operacional)
- Credenciamento: acesso somente com identificação, lista nominal aprovada e autorização do gestor/fiscal.
- Acompanhamento: atividades em áreas técnicas ou com risco elevado exigem acompanhamento do fiscal/representante da unidade.
- Horários: preferir janelas fora do atendimento ao público para intervenções com ruído, poeira, desligamentos e isolamento.
- Controle de ferramentas: registro de entrada/saída de ferramentas e materiais; proibição de ferramentas não previstas sem autorização.
- Isolamento e sinalização: barreiras físicas, fitas, cones e placas; nunca deixar área parcialmente isolada com público circulando.
5) Verificação de capacitações e autorização para tarefas críticas
Além de checar certificados na homologação, é necessário validar se a capacitação é aplicável à tarefa real e se o trabalhador está autorizado pela contratada e pelo contratante para executar a atividade no local.
Passo a passo prático para validar capacitações
- 1. Mapear tarefas críticas do serviço: por exemplo, abertura de quadro elétrico, uso de escada, perfuração de parede, trabalho em forro.
- 2. Vincular tarefa a exigências: definir quais evidências são obrigatórias (certificado, experiência, supervisão, permissão).
- 3. Conferir identidade e função: garantir que o certificado pertence ao trabalhador e que a função no contrato corresponde ao que será executado.
- 4. Definir nível de supervisão: tarefas críticas podem exigir supervisor presente e autorização formal.
- 5. Registrar autorização: lista de autorizados por atividade e validade; bloquear execução por não autorizado.
6) Controle de riscos e fiscalização de campo
O controle de riscos com terceiros depende de rotinas de inspeção e de mecanismos de parada segura. A fiscalização deve ser planejada (checklists) e também reativa (resposta a desvios observados).
Rotina de fiscalização (modelo aplicável)
- Antes de iniciar: confirmar integração, isolamento, ferramentas adequadas, EPI/EPC, permissões emitidas, condições do local (iluminação, acesso, rotas livres).
- Durante: verificar disciplina operacional (barreiras mantidas, organização, ausência de improvisos), cumprimento de permissões e comunicação com a unidade.
- Após: limpeza e liberação da área, retirada de resíduos, restauração de proteções, teste funcional quando aplicável, registro fotográfico e aceite.
Checklist de campo (exemplos de itens)
- Área isolada e sinalizada sem acesso do público.
- Rotas de fuga desobstruídas.
- Ferramentas em bom estado e cabos sem danos.
- Uso correto de EPI conforme tarefa.
- Controle de poeira (barreiras, aspiração) e ruído (horário, mitigação).
- Materiais armazenados sem risco de queda/tropeço.
- Não conformidades registradas e tratadas (prazo e responsável).
Autoridade de parada (stop work)
Deve existir regra explícita: qualquer condição insegura crítica autoriza a interrupção imediata da atividade pelo fiscal/gestor e, quando aplicável, pelo profissional de SST. A retomada só ocorre após correção e registro.
7) Gestão de permissões e interferências (trabalhos simultâneos)
Em agências, é comum ocorrerem atividades simultâneas (limpeza + manutenção de ar-condicionado + obra leve). A gestão de permissões coordena interferências para evitar conflitos (ex.: poeira em área com atendimento, desligamento elétrico afetando TI, bloqueio de rota de fuga).
Passo a passo prático para gerir permissões e interferências
- 1. Reunião rápida de planejamento: alinhar escopo do dia, horários e áreas.
- 2. Mapear interferências: energia, climatização, acesso a áreas restritas, rotas de fuga, ruído/poeira.
- 3. Definir controles: isolamento, janelas de desligamento, barreiras de poeira, sinalização, escolta/acompanhamento.
- 4. Emitir permissões necessárias: por atividade e por local, com validade e responsáveis.
- 5. Monitorar e registrar: inspeções e ajustes; registrar mudanças de escopo (gestão de mudanças).
8) Comunicação e tratamento de incidentes envolvendo terceiros
Incidentes com terceiros devem seguir fluxo claro de comunicação, preservando evidências e garantindo resposta rápida. A contratada deve comunicar imediatamente ocorrências, e o contratante deve registrar, acionar responsáveis e definir medidas de contenção.
Fluxo prático de comunicação (modelo)
- 1. Ação imediata: interromper atividade, isolar área e atender a emergência (se houver).
- 2. Notificação: contratada informa fiscal/gestor do contrato e responsável local; registrar horário, local, envolvidos e descrição.
- 3. Preservação: manter cenário quando possível, coletar fotos e depoimentos, guardar permissões e checklists do dia.
- 4. Classificação: definir gravidade e necessidade de escalonamento interno.
- 5. Ações corretivas: plano com prazos; bloquear retorno da atividade se risco persistir.
- 6. Aprendizado operacional: atualizar checklist, regras de acesso ou requisitos de homologação quando houver falha sistêmica.
Regras contratuais recomendadas para incidentes
- Prazo de comunicação: imediata para incidentes e quase-acidentes relevantes; relatório em prazo definido.
- Obrigação de cooperação: fornecimento de documentos, registros e presença do supervisor.
- Sanções: previsão de advertência, multa, suspensão e substituição de equipe em caso de reincidência ou gravidade.
9) Indicadores e controles para gestão contínua
Indicadores simples ajudam a priorizar fiscalização e identificar contratadas com maior desvio.
Exemplos de indicadores aplicáveis
- Conformidade documental: % de trabalhadores com documentação válida e integração realizada.
- Conformidade em campo: nº de não conformidades por inspeção e taxa de reincidência.
- Permissões: % de atividades críticas executadas com permissão emitida e encerrada corretamente.
- Incidentes: nº de incidentes/quase-acidentes por tipo de serviço e unidade.
- Prazo de correção: tempo médio para fechamento de ações corretivas.
10) Estudo de caso: manutenção elétrica e obras leves em agência
Cenário
Uma agência precisa executar: (a) substituição de disjuntor e reorganização de circuitos em quadro elétrico; (b) abertura de passagem em drywall para passagem de cabos de rede; (c) reparo de luminárias no salão de atendimento. O serviço será realizado por contratada de manutenção predial, em horário reduzido de atendimento, com circulação de clientes e empregados.
Riscos operacionais e contratuais típicos
- Operacionais: choque elétrico/arco elétrico, energização inesperada, queda de escada, poeira e detritos no salão, bloqueio de rota de fuga, interrupção de sistemas (TI/alarme/CFTV), acesso indevido a áreas sensíveis.
- Contratuais: execução fora do escopo, subcontratação não autorizada, equipe sem capacitação válida, ausência de responsável técnico, falha de comunicação de incidentes, danos ao patrimônio e paralisação da agência.
Plano de controle (passo a passo)
- 1. Pré-mobilização (D-3 a D-1): validar homologação da contratada e da equipe específica; confirmar responsável técnico e documentação aplicável; receber plano de trabalho com cronograma e janelas de desligamento.
- 2. Reunião de alinhamento (D-1): gestor do contrato, fiscal local, SST e supervisor da contratada alinham: áreas de intervenção, isolamento, rotas alternativas, comunicação com gerente da agência e segurança patrimonial.
- 3. Integração no local (D0 antes de iniciar): reforçar áreas restritas, regras de circulação, proibição de fotos, controle de chaves e acesso ao quadro elétrico; definir ponto de apoio e armazenamento de materiais.
- 4. Controle de acesso e isolamento: credenciais conferidas; isolamento físico do entorno do quadro e da área de drywall; sinalização visível ao público; rota de fuga mantida livre.
- 5. Permissões e autorizações: emitir permissão para intervenção elétrica e para atividade com geração de poeira; definir responsável pela liberação e encerramento; registrar início/fim e condições.
- 6. Gestão de energia e interferências: programar desligamento por circuito; comunicar previamente impactos em TI/alarme; confirmar retorno seguro antes de liberar área; evitar desligamentos totais sem necessidade.
- 7. Execução com fiscalização: inspeções durante a atividade; verificação de organização, barreiras, uso de ferramentas adequadas e disciplina operacional; aplicar parada imediata em caso de improviso (ex.: cabo exposto, barreira removida).
- 8. Limpeza e liberação: remoção de resíduos e pó; inspeção final do local; teste de iluminação e circuitos; retirada de sinalização somente após liberação formal.
- 9. Registro e aceite: anexar checklist, permissões encerradas, fotos do antes/depois (somente de áreas permitidas), relatório de execução e eventuais desvios com plano de ação.
Como mitigar riscos contratuais (cláusulas e controles práticos)
- Escopo e fronteiras: descrever claramente o que pode e o que não pode ser feito (ex.: proibição de mexer em sistemas de segurança/alarme sem autorização).
- Equipe mínima e qualificação: exigir supervisor e eletricista autorizado; prever substituição imediata de trabalhador sem requisitos.
- Subcontratação: condicionar a autorização prévia e homologação equivalente.
- Janela de manutenção: definir horários permitidos e penalidade por execução fora da janela sem aprovação.
- Responsabilidade por danos: prever reparo/ressarcimento e prazos; exigir proteção de mobiliário e equipamentos.
- Comunicação de incidentes: prazo imediato e relatório formal; obrigação de cooperação e fornecimento de evidências.
- Critérios de aceite: serviço só é aceito com área limpa, sistemas testados e permissões encerradas; retenção de pagamento vinculada ao aceite quando aplicável.
Exemplo de checklist específico (elétrica + obra leve)
- Lista nominal conferida e credenciais ativas.
- Isolamento do quadro elétrico e área de drywall implementado e mantido.
- Ferramentas elétricas com cabos íntegros e organização do posto de trabalho.
- Controle de poeira (barreira/aspiração) e proteção de equipamentos sensíveis.
- Comunicação do desligamento e confirmação de retorno de energia por circuito.
- Rotas de fuga livres durante toda a intervenção.
- Encerramento formal das permissões e liberação da área pelo fiscal.