Escolha de região e micro-região para captação de imóveis com método

Capítulo 2

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

O que significa “região” e “micro-região” na captação

Região é o recorte principal onde você vai atuar com regularidade (ex.: 1 bairro inteiro, um raio de 1–2 km a partir de um ponto, ou um eixo comercial com ruas específicas). Ela precisa ser realista para você cobrir com frequência, criar reconhecimento local e manter um fluxo constante de contatos.

Micro-região é um subconjunto dentro da região, com características próprias de tipologia (tipo de imóvel) e demanda (quem compra/aluga e por quê). Exemplos: “miolo residencial com prédios de 2 dormitórios”, “ruas com casas antigas passíveis de reforma”, “entorno de hospital com demanda de locação”, “condomínios-clube com ticket mais alto”.

O método consiste em: delimitar uma região que você consegue executar + mapear micro-regiões com critérios objetivos + transformar isso em um mapa de prospecção e rotas semanais.

Delimitação de uma área de atuação realista (bairro, raio e eixos)

Passo a passo para escolher o formato do seu recorte

  • Escolha 1 formato principal para começar (você pode combinar depois):
    • Bairro: bom quando o bairro é “coeso” (perfil parecido, limites claros, oferta suficiente).
    • Raio: bom quando você tem um ponto âncora (sua base, um shopping, estação, hospital, universidade). Ex.: raio de 1 km.
    • Eixos comerciais: bom quando a demanda é puxada por avenidas/ruas específicas (corredores de comércio, serviços, transporte).
  • Defina o tamanho pela sua capacidade de execução: quantas quadras/condomínios você consegue visitar e revisitar por semana. Se você não consegue voltar ao mesmo lugar com frequência, o recorte está grande demais.
  • Crie limites físicos fáceis: avenidas, rios, linhas de trem, parques, grandes vias. Isso evita “escapar” da área sem perceber.

Regra prática de dimensionamento

Comece com um recorte que permita repetição. Um bom ponto de partida é algo como:

  • 20 a 40 quadras (ou equivalente em ruas) para prospecção ativa;
  • 10 a 25 condomínios como carteira prioritária;
  • 5 a 15 pontos geradores de leads (comércios/serviços/portarias) para relacionamento.

Se você já tem rotina intensa de rua, pode ampliar. Se depende mais de contatos e visitas pontuais, reduza para manter consistência.

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Mapeamento de micro-regiões por tipologia e demanda

Como identificar tipologias dominantes

Em cada parte do seu recorte, observe e registre o que predomina:

  • Apartamentos: studios/1 dorm, 2 dorm, 3+ dorm, cobertura, garden.
  • Casas: térreas, sobrados, vilas, casas antigas com potencial de retrofit.
  • Comercial: salas, lojas de rua, galpões, conjuntos.
  • Condomínios: padrão econômico, médio, alto; com lazer completo ou básico; torres antigas vs. novas.

O objetivo não é “catalogar tudo”, e sim separar o território em bolsões onde a conversa com proprietários e a oferta de imóveis tende a ser semelhante.

Como inferir demanda (sem adivinhação)

Demanda é o “porquê” alguém quer morar/instalar-se ali. Você pode inferir com sinais concretos:

  • Mobilidade: proximidade de estações, corredores de ônibus, acesso a vias rápidas.
  • Serviços: hospitais, escolas, faculdades, mercados, centros empresariais.
  • Estilo de vida: parques, gastronomia, vida noturna, segurança percebida.
  • Perfil de ocupação: mais locação (rotatividade) vs. mais compra (estabilidade).

Transforme isso em hipóteses simples do tipo: “Entorno do hospital tende a ter procura por locação de 1–2 dormitórios por profissionais e acompanhantes” ou “Próximo à estação tende a ter procura por compactos com boa liquidez”.

Critérios objetivos para escolher micro-regiões prioritárias

Use critérios mensuráveis para decidir onde focar primeiro. Abaixo, um conjunto de critérios com perguntas práticas e uma forma simples de pontuar.

1) Liquidez (velocidade de venda/locação)

  • Perguntas: imóveis similares “giram” rápido? Há muita rotatividade de placas? Corretores locais comentam que sai fácil?
  • Sinais: alta procura por tipologias específicas (ex.: 2 dormitórios), baixa permanência de anúncios, visitas frequentes.
  • Como pontuar: 1 (lento) a 5 (rápido).

2) Ticket médio (faixa de preço)

  • Perguntas: o ticket está alinhado ao seu público e ao seu posicionamento? Você consegue atender bem essa faixa com seu tempo e estrutura?
  • Uso prático: ticket define o tipo de proprietário, o tipo de objeção e o nível de exigência de apresentação.
  • Como pontuar: 1 (fora do seu foco) a 5 (muito alinhado).

3) Perfil do público (comprador/inquilino típico)

  • Perguntas: é jovem, família, investidor, estudante, profissional de saúde, executivo? O que essa pessoa valoriza?
  • Uso prático: ajuda a escolher quais tipologias captar e como descrever benefícios do imóvel.
  • Como pontuar: 1 (público difuso) a 5 (público bem definido).

4) Oferta concorrente (quantidade e força dos concorrentes)

  • Perguntas: há muitas imobiliárias dominando a área? Muitos corretores “de porta” nos mesmos condomínios? Portarias fechadas para captação?
  • Uso prático: concorrência alta não é proibitiva, mas exige diferenciação e rotina mais forte.
  • Como pontuar: 1 (concorrência muito forte) a 5 (concorrência administrável).

5) Sazonalidade (variação por época do ano)

  • Perguntas: a demanda aumenta em períodos específicos (volta às aulas, férias, transferências corporativas)? O comércio local muda o fluxo?
  • Uso prático: planejar picos de prospecção e ajustar metas semanais.
  • Como pontuar: 1 (muito instável) a 5 (estável).

6) Infraestrutura (atratividade e barreiras)

  • Perguntas: há obras, alagamentos, ruído, falta de vagas, segurança, iluminação, calçadas? Há melhorias previstas?
  • Uso prático: infraestrutura impacta objeções e precificação; também define quais ruas evitar.
  • Como pontuar: 1 (muitas barreiras) a 5 (muito favorável).

Matriz simples de priorização (modelo)

Monte uma tabela e some os pontos. Priorize as micro-regiões com maior nota total.

Micro-regiãoLiquidez (1-5)Ticket (1-5)Público (1-5)Concorrência (1-5)Sazonalidade (1-5)Infra (1-5)Total
Entorno da estação54434424
Miolo residencial antigo33345321
Condomínios-clube45424524

Depois, escolha 2 micro-regiões principais e 1 secundária para iniciar. Isso evita dispersão e permite repetição.

Criação do mapa de prospecção (quadras-alvo, condomínios prioritários e pontos geradores de leads)

Passo a passo para montar seu mapa (em 60–90 minutos)

  • 1) Desenhe o perímetro: marque no mapa as ruas-limite do seu recorte (bairro/raio/eixo).
  • 2) Divida em micro-regiões: pinte/rotule áreas com tipologia e demanda semelhantes (ex.: “compactos”, “casas”, “alto padrão”).
  • 3) Selecione quadras-alvo: escolha as quadras com maior concentração do tipo de imóvel que você quer captar primeiro. Critérios práticos: mais prédios, mais casas com placa, ruas com melhor conservação, proximidade de serviços.
  • 4) Liste condomínios prioritários: dentro das quadras-alvo, selecione condomínios com maior potencial (ex.: muitos apartamentos, portaria ativa, histórico de rotatividade, padrão procurado).
  • 5) Marque pontos geradores de leads: locais que concentram pessoas e informações do bairro, úteis para relacionamento e indicação.

Como escolher condomínios prioritários (checklist objetivo)

  • Densidade: número de unidades (quanto maior, mais oportunidades).
  • Rotatividade: sinais de mudança (fretes, reformas, placas recorrentes, comentários de porteiros).
  • Tipologia alinhada: metragem e dormitórios que seu público mais procura.
  • Acesso: portaria permite contato respeitoso? Há horários melhores para falar?
  • Concorrência interna: já existe “corretor fixo” dominando? Se sim, vale entrar apenas se você tiver proposta clara de valor e rotina.

Pontos geradores de leads: o que marcar no mapa

Marque e categorize pontos onde você pode criar presença e obter sinais de movimento imobiliário (sempre com abordagem respeitosa e sem atrapalhar o funcionamento):

  • Comércios: padarias, cafés, mercados de bairro, lojas de material de construção (sinalizam reformas e mudanças).
  • Serviços: lavanderias, pet shops, academias, escolas, clínicas (concentram moradores e funcionários).
  • Portarias: condomínios com porteiros/zeladores (ponto-chave para entender rotatividade e horários de maior fluxo).
  • Mobilidade: estações, terminais, pontos de ônibus principais (indicam demanda por compactos e locação).
  • Âncoras: hospitais, universidades, polos empresariais (puxam demanda específica).

Modelo de ficha de micro-região (para usar no campo)

MICRO-REGIÃO: ____________________________  DATA: ___/___/____  HORÁRIO: ________  CLIMA: ________
TIPOLOGIA DOMINANTE: ( ) studios/1d  ( ) 2d  ( ) 3+d  ( ) casas  ( ) comercial
DEMANDA PROVÁVEL: _________________________
TICKET MÉDIO (estimado): ___________________
SINAIS DE LIQUIDEZ: ________________________
CONCORRÊNCIA (quem atua aqui?): ____________
INFRA/OBJEÇÕES (ruído, vaga, segurança): ____
QUADRAS-ALVO (ruas): _______________________
CONDOMÍNIOS PRIORITÁRIOS: _________________
PONTOS GERADORES DE LEADS: ________________
PRÓXIMA AÇÃO (rota/contatos): ______________

Transformando o mapa em execução: plano operacional semanal por rotas

Princípios do plano semanal

  • Rotas fixas: repetir as mesmas rotas cria reconhecimento e aumenta a chance de captar no timing certo.
  • Blocos curtos e frequentes: melhor 4 blocos de 60–90 min do que 1 bloco longo e raro.
  • Equilíbrio: combinar (a) quadras-alvo, (b) condomínios prioritários e (c) pontos geradores de leads.

Modelo de semana (ajuste à sua agenda)

DiaRotaFocoMeta objetivaRegistro obrigatório
SegundaMicro-região A (quadras 1–8)Varredura de quadras-alvoMapear placas/sinais + 10 novos contatos úteisRuas percorridas + imóveis observados + próximos retornos
TerçaCondomínios A1–A5Condomínios prioritários2 tentativas de contato por condomínio (horários diferentes)Nome/turno da portaria (quando disponível) + observações
QuartaMicro-região B (eixo comercial)Pontos geradores de leads5 pontos visitados + 5 conversas curtasPonto visitado + tema/necessidade percebida
QuintaCondomínios B1–B5Condomínios prioritáriosAtualizar status (mudanças, reformas, unidades vagas)Checklist do condomínio + data do próximo retorno
SextaMicro-região A (quadras 9–16)Revisita e confirmaçãoRevisitar sinais da semana + ajustar prioridadesO que mudou + quais quadras sobem/descem no ranking
Sábado (opcional)Rota curta mistaHorários alternativosTestar horários e fluxo (manhã)Comparativo de movimento vs. dias úteis

Como montar suas rotas (passo a passo)

  • 1) Agrupe por proximidade: cada rota deve caber em 60–90 minutos a pé ou com deslocamento mínimo.
  • 2) Defina início e fim: comece por um ponto âncora (estação, praça, comércio) e termine perto de outro ponto útil.
  • 3) Intercale tipos de alvo: em uma rota, combine 70% quadras/condomínios + 30% pontos geradores de leads.
  • 4) Programe revisitas: condomínios prioritários pedem retorno em dias/horários diferentes (ex.: manhã e fim de tarde).
  • 5) Feche com atualização do mapa: ao final do bloco, registre rapidamente o que foi visto e ajuste o ranking (o mapa “vive”).

Indicadores simples para saber se sua região está bem escolhida

  • Você consegue revisitar os mesmos pontos pelo menos 1 vez por semana (ideal: 2).
  • Você observa sinais novos a cada semana (mudanças, reformas, placas, movimentação).
  • Você consegue descrever o público de cada micro-região em 1 frase.
  • Você tem uma lista crescente de condomínios e pontos geradores de leads com histórico de contato e retorno programado.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao escolher uma região para captação de imóveis com método, qual abordagem está mais alinhada à execução consistente e ao mapeamento de micro-regiões?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A consistência vem de um recorte realista, com repetição e revisitas. O método combina delimitação executável, mapeamento de micro-regiões por tipologia e demanda com critérios mensuráveis e um plano operacional em rotas semanais.

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Definição de perfil de imóvel ideal e critérios de qualificação para captação

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