O que significa “região” e “micro-região” na captação
Região é o recorte principal onde você vai atuar com regularidade (ex.: 1 bairro inteiro, um raio de 1–2 km a partir de um ponto, ou um eixo comercial com ruas específicas). Ela precisa ser realista para você cobrir com frequência, criar reconhecimento local e manter um fluxo constante de contatos.
Micro-região é um subconjunto dentro da região, com características próprias de tipologia (tipo de imóvel) e demanda (quem compra/aluga e por quê). Exemplos: “miolo residencial com prédios de 2 dormitórios”, “ruas com casas antigas passíveis de reforma”, “entorno de hospital com demanda de locação”, “condomínios-clube com ticket mais alto”.
O método consiste em: delimitar uma região que você consegue executar + mapear micro-regiões com critérios objetivos + transformar isso em um mapa de prospecção e rotas semanais.
Delimitação de uma área de atuação realista (bairro, raio e eixos)
Passo a passo para escolher o formato do seu recorte
- Escolha 1 formato principal para começar (você pode combinar depois):
- Bairro: bom quando o bairro é “coeso” (perfil parecido, limites claros, oferta suficiente).
- Raio: bom quando você tem um ponto âncora (sua base, um shopping, estação, hospital, universidade). Ex.: raio de 1 km.
- Eixos comerciais: bom quando a demanda é puxada por avenidas/ruas específicas (corredores de comércio, serviços, transporte).
- Defina o tamanho pela sua capacidade de execução: quantas quadras/condomínios você consegue visitar e revisitar por semana. Se você não consegue voltar ao mesmo lugar com frequência, o recorte está grande demais.
- Crie limites físicos fáceis: avenidas, rios, linhas de trem, parques, grandes vias. Isso evita “escapar” da área sem perceber.
Regra prática de dimensionamento
Comece com um recorte que permita repetição. Um bom ponto de partida é algo como:
- 20 a 40 quadras (ou equivalente em ruas) para prospecção ativa;
- 10 a 25 condomínios como carteira prioritária;
- 5 a 15 pontos geradores de leads (comércios/serviços/portarias) para relacionamento.
Se você já tem rotina intensa de rua, pode ampliar. Se depende mais de contatos e visitas pontuais, reduza para manter consistência.
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Mapeamento de micro-regiões por tipologia e demanda
Como identificar tipologias dominantes
Em cada parte do seu recorte, observe e registre o que predomina:
- Apartamentos: studios/1 dorm, 2 dorm, 3+ dorm, cobertura, garden.
- Casas: térreas, sobrados, vilas, casas antigas com potencial de retrofit.
- Comercial: salas, lojas de rua, galpões, conjuntos.
- Condomínios: padrão econômico, médio, alto; com lazer completo ou básico; torres antigas vs. novas.
O objetivo não é “catalogar tudo”, e sim separar o território em bolsões onde a conversa com proprietários e a oferta de imóveis tende a ser semelhante.
Como inferir demanda (sem adivinhação)
Demanda é o “porquê” alguém quer morar/instalar-se ali. Você pode inferir com sinais concretos:
- Mobilidade: proximidade de estações, corredores de ônibus, acesso a vias rápidas.
- Serviços: hospitais, escolas, faculdades, mercados, centros empresariais.
- Estilo de vida: parques, gastronomia, vida noturna, segurança percebida.
- Perfil de ocupação: mais locação (rotatividade) vs. mais compra (estabilidade).
Transforme isso em hipóteses simples do tipo: “Entorno do hospital tende a ter procura por locação de 1–2 dormitórios por profissionais e acompanhantes” ou “Próximo à estação tende a ter procura por compactos com boa liquidez”.
Critérios objetivos para escolher micro-regiões prioritárias
Use critérios mensuráveis para decidir onde focar primeiro. Abaixo, um conjunto de critérios com perguntas práticas e uma forma simples de pontuar.
1) Liquidez (velocidade de venda/locação)
- Perguntas: imóveis similares “giram” rápido? Há muita rotatividade de placas? Corretores locais comentam que sai fácil?
- Sinais: alta procura por tipologias específicas (ex.: 2 dormitórios), baixa permanência de anúncios, visitas frequentes.
- Como pontuar: 1 (lento) a 5 (rápido).
2) Ticket médio (faixa de preço)
- Perguntas: o ticket está alinhado ao seu público e ao seu posicionamento? Você consegue atender bem essa faixa com seu tempo e estrutura?
- Uso prático: ticket define o tipo de proprietário, o tipo de objeção e o nível de exigência de apresentação.
- Como pontuar: 1 (fora do seu foco) a 5 (muito alinhado).
3) Perfil do público (comprador/inquilino típico)
- Perguntas: é jovem, família, investidor, estudante, profissional de saúde, executivo? O que essa pessoa valoriza?
- Uso prático: ajuda a escolher quais tipologias captar e como descrever benefícios do imóvel.
- Como pontuar: 1 (público difuso) a 5 (público bem definido).
4) Oferta concorrente (quantidade e força dos concorrentes)
- Perguntas: há muitas imobiliárias dominando a área? Muitos corretores “de porta” nos mesmos condomínios? Portarias fechadas para captação?
- Uso prático: concorrência alta não é proibitiva, mas exige diferenciação e rotina mais forte.
- Como pontuar: 1 (concorrência muito forte) a 5 (concorrência administrável).
5) Sazonalidade (variação por época do ano)
- Perguntas: a demanda aumenta em períodos específicos (volta às aulas, férias, transferências corporativas)? O comércio local muda o fluxo?
- Uso prático: planejar picos de prospecção e ajustar metas semanais.
- Como pontuar: 1 (muito instável) a 5 (estável).
6) Infraestrutura (atratividade e barreiras)
- Perguntas: há obras, alagamentos, ruído, falta de vagas, segurança, iluminação, calçadas? Há melhorias previstas?
- Uso prático: infraestrutura impacta objeções e precificação; também define quais ruas evitar.
- Como pontuar: 1 (muitas barreiras) a 5 (muito favorável).
Matriz simples de priorização (modelo)
Monte uma tabela e some os pontos. Priorize as micro-regiões com maior nota total.
| Micro-região | Liquidez (1-5) | Ticket (1-5) | Público (1-5) | Concorrência (1-5) | Sazonalidade (1-5) | Infra (1-5) | Total |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Entorno da estação | 5 | 4 | 4 | 3 | 4 | 4 | 24 |
| Miolo residencial antigo | 3 | 3 | 3 | 4 | 5 | 3 | 21 |
| Condomínios-clube | 4 | 5 | 4 | 2 | 4 | 5 | 24 |
Depois, escolha 2 micro-regiões principais e 1 secundária para iniciar. Isso evita dispersão e permite repetição.
Criação do mapa de prospecção (quadras-alvo, condomínios prioritários e pontos geradores de leads)
Passo a passo para montar seu mapa (em 60–90 minutos)
- 1) Desenhe o perímetro: marque no mapa as ruas-limite do seu recorte (bairro/raio/eixo).
- 2) Divida em micro-regiões: pinte/rotule áreas com tipologia e demanda semelhantes (ex.: “compactos”, “casas”, “alto padrão”).
- 3) Selecione quadras-alvo: escolha as quadras com maior concentração do tipo de imóvel que você quer captar primeiro. Critérios práticos: mais prédios, mais casas com placa, ruas com melhor conservação, proximidade de serviços.
- 4) Liste condomínios prioritários: dentro das quadras-alvo, selecione condomínios com maior potencial (ex.: muitos apartamentos, portaria ativa, histórico de rotatividade, padrão procurado).
- 5) Marque pontos geradores de leads: locais que concentram pessoas e informações do bairro, úteis para relacionamento e indicação.
Como escolher condomínios prioritários (checklist objetivo)
- Densidade: número de unidades (quanto maior, mais oportunidades).
- Rotatividade: sinais de mudança (fretes, reformas, placas recorrentes, comentários de porteiros).
- Tipologia alinhada: metragem e dormitórios que seu público mais procura.
- Acesso: portaria permite contato respeitoso? Há horários melhores para falar?
- Concorrência interna: já existe “corretor fixo” dominando? Se sim, vale entrar apenas se você tiver proposta clara de valor e rotina.
Pontos geradores de leads: o que marcar no mapa
Marque e categorize pontos onde você pode criar presença e obter sinais de movimento imobiliário (sempre com abordagem respeitosa e sem atrapalhar o funcionamento):
- Comércios: padarias, cafés, mercados de bairro, lojas de material de construção (sinalizam reformas e mudanças).
- Serviços: lavanderias, pet shops, academias, escolas, clínicas (concentram moradores e funcionários).
- Portarias: condomínios com porteiros/zeladores (ponto-chave para entender rotatividade e horários de maior fluxo).
- Mobilidade: estações, terminais, pontos de ônibus principais (indicam demanda por compactos e locação).
- Âncoras: hospitais, universidades, polos empresariais (puxam demanda específica).
Modelo de ficha de micro-região (para usar no campo)
MICRO-REGIÃO: ____________________________ DATA: ___/___/____ HORÁRIO: ________ CLIMA: ________
TIPOLOGIA DOMINANTE: ( ) studios/1d ( ) 2d ( ) 3+d ( ) casas ( ) comercial
DEMANDA PROVÁVEL: _________________________
TICKET MÉDIO (estimado): ___________________
SINAIS DE LIQUIDEZ: ________________________
CONCORRÊNCIA (quem atua aqui?): ____________
INFRA/OBJEÇÕES (ruído, vaga, segurança): ____
QUADRAS-ALVO (ruas): _______________________
CONDOMÍNIOS PRIORITÁRIOS: _________________
PONTOS GERADORES DE LEADS: ________________
PRÓXIMA AÇÃO (rota/contatos): ______________Transformando o mapa em execução: plano operacional semanal por rotas
Princípios do plano semanal
- Rotas fixas: repetir as mesmas rotas cria reconhecimento e aumenta a chance de captar no timing certo.
- Blocos curtos e frequentes: melhor 4 blocos de 60–90 min do que 1 bloco longo e raro.
- Equilíbrio: combinar (a) quadras-alvo, (b) condomínios prioritários e (c) pontos geradores de leads.
Modelo de semana (ajuste à sua agenda)
| Dia | Rota | Foco | Meta objetiva | Registro obrigatório |
|---|---|---|---|---|
| Segunda | Micro-região A (quadras 1–8) | Varredura de quadras-alvo | Mapear placas/sinais + 10 novos contatos úteis | Ruas percorridas + imóveis observados + próximos retornos |
| Terça | Condomínios A1–A5 | Condomínios prioritários | 2 tentativas de contato por condomínio (horários diferentes) | Nome/turno da portaria (quando disponível) + observações |
| Quarta | Micro-região B (eixo comercial) | Pontos geradores de leads | 5 pontos visitados + 5 conversas curtas | Ponto visitado + tema/necessidade percebida |
| Quinta | Condomínios B1–B5 | Condomínios prioritários | Atualizar status (mudanças, reformas, unidades vagas) | Checklist do condomínio + data do próximo retorno |
| Sexta | Micro-região A (quadras 9–16) | Revisita e confirmação | Revisitar sinais da semana + ajustar prioridades | O que mudou + quais quadras sobem/descem no ranking |
| Sábado (opcional) | Rota curta mista | Horários alternativos | Testar horários e fluxo (manhã) | Comparativo de movimento vs. dias úteis |
Como montar suas rotas (passo a passo)
- 1) Agrupe por proximidade: cada rota deve caber em 60–90 minutos a pé ou com deslocamento mínimo.
- 2) Defina início e fim: comece por um ponto âncora (estação, praça, comércio) e termine perto de outro ponto útil.
- 3) Intercale tipos de alvo: em uma rota, combine 70% quadras/condomínios + 30% pontos geradores de leads.
- 4) Programe revisitas: condomínios prioritários pedem retorno em dias/horários diferentes (ex.: manhã e fim de tarde).
- 5) Feche com atualização do mapa: ao final do bloco, registre rapidamente o que foi visto e ajuste o ranking (o mapa “vive”).
Indicadores simples para saber se sua região está bem escolhida
- Você consegue revisitar os mesmos pontos pelo menos 1 vez por semana (ideal: 2).
- Você observa sinais novos a cada semana (mudanças, reformas, placas, movimentação).
- Você consegue descrever o público de cada micro-região em 1 frase.
- Você tem uma lista crescente de condomínios e pontos geradores de leads com histórico de contato e retorno programado.